10 de abril de 2017

Pavilhão da Bienal, em São Paulo, evento internacional reverbera perspectivas de mercado e produção artística para 2017

Obra “Fungos1 (séria Carnaval)”,de CarlosVergara,da GaleriaPinakotheke ( Foto: Pinakotheke )
Não é ousadia afirmar que o pontapé inicial do mercado de arte nacional deste ano foi dado nos últimos quatro dias em São Paulo. Isto porque, de 6 a 9 de abril, estiveram expostas mais de 4 mil obras no Pavilhão da Bienal, que recebeu, na ocasião, a 13ª SP-Arte. Um total de 159 galerias, incluindo 44 estrangeiras, se transportou para o ambiente, apresentando trabalhos que vão do século XIX até os tempos atuais, num ciclo de reinvenção que conta e reflete a história da humanidade.
Fernanda Feitosa é a idealizadora e diretora da feira que ganhou o status de festival pela amplitude conquistada após mais de uma década de realização. Para se ter uma ideia do que a SP-Arte é capaz de gerar, em 2016, foram mais de R$ 200 milhões movimentados neste segmento a partir das negociações feitas durante e após a 12ª edição.
"É um momento muito importante, principalmente porque ela é realizada sempre no início do ano. Ela é crucial para esse começo de temporada. Uma celebração que pontua o que acontece nesse mercado, e a gente espera que, ao longo do ano, as reverberações continuem acontecendo", destaca Fernanda, sem fazer arriscar previsões tendo em vista o contexto de crise.
Mais de 30 mil visitantes eram esperados para o momento. Lá, eles encontraram galerias de Nova York como David Zwirner, Marian Goodman e Alexander Gray; de Londres, estavam Lisson, Stephen Friedman e White Cube; da Itália, Franco Noero, Continua e Cardi; de Berlim, neugerriemschneider e Gregor Podnar; e da América Latina, nomes como Collage Habana (Havana), El Museo (Bogotá), kurimanzutto (Cidade do México) e Sur (Montevidéu).
No campo nacional destacaram-se galerias como Almeida e Dale, Bergamin & Gomide, Casa Triângulo, Dan, Fortes D'Aloia & Gabriel, Gustavo Rebello, Luciana Brito, Luisa Strina, Mendes Wood DM, Millan, Paulo Kuczynski, Pinakotheke e Vermelho.
Linguagens
Ainda que a feira por si só represente uma "celebração", a SP-Arte vai além do que as negociações econômicas podem proporcionar. Na programação, este ano conectada com outros espaços da cidade nos dias que antecederam o evento, inclusive, houve espaço para performances, lançamentos de livros e também para os "Talks", conversas organizadas em parceria com a revista ARTE!Brasileiros, que reuniu artistas, colecionadores, críticos e curadores em encontros gratuitos para promover uma reflexão sobre a cena artística.
Sobre as novidades desta edição, o destaque foi para o Repertório, curado por Jacopo Crivelli Visconti. O setor foi criado com o intuito de apresentar artistas brasileiros e internacionais fundamentais para a compreensão das práticas artísticas contemporâneas, com nomes ainda pouco reconhecidos pelo público. A seleção respeitou um recorte cronológico - os artistas escolhidos nasceram antes dos anos 1950, e as obras apresentadas foram produzidas até o final da década de 1980.
Entre os artistas estão Pino Pascali, ligado à ArtePovera; Richard Long, um dos mais importantes artistas ingleses da segunda metade do século XX; e Lothar Baumgarten, alemão com uma obra profundamente influenciada pela paisagem, história e cultura amazônica brasileira. Do Brasil, os destaques foram o fotógrafo baiano Mario Cravo Neto, falecido em 2009, Rubem Valentim e Guilherme Vaz, carioca e um dos pioneiros da arte conceitual e sonora.
Voltado a mobiliário, iluminação, antiquário e objetos, o setor Design voltou a expor o melhor da produção nacional em sua segunda edição. Em 2017, ele expandiu o número de participantes, trazendo o retorno de galerias como Artemobilia, ETEL, Firma Casa, Hugo França, Mercado Moderno, Ovo e Pé Palito, além de estreantes como Apartamento 61, Herança Cultural, Lumini e Resplendor.
Investir nessa pluralidade é uma ação vista como um dos principais aprendizados desses 13 anos de evento. "Ao longo desse período a gente foi aprendendo primeiro a abrir os olhares, a estar aberto para movimentos diferentes, visões diferentes do mundo e visões de mundo diferentes também. Estamos abertos a manifestações artísticas sobre vários suportes, obras feitas com livro, escultura, pintura, instalação, vídeo-arte, performance. Isso vai treinando você para se manter atento com o que acontece ao seu redor", conclui a idealizadora da SP-Arte, Fernanda Feitosa. Leia mais na página
Ceará
Nenhuma galeria cearense expôs na SP-Arte. Os trabalhos de artistas da terra, no entanto, marcaram presença no evento (a Pinakotheke mantém, em Fortaleza, a Multiarte, mas esteve presente com sua marca do Sudeste).
Duas obras de Leonilson, uma de 1984 e outra de 1985, ambas de acrílica sobre tela, estavam à venda. A primeira, pela Galeria Frente, de São Paulo; e a segunda pela Colecionador, do Rio. "Nuit Sur La Ville", um Antônio Bandeira de 1965, também estava disponível entre as obras da Colecionador. A cantora Verônica Valentino, do grupo Verónica Decide Morrer, participou do elenco do projeto blasFêmea, um experimento audiovisual documental da MC Linn da Quebrada, que explora a potência feminina em diferentes corpos. O Nordeste esteve representado também com trabalhos dos artistas baianos Mestre Didi e Genaro de Carvalho. Este último, com obras disponíveis na Galeria Passado Composto - Século XX.
A repórter viajou a convite da SP-Arte*
Diário do Nordeste

Premiado com o Pultizer 2016, Mauricio Lima mostra seu olhar humanitário no MIS

Brasileiro acompanhou durante seis meses uma família que deixou o Oriente Médio para chegar à Europa.
Em seu trabalho, Lima exibe a força de uma fotografia como forma de conscientização.
Em seu trabalho, Lima exibe a força de uma fotografia como forma de conscientização. Foto (Maurício Lima/Divulgação)
Em 2015 começamos a assistir ao drama dos refugiados sírios que, por causa da guerra, foram obrigados a deixar suas casas, seu país. Mauricio Lima, fotógrafo brasileiro, durante seis meses acompanhou o êxodo de quem deixava o Oriente Médio para chegar à Europa. E foi no meio desse trabalho que decidiu acompanhar uma dessas famílias e contar sua jornada. Foi assim que ele se encontrou na Sérvia, mais precisamente em Belgrado, com a família de Ahmad e Farid Majid que tentava alcançar a Suécia.

Foram 29 dias acompanhando as 13 pessoas que constituem o clã familiar. Os Majid são comerciantes e tinham uma fábrica de jeans na cidade de Afrin, perto de Alepo e Kobani, no norte da Síria. Perderam tudo na guerra e decidiram deixar o país e encontrar um parente que já morava na Suécia. Com eles, ainda na barriga da mãe estava Farida, uma menina que nasceu já em solo sueco em novembro de 2015. É a ela, Farida, que em árabe significa única, que é dedicada a mostra Farida, um conto Sírio, que abre no dia 12, no MIS, em São Paulo, dentro da programação do Maio Fotografia. 33 imagens, com curadoria da alemã Elizabeth Biodi, narram a jornada de todas as famílias sírias, mostrando o porquê de as pessoas terem que sair de suas casas, de seu país.

Mauricio Lima pertence ao time de fotógrafos que sabe que não é ele o protagonista desta história, que ele está ali para mostrar para o mundo o que acontece, quem são estas pessoas, vítimas de uma guerra que não escolheram. "O que me move, acima de tudo, é o respeito pelas pessoas que fotografo. Preciso de tempo, de vivência, para entender uma história para fotografá-la", diz em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo".

Foi ele que decidiu de que maneira contar o que estava acontecendo na Síria: "As fotos do conflito e das bombas não me interessavam, queria acompanhar uma família, uma jornada, fazer parte disso". Suas fotos pontuais, de alguma maneira dramáticas, nos apresentam rostos, gestos. Imagens de quem chega perto: "eu não gosto de imagens abertas ou gerais. Gosto de chegar perto, de individualizar, personalizar, mostrar o rosto das pessoas que fotografo". São estas as história que o tocam que ele quer contar: "sou antes de mais nada um ser humano e depois um fotógrafo. Não consigo separar esta condição", afirma.

E foi assim que, ao seguir a família Majid numa noite em que deveria atravessar a fronteira para a Hungria, algumas crianças acabaram por ficar para trás. "Estava completamente escuro, não tinha nem a luz de uma vela, por algum engano de estratégia, as mulheres passaram, os homens passaram e algumas crianças ficaram para trás. Não tive dúvidas, ajudei as crianças a passarem, quando vi que estavam bem, dei a volta e entrei legalmente na Hungria", relembra. E foi na mesma Hungria, na estação de trem em Budapeste onde milhares de refugiados se aglomeravam, que ele foi chamado por um refugiado sírio que lhe pediu: "Por favor me escute, eu não quero ira para a Alemanha, eu preciso ir para a Alemanha", numa clara alusão de que não havia escolha para ele.

Não é a primeira vez que Mauricio Lima, representado no Brasil pela Doc Galeria, responsável por trazer a exposição ao Brasil e ao MIS, apresenta seu olhar humanitário. Ele que já esteve no Iraque, no Afeganistão, na Cisjordânia vem documentando o êxodo e as consequências de povos afetados por conflitos. Em 2015, ele passou 38 dias entre o norte da Síria e o Iraque, visitou as principais fronteiras que refugiados usam: Turquia, Grécia, Bulgária, Macedônia, Sérvia, Croacia e Hungria. Aliás, seu trabalho com os refugiados lhe rendeu em 2016 o prêmio Pulitzer de fotojornalismo. Foi o primeiro fotógrafo brasileiro a ganhar este prêmio. E foi neste momento que Mauricio Lima se recolheu, não concedendo entrevistas e sem querer falar do prêmio. "Não tinha nada para dizer. Falar o quê? Claro que fiquei feliz com o reconhecimento e pelas pessoas acreditarem no meu trabalho, mas só."

Em seu trabalho, a força de uma fotografia como forma de conscientização. "Eu acredito na fotografia como um diálogo, um momento de silêncio, onde a pessoa se encontra com a imagem. A fotografia como documento, como memória."

A crítica norte-americana Susie Linfield afirma: "As fotografias podem nos aproximar da experiência do sofrimento como nenhuma outra forma de arte ou jornalismo consegue fazer". Mauricio Lima faz.

MAIO FOTOGRAFIA NO MIS

MIS. Av. Europa, 158, 2117 4777. 3ª a sáb., 12h às 21h; dom. e fer., 11h às 20h. R$ 6. Até 28/5. Abertura na quarta-feira (12), às 18h

Agência Estado

Suécia respeita um minuto de silêncio por vítimas de atentado

Homenagens similares foram organizadas em todo o país e na capital vários suecos se aproximaram do local da tragédia.
Cerimônia em memória das vítimas na praça Sergels Torg, em Estocolmo.
Cerimônia em memória das vítimas na praça Sergels Torg, em Estocolmo. (AFP)

A Suécia observou nesta segunda-feira um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do atentado com um caminhão que deixou quatro mortos em Estocolmo na sexta-feira, um ataque que foi cometido, segundo a polícia, por um uzbeque que mostrava "simpatias" jihadistas.
Ao meio-dia desta segunda-feira (7h de Brasília), uma cerimônia solene foi organizada na Prefeitura de Estocolmo, na presença de membros da família real, do governo, do Parlamento e do corpo diplomático.
Sob chuva, o rei Carl XVI Gustaf, a rainha Silvia e boa parte da família real, assim como o primeiro-ministro Stefan Lövfen, permaneceram em silêncio. Homenagens similares foram organizadas em todo o país e na capital vários suecos se aproximaram do local da tragédia.
"Nós nunca vamos ceder à violência. Nunca deixaremos o terrorismo prevalecer", declarou prefeita de Estocolmo, Karin Wanngård, após o minuto de silêncio.
"Estocolmo vai continuar como uma cidade aberta e tolerante", completou.
No domingo, entre 20.000 e 50.000 pessoas se reuniram perto do local do atentado em uma "manifestação" pelo amor organizada no Facebook para demonstrar o repúdio ao terrorismo.

AFP

Estudantes surdos poderão ter acesso a vídeo com prova do Enem traduzida

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil
Pela primeira vez, estudantes surdos poderão ter acesso a vídeo com as questões do Enem traduzidas na Língua Brasileira de Sinais (Libras). O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) vai disponibilizar salas adaptadas, e o participante poderá escolher, na inscrição, se deseja participar da aplicação.
Os estudantes que optarem pela tradução no vídeo terão também acesso a um tradutor por dupla de candidatos, que poderá apenas esclarecer dúvidas pontuais de vocabulário. Eles preencherão o cartão de respostas normalmente. A disponilização do vídeo será feita este ano em caráter experimental.
A tradução integral do exame para Libras é demanda antiga, sobretudo daqueles que não são inicialmente alfabetizados em português, e pelo menos desde 2014  é discutida no Inep.
Atendimentos especializados
Neste ano, o Inep atualizou a lista daqueles que poderão pedir uma hora a mais de exame. Antes, isso era feito mediante o preenchimento de um formulário. Agora será na inscrição, com a apresentação de laudo comprovatório da deficiência ou condição necessária para o deferimento.
Segundo a autarquia, até o ano passado, candidatos com diabetes ou com distúrbios da tireoide, como hipotireoidismo, podiam pedir extensão do tempo. Casos como esse foram excluídos, e o tempo a mais será concedido a pessoas surdas, cegas, com déficit de atenção, dislexia, discalculia, entre outros, que deverão comprovar mediante laudos médicos.
Além do atendimento especializado, os participantes poderão solicitar atenção específica, voltada para gestantes, idosos, estudantes em classe hospitalar, entre outros.
O Inep também acrescentou a opção "outra condição específica" para os participantes que não se enquadram nos requisitos mínimos de atendimento especializado, mas precisam de algum recurso para a prova. Os pedidos serão avaliados por uma comissão de demanda.
Travestis e transexuais poderão pedir, em prazo determinado após a inscrição (de 29 de maio a 4 de junho), a utitlização do nome social.
Formulário
Os participantes que necessitarem de comprovação de que prestaram o exame poderão imprimir na própria página um formulário que será carimbado no local da prova. Antes, isso deveria ser solicitado ao Inep. Agora, o estudante deve levar o formulário impresso.
Enem
O Enem 2017 será realizado em dois domingos consecutivos – dias 5 e 12 de novembro – e não mais em um único fim de semana. As inscrições estarão abertas de 8 a 19 de maio. O edital está publicado hoje (10) no Diário Oficial da União.
No primeiro domingo, os estudantes farão provas de ciências humanas, linguagens e redação. No segundo, as provas serão de matemática e ciências da natureza.
O resultado das provas poderá ser usado em processos seletivos para vagas no ensino público superior, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para bolsas de estudo em instituições privadas, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e para obter financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Inep publica edital do Enem; taxa de inscrição será de R$ 82

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fica mais caro este ano. Para se inscrever, o candidato terá que pagar R$ 82. A nova taxa está no edital do exame, publicado hoje (10) no Diário Oficial da União. No ano passado, a taxa era de R$ 68.
As inscrições começam às 10h do dia 8 de maio e terminam às 23h59 do dia 19 de maio, pela internet, no site do Enem . O pagamento deve ser feito até o dia 24 de maio.
Segudo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a correção não só levou em conta a variação de preços pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como incorporou variações de anos anteriores que deixaram de ser aplicadas e parte da diferença entre o custo do exame e a taxa de inscrição.
Atualmente, o Inep cobre cerca de 70% do custo do exame. No ano passado, por exemplo, o custo, de R$ 91,49 por participante, foi R$ 23,49 acima do valor pago. A autarquia diz que mesmo com a alta, o Enem está abaixo da média dos vestibulares do país, que é R$ 140.
Isenções
Pelas regras do edital estão isentos da taxa os estudantes de escolas públicas que concluirão o ensino médio em 2017, os participantes de baixa renda que integram o CadÚnico e os que se enquadram na lei 12.799/2013 que, entre outros critérios, isenta de pagamento aqueles com renda igual ou inferior a um salário mínimo e meio, ou seja, R$ 1.405,50.
O Inep informa que vai conferir todos os pedidos de isenção. Caso o candidato não se enquadre, poderá gerar o boleto e pagar a taxa para participar do Enem. Se as informações prestadas forem falsas e for constatada concessão indevida de isenção, o participante será eliminado do exame e terá que ressarcir a taxa.
A partir deste ano, o sistema de inscrição permitirá que o participante informe o Número de Identificação Social, do CadÚnico. Para que a isenção seja validada, é preciso que os dados pessoais sejam iguais aos cadastrados na base da Receita Federal.
Os participantes isentos que não comparecerem nos dois dias de prova e quiserem fazer o Enem 2018 sem pagar a taxa terão que justificar a ausência por meio de atestado médico, documento judicial ou boletim de ocorrência. Caso contrário, perderão a isenção.
Enem
O Enem 2017 será realizado em dois domingos consecutivos – dias 5 e 12 de novembro – e não mais em um único fim de semana. No primeiro domingo, os estudantes farão provas de ciências humanas, linguagens e redação. No segundo, as provas serão de matemática e ciências da natureza.
Os resultados das provas poderão ser usados em processos seletivos para vagas no ensino superior público, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para bolsas de estudo em instituições privadas, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e para obter financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

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