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23 de março de 2017

Cientistas criam teste caseiro para fertilidade masculina

G1

Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram um teste para fertilidade masculina que pode ser feito em casa e com a ajuda de um smartphone.

O acessório conectado ao celular tem um custo de US$ 4,45 (cerca de R$ 14) e mostra o resultado em segundos, de acordo com artigo publicado pela revista "Science Translational Medicine".

Até agora, um teste básico para rastrear a fertilidade dos homens precisava ser feito em um hospital ou clínica, com a ajuda de técnicos para operar equipamentos de alto custo. Os resultados podem demorar alguns dias ou semanas.

O teste caseiro desenvolvido pelos especialistas do Brigham and Women's Hospital (BWH) e do Massachusetts General Hospital, em Boston, quantifica a concentração de espermatozóides e sua mobilidade.

"Queríamos uma solução para tornar os testes de infertilidade masculina tão simples e acessíveis quanto os testes de gravidez em casa", disse Hadi Shafiee, pesquisador do BWH.

"Os homens têm que fornecer amostras de sêmen em quartos de hospital, uma situação em que eles, muitas vezes, experimentam estresse, constrangimento, pessimismo e decepção. Exames clínicos atuais são laboratoriais, demorados e subjetivos. Esse teste tem baixo custo, é altamente preciso e pode analisar um vídeo de uma amostra de sêmen não diluído em menos de cinco segundos", completou.

O grupo de pesquisadores usou dez voluntários sem formação para testar o novo acessório para celular e sua efetividade para estabelecer resultados.

Foram analisadas 350 amostras, com uma precisão de 98% para detectar baixa concentração de espermatozóides e/ou baixos níveis de mobilidade.

Os homens são responsáveis por 40% dos casos de infertilidade, problema que atinge mais de 45 milhões de casais no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Moacyr Scliar, 80 anos: livro de crônicas sobre judaísmo evidencia escritor como observador crítico

Para um jovem judeu até a primeira década dos anos 2000, Moacyr Scliar era uma espécie de baliza, uma referência a ser consultada em momentos de crise e incerteza. Não apenas sua obra apontava para essa função, como também ele mesmo pessoalmente. Sempre era hora de entrevistar o escritor que se transformou na consciência crítica da comunidade judaica e um mediador entre esta e a sociedade brasileira em geral. Afinal, eram indissociáveis o amor à tradição mosaica, que para ele tinha caráter sobretudo cultural e comunitário, e o senso de missão do intelectual público.

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Na falta de Scliar, que nos deixou em 2011, o livro A Nossa Frágil Condição Humana oferece a oportunidade de conhecer ou revisitar suas opiniões acerca de temas que circundam o universo judaico como se o estivéssemos ouvindo em uma palestra ou uma roda informal de conversa – façanha da crônica como gênero literário. Com lançamento em Porto Alegre nesta quinta-feira (23/3), data em que são lembrados os 80 anos de nascimento do escritor, o volume é uma reunião de 68 textos publicados originalmente em Zero Hora entre 1977 e 2010, selecionados pela professora de Literatura da UFRGS Regina Zilberman (leia entrevista). Profunda estudiosa da obra de Scliar, Regina já havia organizado duas coletâneas de crônicas do narrador do Bom Fim, sempre pela Companhia das Letras: A Poesia das Coisas Simples (2012), sobre literatura e memória, e Território da Emoção (2013), acerca da relação entre medicina e literatura.

O lançamento de A Nossa Frágil Condição Humana integra uma ampla programação, ao longo deste ano, em homenagem aos 80 anos de nascimento do escritor que terá sua próxima etapa, no dia 30, com um simpósio sobre sua obra na USP. Despontam nas páginas do volume reflexões sobre a vida hebreia das últimas décadas mas também sobre momentos-chave de sua antiga história, que é a própria história do mundo judaico-cristão: a Inquisição, o estereótipo do judeu em Shakespeare, o caso Dreyfus, o judaísmo em Kafka, o iídiche, o Holocausto, o sionismo, a criação do Estado de Israel, a literatura sabra, os conflitos no Oriente Médio, o humor judaico e até Lenny Kravitz (que, ficamos sabendo, é filho de pai judeu).

Nesse percurso intelectual, o cronista desconstrói preconceitos, explicando a origem de imagens cooptadas pelo antissemitismo, como a do judeu usurário (que remonta ao lugar marginal relegado aos integrantes da coletividade na Idade Média), e criticando a resolução da ONU de 1975 que igualou sionismo a racismo, posição revogada em 1991. Sionismo, pontua Scliar, é nada mais do que a versão judaica dos nacionalismos do século 19, tão legítima quanto a aspiração dos palestinos por seu Estado, demanda esta que o autor considera ¿a conclusão lógica do processo de paz¿.

Fundamentalistas e modernizadores

As conquistas e agruras de Israel em seu desafio de coexistir com os vizinhos árabes e, especificamente, palestinos ocupam a maior parte das crônicas (51 delas), evidenciando Scliar como um observador sensato e, ao mesmo tempo, afetivamente envolvido em um tema tão controverso como a política do Oriente Médio. Independente, não se furta de criticar o governo israelense ou os fundamentalistas do lado judaico. Para ele, não se trata simplesmente de um conflito entre árabes e israelenses. "A briga no Oriente Médio hoje se trava entre fundamentalistas e modernizadores", escreveu em 1995. Alternando momentos de otimismo e pessimismo, sua perspectiva presta testemunho dos descaminhos de um conflito que ainda não tem horizonte de solução ao alcance dos olhos.

Lidas em perspectiva, suas crônicas sintetizam o raro equilíbrio entre a experiência judaica vivida de dentro com o espírito crítico da observação externa. Por isso, a ausência de sua voz é sentida nesse tempo que exige tanto entendimento, com o recrudescimento do antissemitismo até mesmo em lugares historicamente amistosos aos judeus, como os Estados Unidos, constatação de que a história não se repete como farsa, mas como tragédia.

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A NOSSA FRÁGIL CONDIÇÃO HUMANA
De Moacyr Scliar
Crônicas. Companhia das Letras, 216 páginas, R$ 49,90. Cotação: 4 de 5.
Lançamento nesta quinta (23/3), às 19h30min, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country (Túlio de Rose, 80), em Porto Alegre.
A abertura será de Cláudia Laitano, com leitura de crônicas pela atriz Mirna Spritzer e mesa-redonda com Regina Zilberman (organizadora do livro), a escritora Cíntia Moscovich e Mirna.

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CRÔNICAS NA INTERNET
Zero Hora presta sua homenagem disponibilizando 80 colunas de Scliar, postadas sempre às quintas-feiras, sobre três temas: o bairro Bom Fim, a Medicina e a Literatura. A seleção é da jornalista Cláudia Laitano. Os textos podem ser acessados em bit.ly/scliar80anos.

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PROGRAMAÇÃO DO ANO
Veja as atividades dos 80 anos de nascimento do ecritor

30 de março
Homenagem na USP
Simpósio coordenado pela professora Berta Waldman, com a presença de Judith Scliar e Regina Zilberman.

18 de abril
Eu Leio Scliar
Evento realizado pelo Instituto Estadual do Livro (IEL) em que escritores lerão e comentarão trechos de livros de Scliar. Às 19h, na Sala da Música do Multipalco Theatro São Pedro. Entrada franca.

26 de maio
Os Quatro Fantásticos e os Anos de Chumbo
Mesa-redonda com Ignácio de Loyola Brandão, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura e Antônio Torres sobre a ditadura militar. Haverá ambientação com painéis sobre Scliar e apresentação de documentário sobre ele.
Às 19h30min, no Teatro do Centro-Histórico Cultural da Santa Casa. Período de inscrições a ser divulgado.

23 de junho
Mostra de filmes 80 Anos Scliar
Exibição do longa Caminho dos Sonhos (1998), baseado no livro Um Sonho no Caroço do Abacate. Após, haverá debate com convidados.
Às 20h, na Cinemateca Capitólio. Entrada franca.

Agosto, data a definir
Mostra 80 Anos Scliar
Exibição do filme Sonhos Tropicais (2001). Às 20h, na Cinemateca Capitólio. Entrada franca.

16 a 22 de outubro
Exposição Scliar – A Medicina e o Escritor
Mostra sobre a vivência do autor na área da saúde pública. Saguão do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa.

20 e 21 de outubro
Apresentação teatral do grupo Os Mazel Tov
Trechos encenados de livros de Scliar com Mirna Spritzer, Zé Victor Castiel, Sérgio Lulkin e Cláudio Levitan. Às 21h, no Teatro do Centro-Histórico Cultural da Santa Casa. Ingressos a preços populares.

De 17 a 19 de novembro
Espetáculo A Mulher que Escreveu a Bíblia
Peça com a atriz Inês Viana, baseada na obra homônima.
Sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 18h, no Theatro São Pedro.

Zero Hora

Expo Deontologia reúne trabalho de oito artistas na Galeria da Uni7

Larissa Pacheco

Um reflexo das condutas morais da sociedade através da arte. Essa é a proposta por trás da exposição Deontologia, que estreia hoje na Galeria Vicente Leite, na Uni7. O termo não tem a ver com o resultado estético, mas provoca uma reflexão sobre o fazer artístico, explica o curador Dante Diniz. 

“O que percebemos em nossa sociedade é um desvio de conduta daqueles que deveriam dar um norte moral. O que eu vejo é que os artistas, ao fazerem suas obras de arte, põem em prática esse pensamento da deontologia e o vivem de forma plena, buscando dar o melhor de si sem 
procurar subterfúgios”, avalia. 

Os trabalhos têm em comum a sutileza, remetendo à alma feminina, comenta Dante. “As obras dialogam. Mesmo diferentes em técnica, são lineares, parecem que foram feitas no mesmo ateliê”.

O mineiro Marcos Campos leva 5 trabalhos de colagem geométrica milimetricamente compostas com rendas, fitas, botões e até ladrilhos. Para Marcos, a arte contemporânea tem a necessidade de passar uma mensagem, indo além do decorativo.

O objetivo e encontrar beleza no não-óbvio. “O ladrilho, por exemplo, que as pessoas colocam no banheiro, para mim tem um outro sentido. Minha obra tem muito disso, ver além dos elementos”, explica Marcos. Sem nomes, as obras formam uma espécie de catálogo numérico, registrando a evolução do artista.

A artista Jéssica Larissa apresenta na exposição o trio de obras que compõem a Ciranda das Cores. Com detalhes de renda em aquarela, as telas retratam a figura feminina e a natureza. “No processo criativo imaginei as mulheres vestidas, cada uma de uma cor, e veio a ideia de um círculo cromático, remetendo ao stop motion. Tem também a questão do regional, por causa do bordado que é bem característico da Cidade”.

Com três retratos de Frida, a pintora Sandra Montenegro revisita as cores do francês Henry Matisse (1869 - 1954). “O forte do meu trabalho é a cor e escolhi retratar a Frida porque ela é guerreira e me identifico com ela”.

Para Sandra, a deontologia de qual fala a exposição tem a ver com a identidade de cada pintor. “Ética é quando você se coloca em um trabalho, você lança sua identidade e tem que ser fiel ao que faz. Por isso a deontologia, que tem a ver com estar inteiro”.

A exposição conta ainda com obras de Charles Vale, Thiago Santana, Fernando França, Diego Sann e Francisco Bandeira.

SERVIÇO

Exposição Deontologia

Quando: 23/3 a 30 de abril

Horários: Segunda a quarta, das 8h às 11h; Terça e Quinta, de 17 h às 21h30min

Onde: Galeria Vicente Leite (R. Alm. Maximiniano da Fonseca, 1395 - Luciano Cavalcante)

Informações: 4006 7600

Gratuito

O Povo

Bélgica lembra primeiro aniversário dos atentados mais violentos de sua história

Com um minuto de silêncio e um "minuto de barulho", a Bélgica recordou nesta quarta-feira as 32 vítimas dos atentados terroristas de 22 de março de 2016.

É um dia que Christelle nunca esquecerá. "Há um ano vivi o horror neste mesmo lugar", declarou a belga, que ficou ferida na ocasião.

"Desejo a cada um de nós toda a coragem necessária para enfrentar esta data simbólica, toda a força para prosseguir com este combate, que não dura um dia, nem um ano", disse Christelle na estação de Maalbeek, onde há um ano morreram 16 pessoas.

Às 9h11 (05h11 de Brasília) daquele dia fatídico, Khalid El Bakraoui ativou seus explosivos no metrô de Bruxelas, pouco depois de seu irmão Ibrahim e Najim Laachraoui terem feito o mesmo no aeroporto de Bruxelas, matando outras 16 pessoas.

O duplo atentado, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), deixou 32 mortos, centenas de vítimas, mas também dezenas de famílias destruídas, como a de Kristin Verellen, cujo marido Johan, de 58 anos, não teve o mesmo destino de Christelle e morreu em Maalbeek.

"No dia 22 de março também é meu aniversário. A princípio, não há nada a celebrar, mas o amor vence", afirmou esta mulher, para quem o amor a ajudou a se levantar "com mais forças do que seu corpo tem".

Christelle e Kristin, emocionadas, pronunciaram estas palavras durante a cerimônia de homenagem no metrô na presença de autoridades belgas, entre elas os reis do país, Philipphe e Mathilde.

Na estação de Maalbeek, onde foi descerrada uma placa com o lema "Nunca esqueceremos", os presentes respeitaram um minuto de silêncio, que contrastou com o minuto de barulho nas ruas e no sistema de transporte público de Bruxelas para homenagear as vítimas.

Às 09h11 na estação de Pétillon, de onde partiu o terrorista que atacou no metrô, a sirene que indica o fechamento das portas foi ativada durante um minuto em meio aos aplausos da maioria dos passageiros, diante dos olhares chocados dos demais, constatou a AFP.

Dignidade diante do ódio

As homenagens começaram no início da manhã com uma curta cerimônia de apenas meia hora no aeroporto de Bruxelas, onde Eddy Van Calster, marido de Fabienne - uma funcionária do aeroporto morta no atentado -, interpretou uma música.

A dois passos da Comissão Europeia, situada perto da estação de Maalbeek, os monarcas belgas inauguraram junto aos presidentes das instituições europeias uma escultura monumental em memória das vítimas do atentado de Bruxelas, mas também de Paris, Nice, Bamaco...

"É responsabilidade de cada um de nós tornar nossa sociedade mais humana e mais justa", afirmou o soberano belga, que elogiou a dignidade com a qual as vítimas responderam "ao ódio e à violência. "À dúvida e ao temor, vocês fez um contraponto com a coragem".

Além dos atos oficiais, as homenagens às vítimas e às equipes de socorro serão protagonizadas pelos belgas e, inclusive, pelo mais popular deles: o monumento "Manneken Pis", que inaugura uma nova roupa de bombeiro como "testemunha da dignidade", explicou o chefe dos bombeiros, Tanguy du Bus de Warnaffe.

Durante a tarde, as crianças das escolas de Molenbeek realizarão encontros com as vítimas e uma igreja desta comunidade de Bruxelas, onde os extremistas tinham sua base de retaguarda, acolherá também um "show interreligioso".

A partir de Molenbeek partirá um dos três desfiles que se dirigirão à praça da Bolsa, onde os moradores de Bruxelas depositaram mensagens, flores e velas há um ano.

Ameaça verossímil

A detenção em Molenbeek no dia 18 de março de 2016 de Salah Abdeslam, o único sobrevivente dos comandos que atentaram em Paris no dia 13 de novembro de 2015 (130 mortos), precipitou os acontecimentos.

A investigação revelou que os suicidas de Bruxelas pertenciam à mesma célula que atacou em Paris, mas seu objetivo não era atacar na Bélgica, e sim novamente na França.

Um ano depois, este reino europeu mantém o nível 3 sobre 4 de alerta com militares patrulhando em suas ruas, já que a ameaça terrorista continua sendo "possível e verossímil".

E os investigadores ainda tentam esclarecer uma das principais incógnitas: quem deu a ordem de atacar?

Embora alguns dos que ordenaram os atentados possam ter morrido nos ataques contra os redutos do EI na Síria e no Iraque, as suspeitas recaem sobre Ossama Atar, um belga-marroquino de 32 anos e um veterano da jihad que passou pelas prisões americanas no Iraque nos anos 2000.

AFP

«O Principezinho» representado na Cova da Iria

Os atores do grupo de animação e teatro «Espelho mágico» vão apresentar a peça «O Principezinho» na cidade de Fátima, no âmbito da 17ª edição do Encontro Nacional Interescolas do 1.º Ciclo, uma iniciativa ligada à disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).

O encontro está agendado para o próximo dia 26 de maio e deverá levar à Cova da Iria cerca de 4.000 crianças e seus professores de todo o país, que se farão representar «com um estandarte e um coração branco», informa o Departamento da Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), responsável pela iniciativa.

O evento vai desenrolar-se em dois espaços: o Centro Pastoral de Paulo VI e a Basílica da Santíssima Trindade. Além disso, o almoço será sob a forma de piquenique e deverá acontecer ao «ar livre». Será um dia de «muita alegria, festa e cor» com teatro, música e oração, realça a organização, em comunicado.

Numa carta enviada aos secretariados diocesanos Religião e Moral, a equipa nacional da disciplina indica que «em ano de centenário se vai dar destaque a Maria, à sua mensagem de amor e paz, à cor branca e à alegria».

Sob o tema «Obrigado, Maria: 100 anos Contigo!», o encontro será uma ocasião para «valorizar a importância da EMRC na formação integral da pessoa», «experimentar a alegria do encontro com Jesus e Maria» e «viver a alegria do encontro com o outro na esperança».

Fátima Missionária

Uso de escolas por grupos armados na República Centro-Africana impede ensino

Da Agência Lusa

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou, em relatório divulgado hoje (23), grupos armados de terem ocupado, saqueado e danificado escolas na República Centro-Africana, impedindo o ensino das crianças.

“Grupos armados e até mesmo soldados da missão de paz das Nações Unidas no país, conhecida como Minusca, usaram edifícios escolares como bases ou quartéis ou colocaram as suas forças perto de terrenos escolares”, diz a HRW em comunicado sobre o relatório “Sem aulas: Quando grupos armados utilizam escolas na República Centro-Africana”.

“O governo e a missão de paz devem aumentar a proteção dos estudantes e das escolas em áreas do país afetadas por conflito armado”, defende a HRW no comunicado.

A República Centro-Africana passa por uma crise política e de segurança sem precedentes, após a queda do presidente François Bozizé e a tomada do poder, em março de 2013, pela coligação rebelde Séléka.

A violência, devido aos confrontos entre milícias principalmente cristãs, os anti-balaka, e os rebeldes Séléka, majoritariamente muçulmanos, deixou milhares de mortos e centenas de deslocados (refugiados internos), segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

“A violência por grupos armados e os ataques a civis aumentaram drasticamente desde outubro de 2016, particularmente no centro do país”, diz ainda a HRW, adiantando que os combates entre duas fações Séléka, nas províncias de Ouaka e Alto-Kotto, levaram a um aumento dos ataques contra civis e à fuga de milhares de pessoas.

A HRW entrevistou mais de 40 pessoas, incluindo estudantes, pais, professores e comandantes de grupos armados em seis províncias do país e mostra no relatório oito casos de responsabilidade dos Séléka, embora informe que “os combatentes anti-balaka também ocuparam e danificaram escolas”.

A organização não governamental lembra dois casos em que os “capacetes azuis” (tropas que servem nas Forças de Paz) utilizaram escolas como bases, violando as regras da ONU. Acrescenta que as forças abandonaram as escolas depois de a HRW ter comunicado o fato às Nações Unidas (ONU).

O Departamento para a Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU estimou, em novembro de 2016, que 2.336 escolas estavam operando na República Centro-Africana, enquanto 461 não funcionavam devido à insegurança, falta de professores, aos deslocamento das pessoas, à destruição ou ocupação de escolas por grupos armados.

“As crianças perderam anos de educação em muitas áreas da República Centro-Africana porque os grupos armados não trataram as escolas como locais de aprendizagem e de refúgio para as crianças”, lamenta Lewis Mudge, investigador da HRW e coautor do relatório, citado no comunicado.

“O governo e a ONU podem fazer mais para garantir que os combatentes se afastem das salas de aula e que as crianças possam ir à escola com segurança”, afirmou Mudge.

A Minusca, composta principalmente por quadros africanos, conta com um grupo de militares portugueses, que constituem uma força de reação rápida. A equipe é formada por 160 militares, dos quais 156 do Exército, 111 dos Comandos e quatro da Força Aérea Portuguesa. A maioria do contingente chegou à República Centro-Africana no dia 17 de janeiro.