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Livro «Colocar-se em jogo. Pensamentos sobre o desporto» do Papa Francisco

Cidade do Vaticano, 29 ago 2020 (Ecclesia) – O livro ‘Colocar-se em jogo’, publicado pela ‘Libreria Editrice Vaticana’, com reflexões do Papa Francisco, de discursos a atletas, vai ser apresentado às 11h30 (menos uma hora em Lisboa), de 7 de setembro, no estádio ‘Nando Martellini’, em Roma.
O sítio online ‘Vatican News’ que a nova publicação reúne pensamentos do Papa Francisco dos seus discursos “mais significativos” a atletas e as citações selecionadas por Lucio Coco “são a base para um treino espiritual e uma verdadeira bússola para todos os que querem se orientar na busca das motivações mais autênticas de sua própria paixão”.
O prefácio de ‘Colocar-se em jogo. Pensamentos sobre o desporto’ é da autoria do futebolista italiano Francesco Totti, que jogou no A.S. Roma e na seleção italiana, da campeã de maratona queniana Tegla Loroupe, responsável pela equipa de refugiados do Comité Olímpico Internacional, e o campeão paraolímpico italiano Alex Zanardi, que enviou antes do seu grave acidente a 19 de junho.
Na apresentação do novo livro , com os atletas, vão estar o presidente do Comité Olímpico Nacional Italiano, Giovanni Malagò, o presidente do Comité Paraolímpico Italiano, Luca Pancalli, e o subsecretário do Conselho Pontifício da Cultura, monsenhor Melchor Sánchez de Toca, que foi o chefe da delegação da Santa Sé aos Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeongchang, na Coreia do Sul, em 2018, que se realizaram na Coreia do Sul, entre outros protagonistas do desporto.
O encontro que vai ser moderado pelo vice-diretor editorial do Dicastério para a Comunicação, Alessandro Gisotti, começa às 11h30 (menos uma hora em Lisboa) de 7 de setembro, às 11h30, no estádio ‘Nando Martellini’, em Roma, entre a das Termas de Caracalla e a da sede da FAO, informa o ‘Vatican News’.
O Vaticano publicou o documento inédito ‘Dar o melhor de si’ sobre o desporto, numa reflexão que alerta para questões como a corrupção, doping, apostas e a falta de respeito pelos limites físicos dos atletas, no dia 1 de junho de 2018.
Da responsabilidade do Dicastério para os Leigos, Família e Vida (Santa Sé), ao longo de cinco capítulos abordam-se a evolução do desporto na história, a relação da Igreja Católica com esta realidade ou uma análise “antropológica” do fenómeno.
CB

Texto inédito do Papa é publicado no livro "Diferentes e unidos: Com_unico, logo existo"

O livro foi publicado por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais. O prefácio é do arcebispo de Cantuária, Justin Welby

Da Redação, com Vatican News
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“Diferentes e unidos: Com_unico, logo existo” este é o título do livro publicado pela Livraria e Editora Vaticana – Dicastério para a Comunicação da Santa Sé. Trata-se de um volume que reúne textos e discursos do Santo Padre, acompanhados por um seu escrito inédito, sobre comunicação e relações humanas. O prefácio do livro é de Justin Welby, Arcebispo de Cantuária, primaz de toda a Inglaterra e líder mundial da Comunhão Anglicana.
O livro faz parte de “intercâmbios de dons”, uma coleção da editora, caracterizada pela sua vocação ecumênica, que reúne textos e discursos do Santo Padre, acompanhados por um seu escrito inédito. A introdução, geralmente, é assinada por um representante dos irmãos e irmãs das Igrejas e Comunidades eclesiais separadas, com as quais se caminha rumo ao restabelecimento da plena comunhão.
O volume “Diferentes e unidos” contém as reflexões do Santo Padre sobre as relações humanas: relações entre as pessoas criadas à imagem de Deus. “Estas relações humanas são as mais bonitas e frutíferas” – diz o Arcebispo Welby no prefácio – “que fundam suas raízes no amor de Deus por nós”.

Texto inédito do Papa

“Com o olhar de Jesus”: eis o título do texto inédito do Papa Francisco, que parte da sua reflexão sobre a história do “jovem rico”, que pergunta a Jesus: “Mestre, o que se deve fazer para obter a vida eterna”. Então, Jesus dirigiu-lhe seu olhar com amor, porque a fé cristã se baseia na simples afirmação: “Jesus tem natureza divina e Deus é amor”.
Sem este “olhar amoroso” – diz Francisco – “a comunicação humana, o diálogo entre as pessoas, pode facilmente tornar-se apenas um duelo dialético”. À base de toda forma de comunicação e relação humana está a disposição de ouvir o outro e, sobre este tema, diz: “Temos que aprender muito com a lição do Santo cardeal John Henry Newman.
A sua reflexão concentra-se, de modo particular, sobre a dimensão da imaginação e da “disposição” do coração, que desempenha um papel mais importante que o da razão, para que o homem possa, realmente, ser tocado pela experiência da fé”. Neste sentido, a oração é imprescindível para purificar o coração.

Identidade e liberdade podem conviver

Por isso, diz o Pontífice, identidade e alteridade existem e podem conviver em um contexto de coragem, liberdade e oração. A alteridade é vital para a identidade. Minha identidade é um ponto de partida, mas, sem a alteridade, enfraquece.
Eis o ponto crucial: mobilizamo-nos, mais uma vez, no coração do cristianismo: “Jesus fixou seu olhar no jovem e o amou, como pessoa, como dom. Mas diante do seu convite: “Vai e vende tudo e o dê aos pobres… depois, vem e segue-me”, o jovem, entristecido, foi embora, porque tinha muitos bens e, portanto, não era uma pessoa livre. Sem liberdade não há verdade.
O Santo Padre concluiu seu texto inédito, dizendo: “Jesus fixou seu olhar no jovem e, hoje, também em nós, na nossa vida. Assim, ele entra em relação com os homens e se comunica com eles. O olhar de Jesus é um olhar de amor gratuito e generoso, até à total doação de si.

Dicastério para a Comunicação publica livro para ajudar nestes tempos de tribulação

Este livro pretende ser uma pequena ajuda oferecida a todos, para poder ver e experimentar na dor, no sofrimento, na solidão e no medo a proximidade e a ternura de Deus.
 
Silvonei José - Cidade do Vaticano
O Dicastério para a Comunicação da Santa Sé lançou junto com a LEV, Livraria Editora Vaticana o livro “Fortes na tribulação. A comunhão da Igreja ajuda em tempos de provação”, que pretende "ser um pequeno auxilio oferecido a todos, para poder ver e experimentar na dor, no sofrimento, na solidão e no medo a proximidade e a ternura de Deus".
Ouça e compartilhe
O grave momento no qual muitos países do mundo mergulharam - escreve no prefácio o diretor Editorial do Dicastério, Andrea Tornielli -, devido à rápida propagação da Covid-19, coloca-nos todos à prova. Infelizmente, sabemos que esta crise não vai ser resolvida rapidamente e que a pandemia está a alastrar-se. Estamos perante uma situação que até há algumas semanas parecia inimaginável, como o cenário de um filme de ficção científica. Tudo mudou de repente, e o que anteriormente tínhamos por certo parece vacilar: a forma como nos relacionamos com os outros no trabalho, a gestão dos afetos, o estudo, a distração, a oração e a possibilidade de participar na missa... Contudo, o mais grave é que esta epidemia - como qualquer outra - não é apenas uma ameaça aos hábitos consolidados, mas é sobretudo a causa de tanta morte, dor e sofrimento. Milhares de pessoas ficaram gravemente doentes, faleceram. Muitas famílias choram os seus entes queridos, dos quais não puderam estar próximas, aos quais não puderam dizer adeus e que foram cremados sem a celebração de um funeral. Característica da morte na época da Covid-19 é precisamente a solidão, a impossibilidade de ter ao nosso lado os entes queridos, a impossibilidade de receber os sacramentos, de se confessar, de ser acompanhado até ao último suspiro por uma voz amiga a não ser a dos médicos ou enfermeiros que trabalham nas unidades hospitalares até ao extremo das suas forças.  Precisamente a eles transmitimos a nossa gratidão, porque lutam todos os dias na linha da frente pela vida das pessoas.
Igualmente, devem 4 ser recordados os responsáveis pela segurança pública, as pessoas que trabalham nas atividades estratégicas da coletividade, os muitos voluntários que continuam a ajudar os mais necessitados, os idosos sozinhos, os pobres. Também devem ser recordados os numerosos sacerdotes, religiosos e religiosas que partilham o sofrimento do seu povo: muitos sacrificaram a própria vida. Para tantos crentes, a impossibilidade de participar na liturgia e nos sacramentos agrava a situação de perplexidade, desânimo e abatimento, embora a Igreja nos exorte a renovar a nossa fé em Cristo Ressuscitado, que venceu a morte e a tornou um lugar de encontro seguro com o rosto bondoso do Pai.
No entanto, é útil recordar - continua Tornielli - que esta não é certamente a primeira vez que a humanidade, e os cristãos, se devem confrontar com acontecimentos deste tipo. A fé cristã, vivida diariamente nos seus elementos essenciais, gera um olhar sobre a realidade, a possibilidade de ver nela a mão de um Deus que é Pai bondoso e que nos amou de tal modo que sacrificou o seu Filho por nós. Assim a Igreja conserva no tesouro da sua tradição viva, um tesouro de sabedoria, de esperança, de oportunidade para continuar a experimentar - na solidão e às vezes até no isolamento - que deveras somos “um só” graças à ação do Espírito Santo.
O texto está dividido em três partes. Na primeira encontramos orações, ritos, súplicas para os momentos difíceis. São textos que provêm de diversos contextos eclesiais, pertencentes a diferentes épocas históricas e, por isso, podem ser mais uma fonte de partilha em nível da Igreja universal. Há orações pelos doentes, pela libertação do mal, para se abandonar com confiança à ação do Espírito Santo. Depois há uma segunda parte, que reúne as indicações da Igreja para continuar a viver e a acolher a graça do Senhor, o dom do perdão e da Eucaristia, a força das celebrações pascais, ainda que não possamos participar fisicamente dos sacramentos. Por fim a terceira parte, que reúne as palavras que o Papa Francisco pronunciou a partir de 9 de março passado para ajudar toda a comunidade eclesial neste tempo de provação: são sobretudo as homilias diárias da Missa em Santa Marta e os textos do Angelus dominical.
Ouvir a sua palavra ajuda-nos a refletir e esperar, faz-nos sentir em comunhão com Pedro e unidos a ele. Este livro, que o Dicastério para a Comunicação da Santa Sé decidiu preparar pondo-o à disposição de todos, tem uma característica fundamental: é constantemente atualizado à luz dos novos pronunciamentos do Papa e da “redescoberta” de outros tesouros da nossa tradição eclesial.
Portanto, o livro será publicado no site da Livraria Editora Vaticana em PDF e poderá ser baixado gratuitamente. No entanto, será atualizado várias vezes por semana, e estará novamente disponível para download na versão atualizada, com o acréscimo dos novos textos.
Na capa há uma imagem do Arcanjo Miguel, que protege a Igreja contra o mal e nos ampara nesta difícil provação, a fim de que este mal não prejudique a nossa confiança no Pai e a solidariedade entre nós, mas que se torne uma ocasião para olharmos para o que é deveras essencial nas nossas vidas e para partilharmos o amor acolhido por Deus entre todos nós e, especialmente, com aqueles que hoje mais precisam dele. 

Eis o link para baixar o libro:

Papa liga para arcebispo de São Paulo manifestando grande preocupação sobre a gravidade da pandemia na cidade

Por Gerson Camarotti
Comentarista político da GloboNews, do Bom Dia Brasil, na TV Globo, e da CBN. É colunista do G1 desde 2012
No telefonema ao cardeal, o pontífice também expressou sua proximidade e solidariedade para com toda a população de São Paulo e 'disse que estava orando por nós'.
09/05/2020 13h38  Atualizado há 32 minutos
Papa Francisco na Basílica de São Pedro no domingo de Páscoa; pontífice ligou para o arcebispo de São Paulo para saber qual é a situação da pandemia — Foto:  Andreas Solaro / Reuters
Papa Francisco na Basílica de São Pedro no domingo de Páscoa; pontífice ligou para o arcebispo de São Paulo para saber qual é a situação da pandemia — Foto: Andreas Solaro / Reuters

Preocupado com o agravamento da situação da pandemia de coronavirus em São Paulo, o Papa Francisco ligou por volta das 11h40 da manhã deste sábado (9) para o arcebispo de São Paulo, o cardeal Dom Odilo Scherer.

Em ligação ao arcebispo, Papa Francisco manifesta preocupação com a situação de Manaus diante da pandemia de Covid-19
Segundo relato escrito pelo cardeal a integrantes da diocese, o papa “perguntou como estamos em São Paulo, pois teve informações sobre a situação grave da pandemia" na capital.

“Ele manifestou grande preocupação pelo número crescente de doentes e pelas perdas de vidas humanas, prometendo rezar por todos.”

Segundo Dom Odilo, o papa também quis saber como estão os pobres, e expressou sua preocupação pela situação deles, sabendo que nem sempre eles têm casa nem condições adequadas para seguir medidas preventivas contra o contágio.

No telefonema ao cardeal, o pontífice também expressou sua proximidade e solidariedade para com toda a população de São Paulo e “disse que estava orando por nós”.

Ele também transmitiu uma bênção apostólica para os paulistanos.

Dom Odilo disse que agradeceu a ligação, e as palavras eram motivo de conforto e que teve a graça surpresa de receber, pelo celular, a ligação do papa Francisco.

Veja a íntegra do texto de Dom Odilo Scherer
Hoje, 9 de maio de 2020, às 11h40 da manhã, tive a grata surpresa de receber, pelo meu celular, uma ligação do Papa Francisco. Perguntou como estamos em São Paulo, pois teve informações sobre a situação grave da pandemia em São Paulo. Manifestou grande preocupação pelo número crescente de doentes e pelas perdas de vidas humanas, prometendo rezar por todos.

Também quis saber como estão os pobres e expressou sua preocupação pela situação deles, sabendo que nem sempre eles têm casa, nem condições adequadas para seguir as medidas preventivas contra o contágio. Expressou sua proximidade e solidariedade para com toda a população de São Paulo e disse que estava orando por nós.

Por fim, ele pediu para transmitir a todos a sua bênção apostólica e também se recomendou às nossas orações por ele.

Eu lhe agradeci e disse que sua ligação e suas palavras eram motivo de grande conforto para nós e que eu as transmitiria a todos, juntamente com sua bênção apostólica.

Papa convida a redescobrir oração

Francisco inicia novo ciclo semanal de catequeses
Foto: Vatican Media
Cidade do Vaticano, 06 mai 2020 (Ecclesia) – O Papa iniciou hoje um novo ciclo de catequeses semanais, convidando os católicos a redescobrir o valor da oração.
“Os tempos difíceis que vivemos são favoráveis a redescobrir a necessidade da oração na nossa vida. Abramos as nossas portas do nosso coração de par em par ao amor de Deus, nosso Pai, que saberá ouvir-nos”, disse, durante a audiência geral que foi transmitida online, desde a biblioteca do Palácio Apostólico do Vaticano.
A reflexão partiu do episódio da cura de um cego, Bartimeu, relatada nos Evangelhos, que chama a atenção de Jesus com os seus gritos.
“A fé é um grito, a falta de fé é sufocar esse grito. É como um ‘silêncio’. A fé é um protesto contra uma condição dolorosa da qual não entendemos o motivo; a falta de fé é aceitar viver uma situação à qual nos adaptamos”, referiu Francisco.
O Papa citou o Catecismo da Igreja Católica para realçar que “a humildade é o fundamento da oração”.
“Mais forte do que qualquer argumento contrário, no coração humano há uma voz que invoca. Uma voz que sai espontaneamente, sem que ninguém a comande, uma voz que questiona o significado do nosso caminho aqui em baixo, sobretudo quando nos encontramos na escuridão”, acrescentou.
Após a catequese, Francisco deixou saudações em várias línguas, incluindo o português: “Queridos amigos, a oração abre a porta da nossa vida a Deus e ajuda-nos a sair de nós mesmos, para ser solidários com os outros que vivem na provação”.
“Assim, sobretudo neste momento de pandemia, poderemos levar-lhes consolação, luz e esperança”, acrescentou.
O Papa associou-se à oração da “Súplica a Nossa Senhora do Rosário”, que vai decorrer esta sexta-feira no santuário italiano de Pompeia.
“Exorto todos a unir-se espiritualmente a este ato popular de fé e de devoção, para que, por intercessão da Virgem Santa, o Senhor conceda misericórdia e paz à Igreja e todo o mundo”, apelou.

Papa dedica livro às crianças

O livro “As crianças são esperança”, com mensagens do Papa Francisco, foi lançado hoje na Itália.
A obra, organizada pelo padre Antonio Spadaro, diretor da revista jesuíta ‘La Civiltà Cattolica’, apresenta-se como “um convite às crianças para fazer do mundo um lugar melhor””.
O portal de notícias do Vaticano informa, que, através de frases e desenhos, o livro procura trazer uma mensagem universal de “alegria, tolerância e paz”.
“Com uma linguagem simples e direta, o Papa convida os mais pequenos a serem generosos, a não ter medo de chorar e a fazer o bem na vida”, refere o ‘Vatican News’.
As mensagens são acompanhadas por ilustrações de Sheree Boyd, do jornal ‘The New York Times’ e a revista ‘American Baby’.
obra custa cerca de 10 euros e é definida pela editora como “um livrinho especial, com uma mensagem universal para tornar o mundo um lugar melhor”.
O padre Spadaro já tinha organizado o livro ‘Querido Papa Francisco’, em que o pontífice respondeu a 30 questões, numa troca de correspondência com crianças.
OC

Papa alerta para narrativas «falsas» e «devastadoras» na mensagem para o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Mensagem para o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais sublinha poder das boas histórias, em tempos de «confusão»
Foto: Lusa/EPA
Cidade do Vaticano, 24 jan 2020 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje para as narrativas “falsas” e “devastadoras” que marcam a comunicação atual, apelando a um maior espaço para “boas histórias”.
“Numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, atingindo níveis exponenciais (o ‘deepfake’), precisamos de sabedoria para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas”, escreve, na mensagem para o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada pelo Vaticano.
O texto tem como tema “‘Para que possas contar e fixar na memória’ (Ex 10, 2). A vida faz-se história”, centrando-se no papel central que a “narração” tem na história do ser humano.
Francisco alerta para as histórias que “narcotizam”, apelando ao consumo, inclusive de mentiras.
“Quase não nos damos conta de quão ávidos nos tornamos de bisbilhotices e intrigas, de quanta violência e falsidade consumimos”, adverte.
A mensagem papal lamenta que a comunicação gere, cada vez mais, “histórias devastadoras e provocatórias”, quando se “misturam informações não verificadas, repetem discursos banais e falsamente persuasivos”, levando a “proclamações de ódio”.
Precisamos de coragem para rejeitar as falsas e depravadas. É necessária paciência e discernimento para descobrirmos histórias que nos ajudem a não perder o fio, no meio das inúmeras feridas de hoje; histórias que tragam à luz a verdade daquilo que somos, mesmo na heroicidade oculta do dia a dia”.
O Papa convida a “respirar a verdade das histórias boas”, perante a crescente “confusão das vozes e mensagens”, na atualidade.

“Temos necessidade duma narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele o entrançado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros”, apela.
A mensagem considera que, perante Deus, “não existem histórias humanas insignificantes ou pequenas”.
“Cada história humana tem uma dignidade que não pode ser eliminada. Por isso, a humanidade merece narrações que estejam à sua altura, àquela altura vertiginosa e fascinante a que Jesus a elevou”, aponta o pontífice.
Ninguém é mero figurante no palco do mundo; a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança. Mesmo quando narramos o mal, podemos aprender a deixar o espaço à redenção; podemos reconhecer, no meio do mal, também o dinamismo do bem e dar-lhe espaço”.
A mensagem papal apresenta o ser humano como um “ente narrador”, que em toda a sua vida sente “fome de histórias”, em forma de “fábula, romance, filme, canção, ou simples notícia”.
“Não tecemos apenas roupa, mas também histórias: de facto, servimo-nos da capacidade humana de «tecer» quer para os tecidos, quer para os textos”, escreve.

Francisco indica que as pessoas têm “necessidade” de se narrar a si próprias, uma narração ameaçada constantemente pelo mal.
“Enquanto as histórias utilizadas para proveito próprio ou ao serviço do poder têm vida curta, uma história boa é capaz de transpor os confins do espaço e do tempo: à distância de séculos, permanece atual, porque alimenta a vida”, pode ler-se.
mensagem do Papa é tradicionalmente publicada por ocasião da festa litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, no dia 24 de janeiro.
OC

“João”, as reflexões do Papa sobre o Quarto Evangelho

Foi lançado um livro sobre as palavras do Papa Francisco durante seu pontificado sobre “O Evangelho do discípulo que viu e acreditou”. O texto é uma coedição das Edições São Paulo e Livraria Editora Vaticana.
Cidade do Vaticano
Foi lançado um livro que reúne as reflexões e meditações do Papa Francisco sobre o Quarto Evangelho. “João. O Evangelho do discípulo que viu e acreditou”. O texto é uma coedição das Edições São Paulo e Livraria Editora Vaticana. A obra foi organizada pelo sacerdote salesiano Gianfranco Venturi que explica: “O objetivo é ajudar os que, seja para o enriquecimento pessoal ou para a transmissão da Palavra de Deus, leem e meditam o Evangelho de João, deixando-se guiar pelo discípulo que acolheu o convite de Jesus: venham e vejam”, até se tornar “testemunha atenta e fiel”. Por isso, prossegue o sacerdote salesiano, “as páginas deste livro não representam uma leitura exegética sistemática do Evangelho de João, nem uma progressiva lectio divina de alguns trechos. São, sobretudo, uma expressão diversificada de uma ampla reflexão-meditação” do Pontífice, “da sua surpreendente contemplação do Filho único que desde o princípio estava no seio do Pai, a partir do testemunho do Evangelho; reflexão-meditação não desenvolvida organicamente, mas fragmentada, extraída de vários seus discursos escritos ou orais, nascidos em várias ocasiões”.

Um livro nascido do silêncio

Ao fazer referência ao filósofo e escritor André Chouraqui, judeu argelino, segundo o qual o quarto Evangelho nascera do profundo silêncio, “lá onde a Palavra de Deus se revela como lógos, palavra viva, Venturi afirma: “Podemos dizer que as reflexões-contemplações feitas pelo Papa Francisco nascem justamente do seu silêncio, um silêncio no qual mora a Palavra que era o princípio e se fez carne, um silêncio meditativo ao qual o Papa está acostumado desde o início da sua formação de fiel discípulo de Santo Inácio, do costume de acolher a Palavra no silêncio para depois fazê-la ressoar no seu íntimo, extrair dela todas as variações, abrindo-se ao deslumbramento, vendo-a na sua vida de hoje”.

Na escola do discípulo

Estas páginas, destaca o organizador do livro, nos testemunham “que o Papa Francisco se coloca na escola do discípulo, porém não sozinho, mas junto com aqueles com quem fala. Na base da sua escuta silenciosa está a composição visual do que Jesus diz ou faz, de quanto os discípulos, a multidão, os seus inimigos, os doentes dizem ou fazem e dos quais o discípulo nos dá o seu testemunho. Isso não é uma simples imersão no passado, ou uma recomposição histórica para os leitores ou ouvintes, mas um envolvimento de todos, é ver-se e sentir-se parte do cumprimento da Palavra e dos fatos testemunhados pelo discípulo”.

Vaticano publica livro-entrevista com o Papa nesta terça-feira

Livro sobre o mês missionário extraordinário é de Gianni Valente e será publicado pela Livraria da Editora Vaticano (LEV) e edições São Paulo

Da redação, com Vatican News
Nesta terça-feira, 5, a Livraria da Editora Vaticano (LEV) e edições São Paulo, publicará o livro-entrevista de Gianni Valente com o Papa Francisco, na conclusão do mês missionário extraordinário, intitulado “Sem Ele não podemos fazer nada. Uma conversa sobre o ser missionário no mundo de hoje”. 
A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, publicada pelo Pontífice em novembro de 2013, oito meses depois do Conclave que o elegera Bispo de Roma e Sucessor de Pedro, já dava indícios de um pontificado que convidava todos a re-sintonizar cada ato, reflexão e iniciativa eclesial “sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual”.
Quase seis anos depois da exortação, o Santo Padre anunciou o Mês Missionário Extraordinário, para outubro de 2019, concluído poucos dias atrás, e a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos dedicada à Região Amazônica, com o objetivo de sugerir novos caminhos de anúncio do Evangelho no local.
Durante este tempo, o Papa Francisco no seu magistério, disseminou insistentes referências à natureza própria da missão da Igreja no mundo. Por exemplo, o Pontífice repetiu várias vezes que anunciar o Evangelho não é “proselitismo”, que a Igreja cresce “por atração” e por “testemunhos”. Uma série de expressões, todas elas orientadas a sugerir por menções qual é o dinamismo para cada obra apostólica, e qual pode ser a sua fonte.

Trechos do livro

O Papa fala no livro-entrevista sobre sua juventude e seu desejo missionário de ir ao Japão, o termo “Igreja em saída” – marca de seu papado, o pedido de leitura dos Atos dos Apóstolos, a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, o testemunho como missão, o martírio e outros temas. A Agência Fides antecipou alguns trechos da obra. Confira:
O senhor contou que quando era jovem queria ser missionário no Japão. Pode-se dizer que o Papa é um missionário não completo?
Não sei. Entrei na ordem dos jesuítas porque me impressionava a vocação missionária da mesma, e o fato de sempre procurarem novas fronteiras. Na época não pude ir ao Japão. Mas sempre senti que anunciar Jesus e o seu Evangelho quer dizer sair e coloca-se a caminho.
O senhor repete sempre: “Igreja em saída”. A expressão é relançada com frequência e às vezes parece ter se tornado um slogan abusado, a disposição dos que, cada vez mais numerosos, passam o tempo a dar lições à Igreja sobre como deveria ser ou não ser.“Igreja em saída” não é uma expressão de moda que eu inventei. É um mandamento de Jesus, que no Evangelho de Marcos pede aos seus discípulos para irem pelo mundo inteiro e anunciarem o Evangelho “a toda criatura”. A Igreja ou é em saída ou não é Igreja. Ou é em anúncio ou não é Igreja. Se a Igreja não sai se corrompe, perde sua natureza . Torna-se outra coisa.
Uma Igreja que não anuncia e que não sai, o que se torna?Torna-se uma associação espiritual. Uma multinacional para lançar iniciativas e mensagens de conteúdo ético-religioso. Nada de mal, mas não é a Igreja. Este é um risco de qualquer organização estática dentro da Igreja. Termina-se por domesticar Cristo. Não se da mais testemunho da ação de Cristo, mas fala-se de uma certa ideia de Cristo. Uma ideia possuída e adomesticada por você mesmo. Você organiza as coisas, torna-se um pequeno empresário da vida eclesial, onde tudo acontece segundo o programa pré-estabelecido, isto, é, seguindo apenas as instruções. Mas o encontro com Cristo não se repete mais. Não se repete o encontro que tinha tocado seu coração no início.
A missão é por si antídoto a tudo isso? É suficiente a vontade e o esforço de “sair” em missão para evitar essas distorções?A missão, a “Igreja em saída” não são um programa, uma intenção para a ser realizada por boa vontade. É Cristo que faz a Igreja sair de si mesma. Na missão de anunciar o Evangelho, você see move porque o Espírito Santo empurra você, e o leva. E quando você chega, da-se conta de que Ele chegou antes e está esperando você. O Espírito do Senhor chegou antes. Ele previne, também para preparar o seu caminho e já está em ação.
Em um encontro com as Pontifícias Obras Missionárias, o senhor sugeriu-lhes ler os Atos dos Apóstolos, como texto habitual de oração . A narração dos primeiros tempos, e não um manual de estratégia missionária moderna. Por que?
O protagonista dos Atos dos Apóstolos não são os apóstolos. O protagonista é o Espírito Santo. Os Apóstolos são os primeiros que o reconhecem e o confirmam. Quando comunicam aos irmãos de Antioquia as indicações estabelecidas pelo Concílio de Jerusalém, escrevem: “Decidimos, o Espírito Santo e nós”. Eles reconheciam com realismo o fato de que era o Senhor que adicionava todos dias à comunidade “os que estavam salvos”, e não os esforços de persuasão dos homens.
E agora é como naquela época? Não mudou nada?
A experiência dos Apóstolos é como um paradigma que vale para sempre. Basta pensar como os fatos nos Atos dos Apóstolos acontecem gratuitamente, sem artifícios. É um caso, uma história de homens na qual os discípulos chegam sempre depois do Espírito Santo que age por primeiro. Ele prepara e trabalha os corações. Abala seus planos. É ele que os acompanha, os guia, os consola dentro de todas as circunstâncias que devem viver. Quando chegam os problemas e as perseguições, o Espírito Santo trabalha ali também, de maneira ainda mais surpreendente, com o seu conforto, o seu consolo. Como acontece depois do primeiro martírio, o de Santo Estêvão.
O que ocorre?
Inicia um tempo de perseguição, e muitos discípulos fogem de Jerusalém, vão para a Judeia e Samaria. E ali, enquanto estão espalhados e fugitivos, começam a anunciar o Evangelho, mesmo se estão sozinhos e sem os Apóstolos, que ficaram em Jerusalém. São batizados, e o Espírito Santo lhes dá a coragem apostólica. Ali se vê pela primeira vez que o batismo é suficiente para se tornar anunciadores do Evangelho. A missão é o que aconteceu ali. A missão é obra Sua. É inútil se agitar. Não precisamos nos organizar, não precisamos gritar. Não servem descobertas ou estratégias. Precisa apenas pedir que se faça novamente em nós a experiência para que possamos dizer: “decidimos, o Espírito Santo e nós”.
E se não houver esta experiência, qual é o sentido das chamadas à mobilização missionária?
Sem o Espírito, a missão torna-se outra coisa. Torna-se, diria, um projeto de conquista, pretensão de uma conquista feita por nós. Uma conquista religiosa, ou talvez ideológica, talvez feita com boas intenções. Mas é uma outra coisa.
Citando Bento XVI, o senhor repete com frequência que a Igreja cresce por atração. O quer dizer isso? Quem atrai? Quem é atraído?
São palavras de Jesus no Evangelho de João. “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim”. E no mesmo Evangelho, diz ainda “Ninguém vem a mim, se não for atraído pelo Pai que me mandou”. A Igreja sempre reconheceu que esta é a forma de todo o lema que aproxima a Jesus e ao Evangelho. Não uma convicção, um raciocínio, uma tomada de consciência. Não uma pressão, ou uma constrição. Trata-se sempre de uma atração. O profeta Jeremias já dizia: “Tu me seduziste e eu me deixei seduzir”. E isso também vale para os apóstolos, para os missionários e pela sua obra.
Como ocorre o que o senhor descreveu acima?O mandato do Senhor de sair e anunciar o Evangelho, vem de dentro, por paixão, por atração amorosa. Não se segue Jesus e muito menos se torna anunciadores d’Ele e do seu Evangelho por uma decisão prática, por uma militância autoinduzida. O próprio impulso missionário só pode ser fecundo se acontece dentro desta atração e que se transmite aos outros.
Qual é o significado destas palavras com relação à missão e ao anúncio do Evangelho?
Quer dizer que se é Cristo que atrai você, se você se move e faz as coisas é porque é atraído por Cristo, as pessoas então irão se dar conta disso sem esforço. Não há necessidade de demonstrá-lo, e muito menos ostentá-lo. Ao contrário, quem pensa em ser protagonista ou empresário da missão, com todos os seus bons propósitos e as suas declarações de intenção muitas vezes termina por não atrair ninguém.
Na sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium, o senhor reconhece que tudo isso pode “causar-nos uma certa vertigem”. Como aqueles que mergulham em um mar onde não sabem o que encontrarão. O que o senhor queria sugerir com esta imagem? Essas palavras referem-se também à missão?
A missão não é um projeto empresarial bem organizado. Nem mesmo um espetáculo organizado para saber quantas pessoas participam graças às nossas propagandas. O Espírito Santo age como quer, quando e onde quiser. E isso pode causar uma certa vertigem. Mesmo assim o cume da liberdade repousa justamente neste deixar-se levar pelo Espírito, renunciado a calcular e controlar tudo. E justamente nisso imitamos o próprio Cristo, que no mistério da sua Ressurreição aprendeu a repousar na ternura dos braços do Pai. A misteriosa fecundidade da missão não consiste nas nossas intenções, nos nossos métodos, nos nossos lançamentos e iniciativas, mas repousa justamente nessa vertigem: a vertigem que se adverte diante das palavras de Jesus, quando diz “sem mim nada podeis fazer”.
O senhor repete muitas vezes também que a Igreja cresce “por testemunho”. Qual é a sugestão para esta insistência?O fato que a atração se faz testemunho em nós. A testemunha comprova o que a obra de Cristo e do seu Espírito realizaram na sua vida. Depois da Ressurreição, é o próprio Cristo que nos torna visível aos apóstolos. É ele a sua testemunha. Também o testemunho não é um desempenho próprio, só se pode ser testemunha das obras do Senhor.
Outra coisa que o senhor repete com frequência, neste caso em chave negativa: a Igreja não cresce por proselitismo e a missão da Igreja não é fazer proselitismo. Por que tanta insistência? É para manter as boas relações com as outras Igrejas e o diálogo com as tradições religiosas?
O problema do proselitismo não é apenas o fato que contradiz o caminho ecumênico e o diálogo inter-religioso. Há proselitismo em todos os lugares, há a ideia de fazer com que a Igreja cresça deixando de lado a atração de Cristo e da obra do Espírito, apostando tudo nos chamados “discursos sábios”. Portanto, como primeira coisa, o proselitismo tira o próprio Cristo e o Espírito Santo da missão, mesmo quando pretende agir em nome de Cristo, de maneira nominalista. O proselitismo é sempre violento pela sua natureza, mesmo quando é dissimulado ou feito “com luvas de pelica”. Não suporta a liberdade e a gratuidade com a qual a fé pode se transmitir, pela graça, de pessoa a pessoa. Por isso o proselitismo não é apenas o do passado, dos tempos do antigo colonialismo, ou das conversões forçadas ou compradas com a promessa de vantagens materiais. Hoje também pode haver proselitismo, nas paróquias, nas comunidades, nos movimentos, nas congregações religiosas.
Então, o que quer dizer anunciar o Evangelho?
O anúncio do Evangelho que dizer entregar com palavras sóbrias e claras o próprio testemunho de Cristo como fizeram os apóstolos. Mas não é necessário discursos persuasivos. O anúncio do Evangelho pode ser também sussurrado, mas passa sempre pela força arrebatadora do escândalo da cruz. E desde sempre segue o caminho indicado na Carta de São Pedro Apóstolo, que consiste no simples “dar razão” aos outros da própria esperança. Uma esperança que permanece escândalo e tolice aos olhos do mundo.
Do que se trata o “missionar” cristão?
Uma característica distintiva é a de ser facilitadores e não controladores da fé. Facilitar, tornar fácil, não pôr obstáculos ao desejo de Jesus de abraçar todos, de curar todos, de salvar todos. Não fazer seleções, não criar “triagens pastorais”. Não fazer parte dos que se colocam à porta para controlar se todos têm requisitos para entrar. Recordo os párocos e as comunidades que em Buenos Aires tinham colocado em campo várias iniciativas para facilitar o acesso ao batismo. Deram-se conta que nos últimos anos estava aumentando o número dos que não eram batizados por vários motivos, mesmo sociológicos, e queriam recordar a todos que ser batizados é uma coisa simples, que todos podem pedir para si e para seus próprios filhos. O caminho que os párocos e aquelas comunidades tomaram era um só: não complicar, não pretender nada, eliminar todas as dificuldades de caráter cultural, psicológico ou prático que poderia levar as pessoas a adiar ou perder a intenção de batizar seus próprios filhos.
Na América, no início da evangelização, os missionários discutiam sobre quem seria “digno” de receber o batismo. Como se concluíram aquelas discussões?
Papa Paulo III recusou as teorias dos que sustentavam que os índios eram por natureza “incapazes” de acolher o Evangelho e confirmou a escolha dos que facilitavam o seu batismo. Parecem coisas passadas, mas ainda hoje há círculos e setores que se apresentam como “ilustrados”, iluminados, e sequestram também o anúncio do Evangelho nas suas lógicas distorcidas que dividem o mundo entre “civilização” e “barbárie”. A ideia que o Senhor tenha entre seus preferidos muitas “cabecitas negras” os irrita, deixa-os de mau humor. Eles consideram boa parte da família humana como se fosse uma entidade de classe inferior, inadequada a alcançar, segundo seus padrões, níveis decentes de vida espiritual e intelectual. Nesta base pode-se desenvolver um desprezo pelos povos considerados de segundo nível. Esse tema surgiu também por ocasião do Sínodo dos Bispos para a Amazônia.
Hoje existe a tendência de colocar em alternativa dialética o anúncio claro da fé e as obras sociais. Dizem que não precisa reduzir a missão para sustentar as obras sociais. É uma preocupação legítima?
Tudo o que está dentro do horizonte das Bem-Aventuranças e das obras de misericórdia estão de acordo com a missão, já é anúncio, já é missão. A Igreja não é uma ONG, a Igreja é uma outra coisa. Mas a Igreja é também um hospital de campo, onde se acolhe todos, assim como são, cuidando das feridas de todos. E isso faz parte da sua missão. Tudo depende do amor que move o coração dos que atuam. Se um missionário ajuda a escavar um poço em Moçambique, porque se deu conta que é fundamental para os que ele batizou e aos quais prega o Evangelho, como se pode dizer que a obra é separada do anúncio?
Atualmente, quais são as novas atenções e sensibilidades a serem exercidas nos processos destinados a tornar fecundo o anúncio do Evangelho, nos vários contextos sociais e culturais?
O cristianismo não dispõe de um único modelo cultural. Como reconheceu João Paulo II, “permanecendo plenamente si mesmo, na total fidelidade ao anúncio evangélico e à tradição eclesial, o cristianismo carregará também o rosto das várias culturas e dos vários povos nos quais foi acolhido e enraizado”. O Espírito Santo embeleza a Igreja, com as expressões novas das pessoas e das comunidades que abraçam o Evangelho. Assim a Igreja, assumindo os valores das várias culturas, torna-se “sponsa ornata monilibus suis”, “a esposa que se enfeita com suas jóias”, da qual fala o profeta Isaías. É verdade que algumas culturas foram estreitamente ligadas à pregação do Evangelho e ao desenvolvimento de um pensamento cristão. Mas nos nossos dias, torna-se ainda mais urgente considerar que a mensagem revelada não se identifica com nenhuma cultura. E no encontro com novas culturas ou com culturas que não acolheram a pregação cristã, não se deve tentar impor uma determinada forma cultural junto com a proposta evangélica. Hoje, também na obra missionária convém mais do que nunca, não carregar bagagem pesada.
Missão e martírio. O senhor recordou várias vezes o íntimo vínculo que une estas duas experiências.
Na vida cristã a experiência do martírio e a proclamação do Evangelho a todos têm a mesma origem, a mesma fonte, quando o amor de Deus derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo doa força, coragem e consolação. O martírio é a máxima expressão do reconhecimento e do testemunho feito a Cristo, que representam o cumprimento da missão, da obra apostólica. Penso sempre nos irmãos coptas trucidados na Líbia, que pronunciavam em voz baixa o nome de Jesus enquanto eram degolados. Penso nas Irmãs de Santa Madre Teresa mortas no Iêmen, enquanto cuidavam dos pacientes muçulmanos de uma casa de idosos com deficiências. Quando foram mortas, estavam com o avental de trabalho sobre o hábito religioso. São todos vencedores, não “vítimas”. E seu martírio, até o derramamento de sangue, ilumina o martírio que todos podem sofrer na vida todos os dias, com o testemunho dado a Cristo todos os dias. Isso pode-se ver quando se vai visitar os asilos de missionários idosos, muitas vezes debilitados pela vida que levaram. Um missionário me disse que muitos deles perdem a memória e não recordam mais nada do bem que fizeram. “Mas não tem importância”, me disse “porque disso o Senhor se recorda muito bem”.

Livro reúne textos e discursos do Papa Francisco sobre meio ambiente

Proposta da obra lançada hoje pela Livraria Editora Vaticana é explicar a visão cristã da ecologia

Da Redação, com Vatican News
Obra com textos do Papa Francisco sobre meio ambiente traz visão cristã da ecologia / Foto: Arquivo Canção Nova
Foi lançado nesta quinta-feira, 24, o livro “Nostra Madre Terra. Una lettura cristiana della sfida dell’ambiente” (Nossa Mãe Terra: Uma leitura cristã do desafio do ambiente), da Livraria Editora Vaticana. A obra reúne textos de documentos do Papa Francisco sobre o meio ambiente. O prefácio é do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, que recorda as etapas da colaboração com o Santo Padre, principalmente nas mensagens por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído em 2015, que une a Igreja Católica e a Ortodoxa na comum “preocupação pelo futuro da criação”.
No primeiro capítulo, “Visão íntegra”, foram selecionados alguns textos, principalmente trechos da Laudato si’, que mostram a necessidade de proteger a casa comum através da união de “toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral”. Esta premissa é desenvolvida no capítulo “De um desafio atual a uma oportunidade global” por meio da análise de alguns trechos da Encíclica do Papa Francisco sobre a crise ambiental dos dias atuais, onde poluição, aquecimento global, mudanças climáticas, perda de biodiversidades são o efeito de uma exploração incontrolada destinada a crescer rapidamente se não forem tomadas medidas imediatas para uma mudança de direção. É necessária a conversão ambiental – observa o Papa – possível através da promoção de uma verdadeira educação ecológica que crie, principalmente nos jovens, uma conscientização e portanto uma consciência renovada.
No escrito inédito que conclui o livro “Nostra Madre Terra”, Papa Francisco oferece a todos uma visão mais ampla de um assunto que não é simples preocupação para a salvaguarda do meio ambiente. Mesmo compartilhando muitos aspectos, não é comparável a uma visão leiga da ecologia. De fato, desenvolve a chamada teologia da ecologia em um discurso profundamente espiritual.
Papa Francisco lembra ainda que a criação é fruto do amor de Deus para com cada uma de suas criaturas, principalmente pelo homem ao qual deu o dom da criação. A conexão entre homem e criação vive no amor e se este se acaba corrompe-se e não reconhece o dom que lhe foi dado. A exploração dos recursos feita de modo irresponsável para tomar posse de riquezas e poder, concentrando nas mãos de poucos, cria um desequilíbrio destinado a destruir o mundo e o próprio homem.

Recomeçar do perdão e do Espírito Santo

Não é suficiente uma revolução tecnológica e compromisso individual. A tomada de consciência passa principalmente através de um “autêntico espírito de comunhão”. Deve-se recomeçar do perdão. Pedir perdão aos pobres, aos excluídos, antes de tudo, para poder pedir perdão também “à terra, ao mar, à ar, aos animais…”. Para o Papa Francisco pedir perdão significa rever totalmente o próprio modo de ser e de pensar, significa renovar-se profundamente. E o perdão só é possível no Espírito Santo. É uma graça a ser implorada com humildade ao Senhor. O perdão é se tornar ativos, empreender um caminho juntos e nunca na solidão.
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