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Dia Internacional da Igualdade Feminina: conquistas de brasileiras e o retrocesso que se avizinha

Apesar dos importantes avanços, a classe feminina no Brasil enfrenta desafios que vão desde a crise sanitária até o governo vigente

Mulheres participando da primeira Marcha das Margaridas, movimento que reivindicava direitos das trabalhadoras rurais, em frente ao Congresso Nacional (Foto: Brasil De Fato/ Claudia Ferreira)
Mulheres participando da primeira Marcha das Margaridas, movimento que reivindicava direitos das trabalhadoras rurais, em frente ao Congresso Nacional (Foto: Brasil De Fato/ Claudia Ferreira)
Comemorado nesta quarta-feira, 26, o Dia Internacional da Igualdade Feminina celebra conquistas de uma classe que precisou lutar para alcançar direitos fundamentais, como a liberdade. No Brasil, mulheres conquistaram importantes avanços mas, de acordo com especialistas, têm agora a luta pela equidade ameaçada de retrocesso por fatores como a crise sanitária e o governo vigente.
A data comemorativa foi estipulada pelo Congresso dos Estados Unidos da América (EUA) em 1973, fazendo alusão a uma emenda constitucional que permitiu o voto feminino no pais, mais de cinco décadas antes. Nesse contexto, o dia foi celebrado para marcar, internacionalmente, um dos passos mais importantes que as norte-americanas deram na luta por direitos iguais.
Para as brasileiras, no entanto, essa vitória só foi alcançada em 1932, quando o Código Eleitoral da época determinou que mulheres autorizadas por seus maridos, ou com renda própria, poderiam votar. Apenas 14 anos depois é que a determinação foi ampliada e as restrições tiveram fim.
O Povo

Os abraços que nos faltam

Faltam abraços para celebrar vitórias, solenizar conquistas e etapas vencidas, sorrisos e alegrias da vida; e faltam aqueles abraços que sinalizam o dom, alargam a esperança e consideram, sempre, o que há a construir.
Faltam abraços para dar brilho à amizade, à maré-alta de encontros, diálogos, partilhas; e faltam também os abraços que confirmam novas descobertas, ampliam os afetos e inauguram novas proximidades que a solidariedade gera.
Faltam abraços que confirmem a paz, o diálogo entre partes, a tranquilidade no meio de incertezas; e faltam especialmente os abraços que apontem para lá do que é possível abarcar, de seguranças falidas, do provisório permanente.
Faltam os abraços que acarinham a dor, aliviam o sofrimento, dão vigor às fragilidades; e faltam também aqueles abraços que celebram a vida, reconhecem cuidados e sinalizam recomeços após desassossegos de um tempo relegado para mundos da ficção.
Faltam os abraços transformados em rotinas no quotidiano, os que definem cada dia e marcam cada encontro; e faltam sobretudo os abraços que alargam horizontes, colocam a confiança nas pegadas do caminho e consideram o transcendente, Deus, essencial nas coreografias humanas.
Faltam abraços que a pandemia impede; e faltam particularmente os abraços que cada humano nega ao humanismo, que cada crente descura no ambiente da fé.
Os abraços que nos faltam limitam o rito, mas, mesmo não dados, estimam as emoções.
Os abraços que nos faltam inibem gestos, mas aproximam sentimentos.
Os abraços que nos faltam poupam os ossos, mas alargam o coração.

Autor: Paulo Rocha, Agência Ecclesia

Consciência Negra é feriado em apenas 15% dos municípios brasileiros

Movimentação no Dia Nacional da Consciência Negra em frente ao monumento de Zumbi dos Palmares, no Rio de Janeiro (RJ) (José Lucena/Estadão Conteúdo)
Nesta quarta-feira, 20 de Novembro, é celebrado o Dia da Consciência Negra, em referência à morte de Zumbi dos Palmares - símbolo da luta pela liberdade e valorização do povo afro-brasileiro. A data, porém, é feriado em apenas alguns dos 5.570 municípios brasileiros - menos de 15%, segundo levantamento da reportagem com base em dados da Secretaria Nacional de Políticas Promoção da Igualdade Racial, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
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A data foi incluída no calendário escolar nacional em 2003 e, em 2011, a Lei 12.519 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.A lei, no entanto, não incluiu o Dia da Consciência Negra no calendário de feriados nacionais, já que o Congresso Nacional não legislou sobre o tema. Cinco Estados - Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro - já aprovaram leis estaduais que determinam o feriado de 20 de Novembro.
Maior Estado do país em população, com cerca de 45 milhões de habitantes, São Paulo comemora o feriado em algumas das 645 cidades, incluindo a capital. Já em Minas Gerais, unidade federativa com maior quantidade de municípios (853), é feriado em apenas 11 cidades, das quais não se incluí a capital Belo Horizonte. 
Quem foi Zumbi dos Palmares?
Zumbi foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão no Brasil. Palmares surgiu a partir da reunião de negros fugidos da escravidão nos engenhos de açúcar da Zona da Mata nordestina, em torno do ano de 1600. Eles se estabeleceram na Serra da Barriga, onde hoje é o município de União dos Palmares, em Alagoas. Ali, por causa das condições de difícil acesso, puderam organizar-se em uma comunidade que, estima-se, chegou a reunir mais de 30 mil pessoas.
Muitos dos quilombolas eram índios e brancos pobres, segundo a Fundação Joaquim Nabuco. Nabuco foi expoente do movimento abolicionista. "A vida de Zumbi, o rei do Quilombo dos Palmares, é pouco conhecida e envolta em mitos e discussões", afirma o texto. Logo, vários dos trechos abaixo são objeto de polêmicas entre os historiadores.
Ao longo do século 17, Palmares resistiu a investidas militares dos portugueses e de holandeses, que dominaram parte do Nordeste de 1630 a 1654. Segundo o historiador Pedro Paulo Funari, no artigo A República de Palmares e a Arqueologia da Serra da Barriga, em 1644, um ataque holandês matou 100 pessoas e aprisionou 31, de um total de 6 mil que viviam no quilombo.
Funari também afirma que o quilombo era chamado pelos portugueses de República dos Palmares, nos documentos da época, e termos como "mocambo" foram posteriormente utilizados no sentido pejorativo.
Quilombo dos Palmares
O quilombo era composto por várias aldeias, de nomes africanos, como Aqualtene, Dombrabanga, Zumbi e Andalaquituche; indígenas, como Subupira ou Tabocas; e portugueses, como Amaro; e sua capital era chamada de Macacos, termo de origem incerta. Zumbi nasceu livre, em Palmares, provavelmente em 1655, e, segundo historiadores, seria descendente do povo imbamgala ou jaga, de Angola.
Ainda na infância, durante uma das tentativas de destruição do quilombo, ele foi raptado por soldados portugueses e teria sido dado ao padre Antonio Melo, de Porto Calvo (hoje, em Alagoas), que o batizou de Francisco e ensinou-lhe português e latim. Aos 10 anos, tornou-o seu coroinha. Com 15 anos, Francisco foge, retorna a Palmares e adota o nome de Zumbi. Aos 20 anos, Zumbi destacou-se na luta contra os militares comandados pelo português Manuel Lopes. Nesses combates, chegou a ser ferido com um tiro na perna.
Em 1678, o governador de Pernambuco, Pedro de Almeida, propõe a Palmares anistia e liberdade a todos os quilombolas. Segundo o historiador Edison Carneiro, autor do livro O Quilombo dos Palmares, ao longo dos quase 100 anos de resistência dos palmarinos, foram inúmeras as ofertas como essa.
Ganga Zumba, então líder de Palmares, concorda com a trégua, enquanto Zumbi é contra, por argumentar que o acordo favoreceria a continuidade do regime de escravidão praticado nos engenhos.
Zumbi vence a disputa, é aclamado pelos que discordavam do acordo e, aos 25 anos, torna-se líder do quilombo. Ao longo da vida, Zumbi teria tido pelo menos cinco filhos. Uma das versões diz que ele teria se casado com uma branca, chamada Maria. Ao longo de seu reinado, Zumbi passou a comandar a resistência aos constantes ataques portugueses.
Em 1692, o bandeirante paulista Domingo Jorge Velho, uma espécie de mercenário da época, comandou um ataque a Palmares e teve suas tropas arrasadas. O quilombo foi sitiado e só capitulou em 6 de fevereiro de 1694, quando os portugueses invadem o principal núcleo de resistência, a Aldeia do Macaco.
Ferido, Zumbi foge. Resistiu na mata por mais de um ano, atacando aldeias portuguesas, e, em 20 de novembro de 1695, depois de ser traído pelo antigo companheiro, Antonio Soares, Zumbi é localizado pelas tropas portuguesas.
Preso, Zumbi é morto, esquartejado, e sua cabeça é levada a Olinda para ser exposta publicamente. Um dos objetivos de terem feito isso com a cabeça dele era o de acabar com os boatos que corriam entre os negros escravizados de que o líder quilombola era imortal.

Agência Estado / Dom Total

Escola de samba Vai-Vai abre Virada da Consciência em São Paulo

A escola de samba Vai-Vai abre ontem (17) a Segunda Virada da Consciência, uma série de eventos gratuitos, que ocorrem até o próximo dia 20, para celebrar o dia da Consciência Negra. Organizada pela Faculdade Zumbi dos Palmares, a Virada conta com cerca de 400 atividades e mais de 100 parceiros. 
A abertura, hoje, ocorre na quadra de samba da Vai-Vai, na Bela Vista, nas proximidades da Praça 14 Bis. A partir de amanhã, estão previstas atividades entre ações literárias, esportivas, artísticas, musicais e gastronômicas.
Nesta segunda-feira (18), haverá o debate Construção e Continuidade das Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial no Brasil, a partir das 11h na Faculdade Zumbi dos Palmares. No mesmo local, ocorre a FlinkSampa – Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra, com lançamentos e vendas de livros, quadrinhos e mangás, produtos de afro-empreendedores, além de atividades culturais para professores e estudantes.
Na terça-feira (19) acorre a Jornada da Diversidade, no Hotel Maksoud Plaza, evento em que grandes empresas brasileiras apresentam suas ações em torno do compromisso com a promoção da igualdade.
No dia 20, no Museu do Futebol, será a vez da oficina Bonecas Abayomi - feitas como amuletos a partir de retalhos das roupas de mulheres escravas para seus filhos durante o trajeto de navio entre a África e o Brasil. No mesmo dia, no Sesc Guarulhos, será realizada a oficina para introdução às técnicas e estilos do graffiti, abordando construção de letras, sombra,luz e volume.
A programação completa da Virada da Consciência pode ser vista na página do evento na internet.
Agência Brasil

Negros são maioria nas universidades públicas pela primeira vez na história

Estudo mostra para a gente que para todos os indicadores educacionais há uma trajetória de melhora desde 2016 (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
A proporção de pessoas pretas ou pardas (que compõem a população negra) cursando o ensino superior em instituições públicas brasileiras chegou a 50,3% em 2018. Apesar desta parcela da população representar 55,8% dos brasileiros, é a primeira vez que os pretos e pardos ultrapassam a metade das matrículas em universidades e faculdades públicas.
Os dados estão no informativo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A comparação foi feita com as informações do suplemento de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio - Contínua (Pnad Contínua), que começou a ser aplicado em 2016.
A pesquisa mostra que a população negra está melhorando seus índices educacionais, tanto de acesso como de permanência, apesar de ainda se manter bem atrás dos índices medidos entre as pessoas brancas.
A proporção de jovens de 18 a 24 anos pretos ou pardos no ensino superior passou de 50,5% em 2016 para 55,6% em 2018. Entre os brancos, a proporção é de 78,8%. Na mesma faixa etária, o número de pretos e pardos com menos de 11 anos de estudo e que não estavam frequentando a escola caiu de 30,8% em 2016 para 28,8% em 2018, enquanto o indicador para a população branca é de 17,4%.
Outros percentuais
Os que já haviam concluído o ensino superior somavam 36,1% dos brancos e 18,3% dos pretos e pardos, enquanto a taxa de ingresso no terceiro grau é de 53,2% entre os brancos e de 35,4% entre pretos e pardos. Na faixa de 18 a 24 anos que concluiu o ensino médio, mas que não estava estudando por trabalhar ou precisar procurar trabalho, 61,8% eram pretos ou pardos.
A taxa de analfabetismo para pessoas acima de 15 anos, entre pretos e pardos caiu de 9,8% em 2016 para 9,1% em 2018. Entre os brancos, a taxa é de 3,9%. Na frequência à creche ou escola, crianças pretas ou pardas de até 5 anos passaram de 49,1% para 53%, enquanto 55,8% das crianças brancas estão nessa etapa da educação. Nos anos iniciais do ensino fundamental, para crianças de 6 a 10 anos, não há diferença significativa, com 96,5% das brancas e 95,8% das pretas ou pardas frequentando a escola.
A analista de indicadores sociais do IBGE Luanda Botelho disse que a melhora das estatísticas é reflexo de políticas públicas que proporcionaram o acesso e permanências da população preta e parda na rede de ensino.
“O estudo mostra para a gente que para todos os indicadores educacionais há uma trajetória de melhora desde 2016. Isso se reflete em menor atraso escolar, mais pessoas pretas ou pardas frequentando a escola na etapa de ensino adequada para a idade, menor abandono escolar, mais pessoas pretas ou pardas concluindo o ensino médio e ingressando no ensino superior”, afirmou.
Os rendimentos de pretos e pardos se mantêm abaixo do segmento de brancos. O rendimento médio mensal entre brancos é de R$ 2.796 e entre pretos e pardos cai para R$ 1.608, uma diferença de 73,9%. Na comparação apenas entre quem tem curso superior, os bancos ganhavam por hora 45% a mais do que os pretos e pardos.



Agência Brasil

“Primeiro os últimos”, vozes de um mundo melhor

O livro que recolhe histórias de pessoas que não ignoraram o drama da migração. A carta do Papa Francisco ao autor: “Há uma humanidade escondida – escreve o Pontífice – que defende diariamente a vida em cada ocasião, que se deixa tocar e comover, que merece ser conhecida”.
Emanuela Campanile – Cidade do Vaticano
“Primeiro os últimos”, publicado pelas Paulinas, não é uma boa coleção de histórias de vida, nem um exercício de bonzinhos convencidos. É, ao invés, um doce e forte apelo à responsabilidade que cada um de nós tem para com os nossos irmãos, para com aquela humanidade ferida que muitas vezes, nestes tempos, chega do mar exausta e violada. Bastaria ler a quem é dedicado o livro e a carta do Papa Francisco ao autor – Rino Canzoneri -, para ler as 230 páginas fora das dúvidas e polêmicas que tantas vezes sufocam nossos corações.

Consciência e Evangelho

A dedicação tem o gosto de uma incisão a fogo nas consciências, com seu chamado tão pouco “politicamente correto”:
A todos aqueles que morreram nas travessias do deserto e do Mediterrâneo; àqueles que sofreram e sofrem violência nos campos de detenção e nas prisões líbias. Ninguém poderá nos perdoar por não termos salvado vocês, por não termos ajudado a viver com dignidade.
Com as cores da esperança são, ao invés, as palavras do Papa Francisco ao autor Canzoneri. Um agradecimento ao trabalho realizado pelo jornalista, capaz de “dar voz – escreve o Papa -, àquela parte da realidade que, graças a Deus, é ainda a mais difundida, a realidade daqueles que não cedem à indiferença”:
Em uma época como aquela em que vivemos, caracterizada pela polarização, pelas simplificações mediáticas, pelas manchetes dos jornais “gritadas” que podem criar uma representação errada da realidade, pelos slogans e – infelizmente – por tantas más notícias, tenho certeza de que seu trabalho representará um sopro de ar bom: fará muito bem! Sua iniciativa é uma oportunidade para dar voz também àquela parte da realidade que, graças a Deus, ainda é a mais difusa: a realidade daqueles que não cedem à indiferença.
A carta de Francisco corre então entre as linhas do Evangelho, devolvendo-nos a Palavra de Cristo tantas vezes esquecida mas, por muitos, profundamente vivida:
É bonito e reconfortante saber que tantas pessoas colocam em prática as palavras de Jesus que lemos no capítulo 25 do Evangelho de Mateus, aquelas palavras que eu gosto de chamar “o protocolo” com base no qual todos seremos julgados: “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me acolhestes, nu e me vestistes, doente e me visitastes, prisioneiro e viestes me ver”.

Os protagonistas do livro

Os protagonistas de “Primeiro os últimos” não são heróis, mas se comprometem com a vida. Como? Olhando o problema no rosto, perguntando-se o que podiam fazer e decidindo dar uma mão àqueles que pediam ajuda. Em que modo? Adotando “crianças de poucos meses, que chegaram sozinhas porque suas mães morreram no mar” ou “crianças abandonadas por jovens mulheres estupradas; trabalhando “para garantir um futuro para crianças em situações difíceis ou apoiando “jovens migrantes até levando à meta por eles sonhada”. Há muitas fórmulas para restaurar a esperança e a vida “sem se virar para o outro lado”, como diz o subtítulo do livro, pois há muitas histórias, emoções e alegrias recolhidas nestas 230 páginas que, uma após a outra, nos convidam à esperança porque o sentido da humanidade não está morto e outro mundo, melhor, não é uma utopia.
(Quando ouvi o choro da recém-nascida, seu rosto se iluminou com imensa alegria, banhado pelas lágrimas que corriam de seus grandes olhos. Finalmente lágrimas de felicidade, depois de anos de calvário. Naquele momento pensei que se tinha realizado um milagre incrível. (de Primeiro os últimos)
Rádio Vaticano 

Eventos comemoram o mês da Consciência Negra com trabalhos de mulheres inspiradas na ancestralidade

A exposição do Coletivo Bordando Resistência do Coletivo Bordando Resistência e a Mostra Dandaras realizam programação diversificada durante novembro


Fortalecer o trabalho feminino e enaltecer as raízes estão entre os objetivos da exposição "Porque Cazuza resistiu, resistimos também" do Coletivo Bordando Resistência. O projeto reúne 14 telas bordadas à mão por mulheres Coletivo Bordando Resistência em Horizonte. Após expor em alguns pontos de Fortaleza, a mostra segue para a cidade em alusão ao mês da Consciência Negra.
A temática foi escolhida como forma de contar as próprias histórias. Sob a coordenação da socióloga Cássia Enéas, as mulheres da Comunidade passaram por um curso de bordado livre até chegar na escolha do tema. "A gente pensou em retratar a história desse grupo, contando a vida do Negro Cazuza, um escravo fugitivo que deu origem a essa comunidade. Tentando fortalecer todos os traços de ancestralidade, de identidade negra, sempre ressaltando a questão do gênero", explica Cássia.
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Bordado da exposição da Comunidade Quilombola do Alto Alegre
Isanelle Nascimento
Para as quilombolas, esse projeto veio como uma ferramenta de autoafirmação, de visibilidade e de valorização. "A ideia era fazer elas se identificarem nos bordados que fizeram", aponta.
Para Cássia, esse momento tem de ser aproveitado para fortalecer a política de igualdade racional, tirando um pouco da invisibilidade que a comunidade viveu por tanto tempo. O grupo conquistou ainda um ateliê, espaço onde essas mulheres vão poder produzir e expôr suas criações, além de receber encomendas.

DELAS POR ELAS

Assim como a exposição, a Mostra Dandaras, em cartaz na Carnaúba Cultural, busca dar visibilidade o trabalho de mulheres artistas e resgatar a história de Dandara dos Palmares. Durante todo o mês de novembro, a programação conta com exposições e intervenções artísticas, apresentações culturais, feirinha, oficinas e rodas de conversa sobre temáticas relacionadas às vivências das negras.
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Ilustração exposta na Mostra Dandaras
Ilustração: Silvelena Gomes
Silvelena Gomes, uma das idealizadoras do evento, conta que se uniu à tatuadora Sis Martins para fazer um espaço que "nos contemplasse enquanto mulheres pretas artistas, dedicado a nós e às nossas produções, que fosse não só retratando o que a gente faz, mas que fosse também pensado e produzido pela gente, criando quase que um espaço seguro de criação e de manifestação das nossas lutas, dores e processos".
A escolha do mês para realizar o evento também foi algo pensado, já que 20 de novembro é comemorado, oficialmente, o Dia da Consciência Negra, em homenagem ao pernambucano Zumbi, fundador do Quilombo dos Palmares.
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Ilustração exposta na Mostra Dandaras
Ilustração: Silvelena Gomes
"A gente queria muito que fosse em novembro, pois sempre ouvimos falar de Zumbi, mas muito pouco de Dandara (esposa dele). Isso é muito significativo para pensar em como as mulheres, em especial as pretas, passaram e ainda passam por um processo de invisibilidade enorme, daí então nos intitularmos Dandaras", explica Silvelena.
A ilustradora e designer revela ainda que o desejo com a Mostra é de criar mais um pequeno espaço de arte preta na cidade e de inserção, a fim de "escurecer a arte de Fortaleza para além de novembro", finaliza.
Serviço
Exposição "Porque Cazuza resistiu, resistimos também"
Até dia 30 de novembro. Na Rua José Pequeno, 290, Alto Alegre - Horizonte, CE. Gratuito.

Mostra Dandaras
De 9 a 30 de novembro. Na Carnaúba Cultural (Rua Instituto do Ceará, 164, Benfica). Gratuito.


Diário do Nordeste

Rapper Queen Latifah será homenageada em Havard por contribuições para a cultura negra

Entre as ações em prol na cultura negra, cantora se destacou no rap por abordar questões sofridas pelas mulheres negras
A instituição de ensino vai conceder a medalha WEB Du Bois para a artista e a outras seis pessoas.
A instituição de ensino vai conceder a medalha WEB Du Bois para a artista e a outras seis pessoas. (Norman DeShong/Divulgação)

A atriz e cantora Queen Latifah, que estará no musical para TV de A Pequena Sereia, foi reconhecida e será homenageada este ano pela Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, por suas contribuições para a história e cultura negra. A instituição de ensino vai conceder a medalha WEB Du Bois para a artista e a outras seis pessoas no dia 22 de outubro, segundo o "Hutchins Center for African & African American Research", um instituto de pesquisa científica em Cambridge (EUA).
Entre os homenageados estão a poeta e educadora Elizabeth Alexander, secretária da "Smithsonian Institution Lonnie Bunch III", a poeta Rita Dove e Sheila Johnson, cofundadora da "Black Entertainment Television".
Dentre suas ações em prol na cultura negra, Queen Latifah se destacou no rap por abordar questões sofridas pelas mulheres negras. Ela também lançou, em 2006, uma linha de cosméticos destinada a esse público, criada em parceria com a marca CoverGirl.
O prêmio Du Bois recebeu esse nome em homenagem a um estudioso, escritor, editor e pioneiro em direitos civis que se tornou o primeiro estudante negro a obter um doutorado em Harvard, em 1895.

Voluntários se reúnem para produzir 300 toucas para crianças com câncer

Material foi doado por indústria têxtil. Organizadores esperam ampliar o número de voluntários com ação

“Ninguém é feliz vivendo para si mesmo. Um rio não bebe a própria água. Uma árvore não come o próprio fruto”, parafraseando discurso do papa Francisco, a empresária Auxiliadora Félix, 52, abriu as portas da Casa Bendita, no bairro Meireles, em Fortaleza, para aproximadamente 100 voluntários, em sua maioria mulheres, confeccionarem gorros de crochê e lã para doarem a crianças diagnosticadas com câncer da Associação Peter Pan. A ação é organizada pelo grupo Cabeça Feita.
O encontro Tecendo Amor ocorreu na manhã deste domingo, 6. Entre agulhas, linhas e bordados, as mulheres, protegidas por barracas dispostas frente ao empreendimento, compartilhavam as histórias sobre a doença e o capricho em ajudar os mais novos que passam pela mesma situação de quem estava no local, mas não que não têm condições de arcar com as despesas do tratamento. Uma ação paliativa, mas importante para levar o sorriso aos beneficiados.
“É uma realização pessoal de tamanha felicidade e alegria. Viver só para si é uma vida muito vazia. A gente, como empresário e pessoa, precisa ajudar a comunidade onde vive. É como uma colcha de crochê. Se tiver um buraco, ela vai se desfazer”, considera Auxiliadora. A empresária conseguiu 300 novelos com a Coats Corrente, indústria têxtil, e doou outra centena.
A expectativa da anfitriã do evento é produzir até 300 gorros com o material. Ela detalha que cada novelo pode resultar em uma toca. No entanto, se a peça for destinada a crianças mais velhas pode consumir até duas unidades do material. “Se não conseguir agora, procure o projeto e ajuda. Ainda vai ter muita linha, só precisa de uma mão para tecer”, convida.
FORTALEZA, CE, BRASIL,06-10-2019:Multirão faz tocas para crianças com cancer. Casa Bendita.  (Foto: Fabio Lima/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL,06-10-2019: Multirão faz tocas para crianças com cancer. Casa Bendita. (Foto: Fabio Lima/O POVO) (Foto: Fabio Lima)

Diagnosticada com câncer de mama em 4 de julho deste ano, a psicóloga Fátima Noronha, 65, marcou presença no evento, após convite da Auxiliadora, e aproveitou para estreitar os laços com outras companheiras. “Resolvi me engajar para ajudar crianças que precisam de apoio nesse momento tão importante da vida delas”. Fátima esbanjou estilo com uma touca cinza marcada por pérolas brancas.
Uma das idealizadoras do Cabeça Feita, a aposentada Nagélia Leite, 68, espera atender mais crianças e conseguir mais voluntárias para participar do projeto. Ela destaca a necessidade de ampliar a ação, já que pelo menos 150 crianças são atendidas diariamente na Associação Peter Pan. A iniciativa começou com cinco pessoas. Hoje, conta com quase 40 integrantes.
“Se envolver com problemas que não são meus me ajudou muito. Eu já tive quatro diagnósticos de câncer. Isso me dá uma força muito grande. Você vê que o diagnóstico de uma doença dessa não é muita coisa na frente do que muita gente tem de passar. Quem vem do interior, não tem onde ficar, não tem condições de custear tratamento, tem de depender do tempo e da disponibilidade do SUS (Sistema Único de Saúde)”.
O Povo

Marielle Franco e outros ativistas do Brasil são indicados ao Prêmio Sakharov

Prêmio foi criado em 1998 em homenagem ao cientista soviético dissidente Andrei Sakharov e reconhece os defensores dos direitos humanos e da liberdade de consciência.
Grafite representando a vereadora brasileira Marielle Franco, perto do local onde ela foi assassinada no Rio de Janeiro.
Grafite representando a vereadora brasileira Marielle Franco, perto do local onde ela foi assassinada no Rio de Janeiro. (AFP)

A vereadora assassinada Marielle Franco, o líder indígena Raoni e o opositor russo Alexei Navalny estão entre os candidatos ao Prêmio Sakharov 2019 da Eurocâmara - anunciaram diversos grupos políticos.
A Eurocâmara revelou, nessa quinta-feira (19), a lista de aspirantes ao prêmio, criado em 1998 em homenagem ao cientista soviético dissidente Andrei Sakharov e que reconhece os defensores dos direitos humanos e da liberdade de consciência.
Na primeira edição do prêmio após as eleições para a Eurocâmara de maio que resultaram em um Parlamento mais fragmentado, os nomes revelados pelas bancadas concentram o foco no Brasil, assim como na China, na Rússia e no Quênia. A candidatura que aparece com mais força é a defendida pelos grupos de esquerda da Casa.
Os socialdemocratas e a bancada de esquerda radical apresentaram as candidaturas de três ativistas do Brasil: o líder indígena Raoni, a vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 2018 ao lado do motorista Anderson Gomes, e a ativista Claudelice Silva dos Santos.
Para a esquerda radical, que confirmou a candidatura dos três ativistas, "Marielle Franco, Claudelice Silva dos Santos e o líder Raoni são símbolos de resistência contra as violações dos direitos humanos no Brasil".
"Desde que o novo regime assumiu o poder em janeiro, o governo de [Jair] Bolsonaro estabeleceu um clima de temor para vários defensores dos direitos humanos", afirmou em um comunicado a eurodeputada socialdemocrata Kati Piri.
Marielle Franco também aparece na proposta de candidatura da bancada ecologista, ao lado do ex-deputado federal Jean Wyllys, que decidiu este ano deixar o Brasil e morar na Europa diante do número crescente de ameaças por sua luta pelos direitos LGTBI.
O Brasil também era a opção do eurodeputado esquerdista francês Emmanuel Maurel, que ficou muito perto de conseguir os 40 votos de parlamentares necessários para seu candidato: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Lula se ajustava completamente ao espírito do Prêmio Sakharov", disse Maurel, destacando o contexto no Brasil, "sua exemplar ação política" e "sua situação atual, na qual foi vítima de uma conspiração política".
Já o Partido Popular Europeu (PPE, direita) propôs o nome de Navalny, opositor ao presidente russo Vladimir Putin, um ano depois de o prêmio ter sido concedido ao diretor de cinema ucraniano Oleg Sentsov. O cineasta foi solto recentemente, após cinco anos de prisão na Rússia.
Os liberais apresentaram a candidatura do intelectual uigur Ilham Tohti, condenado à prisão perpétua na China, enquanto o grupo Conservadores e Reformistas Europeus (CRE) indicou cinco adolescentes do Quênia que criaram um aplicativo que ajuda meninas vítimas de mutilação genital.
Desde 1988, a Eurocâmara concedeu o prêmio, dotado com 50 mil euros (cerca de R$ 229 mil), a algumas associações e a personalidades como Nelson Mandela (1988), Malala Youfsafzai (2013), ou Aung San Suu Kyi (1990).
Em 2017, opositores venezuelanos receberam o prêmio, a quinta ocasião em que o Sakharov foi concedido à América Latina, depois das Mães da Praça de Maio (Argentina, 1992) e dos dissidentes cubanos Guillermo Fariñas (2010), a associação Damas de Branco (2005) e Oswaldo Payá (2002).
A Eurocâmara anunciará em 8 de outubro os finalistas do prêmio Sakharov, cujo vencedor será revelado no dia 24 do mesmo mês.

AFP

Os limites estão nas situações culturais que nos envolvem, diz educador social

Alex Duarte aposta que pessoas com síndrome de Down devem tomar decisões e assumir protagonismo de suas próprias vidas. Empreendedor faz palestra no Congresso do Conhecimento nesta sexta-feira na Dom Helder.
Cena do filme 'Cromossomo 21'.
Cena do filme 'Cromossomo 21'. (Divulgação)

Por Cássia Maia
Repórter Dom Total
Viver uma vida com mais autonomia e independência são metas alcançáveis para as pessoas com deficiência. É o que mostra os resultados da Expedição 21, uma espécie de reality show que promoveu uma imersão de 18 pessoas com síndrome de Down, com idades entre 20 à 51 anos, sob a direção do educador social Alex Duarte.
Graduado em Comunicação Social, empreendedor social e diretor do filme e projeto Cromossomo 21, Alex é um dos palestrantes do 2º Congresso do Conhecimento – Empreendedorismo e inovação, promovido pela Dom Helder Escola de Direito e EMGE – Escola de Engenharia. O congresso vai debater questões como empreendedorismo de carreira, programação neurolinguística, empreendedorismo social, inteligência artificial, entre outros temas com palestras e oficinas. O evento será realizado de 11 à 14 de setembro.
Com o tema "Como empoderar pessoas com deficiência", a palestra de Alex trabalhará o empoderamento pessoal, como lidar com as diferenças e enxergar a deficiência como algo que alavanca as oportunidades e jamais segrega as pessoas, mostrando técnicas que foram apresentadas na Expedição 21, sobre como transformar limitações em auto-independente e ver a deficiência e a inclusão como algo positivo.
“Precisamos pensar que toda pessoa com e sem deficiência é um ser único e cada um de nós responde pelo aprendizado de forma diferente. O que eu posso aprender talvez o outro não aprenda, assim também é para as pessoas com deficiência. O que muitas vezes acontece é que se culpa a deficiência pela falta”, afirma Alex.
Na contramão dos discursos que insistem em procurar explicações biológicas, catalogar sintomas e comportamentos padrão para pessoas que tenham em comum diagnósticos e categorias, Alex Duarte nos proporciona pensar que os limites estão nas situações culturais que nos envolvem e que muitas vezes atribuem a características orgânicas o caráter do não aprender.
“Se a gente for pensar, pessoas com síndrome de Down vão passar por todos os estágios da vida, assim como nós. Elas nascem, crescem, amadurecem e envelhecem. Porém, muitos se estacionam na infância por uma série de questões e imposições da sociedade e, às vezes, da própria família que superprotege. Muitas vezes, os próprios pais não falam do seu filho pela farta, pelo que ele é de melhor, falam sempre pela falta: ‘ele não aprende a ler da mesma forma que fulano’, ‘ele não fala direito como beltrano’. É preciso mudar a forma como a gente se comunica e a melhor maneira de fazer isso é empoderando pessoas com deficiência para que elas reconheçam o seu poder”, diz Alex, alertando que o primeiro passo é o protagonismo. "Fazer com que essas pessoas se sintam protagonistas da sua vida, que as vidas delas não sejam dirigidas por outra pessoa e que eles tenham o poder de decisão".
Uma experiência disso foi o documentário Expedição 21, dirigido pelo próprio palestrante. Ele conta que o projeto foi, na verdade, um treinamento para que essas pessoas com deficiência pudessem se conhecer como capazes e tomar suas próprias decisões. “Quando a gente realizou a Expedição 21, primeiro eu vi que essas pessoas vivem em um ambiente muito segregador. No portão da escola, elas não têm amigos, amigos de verdade, amigos sem deficiência que os convidam pra sair. Então, na expedição a gente simulou uma sociedade completamente inclusiva, que apostava sempre no potencial dessa pessoa e não na deficiência. Segundo, tiramos elas do ambiente, muitas vezes, superprotetor da família. Na casa, eles não tinham ninguém para protegê-los, eles eram adultos que tinham, em todo momento, que participar de vários desafios e tarefas em que tinham que tomar suas próprias decisões. Parece simples, mas se sempre tem alguém para fazer por você, como vai aprender?”.

Redação DomTotal

Socorro especializado pode ser decisivo para evitar suicídio

O atendimento de equipes especializadas e multidisciplinares pode ser determinante para evitar o suicídio. A opinião é do psiquiatra Leonardo Luz, do Conselho Federal de Medicina. “O Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – 192] deve ser acionado porque é uma emergência médica”, afirma.
Representante do Piauí, o médico reconhece, no entanto, que não há em todas as localidades do país serviço de urgência para casos de suicídio. “Há relatos Brasil afora onde o Samu não têm equipe para o atendimento, os bombeiros e a polícia é que acabam cuidando. Eles podem até ser rápidos, mas não têm recursos para fazer esse atendimento”.
No Distrito Federal, a Central de Informações Toxicológicas e Atendimento Psicossocial (Ceitap), da Secretaria de Saúde, mantém um carro do Samu disponível para equipe especializada, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e condutor socorrista.
Segundo a gerente da Ceitap, a enfermeira Carla Pelloso, a equipe “consegue intervir no momento em que a pessoa está em situação na qual perde o controle dos próprios atos e tem esses pensamentos acentuados de morte”. A iniciativa envolve conversa e acolhimento para que “a pessoa deixe de pensar no ato [de matar-se], vislumbre outro caminho e perceba que aquela não é a única saída”.
A psicóloga Janaína Milagres, especialista em psicopatologia e psicodiagnóstico infantil e psicologia hospitalar e da saúde, lembra que “o apoio psicológico no momento de crise é de grande importância para aliviar o sofrimento, diminuindo a angústia das emoções e das situações traumatizantes”.
Conforme o psiquiatra Leonardo Luz, a interlocução é uma “fala ativa para ganhar tempo” e levantar informações “para classificar risco”, conhecer histórico pessoal e identificar o perfil de quem ameaça se matar.

Entender os sinais

 Depressão, suicidio
Depressão - Marcelo Camargo/Agência Brasil
De acordo com o site da campanha Setembro Amarelo, de esclarecimento sobre suicídio, entre as causas em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias (como álcool e drogas). O site informa que no Brasil são registrados cerca de 12 mil suicídios por ano (mais de 1 milhão no mundo). Cerca de 96,8% dos casos estão relacionados a transtornos mentais.
Leonardo Luz diz que o suicídio é a última etapa de um processo que, em geral, segue os momentos de ideação, planejamento ou intenção e tentativa. A avaliação médica pode identificar a necessidade de psicoterapia e de prescrição de medicamentos.
Para Janaína Milagres, é necessário que familiares e amigos fiquem atentos ao comportamento. A avaliação é de que antes do ato de suicídio a pessoa exibe sinais que poderão resultar na tentativa.
“O pedido de socorro acontece de várias formas. Muitas atitudes podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta agressividade e nível extremo de impulsividade”.
Na internet, é possível localizar em sites especializados mais informações sobre o suicídio. Além do site da campanha Setembro Amarelo, o Conselho Federal de Medicina mantém manuais, protocolos e cartilhas sobre o ato, e o Ministério da Saúdedescreve em seu glossário várias informações úteis para leigos e médicos, como onde buscar ajuda e ter publicações especializadas.
Agência brasil

Bilhetes de encorajamento serão trocados por meio das redes sociais durante o 'Setembro Amarelo'


Projeto Vidas Preservadas lançará, de forma frequente, mensagens positivas em suas redes sociais em campanha de combate ao suicídio


Os recados podem ser acompanhados nas redes sociais do Vidas Preservadas e do MPCE.
Divulgação MPCE
Uma mensagem de apoio pode ter efeito positivo maior do que se imagina para quem está com a saúde mental fragilizada e, por isso, recados periódicos serão divulgado pelo projeto Vidas Preservadas por meio das redes sociais. A iniciativa, lançada nesta sexta-feira (30), faz parte da campanha Setembro Amarelo de combate ao suicídio e foi elaborada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
Conforme o projeto, o Ministério Público iniciará a postagem de bilhetes com frases de encorajamento, fotografados e compartilhados por meio das redes sociais do MP. Objetivo da instituição é disseminar a ideia durante todo o mês de setembro, para que a população também crie e troque mensagens de valorização da vida por meio das suas redes sociais digitais.
Os bilhetes serão compartilhados nas redes sociais do projeto e do MPCE, nos dias ímpares do mês, com reflexões encorajadoras sobre existência. Além disso, o Vidas Preservadas estabelece capacitações, seminários e outras campanhas para alertar sobre a necessidade de debater sobre o tema.
Para garantir políticas públicas de combate ao suicídio é necessário investimento governamental, como destaca o promotor de Justiça e um dos coordenadores do projeto, Hugo Mendonça. Os números relatados pelo coordenador apontam Fortaleza como a 3º capital brasileira com o maior número de registros de suicídio e o Ceará como o 5º estado com mais mortes em decorrência de autoextermínio.
"Nós temos uma realidade, em Fortaleza, que é de epidemia de suicídios. No Estado do Ceará, do ano de 2010 a 2018, teve o crescimento de 31,8% nos casos de suicídios oficiais, fora aqueles que não foram notificados", ressaltou o coordenador do Vidas Preservadas, Hugo Mendonça.
Alcançar o interior do Estado é um dos objetivos do Vidas Preservadas, que já estabeleceu parceria com cerca de 50 municípios cearenses. O lançamento da campanha deste ano teve a participação de um estudioso de destaque na área, o psiquiatra e consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS), José Manoel Bertolote. O profissional foi convidado para ministrar a palestra de abertura do Seminário “A evolução da prevenção do suicídio no Brasil e no Mundo: diretrizes para uma política efetiva”.

Diário do Nordeste

Trabalho infantil: o que é e por que esse é um problema a ser combatido


O trabalho infantil envolve condições superiores às forças físicas e mentais das crianças e adolescentes, acarreta traumas enfraquece laços familiares e prejudica q escolaridade. Foto: Gustavo Pelizzon

Entenda o que são as atividades laborais realizadas por crianças e adolescentes e o mal que elas causam no mundo e no Brasil


Trabalho infantil: o que é e por que esse é um problema a ser combatido

No mesmo mês em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completou 29 anos, o presidente Jair Bolsonaro defendeu o trabalho realizado por crianças aos lembrar de sua própria infância. A declaração foi dada numa transmissão ao vivo pelas redes sociais no dia 4 de julho e, claro, repercutiu. Entre críticas e defesas, o que ficou claro foi o quanto o conhecimento sobre tema ainda é superficial, o que leva a posicionamentos equivocados.
Alguns dias antes, em 12 de junho, era celebrado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, data instituída no calendário oficial do País por uma lei de 2007. Mas esse também é o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, instituído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2002, quando foi apresentado o primeiro relatório global sobre o trabalho infantil na Conferência Anual do Trabalho.

No mundo e no Brasil

Ou seja, se a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o trabalho dá tanta importância ao assunto, vê-se que estamos falando de um problema mundial. Em 2016, segundo a OIT, 152 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos eram vítimas de trabalho infantil ao redor do planeta. Só para se ter uma ideia, todas as pessoas nesta mesma faixa etária no Brasil somam 40,764 milhões, conforme os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em outras palavras, se juntarmos todas as crianças e adolescente do País, precisaremos multiplicá-las por 3,7 para chegar próximo do número de dessas vítimas do trabalho infantil no mundo. São 88 milhões de meninos e 64 milhões de meninas. Quase metade do total, cerca de 73 milhões, realizavam formas perigosas de trabalho. Em torno de 19 milhões tinham menos de 12 anos de idade.
No Brasil, também segundo informações da Pnad 2015, são 2,7 milhões de trabalhadores infantis, o equivalente a toda a população de Fortaleza.
Uma observação: o IBGE chegou a divulgar um decréscimo desse número para 1,8 milhão em 2016. Contudo, o número é controverso, já que houve uma mudança no critério de avaliação, e não incluíram as crianças e adolescentes que trabalham para o próprio consumo.

Direito Fundamental

Quando o ECA foi promulgado, no dia 13 de julho de 1990, eram 7,7 milhões. O número alarmante fez o estatuto reiterar e regulamentar a previsão constitucional de proibir “qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, sendo este um direito fundamental.
Outra obervação: o texto constitucional original de 1998 proibia “qualquer trabalho a menores de quatorze anos, salvo na condição de aprendiz”. O texto foi alterado pela Emenda Constitucional nº 20.

Por que o trabalho infantil é ruim

São comuns os testemunhos de quem amadureceu e se tornou um cidadão consciente através do trabalho quando ainda era criança. Depois da manifestação do presidente, personalidades bem-sucedidas País afora fizeram relatos semelhantes, declarando o quanto aquelas atividades moldaram seus caracteres e os tornaram pessoas melhores.
Só que isso não é o que a legislação reconhece como o trabalho infantil propriamente dito. Daí a confusão, pois nem todo trabalho exercido por crianças e adolescente deve ser classificado como trabalho infantil, segundo os critérios da OIT. O termo se refere às atividades laborais que privam “as crianças de sua infância, seu potencial e sua dignidade, e que é prejudicial ao seu desenvolvimento físico e mental”, diz a organização internacional.
Quando Bolsonaro disse que “trabalhando com nove, dez anos de idade na fazenda” não foi prejudicado em nada, arando a terra e dirigindo tratores, ele não considerou que os casos de trabalho infantil envolvem condições superiores às forças físicas e mentais das crianças e adolescentes, acarretam com frequência traumas psicológicos com o amadurecimento precoce, o enfraquecimento dos laços familiares e o prejuízo ao desenvolvimento da escolaridade, pontos levantados pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) ao criticar a fala do presidente.
Da mesma forma, ajudar com tarefas no comércio da família ou mesmo trabalhar como ator e modelo, desde que respeitados os limites legais, não são configuram o problema em questão.

Características

É considerado trabalho infantil, segundo a OIT, o trabalho que:
  • É mental, física, social ou moralmente perigoso e prejudicial para as crianças;
  • Interfere na sua escolarização;
  • Priva as crianças da oportunidade de frequentarem a escola;
  • Obriga as crianças a abandonar a escola prematuramente; ou
  • Exige que se combine frequência escolar com trabalho excessivamente longo e pesado.
Há ainda as formas mais extremas de trabalho infantil, nas quais crianças são escravizadas, separadas de suas famílias, ficam expostas a sérios riscos e doenças e deixadas para se defender sozinhas nas ruas das grandes cidades. E isso muitas vezes com poucos anos de vida, denuncia o órgão.
“Para que um trabalho seja considerado ‘trabalho infantil’ é preciso avaliar uma série de fatores, como a idade da criança, o tipo e horas de trabalho realizadas e as condições em que é executado”, explica a OIT.

Fonte: Diário do Nordeste
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