Projeto Percursos Urbanos abre inscrições


Foi no ano de 2003 que Julio Lira idealizou o projeto Percursos Urbanos, com o objetivo de levar o público do Centro Cultural do Banco do Nordeste (CCBNB) e qualquer interessado a conhecer mais a fundo a capital cearense. No início eram apenas duas edições por semana, que visavam sair do Centro e seguir até as periferias.
Hoje, Lira estima que já passaram pelo projeto cerca de 50 mil pessoas e foram visitados mais de 25 mil lugares. Atualmente, o Percursos Urbanos acontece toda semana, e neste sábado (24), às 15h, para fechar a programação do mês de fevereiro, o CCBNB organiza mais uma edição do evento.
Para participar, o púbico pode se inscrever pela internet, no link tinyurl.Com/percursosurbanos. A inscrição é gratuita e limitada a 30 pessoas. Mais 18 vagas serão preenchidas na recepção do centro cultural. Os que não conseguirem efetuar a inscrição poderão tentar participar da lista de espera, aberta às 10h, no sábado, no CCBNB.
Sob mediação de Auxiliadora Félix Lopes, o tema deste fim de semana é "Artesania da felicidade: Uma visita a três ateliês domésticos". Arquiteta, Auxiliadora é uma entusiasta do artesanato cearense e também bordadeira. Além de levar os participantes em visita aos ateliês, ela contará histórias de quando observava sua mãe no ateliê de casa.
"A gente escolhe primeiramente o tema e depois quem irá fazer a mediação, e dentro desse tema acontece a escolha dos lugares. Sempre tentamos privilegiar lugares que não vamos com frequência, que representem alguma novidade", explica Julio Lira. "Procuramos não repetir locais, mas mesmo que a gente volte a um lugar, sempre olhamos para ele sob a ótica de um outro tema, outra perspectiva", finaliza.
Público
Mapear a cidade e suas potencialidades é o mote do Percursos Urbanos. Como exemplo, há o caso de quando surgiu o centro cultural da comunidade Bom Jardim. Para dar mais visibilidade ao espaço, a temática naquela ocasião girou em torno de espaços culturais, quando foi proposta uma conversa entre os participantes, os gestores e os usuários do centro.
Tanto os temas como o público envolvem muita diversidade. Vários assuntos são escolhidos pelos próprios participantes do projeto. "Sempre aceitamos sugestões de temas e eu faço a curadoria. Por exemplo, o tema do mês de março foi uma escolha do próprio CCBNB, que propôs falarmos da questão feminina, devido ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março", ressalta Julio Lira.
Programação
Na edição deste sábado o projeto vai visitar três ateliês de artesanatos e mostrar aos participantes a beleza e a força terapêutica da arte manual. Entre os dois locais já confirmados estão o da dona Joana, em Fortaleza, especialista na arte da pintura, costura e bordado.
O outro ateliê é da própria mediadora, localizado no Eusébio, em um sítio. Aluna do curso Jornada Criativa, do BNB, a arquiteta começou a bordar aos 50 anos de idade. "Colocamos o meu ateliê para ser o último porque é um sítio, um espaço maior onde dá para todos se sentarem e conversarem sobre a temática", justifica. "Também pensei em falar sobre o efeito terapêutico das atividades manuais, cerâmica, costura e outros", explica Auxiliadora.
Além de falar dos aspectos históricos do artesanato, a artista também quer mostrar aos participantes que ter um ateliê não é "coisa de gente rica", que é possível montar um espaço desses a partir de materiais simples ou alternativos.
"Há coisas que uso que são recicladas. As ferramentas mais perigosas guardo dentro de uma geladeira velha, que o motor queimou. Coloquei um cadeado para as crianças não pegarem, e pronto", comenta.
Haverá também espaço para a exibição de seus trabalhos. "Julio me pediu para apresentar e dizer como comecei essa jornada. Lá vai ter um varal onde vou pendurar todos os meus bordados", conclui.
Para finalizar o dia de visitação, a mediadora vai propor uma atividade prática e, ao mesmo tempo, reflexiva. "Vou colocar vários instrumentos na mesa: papel, tinta, agulha e tesoura, depois vou pedir pra eles dizerem quem eles são: mostre quem é você usando os materiais que estão na mesa", finaliza.
Terapia e resistência
Auxiliadora Félix Lopes comenta que pesquisas recentes ressaltam que atividades manuais causam os mesmos benefícios da prática da meditação.
"A gente quando está ali no crochê, contando pontos, através daquele movimento repetido consegue um descanso para a cabeça. O mundo virtual te coloca numa velocidade que não é normal do ser humano, em um ritmo que não é o nosso", pontua a mediadora.
O bordado servia em algumas culturas como uma obrigação para as mulheres, tendo o papel de um ato disciplinador. Mas "as atividades manuais, no sentido que são trabalhadas hoje, estão renascendo", afirma.
É o que ressalta a pesquisadora Mariana Guimarães, em seu artigo intitulado "Bordadura como linguagem de experiências, afeto, vínculo e liberdade", no qual assinala que as bordaduras estão sendo convertidas em resistência e promovendo as "singularidades e diferenças".
O crochê e o bordado são atividades que têm como ponto alto fortalecer laços. "Você entrar numa roda para bordar, para conversar, é um poder incrível. Essa vivência de trocar experiências por meio do bordado você não encontra no meio virtual", conclui Auxiliadora.

Mais informações:
Percursos Urbanos - Artesania da felicidade. Neste sábado (24), às 15h, no CCBNB (R. Conde d'Eu, 560, Centro). Gratuito. Inscrições pelo link tinyurl.com/percursosurbanos ou na recepção do CCBNB. Contato: (85) 3209.3500

Diário do Nordeste

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