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Esperança nas Mídias (as sociais!)

A compilação de dados em informação útil e sua divulgação nas novas mídias farão com que os reis fiquem nus


Vanitas vanitatum et omnia Vanitas

Vanitas vanitatum et omnia Vanitas (Yura Fresh/ Unsplash)
Jose Antonio de Sousa Neto*
Tenho observado uma imensa desconexão, um abismo na verdade, entre a mídia tradicional e as mídias sociais. Ou a primeira está subestimando a segunda ou, como um jogador desesperado em um cassino, está indo para o tudo ou nada. Mais provavelmente uma combinação das duas coisas. No segundo caso, com a convicção ou talvez, como dizem os anglo saxões, um grande “wishfull thinking” (desejo tão grande de que seja verdade que se desconecta da realidade) de que o que sempre deu certo no passado vai continuar dando certo no futuro, seguem aumentando suas apostas. Convictos da ignorância de muitos seguem firmes na água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Evidentemente em minhas reflexões fico me perguntando se não estou em uma bolha. Mas aí começo a observar que minhas relações mais diretas, e as relações destas relações, e as relações das relações das relações e assim por diante em uma longa cadeia, estão em um outro universo em relação a grande mídia ou o contrário. E mesmo que este grupo possa ser minoritário (será?) certamente não é pequeno e parece crescer (se não for wishfull thinking meu...).
Talvez a hipocrisia das mídias tradicionais tenha chegado a patamares tão elevados que mesmo os desatentos sentem que tem algo muito errado. Ignorar os interesses pecuniários e as insanas lutas pelo poder é evidentemente uma ingenuidade. Há ainda as questões ideológicas com pessoas ainda defendendo modelos que sempre trouxeram destruição moral, ética e econômica. Claro que neste caso os discursos, mesmo contradizendo frontalmente aos fatos, alegam messianicamente estar buscando a “salvação da sociedade”. Quando vejo algumas “celebridades” (acho que esta definição beira o absurdo, mas....) dos mais diversos setores, organizações e instituições, me lembro imediatamente de Eclesiastes: “Vanitas vanitatum et omnia Vanitas" (Vaidade das vaidades, tudo é vaidade). Obviamente é tanta a vaidade que mesmo uma anamnese simples indica claramente uma pandemia de cegueira espiritual. A inveja e o orgulho também fazem parte desta receita.
As mídias sociais, também como um reflexo da natureza humana no seu atual estágio de evolução, estão cheias de imperfeições e manipulações. Mas sem o filtro de “verdades” que são escolhidas, estão mais para um instrumento de emancipação e libertação do que o contrário. Por isso os inúmeros candidatos a tiranos do século vinte e um, em diversas partes do mundo, querem de todas as formas controla-las.  Mas elas estão ganhando um aliado de força avassaladora: Os recursos da inteligência expandida e da inteligência artificial. O cruzamento de dados, inclusive os dados não estruturados das próprias mídias sociais, vai tornar transparente a má fé de pessoas, as graves distorções institucionais e até mesmo, talvez, resgatar o jornalismo a suas origens filosóficas, morais e éticas. Se não for por uma epifania virá forçosamente por pragmatismo. Alguns acreditam que no mundo espiritual as almas são transparentes e não podem esconder o que são. Talvez neste contexto o maior inferno seja o da vergonha e do arrependimento por males causados em alguns casos a milhares e milhões. As calunias e as distorções caluniosas são talvez a forma mais perniciosa do mal.
Este mundo nunca será capaz de nos trazer a verdadeira paz. Nem com o avanço exponencial da tecnologia. Mas este avanço do acesso aos dados em escala inimaginável, de sua compilação em informação útil e de sua divulgação nas novas mídias fará que cada vez mais os reis dos poderes (formais e informais) estabelecidos fiquem nus. Mesmo que as resistências e manipulações atrasem o processo, se os golpes forem vencidos, isto inexoravelmente acontecerá. Nunca pensei que diria isso, mas “viva os (bons) algoritmos!”
*José Antonio de Sousa Neto é professor da EMGE

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