XI Encontro Mestres do Mundo começa amanhã, com agenda gratuita e marcada pela diversidade cultural

por Antonio Laudenir - Repórter
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Mestre Pio é um dos mestres presentes em Limoeiro do Norte ( FOTO: BRUNO GOMES EM18/03/2014 )
Um espaço para debate, resgate e consolidação da cultura cearense. Além desses atrativos mais explícitos, a relevância do tradicional Encontro Mestres do Mundo segue intacta através do vínculo entre público, programação e a participação efetiva dos reconhecidos "Tesouros Vivos" das artes no Estado. Essa troca de saberes é aberta ao público tem início hoje, 8h, e segue até sábado (2).
Agrupando apresentações artísticas, oficinas, rodas de saberes e seminários, esta agenda tem o intuito de proporcionar a convivência e o repasse de saberes entre os Mestres e Mestras, além da divulgação e fruição da cultura popular nordestina. Pelo terceiro ano consecutivo, o encontro visita Limoeiro do Norte (198 km distante da Capital) e esta 11ª edição resulta da parceria entre o Instituto Assum Preto de Arte, Cultura, Cidadania e Meio Ambiente, instituição selecionada por meio de edital lançado pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult-CE).
Em 2017, a iniciativa recebe mais de 50 Mestres da Cultura do Ceará, além de convidados de outros estados no nordeste, Brasil, Uruguai e Cabo Verde. Para receber todo esse contingente, os organizadores estipularam novos ambientes para apresentação das atrações.
Na Praça Maestro Odílio Silva (conhecida como "Praça da Rodoviária"), acontece o espaço "Território de Delicadezas" formado pela Arena dos Mestres, para as apresentações artísticas à noite e a Feira e Mostra Gastronômica de Artesania Familiar. Já na Escola Normal e na Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (FAFIDAM/UECE) será efetivado o "Espaço de Saberes Múltiplos", responsável por acolher as rodas de saberes e de conversas, oficinas e seminários.
Consolidado no calendário local, enquanto atividade de democratização do acesso aos bens e serviços culturais, o Encontro busca atender às necessidade de criação de espaços para a transmissão de saberes, algo exigido pela Lei Estadual nº 13.842, que instituiu o programa "Tesouros Vivos do Ceará". Em 14 anos, 79 Mestres da Cultura, nove grupos e uma coletividade foram contempladas, reconhecidas como detentores dos saberes da cultura popular tradicional e patrimônio imaterial do Estado do Ceará.
Reconhecimento
Para o coordenador de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Ceará, Alênio Alencar, essa edição ganha toda uma importância singular nestes anos de atividades por conta do reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em agosto, o programa Mestres do Mundo foi anunciado como um dos vencedores do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, uma das maiores honraria do País na área de Patrimônio Cultural. A homenagem foi entregue no mês passado, durante cerimônia protagonizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Na ocasião, estiveram presentes Mestre Zé Pio (guardião da memória de vários grupos de Bumba-Meu-Boi de Fortaleza) e Mestre Dina (Vaqueira de Canindé), além do Secretário de Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos.
O coordenador Alênio Alencar também esteve no Rio de Janeiro e assevera que o Prêmio possibilitou que os organizadores tivessem uma outra perspectiva do evento. "Ele nasceu como política anual, mas o Encontro não tinha feito sua jornada. Entender como ele surge e o que trouxe para a cultura até esse momento ficou mais claro", defende o gestor.
O projeto cearense, assim, ganha unicidade e passa a ser percebido enquanto uma ação única, formada por diferentes edições ao longo dos anos. Isso significa que a premiação do Iphan contempla todas as edições realizadas desde 2006. Pontual reconhecimento de toda uma obra.
A entrega foi um reconhecimento à iniciativa de transmitir "saberes e fazeres de homens e mulheres que na sobrevivência de seu cotidiano desenvolveram técnicas, ofícios, brincadeiras, rezas e alimentos, garantindo a tradição e a memória de seus ancestrais".
Alênio também recorta a importância do intercâmbio com outros mestres do Brasil. "Temos manifestações locais que já se apresentaram e precisam ser conectadas novamente. A nível de outras expressões, o Mestres do Mundo enquanto elemento do acervo cultural imaterial brasileiro, ganha muito com a participação de mestres de outros estados. O Coordenador aponta que após 10 anos é necessário fazer uma avaliação da trajetória do evento. A ideia da Secult é que na 12ª edição, todo esse levantamento que foi apresentado ao Iphan faça parte da futura progamação.
Diversidade
Durante os quatro dias do encontro serão realizadas oficinas com o mote "Saber dos Encantados", ministradas por Mestres e Mestras ou componentes de seus grupos. Também acontecem aulas espetáculos e oficinas itinerantes, contemplando as cidades de Tabuleiro, Quixeré, Russas, Alto Santo e Morada Nova. As atividades ocorrem em espaços socioeducativos de forma compartilhada com parceiros locais, disseminando principalmente a educação patrimonial, artística e cultural.
Já na Roda de Trocas, os Tesouros Vivos compartilham saberes entre si e com a comunidade, tendo como fio condutor da vivência o tema "Corpo, Sons, Mãos, Oralidade e Sagrado", com participação de outros mestres de várias regiões do Brasil.
Na quinta-feira (30), na FAFIDAM, acontece o Seminário Interdisciplinar de Patrimônio Imaterial, com o tema "Além da Carta de Fortaleza - uma trajetória de desafios avanços, reafirmações e novas proposições para o patrimônio imaterial cearense". O Seminário intenta de forma democrática favorecer espaço para as vozes locais (Mestres, Mestras, agentes culturais, sociedade civil organizada, professores, alunos entre outros) para reflexões e proposições necessárias sobre os Patrimônio Imaterial Cearense e as políticas públicas para o desenvolvimento, registro, salvaguarda e difusão destas experiências. Momento único para professores, alunos, agentes culturais e demais interessados compreenderem que todas as ações que envolvem saberes, fazeres, Mestres e comunidades tradicionais, se relacionam com questões pertinentes ao patrimônio imaterial.
Mais de 25 grupos e bandas farão as apresentações artísticas durante o Mestres do Mundo. São reisados, bois, pastoris, cocos, emboladores, bacamarteiros, dentre outras manifestações da cultura popular, principalmente do Ceará.
Outras regiões do País e do mundo estão presentes. Declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Encontro recebe o Candombe (Uruguai), além de representantes da Comunidade Negra dos Arturos (Minas Gerais), primeira comunidade negra do Brasil a ser reconhecida como Patrimônio Cultural.
Em nota, o secretário Fabiano dos Santos destacou o caráter inovador do evento e apontou que o Encontro é "pioneiro" na formulação de políticas públicas de preservação do patrimônio imaterial de toda a população cearense.
Mais informações:
 
XI Encontro Mestres do Mundo. De hoje até dia 2/12, em diferentes espaços do município de Limoeiro do Norte. Programação completa
no site www.secult.ce.gov.br
Entrada franca.

Diário do Nordeste

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