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Dia do Livro Sagrado

  Padre Geovane Saraiva* Neste domingo, 27 de setembro de 2020, comemora-se o Dia do Livro Sagrado, entre os católicos, recordando-se de São Jerônimo, grande especialista da Palavra de Deus. Ele a carregou nos lábios, meditando-a dia e noite (cf. Js 1, 8). Nasceu na Dalmácia, hoje Iugoslávia, no ano de 342, e morreu em Belém, em 420. Consagrou sua vida ao estudo da Sagrada Escritura e é considerado o maior e melhor exegeta de todos os tempos. A Igreja Católica o reconheceu como homem eleito por Deus para explicar e fazer compreender, do melhor modo, a Palavra de Deus. O fôlego e o alento da justiça transformadora, proposta do Evangelho, não acontecem e jamais acontecerão pelo encantador arquétipo de uma acentuada valorização de imagens, valendo-se ostensivamente de ambientes com característica de suntuosidade e pompa, mas nas imagens de janelas abertas, no sentido de se respirar o ar acolhedor do Espírito Santo de Deus. No seguimento de Jesus de Nazaré, urge uma prática religiosa, nem
Postagens recentes

Canonização de Charles de Foucauld

  Padre Geovane Saraiva* Neste início de 2021, procurei dar um mergulho em Deus, por ocasião do nosso retiro, o qual poderia ter sido bem melhor, se não fosse minhas limitações, a partir do bem-aventurado Charles de Foucauld. Fomos desafiados a beber, nos dias 5, 6 e 7, da inesgotável fonte de água da Galileia, precisamente aquela imprescindível água cristalina de Nazaré, onde encontra-se a vida oculta do Filho de Deus, envolvendo-nos todos nós no ministério. Com a consciência de que a espiritualidade de Nazaré é a do silêncio, do abandono e do mergulho em Deus. É a espiritualidade da transfiguração de quem quer descer, de verdade, do Monte Tabor, depois do batismo nas águas santificadas do Jordão, sendo conduzido, em seguida, ao deserto. É o ser humano que se encontra consigo mesmo, num passeio profundo pela montanha do seu próprio coração. Ele jamais pode perder de vista o mistério de Nazaré. O livro Francisco de Assis e Charles de Foucauld, do bispo franciscano Dom Beto Breis, muito

Lado vulnerável e desprotegido

  Padre Geovane Saraiva* Em um mundo dilacerado, machucado e bombardeado por todos os lados, contemplemos Jesus de Nazaré, que chegou ao Rio Jordão vindo da Galileia, dos pagãos, e lá pediu o batismo a João Batista, dizendo que se conviria cumprir toda a justiça. Uma vez batizado, eis algo de maravilhoso e deslumbrante: os céus se abriram e ele viu o Espírito de Deus descendo em forma de pomba e pousando sobre ele (cf. Mt 3, 13ss). É o céu que se abre à verdade e à justiça, no Reino implantado sobre a terra pelo Mestre da Galileia. Logo que li uma matéria, no domtotal.com, sobre Dom Alberto Taveira, fiz o seguinte comentário nesse site: “Que a verdade e a justiça prevaleçam”. O referido arcebispo disse que foi acusado de “crimes” de ordem moral, mas não ficaram claros esses crimes. Muito triste, sendo ele o maior referencial da Igreja da Amazônia, já tão sofrida, de quem só se esperavam coisas edificantes, tendo que sair em sua própria defesa. Lembro-me, vivamente, do nosso saudoso bis

No dogma da maternidade de Maria

Padre Geovane Saraiva* Na Solenidade da Santíssima Mãe de Deus, na sua maternidade divina, dogma solenemente proclamado pelo Concílio de Éfeso (431 d.C.), voltemo-nos para Deus com toda honra e glória, ele que é Senhor do tempo e da eternidade, pela chegada de sua promessa salvífica. Que seja irrecusável para todos a acolhida da proposta de Deus, de se pensar no verbo que se fez carne, mas a partir do coração contemplativo de Maria; esse mesmo coração quer dos cristãos o mais elevado sentimento, pela presença do bom Deus entre nós, presenteando-nos com a graça do testemunho, mas numa admiração e apreço reflexivos, comprometidos como bons educadores de fé e esperança. Maria, verdadeira Mãe de Deus, no contexto maior de sua Virgindade Perpétua, Conceição e Assunção, a despeito de seu Filho, visivelmente pobre, está presente na vida dos seres humanos e configurado na própria história humana, incontestavelmente nossa maior fonte de bênçãos e patrimônio, indicando-nos com todas as letras, e

Estrelas, sim!

Padre Geovane Saraiva* O Menino Jesus, que desceu das estrelas, dorme em paz na nossa Igreja de Santo Afonso. Também é importante, não só se pensar, mas se alargar a mente e o coração, no sentido de se chegar às manjedouras dos corações humanos, sem se esquecer dos que dormem nas praças, nos areópagos da vida e nas portas das igrejas, por toda a extensão do mundo. Reconhecer no menino da manjedoura o Messias, como luz a iluminar os povos, em contraste ou antítese com a lógica humana, destina-se aos sábios e iluminados, amigos fiéis ou leais a Deus, que não fogem dos desafios da vida. Eles são como estrelas, que querem ajudar a encontrar o caminho; também contribuem para que os corações pulsem, numa vida com as marcas da esperança! Contamos com a mão dos amigos, sim, na busca da concórdia e da paz, sendo eles força, ânimo e coragem, mesmo quando tudo, em meio às dificuldades, se apresenta sombrio, escuro ou sem rumo, conduzindo-nos, evidentemente, ao bom caminho, no dom da amorosa gratu

Nosso destino em Deus

Padre Geovane Saraiva* Quero homenagear Dom Aloísio, Cardeal Lorscheider, que partiu na véspera do Natal, há 13 anos. Sua vida, bem como a vida da humanidade, é um mistério de amor, a partir de Deus, que, por sua vontade soberana, quis que a criatura humana existisse. Por isso nada mais está envolvido em contingências do que a existência humana, mas no gesto sublime da inclinação de Deus Pai, no dia da criação: “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas o sopro da vida, e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2, 7). No mistério da vida humana, a dominar as demais vidas, o Senhor Deus vem ao nosso encontro e, ao se encarnar, assumiu a condição humana das pessoas, como nas palavras de Maria: “O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor”. Temos, assim, uma condição humilde concretamente visível no descarte e abandono da manjedoura, antagônico despropósito, mas querendo dignificar e exaltar os que vivem em condições infra-humanas, os humilhados e

Deus viu que tudo era bom

  Padre Geovane Saraiva* Pensemos no contexto bíblico da criação, com o paraíso, o pecado original (serpente), Caim e Abel, e muitos outros assuntos, no início do Livro do Gênesis, que tem sua plausível sustentação no bom Deus, ao tomar a decisão de descer do céu, encarnar-se na história humana e, de um modo pedagógico, instaurar seu reino de justiça e paz. O Livro Sagrado nos revela a grandeza de um Deus que, além de criar tudo por amor, é imensamente rico, maravilhoso, belo e vastíssimo no seu amoroso mistério. No Livro do Gênesis, constata-se o sentido alegórico e poético da vida como um todo, ao louvar a preciosidade da natureza, como bondade de Deus, na contemplação dos céus, na sua amplitude e sublime dimensão, numa simbologia à luz divina com seu esplendor. Temos a terra e nela os minerais, as águas, as numerosas plantações, as incontáveis variedades e modos de se perceber a beleza da vida. Também não se pode esquecer a narrativa do abismo e nele as forças do mal, na constante t

Maria no mistério do Natal

Padre Geovane saraiva* As pessoas precisam de uma fé consequente, de que jamais possam hesitar, ao se contar com a promessa de Deus, do mundo pleno e totalmente realizado no fim dos tempos, no mais elevado sentimento de atenção ao seu mistério de amor a nos envolver. Eva, a primeira mulher, foi vencida pela serpente, que a enganou no pecado e na desobediência a Deus no paraíso. Maria, ao contrário, deu-nos o doce e melhor fruto: o da salvação. Quão paradoxais e antagônicos são os feitos e as intervenções da serpente e os da Santa Mãe de Deus, a Virgem Maria! Vemos em Eva só oposição e adversa maldade, ao distanciar e isolar a criatura humana de Deus. Em Maria, encontra-se o indiscutível e incontestável mistério: o da redenção do mundo em Jesus de Nazaré, que, ao ser crucificado, presenteou-nos: “Eis aí a tua Mãe”. A importância de Maria na história da salvação – como mediadora, que nela, segundo a nossa fé católica, a humanidade foi e é contemplada pelo favorecimento do seu “sim” –