Onde não há amor

Geovane Saraiva*

Pe. Geovane Saraiva
Maravilhoso é refletir sobre o texto do cego de nascença, profundamente marcado pela exclusão e marginalização religiosa e social, na dor da sua enfermidade, com a concepção da época, de que pessoas com tais enfermidades carregavam consigo um castigo de Deus. Essas pessoas eram eliminadas do convívio humano e social, não podendo se aproximar de seus semelhantes, causando-lhes dor e sofrimento. O milagre de Jesus naquele cego de nascença, no gesto de misturar Sua saliva com a terra e fazer lama, rompe e ultrapassa barreiras, indicando-nos a saliva como uma energia que, ao se encontrar com a mãe terra, dom sagrado de Deus, percebe-se a manifestação de Sua bondade.
A palavra chave - "Senhor, eu creio" - é para que se compreenda que Jesus não abandona quem sinceramente O procura e O ama. Mesmo que seja excluído e sofra repreensão e grito de autoridades, comunidades e instituições religiosas, aquele que é contado como louco, não estando de acordo com muitas normas e leis; ele participa, com certeza, do privilégio de estar em um bom lugar, na presença do Senhor, de desfrutar de uma nova vida, tendo por base a dignidade de Filho de Deus.
Em Jesus, poder e vontade andam juntos e confundem-se. Na cura do cego de nascença, o Filho de Deus mostra e revela ao mundo, de um modo pedagógico, seu poder salvador. É a realização da vontade do Pai ensinando à humanidade o verdadeiro sentido da vida, ao nos assegurar que tudo foi feito por amor e para a felicidade de todos, e não para alguns. Jesus anuncia que o reino de Deus já chegou, manifestando-se nos mais distantes, excluídos e necessitados.

*Padre e Jornalista
 

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