Professora mantém biblioteca comunitária na periferia de Paraty

Enquanto livrarias e editoras de renome seduzem o público no Centro Histórico de Paraty para formar mais leitores e aumentar seu mercado, a Biblioteca Comunitária Cora Coralina, da periferia da cidade, também aproveita o período da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) para divulgar seu trabalho e a importância da leitura. Em uma tenda com livros de autores como Eric Hobsbawm e Simone de Beauvoir, a professora Claudia Bianconi recebia os visitantes e contava sobre o seu projeto.
"As pessoas passam aqui, ficam curiosas e querem comprar os livros. Mas a gente está em uma feira e não está vendendo quase nada. O interessante é divulgar o trabalho e mostrar que estamos aqui na resistência", disse Claudia, que, apesar disso, tem um pequeno sebo na frente de sua tenda, montada na área reservada pelo evento para comunidades tradicionais e chamada de Ocupa Paraty.
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A biblioteca comunitária foi fundada em 2012 pela professora, que começou o trabalho voluntário com a doação de livros infantis recebidos da Flip e passou a tocar o projeto na varanda de sua casa. Outra doação importante veio de um italiano que vivia em Paraty e voltou ao seu país de origem deixando seus livros para Claudia. A partir daí vieram livros de várias partes do país e o acervo já tem mais de mil títulos.
Na época da primeira doação, a fundadora dava aulas na educação de jovens e adultos e recebeu a sugestão de uma colega pedagoga. O nome da biblioteca foi inspirado nos próprios alunos, já que Cora Coralina foi uma escritora de origem humilde e que começou a publicar tarde, quando já tinha mais de 70 anos.
"Eu tinha aluno até de 70 anos, e me veio a figura dela. Nessa coisa de começar tarde, ela é um bom exemplo. É uma pessoa popular, bem do povo. E isso se identifica bastante com o bairro onde eu moro".
O bairro do Condado fica a poucos quilômetros do Centro Histórico de Paraty, mas a distância social entre os vizinhos de Claudia e os visitantes e empresários que lotam a área turística é bem maior.
"É um bairro novo, que começou a crescer rapidamente, estou lá há dez anos, quando construíram a ponte que dá acesso ao bairro. Lá é bastante popular, e tem também caiçaras de Paraty que nasceram aqui e foram expulsos de seus locais de origem", diz ela. "Muitas pessoas têm medo de entrar no bairro onde eu moro, porque acham que é um bairro violento. Mas violência a gente pode discutir que existem muitas outras que a gente passa no dia a dia".
Os caiçaras citados por Cláudia são povos tradicionais que habitam a costa do Sul e do Sudeste do Brasil e nasceram da mistura entre negros, índios e brancos. Sua cultura é ligada à pesca e suas comunidades costumam coexistir com áreas de Mata Atlântica.
Além dos empréstimos de livros para pessoas de todas as idades, a biblioteca de Cláudia se tornou um espaço de convivência para crianças, que duas vezes por semana povoam sua varanda de brincadeiras e risadas.
"Quem realmente frequenta são as crianças. Sempre que eu abro elas aparecem para brincar".
*O repórter viajou a convite da EDP, empresa patrocinadora da Flip 2018
Agência Brasil

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