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Dia do Livro Sagrado

  Padre Geovane Saraiva* Neste domingo, 27 de setembro de 2020, comemora-se o Dia do Livro Sagrado, entre os católicos, recordando-se de São Jerônimo, grande especialista da Palavra de Deus. Ele a carregou nos lábios, meditando-a dia e noite (cf. Js 1, 8). Nasceu na Dalmácia, hoje Iugoslávia, no ano de 342, e morreu em Belém, em 420. Consagrou sua vida ao estudo da Sagrada Escritura e é considerado o maior e melhor exegeta de todos os tempos. A Igreja Católica o reconheceu como homem eleito por Deus para explicar e fazer compreender, do melhor modo, a Palavra de Deus. O fôlego e o alento da justiça transformadora, proposta do Evangelho, não acontecem e jamais acontecerão pelo encantador arquétipo de uma acentuada valorização de imagens, valendo-se ostensivamente de ambientes com característica de suntuosidade e pompa, mas nas imagens de janelas abertas, no sentido de se respirar o ar acolhedor do Espírito Santo de Deus. No seguimento de Jesus de Nazaré, urge uma prática religiosa, nem
Postagens recentes

IV domingo da Páscoa o dia do Bom Pastor

  Jesus o Bom Pastor (Jo 10,11-18) Celebramos neste IV domingo da Páscoa o dia do Bom Pastor e a jornada mundial de oração pelas vocações. Dom Jeová Elias* A figura do pastor, mesmo que inusual na nossa cultura, é recorrente na Bíblia, desde o Primeiro Testamento, onde Deus se apresenta como o pastor do seu povo, que cuida das ovelhas mais debilitadas, a ponto de carregá-las nos ombros. O belíssimo Salmo 23 apresenta Deus como um pastor que tudo providencia para que as suas ovelhas vivam bem, e as protege de todos os perigos. Para manifestar o seu pastoreio, Deus constituiu algumas pessoas para cuidar do seu povo. Contudo, muitas dessas autoridades traíram o chamado divino. Ao invés de cuidar do povo, exploraram-no, conforme denunciam os profetas Jeremias, Ezequiel e Zacarias. Por isso, o próprio Deus irá cuidar do seu povo. Ele o faz na pessoa de Jesus e dos seus discípulos missionários, que deverão empenhar-se no cuidado da vida dos seus filhos e filhas. As palavras que mais se desta

O nome "cristão"

 Padre Geovane Saraiva O cristão é um ungido, aquele que carrega consigo as marcas da graça de Deus e que é seguidor de Jesus de Nazaré. A palavra "cristão" não foi inventada pelos judeus — eles não reconheciam Jesus como o Cristo —, mas pelos próprios cristãos, que chamavam a si mesmos de discípulos, ou fiéis seguidores de Cristo. O cristianismo começou a ser reconhecido, interna e externamente, como uma religião separada do judaísmo rabínico (cf. At 11, 26), e o nome "cristão" surgiu em Antioquia, por volta do ano 43. Aqui não há motivo para se duvidar da historicidade dessa informação. A palavra encontra-se em At 26, 28 e em 1 Pr 4, 16. O que importa mesmo, no dizer do Papa Francisco, é: “Ser cristão não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é a relação viva com ele, com o Senhor Ressuscitado”. Fica aqui nossa reverência às comunidades de fé, que no início buscaram sua própria organização, tendo como fundamento a experiência fraterna — entre seus membro

Quando não se vê Deus

  Padre Geovane Saraiva* A acolhida, vinculada à disposição em se viver uma fé sólida, a partir de Jesus de Nazaré, mas num fascínio comovedor, está, sim, dentro da busca da descoberta de algo, ou daquele tesouro precioso, muito além de sua própria feição, meramente humana, convencido de que em tudo isso se poderá reconhecer um sinal, o sinal de Deus, mas num convite para abraçar a fé, com um sim todo livre e integralmente convicto, numa confiança incondicional e absoluta. Essa fé deve ser destemida e resoluta no Homem de Nazaré, revelador da face afável do Pai, mas por pessoas livres, alegres e ardorosas. Que ela cresça por sua importância, de tal modo persistente, autêntica e verdadeira, como a de um jovem judeu, ao escrever no muro do seu pequeno bairro, ou gueto, da cidade de Varsóvia, esta afirmação: “Creio no sol, também quando não brilha; creio no amor, também quando não o sinto; creio em Deus, também quando não o vejo”. A vida humana é capaz de abraçar quatro dimensões, que, se

Fortaleza 295 anos: parabéns!

 Padre Geovane Saraiva* Fortaleza, batizada de Loira Desposada do Sol, metrópole e capital do Estado do Ceará, também conhecida como Terra do Sol e cidade natal do renomado brasileiro Dom Helder Câmara, completa, neste dia 13 de abril de 2021, 295 anos. Eis o nosso desafio maior: encontrar resposta para os anseios de todos os que nela residem, recordando, mais uma vez, o que disse Dom Aloísio Lorscheider: “A cidade deve ser um espaço de convivência solidária para todos os que nela moram, convivência essa que seja resultante da convergência de esforços para tornar a cidade sempre mais humana e também mais cristã”. Que possamos guardar o pensamento de sonhar e, obstinados, lutar pela edificação de um povo forte, grande e civilizado, mas que o Deus verdadeiro esteja no centro, como nos garante o Livro Sagrado, no Salmo 127: “Se Deus não constrói a casa, em vão trabalham os seus construtores; se Deus não cuida da cidade, em vão vigiam as sentinelas”. Vemos, com clareza, a exigência do próp

Hans Küng: teologia e ética

Padre Geovane Saraiva* Morreu Hans Küng, teólogo suíço, filósofo, professor de teologia, nascido no dia 19 de março de 1928. Estudou filosofia e teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, foi ordenado sacerdote em 1954 e continuou seu processo educacional em várias universidades europeias, incluindo Sorbonne, em Paris. Seu falecimento aconteceu no dia 6 de abril de 2021, em Tubinga, na Alemanha.Lamento e me arrependo de não ter mergulhado e bebido melhor na fonte e patrimônio dos seguidores de Jesus de Nazaré, no grande comunicador da esperança e teólogo católico em voga, no nosso despretensioso comentário. Hans Küng, influente e polêmico teólogo, preocupou-se em tornar compreensível a mensagem do Evangelho e em dar-lhe um lugar na vida dos seguidores de Jesus de Nazaré. Ele nos ajuda, de verdade, a crer em Deus, com seu pensamento, rigorosamente teológico, a saber: “Deus é mais real do que toda a realidade; ele é realidade última no coração dos homens e das coisas. Deus,

Nossa páscoa na Páscoa do Senhor

Padre Geovane Saraiva* A luminosidade da festa da Páscoa, naquele clarão do novo fogo, por bondade de Deus, quer acender na humanidade um grande desejo: o de se viver a nossa fé com lucidez e coerência, mas na consciência de que Jesus Cristo ressuscitado é o princípio e o fim. Jesus ontem, hoje e sempre está, evidentemente, no tempo, na eternidade, na glória e com poder por todos os séculos, na sua luz que ressuscita, resplandecente, e também dissipa as trevas do nosso coração e da nossa mente (cf. Missal Romano, p. 271). Vemos Jesus na fidelidade ao Pai e à humanidade, com sua vida consumada no alto da cruz, na condição de servo fiel até o fim, fomentando-nos coragem e persistência: “É graça divina começar bem, graça maior é persistir na caminhada, mas graça das graças é não desistir nunca”. A Páscoa só tem razão de ser na mesma solidariedade e despojamento, num misterioso silêncio, ativo e expectante, mas no incontável número de mães e pais que choram seus filhos e filhas ceifados/as

Ditadura: triste lembrança!

Dom Zanoni Demettino Castro* Triste lembrança! Neste ano de 2021 somos chamados a fazer a memória das nossas alegrias e esperanças, das nossas tristezas e dores. Neste momento, lembramos, sobretudo, os 57 anos da Ditadura, um dos mais dolorosos episódios da história do Brasil, que com o ato de força de 1º de abril, significou um golpe profundo para as instituições democráticas e durou longos 21 anos, jogando o País numa noite de terror, prisões, torturas, mortes e desaparecimento de pessoas. Nasci e cresci num ambiente de forte resistência a essa situação. Aprendi, desde pequeno, que nem tudo que aparecia nos jornais e televisão correspondia à verdade. Conheci homens e mulheres honrados, muitos, imbuídos pela fé, que se engajaram seriamente contra este sistema, e, por esta razão, foram tratados como “subversivos”.  Milhares de pessoas foram presas, torturadas e exiladas. Muitas foram mortas. Políticos tiveram seus mandatos revogados; cidadãos, funcionários públicos e militares foram de