Literatura da periferia veio para ficar, diz escritor Geovani Martins

Guilherme Zocchio
SÃO PAULO
O escritor carioca Geovani Martins durante debate promovido pela Folha
O escritor carioca Geovani Martins durante debate promovido pela Folha - Reinaldo Canato/Folhapress
O escritor carioca Geovani Martins, 26, afirmou, nesta segunda (19), que autores originários das periferias das cidades brasileiras estão se tornando mais presentes na literatura nacional. 
“Vejo com bastante esperança o movimento de escritores periféricos. Muita coisa está acontecendo e isso não tem mais volta”, declarou o autor de "O Sol na Cabeça", durante lançamento de seu livro no teatro Eva Herz, em São Paulo, em evento conduzido pelo escritor e colunista da Folha Antonio Prata. 
Morador da favela do Vidigal, Martins acredita que esses autores estão propondo novas formas de escrever, trazendo gírias típicas dos jovens dessas comunidades e produzindo obras com linguagem marcada pela oralidade.
Sua obra inaugural traz 13 contos que narram a infância e a adolescência de moradores de favelas do Rio, abordando dúvidas e dificuldades próprias dos personagens, somadas a questões típicas do cotidiano dos morros, como violência, segregação racial e exclusão social.

PROFISSÃO DE ESCRITOR

Martins relatou que ser autor profissional e ter a escrita como única atividade é uma novidade da sua vida. Antes de se tornar conhecido, após a Flip (Festa Literária de Paraty) de 2017, ele trabalhou em empregos dos mais variados tipos, foi homem-placa e garçom.
“Para mim, antes, escritor era como astronauta. Eu sabia que existia, mas nunca tinha visto.”
O autor carioca lembrou que sua mãe o incentivou a escrever, desde que o fizesse nas horas livres e tivesse um emprego para pagar as contas. Presente no evento, Neide Martins disse que quis ensinar que a liberdade vem com a responsabilidade. 
“Eu não sei de onde esse garoto tirou tanta inteligência. O que eu sempre quis foi dar poder para ele falar”, declarou, sendo muito aplaudida.

INTERVENÇÃO NO RIO

Martins afirmou que vê com “tristeza e preocupação” a intervenção das Forças Armadas na segurança pública do Rio.  A medida, sancionada pelo presidente Michel Temer (MDB), completou um mês no último sábado (17). “99% dos meus amigos são da favela. A preocupação com a segurança deles [após a intervenção] é constante.”
Para o escritor, a presença das Forças Armadas no Rio não representa mudança na forma como os agentes de segurança agem nas favelas. Tiroteios entre traficantes e polícias tornaram-se mais frequentes após a chegada das UPPs nas comunidades, disse.
“Desde antes [da intervenção], a gente sabia que era furada. Na época das UPPs, todo mundo viu que deu merda.” 
Martins falou que não houve, nos últimos anos, um aumento nos casos de violência no Rio que justificasse a intervenção das Forças Armadas. “O que aconteceu foi que a violência chegou às favelas da zona sul.”
F. De São Paulo

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