26 de fevereiro de 2016

CRIME ORGANIZADO

Grecianny Carvalho Cordeiro*
Resultado de imagem para Grecianny Carvalho Cordeiro
Noticiários veicularam recentemente que diversas gangues rivais de vários bairros na Capital cearense vêm firmando um pacto de paz entre si. Por trás dessas gangues estariam o Comando Vermelho e o PCC – Primeiro Comando da Capital, organizações criminosas nascidas no Rio de Janeiro e em São Paulo, respectivamente, com grande poderio dentro e fora dos presídios, disseminados em todos os Estados da Federação. 
Objetivo: assumir o controle do tráfico e do comércio de drogas em todo o Estado. 

Essa “união pela paz” busca reduzir os assassinatos entre as facções, cuja rivalidade acirrada serve tão somente para enfraquecê-las. Descobriram os criminosos que serão muito mais fortes e poderosos se unindo, ao invés de continuarem brigando entre si. Afinal, a união faz a força.

Numa total inversão de valores e da verdade, algumas vozes se animaram com a redução de números de homicídios em Fortaleza, esquecendo-se que isso se deve graças à união entre os criminosos e não a uma atuação eficaz e enérgica por parte das forças que fazem a segurança pública, tal como deveria ser. 

O governo do Estado nega essas informações de união entre criminosos, bem como nega a presença do Comando Vermelho e do PCC no Ceará. E essa reação é nitidamente política, principalmente em ano eleitoral. Afora isso, existe a omissão e a covardia. O governo prefere negar a existência de um problema gravíssimo e fingir que está tudo bem. A ordem é silenciar sobre assunto tão indigesto.

Mas pior cego é aquele que não quer ver. E o crime organizado somente cresce, se organiza e se fortalece em virtude da ausência de um Estado cego, surdo e mudo.

Esse mesmo governo que nega o PCC e o Comando Vermelho, é o mesmo que se recusa a instalar bloqueadores de celulares nos presídios com medo de uma rebelião de gigantescas proporções orquestradas por esses grupos.

A “paz”, que deveria ser buscada e promovida pela sociedade, pelas instituições e pelo Estado, todos unidos num objetivo comum, hoje devemos agradecê-las aos criminosos.

Que “paz” é essa? Em troca de homicídios liberemos o tráfico de drogas, de armas, de veículos, os crimes de roubo, de latrocínio! 
É essa a “paz” que nós queremos e precisamos?
Lembremos que o crime organizado possui tentáculos inimagináveis e se alastra como uma epidemia. E quanto mais o crime se organiza, mais desorganizada fica a sociedade e o Estado.

A omissão cobra um preço altíssimo. Melhor não pagar pra ver. 
*Escritora, romancista e Promotora de Justiça

Nenhum comentário:

Postar um comentário