Casa de Cultura Francesa comemora 50 anos no Ceará

Para este semestre, 768 pessoas tentaram ingressar na Unidade, o que significou concorrência de 8.72 participantes por vaga ( Foto: Waleska Santiago (Agência Diário) )
Quando o então Centro de Cultura Francesa abriu suas portas pela primeira vez, em dezembro de 1968, a enorme influência da França, não só sobre o Brasil, mas sobre o mundo, já não era mais a mesma. "Depois das duas Grandes Guerras, o americano resolveu tomar conta de tudo", resume o pesquisador e memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez. A Casa de Cultura Francesa (CCF) comemorou, ontem, 50 anos de fundação. O evento, realizado na Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), recebeu o reitor Henry de Holanda Campos e o embaixador da França no Brasil, Michel Miraillet. A CCF e a embaixada têm, atualmente, uma parceria, que consiste em trazer uma vez por ano um professor nativo.
O Centro virou Casa. Hoje, cinco décadas após a criação, os costumes franceses são estudados apenas por um grupo ainda mais seleto no âmbito cultural da cidade. Para o semestre 2018.1, 768 pessoas tentaram ingressar na Unidade, o que significou uma concorrência de 8.72 participantes por vaga e a segunda casa mais buscada. Para a Casa de Cultura Britânica, por exemplo, 2808 pessoas se inscreveram. Um número quatro vezes maior que para a Francesa. "A cultura do inglês fez com que o francês sofresse um abafamento. Mas para nós, que somos latinos, era muito mais legítimo uma influência francesa. Nós não temos nada a ver com anglo saxões. Nossa maneira de amar, de respeitar, é totalmente diferente", destaca Nirez, lembrando ainda que a influência dos aspectos franceses mantinham no Estado do Ceará foi mais forte até a década de 1920.
"Era em todas as áreas: cultura, artes em geral, vestimenta, culinária, palavras que vieram da França e que nós 'aportuguesávamos'.
Áureo
As características francesas adentravam ferozmente nos costumes cearenses. As avenidas, eram chamadas, no período áureo da influência, de 'boulevards', termo emprestado do francês. Fortaleza já teve, inclusive, sua própria Torre Eiffel, uma loja de partituras que era localizada na Rua Major Facundo.
A 'francofonia', aliás, resiste até hoje. A incorporação de vocábulos franceses ao cenário local é realidade em exemplos como "restaurante", "clichê", "abajur" e "sutiã". O pesquisador Nirez acredita que a influência, no entanto, anda quase nula. "Hoje é coisa de intelectual", entende.
A instalação da Casa de Cultura Francesa em Fortaleza foi, segundo o pesquisador, tardia. "Quando ela chegou aqui já encontrou muito pouco da cultura dominando. Os prédios, a literatura, era pouco o que restava", resume Nirez.
Ellen Belém teve a oportunidade de transformar o que aprendeu na CCF em pura prática: passou um ano na França. "Entrei para ter uma base, mas além do idioma, a gente aprende sobre os costumes e tradições do país", revela. Sobre os professores nativos, ela garante: "É muito bom porque nos permite ter uma dinâmica diferente de aprendizado", salienta a estudante.
Diário do Nordeste

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