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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

16 de junho de 2017

Opção

Gonzaga Mota*

Observando-se o pensamento de filósofos clássicos, neoclássicos e modernos, nota-se uma preocupação com a verdade e a existência. Por isso, muitos deles foram formadores de Escolas que serviram e ainda servem de orientação às pessoas e, principalmente, às lideranças. Apesar das controvérsias, todos buscaram formas para justificar, de acordo com suas teses e convicções, o sentido da vida, da moral, da ética, da justiça, etc. Ademais, sempre é importante entender que a política é dinâmica, conforme o Estado e Governo, já a ética é permanente. Diante desta linha de raciocínio, para reflexão do leitor, segue um poema/prosa intitulado “Opção”. Para exercer funções públicas é fundamental: pensar no povo e não no poder; defender a liberdade; cumprir as Leis; definir as diretrizes básicas; executar as políticas prioritárias; evitar a corrupção e a demagogia; fugir da fisiologia e do tráfico de influência; ouvir as verdadeiras e sinceras avaliações; desprezar os gananciosos e aduladores; buscar a paz e a justiça; aplicar com honestidade o dinheiro público; beneficiar a população e não os áulicos; estimular, com destaque, a educação; condenar qualquer discriminação; obedecer a consciência crítica; ler mais os poetas e menos os “marqueteiros”.// Será uma utopia? Espero que não. Na democracia o povo vigia. Para o bem da nação. Assim, o povo deve preservar os princípios democráticos, baseados num sistema de instituições construídas na expectativa de garantir a representatividade e a legalidade das decisões políticas. Vale lembrar Luther King; “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

*Professor aposentado da UFC

Universitários de Aracati criam aquário que pode ser controlado por app de celular

Imagine um aquário que pode ser monitorado à distância a partir de um aplicativo. E que é capaz de fornecer informações sobre a qualidade da água, o nível de oxigênio e outros detalhes. Essa foi a ideia dos estudantes Gabriel Rodrigues e George Lincoln, do campus de Aracati do Instituto Federal de Educação (IFCE).
Eles reuniram os conhecimentos que adquiriram nos cursos de técnico em Aquicultura e bacharelado em Ciência da Computação para criar um aquário inteligente e automatizado.
O projeto é coordenado pela professora Carina Oliveira e é desenvolvido no LAR, o Laboratório de Redes de Computadores e Sistemas que funciona no campus. Para montar a primeira versão do sistema, eles contaram com o apoio dos professores Glácio Sousa, que fez a doação de um aquário, e Marcos Scárdua, que disponibilizou os peixes.
Gabriel Rodrigues, que está no quarto semestre do curso técnico em Aquicultura, conta como o aquário funciona. “Nós pensamos principalmente nas pessoas que não sabem como manter um aquário de maneira correta, porque o sistema controla todos os parâmetros, como PH da água, oxigênio, amônia, a quantidade de ração para os peixes. Tudo é feito através do aplicativo”.
Atualmente o projeto está sendo finalizado, graças ao apoio de professores, gestão do campus e de alguns empresários que já demonstraram interesse em adquirir o aquário no futuro. Mas antes de chegar ao mercado a ideia dos estudantes é amadurecer o projeto por meio do programa de Incubadora de Empresas, que passou a funcionar recentemente em Aracati.Além de terem criado um produto que ainda não está à disposição de criadores de peixe, os dois alunos também conseguiram desenvolver um aquário com um custo acessível. Isso foi possível graças à utilização de arduínos, que são placas de programação em software livre utilizadas para desenvolver projetos como o de casas inteligentes.
George Lincoln, que está no quarto semestre do curso de bacharelado em Ciência da Computação, diz que com isso ele e o Gabriel esperam ter uma noção melhor das possibilidades futuras de negócio.
“Na incubadora a gente vai ganhar mais experiência, entender melhor o nosso público. Aí com certeza vamos chegar ao mercado com mais segurança”, diz ele. A primeira versão do aquário inteligente já está exposta à visitação do público no campus de Aracati.
Tribuna do Ceará

Editoras do País apostam em obras para crianças

por Adriana Martins - Editora assistente
Pela lista de publicações no site, dá para ter uma ideia do nicho de público: são 127 títulos infantis e juvenis contra 35 adultos. Fundada em 2003, a editora Zit segue uma estratégia que nunca perdeu lugar no mercado - a manutenção de selos e coleções voltados especificamente aos leitores miúdos.
É assim tanto com editoras menores e especializadas - como Biruta, Pulo do Gato e Salamandra - quanto com as maiores, que mantêm selos exclusivos para crianças e jovens - a exemplo da Cia das Letras (Cia das Letrinhas), Rocco (Pequenos Leitores) e Zahar (Pequena Zahar). Sem falar nos clubes de assinaturas específicos para esses leitores - Leiturinha, Boox, Petite Book, entre outros. Algumas editoras também inauguraram seus próprios serviços de assinaturas.
Entre os predicados que atestam a qualidade de um livro infantil estão o texto interessante - sem ser bobo, ou seja, que não duvide da inteligência de seu leitor -, temas relevantes e, obviamente, ilustrações que não apenas tornem a publicação mais atraente, mas que de fato dialoguem com o conteúdo verbal.
Felizmente, o mercado nacional conta com lançamentos regulares nesse sentido. Três mais recente são da Zit - e, melhor, em estilos bem distintos. O mais "fofinho" certamente é "Coração de inverno, coração de verão", que, assim como outros títulos corajosos, aborda temas difíceis, em especial para a faixa etária a que se propõe: solidão, luto e a tristeza.
Na história, esses elementos são traduzidos no "inverno perene" que habita o coração do pequeno protagonista - desde que perdeu i pai e a mãe. Em meio às nevascas e ao frio que habitam seu espírito, ele vaga em busca de conforto, alguém que possa enxergar sua dor. Nem os avós, nem tios nem a madrinha logram sucesso.
Até que ele conhece uma garota na escola, que com seu sorriso quente espalha o quase esquecido verão em seu coração. O texto de Leticia Sardenberg, cativante e delicado, é completado de um jeito muito bonito pelas ilustrações de Alexandre Rampazo, que seguem um fluxo meio cinematográfico, com sequências que sugerem movimento página a página.
Em estilo completamente diferente, "Cafofo do remelexo" homenageia tanto grandes escritores da literatura brasileira quanto figuras do folclore nacional. Assim, nesse cafofo onde "todos chegam para dançar xote, maxixe ou forró" homens e mulheres reúnem-se com Saci, Curupira, Iara, Boto Cor-de-rosa e Boitatá, além de lendas urbanas como Loira do Banheiro, Mulher de Branco e Velho do Saco e outros não tão conhecidos, como o Pé de Garrafa. Ah, Quem garante o som a noite inteira são Nhô Lobato e Nhô Cascudo (em homenagem a Monteiro Lobato e Câmara Cascudo, respectivamente)
O texto varia em pedaços de três a seis versos, sempre com rimas, o que torna tudo mais divertido. O baile só termina quando "o dia já vem raiando".
De novo, o texto - escrito a seis mãos pelos autores - nada seria não fosse a coleção de ilustrações, aqui assinadas por Julio Carvalho. Mais em estilo de pintura, elas dão vida à noite narrada e personalidade aos personagens, com detalhes de roupas e movimentos. Tudo numa paleta de cor de babar.
Por fim, a Zit traz "A boca da noite", vencedor em duas categorias do Prêmio Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil 2017 - Criança e Ilustração. O livro conta um pouco da infância, da família, do cotidiano e da criatividade da etnia indígena Wapichana, a parti das aventuras dos irmãos Dum e Kupai. O autor, Cristino Wapichana, é da etnia, do estado de Roraima.
Aqui, as ilustrações de Graça Lima emergem fortes - marcantes em altos contrastes, angulosas, inspiradas na arte indígena, em especial nas cerâmicas e pinturas corporais. A paleta ora é quente como o dia na floresta - repleta de amarelos, vermelhos e laranjas escandalosos - ou sombria como a noite cheia de segredos - em azuis, pretos e brancos luminosos. Um deleite não apenas para crianças.

Diário do Nordeste

Caixa Cultural recebe homenagem a Vinicius de Moraes, Mário de Andrade e Jorge de Lima

A banda Pietá (foto) se une aos atores Miriam Freeland, Julia Lemmertz e Orã Figueiredo, além do Coletivo Chama e de Thiago Amud. (Foto: Larissa Lissovsky/Divulgação)
A série musical "Nascente e Foz: mestres da literatura brasileira e a MPB contemporânea" reunirá show, intervenções poéticas e debates na Caixa Cultural Fortaleza entre os dias 16 a 18 de junho, para homenagear três grandes nomes da literatura brasileira, Vinicius de Moraes, Mário de Andrade e Jorge de Lima. Os atores Miriam Freeland, Julia Lemmertz e Orã Figueiredo se juntam ao Coletivo Chama, Thiago Amud e banda Pietá para realizarem o tributo às obras.
 
No primeiro dia, o Coletivo Chama e a atriz Miriam Freeland prestam homenagem ao poeta Mário de Andrade, um dos pioneiros no gênero moderno brasileiro. Logo após a interpretação de Miriam, eles recebem o jornalista e teatrólogo Oswald Barroso para debater sobre a obra de Mário.
 
No sábado, 17, o homenageado será o escritor Jorge de Lima, artista que tinha como inspiração as matrizes africanas na cultura brasileira. Na ocasião, Thiago Amud e Júlia Lemmertz levam à cena a obra de Jorge através de interpretações artísticas e poéticas. O convidado para debater a cerca do poeta é o produtor cultural José Inácio Vieira de Melo.
 
Já no terceiro e último dia, Vinicius de Moraes fica em destaque com homenagens prestadas pelo grupo Pietá e o ator Orã Figueiredo. Fausto Nilo será o responsável para discorrer sobre a obra de um dos maiores poetas e dramaturgos do Brasil.
 
Os ingressos custam R$ 20 inteira e R$ 10 meia e estão disponíveis para venda na bilheteria da Caixa Cultural.
 
Serviço:
 Música: Nascente e Foz: mestres da literatura brasileira e a MPB contemporânea
 Onde: Caixa Cultural Fortaleza (av. Pessoa Anta, 287 - Praia de Iracema, Fortaleza).
 Quando: de 16 a 18 de junho.
 Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Redação O POVO Online

Alceu, Elba e Geraldo trazem turnê para o Ceará

O trio será atração principal do Arraiá do Aquaville, que terá ainda Kátia Cilene e Banda Kbra da Peste DIVULGAÇÃO
O trio será atração principal do Arraiá do Aquaville, que terá ainda Kátia Cilene e Banda Kbra da Peste DIVULGAÇÃO
Em 1972, os jovens Alceu Valença e Geraldo Azevedo estrearam no mercado fonográfico com um disco que levava o nome dos dois. O álbum, contudo, ficou conhecido por Quadrafônico, palavra grafada em selo que ia no disco, indicando que aquele som era estéreo 4.0. Tornou-se um clássico da psicodelia brasileira. E marcou um encontro que iria se tornar bem mais grandioso anos à frente. Na mesma década, os primos Elba e Zé Ramalho também iniciaram carreira na música brasileira.
Parceiros de vida e de música, aqueles quatro nomes se encontram em 1996 para lançar o álbum de estúdio O Grande Encontro, sucesso que deu origem a outros dois discos, sendo um de estúdio e outro ao vivo, ambos sem a participação de Alceu Valença.
Comemorando duas décadas de lançamento do projeto, uma nova turnê começou a viajar o Brasil no ano passado, resgatando sucessos e dando novas leituras aos arranjos originais. O show virá novamente a Fortaleza neste sábado, como parte do Arraiá do Aquaville. A cantora Kátia Cilene e a Banda Kbra da Peste também estão na agenda.
Assim como Alceu esteve ausente de outras gravações, desta vez, foi Zé Ramalho quem se afastou do grupo na turnê. Geraldo, Alceu e Elba, portanto são o Grande Encontro de 2017. “Era sempre uma catarse, um sucesso inacreditável”, tenta definir Alceu. “Gravamos um disco ao vivo em 1996, mas precisei deixar o projeto, pois estava lançando um disco novo e a gravadora, por imposição contratual, me impediu de prosseguir. Agora, vinte anos depois, volto a encontrar Geraldo e Elba no palco e o sentimento continua o mesmo”, descreve.
Já Geraldo conta que o repertório faz um apanhado de canções que foram sucesso nas edições anteriores, somadas a novidades. Em 1996, ele explica, o grupo tinha uma formação acústica, que difere da atual, quando o trio sobe ao palco com uma banda bem robusta. “Para esta edição, trazemos algumas canções daquele disco, como Sabiá, Dia Branco, Chão de Giz, Tesoura do Desejo, Chorando e Cantando. Os tempos são outros, se passaram 20 anos e temos excelentes recordações”.
O Grande Encontro, hoje, é mais moderno, complementa Elba. “Tem uma super banda que nos dá mais liberdade”, diz. Prima de Zé Ramalho, ela acredita que mesmo ausente do projeto, o paraibano está bastante presente. “A energia é muito grande e totalmente positiva. Zé Ramalho se faz presente por meio de suas composições. Talvez o momento mais emocionante da minha parte solo seja Chão de Giz”, revela. O espetáculo será encerrado com outra composição de autoria de Zé, Frevo Mulher.
SERVIÇO
Arraiá do Aquaville.
Quando: amanhã, às 20 horas
Onde: Aquaville Resort (av. Litorânea, 1000 - Sabiaguaba) Quanto: de R$ 60 (preço de meia) a R$ 600 (preço de inteira no setor de mesas)
CAMILA HOLANDA

O Povo

Central do Brasil: filme retrata migração nordestina e celebra cinema Brasileiro

Central do Brasil: filme retrata migração nordestina e celebra cinema Brasileiro
Nesta segunda-feira, 19 de junho, celebra-se o Dia do Cinema Brasileiro. A data coincide com o início da Semana do Migrante. Há um filme brasileiro de 1998, dirigido por Walter Salles, que une essas duas realidades: “Central do Brasil”. A sinopse comprova: “Dora (Fernanda Montenegro) trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Ainda que a escrivã não envie todas as cartas que escreve – as cartas que considera inúteis ou fantasiosas demais -, ela decide ajudar um menino (Vinícius de Oliveira), após sua mãe ser atropelada, a tentar encontrar o pai que nunca conheceu, no interior do Nordeste”.
O filme, na verdade, invoca a realidade dos migrantes do nordeste brasileiro. Milhares de pessoas que deixam o sertão em busca de melhores oportunidades na cidade grande. Esse fenômeno aumentou o contingente de pessoas que enfrentam inúmeras dificuldades nos centros urbanos. Antes da revolução tecnológica da telefonia celular, num ambiente de quase 30 anos atrás, grande parte dessas pessoas ainda escreviam cartas para se comunicarem com os parentes que ficaram no nordeste.
Segundo informações obtidas por Gheysa Gonçalves Gama, do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais, e apresentados em artigo sobre o filme, “Central do Brasil” que teve um público estimado de 5,6 milhões de espectadores (1,6 no Brasil e o restante ao redor do mundo), acumulou muitas premiações, a começar pelo roteiro, escolhido num concurso do Sundance Festival, evento de filmes independentes que acontece anualmente nos Estados Unidos. O prêmio, de trezentos e dez mil dólares.  Sobre o papel da mulher em road movies  foi um grande incentivo para a produção do filme, que teve sua première mundial no mesmo festival, em janeiro de 1998, o que resultou no contrato com a Miramax no valor de um milhão e duzentos mil dólares para a distribuição do filme pelo mundo”
O filme ainda ganhou os prêmios de melhor filme e melhor atriz (Fernanda Montenegro) no Festival de Berlim, além do Bafta (British Academy Film Awards) e o Globo de Ouro (Golden Globe Awards nos Estados Unidos) de melhor filme estrangeiro. Foi também indicado ao Oscar, em 1999, como melhor filme estrangeiro e melhor atriz. Neste ano de 2017, justamente para homenagear sua participação em “Central do Brasil” e no filme “Eles não usam Black-tie” de Leon Hirszman, Fernanda Montenegro foi homenageada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com Menção honrosa do Prêmio “Margarida de Prata”.
Em artigo científico, um grupo de alunos de Pedagogia da Universidade Federal Rural, em Angicos (RN), faz a seguinte análise sobre o filme: “’Central do Brasil’ tem o mérito abordar um tema recorrente (a migração nordestina) de maneira delicada e poética, mostrando este deslocamento cultural e social a que milhões de brasileiros são submetidos em função da miséria onde a comunicação é uma das chaves, onde nordestinos analfabetos têm de submeter-se à ajuda de uma ‘escrevente’ de cartas em papel, num mundo que já se globalizava pelas ondas da Internet. Mostra o interior do Brasil, com sensibilidade e um olhar quase ‘estrangeiro’, dando espaço para a expressão tanto da resistência cultural, como da invasão de novos costumes trazidos pelos ventos da modernidade”.

CNBB

Migrantes no mundo: milhões de pessoas entre as sombras e luzes

Migrantes no mundo: milhões de pessoas entre o sombras e luzes
Segundo dados das Nações Unidas, o número de migrantes no mundo alcançou a marca de 244 milhões em 2015, isto significa um aumento de 41% em relação ao ano 2000, dentro desta cifra, 20 milhões são refugiados. No entanto, há diferenças nas regiões do mundo: na Europa, América do Norte e Oceania, os migrantes são pelo menos 10% da população; na África, Ásia e América Latina e Caribe, menos de 2% são estrangeiros. Uma atualização desta situação será feita na apresentação de um novo relatório da ONU na Sala de Leitura do Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, no próximo dia 20 de junho.
Os especialistas, ouvidos pela BBC de Londres, Inglaterra, mostram que há diferença entre as ondas migratórias de agora e do século passado. Eles calculam que naquela época cerca de 50 milhões de pessoas, a grande maioria europeus, deixaram o continente em direção ao novo mundo, como eram chamados na época as Américas e a Oceania. Essa primeira grande onda migratória da história levou milhões de britânicos e irlandeses aos Estados Unidos e Canadá. Brasil e a Argentina receberam milhões de italianos, espanhóis e portugueses.
Se naquela época a movimentação era da Europa para as Américas, afirmam os estudiosos, hoje é principalmente da América Latina, Ásia, África e Leste Europeu para os Estados Unidos, Canadá e Europa. Os Estados Unidos continuam recebendo cerca de 1 milhão de imigrantes por ano, o mesmo número de um século atrás. Somente na última década, o número de imigrantes nos Estados Unidos aumentou de 20 para 28 milhões de pessoas, o equivalente a 10% da população americana. O impressionante é que esse número recorde de migrações ocorre num momento em que nunca houve tantas restrições para a entrada de estrangeiros nos países desenvolvidos.
A pergunta feita pela BBC aos especialistas foi a seguinte: “Mas por que o número de imigrantes aumentou tanto nos últimos anos? ”, eles responderam que as razões para o aumento do movimento migratório são: o aumento das comunicações e o desenvolvimento – e consequentemente barateamento – dos meios de transporte deram um grande impulso ao desejo antigo do ser humano de sair em busca de uma vida melhor.
A reportagem da BBC ainda traz um dado curioso: “ao contrário do que muitos pensam, não é a parte mais pobre da população que migra”. A afirmação é da historiadora e socióloga Maria Baganha, da Universidade de Coimbra, especialista em migrações internacionais. Ela diz que “a migração é altamente seletiva” e as “as pessoas começam a pensar em migrar conforme melhoram de vida e veem a possibilidade de ter uma vida ainda melhor em outro lugar”.
A migração não é, propriamente, apenas um problema social. “A migração bem administrada traz importantes benefícios aos países de origem e destino, bem como para os migrantes e suas famílias”, observa o subsecretário-geral do Departamento de Assuntos Sociais e Econômicos da ONU, Wu Hongbo.
Segundo trabalho publicado pela Universidade de Juiz de Fora (MG), de autoria de Roberto Marinucci e Ir. Rosita Milesi, “as migrações podem contribuir positivamente para o futuro da humanidade e para o desenvolvimento econômico e social dos países. O fenômeno das migrações internacionais aponta para a necessidade de repensar-se o mundo não com base na competitividade econômica e o fechamento das fronteiras, mas, sim, na cidadania universal, na solidariedade e nas ações humanitárias”.
Marinucci e Milesi continuam: “os países devem adotar políticas que contemplem e integrem o contributo positivo do migrante, vendo, assim, as migrações como um ganho e não como um problema. As migrações são berços de inovações e transformações. Elas podem gerar solidariedade ou discriminação; encontros ou choques; acolhida ou exclusão; diálogo ou fundamentalismo”.  Por conta dessa realidade, lembram: “é dever da comunidade internacional e de cada ser humano fazer com que o novo‖ trazido pelos migrantes seja fonte de enriquecimento recíproco na construção de uma cultura de paz e justiça. É esse o caminho para promover e alcançar a cidadania universal”.

CNBB

Corpo Artístico do Municipal do Rio mostra resistência e encena novo espetáculo

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil
Os bailarinos Cícero Gomes e Márcia Jaqueline no espetáculo Carmina Burana, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Os bailarinos Cícero Gomes e Márcia Jaqueline no espetáculo Carmina Burana, no Theatro Municipal do Rio de JaneiroJúlia Ronai/Divulgação/Theatro Municipal 
Mesmo enfrentando dois meses de atraso de salários e sem o pagamento do décimo terceiro de 2016, o corpo artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro estreia hoje (15) o espetáculo Carmina Burana, uma cantata composta nos anos 30 do século passado pelo alemão Carl Orff, que reunirá pela primeira vez neste ano o Corpo de Baile, o Coro e a Orquestra Sinfônica do teatro, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura.
A ideia de encenar a cantata com uma coreografia foi do diretor artístico do Theatro Municipal, André Heller-Lopes. “Mas a glória da coreografia é toda do Rodrigo Neri [do Corpo de Baile] e das diretoras artísticas do Ballet, Ana Botafogo e Cecília Kerche”, disse.
Popularização
Apesar do momento difícil que o estado do Rio de Janeiro e o país atravessam, segundo Heller-Lopes, é um dever dos funcionários do teatro garantir o acesso da população a obras como essa.
“O Theatro Municipal é perfeito para balé, ópera e concerto. A gente precisa mostrar isso para as pessoas. Levar essa arte que eles fazem tão bem para que todo mundo possa ter direito de assistir esse espetáculo”.
O espetáculo Carmina Burana terá sessões nos dias 15, 17, 18 e 20, a preços populares. As entradas custam R$ 20 (galeria), R$ 30 (balcão superior), R$ 50 (plateia/balcão nobre) e R$ 300 (camarotes/frisas).
A obra é a terceira montada pelo Municipal nos últimos três meses, apesar do agravamento da crise nas contas do estado. “Com toda a situação delicada, já conseguimos fazer três grandes espetáculos. É um grande desafio.” Os primeiros foram as óperas Jenufa e Norma, esta última com ingressos a R$ 10.
Doações
O Theatro Municipal continua recebendo doações de alimentos para os funcionários com salários atrasados. “A gente continua recebendo doações e, acima de tudo, continua fazendo arte da melhor qualidade, e insistindo muito em ser acessível, em trazer a arte para muita gente”, disse Heller-Lopes.
O diretor destacou que os bailarinos, cantores e músicos, “mais que agradecem as doações”, mas que o mais importante para os artistas continua sendo “o aplauso do público, a presença, a demanda de espetáculos sempre”.

Campus Party em Brasília é vitrine para startups

Fabíola Sinimbú - Repórter da Agência Brasil

Brasília - Profissionais e entusiastas da tecnologia participam da Campus Party, em Brasília (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Profissionais e entusiastas da tecnologia participam da Campus Party em Brasília Marcelo Camargo/Agência Brasil
Mais de 50 grupos de empreendedores exibem seus modelos de negócio no espaço destinado às startups na primeira Campus Party realizada em Brasília, que acontece até domingo (18) no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A programação também inclui painéis e workshops voltados para o empreendedorismo, além de encontros de negócios.
Na expectativa de encontrar um investidor para sua inovação, o desenhista industrial Murilo Lana levou a ideia da startup PMK, que tem o objetivo de produzir impressoras 3D domésticas e periféricos em larga escala. O modelo de negócio já recebeu investimento para desenvolver o produto, mas agora precisa escalonar a produção.
“O nosso foco são escritórios de arquitetura, de engenharia, os profissionais, estudantes e, principalmente, as instituições de ensino e os espaços makers (de fazedores). Queremos pulverizar e ocupar esses lugares e instituições com as nossas máquinas”, diz.
A escalonabilidade é exatamente uma das principais características necessárias para que um modelo de negócio inovador seja considerado uma startup. Segundo o presidente da Associação de Startups e Empreendedores Digitais do Brasil (Asteps), Hugo Giallanza, o negócio precisa ser repetível sem perder a qualidade.
“Quando você baixa um aplicativo que é brasileiro, consegue baixá-lo no Japão sem perder qualidade. No caso de uma padaria, talvez perca a qualidade pela falta dessa escala. Você não vai conseguir entregar um pão fabricado aqui, com a mesma qualidade, no Japão”, explica.
Segundo Hugo, é na tecnologia que estão as ferramentas ideais que possibilitam esses modelos de negócio. Por isso, depois de estabelecidas, muitas startups acabam mudando a forma de consumo de um determinado mercado. É o caso dos aplicativos de transporte individual, ou de distribuição de alimentos orgânicos, que fazem com que muitas pessoas prefiram consumir de uma nova forma, no lugar de irem pessoalmente até uma loja ou a um ponto de táxi, por exemplo.
O empreendedor Iuri Costa também levou a sua empresa Axies, que desenvolve jogos de realidade aumentada, para participar das competições promovidas pelo Sebrae dentro da Campus Party. Com quase seis anos de mercado, Iuri já considera a sua empresa consolidada, mas acha importante o processo de troca de conhecimento e experiência.
Segundo ele, nesse mercado, é muito importante ter foco no produto e na entrega, já que a tecnologia, com baixos custos, pode proporcionar grandes negócios. Esses pontos são destacados pelo empreendedor quando faz mentoria para quem está começando no segmento. Mais do que isso, ele considera que o propósito e a equipe são definitivos para que uma startup venha a ser uma grande empresa “É necessário encontrar um propósito louvável que te faça dormir mais tarde, acordar mais cedo, pessoas que também tenham esse mesmo conceito e, sem dúvida, dinheiro, afinal, você precisa de capital”.
Ao longo dos cinco dias de Campus Party são esperados mais de 50 mil visitantes na área aberta ao público, onde estão os espaços disponibilizados para as startups. Com toda essa movimentação, a organização do encontro e parceiros como o Sebrae esperam um grande volume de negócios e investimentos em inovações. Para Hugo Giallanza esse tipo de oportunidade é excelente para que o Brasil cresça nesse mercado. “Enquanto uma empresa cresce 5%, 10% ao ano, uma startup cresce 3.000%. Trata-se de um fator determinante para que políticas públicas de estímulo a esse tipo de negócio sejam criadas. Nós vemos as startups como uma solução para o nosso país, como uma solução para crise que estamos vivemos”, conclui.

Feira do Livro de Brasília começa hoje com o tema Inclusão e Cidadania

Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil
Começa hoje (16) e vai até o dia 25 de junho a 33ª Feira do Livro de Brasília. O evento, realizado na área externa do Shopping Pátio Brasil, reúne uma média de 90 estandes e cerca de 50 expositores de livrarias e editoras de várias partes do país. Além da venda de livros, a feira terá espaço para a realização de debates, conversa com autores, homenagens, leitura de poemas e saraus.
De acordo com um dos organizadores, Gabriel Lima, a feira pretende atrair crianças, jovens e adultos de todas as idades e traz como tema principal para os debates a inclusão e a cidadania, com foco no protagonismo dos jovens autores e leitores. “O que a gente quer passar é que podemos resgatar os valores da leitura e aliar ao mundo moderno da internet”, disse à Agência Brasil.
A relação entre literatura e internet também terá espaço no evento, que debate ainda temas que estão na ordem do dia como o debate de gênero e a presença das mulheres na literatura, o bullying e violência nas escolas, a inclusão, diversidade e acessibilidade das políticas de acesso a livros nas bibliotecas do país, a contribuição africana na formação literária e poética do Brasil, com espaço para a narração de lendas africanas e o debate sobre relações étnico-raciais na educação.
Entre os homenageados estão os poetas Ferreira Gullar, Torquato Neto e o cantor e compositor Belchior, que morreu em abril. “A gente está com uma programação vasta, com diversos autores. A gente vai homenagear também os 50 anos da Tropicalia, com algumas atrações voltadas para o tema”, acrescentou.
O evento contará com a participação dos poetas Antonio Risério, Nicolas Behr, Francisco Alvim e Antonio Cícero, que debaterão a contribuição do movimento tropicalista para a literatura e a Música Popular Brasileira (MPB). Cícero tem composições com Marina Lima, de quem é irmão e divide a parceria de canções como Fullgás e Para Começar, e Cláudio Zoli, com quem divide À Francesa, além de músicas com Waly Salomão, João Bosco, Orlando Moraes, Adriana Calcanhoto e Lulu Santos.
Além das homenagens, a feira promete ser um espaço para a literatura produzida no Distrito Federal, servindo de vitrine para as produções locais. Entre os homenageados da cidade, está o escritor e presidente da Academia Taguatinguense de Letras, Gustavo Dourado.
“Estamos lançando a primeira antologia da academia, com 145 autores locais, temos ainda poemas inéditos de Carlos Drummond de Andrade, do Mario Quintana, do Décio Pignatari, do Renato Russo”, disse Dourado, escritor com vasta produção em literatura de cordel.
A academia, que tem um estande na feira, lançará uma antologia com autores locais. “A antologia é um retrato do que se produz de literatura no Distrito Federal. Ela vem com a força das regiões brasileiras, a endossar a criatividade, a brasilidade e a originalidade de poetas, romancistas, contistas, cronistas, ensaístas e articulistas” afirmou a editora do livro, Maria Felix Fontele.
Além dos debates, manifestações poéticas e homenagens, a Feira do Livro reservará espaço para a apresentação de shows e manifestações culturais.

Santo Antônio, servidor de Deus e dos pobres

Padre Geovane Saraiva*

Santo Antônio nasceu em Lisboa em 1195 e morreu na cidade de Pádua, Itália, em 1231, cognominado por Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua. No batismo recebeu o nome de Fernando. Mas, ao ingressar bem jovem na vida religiosa, trocou de nome, passando a se chamar Antônio. Depois de uma intensa e ardorosa vida marcada pela ascese, junto aos agostinianos de Coimbra, escolheu ser discípulo de São Francisco de Assis, que com este se encontrou na Porciúncula em 1221.

Resultado de imagem para santo antonio menino jesusSanto Antônio foi uma grande figura humana de coração, exemplo e referencial para os cristãos. Brilhante foi sua inteligência e exímio conhecedor do Livro Sagrado, destacando-se, igualmente, pela profecia, sem esquecer sua caridade com os pobres e necessitados. O ideal cristão do referido santo consistiu em colocar sua vida e sua segurança nos valores eternos, convencendo-se de que eles jamais passarão. Tornou-se universalmente conhecido e venerado pelo povo cristão, em toda a extensão da terra.

Que saibamos olhar para Santo Antônio como pai e protetor, amigo do menino Jesus e filho querido de Maria Imaculada, que, ao anunciar o Evangelho de Jesus, procurou duas coisas: a glória de Deus e o bem da criatura humana. Ao oferecer pão aos necessitados, suplicava para que nunca faltasse o pão de cada dia, pelo honesto trabalho, dando prioridade à busca do pão vivo, descido céu, que é o próprio Jesus Cristo encarnado na história da humanidade, alimento para a vida do mundo. A partir da vida de Deus na eucaristia, aqueles que ao amigo do Menino Jesus recorram e implorem sua proteção, que jamais deixem de ser escutados.

O legado de Santo Antônio é por demais abrangente, na implacável defesa da família, ajudando-a a se encontrar com Deus, no sentido de melhor cumprir sua missão, resistindo aos perigos e ciladas do inimigo, num mundo tão diverso e contraditório. Na oração dos namorados, na preciosa e pulsante fase da existência das pessoas, vemos Santo Antônio constantemente invocado como protetor, no sentido de que as coisas fiquem sempre claras. Que as pessoas que alimentam o sonho da vida conjugal, pelos méritos de Santo Antônio, saibam aproveitar e sorver do precioso tempo que precede o matrimônio. Pela luz divina, cheguem ao conhecimento um do outro, segundo o projeto do nosso bom Deus.

*Pároco de Santo Afonso, Jornalista, Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com

Deus, amor e comunhão

Padre Geovane Saraiva*

O Mistério da Eucaristia ou transubstanciação como dogma, chama nossa atenção e faz-nos pensar, a partir do sólido fundamento do edifício eucarístico, na festa de Corpus Christi, na ceia, o sacrifício do Cordeiro de Deus. É importante que fique sempre e cada vez mais claro que as substâncias do pão, no corpo de Jesus, e do vinho, no mesmo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, permanecem inalteradas nas espécies do pão e do vinho. Ora, devemos, de modo sobrenatural, transformar-nos em Cristo, como o pão se transforma no corpo de Cristo e o vinho no Seu sangue. É Cristo entrando no nosso mundo, não só para chamar a atenção das pessoas, mas para que todos participem da vida de Deus.

Nosso Deus é solidário e próximo de seu povo; é um Deus comunhão que quer não só partilhar a vida entre si, mas quer entrar na vida daqueles que abraçam a fé, buscam respeito, acolhida e compreensão solidária. Pela força da eucaristia, numa enorme vontade de superar diferenças e antagonismos, somos chamados a formar uma só coisa; somos chamados a colocar, diante dos olhos e do coração, um Deus que fez tudo por amor e também cuida de sua obra, enviando-nos como seus ardorosos colaboradores, pela força de sua palavra.

É a voz de Deus a clamar aos cristãos de hoje, alimentados pela Eucaristia como  dom e graça, dentro da comunidade dos batizados, assim como clamou e penetrou no coração do mundo no decorrer dos séculos em toda a sua plenitude. Convém recordar as sábias palavras de Dom Helder: “Quando as palavras somem, quando os cuidados adormecem, quando nos entregamos, de verdade, nas mãos do Senhor, o grande silêncio nos mergulha na paz, na confiança e na alegria”.

Que a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, tão visível nas procissões, manifestação pública de fé dos Católicos no mundo inteiro, leve-nos experimentar mais e mais o amor e a bondade infinita de Deus.

*Pároco de Santo Afonso, Jornalista, Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com