Outubro Rosa: Depoimento de quem viveu e superou o câncer de mama

Dona Lindalva Medeiros, aposentada, dona de casa, mãe, avó, e  senhora de um espírito aventureiro grandioso. Pé na estrada é com ela mesma, adora viajar. Mas, em 2011, na estrada da vida, uma curva acentuada a pegou de surpresa e trouxe uma notícia de grande impacto: o diagnóstico de câncer de mama

Foto: Arquivo pessoal
Dona Lindalva pós tratamento. "Vida normal, vida que segue", afirma
Por Márcia Rios

Dona Lindalva Medeiros, aposentada, dona de casa, mãe, avó, e  senhora de um espírito aventureiro grandioso. Pé na estrada é com ela mesma, adora viajar. Mas, em 2011, na estrada da vida, uma curva acentuada a pegou de surpresa e trouxe uma notícia de grande impacto: o diagnóstico de câncer de mama.

Logo que reconhecido o tumor foi providenciada a cirurgia de retirada, sem muito tempo para pensar no que de fato aquilo representava: exames, cirurgia, exames, quimioterapia, radioterapia, mais exames... Dona Lindalva se manteve firme na fé e na certeza do amor de Deus. Achou dentro de si uma  fortaleza sem medida para encarar da retirada da mama a queda dos cabelos.

Em dezembro de 2011, com 62 anos, ela se submeteu a cirurgia de retirada da mama direita, que foi realizada em Brasília, seu domicílio atual. A radioterapia e o acompanhamento foram realizados no Instituto do Câncer do Ceará (ICC).  Passado o susto e os primeiros anos pós- cirurgia, ela conversou com a Agência da Boa Notícia e conta como foi conviver de perto com a doença. A mistura de sentimentos, o medo da morte, a alegria e o agradecimento infinito por cada amanhecer.

(Agência da Boa Notícia) Como a senhora está hoje?
Estou muito bem, muito feliz.

(ABN) Como descobriu a doença?
Todos os anos faço meus exames. A mamografia também. Em fevereiro de 2011 eu fiz uma mamografia, mas, nada foi detectado. Programei uma viagem longa para o final do ano e por precaução fiz novamente. Ao ler o exame, a médica ginecologista me encaminhou com urgência para um mastologista. Era ele, estava lá.

(ABN) E a sua família, como encarou a situação?
Tive e tenho total apoio da minha família. Meus filhos são jóias raras. Meus irmãos, sobrinhos, minhas netinhas, meu neto, toda a minha família e amigos. Recebi muito apoio.

(ABN) A senhora teve medo da morte? Onde buscou forças?
Sim. Lembro com emoção de um momento bem difícil. Depois da cirurgia de retirada da mama eu senti uma dor muito forte. Foi terrível. Naquele momento eu tive medo de morrer. Dois dos meus três filhos me levaram ao médico. Era uma infecção. Tive que tirar os pontos sem anestesia. Depois daquele momento eu pensei: Com Deus, nada mais me derruba na vida. Eu já venci. Me apeguei com toda a minha fé ao meu Deus misericordioso, a Nossa Senhora e aos médicos. Passei por profissionais muito bons. Competentes e humanos.

(ABN) O que é foi mais  doloroso: a cirurgia de retirada da mama, o tratamento (quimioterapia, radioterapia ou conhecer e conviver com pessoas com as mesmas ou até dificuldades maiores?
Vou contar uma história. Minha família é grande e espalhada por esse Brasil. Duas cidades são minha morada (risos). Eu fiz a cirurgia e a quimioterapia em Brasília, onde tenho residência. A radioterapia e o acompanhamento eu fiz no Hospital do Câncer do Ceará (ICC), em Fortaleza. Durante a quimioterapia, conheci uma jovem de 26 anos, casada e mãe de uma linda criança. Ela estava tão perdida, tão sem chão. Ela vomitava muito, era um desespero só. Eu senti muito por ela. Eu estava sofrendo também, mas, já tinha criado  meus filhos, tinha trabalhado, e ela? Ainda tão jovem. Depois que ela terminou o procedimento, me aproximei, peguei em seu braço e disse: Tenha fé em Deus, você vai vencer. Ela passou a fazer parte das minhas orações e depois de um ano eu soube que ela estava respondendo bem ao tratamento. Isso para mim foi uma notícia maravilhosa, apesar daquele momento ter ficado para sempre em minha memória.

(ABN) A senhora fazia  os exames preventivos?
Sim. Nunca tive problema quanto a isso. Como tenho problema de pressão alta, sempre estou me cuidando. Talvez tenha sido por isso que repeti a mamografia, antes de completar um ano. Que bom que eu fiz isso.

(ABN) Como encarou a perda dos cabelos?A questão da vaidade?
Olha foi difícil. Quem me conhece sabe que sempre fui uma mulher vaidosa. Sempre fui cheinha e gostava de me sentir bonita. Ainda gosto, mas, não dou a mesma importância. De repente você se olha nos espelho e se vê sem cabelo, sem a mama, extremamente magra. É um choque. Depois da primeira sessão de quimioterapia meu cabelo já caiu. Na segunda, caiu mais ainda. Então eu cortei. Mas eu sabia que tudo iria passar. Que o cabelo iria crescer e que eu iria engordar novamente. Eu conversava com Deus, pedia forças e a certeza de que aquilo era passageiro.

(ABN) O que mudou na Dona Lindalva de antes do câncer para a Dona Lindalva de hoje?
Me tornei uma pessoa mais humana, mais simples. Deixei de me importar com coisas que não levam a lugar nenhum. Desapeguei de coisas materiais. Para mim o mais importante é acordar, abrir os olhos e agradecer à Deus por mais um dia.

(ABN) O que a senhora diria a mulheres que estão com diagnóstico de câncer de mama?
Primeiramente eu diria: não se desespere. Não é o fim. Tenha fé em Deus e lute pela sua vida. Leve o tratamento a sério e acredite que tudo passa. É só um momento ruim, mas passa.Não esmoreça.

(ABN) Em dezembro próximo a senhora completa cinco anos de cirurgia, e está cheia de vida. O que passa na sua cabeça quando pensa que está viva, que a senhora venceu.
Eu sou uma vencedora. Eu e muitas outras mulheres que já passaram por isso. As pessoas acham que os problemas não passam, mas não é assim. Tenho um eterno sentimento de gratidão com Deus, com Nossa Senhora, com a minha família, com os profissionais que cuidaram de mim e todos que de alguma forma me ajudaram e ajudam a passar por tudo isso. É isso, a palavra é gratidão.

(ABN) Agora, comemorando essa grande conquista, tem algo que a senhora ainda não realizou na vida e deseja realizar? Pode nos revelar?
Sabe o que eu quero mesmo? Reunir minha família (todos eles) em um aniversário meu. Seria maravilhoso. Mas, vou conseguir.


Boa Notícia

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