Ameaçado de fechar as portas, Teatro da Praia é um dos últimos espaços culturais da Praia de Iracema

A mensagem recebida, em plena sexta-feira de Carnaval (21), foi das mais indigestas. Naquela altura, Carri Costa fora procurado pelos proprietários do imóvel no qual funciona o Teatro da Praia. Soube da proposta de compra do prédio. O valor informado apontava cifras em torno de R$ 900 mil.
"Fiquei meio suspenso, não perguntei quem iria comprar. Ouvi a notícia. A história do Teatro rolando na minha cabeça. Pedi calma, que iria pensar, colocar as ideias em dia. Ver o que poderia fazer", recorda, já na Quarta-feira de Cinzas, o ator e diretor. A folia e descanso do período momino desandaram. São 27 anos de existência somente naquele endereço.
Quase três décadas de história deixarem de existir era uma constatação que lhe martelava a mente. Carri optou por divulgar o imbróglio nas redes sociais. Ganhou apoio e a sensação de não estar só. Inicialmente, nada de apontar vilões. "Os donos do imóvel não me pressionam ou são más pessoas. Surgiu uma oportunidade de compra, e eles têm família também", adverte o responsável pelo Teatro.
Inaugurado oficialmente em abril de 1996 (o equipamento já funcionava três anos antes), o Teatro da Praia nasceu com um signo bem definido: ser palco democrático às artes. Nestes primeiros capítulos de trajetória, sediou oficinas voltadas à formação de atores e técnicos. Até serviu de cenário de videoclipe do cantor Falcão.
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Espaço de fruição das artes na Praia de Iracema
Foto: Fabiane de Paula
Montado num antigo galpão, datado, segundo contas do próprio Carri, dos anos 1930, foi erguido sem nenhuma característica arquitetônica luxuosa. A função do prédio era atender à antiga zona portuária da cidade, próxima ao cais do Porto e à Ponte dos Ingleses. Em 1997, a realização do I Festival de Esquetes de Fortaleza (Festfort), no Teatro da Praia, era o prenúncio de uma estrada marcada por provações e resistência.
O atual locatário tem prioridade na compra. Foi até perguntado se poderia cobrir os R$ 900 mil. Difícil realidade para quem quitou os últimos quatro aluguéis no sufoco. "O Teatro da Praia nunca se bancou. Tem uma bilheteria que geralmente é R$ 15. Cabe em torno de 150 pessoas. Há três ou quatro anos não lota. A acessibilidade no entorno do Dragão do Mar ficou complicada também. A média do nosso público é de 70, 80, às vezes 30 pessoas, no máximo. Então, como é que um espaço desse se mantém?", questiona o organizador.
Cenário
O caso Teatro da Praia se assemelha a outras casas culturais que deixaram de existir ou buscaram melhores dias longe da Praia de Iracema. Teatro da Boca Rica e Teatro das Marias encerraram as atividades e precisaram debandar diante dos muitos impasses de manutenção. Um duro golpe em quem respira e depende de cultura. Outras configurações de espaço como Alpendre - Casa de Arte, Amici's, Noise 3D, Hey Ho Rock Bar restam apenas na memória.
"Quando chegamos, não tinha Dragão do Mar, não existiam esses bares e boates. Trouxemos para cá, no início do Teatro da Praia, um público alternativo, gente que não ia para teatro. Com a vinda do Dragão, até pensamos que iria alavancar. Aconteceu o oposto, pelo não apoio. A proposta de tornar a área em uma grande zona cultural não aconteceu", critica Carri.
Respondendo pelo Teatro da Boca Rica, Rejane Reinaldo também volta no tempo. 1995 foi o ano de estabelecimento do teatro. A missão, ser por excelência um território voltado às artes da periferia e do interior do Ceará na Praia de Iracema.
teatro da boca ricateatro da boca rica
"A premissa era trabalhar o nosso teatro. Nosso teatro sempre foi de periferia, o Boca Rica que antes se chamava 'Grita' nasceu no Rodolfo Teófilo. Fomos para a Praia de Iracema com aquela ideia de ampliar nossos horizontes, fazer teatro, mas também ser um centro divulgador das artes populares. Fazer mostras de reisados, dramas, muito rock, hip hop", divide Rejane Reinaldo
Fabiane de Paula
"Muita gente por ali tinha aquela ideia de que viria o Dragão do Mar e teríamos um polo aglutinador. Com um arredor de muitos ateliês, teatros, centros culturais. Abertos, produzindo, para exatamente haver essa conexão, essa resposta, uma relação profunda com o Dragão", argumenta a atriz, diretora, professora universitária e pesquisadora.
Destinos
Hoje, após quase 20 anos de serviços prestados, o Teatro da Boca Rica retornou às origens. Funciona atualmente no bairro Rodolfo Teófilo. Migrar também foi a alternativa do Teatro das Marias, após sucessivas batalhas para manter a casa em Iracema.
Fundado em 2004, como residência oficial da Cia. Vatá, o Teatro das Marias investiu, ao longo desses anos, como um fomentador do mercado cultural cearense, com atividades de oficinas, residências, circo, teatro e realização de espetáculos.
Teatro das mariasTeatro das marias
"Em abril de 2018 fechei as portas do Teatro das Marias depois de resistir por 15 anos.Foram anos de luta e resistência. Brigando Lutando pela revigorada da Praia de Iracema e em especial por existir sendo um espaço cultural gerido e mantido por mim e minha família, quem muito me ajudou", relembra Valéria Pinheiro
Fabiane de Paula
A iniciativa mudou para o sertão cearense, precisamente no município de Jati, vilarejo Mãe D'Água. "Não tivemos apoio nenhum, em qualquer instância federal, estadual ou municipal para manutenção do Teatro das Marias. Até que tive que colocar tudo dentro de um caminhão e vir embora. Até hoje pago dívidas", explica a gestora do equipamento, Valéria Pinheiro.
A luta de Valéria segue em outro pedaço de chão cearense, tão carente ou mais de cultura como a região central de Fortaleza. "Temos que cobrar e exigir da pasta de cultura a manutenção de espaços... O Estado não é só Fortaleza O Cariri não é só Crato, Juazeiro e Barbalha. Enquanto eu existir serei uma voz forte", diz a realizadora.
Futuro
O Teatro da Praia, argumenta Carri, nunca funcionou como um espaço particular para fins comerciais. Muito pelo contrário. Desses 27 anos mobilizou a categoria de atrizes e atores. Na visão do artista, trouxe a cidade para a Praia de Iracema. O objetivo era que a população se apropriasse dessa casa cultural.
"Minha intenção é que o poder público me receba. Para mostrar a eles qual o valor desse lugar. É muito mais que esses 900 mil. É muito mais do que um prédio que venha a ser construído no local. Não é comprar um imóvel para mim. Isso aqui pode ser do Estado. Eu não quero é que o Teatro da Praia saia daqui. Não quero que esse espaço relevante se esvaia", acrescenta Carri Costa.
teatro da Praiateatro da Praia
"Para nós é difícil manter a limpeza do espaço. Não temos funcionários. Sou eu um casal de amigos que limpamos. Fazemos a bilheteria, varremos, espanamos. É uma coisa bem artesanal o Teatro da Praia. A questão humana é muito forte", explica o diretor
Fabiane de Paula
A Secretaria de Cultura do Ceará (Secult) afirma estar aberta a ouvir artistas, grupos e coletivos culturais, debatendo as políticas públicas para as artes e cultura. "Já estamos também em conversações com o próprio Carri Costa no sentido de pensar alternativas para a permanência desse teatro tão importante para a cena artística em nosso Estado", explica em nota a Secult. Dentre as ações programadas pela Pasta, consta o lançamento de edital específico para manutenção de espaços cênicos, previsto para o segundo semestre de 2020.
Sem perder o humor e o desejo de um melhor destino ao Teatro da Praia, Carri assume que a ideia é não parar. "A programação permanece. Muito pelo contrário, vou é aumentar. Estamos em cartaz de sexta-feira a domingo. Vou trazer mais pessoas para cá, chamar mais grupos", finaliza.
Nota da Secultfor:
A Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor) esclarece que o Teatro da Praia, bem de propriedade privada, não possui tombamento municipal. Por reconhecer a relevância da questão suscitada e a importância da manutenção do espaço como equipamento cultural, a Secultfor se dispõe ao diálogo com a direção do Teatro, o proprietário do imóvel e outros agentes para a avaliação dos cenários e encaminhamentos possíveis.
Diário do Nordeste

Reunião mensal Ordinária da AMLEF - 29/02/2020














Podcast: Aviso divino na Quaresma


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Por Pe Geovane Saraiva

Galanteio à moda antiga

Por Paulo Eduardo Mendes - Jornalista

Expressão poética. Beijar o sorriso! Parece pouco provável para os dias presentes. Captamos o galanteio vindo de uma conversa informal. Homem e mulher em enleio. Olho no olho. Sorriso nos lábios da bela jovem enamorada. O rapaz meio entorpecido pelo porte sedutor da sua companheira não resistiu e quebrou o silêncio indagando:  “Posso beijar o teu sorriso?”. Surpresa no olhar da sua musa que alargou o sorriso num derrame de beleza clássica. Personagem de filme num desempenho ao vivo de ternura! “Posso beijar o teu sorriso?”. Estava explícita a vontade de beijar os lábios da sua amada e conquistar o troféu de um sorriso franco.
A vida anda desvinculada desses arroubos de carinho. Aquela cena real emocionou todos os passageiros daquele transporte urbano. Silêncio cúmplice de quem acredita no amor como fonte de doçura e aproximação. A curiosidade era geral, no sentido de presenciar o “beijo no sorriso”. “Beijar o sorriso” seria uma declaração de amor contundente na concretização de uma carícia inusitada. Beijar o sorriso e acalentar o sonho de uma aproximação definitiva.

O casal da inusitada cena estava alheio a tudo. O sonho de fundir sorrisos estabelecia nova fórmula de decantar a ternura na simples troca suave da expressão sorridente da encantadora jovem. Ambos protagonistas de um ato de paz totalmente difuso da realidade brutal dos nossos dias. Sorrir. Gostar. Amar e dizer tudo através de um afeto nunca imaginado. Beijar e sorrir! Espíritos de luz na magia de atender aos  anseios. Um galanteio de autêntico espírito iluminado a ditar que o amor existe e nenhum constrangimento traz a quem o pratica de coração aberto. Beijar o sorriso ficou na nossa retentiva como a crônica do amor demais que ainda sobrevive na força espiritual de cada um.

Quaresma: aviso divino

Padre Geovane Saraiva*
No tempo litúrgico da Quaresma ficamos diante da história da salvação, do pecado da humanidade em Adão e da redenção dessa mesma humanidade, dom de Deus, no Filho Jesus; somos convidados a pensar na criatura humana, obra das mãos de Deus, pura e íntegra, modelada à sua imagem e semelhança (cf. Gn 2, 7-9). Neste tempo sagrado e abençoado da Quaresma (dias, noites e mesmo anos), numa forte simbologia, Deus quer se revelar e se manifestar, com sua afável presença, repleta de graças especiais, na vida e no mundo dos seres humanos.

Foto: Padre Geovane Saraiva,
vista da estrada na Serra de Baturité,
 de Aratuba a Mulungu CE
Deus quer dizer-nos que é necessário mais e mais convencermo-nos de que, quanto mais se ama, mais se aproxima de seus sinais salvíficos, no grande milagre do amor verdadeiro, daquele sem medida, em que não temeu coisa alguma, no que o apóstolo Paulo denominou “loucura”, pela entrega e doação do Filho, a vítima perfeita, no seu sentido mais sublime e redentor. Deus nos convida a contemplar sua face terna e compassiva, ao mesmo tempo em que nos chama para entrarmos na lógica do amor de seu Filho, prosseguimento de nossa caminhada rumo à eternidade.

Quaresma é o tempo apropriado para exercitar nossa fé e esperança, mergulhando na oração, participando da sabedoria que vem do alto. Deus nos concede graças, neste tempo favorável, para se compreender a dor e o sofrimento das pessoas e do mundo, mesmo porque sempre achamos que, da nossa parte, a contribuição foi feita. Não nos esqueçamos, porém, do espírito do Maligno a nos espreitar em armadilhas, presenteando-nos com o alimento dos frutos da ciência do bem e do mal, vivamente presentes, quando não se percebe o sofrimento humano, sempre cada vez mais visível, decorrente da ausência de gestos concretos, pelo choro do sofrimento de uma criança, nas famílias que se destrói e nos irmãos e irmãs que não descobrem o verdadeiro caminho da vida.

Fica patente o aviso de Deus, no chamado de todos a um compromisso, não nos esquecendo do dom da vida, na sua justa e devida valorização, na simplicidade e humildade de coração, sem jamais nos afastarmos da sabedoria encarnada do Pai, tesouro do amor maior. A vontade divina vem ao nosso encontro nesta Quaresma, na ruptura da indiferença, numa Igreja que se compromete com o dom da vida, que quer enxergar, de verdade, o sofrimento dos semelhantes, que quer ser mais humana e mais humanizada. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Reforma tributária

Por Gonzaga Mota - Professor aposentado da UFC

Há algum tempo, no Brasil, estamos debatendo e examinando a possibilidade da realização de algumas reformas. Reforma política, reforma tributária, reforma educacional, reforma administrativa, etc. Em resumo, as verdadeiras reformas devem proporcionar à nação brasileira melhores condições de desenvolvimento e justiça social. Assim sendo, duas vertentes de análise são fundamentais. Numa, precisamos saber se as reformas são para ajustes de caixa e políticas circunstanciais ou então para promoverem a consolidação da democracia e o crescimento econômico com inclusão social, e noutra, se são objetivos de Governo ou de Estado. Dentro desse prisma de referência e considerando as várias reformas, concentramo-nos, neste resumido texto, na chamada reforma tributária. Em 1995, há 25 anos, tivemos a honra de presidir a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. Realizamos um “Fórum de Debates” sobre a mencionada reforma. Convidamos três tributaristas com grande conhecimento da matéria Ary Oswaldo Mattos Filho, Alcides Jorge Costa e Geraldo Ataliba. Foram feitas três reuniões com os membros da Comissão que era constituída por deputados de escol, tais como: Antônio Kandir, Conceição Tavares, Delfim Netto, Francisco Dornelles, Luiz Carlos Hauly, Luís Roberto Ponte, Roberto Campos, Yeda Crusius, dentre outros. Apesar de algumas divergências, ao longo dos debates, foram elaborados os “Anais do Fórum”, consolidando sugestões de significativa importância nas áreas de segurança jurídica, desenvolvimento sustentado, simplificação do mecanismo fiscal, justiça fiscal, investimento, emprego, distribuição de renda (nos aspectos pessoal, regional e setorial), etc. Dessa forma, tomamos a liberdade de sugerir aos nobres parlamentares que hoje formam a Comissão Especial da Reforma Tributária que analisem e façam os devidos ajustes nos citados “Anais do Fórum”.

Convite à Harmonia

Nem o samba de Tom, imortalizado por João Gilberto, conseguiu ficar em uma nota só
Não existe Harmonia de uma nota só ou só de notas isoladas
Não existe Harmonia de uma nota só ou só de notas isoladas (Ivanna Blinova / Unsplash)
Afonso Barroso *
Amigo muito querido pediu-me que escrevesse um texto sobre Harmonia, segundo ele para “enriquecer” uma palestra que iria proferir com esse tema em encontro da maçonaria, confraria à qual pertence há muitos anos. Escrevi. E como achei interessante ao dar o texto por terminado, peço permissão a esse meu amigo para reproduzir trechos seletos nesta crônica.
Chamo a atenção para o fato de ter escrito o termo Harmonia sempre em caixa alta.
Disse eu que a língua portuguesa, assim como todas as outras, tem certas palavras inspiradoras da própria vida. Palavras cujo significado define a convivência humana e traduz boa parte dos desígnios de Deus, que para a maçonaria é o Grande Arquiteto do Universo. Uma dessas palavras, possivelmente a de conteúdo mais denso e profundo, é Harmonia. Palavra singular porque, paradoxalmente, tem sentido plural. Sim, é plural no seu aspecto amplo, na sua verdadeira essência e significado. Quando pensamos em Harmonia, o primeiro e necessário exemplo que nos vem à mente é a música instrumental, especialmente a dos grandes mestres. Não existe Harmonia de uma nota só ou só de notas isoladas. Para ter Harmonia, a música precisa de uma combinação de notas. De duas, de três, de quatro, de muitas tocadas simultaneamente. O próprio “Samba de uma nota só”, de Tom Jobim, imortalizado por João Gilberto e seu violão mágico, não ficou apenas em uma nota, teve de incorporar outras para buscar Harmonia em acordes, mesmo que dissonantes, e assim completar e aperfeiçoar a bela composição do cancioneiro da Bossa Nova.
O mesmo se dá com as pessoas. Não há Harmonia num único indivíduo. É bem verdade que um ser humano sozinho, isolado, pode estar em Harmonia consigo mesmo, e é saudável que esteja. Mas, antes, ele precisa estar em Harmonia com as pessoas que o cercam. Com seus parentes, seus amigos e todos aqueles que com ele partilham o lar, a convivência, a comunidade. Ninguém jamais estará em paz consigo mesmo se não estiver em paz com os seus semelhantes.
Harmonia, portanto, quer dizer diálogo. Solidariedade. Comunhão de ideias. Mesmo que sejam ideias divergentes, elas acabam se integrando e levam, no final das contas, à Harmonia, que é uma espécie de anseio coletivo, de vocação universal. Só os radicais praticam a desarmonia. Mas esses são seres à parte, e devem ser deixados à sua mercê, pois estão condenados a uma permanente e insanável ausência de Harmonia interna e externa. Estarão sempre sós, sem vida, sem alma, sem mundo.
Cito aqui uma das afirmações mais emblemáticas que conhecemos, produzida pela sabedoria de Cícero, o grande filósofo e tribuno romano. Disse ele: “Dentre todas as sociedades, não há nenhuma mais nobre e mais estável do que aquela em que os homens estejam unidos pelo amor”. Troquemos a palavra amor por Harmonia e a frase de Cicero terá exatamente o mesmo sentido.
“Se existir aqui nesta nossa comunidade alguém que assim não pense, alguém que tenha vocação para desconstruir ou até para destruir, ou seja, para desarmonizar, melhor que se desligue de nos outros, que busque outras companhias e nos deixe em paz. Em palavras menos suaves, que vá baixar em outro centro”.
Escrevi este último parágrafo entre aspas, porque foi assim que o meu amigo concluiu sua fala na reunião da loja maçônica. Disse que foi muito aplaudido.
*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

Com homenagens a Paulo Freire, Águia de Ouro é campeã do carnaval de São Paulo

Escola de samba apresentou enredo com o tema educação, alvo de ataques do governo Bolsonaro, e puxou gritos de viva ao educador no sambódromo


Escola de samba afrontou governo Bolsonaro ao homenagear o educador brasileiro alvo constante de ódio do presidente
São Paulo – Em disputa acirrada e decidida no último quesito, a escola de samba Águia de Ouro sagrou-se a grande campeã do Carnaval de São Paulo 2020, com o enredo “O poder do saber – Se saber é poder….Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. O samba fala sobre a importância da educação, a evolução do conhecimento humano e homenageou o educador Paulo Freire, alvo constante de ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem Partido), dos seus ministros e apoiadores.
Além de lembrar o patrono brasileiro da educação em uma das alegorias que lembrava uma escol, a Águias de Ouro lembrou uma das frases mais famosas do educador – “não se pode falar de educação sem amor” – e levou as arquibancadas a cantar repetir várias vezes “Viva Paulo Freire”.
O samba enredo campeão abordou a história do conhecimento, partindo da Idade da Pedra. A escola ainda incluiu em suas alas mensagens sobre diversidade e pessoas com deficiência.
É a primeira vez que a escola, que tem sede no bairro da Pompeia, zona oeste da capital, conquista a disputa no Grupo Especial. A Mancha Verde ficou em segundo lugar, seguida da Mocidade Alegre, em terceiro. As três, mais Acadêmicos do Tatuapé, que ficou em quarto, e Dragões da Real (quinto), voltam à avenida na próxima sexta-feira (28) para o Desfile das Campeãs.
As tradicionais X-9 Paulistana e Pérola Negra ficaram respectivamente em 13º e 14º lugares e foram rebaixadas para o Grupo de Acesso do Carnaval de São Paulo no ano que vem.
Com problemas técnicos em seu desfile, a Gaviões da Fiel ficou em 11º lugar, escapando do rebaixamento por 0,5 ponto.

Haddad irônico

O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) parabenizou a escola vencedora e aproveitou para provocar o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub.
“Quem sabe o Bolsonaro se anima, lê um livro do Paulo Freire e alfabetiza seu ministro. Parabéns Águia de Ouro: campeã do Carnaval 2020 de São Paulo”, postou no Twitter, ironizando a falta de conhecimento e leitura da dupla.

Esperança nas Mídias (as sociais!)

A compilação de dados em informação útil e sua divulgação nas novas mídias farão com que os reis fiquem nus


Vanitas vanitatum et omnia Vanitas

Vanitas vanitatum et omnia Vanitas (Yura Fresh/ Unsplash)
Jose Antonio de Sousa Neto*
Tenho observado uma imensa desconexão, um abismo na verdade, entre a mídia tradicional e as mídias sociais. Ou a primeira está subestimando a segunda ou, como um jogador desesperado em um cassino, está indo para o tudo ou nada. Mais provavelmente uma combinação das duas coisas. No segundo caso, com a convicção ou talvez, como dizem os anglo saxões, um grande “wishfull thinking” (desejo tão grande de que seja verdade que se desconecta da realidade) de que o que sempre deu certo no passado vai continuar dando certo no futuro, seguem aumentando suas apostas. Convictos da ignorância de muitos seguem firmes na água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Evidentemente em minhas reflexões fico me perguntando se não estou em uma bolha. Mas aí começo a observar que minhas relações mais diretas, e as relações destas relações, e as relações das relações das relações e assim por diante em uma longa cadeia, estão em um outro universo em relação a grande mídia ou o contrário. E mesmo que este grupo possa ser minoritário (será?) certamente não é pequeno e parece crescer (se não for wishfull thinking meu...).
Talvez a hipocrisia das mídias tradicionais tenha chegado a patamares tão elevados que mesmo os desatentos sentem que tem algo muito errado. Ignorar os interesses pecuniários e as insanas lutas pelo poder é evidentemente uma ingenuidade. Há ainda as questões ideológicas com pessoas ainda defendendo modelos que sempre trouxeram destruição moral, ética e econômica. Claro que neste caso os discursos, mesmo contradizendo frontalmente aos fatos, alegam messianicamente estar buscando a “salvação da sociedade”. Quando vejo algumas “celebridades” (acho que esta definição beira o absurdo, mas....) dos mais diversos setores, organizações e instituições, me lembro imediatamente de Eclesiastes: “Vanitas vanitatum et omnia Vanitas" (Vaidade das vaidades, tudo é vaidade). Obviamente é tanta a vaidade que mesmo uma anamnese simples indica claramente uma pandemia de cegueira espiritual. A inveja e o orgulho também fazem parte desta receita.
As mídias sociais, também como um reflexo da natureza humana no seu atual estágio de evolução, estão cheias de imperfeições e manipulações. Mas sem o filtro de “verdades” que são escolhidas, estão mais para um instrumento de emancipação e libertação do que o contrário. Por isso os inúmeros candidatos a tiranos do século vinte e um, em diversas partes do mundo, querem de todas as formas controla-las.  Mas elas estão ganhando um aliado de força avassaladora: Os recursos da inteligência expandida e da inteligência artificial. O cruzamento de dados, inclusive os dados não estruturados das próprias mídias sociais, vai tornar transparente a má fé de pessoas, as graves distorções institucionais e até mesmo, talvez, resgatar o jornalismo a suas origens filosóficas, morais e éticas. Se não for por uma epifania virá forçosamente por pragmatismo. Alguns acreditam que no mundo espiritual as almas são transparentes e não podem esconder o que são. Talvez neste contexto o maior inferno seja o da vergonha e do arrependimento por males causados em alguns casos a milhares e milhões. As calunias e as distorções caluniosas são talvez a forma mais perniciosa do mal.
Este mundo nunca será capaz de nos trazer a verdadeira paz. Nem com o avanço exponencial da tecnologia. Mas este avanço do acesso aos dados em escala inimaginável, de sua compilação em informação útil e de sua divulgação nas novas mídias fará que cada vez mais os reis dos poderes (formais e informais) estabelecidos fiquem nus. Mesmo que as resistências e manipulações atrasem o processo, se os golpes forem vencidos, isto inexoravelmente acontecerá. Nunca pensei que diria isso, mas “viva os (bons) algoritmos!”
*José Antonio de Sousa Neto é professor da EMGE

Novo coronavírus esvazia igrejas e museus de Milão

Movimento de turistas cai a níveis assustadores

A cosmopolita cidade de Milão, na Itália, está irreconhecível. Ruas praticamente vazias e museus, igreja e bares fechados como medida de prevenção ao surto epidêmico do novo coronavírus.
O medo instalou-se e os turistas fugiram da cidade. Foram canceladas mais de 40% das reservas nos hotéis.
CHINA-HEALTH/ITALY
Mulheres de máscaras fazem compras em um mercado de Milão - FLAVIO LO SCALZO/Reuters/Direitos Reservados
O movimento nos restaurantes desabou. Ainda na Europa, em Portugal não há registro de qualquer caso de infecção pelo novo covid-19.
Agência Brasil 

Não esperes por ti. Decide-te.

Há quem julgue que só é livre quem não tem destino e vagueia sem critério. Marcando e desmarcando compromissos como se fossem algo insignificante ou contrário à liberdade.
Aquilo que és e aquilo que não és (mas podes ser) é da tua inteira responsabilidade.
Não faz sentido que esperes que alguém faça o que de bom podes ser tu a fazer. Isso é uma forma de preguiça e comodismo que não te desresponsabiliza.
Ser responsável é ser senhor das respostas que justificam as escolhas que se fez. Ainda que seja um “não sei”, desde que honesto.
Como é que decides? Tens um critério? Tens um sentido e um objetivo? Há algo te chama ou estás só a fugir? Segues um determinado rumo ou qualquer um te serve? A tua vida é uma aventura ou uma desventura?
Recolhe-te por algum tempo, concentra-te no que é importante, esquecendo, por um dia ou dois, o que é urgente. Desabafa contigo mesmo até te cansares, depois escuta-te com atenção, mas não esperes respostas de imediato. Por vezes, é mesmo importante descansar primeiro. Confia.
És o autor da tua vida e ainda acumulas o papel de protagonista com o de antagonista. Mais, serás sempre o único espectador de todos os atos da tua existência.
Não esperes por ti, faz tudo o que está ao teu alcance para seres o que queres ser.

Fonte: https://agencia.ecclesia.pt
Autor:José Luís Nunes Martins

Samba no pé

Por Paulo Eduardo Mendes - Jornalista

Pode parecer incrível. Não é. Os clarins, os batuques já anunciam a vinda dos mil sons da alegria. A aproximação do Carnaval é indiscutível. As trombetas silenciosas “tocam” nas páginas dos jornais avisando todos os passos da folia. O rádio e a televisão complementam os acordes carnavalescos. O ser humano lê cada folha do periódico e começa a recordação dos anos idos. Sonhos e quimeras adormecidos!
Estamos em pleno período Momino. Fazer o que neste ano? – Quem sabe pular e dançar na doce ilusão de viver o ontem. A companheira do lado sorrindo, igualmente nostálgica, lembrando a fantasia coberta de lantejoulas em tecido de seda leve... Carnaval alegria contida ou explosiva anima o brasileiro sempre bom de samba no pé. Saracoteios e trejeitos vindos à sombra de um sorriso quase de criança... Os filhos, agora mais adultos, sorriem indulgentes da “lembrança” dos pais. Tentam entender visitando o “Google” que mostra o lado “moderninho“ deste tal Carnaval!
Outros tempos, não restam dúvidas. A vivência do ontem num “choque” de emoções com os jovens da informática que são capazes de “brincar” com o celular na mão e, “na maior ternura do mundo”, digitando seus encontros com o invisível! Carnaval de rua onde? As ruas estão poluídas pelo medo constante de uma agressão, um assalto e tudo o mais?
Mundo maluco? – Maluco não seria o Carnaval tirando do sério muita gente de responsabilidade para viver o tipo contrário à sua personalidade sisuda? – Meu Deus! É Carnaval e só nos resta brincar do “faz de conta” e ler muito jornal que ainda conta histórias saudosista do período de Momo. Vamos formar o bloco dos... (fica a critério do leitor o nome do bloco).

Feliz carnaval para todos e “viva o Zé Pereira!”.

Padre Cícero: fé e razão

Por Gonzaga Mota - Professor aposentado da UFC

Padre Cícero, cearense do Cariri, religioso por convicção e sentimento, como também político em razão de fatores circunstanciais, nunca abandonou os princípios básicos da justiça social, da oração e do trabalho. Falar ou escrever sobre a vida e a obra do grande Padre Cícero Romão Batista- “Padim Ciço”- poderia ser mais um texto biográfico, dentre vários brilhantes, mostrando sua luta em favor dos mais humildes. Foi responsável pela expansão da fé não só no Nordeste do Brasil, mas no restante do País e com reflexos em outros. Como sua vida não foi analisada com a merecida ênfase, tomando-se por base aspectos teológicos e filosóficos, fez-se do ilustre patriarca uma figura polêmica, quando na verdade deveria ser uma unanimidade. Padre Cícero, a rigor, seguiu o tomismo, ou seja, o pensamento de Santo Tomás de Aquino, tendo por ponto fundamental a doutrina escolástica, buscando a harmonia entre o racionalismo aristotélico e os ensinamentos do Cristianismo. A doutrina de Aristóteles caracterizou-se pela diversidade e complexidade temática, bem como pela sistematização e aperfeiçoamento de todos os saberes de seu tempo. Ademais, ninguém pode negar que Padre Cícero também se inspirou na filosofia metafísica cristã de Santo Agostinho (Escola patrística). Este tomou por base a doutrina de Platão, caracterizada por ideologias eternas e transcendentes, importantes para a consolidação do comportamento moral e da organização política. Pode-se dizer que Padre Cícero foi um discípulo de Santo Tomás de Aquino e de Santo Agostinho. Lamentavelmente, muitos não entenderam e não comentaram. Como católico praticante, acredito ser necessária uma análise mais profunda das atitudes e do pensamento do Padre Cícero, à luz das doutrinas básicas da Igreja, envolvendo diretrizes filosóficas e teológicas. Salve nosso querido Padre Cícero.

PODCAST: Quaresma: tempo de conversão e graça



Por Pe. Geovane Saraiva

Flipoços aposta em tema ligado à mulher na literatura e divulga programação

Festival Literário Internacional acontece de 25 de abril a 3 de maio em Poços de Caldas (MG).

Por G1 Sul de Minas — Poços de Caldas, MG
O Festival Literário Internacional (Flipoços) em Poços de Caldas (MG) de 2020 terá como tema central a participação das mulheres na literatura. A organização divulgou parte da programação oficial, que inclui grandes nomes da literatura, do jornalismo e outras áreas.
Em 2020, o festival comemora 15 anos e acontece entre 25 de abril a 3 de maio. Entre os convidados, estão a ministra do Supremo Tribunal Federal Carmem Lúcia, a jornalista Miriam Leitão, e a promotora Dra. Luiza Nagib Eluf.
A organização ressaltou que a programação ainda terá mais atrações a serem divulgadas nas próximas semanas. Entre os nomes confirmados, o festival terá mesas que vão debater a participação feminina em várias áreas e relembrar grande autoras.
Além de mesas de debates, o Flipoços tem lançamento de livros, exposição, feira com vendas de milhares de títulos, encontro de escritores, mostra de cinema e apresentações artísticas. 
As primeiras atrações confirmadas estão disponíveis no site. A programação é gratuita, mas algumas palestras, consideradas “máster”, exigem a troca de ingressos com a doação de livros de literatura em bom estado. 
Os ingressos podem ser retirados a partir de 23 de março no escritório da GSC Eventos Especiais. O endereço é Rua Prefeito Chagas, 305, sala 308, no Centro de Poços de Caldas. Quem for de outra cidade, vale também enviar e-mail de reserva para o mesmo endereço.

Nas flores o mistério

Padre Geovane Saraiva*
A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, casamentoAs cinzas colocadas em nossas cabeças são um sinal claro a nos penitenciar durante a Quaresma, no sentido de que viemos do pó e ao pó voltaremos. Evidentemente, não somos restringidos ao pó, mas somos um povo da esperança, salvo pela cruz e ressurreição de Jesus. As flores, que tanto sinalizam e representam para os olhos humanos o que a natureza – na sua dádiva – desenvolveu e aprimorou, devem cessar na Liturgia da Quaresma. Cessam, associadas ao que temos de mais encantador, agradável, elevado, harmônico e sedutor, no que existe de belo, alegre e perfeito, para voltar na Páscoa do Senhor.

Foto: Padre Geovane Saraiva,
vista da estrada na Serra de Baturité,
 de Aratuba a Mulungu CE
Elas ajudam a render graças a Deus, infinitamente grandes, muito além da nossa capacidade de imaginar. Ajudam a pensar num Deus perto de nós, em Jesus de Nazaré, sempre a contar conosco, mesmo sendo nós criaturas passivas e lentas. Ele quer realizar maravilhas em nossa vida, indicando-nos total abertura, sendo a porta sempre aberta que, de esperança em esperança, não cessa com seu enfático convite,  permanente no duelo da vida que se depara com a morte. Ele também nos convence de colocar todas as nossas forças em favor de um mundo melhor, a nos assegurar a partir do sentido da superioridade: “Que eu aprenda, afinal, com a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a cobrir de véus o acidental e efêmero, deixando em primeiro plano apenas o mistério da Redenção”.

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A compreensão das flores, que embora tenham que murchar, nos faz pensar metaforicamente no mistério da paixão de Jesus, nós que fomos criados para apreciar e valorizar sua beleza, não dentro de um sentimento de que estamos envolvidos em tristeza e prejudicados nos limites precários e transitórios da vida, mas tal tristeza não significa desespero, e, sim, nosso amor pela vida, num lúcido discernimento, a ponto de se dar um profundo mergulho nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, na abertura do nosso coração, agora por ocasião da Quaresma.

Eis o nosso desafio: de viver o Evangelho de Jesus no convite à conversão do coração, na alegre redescoberta da verdadeira flor, ao mergulhar no espírito enriquecedor deste tempo precioso, fortalecendo-nos no combate contra o espírito do mal, também a estimular nossas ações por uma Igreja em saída, inclusiva e solidária, como no lema da Campanha da Fraternidade de 2020: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc, 10, 33-34). Assim seja!

Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).
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