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Nobel de Literatura concederá dois prêmios para recuperar prestígio

Nobel de Literatura concederá dois prêmios para recuperar prestígio
(2018) Escultura do inventor sueco Alfred Nobel em Estocolmo - AFP/Arquivos
A Academia Sueca, que teve que adiar o Prêmio Nobel de Literatura de 2018 devido a um escândalo sexual registrado em meio à era do #MeToo, concederá dois prêmios nesta quinta-feira (10/10), para tentar recuperar seu prestígio.
O escândalo revelou os segredos que ocorriam no interior de uma instituição afetada por intrigas e corrupção, destruindo a fama de uma nação luterana construída sobre os valores da transparência, honradez e igualdade.
Após a intervenção do rei, as renúncias em cadeia, uma reforma dos estatutos e os violentos ataques da imprensa, os guardiães do templo aspiram a falar só de literatura.
Como todos os anos desde 1901, os prognósticos apontam para uma série de nomes, embora a academia guarde o segredo da votação de seus 18 membros até o último momento.
Nas apostas soam os nomes da escritora francesa da ilha de Guadalupe Maryse Condé, do autor queniano Ngugi Wa Thiong’o e da poetisa canadense Anne Carson.
A Academia Sueca, criada em 1786 e fundada no modelo da antiga Academia Francesa, teve que adiar por um ano o anúncio do Nobel de Literatura 2018, algo sem precedentes nos últimos 70 anos.
A instituição não conseguiu chegar a um acordo sobre como administrar as relevações de agressões sexuais de um francês, Jean-Claude Arnault, influente personalidade da cena cultural sueca.
Casado com uma acadêmica, Arnault recebia generosos subsídios da academia, se vangloriava de ser “o membro 19” e, segundo testemunhas, revelava o nome dos futuros laureados a seus amigos.
Os acadêmicos discordaram sobre a forma de enfrentar a crise, causando renúncias sucessivas, entre elas a da secretária permanente Sara Danius.
Jean-Claude Arnault foi condenado a dois anos e meio de prisão por estupro.
– O ano do consenso –
Os nomes dos laureados do Nobel de Literatura serão revelados nesta quinta às 13H00 (08H00 em Brasília).
Os críticos entrevistados pela AFP preveem nomes consensuais, entre eles ao menos uma mulher, talvez a chinesa Can Xue, a russa Lyudmila Ulitskaya, a americana Joyce Carol Oates ou a polonesa Olga Tokarczuk.
O Prêmio Nobel de Literatura foi concedido a apenas 14 mulheres entre uma centena de homens desde sua criação, em 1901.
Entre os autores homens, destacam-se nos palpites o poeta e romancista romeno Mircea Cartarescu, o japonês Haruki Murakami e o checo Milan Kundera, nacionalizado francês.
Para Svante Weyler, escritor e ex-editor, a Academia Sueca e o prêmio podem recuperar seu prestígio, “mas só com uma seleção muito acertada dos laureados”.
Segundo ele, a “Svenska Akademien” optará por nomes clássicos que tenham grande reconhecimento nos meios literários e entre o público.
Mas “de maneira nenhuma algum que possa causar uma controvérsia política”, indica.
O jornalista e escritor francês Olivier Truc, autor de “L’Affaire Nobel” (O caso Nobel), publicado na França pela editora Grasset, indica que a instituição já foi alvo de controvérsias “quando outorgou o prêmio a dois de seus membros em exercício”, referindo-se à decisão de dar o prêmio em 1974 a Harry Martinsson e Eyvind Johnson.
Em 2016, a escolha do músico americano Bob Dylan também causou fortes críticas no mundo das letras.
Outro caso é quando o ganhador não aceita um prêmio a seu ver desvalorizado, como ocorreu em 1964 com Jean-Paul Sartre, adverte a crítica sueca.
– Reputação afetada –
O comitê do Prêmio Nobel, composto normalmente por cinco membros que recomendam um laureado ao resto da academia, deve incluir em 2019 e 2020 “cinco especialistas externos”, especialmente críticos, editores e autores de entre 27 e 73 anos.
Depois do escândalo, estas nomeações externas foram impostas pela Fundação Nobel, que financia o prêmio.
“As mudanças foram muito frutíferas e temos esperança para o futuro”, declarou à AFP o novo secretário permanente, Mats Malm, dias antes do anúncio dos premiados.
Mas para muitos o mal já está feito.
“Depois de ter estado associado à literatura de primeira ordem, o Prêmio Nobel está agora relacionado para muitos ao #MeToo… e a uma organização que tem falhas de funcionamento”, lamenta Madelaine Levy, crítica no jornal Svenska Dagbladet.
“Resta ainda muito trabalho por fazer, temos certeza”, aponta Malm.
Fonte: IstoÉIndependente

Nobel de Literatura: Academia Sueca indica novo membro

Mats Malm  é o terceiro novo integrante indicado

Mats Malm é o terceiro novo integrante indicado

TT News Agency/Henrik Brunnsgard/Reuters - 19.10.2018
A Academia Sueca, organização que concede o prêmio Nobel de Literatura, selecionou um especialista em linguagens nórdicas antigas como novo membro nesta sexta-feira (19), em um passo para recuperar sua posição depois que um escândalo sexual forçou a organização a adiar a entrega do prêmio deste ano.
Mats Malm, professor de literatura da Universidade de Gotemburgo, é o terceiro novo integrante indicado este mês para a organização de 18 membros, preenchendo todos os assentos vagos, incluindo dois disponibilizados por membros que deixaram a Academia após o escândalo.
A Academia Sueca, fundada há 232 anos pelo rei da Suécia para proteger o idioma do país, tem escolhido o vencedor do Nobel de Literatura desde 1901. Outras organizações suecas selecionam os vencedores de outras categorias e um comitê da Noruega concede o Nobel da Paz.
A entrega do prêmio de literatura deste ano foi adiada depois que o fotógrafo franco-sueco Jean-Claude Arnault, que administrava uma fundação cultural que recebia fundos da Academia, foi acusado de estupro.
Arnault, que é casado com uma integrante da organização e que teve relações pessoais e profissionais com diversos outros membros, foi condenado este mês a dois anos de prisão por estupro. O fotógrafo também foi acusado de vazar nomes de vencedores do Nobel de Literatura e a Academia Sueca está investigando seu relacionamento financeiro com ele.
Arnault nega qualquer irregularidade e está recorrendo à condenação por estupro.
Além dos dois integrantes que deixaram a academia devido ao caso, quatro outros, incluindo a mulher de Arnault, Katarina Frostenson, suspenderam sua participação.
O chefe da Fundação Nobel, que concede os prêmios mas não escolhe os vencedores, disse que a Academia Sueca pode perder seu papel na entrega do prêmio de literatura se não recuperar sua legitimidade após o escândalo.

Maryse Condé vence 'Nobel alternativo' de literatura

ESTOCOLMO
Maryse Condé, do território francês de Guadalupe, no Caribe, recebeu o prêmio da New Academy de Literatura, criado depois que a Academia Sueca adiou o Nobel de Literatura deste ano, na tentativa de lidar com o resultado de um escândalo de abuso sexual.
A New Academy foi fundada por mais de cem figuras da cena cultural sueca no início deste ano, em resposta ao escândalo e ao adiamento do Nobel.
“Em seu trabalho, ela descreve os estragos do colonialismo e o caos pós-colonial em uma linguagem que é ao mesmo tempo precisa e envolvente”, disse a New Academy ao premiar Condé.
Ela escreveu cerca de 20 romances, incluindo "Segu" e  "Eu, Tituba: Bruxa Negra de Salem".
Pela primeira vez em décadas, o Nobel deste ano não incluiu nenhum prêmio de literatura, após um profundo desacordo e deserções na Academia Sueca, que a deixou incapaz de selecionar um vencedor.
Maryse Condé no Museu Victoria e Albert de Londres, em foto de 2015
Maryse Condé no Museu Victoria e Albert de Londres, em foto de 2015 - Adrian Dennis/AFP
A controvérsia gira em torno de Jean-Claude Arnault, marido de Katarina Frostenson, membro da academia, que foi condenado a dois anos de prisão por estupro no início deste mês. Ele nega as acusações e está recorrendo.
O caso surgiu em novembro, quando o jornal Dagens Nyheter noticiou que pelo menos 18 mulheres acusavam Jean-Claude Arnault, uma importante figura no meio cultural sueco, de assédio e agressão sexual.
A Academia Sueca nomeou dois novos membros na semana passada e está trabalhando para preencher outros lugares vazios e reconstruir a confiança.
Jila Mossaed, 70, poetisa nascida em Teerã, que escreve em sueco e persa, foi escolhida juntamente com Eric Runesson, 58, juiz da Suprema Corte sueca para comporem o quórum de 12 membros necessários para que a Academia volte a funcionar. 
F. De São Paulo

Depois de desprezar Philip Roth, é irônico Nobel de Literatura ser adiado após crise com assédio

Maurício Meireles
SÃO PAULO
Sara Danius, ex-secretária-permanente da Academia Sueca
Sara Danius, ex-secretária-permanente da Academia Sueca - TT News Agency/Jonas Ekstromer/Reuters
Os admiradores de Philip Roth verão a ironia no escândalo que resultou no cancelamento do Prêmio Nobel de Literatura deste ano.
Em nossos tempos, Roth é possivelmente a ausência mais inexplicável na lista de vencedores do principal troféu literário do mundo. A Academia Sueca, que o concede, delibera em segredo —então só se pode conjecturar sobre os motivos.
Mas há explicações prováveis. Roth acumulou polêmicas por aí. Brigou com os judeus, pela forma como os representou, e foi acusado de machismo.
Ele é um escritor que mergulhou na fúria erótica humana, analisou o desejo masculino —mas os homens em sua obra são os piores seres humanos, com frequência dilacerados por esse mesmo desejo ou pela decrepitude do corpo.
É uma masculinidade em sofrimento, mas não pegaria bem dar o prêmio a alguém que representou tantos velhos tarados.
A ironia é a Academia Sueca, que falhou em reconhecer a qualidade literária dessa exploração do desejo, não ser só a vítima do comportamento sexual abusivo de um homem próximo da instituição mas também, ao que tudo indica, ter trabalhado para acobertá-lo. Poderia ser um romance de Roth.
Chegou-se ao ponto de cancelar o prêmio neste ano depois de denúncias de assédio e abuso feitas por 18 mulheres em um jornal sueco contra Jean-Claude Arnault, alguém com 30 anos de relações afáveis com a academia. Ele é marido de Katarina Frostenson, integrante da instituição.
Uma delas disse que o denunciou à instituição sueca e não deu em nada.
Arnault, que nega tudo, foi acusado ainda de vazar nomes dos vencedores do Nobel de Literatura —e possivelmente ganhar dinheiro com isso. Ele e a mulher gerem um centro cultural que recebia dinheiro da Academia Sueca.
A tentativa fracassada por parte dos membros de expulsar Frostenson resultou na saída de diversos deles — entre os quais Sara Danius, primeira mulher à frente da instituição.
O que muda para a literatura? Nada. Pelo menos não para a literatura que vale a pena, do escritor que compõe uma obra em compromisso consigo e com seu impulso de expressão, em luta com a forma literária. Esse sabe que escrever para prêmios seria uma derrota para a literatura.
Sim, o Nobel já reconheceu grandes autores. Mas, mesmo para o estabelecimento de um cânone literário —categoria tão questionado hoje—, seu papel pode ser relativizado. Senão, como explicar que Tolstói, Borges, Proust e outros nunca tenham sido eleitos?
Os únicos efeitos da não atribuição do Nobel neste ano são sobre a circulação e a divulgação de livros —numa sociedade em que a literatura sofre de grande desprestígio, diga-se.
O comércio global também se dá mal. Neste ano, um agente literário não terá a chance de vender um autor para dezenas de países ao mesmo tempo, e editores não poderão fazer pilhas com o ganhador nas livrarias. Paciência.
Folha UOL

Após escândalos sexuais, academia do Nobel de Literatura demite 4 membros

Vista geral de reunião da Academia Sueca em Estocolmo
A Academia sueca, que concede o Nobel de Literatura, anunciou nesta segunda-feira (7) a demissão efetiva de quatro de seus membros, nomeados inicialmente perpetuamente, após o escândalo #MeToo, que sacudiu a famosa instituição.
A instituição está mergulhada em uma crise desde novembro, quando, no contexto da campanha mundial contra abusos sexuais, o jornal sueco “Dagens Nyheter” publicou os testemunhos de 18 mulheres que afirmavam terem sido violentadas, agredidas sexualmente, ou assediadas por Jean-Claude Arnault, uma influente figura da cena cultural sueca.
Arnault, marido francês da poetisa e membro da Academia Katarina Frostenson, negou as acusações.
Essas revelações semearam polêmica e discórdia entre os 18 membros da Academia sobre como reagir e, nas últimas semanas, seis deles decidiram renunciar, incluindo a secretária permanente Sara Danius.
Dois membros já não participavam há tempos dos trabalhos, reduzindo a dez o número de acadêmicos ativos.
Segundo o estatuto da Academia, são necessários ao menos 12 membros ativos das 18 cadeiras para eleger um novo membro.
O rei, padrinho da instituição, anunciou em 2 de maio uma modificação no estatuto: seus membros podem agora renunciar e, portanto, serem substituídos durante sua vida.
“Lotta Lotass, Klas Östergren e Sara Stridsberg solicitaram e foram autorizados de forma imediata a deixar a Academia sueca”, indicou a instituição em um comunicado.
O quarto membro, Kerstin Ekman, afastado desde 1989 depois que a Academia se negou a condenar naquele ano uma fatwa contra o escritor britânico Salman Rushdie, também foi autorizado a se demitir.
Na sexta-feira, a Academia anunciou que o Nobel de Literatura de 2018 será adiado e entregue junto com o 2019, pela primeira vez em quase 70 anos.
Fonte: Exame/Abril

Dupla fatura prêmio Nobel da literatura infantil

Eiko Kadono e Igor Oleynikov tiveram os nomes confirmados no primeiro dia da Feira do Livro Infantil de Bolonha, o mais importante evento do setor, que acontece até esta quinta (29)
Os dois vencedores do prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil, foram anunciados nesta segunda (26). Eiko Kadono e Igor Oleynikov tiveram os nomes confirmados no primeiro dia da Feira do Livro Infantil de Bolonha, o mais importante evento do setor.
Kadono nasceu em Tóquio em 1935 e tem ligação próxima com o Brasil. A autora viveu por aqui durante dois anos, quando tinha 25. O país inspirou um de seus trabalhos "Ruijinnyo Shonen, Burajiru o Tazunete" ("Brasil e Meu Amigo Luizinho"), sobre um garoto que adora dançar samba.
Vencedora de diversos prêmios e de uma obra que atinge mais de 200 trabalhos, ela é mais conhecida por "Majo No Takkyubin" ("Kiki's Delivery Service"), que foi adaptado para uma animação pelo diretor Hayao Miyazaki (de "A Viagem de Chihiro").
Distinção
Já o outro vencedor, Oleynikov, também é conhecido por sua interface com o cinema. Nascido em Moscou em 1953, ele começou a trabalhar com animações antes de ilustrar livros para crianças.
Foi em 1986 que passou a criar imagens para publicações infantis, sendo que hoje são mais de 80 livros para esse público - entre eles, edições de textos clássicos.
Seus personagens parecem saídos de mundos mágicos, transitando entre o humano e o animal.
Oleynikov e Kadono, que não têm livros atualmente no Brasil, receberão o prêmio no próximo congresso internacional da IBBY (International Board on Books for Young People), em agosto. A entidade entrega a distinção a cada dois anos em reconhecimento à trajetória de um escritor e de um ilustrador.
Nacional
O Brasil já teve três vencedores do Andersen. Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000, ganharam na categoria texto. Roger Mello, em 2014, foi o primeiro latino-americano a vencer na categoria ilustração - e, por enquanto, o único. Neste ano, o país indicou Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi ao prêmio - mas seus nomes não ficaram entre os finalistas.
*A Feira de Bolonha acontece até quinta (29) na cidade italiana.
Diário do Nordeste
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