Associação Peter Pan promove leitura para crianças em tratamento do câncer

O projeto "Ler faz Bem" é desenvolvido na recepção do Centro Pediátrico do Câncer da Peter Pan ( Foto: Helene Santos )
Os olhos atentos de Vítor, 8, e Ariel, 10, capturam as aventuras dos gibis coloridos. Apesar de não saberem ler, eles se divertem imitando os personagens e interagindo com as histórias narradas por Karolina Barbosa, voluntária da Associação Peter Pan. Os meninos, que atualmente passam por tratamento contra o câncer, encontraram nos livros uma porta para o mundo da imaginação.
Ao gesticular e apontar para os desenhos da Turma da Mônica, Ariel se distrai enquanto aguarda sua consulta no Hospital Albert Sabin, parceiro da Peter Pan. Ele foi diagnosticado com leucemia há 4 anos e teve a alfabetização interrompida devido à intensidade do tratamento, algo comum entre as crianças que enfrentam o câncer.
Segundo a especialista em psicopedagogia Ana Karla Brasil, o incentivo ao interesse pelos livros e revistas é importante para a formação infantojuvenil. "Por meio da leitura, a criança se comunica com o mundo, expressa suas observações, percebe o outro, além de desenvolver o imaginário e o lado emocional", afirma.
Ana Karla ressalta que as narrações são peça-chave para o incentivo à leitura. "Depende de cada história e de como ela está sendo contada. A entonação, a empolgação, o tom de voz, tudo isso influencia diretamente para que a criança vivencie emoções por meio delas", afirma.
Voluntariado
Na Peter Pan, vivenciar essas experiências só é possível graças a voluntários como Karolina, que começou a participar de trabalhos sociais há dois anos. A técnica em enfermagem faz parte de um dos 22 projetos desenvolvidos pela Associação Peter Pan. Dentre eles, três aplicam a leitura de forma mais direcionada. Atualmente, a instituição conta com um Programa de Diagnóstico Precoce e um Serviço de Atendimento aos Pacientes, atendendo cerca de 2.500 crianças e jovens.
Os pacientes incluídos na chamada quimioterapia-dia, ou seja, aqueles que ficam entre quatro e seis horas no Centro Pediátrico do Câncer e depois retornam para casa diariamente, são acolhidos pelos projetos "Ler faz bem" e "ABC + Saúde". O primeiro disponibiliza livros na recepção do hospital e inclui contação de histórias, enquanto o segundo estimula o aprendizado, buscando aproximar-se do ambiente escolar. Já os internos podem desfrutar do "Raio de Sol", que proporciona visitas aos leitos.
Segundo Débora Holanda, coordenadora dos projetos sociais da Associação, os programas buscam desenvolver atividades lúdicas e interativas para as crianças e assistência para as famílias que acompanham os pequenos.
A coordenadora atribui o bom funcionamento das propostas ao voluntariado. "Com o seu talento, cada voluntário busca chamar a atenção das crianças, incentivando e mostrando os livros, além de dicas de leitura e informações em relação ao tratamento".
Abordagem
"Tem que ter jeito de artista", é o que afirma Isabele Lima, 40, voluntária do projeto Raio de Sol referindo-se ao trabalho de incentivo à leitura para crianças internadas. O 3° andar do Centro Pediátrico do Câncer recebe o projeto Raio de Sol que possui cerca de 100 voluntários. A professora de educação física está auxiliando a instituição há 4 anos e dedica duas horas semanais à ação social.
Isabele ressalta que a abordagem direcionada aos pequenos pacientes pode ser desafiadora, por isso utiliza técnicas para conquistá-los.
"Tem que ter um interesse inicial pela capa, se isso não acontecer trocamos o livro. Exemplares coloridos e com mais figuras são os ideais. Além disso, interpretamos como seria a voz e o jeito do personagem para chamar atenção do paciente".
A professora de educação física também partilha as experiências do voluntariado na Associação Peter Pan. "Certa vez, li a história da Cinderela para uma menina. Apesar de não interagir muito, pois estava frágil, os olhinhos dela brilhavam como se dissessem obrigada. A luta é diária, mas a gente tenta fazer cada dia melhor".

Diário do Nordeste

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