O Dia do Índio não é todo dia

Grecianny Carvalho Cordeiro*

“Agora ele só tem o dia 19 de abril”.
Na antiga capitania do Siará (Ceará), nos idos de 1600, os índios eram seus únicos habitantes. Vivam da pesca e da agricultura. Havia os tupis, os cariris, os cariús, os tabajaras, os potiguaras, etc. Era comum as tribos brigarem entre si e muitas praticavam a antropofagia. 
Com a chegada dos invasores europeus, os índios começaram a estabelecer relações de troca de mercadorias, além de alianças políticas. 
Muitos índios foram catequisados pelos jesuítas e se converteram à fé cristã. 
Quando os holandeses aqui chegaram, alguns índios aderiram à religião calvinista.
Falemos agora sobre um índio em específico, desconhecido para muitos cearenses e que, para sua época, poderia ser considerado um visionário.
Antonio Paraupaba, de origem Potiguara, nasceu na capitania do Siará, na Aldeia (Santo Antonio do) Pitaguary, atual Maranguape. Em 1625, aos 18 anos, às expensas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, viajou para os Países Baixos, junto com o pai, Gaspar, ali aprendendo o idioma neerlandês e se convertendo à fé reformada. 
De volta ao Brasil, Paraupaba serviu como intérprete entre os holandeses e os índios, recrutando-os para a causa holandesa. Acompanhou a comitiva de Maurício de Nassau, de volta à Holanda, em 1644. Foi nomeado capitão e regeu a capitania do Rio Grande do Norte entre 1645 e 1648. 
Sua bandeira de luta era a abolição da escravatura de índios e de negros. 
Lutou na Batalha dos Guararapes ao lado dos holandeses. 
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Paraupaba acompanhou a expedição de Mathias Beck ao Siará, em 1649. 
Com a rendição dos holandeses, em 1654, muitos índios que se aliaram aos batavos ficaram receosos de uma revanche por parte dos portugueses. Assim, índios do Rio Grande do Norte, da Paraíba, do Recife e, também, do Siará, marcharam em direção à Serra da Ibiapaba, com o intuito de ali se protegerem. Essa marcha de 4 mil índios, por mais de 750 quilômetros, fora liderada por Paraupaba.
Retornando para os Países Baixos, com a esposa Paulina e os filhos, Paraupaba atuou no Parlamento, procurando sensibilizar os holandeses para que retornassem ao Brasil e ajudassem os índios refugiados na Ibiapaba, pois eles não eram súditos do rei de Portugal e, sim, dos holandeses, seus irmãos de fé, posto que convertidos à Igreja Reformada.
Antonio Paruapaba faleceria nos Países Baixos, entre 1656/1657. 
Um índio. Um homem além de seu tempo.


*Promotora de Justiça

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