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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

30 de junho de 2014

Francisco concede entrevista a jornal romano

Igreja > 2014-06-29 15:31:13 




Roma (RV) – “Eu acho que é difícil permanecer honesto na política. Há pessoas que gostariam de fazer as coisas de modo claro, mas, depois, é como se elas fossem engolidas por um fenômeno endêmico, em vários níveis, transversal. Não porque seja a natureza da política, mas porque em uma mudança de época os impulsos para certo desvio moral se fazem mais fortes”. Foi o que disse o Papa Francisco em uma longa entrevista publicada neste fim de semana pelo jornal romano “Il Messaggero”.

“Hoje o problema da política é que ela se desvalorizou, arruinada pela corrupção, pelo fenômeno do suborno, disse o Santo Padre. “A corrupção é, infelizmente, um fenômeno mundial. Há chefes de Estado que estão na prisão por causa disso. Eu me questionei muito, e cheguei à conclusão de que muitos males crescem, especialmente durante as mudanças epocais. Estamos experimentando não tanto uma época de mudanças, mas uma mudança de época”, que “alimenta a decadência moral, não apenas na política, mas na vida financeira ou social”.

O Papa aborda também o tema da exploração sexual de crianças. “Isso me faz sofrer. Para alguns trabalhos manuais são usadas crianças porque elas têm as mãos menores. Mas as crianças são também exploradas sexualmente”. Os “idosos” “que abordam prostitutas com menos de 15 anos na rua “são pedófilos”, afirma Francisco, acrescentando “que esses problemas podem ser resolvidos com uma boa política social”. Nisso a política deve responder de modo concreto. Por exemplo, com os serviços sociais que acompanham as famílias, acompanhando-as para saírem de situações difíceis”.

Falando da pobreza disse que, “os comunistas nos roubaram a bandeira. A bandeira dos pobres é cristã. Pobreza está no centro do Evangelho. Marx não inventou nada”, disse Bergoglio. “Quem tem fome posso ajudá-lo para que não tenha mais fome, mas se ele perdeu o emprego e não consegue encontrar mais trabalho, tem a que ver com outra pobreza. Não há mais dignidade”, reflete Francisco. “Talvez possa ir à Caritas e levar para casa um pouco de comida, mas experimenta uma pobreza muito grave que destrói o coração. Muitas pessoas vão ao refeitório da Caritas em segredo, e cheias de vergonha levam para casa um pouco de comida. A sua dignidade é progressivamente empobrecida, vivendo em um estado de prostração”.

A crise econômica é uma das causas da baixa taxa de natalidade, que “não depende apenas de uma deriva cultural guiada pelo egoísmo e o hedonismo”, acrescenta Francisco, segundo a qual o elevado gasto com os animais de estimação é “outro fenômeno de degradação cultural. Isto porque a relação afetiva com o animal é mais fácil, mais programável. Um animal não é livre, enquanto ter um filho é algo complexo”.

Falando sobre a Igreja, o Papa explica que não decide sozinho. “Graças a Deus eu não tenho nenhuma Igreja, sigo Cristo. Eu não fundei nada. Do ponto de vista de estilo eu não mudei de como eu era em Buenos Aires, afirma Bergoglio. Sobre o programa, no entanto, sigo o que os cardeais pediram durante as congregações gerais antes do Conclave. O Conselho dos oito cardeal – continua o Papa - foi pedido para que ajudasse a reformar a Cúria. O que que não é fácil, porque se dá um passo, mas depois emerge que é preciso fazer isto ou aquilo, e se antes havia um dicastério, em seguida, se tornam quatro. As minhas decisões - conclui Franciso - são o resultado das reuniões pré-Conclave. Eu não fiz nada sozinho”. (SP-Messaggero)
Rádio Vaticano 

Bruna Marquezine: Aqui só existe o bem. Se você nos deseja o mal, a gente nos deseja AMOR !

Bruna Marquezine.

Papa aos jovens: "devemos ter presente o senso do definitivo"

Igreja > 2014-06-30 10:25:54 



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Cidade do Vaticano - (RV) - O Papa Francisco encontrou-se com jovens da Diocese de Roma, que participam de um curso voltado à busca vocacional, neste sábado, 28. O encontro, realizado na Gruta de Lourdes junto aos Jardins Vaticanos, fez parte da vigília da Solenidade de São Pedro e São Paulo e começou a ser realizado ainda durante o pontificado de Bento XVI. Depois da saudação do Cardeal Agostino Vallini, Vigário da Diocese de Roma, o Pontífice deu as boas-vindas aos jovens.

“Agradeço-vos por esta visita, esta visita à Nossa Senhora que é tão importante na nossa vida. E Ela nos acompanha também na escolha definitiva, na escolha vocacional, porque Ela acompanhou seu filho no seu caminho vocacional que foi tão duro, tão doloroso. Ela nos acompanha sempre”, disse o Papa Francisco.

E prosseguiu afirmando que “quando um cristão me diz, não que não ama a Nossa Senhora, que não procura Nossa Senhora ou não reza a Ela, eu me sinto triste. Recordo que uma vez, faz quase 40 anos, eu estava na Bélgica em um congresso, e havia um casal de catequistas, professores universitários, com filhos, uma bela família e falava de Jesus Cristo tão bem. E num certo momento eu disse: e a devoção à Nossa Senhora? Mas nós superamos esta etapa. Nós conhecemos tanto Jesus Cristo que não temos necessidade de Nossa Senhora. E aquilo que me veio à mente e ao coração foi: pobres órfãos! É assim, não? Porque um cristão sem Nossa Senhora é órfão. Também um cristão sem a Igreja é um órfão. Um cristão precisa destas duas mulheres, duas mulheres mães, duas mulheres virgens: a Igreja e Nossa Senhora. E para fazer o teste de uma vocação cristã justa, precisam perguntar-se: como vai minha relação com estas duas mães que eu tenho?, com a Mãe Igreja e com a Mãe Maria? Este não é um pensamento de piedade, não, é teologia pura. Isto é teologia. Como vai minha relação com a Igreja, com minha Mãe Igreja, que é minha Mãe?”

E o papa Francisco também disse que "isto faz bem: não deixá-la nunca e não andaremos sozinhos. Desejo-vos um bom caminho de discernimento. Para cada um de nós o Senhor tem a sua vocação, aquele lugar onde Ele quer que nós vivamos nossa vida. Mas precisamos procurá-lo, encontrá-lo e depois continuarmos, andar em frente."

O Pontífice acrescentou aos jovens sobre o "senso do definitivo". Isto para nós, disse o papa, "é importante, porque estamos vivendo uma cultura do provisório: isto sim, mas por um tempo e para um outro tempo…Te casas? Sim, sim, mas até que dure o amor, depois cada um para sua casa uma outra vez…Um rapaz, me dizia um bispo, um jovem, um profissional jovem lhe disse: eu gostaria de ser padre, mas somente por 10 anos. É assim, é o provisório. Temos medo do definitivo. E para escolher uma vocação, uma vocação qualquer, também aquelas vocações de estado, o matrimônio, a vida consagrada, o sacerdócio, devemos escolher com uma perspectiva do definitivo. Isto se opõe à cultura do provisório. É uma parte da cultura que nós temos de viver neste tempo, mas devemos vivê-la e vencê-la."

E concluiu Francisco dizendo que "também neste aspecto do definitivo, creio que um dos que têm mais garantida sua estada definitiva é o Papa! Porque o Papa…onde terminará o papa? Ali, naquele túmulo, não?" (EF)

Rádio Vaticano 

Braga: Novo bispo auxiliar quer estar ao lado dos «que sofrem»


Arquidiocese de Évora
Arquidiocese de Évora

D. Francisco Senra Coelho foi ordenado este domingo na Sé de Évora

Évora, 30 jun 2014 (Ecclesia) – O novo bispo auxiliar de Braga, D. Francisco Senra Coelho, ordenado este sábado na Sé de Évora, reforçou a sua intenção de acompanhar de perto as populações mais carenciadas da Arquidiocese minhota.
Numa mensagem deixada no final da Missa de ordenação, o novo membro do episcopado português transmitiu “a toda a Igreja de Braga a certeza” de uma “especial proximidade” aos “que sofrem, de todas as periferias sociais e existenciais”.
“Parto na confiança que em vós me encontrarei com Deus e que convosco seremos corpo de Cristo”, sublinhou.
D. Francisco Senra Coelho, de 53 anos, nasceu em Maputo, Moçambique, mas a sua família tem origem em Barcelos, na região de Braga, pelo que esta nova etapa pastoral representa um regresso às “raízes”.
O prelado era até agora pároco de Nossa Senhora de Fátima, São Manços e Nossa Senhora da Consolação, na Arquidiocese de Évora, onde desde 1986 exerceu a maior parte da sua missão sacerdotal, junto das comunidades católicas locais.
“Se sou trigo vindo de uma família do Minho, foi em Évora que me tornei pão”, referiu, no momento da partida.
O arcebispo eborense, que presidiu à festa da ordenação, agradeceu a “forma generosa e convicta” como D. Francisco Senra Coelho se entregou ao “serviço” de Deus e das paróquias alentejanas, com “marcas indeléveis nos corações de muitas pessoas”.
D. José Alves lembrou depois que, “como profeta, servo e testemunha da esperança”, a um bispo “compete proclamar as razões da sua esperança e incutir confiança a todos, principalmente aos desalentados e oprimidos pela injustiça, aos que se encontram em provação e aos que vivem em ambientes culturais que obstaculizam a abertura ao transcendente”.
“Pois onde falta a esperança, a fé é posta em questão e o amor enfraquece”, concluiu.
 A celebração da ordenação episcopal de D. Francisco Senra Coelho foi concelebrada por D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz de Braga, e D. Maurílio de Gouveia, arcebispo emérito de Évora.
Contou, entre outros representantes católicos e da sociedade civil, com a presença do núncio apostólico (representante diplomático) da Santa Sé em Portugal, D. Rino Passigato.
D. Jorge Ortiga manifestou à Agência ECCLESIA a sua "alegria" por ter "mais um companheiro nesta aventura de trabalhar por uma nova evangelização na Arquidiocese de Braga", um trabalho "em conjunto", a definir "através do diálogo".
O arcebispo fala do novo auxiliar como "alguém que regressa a casa" e se enriqueceu com a experiência da Igreja em Évora.
HM/JCP/OC

Timor-Leste: Papa estuda viagem ao país

Presidente da Conferência Episcopal vai encontrar-se com Francisco no Vaticano

Lisboa, 30 jun 2014 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal de Timor-Leste revelou à Agência ECCLESIA que se vai encontrar novamente com o Papa Francisco, no Vaticano, após tê-lo convidado a visitar o país lusófono.
O encontro, que vai decorrer esta semana, servirá, entre outros assuntos, para “ver da possibilidade da ida do Santo Padre a Timor”, referiu D. Basílio do Nascimento, bispo de Baucau.
O prelado está em Portugal, após participar na ordenação episcopal de D. Francisco Senra Coelho, seu antigo aluno, este domingo, em Évora.
“Uns dias antes de sair (de Timor), recebi uma carta do cardeal Ouellet (prefeito da Congregação para os Bispos, da Santa Sé), a dizer que o Santo Padre queria encontrar-se comigo”, precisa o presidente da Conferência Episcopal Timorense.
A 17 de março, Francisco recebeu os três bispos de Timor-Leste e recordou o “nascimento” da nação timorense, em 2002.
O Papa argentino poderia, assim, ser o primeiro pontífice a visitar Timor-Leste desde a sua independência; João Paulo II passou por Díli, a 12 de outubro de 1989, durante a ocupação indonésia.
Após o encontro de março, D. Basílio do Nascimento revelou que convidou Francisco a visitar o país em 2015, ano da comemoração dos 500 anos da chegada dos portugueses a Timor-Leste.
O Papa vai visitar a Coreia do Sul em agosto e, em janeiro do próximo ano, fará nova viagem à Ásia, com passagens previstas pelas Filipinas e o Sri Lanka.
“A Igreja na Ásia é uma promessa”, disse Francisco, numa entrevista ao jornal italiano ‘Il Messagero’, publicada este domingo.
HM/OC

Professores brasileiros se sentem desvalorizados

  domtotal.com

Quase 90% dos professores brasileiros acreditam que a profissão não é valorizada na sociedade. Mesmo assim, a maioria está satisfeita com o emprego. O resultado foi apresentado semana passada pela Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que ouviu 100 mil professores e diretores escolares em 34 países.

De acordo com o levantamento, somente 12,6% dos professores brasileiros consideram-se valorizados. A proporção está abaixo da média internacional, de 30,9%. No entanto, 87% dos professores brasileiros consideram-se realizados no emprego, próximo da média global de 91,1%.

Apesar de não se sentirem valorizados, os professores brasileiros estão entre os que mais trabalham, com 25 horas de ensino por semana, seis horas a mais do que a média internacional. Em relação ao tempo em sala de aula, os professores brasileiros ficam atrás apenas da província de Alberta, no Canadá, com 26,4 horas trabalhadas por semana, e do Chile, com 26,7 horas.

Mesmo trabalhando mais que a média, os professores brasileiros gastam mais tempo para manter a ordem em sala de aula. Segundo o levantamento, 20% do tempo em sala é usado para controlar o comportamento dos alunos, contra 13% na média internacional.

Todos os entrevistados na pesquisa dão aula para a faixa etária de 11 a 16 anos. A publicação também mostra que nos países em que os professores se sentem valorizados, os resultados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) tendem a ser melhores.

Quanto à formação, mais de 90% dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental concluíram o ensino superior, mas cerca de 25% não fizeram curso de formação de professores. Segundo a falta de especialização reflete-se no ensino. Professores com conhecimento de pedagogia e de práticas das disciplinas que lecionam relataram se sentir mais preparados do que aqueles cuja educação formal não continha esses elementos.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os dados serão incorporados aos dados do Censo Escolar e das avaliações nacionais, para que se possam criar descrições ainda mais detalhadas da situação educacional brasileira.
Agência Brasil

Sínodo sobre a família reflete sobre a realidade

 domtotal.com

Texto-base para o trabalho dos padres sinodais representa fotografia das vivências dos fiéis.
Por Andrea Tornielli

Depois de ler o "instrumentum laboris", o texto que servirá de base para o trabalho do próximo Sínodo sobre a Família, a impressão mais forte que se tem é que não tem a ver com este ou aquele detalhe, com este ou aquele aspecto, com este ou aquele problema (como os sacramentos para os divorciados que contraíram novas núpciasou a atitude que é preciso ter e, relação às uniões entre pessoas do mesmo sexo). É, antes de mais nada, uma visão de conjunto. Desta vez, o texto-base para o trabalho dos padres sinodais representa uma fotografia real das vivências dos fiéis, assim como da percepção que os fiéis têm das mudanças que suas respectivas sociedades sofreram em relação a temas relacionados com a sexualidade, o casamento e a vida familiar.

Tranquilizando a todos os que se preocupavam e temiam que com o questionário de 39 perguntas os ensinamentos da Igreja fossem submetidos a uma espécie de plebiscito, o documento apresenta-se muito equilibrado em suas três partes. Destaca-se, por exemplo, a dificuldade na hora de apresentar a lei natural e seus fundamentos, posto que a expressão “lei natural” é “problemática” ou “inclusive incompreensível”. Também é evidente que o que estabelece a lei civil, em muitos contextos, converte-se cada vez mais na mentalidade dominante e inclusive “moralmente aceitável”. A grande questão do sínodo será, pois, refletir sobre a forma de anunciar o Evangelho e os ensinamentos da Igreja nestes novos contextos.

É interessante a insistência sobre o risco de esquecer que “a família é a ‘célula fundamental da sociedade, o lugar onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer a outros’”. Daí a necessidade de propor “uma visão aberta de família, fonte de capital social, ou seja, de virtudes essenciais para a vida comum”. Também se destaca o “ponto chave” para a promoção da família, ou seja, o testemunho da beleza e da alegria “que dá acolher o anúncio evangélico no matrimônio e na vida familiar”. Atitude que evidentemente contrasta tanto com as atitudes daqueles que passam seus dias condenando, lançando anátemas e fazendo exames de consciência de todo o mundo, assim como com o laxismo daqueles que acabam achando que tudo é lícito.

O documento assinala a “percepção equivocada e moralista” daqueles que consideram “o ideal da família” como uma “meta inatingível e frustrante, em vez de ser considerado como uma indicação de um caminho possível, por meio do qual aprender a viver a própria vocação e missão”.

Também é muito interessante a análise do documento sobre as “situações críticas”: a violência e o abuso, as “dependências dos meios de comunicação e das redes sociais” que monopolizam o tempo das relações familiares, as pressões exercidas pelos horários e pelos ritmos de trabalho, os fenômenos migratórios, a pobreza, o consumismo e a mentalidade do “filho a qualquer custo”. É significativo que se cite a “perda de credibilidade moral” da Igreja na percepção dos habitantes da América do Norte e do norte da Europa devido aos escândalos sexuais e, particularmente, à pederastia clerical.

Um dos grandes problemas é acolher e acompanhar as pessoas que vivem em situações familiares difíceis ou irregulares. O terceiro capítulo, dedicado às “situações pastorais difíceis”, ocupa-se dos temas das “situações matrimoniais difíceis”. “A verdadeira urgência pastoral – lê-se no Instrumentum laboris – é permitir a estas pessoas que curem suas feridas, voltem a ser pessoas saudáveis e retomem o caminho junto com toda a comunidade eclesial. A misericórdia de Deus não provê uma cobertura temporal do nosso mal; pelo contrário, abre radicalmente a vida à reconciliação, dando-lhe nova confiança e serenidade, mediante uma autêntica renovação”. A pastoral familiar, neste âmbito, deve evitar o risco de “fechar-se numa perspectiva legalista”.

Quanto às convivências, o documento indica, entre as razões que levam os jovens a viver juntos sem se casar, “políticas familiares inadequadas para sustentar a família; problemas financeiros; o desemprego juvenil; a falta de moradia”. Além disso, o documento indica que é fundamental ajudar os jovens a sair de uma “visão romântica de amor, percebido apenas como um sentimento intenso para o outro, e não como uma resposta pessoal a outra pessoa, no âmbito de um projeto de vida comum, no qual se abre um grande mistério e uma grande promessa”.

Quanto às situações de “irregularidade canônica”, o Instrumentum laboris reconhece que é bastante “alto o número daqueles que consideram sem preocupação sua situação irregular” e, portanto, não pedem para serem admitidos à eucaristia nem à reconciliação. Mas também há um sofrimento profundo por parte de “muitos” que se sentem marginalizados e frustrados por não poder fazer a comunhão devido a uma situação familiar particular. É preciso notar que foram as Conferências Episcopais que pediram para exercer “uma misericórdia, clemência e indulgência mais amplas em relação às novas uniões”. É preciso acompanhar as pessoas, os casais, “com compreensão e paciência”, explicando que “o fato de não poderem aceder aos sacramentos não significa que são excluídos da vida cristã e da relação com Deus”.

Também é significativa a alusão à tendência, que parece prevalecer na Europa e em alguns países da América Latina, de resolver as questões encomendando-se a algum sacerdote condescendente. O autor destas linhas pôde constatar, entre “casais irregulares” segundo a doutrina canônica e entre sacerdotes ou bispos, quão frequentes são estas soluções “ad personam”, inclusive entre quem se apresenta como inflexível, mas depois está disposto a fazer notáveis exceções no confessionário. Mostra-se fundamental, com respeito aos divorciados recasados, a necessidade de agilizar os processos para chegar à nulidade matrimonial, seguindo a linha indicada por Bento XVI, mas sem alimentar a ideia de que existe um “divórcio à moda católica”.

A este respeito, todos concordam com o fato de que a preparação catequética para o matrimônio é substancialmente inadequada para o objetivo. A falta de uma fé vivida coloca em dúvida a validade de muitos casamentos.

Também é particularmente significativo o enfoque sobre o delicado tema das uniões entre pessoas do mesmo sexo e as leis que as reconhecem. O documento para o sínodo explica que as duas atitudes contrárias (a mais intransigente e a condescendente) não ajudam no desenvolvimento de uma “pastoral eficaz”. É preciso distinguir, lê-se no texto, entre as pessoas que “fizeram uma escolha pessoal, muitas vezes sofrida, e que vivem com delicadeza para não dar escândalo a outros”, e as pessoas que têm “um comportamento de promoção e publicidade ativa, habitualmente agressivo”. Assinala-se a necessidade de “não identificar uma pessoa com expressões como ‘gay’, ‘lésbica’ ou ‘homossexual’”. O documento faz notar que não existe “um consenso” na Igreja sobre como acolher concretamente as pessoas que vivem uniões com outras pessoas do mesmo sexo. Também há um parágrafo dedicado à acolhida das crianças de casais do mesmo sexo, que não devem sofrer nenhuma discriminação no âmbito do batismo nem na preparação à iniciação cristã, embora seja “unânime” o consenso diante da negação para a adoção por parte destes casais.

Para concluir, é preciso notar, na parte dedicada à recepção e à atualidade da Encíclica Humanae Vitae, que é muito difundida entre os fiéis a percepção de que o aborto é um “pecado grave”, mas também a percepção de que a regulação da natalidade mediante a utilização de anticoncepcionais não é pecado.

Trata-se, pois, de um documento no qual aparece claramente a marca do novo Pontificado e que, talvez, pela primeira vez, oferece uma síntese da situação real das vivências nas paróquias dos cinco continentes, fruto de um trabalho capilar e colegial. Uma fotografia da realidade, inclusive da realidade do fracasso ou da objetiva dificuldade na hora de transmitir o anúncio da fé e seus conteúdos, muito útil para o trabalho dos padres sinodais. Ninguém pode antecipar o que acontecerá em outubro, quando os membros do próximo sínodo se reunirem no Vaticano. Encontramo-nos no começo de uma “profunda reflexão” sobre a família, que terminará somente em outubro de 2015, com o segundo sínodo dedicado a este tema.
Vatican Insider, 26-06-2014.
*Tradução de André Langer.

A Igreja como aquela que serve

Não há uma Igreja sem as pessoas que se reúnem, pois Igreja já significa convocação.

Por Luiz Carlos de Oliveira*

A Igreja já tem dois milênios de experiência de acertos e erros. Nesses longos séculos viveu épocas diferentes: Império Romano, mundo dos novos povos que são chamados bárbaros. Percorreu a Idade Média, longa o suficiente para que estes povos se estabelecessem e se formassem. Era uma Igreja dirigida por pessoas destes povos. Passou por uma longa Idade Média que gestou o mundo moderno. Foi invadida pelas belezas e problemas da Renascença. Houve o domínio da política sobre as estruturas da Igreja. Era um reino político e ao mesmo tempo Igreja de Cristo. As conseqüências foram grandes. O poder penetrou muitas esferas e muita gente o usou e o justificou. Esse assunto é muito amplo e necessita de muito conhecimento. Não basta só jogar pedras no passado, pois cada tempo tem sua maneira de pensar e deve ser entendido em seu contexto histórico. Não interessa somente acusar, mas ver os caminhos para transformamos a força do poder em um poder de servir.
O que podemos notar na Igreja é a grande quantidade de santos que souberam usar o poder para servir a Deus no anúncio do Evangelho e servir ao povo na sua dedicação. Quem seguiu Jesus foi desapegado dos bens materiais e cuidou dos necessitados, estando sempre a serviço de todos. Mesmo vivendo nos palácios, souberam viver a santidade do poder que é a capacidade de servir. Sem muita santidade torna-se impossível ter o poder sadio. Jesus disse: “Quem entre vós é o maior, torne-se como o último; e o que governa seja como o servo... Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve (Lc 22,26-27). Jesus soube ter poder. Temos as fragilidades e os pecados de cada tempo. Se estivéssemos lá não faríamos diferente. O pior é dar justificativas evangélicas ao que não tem a ver com o Evangelho de Jesus.
Como sabemos, a Igreja está sempre em conversão, por isso tem sempre que renovar estruturas humanas para viver melhor o Evangelho. Muitos reformadores quiseram renovar a Igreja, mas separando-se dela. A doença se cura no doente e não criando a desunião que é uma doença a mais. Entre os males dos tempos que grudaram no corpo dos seguidores de Jesus, está o modo como conduzir o povo de Deus. Moisés dirigia um grande povo pelo deserto. Era um povo de cabeça dura, como diz a Escritura (Ex 9,32). Ele, contudo era uma pessoa “muito humilde, mais que qualquer pessoa deste mundo” (Nm 12,3). Moisés nos mostra um caminho. Jesus tem o mesmo perfil: humildade e simplicidade. Que ganhamos com poder, autoritarismo e prepotência? Muitos se afastam por culpa deste modo de agir. Não estamos mais que deixando nos levar por nossos males pessoais e pelo mal que nos envolve. Será que o Evangelho não é suficiente para governar o povo de Deus? Se buscarmos este caminho poderemos fazer um anúncio puro do Evangelho.
Quando dizemos Igreja, no caso a católica, dizemos comunidades que formam a Igreja. Não há uma Igreja sem as pessoas que se reúnem, pois Igreja já significa convocação. Ela se faz de pessoas concretas que são as células que compõe esse Corpo. É nela que acontece a vida e se leva adiante a evangelização. É na base que se faz a renovação permanente da Igreja. O povo de Deus é sempre chamado a se organizar de modo a expressar o Evangelho. O mandamento do amor tem conseqüências práticas e penetram o modo de agir. É na base que se cria o mundo novo. Sempre dizemos que os outros devem mudar. Mudemos a nós próprios que todos serão renovados.
A12, 29-06-2014.
*Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R., é padre e missionário redentorista.

'Não é preciso temer pela saúde do papa'

 domtotal.com

Por Maria Antonietta Calabrò

Nenhum alerta pela saúde do papa, que na tarde dessa sexta-feira (27) cancelou de surpresa a sua visita ao Policlínico Gemelli. Os compromissos de Francisco agendados para esse fim de semana "estão confirmados" e "não há motivo de preocupação", destacou o padre Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa vaticana.
 
No Vaticano, asseguraram que se trata apenas de uma "indisposição", devida aos muitos compromissos e à agenda "densa", enquanto a sua equipe deixou vazar que Bergoglio estaria "muito cansado" e com uma forte dor de cabeça.
 
Nada de alerta, mas muita decepção por parte dos fiéis, dos doentes, dos seus familiares e dos estudantes do Policlínico Universitário, do pessoal (dos dirigentes aos empregados mais humildes) e das autoridades (ao todo, cerca de 5.000 pessoas), que já estavam esperando Francisco na praça em frente à entrada principal, onde também já havia sido posicionado o "papamóvel" que o levaria à área dos Institutos de Biologia para celebrar a missa. Até mesmo a equipe do papa já estava no local, começando pelo cerimoniário papal, Mons. Guido Marini, até mesmo ele surpreendido com a ausência.
 
A missa, depois, foi celebrada pelo cardeal Angelo Scola, como presidente do Instituto Toniolo, entidade fundadora da Universidade Católica, que leu a homilia que o papa deveria pronunciar.
 
Enquanto isso, no Vaticano, avisam que a visita ao Gemelli (que é considerado um hospital do papa propriamente dito, desde que São João Paulo II ficou internado nele várias vezes, começando pelo dia do atentado de 1981) foi apenas "adiada e não cancelada".
 
Já é a terceira vez neste mês que o Papa Francisco postergou compromissos públicos: por duas vezes, audiências já programadas - como a com os membros do Conselho Superior da Magistratura italiana. E, na semana passada, o pontífice não se sentiu disposto a percorrer a pé a procissão de Corpus Christi de São João a Santa Maria Maior, depois de ter celebrado uma missa que durou duas horas. Isso para não desperdiçar energias demais às vésperas da exigente viagem de 12 horas a Cassano allo Jonio, na Calábria, onde ele não renunciou, mesmo sob o sol, do contato direto com as pessoas e com os doentes.
 
"Mesmo antes da viagem para a Terra Santa, o papa tomou sozinho a decisão de não ir em peregrinação, como era previsto, ao Santuário do Divino Amor", explicaram no Vaticano. E, "desta vez também, o Santo Padre decidiu sozinho não ir". Além disso, acrescentam, "com a vida que ele leva, intensa e cheia de compromissos, é normal um afadigamento".
 
Em julho, também foram canceladas todas as audiências gerais das quartas-feiras na Praça de São Pedro, e a missa da manhã em Santa Marta também ocorrerá sem a presença de pessoas de fora. Além das indisposições, a ausência do papa também se deveu a "compromissos improrrogáveis". Ninguém poderá esquecer a cadeira vazia na Sala Paulo VI no dia 22 de junho do ano passado. Estava programado o concerto de Beethoven organizado por ocasião do Ano da Fé.
 
Mesmo que o papa não consiga, por alguma doença, participar de eventos públicos exigentes, isso não significa que ele não continua trabalhando com os seus colaboradores mais próximos e nos dossiês mais importante para o cuidado da Igreja, especialmente a poucos dias do início de um novo e desafiador Conselho dos oito cardeais que foram escolhidos por Francisco, de todas as partes do mundo, para ajudá-lo no governo da Igreja universal. Cardeais que, entre os dias 1º e 4 de julho, vão se reunir em Roma para continuar a obra de renovação das estruturas administrativas e financeiras da Santa Sé.
 
Os encontros do C8 são sempre muito laboriosos, e a sobrecarga de trabalho naturalmente aumenta a possibilidade de uma indisposição em um homem que completará 78 anos em dezembro. Também por ocasião dos dois C8 anteriores, o papa teve que cancelar dois compromissos: no dia 4 de dezembro de 2013, Francisco tinha cancelado a audiência com os representantes da Expo Milano, acompanhados pelo cardeal Scola, que queriam convidá-lo para o evento, e, no dia 28 de fevereiro, ele cancelou uma visita ao Seminário Romano, por causa de uma alteração febril.
Corriere della Sera, 28-06-2014.
Tradução é de Moisés Sbardelotto.

Papa fala de 'decadência moral' da humanidade

  domtotal.com

Em entrevista, Francisco rejeita o rótulo de marxista e retoma preocupação com o aumento do desemprego.


Roma  – O papa concedeu entrevista ao jornal italiano 'Il Messaggero', publicada nesse domingo, na qual afirma que a atual crise é sinal de uma "decadência moral" e reafirma a prioridade aos pobres. "Estamos vivendo não tanto uma época de mudanças, mas uma mudança de época: trata-se, portanto, de uma mudança de cultura", referiu Francisco, para quem esta transformação "alimenta a decadência moral, não só na política mas também na vida financeira ou social".

O papa rejeita, como em ocasiões anteriores, o rótulo de "marxista", afirmando mesmo que "a bandeira dos pobres é cristã" e que os comunistas a "roubaram". “O que eu digo é que os comunistas nos roubaram a bandeira. A bandeira dos pobres é cristã. A pobreza está no centro do Evangelho. A pobreza no centro do Evangelho”, afirma Francisco. “Podemos ver também as bem-aventuranças, outra bandeira. Os comunistas dizem que tudo isso é comunismo. Pois, está bem, só que chegam 20 séculos depois”, prossegue.


O papa retoma as suas preocupações com as consequências do desemprego, frisando que quem perde o seu trabalho “tem de lidar com outra pobreza, já não tem dignidade”. “Até pode ir à Cáritas e levar para casa um saco de bens alimentares, mas sente uma pobreza gravíssima que lhe destrói o coração”, precisou. 

Na entrevista, publicada na solenidade de São Pedro e de São Paulo, os padroeiros da Igreja de Roma, Francisco é questionado sobre o seu discurso em relação às mulheres e o seu papel na comunidade católica. “A mulher é a coisa mais bela que Deus fez”, começa por afirmar o papa, realçando que “se deve trabalhar mais sobre a Teologia da mulher” e falar mais neste tema.

O papa pede uma Igreja capaz de “sair à rua” e ir em busca das pessoas, “entrar nas casas, visitar as famílias, andar nas periferias”, não ser “apenas uma Igreja que recebe, mas que oferece”.

A menos de dois meses antes da viagem à Coreia e olhando já a visita ao Sri Lanka e Filipinas, em janeiro de 2015, Francisco afirma que “a Igreja na Ásia é uma promessa” e assume que a China representa “um grande desafio cultural, enorme”. Questionado sobre a direção que está tomando a “Igreja de Bergoglio”, o papa argentino responde: “Graças a Deus, não tenho nenhuma Igreja, sigo Cristo, não fundei nada”.

Francisco admite que mantém o "estilo" que tinha em Buenos Aires e declara mesmo que seria "ridículo" mudar, com a sua idade. Em relação ao programa do pontificado, o papa recorda que muitas decisões tinham sido pedidas pelas reuniões de cardeais que antecederam o Conclave de março de 2013, em que foi eleito, como por exemplo a criação de um conselho para o aconselhar na reforma da Cúria Romana. "As minhas decisões são fruto das reuniões pré-conclave, não fiz nada sozinho", conclui.
SIR

Imigrantes morrem enquanto viajavam de barco perto da Itália

Vítimas estavam amontoadas em uma parte estreita da embarcação.

Navio de guerra italiano faz escolta do barco até o porto de Pozzallo.

Da EFE
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Imigrantes são resgatados de barco que levava cerca de 600 pessoas na costa da Itália. Cerca de 30 morreram asfixiados (Foto: Marinha da Itália/AP)Imigrantes são resgatados de barco que levava cerca de 600 pessoas na costa da Itália. Cerca de 30 morreram asfixiados (Foto: Marinha da Itália/AP)
Cerca de 30 imigrantes morreram aparentemente asfixiados em um barco resgatado pela Marinha italiana neste domingo (29) no canal da Sicília no qual viajavam mais de 600 pessoas procedentes do norte da África, informou a imprensa local.
Aparentemente as pessoas que morreram, entre 27 e 30 anos de idade, estavam amontoados em uma parte estreita da embarcação, que agora é escoltada por uma embarcação de guerra italiana até o porto de Pozzallo, aonde se espera que chegue a manhã deste segunda-feira (30).
Entre os resgatados há duas mulheres grávidas, segundo a agência "Ansa" e o jornal "La Repubblica".
Desde sexta-feira passada, e excetuando esta última intervenção, as embarcações da Marinha militar e da Guarda Litorânea da Itália socorreram sete barcos e salvou 1.654 pessoas que iam a bordo procedentes do litoral africano, segundo as fontes.
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O Papa Francisco recebe o rei Relipe VI e a rainha Letizia da Espanha nesta segunda-feira (30

Francisco recebeu o rei e a rainha da espanha nesta segunda (30).

Felipe VI contou ao Papa como foi a transição na coroa espanhola.

Da EFE
O Papa Francisco recebeu nesta segunda-feira os reis da Espanha com uma recepção cordial, na qual não faltaram as brincadeiras, e Felipe VI se despediu do pontífice "com a esperança de vê-lo na Espanha", após contar que a substituição na coroa foi "muito intensa", mas que viveu o processo "tranquilo".
Antes de entrar na biblioteca particular do papa para a reunião, que durou cerca de 40 minutos, Dom Felipe se dirigiu ao papa para perguntar, sorrindo, "Os coroinhas antes?", em alusão à recente visita ao Vaticano dos reis Juan Carlos e Sofia, quando o pontífice, com a mesma expressão, disse para passarem antes dele.
"Ah é, seu pai contou?", respondeu, sorrindo, o papa, antes de ceder a passagem a Felipe VI e à rainha Letizia.
O Papa Francisco recebe o rei Relipe VI e a rainha Letizia da Espanha nesta segunda-feira (30) no Vaticano (Foto: Alessandro Bianchi/Reuters)O Papa Francisco recebe o rei Relipe VI e a rainha Letizia da Espanha nesta segunda-feira (30) no Vaticano (Foto: Alessandro Bianchi/Reuters)