(ACI).- Neste segundo domingo do mês de maio, é celebrado o Dia das Mães, aquelas mulheres a quem “cada pessoa humana deve a vida” e quase sempre também “muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual”, como disse o Papa Francisco em uma Catequese sobre as mães em janeiro de 2015.
“As mães – disse o Pontífice naquela ocasião – são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. ‘Indivíduo’ quer dizer ‘que não se pode dividir’. As mães, em vez disso, se ‘dividem’ a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer”.
Entretanto, essas mesmas mães muitas vezes não são escutadas e são pouco ajudadas na vida cotidiana, contrapôs o Papa, ressaltando que em certos casos “mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida”.
“No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus”, declarou Francisco, destacando o papel da Virgem Maria, a Mãe de Deus e nossa Mãe.
Nesse sentido, o Papa ainda acrescentou que uma sociedade sem mães seria desumana, pois elas sabem testemunhar sempre “a ternura, a dedicação, a força moral”, além de transmitirem “o sentido mais profundo da prática religiosa”, com as primeiras orações, gestos de devoção.
“E a Igreja é mãe – completou o Papa – é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe”.
Um dos maiores nomes da literatura do Estado, o autor completaria 85 anos nesta segunda-feira (23); em meio à quarentena, por prevenção ao coronavírus, engenhosas iniciativas fazem com que a data ainda assim seja fortalecida
“Criança não trabalha, criança dá trabalho”. Atemporais, os versos de uma das canções mais populares do grupo infantil Palavra Cantada parecem emergir com maior vigor nesses dias em que a realidade se torna (quase) insustentável em meio ao contexto de coronavírus.
De fato, criança dá trabalho, sim, especialmente quando reclusa em casa. É coisa de organismo e, mais ainda, um direito natural dela. Nosso dever, por outro lado, no posto de pais e mães que estão enfrentando o período de quarentena com os pequenos, é incentivar que toda essa energia deles seja concentrada em atividades que busquem entreter com inteligência e criatividade.
Nesse sentido, engenhosas iniciativas têm feito com que esse momento de pausa e prevenção seja estação, sobretudo, de descoberta. Diversos contadores de histórias do Brasil, por exemplo, têm realizado transmissões ao vivo no Instagram de modo a ecoar, na telinha, narrativas de toda ordem.
Irrefreável amor aos livros era característica intrínseca a Horácio Dídimo, que faria 85 anos hoje
Foto: Henrique Dídimo
O cronograma é diário e, nesta segunda-feira (23), ganha uma distinta textura, em especial para o cenário cearense. É que hoje celebramos, pela primeira vez em nossa história, o Dia Estadual do Livro Infantil.
A data é a mesma do aniversário de Horácio Dídimo (1935-2018), um ícone da literatura feita para crianças no Ceará, que completaria 85 anos hoje. Não é mera coincidência, porém.
No ano passado – em virtude de um desejo do filho do autor, Luciano Dídimo, de homenagear o pai – foi elaborado um projeto de lei, de autoria do Deputado Estadual Renato Roseno que, sancionado pelo governador Camilo Santana, tornou-se a lei 16.916, de 27 de junho de 2019, instituindo o 23 de março como o dia dedicado às narrativas para os miúdos.
“Sem dúvida, Horácio Dídimo influenciou uma infinidade de alunos durante toda a sua vida no magistério”, explica Luciano. “Seu alcance se dá no próprio ensino da Literatura Infantil, uma vez que as teorias publicadas em ensaios literários nas revistas de Letras da Universidade Federal do Ceará continuam a ser pesquisadas, estudadas e utilizadas por alunos e professores”.
Não à toa, de forma a celebrar a data, o Instituto Horácio Dídimo, do qual Luciano é diretor, organizou duas coletâneas inspiradas nas obras infantis “O Passarinho Carrancudo” e “As Historinhas do Mestre Jabuti”, escritas pelo literato. Trata-se de “Os Novos Poeminhas do Passarinho Carrancudo” e “As Novas Historinhas do Mestre Jabuti”, resultado de processo de edital público, em que foram selecionados 150 textos de aproximadamente 100 autores, e 150 ilustrações de 50 artistas visuais de todo o País. Por conta da contenção à proliferação do coronavírus, os lançamentos das obras foram suspensos, mas ainda haverá uma nova data para o feito.
As duas coletâneas que serão lançadas após a pandemia de coronavírus, em homenagem a Horácio Dídimo
REFLEXÕES
A inspiradora árvore de letrinhas regada por Horácio rendeu muitos frutos. Sobralense vivendo há anos em Fortaleza, Simone Pessoa é um deles. Ela estudou no Colégio Cearense, onde o autor e os filhos também cumpriram expediente.
“Vez por outra, o nome dele era suscitado nos bancos. Adulta, tive um maior contato com sua poesia. No gênero da literatura infantil, li o maravilhoso ‘O Menino Perguntador’”, conta. Dali, fez-se igualmente poeta e criadora de diversos títulos de literatura infantil.
É dela a autoria de três obras voltadas para o público de pouca idade: “O Pequeno Hércules e outras Fábulas Contemporâneas” (Armazém da Cultura), “A Menina e o Cachorrinho, Duas Irmãs”, premiado com o selo PAIC - Programa de Aprendizagem na Idade Certa; e “O Menino que entrou no Jogo” (Editora Illus).
“Creio que a literatura infantil deve versar sobre valores, tais como respeito ao outro, à vida, ao meio ambiente, além das relações familiares e sociais e dos costumes adaptados aos novos tempos. Tudo isso de forma criativa, diferente e sem didatismo. A criança valoriza a história em si, os personagens e as emoções que eles possam inspirar”, considera.
Por isso mesmo, Simone observa que há uma tendência entre os autores cearenses para a infância de ressaltar o cenário e a cultura locais, num rico processo de valorização nossa.
“Na coleção do PAIC, observei essa característica. Nesse mesmo rumo, meu livro de fábulas (‘O Pequeno Hércules e outras fábulas contemporâneas’), por exemplo, foi todo ambientado no sertão cearense e os personagens são animais típicos daqui, como tatu, urubu, cavalinho, cabra, jumento, lagartixa, pata etc”, diz.
Simone Pessoa é uma das autoras que integram a literatura infantil cearense
ROTA EMOTIVA
Em semelhante compasso, a escritora e poeta Fabiana Guimarães também é vetor importante de disseminação do universo das letras infantis no Ceará. Com cerca de 50 livros publicados em várias editoras (da Paulus à Colli Books, casa editorial belga) e quase 60 mil exemplares vendidos, ela também participa de uma diversidade de projetos literários, e brada:
“O livro parado na prateleira não tem vida. É preciso despertá-lo para a criança, acordando nela formas de se encantar com ele”.
Na ótica da autora, existem várias maneiras de fazer isso, métodos que o coração de um vocacionado educador certamente saberá como utilizar. “Aqui, incluo os pais como os primeiros e mais importantes educadores que, por meio da vivência da leitura e do amor aos livros, são, sem dúvida, os principais incentivadores por meio do exemplo”, destaca.
Quanto ao que pensa sobre Horácio Dídimo, o grande homenageado da data, diz: “É um querido. Tive a honra de ter meu primeiro livro de poemas, ‘Mar Violeta’, apreciado por ele. Acho de grande merecimento esta homenagem de atribuir a ele o Dia Estadual da Literatura Infantil, por tudo que ele representa para nós”.
Escritora e poeta Fabiana Guimarães tem cerca de 50 livros infantis publicados e quase 60 mil exemplares vendidos
Luciano que o diga. Quando evoca a imagem do pai, traz o irrefreável amor às leituras. “Era um apaixonado por livros! Quando minha mãe ia abrir alguma gaveta ou armário, tomava um susto porque estava cheio deles. Desde que me entendo por gente, sempre o via rodeado por obras”.
E recorda: “Na casa em que morávamos na Rua Juvenal Galeno, no Benfica, seu gabinete tinha estantes de livros do chão ao teto nas quatro paredes, às vezes com duas fileiras de obras em cada prateleira. Depois, fomos para o apartamento na Parquelândia e à medida que os filhos iam casando, ele ia ocupando os outros quartos com livros. Se ia ao shopping, ficava nas livrarias; nas viagens, sempre queria conhecer as livrarias de cada lugar”.
Assim, há muito o que se comemorar. Mas talvez haja algo mais forte, capaz de driblar a dobra do tempo e já ser eterno: “Ler livros na infância torna a pessoa capaz de ser um agente transformador, a fim de implementar, com eficácia, as mudanças que a nossa sociedade necessita. Mas deixo um alerta com as próprias palavras de Horácio Dídimo: ‘Em geral, um adulto não sabe escolher um livro bom para a criança ler, a não ser que a criança que ele foi ainda continue morando no coração dele’”.
O texto foi assinado pelo assessor do Pontífice, monsenhor L. Roberto Cona, em resposta ao exemplar "A Revolução das Crianças", no qual o escritor fala sobre a importância de acolher crianças refugiadas
Sergio Isso / Divulgação
Escritor e jornalista Raul Marques tem 15 livros publicados, entre eles três infantis
Autor de livros, crônicas, poesias, além de registros históricos, o escritor e jornalista Raul Marques está focado em explorar o universo lúdico da literatura infantil para despertar nas crianças o interesse pela leitura. Em janeiro deste ano, por exemplo, ele lançou "A Revolução das Crianças", publicado pela editora Penalux, que aborda a importância do acolhimento de crianças refugiadas. O livro foi contemplado no Edital do Prêmio Nelson Seixas 2019.
Na obra, os leitores são apresentadas à temática da imigração, que segundo o escritor é um assunto importante e que pode ser trabalhado desde cedo. De acordo com Raul, a história foi criada após observar sucessivas mortes de refugiados na Europa, a vinda de haitianos para o Brasil, em busca de uma vida mais digna, e a morte do garoto Alan Kurdi, no ano de 2015, na Turquia. Outra fonte de inspiração é a ativista paquistanesa Malala.
Para divulgar a obra, Raul Marques, em janeiro, enviou um exemplar do livro "A Revolução das Crianças" para o Vaticano. “Fiz isso porque sempre ouço o papa falar sobre a dura rotina dos refugiados no mundo. No livro, conto a história de uma menina que enfrenta dificuldade em seu primeiro dia de aula no novo país. Sua história muda, para melhor, porque os colegas a recebem com amor e empatia.”
Nesta sexta-feira, 6, o escritor e jornalista recebeu uma carta do Vaticano com uma mensagem do Papa Francisco. O texto, datado em 11 de fevereiro, foi assinado pelo assessor do Pontífice, monsenhor L. Roberto Cona. Um trecho da carta diz: "o Papa Francisco deseja felicidades ao senhor Raul, e invoca para a sua família a abundância das graças divinas, a fim de viverem constante e fielmente a condição de cristãos como bons filhos de Deus e da Igreja”. Raul Marques, que trabalhou no Diário da Região, afirma que ficou emocionado. “Estou sem palavras para descrever o que estou sentindo”, disse ele em suas redes sociais.
Patativa do Assaré (1909-2002) entrou na vida de Gilmar de Carvalho por conta de uma artimanha do pesquisador. Fascinado pelos poemas, quis conhecer o poeta. Fez, assim, de tudo para chegar a ele. "Quando assessorei Paulo Linhares, na Secretaria da Cultura, em 1993, cuidei da parte editorial. Decidimos reeditar os cordéis do Patativa, que ficariam numa caixa. Quando ficou pronta, fui entregá-la em Assaré. Foi nosso primeiro longo papo", conta.
A recordação vem acompanhada da bela parceria firmada logo ali, entre papéis, matéria-prima do afeto. Patativa lhe confiou os originais de "Aqui tem Coisa", penúltimo título do trovador, lançado no ano seguinte.
Gilmar, por sua vez, retribuiu estreitando o laço já firmado de bem-querer e respeito. "Decidi fazer um dia de entrevista com ele e este dia foi 15 de fevereiro de 1996. A conversa foi publicada em livro, com o título de 'Patativa Poeta Pássaro do Assaré', cuja segunda edição tem apresentação de Ria Lemaire".
A partir daí, o caminho foi sem volta. Visitas mensais conferiram mais de 500 páginas de diálogos, demarcando a força política, o compromisso com a terra e a cumplicidade do celebrado artista - um agricultor - com os homens e mulheres que trabalham o solo. Um mergulho profundo que, para além de constituir a epifania da vida de Gilmar de Carvalho, naturalmente concedeu ao pesquisador a propriedade e a expertise necessárias para continuar a perpetuar o legado do mais importante poeta popular cearense.
É com esse intento que o livro "O Melhor do Patativa do Assaré" vem a público hoje (5), às 20h, no memorial que leva o nome do trovador, localizado na cidade natal dele. O lançamento integra as comemorações do 111º aniversário de Patativa, e a obra - coedição das secretarias da Cultura e da Educação do Estado - será distribuída para estudantes de escolas públicas cearenses. Não estará, portanto, à venda.
A atividade é apenas uma das várias realizadas na 16ª edição do evento capitaneado pela Secretaria da Cultura do Ceará (Secult-CE), "Patativa do Assaré em Arte e Cultura", como forma de homenagear o poeta-ave. Além do momento, também acontecem, desde terça-feira (3), cortejos, shows, seminários e mesas-redondas, tudo de forma a chancelar a potência do que produziu Antônio Gonçalves da Silva.
Hoje, no exato dia do aniversário do cantador, ocorre também, para além do lançamento, a solenidade de entrega da Comenda Patativa do Assaré, que reconhece o trabalho de pesquisadores, artistas, poetas e cantores cujo ofício promove o alcance e a valorização da cultura popular tradicional. Os homenageados deste ano são o cineasta Rosemberg Cariry; o pesquisador e jornalista Gilmar de Carvalho; a cordelista Josenir Lacerda; o cantor e compositor Raimundo Fagner; e o pesquisador e escritor Oswald Barroso.
SELEÇÃO
Gilmar de Carvalho explica que falar em "o melhor do Patativa" é redundante porque tudo o que ele fez é melhor. Não à toa, o sentido da coletânea é exatamente preservar o pensamento do estudioso de que o poeta - apelidado de Patativa porque suas poesias eram comparadas com a beleza do canto da ave nativa da Chapada do Araripe - dizia não o que era melhor, mas o que gostava mais.
"A seleção dos poemas foi feita livro por livro. Ainda que criações migrassem de um livro para outro, temos aí um aspecto cronológico. Também pretendemos incluir os folhetos e o fizemos. Patativa está por inteiro nesta obra", situa.
Ainda assim, não é descartada a possibilidade de que outras antologias possam sair desse legado. Trata-se apenas de uma questão de oportunidade. "Se cada um dos estudiosos e pesquisadores que estão no livro fosse convidado para organizar outros volumes, teríamos pelo menos seis outras coletâneas. A criação dele passa por épocas, não por fases. Patativa manteve uma coerência, uma sinceridade que impressiona", complementa Gilmar.
Uma das provas disso é que o único livro dele, mais temático, é o que contempla os cordéis. Por sinal, não gostava muito de folhetos. Seriam comerciais demais para serem vendidos nas feiras.
"Ele tinha consciência de que seus poemas eram 'biscoitos finos', mas nunca fez alarde de sua genialidade, nem poderia fazer, já que ironizava os 'sábios vaidosos'".
Quanto aos estudiosos que Gilmar menciona como integrantes da obra, são vários a desfilar pelas páginas da publicação reiterando a relevância do poeta, tendo em vista que o conheceram e amaram-lhe. Rosemberg Cariry, cineasta, e Oswald Barroso, pesquisador e teatrólogo; Tadeu Feitosa, do Curso de Ciências da Informação da Universidade Federal do Ceará (UFC), cuja tese foi sobre Patativa; Eleuda de Carvalho, jornalista; Cláudio Henrique Andrade, sociólogo com mestrado e doutorado sobre o trovador; Ria Lemaire, professora; e Daniel Gonçalves, neto do artista.
Junto aos poemas, cada um dos textos assinados por esses profissionais oferece um panorama, abrindo muitas possibilidades de leituras, conferindo ao público-alvo do livro - estudantes de escolas públicas do Estado - um leque de oportunidades para "entrar" na obra de Patativa.
FORÇA
Gilmar de Carvalho destaca ainda que a proposta para idealizar o material veio em 2012, quando integrou a banca de doutorado de Eleuda de Carvalho, em Florianópolis, e visitou um centro de artesanato. Lá, encontrou, num mostruário, vários exemplares da "Poesia", de Cruz e Sousa, um poeta que Santa Catarina cultua.
"Folheei o livro e vi que a tiragem era de 100 mil exemplares. A recepcionista disse que a distribuição era gratuita e que eu poderia pegar quantos exemplares quisesse. Trouxe três. Tive a ideia de que poderíamos fazer algo parecido com o Patativa. O tempo é cruel, corrói as lembranças, e se não atuarmos neste sentido, a fruição da obra dele será comprometida num futuro próximo".
Daí que Fabiano Piúba, secretário da cultura do Ceará, "comprou" a sugestão, de acordo com o organizador, com entusiasmo. Foi motor para que o projeto amadurecesse e estivesse, agora, pronto.
No dia do aniversário do cantador, ocorre também, para além do lançamento, a solenidade de entrega da Comenda Patativa do Assaré
FOTO: FERNANDO TRAVESSONI
Para além dele, ainda haverá um paradidático que manterá o poeta em evidência, com projeto gráfico de Adriana Oliveira, revisão de Kelsen Bravos e fotos de Alexandre Vale e Francisco Sousa. "O livro ganhou fragmentos da fala do Patativa a partir das entrevistas feitas por mim, e que levam os leitores (as) diretamente à fonte, ao poeta maior".
Gigante mesmo. Na própria obra lançada agora, ficam bastante evidentes, especialmente para os não-iniciados na poética, os muitos ritmos trabalhados pelo artista, vitrine da magnitude expressa em versos. Diversidade de temáticas são abordadas tendo em comum a qualidade, uma espinha dorsal que pretende corrigir as mazelas sociais.
Gilmar, enfim, considera que cada criação assume um tom de denúncia capaz de não perder a excelência literária. Trata-se do testemunho e testamento de um homem que se fez poeta na própria aldeia (Serra de Santana), longe de modismos e rejeitando as tentativas de aceitação por parte do poder.
"Como diria minha amiga e orientadora Jerusa Pires Ferreira (falecida em 2019), vejo a produção do Patativa como um 'grande texto'. Como se fosse um mural dos pintores mexicanos, um dazibao chinês, um afresco medieval, um vitral de catedral europeia e uma parede de taipa de uma casa do sertão. Faço força para não segmentá-lo. Não quero colocá-lo em gavetas. A força de Patativa vem desta integridade e precisa ser difundida, levada ao vento para os que não tiveram o privilégio de conhecê-lo enquanto ele esteve entre nós".
POSSIBILIDADES
O livro, portanto, vem para consolidar que o poeta é sempre, ainda mais nestes tempos de obscurantismo. Nesse sentido, Gilmar recorda de alguns atos que vão ao encontro do espírito crítico do trovador.
"Ele ironizou Castelo Branco em uma quadra, também debochou de Collor de Mello, aproximou Collor com FHC, pelo fatos de ambos serem Fernando, e sempre elogiou Lula, a quem não chegou a ver na Presidência da República. Creio que ele estaria indignado com o que ouviria no rádio, na tevê, e com o que leriam para ele dos jornais. Devia estar triste pelo ponto de indigência política ao qual o Brasil chegou".
Ao mesmo tempo, o pesquisador comemora. O livro é chance de alavancar nome e versos muito importantes por entre corredores de escolas e da própria vida de quem terá contato com produções tão sublimes quanto fortes.
"Nossa expectativa é que muitas outras tiragens venham se somar a esta, dando ao livro a importância que ele precisa e merece ter. E penso não apenas na leitura, mas em uma recepção e recodificação que passe pelas tecnologias. Imagino poemas sendo filmados, fotografados, esquetes sendo montadas, instalações visuais sendo desenvolvidas, músicas a partir de Patativa, escrita de folhetos de cordel, cortes de xilogravuras com cenas dos poemas", enumera.
Um cenário feliz, possível de abraçar nobres causas, em conformidade com o espírito de quem espera que o novo rebento ganhe o mundo com as cores da sabedoria do autor sempre em voo. Um tanto do poeta pássaro, solidário aos homens e mulheres de todos os tempos.
PROGRAMAÇÃO
Entrega oficial de Títulos aos novos Mestres da Cultura Assareenses. Dona Inês (guardiã da Cultura Ceci do Assaré), poeta Dona Lúcia (doceira), Dona Marlene (caretas).
Horário: 14h
Local: Memorial Patativa do Assaré Centro, Assaré, Ceará
Mesa-redonda "Os Mestres da Cultura", com Alênio Carlos Noronha Alencar, coordenador de Patrimônio Cultural e Memória da Secult Ceará, e Vagner Gois, Secretário deCultura de Assaré.
Horário: 15h
Missa em ação de graças pelo aniversário de 111 anos do Poeta Patativa do Assaré.
Horário: 18h
Local: Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores Centro, Assaré, Ceará
Entrega da Comenda Patativa do Assaré do Governo do Estado do Ceará. Agraciados: Rosemberg Cariry (cineasta); Gilmar de Carvalho (jornalista e pesquisador); Josenir Lacerda (cordelista); Raimundo Fagner (cantor e compositor); Oswald Barroso (jornalista e pesquisador).
Horário: 19h
Local: Memorial Patativa do Assaré Centro, Assaré, Ceará
Lançamento do Livro "O Melhor do Patativa do Assaré" - Secult-CE / Organização: Gilmar de Carvalho
Horário: 20h
Entrega do Título de Cidadão Assareense. Agraciados: Luis Gastão e Fabiano Piúba.
Horário: 20h30
Local: Memorial Patativa do Assaré. Centro, Assaré, Ceará
CONHEÇA OS AGRACIADOS DA COMENDA PATATIVA DO ASSARÉ
Rosemberg Cariry
Nascido em Farias Brito, estreou em 1986 com o documentário de longa-metragem "O caldeirão da Santa Cruz do Deserto". Também produziu programas culturais e documentários sobre a história e as artes do Nordeste. Foi um dos criadores do movimento Nação Cariri e fez direção artística de vários discos de artistas cearenses, com destaque para a coleção Memória Viva do Povo Cearense. Ainda exerceu o cargo de secretário de Cultura da cidade de Crato (CE) e publicou quatro livros de poesia.
Gilmar de Carvalho
São vários os títulos que o profissional reúne. Natural de Sobral, é bacharel em Direito e Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará; mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo; e doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi professor do Departamento de Comunicação Social da UFC, posto que ocupou desde 1984. É pesquisador das tradições e culturas populares com livros publicados.
Josenir Lacerda
Nascida no Crato, tem trabalho alicerçado na cultura popular e publicou vários cordéis. Pioneira, é uma das fundadoras da Academia de Cordelistas do Crato (ACC), na qual ocupa a cadeira n° 03. Em 2014, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). É de sua expertise versejar em rimas. Dentre suas obras mais importantes estão "O matuto e o orelhão", "O segredo de Marina", "De volta ao Passado", "A Fábula do Peru", "O menino que nasceu falando" e "A danação de Julita".
Raimundo Fagner
Cearense de Orós, Fagner gravou, em 1980, o poema "Vaca Estrela e Boi Fubá", de autoria de Patativa. Amigos, os dois protagonizaram um dos momentos mais emocionantes de suas carreiras quando cantaram juntos, em Assaré, nos 88 anos do maior poeta popular do Brasil. Com projeção nacional e internacional, o cantor e compositor Fagner, cuja carreira começou na década de 1970, teve canções gravadas por grandes nomes da MPB. Um dos maiores sucessos é "Mucuripe", em parceria com Belchior.
Oswald Barroso
Dramaturgo, poeta, jornalista, folclorista e teatrólogo natural de Fortaleza, considera-se um multiartista pesquisador, atuando como uma espécie de griô: vê, ouve, sente e documenta a vida popular. Publicou dezenas de livros, compreendendo artigos, biografias, poesias e textos para teatro. Dentre as homenagens, o Prêmio Estado do Ceará (1985), o título de Cidadão Honorário de Juazeiro do Norte e a Medalha Brasileira Folclorista Emérito (2008), concedido pela Comissão Nacional de Folclore.
SERVIÇO
Lançamento do livro "O Melhor do Patativa do Assaré"
Nesta quinta-feira (5), às 20h, no Auditório do Memorial Patativa do Assaré (Rua. Cel. Francisco Gomes, 80, Assaré). Entrada franca. Contato: (88) 99713-2750
Escola de samba afrontou governo Bolsonaro ao homenagear o educador brasileiro alvo constante de ódio do presidente
São Paulo – Em disputa acirrada e decidida no último quesito, a escola de samba Águia de Ouro sagrou-se a grande campeã do Carnaval de São Paulo 2020, com o enredo “O poder do saber – Se saber é poder….Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. O samba fala sobre a importância da educação, a evolução do conhecimento humano e homenageou o educador Paulo Freire, alvo constante de ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem Partido), dos seus ministros e apoiadores.
Além de lembrar o patrono brasileiro da educação em uma das alegorias que lembrava uma escol, a Águias de Ouro lembrou uma das frases mais famosas do educador – “não se pode falar de educação sem amor” – e levou as arquibancadas a cantar repetir várias vezes “Viva Paulo Freire”.
O samba enredo campeão abordou a história do conhecimento, partindo da Idade da Pedra. A escola ainda incluiu em suas alas mensagens sobre diversidade e pessoas com deficiência.
É a primeira vez que a escola, que tem sede no bairro da Pompeia, zona oeste da capital, conquista a disputa no Grupo Especial. A Mancha Verde ficou em segundo lugar, seguida da Mocidade Alegre, em terceiro. As três, mais Acadêmicos do Tatuapé, que ficou em quarto, e Dragões da Real (quinto), voltam à avenida na próxima sexta-feira (28) para o Desfile das Campeãs.
As tradicionais X-9 Paulistana e Pérola Negra ficaram respectivamente em 13º e 14º lugares e foram rebaixadas para o Grupo de Acesso do Carnaval de São Paulo no ano que vem.
Com problemas técnicos em seu desfile, a Gaviões da Fiel ficou em 11º lugar, escapando do rebaixamento por 0,5 ponto.
Haddad irônico
O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) parabenizou a escola vencedora e aproveitou para provocar o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub.
“Quem sabe o Bolsonaro se anima, lê um livro do Paulo Freire e alfabetiza seu ministro. Parabéns Águia de Ouro: campeã do Carnaval 2020 de São Paulo”, postou no Twitter, ironizando a falta de conhecimento e leitura da dupla.
A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará torna pública a lista dos agraciados com a Comenda Patativa do Assaré 2020. São eles: Antônio Rosemberg de Moura; Francisco Gilmar Cavalcante de Carvalho; Josenir Amorim Alves de Lacerda; Raimundo Fagner Cândido Lopes e; Raimundo Oswald Cavalcante Barroso. Confira a Lista dos Agraciados com a Comenda Patativa do Assaré – 2020
As indicações foram abertas ao público, feitas online, sendo acompanhadas de justificativa do mérito dos nomes sugeridos. Os indicados foram avaliados por uma Comissão de Seleção composta por sete membros: três integrantes do Conselho Estadual de Política Cultural do Ceará (CEPC); dois integrantes da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará; um representante da Universidade Regional do Cariri (URCA); e um representante da Fundação Memorial Patativa do Assaré.
A condecoração visa promover o reconhecimento de pesquisadores, artistas, poetas e cantores populares e tradicionais que, assim como fez o grande poeta popular Patativa do Assaré, por meio de sua obra ou atuação, levam adiante os saberes e os fazeres da cultura popular tradicional.
Comenda Patativa do Assaré
A Comenda foi instituída pela Lei Estadual nº16.511 de 12.03.2018. A proposta de concessão da Comenda Patativa do Assaré é uma iniciativa da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult). Todos os nomes acima destacados, foram indicados pelo mérito dos agraciado, e submetidos a aprovação final pelo Conselho Estadual de Política Cultural do Ceará (CEPC).
Todos os agraciados preencheram os seguintes requisitos: distinguir-se por sua atuação no âmbito da cultura popular tradicional; ser autor de trabalho de notório mérito no âmbito da cultura popular tradicional.
Cerimônia de Entrega
A cerimônia de entrega da Comenda será realizada pelo Governo do Estado do Ceará, através da Secult, nos termos da Lei nº 16.511/2018, no próximo dia 05 de março de 2020, durante a Festa pelo nascimento de Antônio Gonçalves da Silva, o Poeta Patativa do Assaré, que faz parte do Calendário Cultural Oficial do Estado do Ceará, nos termos da Lei nº 16.510/2018, em evento aberto ao público e realizado na Cidade de Assaré.
Patativa do Assaré
Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nasceu no dia 05 de março de 1909, na Serra de Santana, no município de Assaré. Foi cantador, repentista, compositor e um dos maiores poetas populares do Brasil. Através de sua poesia, foi intérprete e porta-voz das tradições e valores do sertão e do povo excluído de seu tempo. Escreveu sobre amor, sobre o cotidiano e os dramas do sertanejo, sobre as dificuldades enfrentadas com a seca e sobre o desafio que as novas tecnologias representa às formas tradicionais de sociabilidade do sertão. Com a medida certa entre a emoção e a razão, nunca silenciou diante de censuras, nem mesmo durante o regime ditatorial. Colocou também sua poesia a serviço de lutas sociais, denunciando as desigualdades, a situação dos meninos de rua, reclamando por Reforma Agrária, reivindicando as eleições diretas e a renovação da política. Ganhou popularidade nacional e reconhecimento internacional como um dos maiores nomes da poesia brasileira por meio de diversas premiações, títulos e homenagens.
No calendário de celebração ao Dia Internacional da Mulher o Prêmio RioMar Mulher, que chega a sexta edição neste ano, exalta histórias de personalidades locais que inspiram. Em 2020, um grupo de dez mulheres que fazem a diferença nos meios onde estão inseridas serão homenageadas com a comenda. A solenidade de entrega acontecerá no dia 12 de março, às 19h, no Teatro RioMar Fortaleza.
Ana Miranda (Arte e Cultura), Celina Hissa (Moda), Fátima Dourado (Trabalho Social), Inês Melo (Saúde), Joana Ramalho (Economia e Negócios), Manuela Nogueira (Gestão Pública), Márcia Travessoni (Comunicação), Regina Costa e Silva (Arquitetura e Design), Rosa Mendonça (Justiça e Cidadania) e Zilma Gurgel Cavalcante (Educação) são os nomes desta edição do prêmio que busca reconhecer e destacar atuantes mulheres .
Após a cerimônia de entrega do título, o público poderá visitar a Exposição Fotográfica Prêmio RioMar Mulher, que difunde as histórias inspiradoras de cada homenageada. A exposição poderá ser visitada entre os dias 12 e 29 de março, no RioMar Fortaleza.
Sobre o Prêmio RioMar Mulher
O Prêmio começou a ser realizado na cidade de Fortaleza no ano de 2015. Ao longo dessas cinco edições já realizadas, 51 importantes mulheres foram reverenciadas. Nomes como Maria da Penha, Luciana Dummar, Ticiana Rolim, Mariana Lobo, Socorro França, Dora Andrade, Glória Marinho, Rossicléa, Adísia Sá e Patrícia Saboya já foram homenageados.
Gugu Liberato ganha mural de grafite próximo à sede da Record, em São PauloFoto: Fábio Vieira / FotoRua / Agência O Globo
Gugu Liberato, que morreu aos 60 anos após uma queda em sua casa em Orlando (EUA), ganhou uma homenagem nas ruas de São Paulo. O artista plástico Paulo Terra é o idealizador de um mural de grafite que mostra a trajetória do apresentador e que está sendo finalizado no muro de um estacionamento na Barra Funda, zona oeste de São Paulo.
"Eu sou muito fã do Gugu e acompanhei toda a carreira dele, desde a minha infância até hoje. Ele era um cara excepcional. Eu até já tinha pensado em fazer esse mural antes, mas infelizmente não deu tempo", disse Terra. Segundo ele, o trabalho que é desenvolvido deve ser concluído entre sexta (6) e sábado (7).
Terra é conhecido por outros grafites coloridos espalhados pela capital paulista, como o que representa o apresentador Silvio Santos. Ele também já grafitou rostos do personagem Chaves, Zeca Pagodinho, Faustão, Fátima Bernardes, Will Smith, Guga, Ratinho, Fernanda Montenegro, entre outros.
Canta Comigo
Na noite de quarta-feira (4), Gugu foi homenageado pela Record na final do Canta Comigo, último programa inédito que o apresentador deixou gravado.
Ao som da música "O Bêbado e a Equilibrista", a atração exibiu, na noite desta quarta-feira (4), imagens do artista e de cenas da temporada do reality show. "Vocês são especiais para mim. De verdade", disse Gugu. Na sequência, plateia, jurados e famosos como Xuxa, Sabrina Sato, Rodrigo Faro, Marcos Mion, Sônia Abrão, Geraldo Luís e Luiz Bacci, apareceram aplaudindo o apresentador.
No início do programa, o ator André Bankoff explicou que Gugu deixou gravado o anúncio de vencedor para os três finalistas, que foram escolhidos pelos cem jurados: Grupo Threerapia, Débora Neves e Franson. O campeão, porém, só seria definido em votação do público pelo site R7, que aconteceu na noite desta quarta-feira (4).
Franson, que cantou "I Just Call to Say I Love You", foi o vencedor com 72,8% dos votos. Foi só depois do anúncio da vitória dele, que a homenagem ao apresentador foi exibida.
Morte trágica
O apresentador Gugu Liberato, 60, teve a morte confirmada na noite da última sexta-feira (22) após ele passar dois dias internado em um hospital de Orlando, na Flórida, Estados Unidos, em decorrência de uma queda sofrida em casa. Ele despencou de uma altura de quatro metros, quando fazia um reparo no ar-condicionado instalado no sótão.
Cerca de duas semanas antes do acidente, Gugu foi dado como morto pela rede social da própria emissora, a Record. Na ocasião, ele teve de ir a público confirmar que estava bem. "Pessoal, alguém publicou que eu tive um enfarto. É fake, tá? Estou muito bem, obrigado", escreveu ele em seu Twitter.
Após a queda sofrida em sua casa, os médicos constaram que o apresentador não apresentava mais atividade cerebral, segundo a nota de falecimento, que não especifica a data exata da morte. Os familiares então autorizaram a doação de todos os seus órgãos, o que poderia beneficiar até 50 pessoas.
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) lamentou a morte do apresentador em suas redes sociais: "O país perde um dos maiores nomes da comunicação televisiva, que por décadas levou informação e alegria aos lares brasileiros. Que Deus o receba de braços abertos e conforte os corações de todos", disse a mensagem.
Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decretou luto de três dias em razão da morte do apresentador, que ele classificou como "um de seus principais comunicadores": "O Brasil perde um talento", afirmou em nota.
Já a Assembleia Legislativa ofereceu o salão nobre para a realização do velório.
Gugu Liberato deixa a mulher, Rose Miriam, e três filhos: João Augusto, de 18 anos, e as gêmeas Marina e Sofia.