Casa onde viveu Rachel de Queiroz inspira grupo na Capital

A ideia do Grupo Casa dos Benjamins é criar um projeto para manter o local onde Rachel de Queiroz viveu histórias por décadas (Foto: Mateus Dantas)
A ideia do Grupo Casa dos Benjamins é criar um projeto para manter o local onde Rachel de Queiroz viveu histórias por décadas (Foto: Mateus Dantas)
A Casa dos Benjamins resiste ao tempo. Ela resiste, principalmente, à ausência de projetos de preservação. Tombada desde 2009 no âmbito municipal, a construção fica na rua Antônio Ivo, número 290, no bairro Henrique Jorge. Foi ali onde a escritora Rachel de Queiroz viveu ao lado dos pais, casou com José Auto e onde escreveu O Quinze, uma de suas grandes obras. O nome carinhoso dado ao espaço é uma referência aos quatro centenários pés de benjamins que moram na frente da casa.
Um grupo de pessoas quer resguardar o local e transformá-lo em um espaço de difusão cultural para a Cidade e, principalmente, para a comunidade do entorno. Formado por 15 pessoas, o Grupo Casa dos Benjamins surgiu em março deste ano e realizou o quarto encontro no sábado passado, na Praça dos Leões. O local escolhido não foi à toa. O equipamento é endereço de uma estátua de bronze da escritora desde o ano de 2005.
“Ela e o pai construíram a casa, a mãe plantou os quatro benjamins. Lá, ela escreveu três livros, inclusive, foi onde o filho dela nasceu. Fiquei muito emocionado em estar naquele espaço, vendo aquela casa”, conta o fotógrafo Gentil Barreira, a pessoa que deu origem à movimentação pela preservação da casa a partir de uma fotografia feita do local e de uma postagem no Facebook. “A ideia é de que o próprio bairro se conscientize desta joia que está lá e abrace a ideia. Estamos tentado articular de forma consciente, para que a gente não crie problemas para os moradores da casa e, ao mesmo tempo, que o local seja resgatado”, explica.
O cuidado ao qual Gentil se refere é porque há mais de 30 anos a casa tem outros habitantes. Uma família vive ali, em contrato com a imobiliária Nascimento Jucá, proprietária do imóvel. O projeto de preservação está em processo de gestação. O grupo ainda está definindo estratégias, prioridades e demandas, mas já acionou órgãos, como Secretaria Municipal da Cultura (Secultfor), Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) e Instituto de Arquitetos Brasil (IAB).
“O que o projeto quer? A desapropriação da casa e a desapropriação da área do Sítio Pici, em sincronia com a requalificação social, a descentralização cultural e a criação de um espaço cultural. Não necessariamente dentro da casa”, resume a artista plástica Meire Guerra.
Centerário
O Sítio Pici foi adquirido por Daniel de Queiroz, pai de Rachel, no ano de 1927. Tão robusta era a terra que, posteriormente, três bairros naquela redondeza foram originados a partir do sítio Pici: o Planalto do Pici, o Joquei Clube e parte do Henrique Jorge.
No Grupo Casa dos Benjamins, o educador Leonardo Sampaio é quem tem uma relação mais antiga com o espaço. Na década de 1980, foi ele deu início às articulações pelo tombamento da casa, que só ocorreu cerca de 20 anos depois. “Na década de 1970, lotearam o Sítio Pici e, no loteamento, a casa ficou em pé, sozinha. Foi quando eu conheci a história da Rachel”, narra. “Nos anos 1980, eu comecei a puxar a questão do tombamento da casa, porque estavam construindo no loteamento, e os espaços iam diminuindo. Era um loucura de querer criar o Polo Cultural Rachel de Queiroz, que foi o projeto inicial que nós apresentamos”, conta.
Trinta anos depois, Leonardo volta a se encontrar com a casa. A luta pela preservação do espaço continua sendo a mesma linha que o liga ao lugar e foi a mesma linha que o fez encontrar com pessoas que têm a mesma urgência: a de não deixar a Casa dos Benjamins se esvair.
CAMILA HOLANDA
O Povo

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