Novo filme de Woody Allen chega aos cinemas

Desde seu passado remoto, o diretor não foi bem acolhido por seus filmes dramáticos, caso de "Interiores" (78) e "Setembro" (87).
Cena do filme
Cena do filme "Roda Gigante". (Divulgação)

Veja um resumo dos principais filmes que estreiam nos cinemas do país:
“RODA GIGANTE”

- O mais recente filme escrito e dirigido por Woody Allen está fadado a ser um dos menos apreciados de sua extensa filmografia – para começar por não ser uma comédia. Desde seu passado remoto, o diretor não foi bem acolhido por seus filmes dramáticos, caso de “Interiores” (78) e “Setembro” (87).
Não é segredo para ninguém que, a esta altura, o diretor de 82 anos está repisando os próprios passos, revisitando as próprias personagens e influências – o que significa menos novidades, menos frescor, talvez, mas a rigor nada desinteressante, considerando-se sua estrada como cineasta.

Neste novo filme, ele volta a Coney Island, praia de Nova York que era o berço de Alvy Singer, protagonista de “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977). São os anos 1950, o que dá oportunidade ao diretor de fotografia italiano Vittorio Storaro esbanjar uma paleta de cores especiais. Essas cores mutáveis reforçam a impressão de um cenário teatral, arte que está no centro da inspiração da história, que tem como narrador o salva-vidas Mickey (Justin Timberlake). Ele é também um aspirante a dramaturgo, que se encarrega de contar o drama do qual é participante.

A praia, seu calçadão e uma casinha ao lado da roda-gigante são o ambiente em que vivem os personagens de uma família disfuncional: Ginny (Kate Winslet), atriz frustrada que trabalha como garçonete; seu marido Humpty (Jim Belushi), operador da roda-gigante; Carolina (Juno Temple), a filha do primeiro casamento de Humpty; e o garoto Richie (Jack Gore), filho da ligação anterior de Ginny.

Vivendo um romance extraconjugal com Mickey, Ginny sonha com uma saída desta rotina frustrante. Mas a ligação não traz nada de bom ao conturbado ambiente familiar.
“FALA SÉRIO, MÃE!”

- Comediante que é marca registrada de sucessos como “De Pernas pro Ar” e “Minha Mãe é uma Peça”, Ingrid Guimarães dá sinais de cansaço na imagem que a consagrou e entra no piloto automático em “Fala Sério, Mãe!”, que protagoniza ao lado de Larissa Manoela.

O talento e o timing cômico de Ingrid são inegáveis, mas este roteiro, adaptado pela atriz, ao lado de Paulo Cursino e Dostoiewski Champagnatte, do livro homônimo de Thalita Rebouças, é uma sucessão de lugares-comuns, em que ela nunca se arrisca fora de sua zona de conforto. O máximo de provocação que esta história lhe oferece está em situações constrangedoras que esta mãe superprotetora cria para a filha Malu (Larissa), as piores envolvendo humor de banheiro. Uma das raras boas cenas envolve Malu quando menina (interpretada por Vitória Magalhães), numa aula de balé. A garotinha, visivelmente, não quer nada com as sapatilhas, mas a mãe insiste. A resistência da pequena Malu rouba a cena.

Quando Malu entra na adolescência é que as crises entre as duas explodem. Faria muito bem ao filme explorar situações comuns, cotidianas, de maneira leve, mas isso não acontece. A direção de Pedro Vasconcelos é burocrática e as sequências em que a mãe faz a filha pagar mico num ônibus escolar e outras não decolam. É tudo forçadinho, até a cena em que o comediante Paulo Gustavo, interpretando ele mesmo, aparece num supermercado e é obrigado a tirar selfies com todos os membros da família.
“A ORIGEM DO DRAGÃO”

- O drama “A Origem do Dragão” conta como o lendário ator e diretor Bruce Lee (1940-1973) lapidou seu estilo de luta marcial. O problema é que o filme não se define como um programa destinado aos fãs do ídolo ou ao público em geral. Para os primeiros, talvez seja um tanto frustrante – por não ter nem tem tantas lutas marciais. Já os demais, provavelmente, nem cogitem ver um longa com esta temática.

Ao centro da trama está a disputa entre Lee (Philip Ng) e o mestre shaolin Wong Jack Man (Yu Xia), na San Francisco nos anos de 1960. O resultado, diz a lenda, refinou o estilo de luta de Lee. O filme, porém, parece mais focado numa subtrama sobre um americano (Billy Magnussen) apaixonado por uma garçonete chinesa (Jingjing Qu). Ainda assim, mesmo este romance é morno, parecendo saído de um filme dos anos de 1930.

Já a luta entre os dois rivais, que deveria ser o clímax, é tão mal coreografada que os lutadores parecem estar dançando ao invés de disputando. De qualquer forma, talvez seja mais vantagem assistir novamente a “Operação Dragão”, um dos clássicos estrelados pelo verdadeiro Bruce Lee.
“O JOVEM KARL MARX”

- Os anos de juventude de dois homens que mudaram o mundo, Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), estão no centro do novo filme do cineasta haitiano Raoul Peck (“Eu não sou seu negro”). No roteiro, assinado por Peck e Pascal Bonitzer, Marx (August Diehl) é um jovem de menos de 30 anos, jornalista e polemista, que começa a interessar-se pelos mecanismos que regem a exploração do homem pelo homem. Mas é pobre, casado com uma mulher rica que abandonou seu clã e sua fortuna por amor, Jenny (Vicky Krieps), e tem que enfrentar os dilemas da sobrevivência, além da perseguição da polícia ao seu ativismo.

Num encontro desses destinados a alterar a história do mundo, Marx conhece Engels (Stefan Konarske), herdeiro rebelde de tecelagens que são, em meados dos anos 1840, o cenário das jornadas de trabalho análogas à escravidão que caracterizaram a Revolução Industrial. Dessa amizade inusitada entre dois homens de origens muito diferentes nasce uma parceria intelectual ativa e duradoura, que os levará ao encontro de outros socialistas da época, como o francês Proudhon (Olivier Gourmet), um dos muitos aos quais eles se aliarão, para depois superar, em livros como “A Sagrada Família” e, depois, “O Capital”, obra máxima de Marx.
“A ÓPERA DE PARIS”

- O diretor Jean-Stéphane Bron faz uma viagem inesquecível e imperdível ao coração da Opéra Bastille e do Palais Garnier, em Paris, no documentário “A Ópera de Paris”, que destaca os bastidores de um dos maiores símbolos da cultura francesa.

As imagens, filmadas ao longo de um ano e meio, durante a preparação das atrações da temporada de 2016, conduzem o espectador em uma visita guiada a uma verdadeira cidade, habitada por técnicos, atores, bailarinos, músicos, coreógrafos, maestros, operadores, funcionários da limpeza e até um touro de uma tonelada, que se torna protagonista de uma ópera.

Se os efeitos em 3D nos filmes de ação aproximam personagens e cenários até quase colidir com os olhos do espectador, em “A Ópera de Paris” uma câmara invisível nos transporta diretamente para os locais onde a ação se desenvolve. O diretor, que nunca havia assistido a uma apresentação lírica, disse ter filmado uma utopia.

Reuters

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