Reflexões Pascais

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A Páscoa de Jesus Cristo é um hino ao amor de Deus, desde sempre mais forte que a morte.
A morte e ressureição de Jesus estão alinhavadas no projeto de salvação de Deus para a humanidade.
A morte e ressureição de Jesus estão alinhavadas no projeto de salvação de Deus para a humanidade.
 (Bruno van der Kraan/ Unsplash)
Por Tânia da Silva Mayer*

Com sabedoria, a Igreja celebra as festividades mais importantes para a fé ao longo dos oito dias subsequentes às festas do Natal e da Páscoa. Mistério tão grande não pode ser esgotado, é preciso, pois, tempo para ser ruminado, a fim de que encontre eco nos corações daqueles e daquelas que o celebram. Ainda nesta oitava pascal, propomos mais essa reflexão sobre os acontecimentos fundadores de nossa fé cristã. A Páscoa de Jesus Cristo é um hino ao amor de Deus, desde sempre mais forte que a morte. Somente o amor foi e é capaz de superar as fronteiras e devolver a dignidade da vida que o pecado furtou. Desse amor desmesurado ninguém pode nos distanciar ou separar. O enfrentamento e a superação do mal, do pecado e, por fim, da morte deve animar nossa esperança e encorajar nossa luta por um mundo transformado pela paz e pela justiça, um mundo cujas relações se fundamentem na defesa irrestrita da vida, sobretudo de uma vida plena e abundante.

A morte e ressureição de Jesus estão alinhavadas no projeto de salvação de Deus para a humanidade. A fim de evitarmos exageros, elas devem ser compreendidas na esteira do Reino de Deus, do seu anúncio e inauguração mediante as palavras e ações proféticas e libertadoras de Jesus. Como sabemos, a postura de Jesus diante de Deus e das pessoas, em virtude da proximidade do Reino de Deus, será a mola propulsora que fomentará a rejeição, a condenação e a morte violenta sofrida pelo Nazareno, da qual muitas pessoas se tornam solidárias pela peregrinação na via crucis da existência. Por outro lado, a ressurreição do Senhor é sinal fecundo para a humanidade, à luz daquilo que o Reino é para a história, isto é, ajustamento e participação na maior vida de Deus, graças a iniciativa gratuita e amorosa Dele.

Nesse sentido, ainda do meio de tão grande dor, de números exponenciais de violências e mortes de inocentes, do roubo de direitos fundamentais e da usurpação da dignidade humana, ainda é possível desejar uma páscoa feliz aos que nos são próximos. No entanto, não é possível fazê-lo alijados e alijadas do compromisso com a transformação das realidades de menos em vida em espaços nos quais prevaleça o respeito e a justiça como frutos do amor ensinado por Jesus. Quem não é capaz de amar o outro naquilo que ele é e quem não se dispõe ao serviço dos irmãos e irmãs, não se decidiu pelo Reino e não se deixou confrontar pela promessa de plenificação do mundo, da história e do ser humano. Que os cristãos e as cristãs sejamos capazes de desejar uma feliz páscoa ao mundo, a partir do testemunho do amor da Cruz que, ainda que seja denúncia contumaz da maldade dos homens, é revelação do amor que celebra a vida, acreditando e lutando para que ela seja melhor, e será!

*Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); graduanda em Letras pela UFMG. Escreve às terças-feiras. E-mail: taniamayer.palavra@gmail.com.

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