Filmes levantam questões políticas

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Longas que estreiam na Mostra foram premiados em Berlim e Cannes.
Em princípio, as similaridades entre Body, da polonesa Malgorzata Szumowska, e Para o Outro Lado, do japonês Kiyoshi Kurosawa, parecem simplesmente anedóticas. Talvez não sejam. Body concorreu e foi premiado em Berlim. Para o Outro Lado integrou a seleção da mostra Un Certain Regard e também foi premiado em Cannes. Em ambos os casos, o repórter encontrou-se com os diretores. Body/Corpo articula seu relato em torno de três personagens. Um trabalha numa morgue, sua filha anoréxica passa o filme vomitando o que come e há a terapeuta que acredita que pode se comunicar com os mortos, como forma de ajudar a garota a superar sua crise de ansiedade/identidade. Para o Outro Lado é sobre uma relação que desafia a própria morte.
Três anos após a morte do marido, ele volta, é acolhido pela mulher e partem numa viagem - de reaproximação ou de ruptura definitiva? Existem fantasmas em grandes clássicos do cinema japonês. Integram-se ao mundo dos vivos em Contos da Lua Vaga, de Kenji Mizoguchi, ameaçam o equilíbrio dos vivos no terrorífico Kwaidan, as Quatro Faces do Medo, de Masaki Kobayashi. Kurosawa diz que seu filme não é sobre fantasmas, mas sobre relações. Ele se baseou num livro de sucesso no Japão (de Kazumi Yumoto) e, quando passou em Cannes, o filme, já lançado no país de origem, também fazia sucesso.
A grande diferença de ambos talvez esteja no tratamento. Kurosawa trata sua história com algum toque melodramático. Yumoto é um autor conhecido por seus livros para crianças e adolescentes.
Journey To the Shore, título original, Jornada para o Outro Lado fornece o que o diretor definiu como interpretação espiritual do 'mitoru', costume japonês pelo qual as famílias ficam comprometidas a acompanhar seus queridos terminais até o fim.
Malgorzata prefere apostar no humor. Ela critica a burocracia, a falta de fé. Sendo a Polônia um país católico, até sob o comunismo, e tendo sido o falecido Papa João Paulo II a liderança que todo mundo reconhece, o filme dela talvez tenha a dimensão de um acerto de contas com o passado.
A configuração dos personagens, do relato, revela uma Polônia em crise, dividida entre tradição e modernidade. Pensando de forma mais abrangente, cabe indagar. A mãe morta, num filme, o marido, no outro. A mãe pode ser a pátria, a Igreja. O pai, a autoridade. "Vocês (críticos e jornalistas) procuram significados demais. O que me interessou foi a questão do fato. Os laços permanecem, após a morte?", explicou, a título de interrogação, o cineasta japonês.
Pode-se lembrar que o tema da anorexia está presente em outro filme premiado da Mostra. O sueco Minha Irmã Magra, de Sanna Lenken, recebeu o Crystal Bear na Berlinale, como melhor filme da mostra Juventude. Todas essas garotas inseguras com suas imagens - e todas indo contra conceitos e formas estabelecidos pelas gerações anteriores. Pode-se preferir, talvez, o misterioso filme de Kurosawa, com sua ideias do casamento como um vínculo permanente. O diretor fez uma observação curiosa - no Japão, o público preferencial do filme era feminino e, dentro dele, um número considerável de viúvas, que encontravam, no post-mortem, uma forma de reconciliação com os maridos workaholics, que as negligenciavam.
Agência Estado

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Papa: Constituição “Pastor Bonus” está em pleno vigor



O Papa Francisco enviou nesta terça-feira (27/10) ao Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin uma carta sobre a regulamentação do processo de reforma da Cúria Romana. Enquanto o percurso de reforma de algumas estruturas da Cúria Romana (à qual se está já a dedicar o Conselho de Cardeais por mim instituído em 28 de setembro de 2013) está a decorrer segundo o programa estabelecido – lê-se no documento – devo salientar que, entretanto, surgiram  alguns problemas que pretendo prontamente enfrentar.


Antes de tudo o Papa reafirma que este período de transição não é de modo algum um tempo de vacatio legis e confirma, portanto, que ainda estão em pleno vigor a Constituição Apostólica Pastor Bonus, com as sucessivas alterações nela realizadas, e o Regulamento Geral da Cúria Romana.

E o Papa Francisco continua sublinhando que, dada a necessidade do cumprimento das normas comuns para garantir a realização regular do trabalho na Cúria Romana e nas instituições ligadas à Santa Sé, para garantir um tratamento equitativo, mesmo economicamente, a todos os colaboradores e colaboradoras, o Santo Padre ordena que sejam respeitadas escrupulosamente as disposições dos documentos acima mencionados, bem como o Regulamento para o pessoal dirigente leigo da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano e o Regulamento da Comissão independente de avaliação para o recrutamento de pessoal leigo na Sé Apostólica.

Como consequência, diz ainda o Papa na carta, o recrutamento e as transferências do pessoal deverão ser feitas dentro dos limites das tabelas orgânicas, excluindo qualquer outro critério, com a autorização da Secretaria de Estado e em conformidade com os procedimentos prescritos, incluindo a referência aos parâmetros definidos para a compensação.

Tudo isso, na medida compatível com os próprios  Regulamentos, aplica-se também ao Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e as Instituições dependentes da Sé Apostólica, embora não especificamente mencionadas na Constituição Apostólica Pastor Bonus, fazendo excepção para o Instituto para as Obras da Religião – lê-se ainda no documento.

E Francisco termina pedindo ao Secretário de Estado Cardeal Parolin para levar ao conhecimento dos superiores dos Dicastérios, Gabinetes e Organismos da Cúria Romana, bem como da Comissões, Comités e as Instituições a elas ligadas, e do Governatorato, as disposições que indicou, com destaque, em particular, para os aspectos que requerem mais atenção, e vigiar para o seu cumprimento. (BS)

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