Netflix devolveu ao público liberdade da literatura, diz CEO

Pedro Rocha, Especial para o Estado

Há alguns dias, a Netflix reuniu na Colômbia jornalistas de toda a América Latina para um evento comemorativo pelos sete anos do serviço de streaming na região. O encontro contou com a presença de Reed Hastings, CEO da companhia, que revelou a expectativa de que o número de assinantes latinos supere, em breve, o dos EUA.
O plano da empresa, na verdade, é descentralizar a produção de conteúdo original, pensando em grupos de pessoas não pela localização geográfica, e sim pelos gostos em comum, obtidos por algoritmos. A companhia promete que utiliza os dados dos usuários apenas com o objetivo de melhorar a experiência de cada um.
Segundo Hastings, tudo começou com a primeira temporada de Narcos, dirigida por José Padilha e estrelada por Wagner Moura, na pele do traficante colombiano Pablo Escobar. Com cerca de 80% dos diálogos em espanhol e apenas 20% em inglês, a série conseguiu fazer sucesso nos EUA. “Narcos foi um Cavalo de Troia”, brinca o CEO.
Por isso, todas as produções internacionais da Netflix, hoje, são pensadas não apenas para o mercado local. O maior exemplo é a série espanhola La Casa de Papel, sucesso no mundo inteiro e em especial no Brasil, onde também faz sucesso a alemã Dark, segundo a Netflix.
Apesar de não divulgar dados de audiência, a empresa afirma que a série brasileira 3%, em contrapartida, é um grande sucesso em países como França, Alemanha e EUA. “Você não precisa confiar no que nós falamos, basta você ver a repercussão nas redes sociais ”, diz o vice-presidente de conteúdo original internacional da Netflix, Erik Barmack, ao Estado.
Bianca Comparato em cena da segunda temporada da série '3%', da Netflix, que já foi renovada para uma terceira, com estreia prevista para 2019. Foto: Pedro Saad/Netflix
“Mas podemos afirmar que milhões de pessoas viram séries brasileiras fora do Brasil, e é parte de uma tendência contínua de séries latinas indo bem nos EUA e na Europa.”
Segundo Barmack, a demanda do público fez acontecer uma mudança global em como a televisão é criada e distribuída. “Sete anos atrás, quando começamos na América Latina, pensávamos em como criar programas que fossem relevantes localmente, mas o mundo mudou e uma boa série pode vir de qualquer lugar, como Dark e La Casa de Papel.”
Para Reed Hasting, a principal mudança no cenário é que o público agora quer consumir o conteúdo que quer, de qualquer lugar do mundo, quando quer e ainda pode escolher a tecnologia que mais gosta para isso. “A volta da liberdade que a literatura dá ao público, de ler o quanto quiser por dia e onde quiser, é o que explica o crescimento da Netflix no mundo.”
Para atingir mais pessoas com produções originais de todo o mundo, a Netflix tem investido em dublagem. Qualquer novo programa que seja lançado no serviço de streaming, além de chegar simultaneamente a mais de 190 países, já tem, pelo menos, 26 opções de línguas disponíveis. E o público gosta. Na Colômbia, por exemplo, 90% dos espectadores do filme original Para Todos os Garotos que já Amei viram com dublagem em espanhol.
Estadão

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