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Festival de Cinema de Cannes busca alternativas para edição 2020 devido à Covid-19

A notícia veio após Emmanuel Macron anunciar que os principais festivais e eventos não acontecerão "pelo menos até meados de julho" na França


O brasileiro Bacurau foi destaque no Festival de Cinema de Cannes em 2019
O brasileiro Bacurau foi destaque no Festival de Cinema de Cannes em 2019 (Foto: divulgação)
O Festival de Cinema de Cannes pode adotar novas "formas" para sua edição de 2020, dada a possibilidade de não ser realizada no final de junho ou no início de julho devido ao novo coronavírus, anunciaram nesta terça-feira, 14, os organizadores do evento.
A notícia veio após o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciar na noite de segunda-feira que os principais festivais e eventos não acontecerão "pelo menos até meados de julho" por causa da pandemia.
"Agora parece difícil pensar que o Festival de Cannes possa ser organizado este ano em seu formato inicial", afirmaram os responsáveis pelo festival através de um comunicado.
"No entanto, ontem à noite iniciamos várias consultas no mundo profissional na França e no exterior. Elas concordam com o fato de que o Festival de Cannes [...] deve continuar estudando todas as possibilidades que lhe permitem acompanhar o ano de cinema com os filmes em Cannes de uma forma ou de outra", acrescentaram.
Realizado anualmente em maio, o festival atrai 40 mil profissionais e cerca de 200 mil especadores.
Para esta que será 73ª edição do evento, o diretor americano Spike Lee foi escolhido como presidente do júri.
"Os filmes feitos com a intenção de ir a Cannes, já que muitos são feitos e estão em conformidade com o calendário do festival, precisam de uma caixa de ressonância", disse recentemente à AFP Richard Patry, presidente dos gestores de salas de cinema da França.
Organizar o festival "de uma forma ou de outra [...] seria uma forma de fazer renascer o mundo do cinema", acrescentou Patry, membro do conselho de administração de Cannes.
Muitos filmes que seriam lançados no segundo trimestre deste ano foram adiados, como o próximo James Boond e outros sucessos de bilheteria como "Top Gun 2", "Mulan" ou "Mulher Maravilha 1984".
O festival francês já foi cancelado ou interrompido no passado, mas nunca adiado.
O caso mais conhecido foi o da edição de maio de 1968, interrompida por uma revolta dos cineastas, com Jean-Luc Godard e François Truffaut no comando, em apoio ao movimento estudantil e trabalhista da época.
O Povo

Plataforma online oferece curso com produtor premiado em Festival de Cannes

Está no ar o curso “Produção Criativa para Cinema”, com Rodrigo Teixeira, produtor do vencedor A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, do cearense Karim Aïnouz, escolhido melhor filme da seção paralela “Um Certo Olhar, no Festival de Cannes. O intuito do curso online, proposto pela plataforma Navega, é formar e qualificar profissionais e estudantes do audiovisual, trazendo nomes consagrados da indústria do setor no Brasil.
O curso aborda temas como a importância do repertório para a carreira do produtor, como selecionar histórias com potencial cinematográfico, atuação do profissional desde o roteiro até o lançamento da obra, além de dicas para criar, desenvolver e manter relações duradouras com diretores, criadores e demais talentos da cadeia do audiovisual.
Voltado a produtores, distribuidores, diretores, roteiristas e demais profissionais da indústria audiovisual, incluindo estudantes e amantes da sétima arte, o curso tem aproximadamente quatro horas de conteúdo exclusivo, dividido em 34 videoaulas. Complementando a experiência, a Navega oferece material pedagógico para acompanhamento das aulas e certificado de conclusão do curso, que também é oferecido para a região nordeste.
“Produções fora do eixo Rio-São Paulo, como Pernambuco, Minas Gerais, Porto Alegre, Ceará e Bahia, vivem ótimos momentos. São polos reconhecidos em crescimento constante de arranjos produtivos, a democratização, política pública e o barateamento da tecnologia, além da criação de espaços formativos em linguagem e roteiro, vêm formando uma nova cara do audiovisual brasileiro. Essa diversidade favorece novos pontos de vista locais, eleva a criatividade e contribui para a vitalidade cultural do País. Foi com o intuito de apoiar este fortalecimento do cinema regional que criamos mais essa possibilidade de formação com os cursos online da Navega”, destaca Rodrigo Teixeira.
No conteúdo do curso online, Rodrigo Teixeira também explora as correlações entre literatura e a compra de direitos de obras literárias que foram adaptadas para o cinema, o ajudando a tornar-se um dos nomes mais proeminentes e respeitados da indústria cinematográfica, com relevante atuação nos disputados mercados norte-americano e europeu.
“Trocar experiências e mostrar um pouco da minha trajetória é algo que me dá um imenso prazer, e fazer isso através da Navega torna tudo muito mais prático e profissional. Acho que, com isso, podemos contribuir para a qualificação profissional e a formação artística de produtores, roteiristas e documentaristas da indústria audiovisual brasileira, passando um pouco do conhecimento necessário para que as pessoas interessadas possam entrar no nosso mercado”, pontua
Rodrigo Teixeira – Rodrigo Teixeira é fundador da RT Features (https://rtfeatures.com.br/) e um dos mais proeminentes produtores brasileiros da atualidade. No Brasil, esteve à frente de longas-metragens como “O Cheiro do Ralo”, “Tim Maia”, “Alemão”, “Heleno”, “Abismo Prateado” e “O Animal Cordial”. No mercado internacional, Teixeira produziu filmes premiados como “Me Chame Pelo Seu Nome”, “Frances Há”, “Love” e “A Bruxa”. Desde 2016, é integrante da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Com a produção de “Me Chame Pelo Seu Nome” foi indicado ao Globo de Ouro e disputou quatro estatuetas no Oscar 2018, tendo arrebatado a de Melhor Roteiro Adaptado.
Em 2018, o produtor emplacou três filmes indicados ao Independent Spirit Awards, principal premiação do cinema independente americano. Além de “Me Chame Pelo Seu Nome”, foram indicados “Patti Cake$” e “Ciaganos da Ciambra”, exibido no Festival de Cannes em 2017, foi o primeiro filme produzido pela parceria de Teixeira com o diretor Martin Scorsese por meio da Sikelia Productions, selo que financia filmes de cineastas emergentes em todo o mundo. A bem sucedida dupla também esteve recentemente na Croisette com “Port Authority”, de Danielle Lessovitz. Ainda para este ano Rodrigo finaliza o thriller de ficção científica “Ad Astra”, de James Gray, com Brad Pitt e Tommy Lee Jones no elenco.
Serviço
Mestre: Rodrigo Teixeira.
Informações: www.navega.art.br
Investimento: R$ 590,00 (é possível parcelar o valor em até 10 vezes).

Tribuna do Ceará

Vitória de cearense em Cannes reforça defesa do cinema brasileiro

Por Rômulo Costa

Karim Aïnouz dedicou prêmio à "vivacidade do cinema brasileiro"; cearenses do setor analisam a façanha


Karim Aïnouz, nascido em Fortaleza, estudou cinema no exterior e conseguiu ser premiado na FrançaAFP
Karim Aïnouz, 53, se tornou, nesta sexta-feira, o 1º cineasta cearense a conquistar um prêmio no Festival de Cannes, na França, uma das principais vitrines do cinema da Europa. O diretor foi o vencedor da mostra "Um Certo Olhar" com seu novo longa "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", que deve ser exibido ao público em novembro.
Adaptação do livro homônimo da escritora pernambucana Martha Batalha, o longa discute a opressão social imposta às mulheres e tem no elenco a atriz Fernanda Montenegro, a quem o diretor homenageou durante a premiação.
Karim dedicou a conquista à "vivacidade do cinema brasileiro" e disse que o Brasil está passando por um "momento de intolerância muito forte", com "ataques gigantescos" à cultura e à educação.
O ator Silvero Pereira, que integra o elenco do filme "Bacurau", do brasileiro Kleber Mendonça Filho, que também concorre no festival, expressou orgulho pela conquista de Karim. "É lindo e emocionante ver um cineasta cearense conquistar um prêmio como esse. Karim, pra nós, já é uma grande referência com obras fortes e marcantes", declarou.
Armando Praça, diretor do filme "Greta", que estreou no Festival de Berlim em fevereiro, considera como "propícia" a vitória de Karim. "Diante de todas as ameaças que a produção artística brasileira vem sofrendo, talvez, esse reconhecimento seja uma demonstração internacional do quão criativa e capaz é nossa produção cinematográfica".
O diretor do Cine Ceará, Wolney Oliveira, concorda. "O reconhecimento internacional é fundamental nesse momento difícil do cinema brasileiro", disse o cineasta, em alusão às incertezas de financiamento pela Ancine (agência nacional do setor).
Para Lis Paim, coordenadora do Laboratório de Cinema da Escola Porto Iracema, onde Karim atua como tutor, a premiação é motivo de orgulho. "É a coroação de uma carreira que ele vem desenvolvendo há muito tempo e que faltava um reconhecimento como esse", comemorou.
fotofoto
Elenco, diretor e produtores divulgam o filme “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” no Festival de Cannes
AFP
Destaques da filmografia
Madame Satã (2002)
Drama biográfico do lendário transformista João Francisco dos Santos, o filme foi a estreia de Karim em Cannes. Destaque na carreira do ator Lázaro Ramos, o longa integra a lista de 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, conforme lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema
Céu de Suely (2006)
Hermila, uma jovem de Iguatu, tentar melhorar de vida em São Paulo, mas é forçada a voltar à terra natal e é abandonada pelo namorado. Diante da desesperança, ela busca escapar da solidão e decide rifar seu corpo
Praia do Futuro (2014)
Destaque na carreira de Wagner Moura, o longa também deu projeção a Jesuíta Barbosa. Ele é um jovem que migra para a Alemanha em busca do irmão, um salva-vidas, que se aventurou em Berlim e se apaixonou por um amigo
A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (2019)
Ambientado nos anos 1940, o filme mostra duas irmãs que se separam após dividir uma realidade marcada pelo patriarcado. As duas buscam se encontrar ao longo dos anos

Diário do Nordeste

"Shoplifters", do japonês Hirokazu Kore-eda, foi o vencedor em Cannes deste ano

por Luiz Carlos Merten - Agência Estado

"Shoplifters", do japonês Hirokazu Kore-eda, foi o vencedor em Cannes deste ano. É sua primeira Palma, embora seja habitué do festival
Thierry Frémaux e Pierre Lescure estão tendo de administrar uma crise, e das grandes. Para muita gente, é a própria sobrevivência do Festival de Cannes que está em jogo. A imprensa francesa reagiu mal à premiação do júri presidido pela atriz Cate Blanchett - nenhum filme francês no Palmarès.
OK, teve Jean-Luc Godard, mas ele não conta. O mais incrível - Godard vai estrear na TV, não nos cinemas. As mais duras críticas vêm dos EUA. The Hollywood Reporter, mais até que a rival Variety, decretou que o festival está decadente.
Poucos astros e estrelas, excessiva proximidade do Oscar. Cannes é considerada uma plataforma de filmes de arte. Quem vai querer lançar seus filmes de Oscar em maio, quando os blockbuster do verão ocupam as salas e fazem todo o ruído? As majors estão achando que vale mais esperar por Toronto e Veneza, no segundo semestre. O clima é de quebra de braço. Quem vai ganhar? O festival é caro. Hospedagem, alimentação. The Hollywood Repórter reclama, mas, no mercado, a maior representação é dos EUA. São milhares de agentes, comprando e vendendo no maior mercado do mundo.
E a Palma de Ouro mantém seu prestígio. É um dos prêmios mais disputados do mundo. O japonês Hirokazu Kore-eda tem sido um habitué do festival. Colecionou prêmios. Mas foi preciso esperar Cate Blanchett para ter a sua Palma, por "Shoplifters". Um grupo, sem vínculo de sangue, que se reúne para roubar lojas. "Valeu a pena ter esperado", resumiu.
Outros dois filmes premiados pelo júri abordam questões familiares - "Capharnaüm", da libanesa Nadine Labaki, e "Ayka", do cineasta do Casaquistão Sergey Dvortsevoy, que deu o prêmio de interpretação para Samal Yeslyamova. Marido de Nadine, o compositor Klaled Mouzanar também é produtor. Ao receber o prêmio do júri ecumênico, em nome da mulher, disse que o filme foi uma "changing life experience" para o casal.
E Nadine, agradecendo o prêmio especial do júri - "É um prêmio enorme para um filme pequeno, que fiz em casa, com a minha família. Mas só vou ficar feliz se o filme ajudar a mudar as condições de vida da infância abandonada. Não podemos continuar ignorando o problema".
Dvortsevoy talvez tenha feito o filme mais aterrorizante do festival. Uma mulher que acaba de dar à luz abandona o filho no hospital e corre em busca de emprego numa Moscou gelada. Tem de saldar uma dívida. Ela sangra, o leite empedra nos seios. O diretor aborda a condição biológica da mulher para chegar à denúncia do mundo regido pelos homens. "Foi dificílimo de fazer, mas quando pensava que mulheres passam por isso de verdade. Que mundo é esse?", perguntou-se a atriz.
Que mundo, sim. Spike Lee quer lançar "BlacKkKlansman" em agosto nos EUA, quando se comemora um ano dos confrontos entre supremacistas e negros em Charlottesville. Seu filme é sobre isso. Não ganhou a Palma, mas o Grand Prix. "Vai ser um ano para se viver perigosamente na América", anuncia Spike.
No palco para entregar prêmio, Asia Argento lembrou que tinha 21 anos quando foi estuprada por Harvey Weinstein em Cannes. "Para canalhas como ele, isso aqui sempre foi uma temporada de caça", afirmou.
O festival abriu uma linha para mulheres denunciarem abusos. Asia botou a boca no mundo. No ano de Cate, as mulheres reinaram, mas a Palma foi masculina. Teria sido mais merecida se tivesse vencido o turco Nuri Bilge Ceylan, cineasta do tempo, por "A Pereira dos Frutos Selvagens".

Diário do Nordeste

Cannes: Filmes de qualidade, mas sem ousadia

Poucos astros e estrelas, excessiva proximidade do Oscar. Cannes é considerada uma plataforma de filmes de arte.

Quem vai querer lançar seus filmes de Oscar em maio, quando os blockbuster do verão ocupam as salas e fazem todo o ruído?
Quem vai querer lançar seus filmes de Oscar em maio, quando os blockbuster do verão ocupam as salas e fazem todo o ruído? (AFP Photo)

Thierry Frémaux e Pierre Lescure estão tendo de administrar uma crise, e das grandes. Para muita gente, é a própria sobrevivência do Festival de Cannes que está em jogo. A imprensa francesa reagiu mal à premiação do júri presidido pela atriz Cate Blanchett - nenhum filme francês no Palmarès. OK, teve Jean-Luc Godard, mas ele não conta. O mais incrível - Godard vai estrear na TV, não nos cinemas. As mais duras críticas vêm dos EUA. The Hollywood Reporter, mais até que a rival Variety, decretou que o festival está decadente.

Poucos astros e estrelas, excessiva proximidade do Oscar. Cannes é considerada uma plataforma de filmes de arte. Quem vai querer lançar seus filmes de Oscar em maio, quando os blockbuster do verão ocupam as salas e fazem todo o ruído? As majors estão achando que vale mais esperar por Toronto e Veneza, no segundo semestre. O clima é de quebra de braço. Quem vai ganhar? O festival é caro. Hospedagem, alimentação. The Hollywood Repórter reclama, mas, no mercado, a maior representação é dos EUA. São milhares de agentes, comprando e vendendo no maior mercado do mundo.

E a Palma de Ouro mantém seu prestígio. É um dos prêmios mais disputados do mundo. O japonês Hirokazu Kore-eda tem sido um habitué do festival. Colecionou prêmios. Mas foi preciso esperar Cate Blanchett para ter a sua Palma, por Shoplifters. Um grupo, sem vínculo de sangue, que se reúne para roubar lojas.

"Valeu a pena ter esperado", resumiu. Outros dois filmes premiados pelo júri abordam questões familiares - Capharnaüm, da libanesa Nadine Labaki, e Ayka, do cineasta do Casaquistão Sergey Dvortsevoy, que deu o prêmio de interpretação para Samal Yeslyamova. Marido de Nadine, o compositor Klaled Mouzanar também é produtor. Ao receber o prêmio do júri ecumênico, em nome da mulher, disse que o filme foi uma "changing life experience" para o casal.

E Nadine, agradecendo o prêmio especial do júri - "É um prêmio enorme para um filme pequeno, que fiz em casa, com a minha família. Mas só vou ficar feliz se o filme ajudar a mudar as condições de vida da infância abandonada. Não podemos continuar ignorando o problema." Dvortsevoy talvez tenha feito o filme mais aterrorizante do festival. Uma mulher que acaba de dar à luz abandona o filho no hospital e corre em busca de emprego numa Moscou gelada. Tem de saldar uma dúvida. Ela sangra, o leite empedra nos seios. O diretor aborda a condição biológica da mulher para chegar à denúncia do mundo regido pelos homens. "Foi dificílimo de fazer, mas quando pensava que mulheres passam por isso de verdade. Que mundo é esse?", perguntou-se a atriz.

Que mundo, sim. Spike Lee quer lançar BlacKkKlansman em agosto nos EUA, quando se comemora um ano dos confrontos entre supremacistas e negros em Charlottesville. Seu filme é sobre isso. Não ganhou a Palma, mas o Grand Prix. "Vai ser um ano para se viver perigosamente na América", anuncia Spike. No palco para entregar prêmio, Asia Argento lembrou que tinha 21 anos quando foi estuprada por Harvey Weinstein em Cannes. "Para canalhas como ele, isso aqui sempre foi uma temporada de caça", afirmou.

O festival abriu uma linha para mulheres denunciarem abusos. Asia botou a boca no mundo. No ano de Cate, as mulheres reinaram mas a Palma foi masculina. Teria sido mais merecida se tivesse vencido o turco Nuri Bilge Ceylan, cineasta do tempo, por A Pereira dos Frutos Selvagens.

Ganhadores

Palma de Ouro

'Shoplifters', de Hirokazu Kore-eda

Grande Prêmio do Júri

'BlacKkKlansman', de Spike Lee

Prêmio do Júri

'Capharnaüm', de Nadine

Labaki

Melhor Direção

Pawel Pawlikowski ('Cold War')

Melhor Atriz

Samal Yeslyamova ('Ayka')

Melhor Ator

Marcello Fonte ('Dogman')

Agência Estado

Filme sobre o Papa Francisco é apresentado mundialmente em Cannes

filme win wenders"Queríamos que fosse um filme para todos os tipos de público, porque a mensagem do Papa é universal", diz o cineasta alemão

Foi mundialmente apresentado no Festival de Cannes o filme “Papa Francisco: um homem de palavra”, do cineasta alemão Wim Wenders. O filme não disputará a Palma de Ouro, mas terá uma sessão especial durante a mostra.
Wenders declarou durante a apresentação do longa:
“O Papa Francisco é o exemplo vivo de um homem que luta pelo que diz. Em nosso filme ele se dirige diretamente ao espectador, de modo sincero e espontâneo. Queríamos que fosse um filme para todos os tipos de público, porque a mensagem do Papa é universal”.

Um filme com o Papa

Dom Dario Edoardo Viganò, assessor da Secretaria de Comunicação da Santa Sé, deu início ao projeto junto com o cineasta alemão. Ele disse em entrevista à agência Sir:
“O filme que Wenders realizou sobre o Papa é uma experiência do falar de si, por parte do Papa, através de um tecedor capaz de reconstruir e entrelaçar a narração, e esta é a parte do diretor, de modo que surja a verdade e a profundidade do próprio ser”.
Para dom Viganò, a particularidade do filme, que contou com a colaboração do Vatican Media, é que não se trata de um documentário, mas sim de “um filme com o Papa”:
“O Papa Francisco é o protagonista da obra. Ele aceitou participar deste projeto com desejo de compartilhamento e de encontro com o próximo”.

Francisco visto de perto

O filme não tem um estilo narrativo e descritivo, sublinha dom Viganò, “como nas primeiras tomadas sobre Leão XIII em 1896, ou no filme sobre Pio XII de 1942, Pastor Angelicus, ou mesmo nos documentários audiovisuais dedicados a João XXIII”. Desta vez há um envolvimento direto: “Ele é o Papa da proximidade, do abraço inclusivo. Por isso participa como protagonista absoluto”.
Essa intenção se traduziu em “uma direção a serviço do encontro com o Pontífice, nunca invasiva ou dominante, mas sim discreta e poética. O Papa refletiu um bom tempo para avaliar o trabalho. Depois, aceitou de maneira convicta, consciente da grandiosidade comunicativa do projeto”.

Wenders, olhar poético

Recordando as obras-primas do cineasta, como “As Asas do Desejo”, com a particular presença dos anjos, e “Tão longe, tão perto”, no qual é citado o Evangelho de Mateus, dom Viganò recorda também a colaboração com o cineasta na cerimônia de abertura do Jubileu Extraordinário da Misericórdia no Vaticano. Com o Centro Televisivo Vaticano – hoje Vatican Media – “logo acreditamos no valor de um filme que falasse sobre o diálogo entre o Papa Francisco e a sociedade de hoje, com o encontro de homens e mulheres de todas as proveniências. O resultado foi uma experiência cinematográfica intensa, com encontro de pessoas de todas as fés, culturas, pertencentes a todas as classes sociais ou políticas”.
A trilha sonora de Laurent Petitgand é enriquecida pela voz narrativa de Wim Wenders e da cantora Patti Smith.

Aleteia

Os filmes em disputa pela Palma de Ouro em Cannes

Confira os 18 filmes que irão disputar o festival entre os dias 8 e 19 de maio.

O diretor Thierry Fremaux e o presidente do Festival de Cannes, Pierre Lescure, durante coletiva de imprensa em Paris, na França, em 12 de abril de 2018.
O diretor Thierry Fremaux e o presidente do Festival de Cannes, Pierre Lescure, durante coletiva de imprensa em Paris, na França, em 12 de abril de 2018. (AFP)

Seguem abaixo os 18 filmes que irão disputar a Palma de Ouro do Festival de Cannes, entre os dias 8 e 19 de maio:
Filme de abertura:
- "Todos lo saben", do iraniano Asghar Farhadi: com Penélope Cruz, Javier Bardem e Ricardo Darín. Suspense psicológico em espanhol. Uma mulher e seus filhos viajam de Buenos Aires, onde vivem, para seu povoado natal na Espanha por ocasião de uma reunião familiar.
- "En guerre", do francês Stéphane Brizé: filme social, com Vincent Lindon. Acompanha a luta de funcionários dispostos a tudo para salvar seu emprego e a fábrica que vai à falência.
- "Dogman", do italiano Matteo Garrone: sobre um cabeleireiro de cachorros que torturou e assassinou em 1988 um ex-boxeador convertido em chefe de uma gangue. É a quarta produção de Garrone em disputa.
- "Le Livre d'image", do franco-suíço Jean-Luc Godard: filme em cinco partes temáticas, que viria a ser uma reflexão sobre o mundo árabe por meio de imagens documentais e de ficção. Godard, lenda do cinema francês, participará da competição pela sétima vez.
- "Netemo Sametemo" (Asako I & II), do japonês Ryusuke Hamaguchi: a história de Asako, uma jovem que se apaixona por um homem que desaparece. Dois anos depois, conhece outro que é sua "cópia", mas com uma personalidade completamente diferente. O diretor foi premiado no Festival de Locarno em 2015 com "Happy hour".
- "Plaire, aimer et courir vite", do francês Christophe Honoré: sobre a relação amorosa entre um jovem estudante e um escritor nos anos 1990, com Vincent Lacoste e Pierre Deladonchamps. Honoré disputou em 2007 com "As canções de amor".
- "Les filles du soleil", da francesa Eva Husson: com Golshifteh Farahani e Emmanuelle Bercot. Segundo longa-metragem da diretora depois de "Bang Gang". A história de um batalhão de mulheres soldados curdas no qual uma jornalista conhece a comandante do grupo.
- "Ash is purest white", do chinês Jia Zhangke: uma história de amor entre uma bailarina e um gangster. Jia, cinco vezes na competição, participou da última vez em 2015 com "As montanhas se separam".
- "Shoplifters", do japonês Hirokazu Kore-Eda. A história de uma família de ladrões que adota uma menina órfã. Quinto filme do cineasta em competição.
- "Capharnaüm", da libanesa Nadine Labaki: a história de um menino que se rebela contra a vida que querem impor a ele. Pela diretora de "Caramelo".
- "Buh-Ning", do sul-coreano Lee Chang-Dong: suspense em que um dos protagonistas assegura que é um piromaníaco. Adaptado de um relato do escritor japonês Haruki Murakami. Terceiro filme do cineasta em disputa.
- "BlacKKKlansman", do americano Spike Lee: baseado na história real de um policial afro-americano infiltrado no Ku Klux Klan, com Adam Driver e John David Washington. Adaptado do livro "Black Klansman", de Ron Stallworth.
- "Under the silver lake", do americano David Robert Mitchell: suspense com Andrew Garfield e Riley Keough. Sam é um homem de 30 anos de Los Angeles que investiga o desaparecimento de sua vizinha, por quem é apaixonado. Trata-se do terceiro longa-metragem do diretor. Pelo cineasta do filme de terror "Corrente do mal".
- "Three Faces", do iraniano Jafar Panahi: três retratos de mulheres no Irã moderno, pelo cineasta iraniano dissidente que está proibido de trabalhar no seu país. Foi premiado em 2015 com o Urso de Ouro da Berlinale por "Táxi Teerã".
- "Zimna Wojna", do polonês Pawel Pawlikowski: novo filme do diretor polonês de "Ida", vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015. Uma relação amorosa complicada entre uma mulher e dois homens na Polônia nos anos 1950 e 1960.
- "Lazzaro Felice", da italiana Alice Rohrwacher: a história de um homem nascido em um casebre afastado do mundo moderno, um conto poético para abordar as transformações na sociedade italiana. Rohrwacher obteve o Grande Prêmio em 2014 por "As maravilhas".
- "Leto", do russo Kirill Serebrennikov: baseado na vida da estrela soviética do rock Viktor Tsoi. Serebrennikov, muito crítico com o presidente Vladimir Putin, se encontra em prisão domiciliar por um suposto caso de desvio de dinheiro público.
- "Yomeddine", do egípcio Abu Bakr Shawky: obra-prima tragicômica na qual dois homens fogem de um grupo de leprosos.

AFP

Mulheres dominam o júri do Festival de Cannes

Cate Blanchett, que sucede como presidente do júri o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, será a 12ª mulher a comandar o júri em 71 edições do festival.
O anúncio dos vencedores do festival está previsto para 19 de maio.
O anúncio dos vencedores do festival está previsto para 19 de maio. (Alberto Pizzoli/AFP/Getty Images)

Um júri majoritariamente feminino, presididido pela atriz australiana Cate Blanchett e com as presenças das atrizes Kristen Stewart e Léa Seydoux, definirá o vencedor da Palma de Ouro, na primeira edição do Festival de Cannes desde as revelações de assédio sexual no mundo do cinema e do escândalo Weinstein.
"Diante de uma competição com um perfil renovado, que apresenta cineastas que comparecem pela primeira vez, o júri da próxima edição do Festival de Cannes convida cinco mulheres, quatro homens, sete nacionalidades e cinco continentes", anunciou o festival em um comunicado.
No júri, a atriz americana Kristen Stewart ("Crepúsculo") e a francesa Léa Seydoux ("Azul é a Cor Mais Quente") estarão ao lado do diretor canadense Denis Villeneuve ("Blade Runner 2049"), do francês Robert Guédiguian ("A Cidade Está Tranquila)" e da diretora americana Ava DuVernay ("Selma"), além do ator taiwanês Chang Chen, da cantora Khadja Nin (Burundi) e do diretor russo Andrei Zviaguintsev, vencedor do Prêmio do Júri no ano passado por "Sem Amor".
Cate Blanchett, que sucede como presidente do júri o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, será a 12ª mulher a comandar o júri em 71 edições do festival e a primeira desde Jane Campion, em 2014.
A atriz de 48 anos, vencedora do Oscar, foi uma das primeiras celebridades a tomar posição contra o produtor Harvey Weinstein, acusado desde outubro do ano passado por agressão e estupro por várias mulheres, sobretudo atrizes.
"Após o escândalo Weinstein, o mundo não será o mesmo, o Festival de Cannes não será o mesmo", afirmou na semana passada o diretor geral do evento, Thierry Frémaux, ao anunciar a seleção oficial de filmes. Ele prometeu ainda a presença de organizações de apoio às mulheres.
A competição oficial terá três diretoras (contra 15 homens): a francesa Eva Husson, a italiana Alice Rohrwacher e a libanesa Nadine Labaki, um número menor que o registrado em 2011, por exemplo, quando quatro mulheres disputaram a Palma de Ouro.
Lars von Trier?
Após o anúncio dos filmes que disputarão a Palma de Ouro na semana passada, das produções da Semana da Crítica na segunda-feira e da Quinzena do Realizadores na terça-feira, a revelação dos integrantes do júri era o último passo para o festival, que começará em 8 de maio.
O filme de abertura do festival será "Todos lo saben", do iraniano Asghar Farhadi, rodado em espanhol e protagonizado por Penélope Cruz, Javier Bardem e Ricardo Darín.
A mostra oficial ainda pode receber mais filmes, como "The House that Jack Built", de Lars von Trier, com Uma Thurman e Matt Dillon, afirmou Thierry Frémaux.
O presidente do Festival, Pierre Lescure, "trabalhou nos últimos dias para retirar o status de persona non grata" do cineasta dinamarquês, que em 2011 causou polêmica em Cannes ao afirmar "entender Hitler". Depois o diretor pediu desculpas.
A imprensa especializada também cita a possibilidade de "High Life", da francesa Claire Denis, com Robert Pattinson, Patricia Arquette e Juliette Binoche, ser incluído na disputa pela Palma de Ouro.
O Festival de Cannes também tenta atrair a Netflix, que se recusa a participar do evento porque seus filmes não podem participar das mostras competitivas.
O anúncio dos vencedores do festival está previsto para 19 de maio.

AFP
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