Trump quer barrar publicação de livro

Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, revelou, em livro, as tramas e disputas acirradas de poder dentro da Casa Branca ( Foto: AFP )
Washington. O presidente americano, Donald Trump, mobilizou, ontem, seus advogados para impedir a publicação de um livro sobre o seu primeiro ano na Casa Branca, e que motivou o dramático rompimento público com o ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, em meio a um escândalo.
Em nome de Trump, um escritório de advocacia enviou uma carta de 11 páginas ao autor e ao editor do livro "Fire and Fury: Inside the Trump White House", solicitando a suspensão da publicação e distribuição do volume.
O livro, que já circula nas redações em Washington, se baseia em cerca de 200 entrevistas com funcionários oficiais e mostra uma Casa Branca imersa em uma caótica e permanente guerra interna ao longo do ano passado. Na carta, os advogados do presidente afirmam que "o senhor Trump exige que seja interrompida e evitem qualquer publicação, divulgação, ou distribuição do livro" e, além disso, pede que os responsáveis publiquem "uma retratação plena e completa, bem como um pedido de desculpas".
A obra deveria chegar ao mercado na semana que vem, mas por conta deste escândalo já é o livro com maior volume de compra antecipada no site da Amazon. A divulgação, na quarta-feira (3), de trechos do livro provocou um rompimento público de Trump com o polêmico Bannon, que foi um dos coordenadores de sua campanha eleitoral e durante pouco mais de seis meses foi o estrategista-chefe da Casa Branca. Bannon, que renunciou ao cargo em agosto, fez declarações explosivas a Wolff.
Em particular, afirma que o filho mais velho de Donald Trump, Donald Trump Jr, cometeu "traição" por seus contatos com pessoas próximas à Rússia durante a campanha e seus negócios obscuros, denúncias que levaram a uma explosão de raiva do presidente.
Em uma furiosa nota oficial, Trump afirmou, também na quarta, que Bannon havia perdido o juízo desde que foi demitido da Casa Branca por vazar "notícias falsas" à imprensa.
Advogados do presidente também enviaram uma notificação legal a Bannon para alertá-lo de que poderia enfrentar um processo criminal por violar um acordo de confidencialidade depois de deixar de trabalhar na Casa Branca.
Elogio
Ontem, Bannon buscou amenizar a tensão com seu ex-chefe e, em uma entrevista de rádio, disse que Trump é "um grande homem". "Eu o apoio incansavelmente, seja em viagem pelo país (...), na rádio, ou na internet", declarou à rádio Sirius XM.
Em seu artigo de ontem sobre o conteúdo de seu livro e sua experiência na Casa Branca, Wolff descreve um cenário caótico na Presidência, com reuniões aos gritos e vazamentos à imprensa para eliminar adversários na disputa pelo poder.
Segundo Wolff, a filha de Trump e seu marido, Ivanka Trump e Jared Kushner, são os que realmente têm as rédeas da Casa Branca, e são os responsáveis pelas renúncias de Bannon e do primeiro chefe de Gabinete, Reince Priebus.
O artigo descreve Trump com um homem incapaz de controlar a Casa Branca, que se repete constantemente para desespero de seus familiares e tem dificuldades de reconhecer seus próprios velhos amigos.
Para conter os vazamentos, a Casa Branca anunciou que a partir de ontem será proibido o uso de celulares pessoais na Ala Oeste, área operacional da Presidência e centro do poder dos Estados Unidos.

Diário do Nordeste

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