'Tecnologia revolucionará ensino, prática e clínica'

'Futurista da saúde' e 1º a realizar operação por streaming, Grossmann diz que realidade aumentada vai transformar a Medicina.
Um grupo de estudantes de qualquer tamanho poderá acompanhar o procedimento como se estivesse na sala de cirurgia, operando o paciente.
Um grupo de estudantes de qualquer tamanho poderá acompanhar o procedimento como se estivesse na sala de cirurgia, operando o paciente. (Shutterstock)

Para o cirurgião venezuelano Rafael Grossmann, conhecido nos Estados Unidos como um "futurista da saúde", recursos como a realidade aumentada e a telemedicina já estão disponíveis para transformar a prática clínica, os sistemas de saúde e o ensino da Medicina. Ele, que ficou conhecido por ter sido o primeiro a realizar uma cirurgia transmitida por streaming em tempo real com o uso do Google Glass, em 2013, deu entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo para falar sobre o uso de tecnologia e inteligência artificial na medicina.
Como foi o usar o Google Glass em uma cirurgia? E em que esse recurso pode ser útil?
Enquanto operava, tudo o que via - o abdome do paciente e as imagens do endoscópio - era transmitido em streaming, em alta definição e em tempo real, para tablets previamente cadastrados. O potencial disso é revolucionário, porque a imagem transmitida pode ser vista em qualquer lugar, da perspectiva exata do cirurgião. Em um local distante onde o paciente não tem acesso a um cirurgião mais experiente em uma especialidade, o médico local pode realizar a cirurgia e transmitir para que outro especialista dê orientações precisas.
Seria, então, um meio de facilitar a troca de conhecimento entre os cirurgiões?
Sem dúvida. Mas esse recurso também deverá revolucionar o ensino. Um grupo de estudantes de qualquer tamanho poderá acompanhar o procedimento como se estivesse na sala de cirurgia, operando o paciente.
E na prática clínica?
Há vários aplicativos. Um deles permite ao médico, durante a consulta, conversar com o paciente enquanto acessa dados de seu prontuário, projetados na lente. Isso permite dar mais atenção ao paciente.
Que outras tendências você vê no uso da tecnologia?
Há muitas inovações em plataformas de smartphones, realidade virtual e realidade aumentada, nanotecnologia, impressoras 3D e robótica. Tudo isso está melhorando rapidamente a conectividade, a comunicação e a gestão de dados. O mais importante é a conectividade, que temos explorado muito mal. A realidade aumentada tem potencial impressionante. Temos usado, por exemplo um dispositivo, que pode ser definido como óculos holográficos. Permite projetar um órgão em 3D no ar. A imagem do coração anatomicamente preciso, funcionando, aparece flutuando e podemos girá-la, abri-la, manipulá-la de todas as formas. Isso mudará as aulas de anatomia e fisiologia.
E por que a conectividade é tão importante?
Temos centenas de milhares de mortes causadas por erros médicos e a principal causa é a má comunicação entre médicos. Esse aumento exponencial de conectividade melhorará o atendimento.
Mas o Brasil e a Venezuela podem arcar com os custos?
Países como os nossos serão os maiores beneficiados pela tecnologia. O desenvolvimento da tecnologia é exponencial e o barateamento de equipamentos é constante.

Agência Estado

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