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22 de outubro de 2018

Morre aos 90 anos o Nobel de Química Osamu Shimomura

Osamu Shimomura em foto de dezembro de 2008 — Foto: AP Foto
Osamu Shimomura em foto de dezembro de 2008 — Foto: AP Foto
O químico e biólogo marinho japonês Osamu Shimomura, agraciado em 2008 com o Prêmio Nobel de Química pela descoberta e desenvolvimento da proteína verde fluorescente (GFP), morreu aos 90 anos, informou nesta segunda-feira (22) a imprensa local.
Shimomura, que ganhou o prêmio junto com os americanos Martin Chalfie e Roger Tsien, morreu na cidade de Nagasaki, no sudoeste de Japão, no dia 19 de outubro, segundo o jornal Asahi.
O japonês foi a primeira pessoa que em 1962 isolou e descreveu a proteína verde fluorescente de um exemplar de gelatina cristal (Aequorea victoria), uma medusa bioluminiscente.
A descoberta permitiu criar uma ferramenta que os pesquisadores usam para rastrear o movimento de moléculas dentro de uma célula.
Filho de um capitão do exército imperial japonês, Shimomura nasceu em 27 de agosto de 1928 na cidade de Fukuchiyama (centro), embora tenha sido educado na antiga Manchúria (nordeste da China), Osaka e Nagasaki, onde trabalhava em uma fábrica de munição quando a segunda bomba nuclear foi lançada pelos EUA no dia 9 de agosto de 1945.
Em 1951 se graduou na Escola de Farmácia de Nagasaki como o primeiro da sua turma. Quatro anos depois entrou para fazer parte como estudante pesquisador na Universidade de Nagoya (centro), onde seguiu sendo professor associado de Química até sua morte.
Em 1960 embarcou em uma viagem aos Estados Unidos que lhe levaria junto com sua mulher, Akemi Okubo (também química orgânica e companheira das suas pesquisas), à Universidade de Princeton e a sua revolucionária descoberta.
Após receber o Nobel, Shimomura continuou com sua pesquisa em sua residência nos EUA, mas nos últimos tempos tinha voltado a Nagasaki para se recuperar depois que sua saúde piorou no ano passado, segundo informou a emissora pública "NHK".

Agência EFE

Nobel de Literatura: Academia Sueca indica novo membro

Mats Malm  é o terceiro novo integrante indicado

Mats Malm é o terceiro novo integrante indicado

TT News Agency/Henrik Brunnsgard/Reuters - 19.10.2018
A Academia Sueca, organização que concede o prêmio Nobel de Literatura, selecionou um especialista em linguagens nórdicas antigas como novo membro nesta sexta-feira (19), em um passo para recuperar sua posição depois que um escândalo sexual forçou a organização a adiar a entrega do prêmio deste ano.
Mats Malm, professor de literatura da Universidade de Gotemburgo, é o terceiro novo integrante indicado este mês para a organização de 18 membros, preenchendo todos os assentos vagos, incluindo dois disponibilizados por membros que deixaram a Academia após o escândalo.
A Academia Sueca, fundada há 232 anos pelo rei da Suécia para proteger o idioma do país, tem escolhido o vencedor do Nobel de Literatura desde 1901. Outras organizações suecas selecionam os vencedores de outras categorias e um comitê da Noruega concede o Nobel da Paz.
A entrega do prêmio de literatura deste ano foi adiada depois que o fotógrafo franco-sueco Jean-Claude Arnault, que administrava uma fundação cultural que recebia fundos da Academia, foi acusado de estupro.
Arnault, que é casado com uma integrante da organização e que teve relações pessoais e profissionais com diversos outros membros, foi condenado este mês a dois anos de prisão por estupro. O fotógrafo também foi acusado de vazar nomes de vencedores do Nobel de Literatura e a Academia Sueca está investigando seu relacionamento financeiro com ele.
Arnault nega qualquer irregularidade e está recorrendo à condenação por estupro.
Além dos dois integrantes que deixaram a academia devido ao caso, quatro outros, incluindo a mulher de Arnault, Katarina Frostenson, suspenderam sua participação.
O chefe da Fundação Nobel, que concede os prêmios mas não escolhe os vencedores, disse que a Academia Sueca pode perder seu papel na entrega do prêmio de literatura se não recuperar sua legitimidade após o escândalo.

Casa Cor 2018 recebe visitantes até dia 23 de outubro

A 20ª edição da Casa Cor está de portas abertas para visitação até a terça-feira próxima, dia 23. Faltando apenas cinco dias para o encerramento desta edição, a Casa está com programação diariamente. Os ingressos para conhecer ou revisitar o espaço custam R$ 48 (inteira) e R$ 24 (meia). 
 
Situada no Bairro Aldeota, na Mansão da família J. Macedo, a casa trás elementos verdes, com objetivo de reconectar o homem com a natureza. Além de criar espaços que transmitem paz e conforto espiritual.
 
Nesta edição, 54 ambientes ocupam a Casa Cor. Para este ano, projeto contou com mais de 70 profissionais de arquitetura e decoração. Com o tema “Casa Viva”, a mostra reúne conceitos mentais e espirituais. 
 
Além de conceitos de design, a Casa Cor também apresenta espaço gastronômico para os visitantes . O Lê Bistrô, restaurante que integra um dos espaços do evento, trabalha com ingredientes regionais, exaltando frutas, como banana e caju.   
 
Serviço
Casa Cor Ceará 2018
Quando: até o dia 23 de outubro
Horáios: terça a sábado das 17h às 22 horas. Domingos e feriados, das 16h às 21h.
Onde: Mansão da Família J. Macedo (rua Visconde de Mauá, 950 - Aldeota)
Quanto: R$ 48 (inteira) e R$ 24 (meia)
Mais informações: (85) 3261 3533
 
Redação O POVO online 

Inscritos no Enem podem checar local de provas a partir de hoje

Os estudantes que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 podem acessar a partir de hoje (22) os cartões de confirmação da inscrição. Para consultar o documento, é necessário acessar a página do participante, onde deve ser colocado o CPF e senha ou baixar em seu celular o aplicativo Enem 2018. A primeira etapa do exame será aplicada no domingo, dia 4 de novembro.
O cartão reúne os dados do estudante, o endereço do local, a data e hora da aplicação da prova, além das informações sobre a língua estrangeira escolhida e recursos de acessibilidade, se tiverem sido solicitados. Caso tenha problema com as informações do cartão ou dificuldade de acesso ao documento, o estudante pode entrar em contato com o MEC pelo telefone 0800616161 ou pelo link Fale Conosco, no site do Enem.
Estados não cumprem meta do Ideb
Estudantes fazem prova do Enem - Wilson Dias/Arquivo Agência Brasil
Com a entrada em vigor do horário de verão no mesmo dia da primeira etapa do Exame, em 4 de novembro, o Ministério da Educação recomenda que os inscritos fiquem atentos aos horários de abertura e fechamento dos portões dos locais de prova em cada estado.
O MEC recomenda também que o estudante faça antes o trajeto até o local da prova, organizando o planejamento. A sugestão é que os participantes comecem a ajustar o horário de sono e dormir mais cedo uma semana antes do dia da prova.
Confira os horários do fechamento dos portões
No Distrito Federal e nos estados do Espírito Santo, de Goiás, Minas Gerais, do Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e São Paulo, os portões abrem às 12h e fecham às 13h.
Nos estados de Alagoas, do Amapá, da Bahia, do Ceará, Maranhão, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, do Pará, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí, Rio Grande do Norte, de Sergipe, do Tocantins, os portões abrem às 11h e fecham às 12h.
No Amazonas, em Rondônia e Roraima, os portões abrem às 10h e fecham às 11h. No Acre, os portões abrem às 9h e fecham às 10h, no horário local.

Agência Brasil

Para presidente da CBL, falta de leitura favorece notícias falsas

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Na noite do próximo dia 8 de novembro, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, será realizada a 60ª edição do Prêmio Jabuti - considerado o principal reconhecimento e a mais tradicional honraria aos livros e aos escritores no Brasil.
A realização de um evento literário por seis décadas no país é um marco. De acordo com a pesquisa Retrato da Leitura, 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro. O Banco Mundial estima, com base no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que os estudantes brasileiros podem demorar mais de dois séculos e meio para ter a mesma proficiência em leitura dos alunos dos países ricos. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o mercado editorial encolheu 21% entre 2006 e 2017.
O primeiro Prêmio Jabuti, entregue em 1959, foi concedido para a obra “Gabriela Cravo e Canela”, do escritor Jorge Amado que, anos antes, na ditadura do Estado Novo (1937-1945), teve seus livros queimados em praça pública. A obra do escritor baiano foi o primeiro livro lido pelo menino Luís Antonio Torelli, hoje editor e presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), entidade responsável pelo Prêmio Jabuti.
Em entrevista à Agência Brasil, Torelli falou sobre a premiação, a importância da leitura para a sociedade e sugeriu a ampliação de iniciativas que tenham como foco as bibliotecas. “Num país com poucas livrarias e com pouco acesso ao livro, fica quase impossível ter um programa de formação de leitores se as pessoas não têm onde buscar o livro. As bibliotecas cumprem essa lacuna. Não é só construir. Precisa de um acervo que convide e que seja atraente”, afirmou.
O especialista destacou ainda a importância da leitura e do conhecimento para o combate à disseminação de notícias falsas (fake news). “As pessoas formam opinião sem checar o que recebem, a origem dos dados ou quem é que está publicando. Quando você tem um pouco de conteúdo, proporcionado pela leitura, vê que aquilo não tem nenhum fundamento.”
Veja abaixo os principais trechos da entrevista concedida pelo especialista à Agência Brasil:
Agência Brasil: O que destaca nesta 60ª edição do Prêmio Jabuti?
Luís Antonio Torelli: O prêmio sofreu uma série de mudanças com a intenção de acompanhar o mercado editorial, os interesses dos leitores, e para que continue tendo a relevância que sempre teve. Juntos com o curador, Luiz Armando Bagolin [do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (USP)], fizemos uma condensação das categorias [eram 29, agora são 18]. Outra novidade é que não é mais preciso mandar os livros físicos para cá, pode ser feito por meio eletrônico (em arquivo PDF). Isso era um impedimento para que pequenas editoras e autores pudessem participar, por causa dos custos de postagem. Com isso, conseguimos ter este ano sete autores independentes finalistas do Jabuti. Conseguimos uma valoração maior para o prêmio. O Livro do Ano terá o prêmio de R$ 100 mil, era R$ 35 mil, além dos R$ 5 mil para cada finalista. Agora, concorrem ao grande prêmio aqueles que estejam no eixo literatura ou no eixo ensaios. A festa de premiação vai ser mais dinâmica e mais rápida.

Agência Brasil: Em 60 anos, o prêmio conseguiu acompanhar as mudanças na literatura brasileira, estar na vanguarda e reconhecer novos talentos?
Torelli: A ideia é dar visibilidade aos nossos autores e mostrar a nossa produção literária. O Prêmio Jabuti contempla isso porque tem amplitude maior do que outras premiações. Com as mudanças, ficará mais fácil dar oportunidades a novos talentos em todas as categorias. Qualquer editora com título selecionado faz questão de declarar que o autor é um indicado ou vencedor do Jabuti.

Agência Brasil: No exterior, quem mais se interessa por livros brasileiros?
Torelli: Na Feira de Frankfurt [Alemanha], encerrada no último dia 15, nos chamou muito a atenção a quantidade de chineses que foram ao netmaker que promovemos. Foram 48 editoras chinesas, dos mais variados tipos, procurando títulos brasileiros. Os alemães têm um interesse bastante grande na nossa produção. Os árabes, também. E ainda, o pessoal da América do Sul com quem fazemos um contraponto. Na Feira de Guadalajara [México, em novembro e dezembro de 2017], nós recebemos a visita de um grupo de bibliotecários norte-americanos que compraram muitos livros em português sobre o folclore brasileiro, sobre candomblé.

Agência Brasil: Durante esses 60 anos do Prêmio Jabuti, o Brasil se transformou do ponto de vista econômico e social. Por que ainda lemos pouco?
Torelli: A gente nunca colocou a educação e a leitura como metas do Estado. A sociedade trata a leitura como algo escravizante. Lembro desde minha época na escola que a relação com o livro é uma cobrança. Outro problema grave é que nossos professores leem muito pouco, também não têm o hábito da leitura. Não se cria nas universidades métodos e formas para que o professor consiga colocar o livro em sala de aula de maneira agradável. As aulas de literatura são chatas, desculpe a expressão. Eles não têm esse foco.

Agência Brasil: O que é o projeto Itinerários da Leitura da CBL?
Torelli: Na Bienal do Livro de São Paulo de 2018, nós lançamos o projeto Itinerários da Leitura. Uma iniciativa para apoiar o professor a estimular a leitura em sala de aula desde a infância, para formar o leitor de forma mais contundente e mais rápida. É na idade escolar que é mais possível criar o hábito de ler. Depois da influência da mãe em casa, é o professor na escola a principal figura para incentivar a leitura. O projetoestá no nosso site. A intenção é que o documento sirva de referência para iniciativas de estímulo à leitura. Vamos ver se conseguimos levar a ideia ao Ministério da Educação no próximo governo.

Agência Brasil: Que importância tem estimular o hábito de ler?
Torelli: A leitura é transformadora. Não dá para falar em educação sem falar em leitura e vice-versa. Os testes internacionais de ciência, matemática e leitura mostram o Brasil lá na rabeira. As provas mostram claramente que os nossos alunos não conseguem interpretar um texto simples. Isso é falta de treinamento de leitura. É coisa que o país precisava se preocupar bastante. Eu, sinceramente, não escutei no discurso dos nossos presidenciáveis nenhuma referência a isso.

Agência Brasil: O senhor teria alguma sugestão ao próximo presidente da República ou ao ministro da Educação?
Torelli: Se eu pudesse fazer alguma recomendação para o próximo governo seria olhar mais atentamente para as bibliotecas. Num país com poucas livrarias e com pouco acesso ao livro, fica quase impossível ter um programa de formação de leitores se as pessoas não têm onde buscar o livro. As bibliotecas cumprem essa lacuna. Minha humilde sugestão ao próximo governo é ‘vamos olhar mais para as bibliotecas’. Não é só construir. Precisa de um acervo que convide e que seja atraente.

Agência Brasil: A falta do hábito de leitura favorece a circulação de notícias falsas?
Torelli: Pesa muito. A leitura te dá conhecimento e conteúdo. Na Bienal do Livro, dizíamos ‘venha fazer um download do conhecimento’. Quando você lê um livro para se aprofundar em um tema ou para passar o tempo sabe que as obras têm DNA, o ISBN [International Standard Book Number], uma editora, um autor conhecido. Essas notícias que lemos no WhatsApp muitas vezes não têm autoria, não têm fonte confiável. Não é apenas ler, mas saber o que está lendo. A gente está vendo isso nessas eleições. Verdadeiras barbaridades. As pessoas formam opinião sem checar o que recebem, a origem dos dados ou quem é que está publicando. Quando você tem um pouco de conteúdo, proporcionado pela leitura, vê que aquilo não tem nenhum fundamento.

Agência Brasil: Junto com as notícias falsas também circula intolerância. Há intolerância contra os livros?
Torelli: Não é só contra os livros, mas intolerância de forma geral. Pela facilidade que há para publicar pelas mídias sociais, há opinião para tudo, às vezes, com base em absurdos. Quando vejo alguma coisa estranha sobre os candidatos pergunto: ‘mas você leu isso?’. A resposta costuma ser ‘não li, mas ouvi a respeito’. A intolerância com livros é coisa que precisamos ficar muito atentos. O livro é quem nos traz o conhecimento, a informação. Você compra o que você quiser e lê o que quiser. O Estado não tem que ter esse tipo de interferência. Por que o Estado tem que dizer o que eu posso e o que eu não posso ler? A liberdade de expressão é fundamental. Nenhum país cresce, nenhum povo evolui com qualquer restrição a isso. O livro materializa a liberdade de expressão.

Agência Brasil