Fotógrafas oferecem ensaio gratuito para mães de baixa renda em Fortaleza

Mulheres com os portas-retratos
Um gesto simples, mas que tem emocionado mulheres de baixa renda da Praia do Futuro, em Fortaleza. Com uma câmera na mão, as fotógrafas Natália Braga, Nara Jesuíno, Carol Tavares e Jamille Albuquerque conseguem eternizar uma fase importante da maternidade: a gestação.
Segundo a idealizadora do projeto Olhares do Bem, Natália Braga, a ideia é oferecer às mães ensaio fotográfico e presenteá-las com um porta-retrato com a melhor foto. Para ela, a iniciativa é uma forma de preservar a memória.
“Eu tenho em casa um álbum com várias fotos da minha infância. Eu gosto de olhar. Essas famílias tiram fotos do celular, mas não imprimem. Não podem pagar por um ensaio. Eu acho importante ter o registro”, comenta.
A ação iniciou no mês de maio. A ideia, a princípio, era homenagear as mulheres durante o Dia das Mães. Mas, devido a importância do gesto para as famílias, elas decidiram dar continuidade ao projeto. “Fazia tempo que queria fazer algo beneficente, mas relacionado à fotografia. Eu conversei com três amigas e elas toparam”, explica.
Durante os ensaios, as fotógrafas buscam conversar e conhecer um pouco da rotina das mulheres. Segundo elas, são mães que moram no entorno da Praia do Futuro e carecem de assistência. Elas fazem parte de um grupo de apoio do Grupo Espírita Paulo Estevan (Gepe), onde recebem auxílio.
“Teve uma que me chamou atenção. Ela não falava muito e não sorria. Quando ela soltava um sorriso, tentava fotografar. O irmão dela tinha morrido por conta do tráfico”, relembra.
A primeira ação atendeu 21 famílias. No fim, ao entregar as melhores fotos, as mães ficaram surpreendidas com o resultado e, até mesmo, emocionaram-se com o presente. “Foi uma experiência muito forte. Uma coisa tão simples. A gente via no olhar delas a alegria”, conta Nara Jesuína, uma das fotógrafas voluntárias.
Com a primeira experiência, o grupo pensa na próxima ação. Até o momento, não há data definida, mas a intenção é presentar mais mulheres. “A gente está pensando em fazer uma ação a cada três meses. Foi um teste que nos motivou a continuar”, revela.
Tribuna do Ceará

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