Noticiários veicularam recentemente que diversas gangues rivais de vários bairros na Capital cearense vêm firmando um pacto de paz entre si. Por trás dessas gangues estariam o Comando Vermelho e o PCC – Primeiro Comando da Capital, organizações criminosas nascidas no Rio de Janeiro e em São Paulo, respectivamente, com grande poderio dentro e fora dos presídios, disseminados em todos os Estados da Federação.
Objetivo: assumir o controle do tráfico e do comércio de drogas em todo o Estado.
Essa “união pela paz” busca reduzir os assassinatos entre as facções, cuja rivalidade acirrada serve tão somente para enfraquecê-las. Descobriram os criminosos que serão muito mais fortes e poderosos se unindo, ao invés de continuarem brigando entre si. Afinal, a união faz a força.
Numa total inversão de valores e da verdade, algumas vozes se animaram com a redução de números de homicídios em Fortaleza, esquecendo-se que isso se deve graças à união entre os criminosos e não a uma atuação eficaz e enérgica por parte das forças que fazem a segurança pública, tal como deveria ser.
O governo do Estado nega essas informações de união entre criminosos, bem como nega a presença do Comando Vermelho e do PCC no Ceará. E essa reação é nitidamente política, principalmente em ano eleitoral. Afora isso, existe a omissão e a covardia. O governo prefere negar a existência de um problema gravíssimo e fingir que está tudo bem. A ordem é silenciar sobre assunto tão indigesto.
Mas pior cego é aquele que não quer ver. E o crime organizado somente cresce, se organiza e se fortalece em virtude da ausência de um Estado cego, surdo e mudo.
Esse mesmo governo que nega o PCC e o Comando Vermelho, é o mesmo que se recusa a instalar bloqueadores de celulares nos presídios com medo de uma rebelião de gigantescas proporções orquestradas por esses grupos.
A “paz”, que deveria ser buscada e promovida pela sociedade, pelas instituições e pelo Estado, todos unidos num objetivo comum, hoje devemos agradecê-las aos criminosos.
Que “paz” é essa? Em troca de homicídios liberemos o tráfico de drogas, de armas, de veículos, os crimes de roubo, de latrocínio!
É essa a “paz” que nós queremos e precisamos?
Lembremos que o crime organizado possui tentáculos inimagináveis e se alastra como uma epidemia. E quanto mais o crime se organiza, mais desorganizada fica a sociedade e o Estado.
A omissão cobra um preço altíssimo. Melhor não pagar pra ver.
*Escritora, romancista e Promotora de Justiça
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