Rede de Escritoras Brasileiras atua em todo o País

As escritoras Bruna Lombardi e Joyce Cavalcantte, no evento que marcou os 18 anos da Rebra
É típico das existências intensas que o tempo pareça ter pressa em correr. Assim pode se falar da trajetória da Rede de Escritoras Brasileiras, a Rebra, que em março chegou à "maioridade". Os 18 anos da entidade, que congrega autoras de todo o Brasil e de fora dele, foram comemorados em um evento no Sesc Vila Mariana (SP).
"Foi uma festa lindíssima. A Bruna Lombardi tinha chegado da Índia naquele dia e foi fazer a apresentação", conta a escritora Joyce Cavalcantte, fundadora da rede que relaciona 515 associadas. "Hoje, temos representantes em quase todos os estados - nas capitais e em cidades no interior do Brasil", diz.
Na ocasião, a Câmara Brasileira do Livro - representada por seu presidente, Luís Antonio Torelli - participou do evento e entregou prêmios e honrarias às associadas da Rebra.
Fundação
Em agosto de 1998, houve um congresso de escritoras em Rosário na Argentina. Na ocasião, discutiu-se a criação de congregações de autoras. "De lá, saíram algumas associações. Uma internacional, com vocação para ativismo de mulheres escritoras, com sede em Nova York. Depois se transformou no Museu da Mulher, em Los Angeles. Outra, semelhante a ideia da Rebra, mas abrangendo a América Latina. Esta não prosperou. Era uma associação mais intelectualizada, mais exigente, mais parecida com uma academia de letras do que algo mais democrático", relembra Joyce.
Não faltaram cobranças para que ela, presente no evento, encabeçasse a criação de uma rede brasileira. Por conta das dimensões continentais do País, seria um instrumento que facilitaria a comunicação com as autoras de outras partes do mundo.
A Rebra foi fundada em 8 de março de 1999, com o objetivo de "tentar corrigir a grande injustiça que as mulheres escritoras brasileiras, em particular, e as mulheres brasileiras, em geral, sofreram e continuam sofrendo ao serem permanentemente excluídas dos registros históricos de nossa sociedade", segundo texto publicado no site da rede. "No fim do século XX, tivemos centenas de antologias, dos melhores dos últimos 100 anos, de contos, poemas, crônicas, romances. Era sempre aquilo: 40 homens e meia mulher!", contextualiza Joyce, lembrando o incômodo provocado pela desproporção na construção destas listas.
"Em uma delas, de poesia, não aparecia nem a Adélia Prado, uma decana, autora consagrada. Com muito favor, aparecia a Cecília Meireles. Além delas, uns 10 escritores bem conhecidos e o resto era 'gente com legenda', pra identificar quem é", critica.
Joyce Cavalcantte não fala em feminismo, mas, para ela, a Rebra faz parte de uma "luta provisória", por um equilíbrio entre homens e mulheres. "Muita coisa já mudou, desde que a rede foi criada", avalia. "Os talentos, de homens e mulheres, são equivalentes. Não há razão para uma divisão com esta, que marcou aquelas antologias de quase 20 anos atrás", opina.
Conexões
Entre suas ações, destacam-se encontros, em todo o Brasil e em sedes internacionais da rede, na França e na Alemanha, por exemplo; lançamento de antologias anuais, com textos inéditos de autoras associadas; e o trabalho de divulgação da escrita das mulheres brasileiras em universidades do País e de fora dele.
A rede trabalha em conjunto com a Women's World Organization for Rights, Literature and Development (Women's World), com sede nos EUA; e com a Red de Escritoras Latinoamericanas (Relat), sediada no Peru.
Diário do Nordeste

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