Museu da Fotografia Fortaleza sedia debate sobre "Sereias", projeto que adentra a vida de pescadoras cearenses

Projeto Sereias
Cercado por um extenso litoral, o território cearense ganhou do encontro com o mar capítulos decisivos na formação de seu povo. Para além dos campos sociais e históricos, estes verdes mares ainda prosseguem como tema sedutor para músicos, cineastas, artistas visuais, videomakers e fotógrafos. Assim, em qualquer passeio mais apressado pela memória, saltam exemplos notórios, caso dos registros realizados pelo fotógrafo Chico Albuquerque (1917-2000).
O serviço fotográfico acompanha a demarcação do tempo e consegue imprimir as marcas contextuais dos profissionais inseridos neste campo. Fruto de elaborada pesquisa, o projeto "Sereias" é pontual na proposta de explorar a fotografia enquanto ferramenta transformadora.
Ao literalmente mergulhar e divulgar o universo feminino da pesca artesanal no Ceará, o trabalho repara o erro de que o mar seja estritamente uma zona masculina. Desvenda e consegue ir muito além em sua proposta.
O Museu da Fotografia Fortaleza (MFF) recebe hoje (1), às 14h, Fernanda Oliveira e Sergio Carvalho, autores do projeto. Em parceria com o "Golpe de Vista", programa vinculado à Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal do Ceará (UFC), a palestra gratuita conta com a mediação do professor Silas de Paula e participação de Tibico Brasil, Iana Soares e Ademar Assaoka.
A investigação dos fotógrafos-pesquisadores será o cerne do diálogo com o público. A imersão fotográfica de "Sereias" resultou em livro, exposição, além de vídeo-documentário, making of e site. Uma chance de se aproximar e compreender a experiência de adentrar as comunidades costeiras do Ceará que possuem mulheres participantes nas atividades de pesca.
Composição
Somos apresentados ao cotidiano de quatro pescadoras artesanais do litoral cearense: Cleomar, Maria Cabelão, Sidnéia e Márcia. Para isso, os fotógrafos partiram em aventura que percorreu da enseada do Mucuripe, passando por Acaraú, Canoa Quebrada, Redonda, Fortim e Cumbe. Com olhar delicado e direto, desvendam as narrativas de mulheres que disputam, com esforço, espaço na fechada comunidade da pesca.
Apesar de serem ainda minoria, aos poucos, essas trabalhadoras se impõem neste setor que guarda a cultura de preconceitos em relação a elas.
Um detalhe precioso desta iniciativa incide sobre o fato de que superar esta barreira não tem sido tarefa fácil, principalmente porque somente agora elas próprias estão se reconhecendo como pescadoras, à medida que se organizam em associações e/ou colônias de pescadores.
Força
Iniciada em 2012, a pesquisa e documentação visual antropológica protagonizada pela dupla foi executada em cinco anos. Sob as histórias e memórias de marisqueiras, pescadoras de arrastão, algueiras e lagosteiras, os fotógrafos adicionam à pesquisa a discussão de gênero, ampliando o campo de estudo da linguagem de escrever e comunicar com a luz.
Este processo foi concebido e conduzido de modo poético por Fernanda e Sérgio. "Sereias" age de maneira singular ao potencializar a experiência sensorial do mundo e reconfigurar este tema, a da luta destas mulheres, enquanto dimensão pública.
Assim, não só o elo do trabalho é revelado, mas também o teor interpretativo plasmado nas fotos, que impulsionam o ensaio em múltiplas direções. Contribuem também para o documento os artistas Tibico Brasil e Mika Holanda, que complementam a abordagem ao construir vídeos que exploram o diálogo com estas mulheres. O projeto ainda trouxe para si o texto dedicado da jornalista Iana Soares.
No texto de apresentação de "Sereias", as curadoras e pesquisadoras associadas, Angela Magalhães e Nadja Fonseca Peregrino, são diretas ao traçarem os paralelos e esforços angariados com esta obra.
"Fotos e vídeos são, a um só tempo, atravessados pela força da linguagem, onde um vocabulário próprio une informação à sintaxe poética", diz o texto.
"E se a fotografia faz uma clara remissão ao real, justamente por isso mostra-se um instrumento valioso para dialogarmos com o mundo à nossa volta", completa.
Trajetórias
Fotógrafa e pesquisadora, Fernanda Oliveira é mestra em Comunicação e Linguagens - linha de pesquisa Fotografia e Audiovisual - pela Universidade Federal do Ceará UFC (2012) e especialista em Teorias da Comunicação e da Imagem pela UFC (2008). Com o projeto "Sereias, mulheres do mar", ganhou o Prêmio Internacional Latino-Americano de Fotografia (Colômbia, 2013).
Teve, ainda, seus projetos expostos nos principais festivais de fotografia brasileiros: Fotoarte Brasília - Mulheres líderes (2007); FestfotoPOA - Santa Terezinha: o morro de uma cidade e As cores violetas (2010); Paraty em Foco - As cores violetas (2011); Paraty em Foco - Nos caminhos da Caravana Farkas (2013); e Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia (2014) e Editais de Arte do Centro Cultural dos Correios, com o projeto Sereias: Mulheres do Mar (2015).
Já o piauiense Sergio Carvalho começou a fotografar em meados da década de 90. Desde então desenvolve a fotografia como expressão artística e documental com um forte viés humanista. Realizou diversas exposições em salões de arte e festivais de fotografia, tais como o deVERcidade (Fortaleza, 2005, 2006, 2007 e 2010), FotoArteBrasília (2010), Festival de La Luz (Argentina, 2010), FotoPoa (Porto Alegre, 2012), Photobook Award (Kassel, Alemanha, 2011), POY LATAM (2013) e Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia (Belém, PA, 2015).
Mais informações:
Palestra "Edição Especial Sereias". Hoje (1), às 14h, no Museu da Fotografia Fortaleza (R. Frederico Borges, 545, Varjota) Inscrições: pelo e-mail
Educacao@museudafotografia.
Com.Br ou na recepção do Museu. Contato: (85) 3017.3661

Diário do Nordeste

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