Musicista volta à favela onde cresceu para dar aula na escola que mudou sua vida

do BOL, em São Paulo
  • Reprodução/Youth Orchestra of the Americas
    Jessica começou a frequentar as aulas de música na favela de Heliópolis aos 12 anos
    Jessica começou a frequentar as aulas de música na favela de Heliópolis aos 12 anos
Criada na maior favela de São Paulo, a comunidade de Heliópolis, Jessica Vicente, 22, não poderia imaginar como a música mudaria sua vida quando começou a frequentar aulas em um projeto na comunidade. Agora trompista profissional em uma orquestra estrangeira, a jovem pode voltar ao lugar onde tudo começou. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Jessica ministrou uma aula do instrumento para adolescentes com histórias parecidas com a sua.
A trompista está no país em turnê com a YOA (orquestra jovem das Américas, em tradução livre da sigla em inglês), uma orquestra com jovens entre 18 e 30 anos de 25 países, após passar por Chile e Argentina. Além de Jessica, a orquestra tem outros cinco músicos brasileiros em seu corpo artístico.

Começo despretensioso

Sem ter com quem deixar as filhas, a mãe de Jessica, que trabalhava como empregada, e o pai, pedreiro, inscreveram Jessica, na época com 12 anos, no Instituto Baccarelli, responsável pelo projeto social Orquestra Jovem de Heliópolis, onde a garota teve seu primeiro contato com a música clássica.
Participando dos projetos do instituto, Jessica conheceu outros Estados, se tornou mais disciplinada nos estudos e frequentou aulas na academia da Orquestra Sinfônica de São Paulo (Osesp), antes de cursar a faculdade de música.
Após algumas tentativas frustradas, Jessica entrou para a YOA, que tem sede em Virgínia, em um prédio distante cerca de 4 km da Casa Branca, lar da presidência dos EUA. A orquestra se renova anualmente, abrindo 80 vagas, disputadas por milhares de jovens das Américas.
Casada com um violista do Theatro Municipal, que conheceu ainda na época do Instituto Baccarelli, Jessica se mudou para a vizinha São Caetano do Sul, na Grande SP, mas ainda tem parentes na comunidade. Dar uma vida melhor a eles é um dos sonhos da jovem, que também espera fazer mestrado no exterior.
Tudo isso sem esquecer da responsabilidade de inspirar e ser exemplo para os que passaram por uma infância igual a sua, caso de um dos jovens ouvidos pela reportagem da Folha: "Antes um instrumento musical que uma arma na mão", disse um dos adolescentes que frequentam os cursos no instituto.
(Com informações da Folha de S.Paulo)

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