20 de outubro de 2017

Democracia justa

Gonzaga Mota*
A política é mutável ou dinâmica, já a moral é permanente. O importante é compatibilizar a política e a moral dentro de bases éticas que respeitem a liberdade, a democracia, a estrutura legal e a justiça social. Vale lembrar Bacon: "Como é estranho ambicionar o poder e perder a liberdade". Alcançaremos a verdadeira governabilidade mediante o atendimento das reais necessidades e carências do povo e não fazendo concessões e acordos que possam prejudicá-lo, objetivando a manutenção do poder.
A rigor, é difícil imaginar soluções para os problemas de uma sociedade; enquanto as pessoas não tiverem consciência crítica ela não evolui. Buscar um mandato eletivo ou exercer uma atividade pública significa muita responsabilidade. Por outro lado, a coerência programática e de ideias, abrangendo indicadores políticos, administrativos, econômicos e sociais, nos leva ao caminho da Justiça e da liberdade. A atividade estatal deve buscar o bem comum e não a vantagem de uma minoria ou de alguns que estão temporariamente no governo. O objetivo da política é a conquista, a expansão e a preservação dos espaços de poder. O embate e os jogos dos contrários constituem a essência dos sistemas democráticos, respeitando-se os princípios éticos e morais, bem como evitando-se emboscadas e conluios. É claro que a situação socioeconômica, notadamente nos países emergentes, incluindo-se o Brasil, ainda é muito grave, porém a desejada independência e harmonia dos poderes constituídos, a liberdade de imprensa e a consciência dos direitos e obrigações das pessoas, são pontos básicos à consolidação da democracia.
*Professor aposentado da UFC

Che Guevara, um leitor compulsivo em plena selva

Ernesto ‘Che’ Guevara lendo no Congo em 1965.
Ernesto ‘Che’ Guevara lendo no Congo em 1965. CENTRO DE ESTUDIOS CHE GUEVARA
Ernesto Che Guevara lê enquanto se recupera dos ferimentos na Sierra Maestra, em 1957; lê em seu gabinete no ministério da Indústria cubano e em sua casa de Havana, no início dos anos 1960; com sua segunda mulher, Aleida March, em 1966 na Tanzânia depois do fracasso da ofensiva guerrilheira no Congo; na copa de uma árvore na Bolívia, meses antes de ser capturado e assassinado, em outubro de 1967. As fotografias que integram a mostra Che Leitor na Biblioteca Nacional argentina refletem uma faceta do revolucionário argentino que, apesar de ofuscada pelo homem de ação, esteve presente ao longo de toda sua experiência de vida, desde a infância até os últimos dias.
Nascido em uma família de boa situação financeira, Che aprendeu a ler em casa, graças a sua mãe, já que a asma o impedia de ir à escola. Desde criança foi um leitor voraz, conforme lembra seu irmão Roberto, que conta que passava horas trancado no banheiro para não ser interrompido. Seus primeiros escritores favoritos foram Júlio Verne e Emilio Salgari, autores de romances de aventuras que “já mostravam certo espírito de sair explorando”, diz Emiliano Ruiz Díaz, um dos pesquisadores que organizaram a exposição, inaugurada na terça-feira.
 
Uma das vitrines da exposição ‘Che leitor’ na Biblioteca Nacional.
Uma das vitrines da exposição ‘Che leitor’ na Biblioteca Nacional. MARCELO HUICI / BIBLIOTECA NACIONAL MARIANO MORENO
A esses romances iniciais logo se somou tudo o que encontrava a seu redor, como os 23 volumes da enciclopédia de História universal que estavam na biblioteca da família, biografias de pensadores e escritores e livros de filosofia e psicanálise citados no Caderno filosófico que começou a escrever na adolescência. A partir de suas viagens pela América Latina incluiu livros sobre os países que conhecia e começou a aproximar-se do marxismo e da teoria econômica. Três das vitrines da mostra são dedicadas a livros fundamentais para Che, entre os quais figuram O Capital, de Karl Marx; o Manual de Economia Política, da Academia de Ciências da URSS; e o Tratado de Economia Marxista, de Ernest Mandel.
“Em Havana, toda quintas-feira, lá pelas 2, 3 da madrugada, ele se reunia com um professor espanhol formado na URSS para ler e discutir esses livros”, conta Santiago Allende, outro dos pesquisadores por trás da exposição. “Às vezes Fidel(Castro) também participava e aconteciam discussões muito fortes. Mais tarde, Che teve suas divergências com o modelo soviético, divergências que o levavam a continuar lendo, a se aprofundar em sua busca”, acrescenta.

Charutos e livros

“Minhas duas fraquezas fundamentais: o tabaco e a leitura”, confessou Che em seu diário do Congo. A figura habitual do leitor sedentário e solitário contrasta com a do guerrilheiro em constante marcha e rodeado de companheiros. Mas nem nos momentos mais difíceis conseguiu abandonar o vício. “A leitura persiste como um resto do passado, em meio à experiência de ação pura, de despojamento e violência, na guerrilha, no campo. Guevara lê no interior da experiência, faz uma pausa”, deixou escrito Ricardo Piglia em sua descrição de Che como O Último Leitor.
Era um leitor compulsivo e metódico. Desde os 17 anos costumava anotar em cadernos os títulos das obras que consultava. Em seu plano de leituras da Bolívia, entre novembro de 1966 e setembro de 1967, anotou 60 títulos, entre eles O Jovem Hegel e os Problemas da Sociedade Capitalista, de Georg Lukács e História da Revolução Russa I, de Leon Trotski.
Aleida March e Che Guevara na Tanzânia, em 1966.
Aleida March e Che Guevara na Tanzânia, em 1966. DANIELA CARREIRA / BIBLIOTECA NACIONAL MARIANO MORENO
Paralelamente à leitura, escrevia. Junto a seus populares diários, a mostra resgata alguns textos pouco conhecidos, como artigos sobre rúgbi que escreveu para a revista Tackle com o pseudônimo Chang-Cho (em referência a seu apelido, chancho “porco”) e uma pesquisa médica que publicou na revista mexicana Alergia em maio de 1955, quando trabalhava no Hospital Geral do México.
Em discursos públicos e também em momentos limite, com a vida em risco, Che recorre a imagens literárias para contar o que sente. “Queridos pais: Mais uma vez sinto nos calcanhares as costelas do Rocinante, volto ao caminho com meu escudo no braço”, escreveu, identificando-se com o Quixote, na última carta a seus pais, em abril de 1965, pouco antes de sair de Cuba rumo ao Congo. Despede-se de Aleida com uma gravação em que recita para ela estes versos de Neruda: “Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,/ ya no se endulzará junto a ti mi dolor./ Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada/ y hacia donde camines llevarás mi dolor.// Fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos/ un recodo en la ruta donde el amor pasó.” (Já não se encantarão meus olhos nos teus,/já não abrandará junto a ti minha dor./ Mas onde quer que vá levarei o teu rosto /e onde quer que vás levarás a minha dor.// Fui teu, foste minha. Que mais? Juntos demos /uma volta no caminho por onde o amor passou.)
 
Nove anos antes, quando o pequeno grupo do Granma foi surpreendido por tropas de Fulgencio Batista ao desembarcar em Cuba, o argentino registrou um relato. “Pus-me a pensar na melhor maneira de morrer naquele minuto em que tudo parecia perdido. Lembrei-me de um velho conto de Jack London, onde o protagonista, apoiado no tronco de uma árvore, se dispõe a terminar sua vida com dignidade ao saber-se condenado à morte, por congelamento, nas regiões geladas do Alaska”, escreveu o guerrilheiro em Passagens da Guerra Revolucionária. Ninguém sabe de que imagem se lembrou antes de ser fuzilado em La Figuera, na Bolívia. Cinquenta anos após sua morte, a vida desse grande leitor é agora devorada por outros em incontáveis livros.

El País

Conheça o cearensês e saiba como surgiram vocábulos muito usados pelos cearenses

A língua falada e escrita é herança. No Brasil, portugueses, indígenas, africanos e uma série de nacionalidades construíram durante séculos o que conhecemos hoje. No entanto, há de se reconhecer que mesmo no português há diversas variações da língua. Seja no Sul do País, no Nordeste ou no Norte. Cada região possui sua cultura e modo de falar.
No Ceará, não é diferente. Mais conhecida como cearensês, a língua aqui é característica própria de seu povo. Mas de onde surgiu essa peculiaridade dos cearenses? Quais são as influências e os significados das palavras?
Foi neste desafio, de conhecer e reconhecer os vocábulos do cearensês, que o Diário Plus mergulha no jeito cearense de falar e traz algumas explicações a seguir.

Surgimento do cearensês

Segundo o professor Doutor de Latim e Filologia Romântica da Universidade Federal do Ceará (UFC), Josenir Alcântara de Oliveira, antes de abordar alguns vocábulos do cearensês, é necessário que se faça uma breve introdução no campo lexical.
Professor Josenir Alcântara explica que a origem das palavras do cearensês está relacionada ao nativo, europeu e outras culturas FOTO: FABIANE DE PAULA
O humor e o deboche estão inseridos nas palavras usadas cotidianamente pelos cearenses e são características marcante da língua falada
"Os vocábulos que temos no cearensês têm três origens. A origem nativa, das línguas indígenas, representada pelo tupi, que nós chamamos em filologia de substrato linguístico, que é a língua do nativo. O segundo elemento do vocabulário do cearense são as palavras portuguesas, de origem latina, que vieram com os portugueses. Em filologia nós chamamos essas palavras de superestrato, que é a língua do colonizador, do conquistador".
O professor ainda acrescenta que uma terceira origem advém de palavras de outras culturas, que não a nativa e nem do colonizador. "São palavras do espanhol, do francês e do inglês".
Outro aspecto citado por Josenir é o humor do cearense. "Não é que o cearense seja o único povo que tenha essa característica, mas é que graças à mídia e aos nossos talentosos humoristas que ganhamos essa visibilidade. Há, então, uma tendência de se evidenciar essa marca na cultura cearense".
Quer dizer tacho, tem origem africana . "Em várias culturas no tocante à procriação a mulher era vista como receptáculo, um vaso de esperma, daí a conotação".

Desconstruindo explicações

Não é raro tomar conhecimento de várias histórias acerca do surgimento de vocábulos do cearensês. Um dos exemplos mais famosos é a palavra baitola.
Baitola no cearensês significa homossexual. Apesar do significado, os cearenses também podem empregar o vocábulo para tirar brincadeira com os amigos homens, sem dar o sentido real à palavra. Veja o exemplo:
— Vamos para o jogo hoje? 
— Não, tenho outro compromisso! 
— Vamos, baitola, deixa de frescura! 
— Vou não baitola!

Algumas histórias tentam explicar o surgimento da palavra baitola. Porém, nem tudo que é falado condiz à realidade. Na internet, por exemplo, é possível encontrar uma explicação que diz que o vocábulo surgiu da língua inglesa quando engenheiros da Inglaterra construíam a ferrovia no Ceará. Nesse contexto, um dos trabalhadores ingleses não conhecia a pronúncia de bitola e falava baitola. Os trabalhadores cearenses, conhecidos por seu humor, começaram a chamar os engenheiros ingleses de baitolas.
TÔ FICANDO ABIROBADO
ABIROBADO
ABIROBADO
ABIROBADO
A palavra baitola muito provavelmente não é originária do vocábulo bitola, e sim do tupi baito
Segundo o professor Josenir, essa explicação é pouco provável para o surgimento da palavra baitola, apesar de ser a mais difundida pela cultura popular. "Nem sempre é fácil a gente estabelecer a raiz de uma palavra, mas é necessário que a gente pondere. É muito divulgado que havia muitos engenheiros ingleses construindo a rede ferroviária. Os cearenses trabalham sob o sol, com fome. Já os ingleses ficavam debaixo do guarda-sol. Um dos engenheiros, diz a lenda, foi pedir para que eles botassem a bitola. Então, em dúvida sobre a pronúncia, ficou baitola. Mas não é a única interpretação", afirma.
A interpretação que o pesquisador considera mais plausível está no livro "Casa-Grande e Senzala", de Gilberto Freyre. "Nesta obra tem a palavra baito, que significa oca. Durante a segregação nas tribos, o menino aprendia a tratar a mulher como resto. As afinidades que se exaltavam eram as fraternas de homem para homem, as de afeto viril, que resultava em ambiente propício para a homossexualidade. Baitola era o garoto que ia para o baito, mas aqui culturalmente não era perversão, era um traço cultural", explica.
Neste baito, afirma Josenir, havia ainda o baitinga, outra palavra muito utilizada por cearenses. "Esse inga é apenas para dizer que é pertencente ao baito", acrescenta.
Outra expressão muito conhecida entre os cearenses é espilicute, que significa uma menina tagarela e metida. As explicações para a origem desse vocábulo também remetem aos ingleses, que, para dizer que as moças eram bonitas, diziam a frase: "she is pretty cute".
"Eu sou muito zeloso. Não gosto de me pronunciar sobre aquilo que eu ainda não pesquisei. No caso de espilicute, eu vou suspender o juízo. Acho intuitivamente pouco provável essa explicação porque é uma expressão muito longa para um nativo ouvir e deduzir o significado. A rigor, não é que ela seja sapeca e sabida, mas é que ela é bonita e simpática. Então eu prefiro me acautelar no momento", pondera.

As palavras do dia a dia

No seu uso cotidiano as palavras do cearensês ganham entonações, significados e formas. Não raro há vocábulos que, dependendo do contexto em que são utilizados, podem ou não transmitir aquilo que se deseja. A seguir algumas palavras, que na explicação do professor Josenir, são bastante usadas no dia a dia do cearense e que passam muitas vezes o humor característico do povo.
ABIROBADO OU ABILOBADO: De acordo com o professor da UFC, você encontra esta palavra também em outros estados do Nordeste. "O vocábulo vem de abilolado, de bila, o que é uma analogia da bila com a cabeça humana. Chamar alguém de abirobado, então, significa dizer que a pessoa não tem cabeça, não tem juízo".
ARIADO: Outra palavra muito comum no cearensês. "Ariado vem de ar, do mesmo jeito que alguém fica a flutuar no ar sem um rumo certo. É isso que o cearense quer dizer: eu me perdi, não sei para onde ir. Tem um toque marcante do humor cearense".
ARRIBA: "Veja que o elemento comum é riba, que vem do latim ripa. Riba ou ribeirinho vem de margem do rio. Quando você diz riba, quer dizer em cima, em cima do ponto alto do rio, de uma margem alta. Arriba é para, em direção, em direção à parte alta". Ainda de acordo com o professor, há uma influência do espanhol.
ENTONCE: Significa então e vem da mesma palavra do espanhol.
APERREAR: Encher o saco. "Vem de perro, cachorro em espanhol. Neste caso é um exemplo de adstrato porque o espanhol não esteve no Brasil, nem como superestrato e muito menos como nativo. É como se tivesse um cachorro querendo morder o seu calcanhar, é um momento de aflição", explica o pesquisador.
DIABÉISSO: Que diabos é isso? Segundo o professor, essa palavra é meramente mutilação fonética.
CUNHÃ: Significa mulher em tupi. "Hoje o que é que muitas vezes nós entendemos por cunhã? É a mulher vulgar, às vezes até prostituta. Claro que há contextos que você pode construir, como duas amigas se chamando de cunhã, mas isso é um contexto". O pesquisador explica que o significado pejorativo da palavra veio dos portugueses que menosprezavam a cultura indígena.
MIRIM: Quer dizer menino em tupi, crianças pequenas. "Não há nada de pejorativo, mas hoje quem é mirim para nós? Você chama uma criança da classe média de mirim? Não. Mirim é somente as crianças que vivem abandonadas, na delinquência, entregues ao mundo violento. Nós fizemos uma distorção".
MARMOTA: Vem do francês marmot, que é um roedor e vem do latim murmur, ranger dos dentes do roedor. Significa algo estranho.
FECHECLER: Zíper, vem do francês fecho eclér. "Então fecho de fechar e ecler de relâmpago. É o movimento que fecha rapidamente. O zíper vem do inglês e tem mais sentido onomatopáico, exatamente pelo som que faz", explica o professor Josenir.

Diário do Nordeste

Mundo Unifor debate educação, ética e filosofia

Segundo a filósofa, as eleições estão se aproximando e o debate sobre ética se torna essencial para tomarmos novos rumos. Para a especialista, a ética começa com nossa reflexão em um pensamento aberto e especializado (FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES)
O momento político e de outras áreas do País suscitou debate acerca da ética na 8º edição do Mundo Unifor, na noite de ontem, que teve como palestrante a artista plástica e professora de filosofia, Marcia Tiburi. O debate, realizado na Praça Central da Universidade de Fortaleza (Unifor), reuniu centenas de pessoas entre alunos, professores e público em geral, que tinham interesse no tema abordado.
Para Marcia Tiburi, atualmente o Brasil vive um momento sui generis, especialmente na área política. "As eleições estão se aproximando e o debate sobre ética se torna essencial para tomarmos novos rumos. A ética começa com nossa reflexão em um pensamento aberto e especializado a respeito daquilo que a gente pensou. Só se consegue chegar a esse lugar da reflexão, quando prestamos atenção nela. A responsabilidade sobre nossos políticos é nossa. E se não pensarmos nessa direção, eles continuarão sempre os mesmos", destaca a filósofa.
Em sua fala, a palestrante também defende que o capitalismo criou um círculo vicioso, no qual, a matéria física pode ser barganhada, e por conta disso, a discussão sobre a ética se torna tão pertinente. "Na nossa cultura dá pra perceber muito isso. Qualquer cidadão que expõe aquilo que pensa, entra nesse processo", finaliza.
Nova realidade
Sabrina Sousa, estudante de Direito, participou do evento e aponta que a área da política atualmente é a que mais extrapola o senso de ética. "Desde os setores menores até em âmbito nacional. É quase impossível não associar a falta de ética com a política. É perceptível que existe uma intensa troca de favores. E isso só faz mal a todo nosso Pais", disse a aluna.
Já Francisco Edvardo Cavalcante, estudante do Curso de Eventos, concorda que a partir da ética é possível se construir uma nova realidade nas interações interpessoais. "A falta de ética não está apenas na política, mas também nas relações do dia a dia entre as pessoas, seja no trabalho, até mesmo na família. Falta mais amor ao próximo e respeito entre nós".
Programação
Sob a temática "As Artes Do Pensamento Em Tempos de Mudanças", o Mundo Unifor 2017 traz reflexões pertinentes do cenário brasileiro redimensionadas para discussões globais. O modelo de megaevento prevalece, mas como foco em uma programação mais diversa e maior interdisciplinaridade. O evento segue até o próximo sábado (21) e tem como destaque a performance poética do cantor, compositor e poeta Arnaldo Antunes, além das palestras do professor de filosofia Vladimir Safatle e do escritor e psicanalista Contardo Calligaris, que encerra a programação. A programação completa está no site www.mundounifor.br.
Fique por dentro
Marcia Tiburi: filósofa por amor e vocação
Nascida em Vacaria (RS), Marcia Tiburi é colunista da revista Cult, artista plástica e professora de Filosofia. Graduada em Filosofia e Artes, também é mestra e doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRG), fez pós-doutorado em Artes pelo Instituto de Artes (Unicamp). Publicou diversos livros de Filosofia, entre eles: "As Mulheres e a Filosofia" e "Filosofia Prática, Ética, Vida Cotidiana, Vida Virtual". Ela publicou ainda romances como "Magnólia" e "Era meu esse Rosto", além de outras obras impressas envolvendo desenho, cinema e dança. Em 2015 lançou o livro "Como Conversar com um Fascista - Reflexões sobre o Cotidiano Autoritário Brasileiro".
Diário do Nordeste

FamilyDoc: o aplicativo que aproxima profissionais de saúde e pacientes

O aplicativo FamilyDoc, a ser lançado em novembro, nascerá para simplificar o relacionamento direto entre pacientes e profissionais de saúde. A partir de contato on-line, o paciente poderá escolher o especialista que irá lhe prestar serviço, podendo decidir por seu currículo, localização ou valor da consulta. A criação do app é do médico, mestre em Saúde Pública e professor universitário, Alexandre Cavalcanti.

A plataforma, para atendimentos em Fortaleza, oferecerá consultas particulares com médicos, odontólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e educadores físicos, de acordo com a disponibilidade do profissional e as necessidades de cada paciente. Os atendimentos poderão ser realizados em consultórios ou na casa do paciente. Profissionais de saúde ainda podem se cadastrar pelo site familydoc.com.br.
Como funciona para o profissional
Por meio de um painel de controle, o app disponibilizará uma série de informações, como: o tipo de atendimento oferecido, dias e horários disponíveis, valor da consulta, localização e deslocamento em tempo real, acompanhamento e agendamento de novas consultas, possíveis atrasos, melhor rota, movimentação financeira, entre outras funcionalidades. Trezentos profissionais da saúde devem se cadastrar no FamilyDoc.
O FamilyDoc poderá ser baixado gratuitamente por qualquer pessoa no Google Play e na Apple Store. A versão web, totalmente adaptada ao celular, por sua vez, não precisa ser baixada.
No quesito custos, o paciente paga apenas pela sua consulta, via cartão de crédito. “Mas se houver algum problema o estorno é imediato. Foi contratada uma pagadora ligada à Cielo, que vai fazer todas as operações em segurança”, garante Alexandre Cavalcanti. Já o profissional remunera o aplicativo com um percentual (de até 15%) pré-determinado sobre o valor de sua consulta.
Olhar empreendedor
O app FamilyDoc nasceu quando o médico Cavalcanti, que já era empresário, resolveu, no ano passado, estudar o mercado de saúde. A partir de seu olhar empreendedor, ele visualizou o desenvolvimento da ferramenta. “Vi a oportunidade de facilitar a vida de quem procura um profissional e não consegue, mesmo tendo um bom plano de saúde. Por um lado, temos pessoas que necessitam de atendimento e são atendidas de maneira insatisfatória. Por outro, muitos bons profissionais que se sentem mal remunerados e que gostariam de atender mais pacientes particulares. Tive, então, a ideia de juntar estas duas pontas”, conta.
Infográfico: Divulgação
SERVIÇO
Mais informações em: familydoc.com.br
Instagram: @appfamilydoc

O Povo

XI Bienal Internacional de Dança do Ceará começa hoje, em Fortaleza

Espetáculo Carmen, do Balé Teatro Guaíra (PR) CAYO VIEIRA/DIVULGAÇÃO
Chegando aos 20 anos em 2017, a Bienal Internacional de Dança do Ceará volta, nesta edição, a ter como palco principal o Theatro José de Alencar (TJA), além de se espalhar por outros locais da Cidade e até do Estado, com atividades em seis municípios do interior. Na Capital, o evento abre hoje no TJA, a partir das 21 horas, com apresentações da Cia. Dita (CE) e da São Paulo Companhia de Dança. A programação segue até o dia 29.
Este ano, a Bienal reúne nomes que fizeram parte de sua trajetória, mas sem esquecer de firmar um olhar para o presente. “O ambiente político está difícil, aponta para retrocessos e censura, mas, ao mesmo tempo, é uma edição de comemoração. Já tivemos anos em que foi bem mais fácil realizar a Bienal em termos de financiamento, mas também de abertura à diversidade poética e artística. A celebração se dá num contexto adverso”, afirma Ernesto Gadelha, diretor artístico do evento. “Nosso desejo é estar perto de artistas que estiveram com a gente ao longo desses anos e que, nesse momento, compreendem o que está acontecendo no Brasil e reforçam nossa caminhada”, explica. Ao todo, serão 25 companhias locais, nove nacionais e nove de fora, além de atividades de formação, masterclasses, oficinas e shows (leia no saiba mais).
“Com a Bienal, o Ceará passou a receber informações de tendências e modos de se conceber dança, o que provocou o contexto local. As pessoas absorveram isso e agregaram histórias pessoais, fazendo obras singulares, autorais”, considera Ernesto. O bailarino e coreógrafo Fauller, um dos fundadores da Cia. Dita, reconhece a Bienal como um espaço importante para sua carreira. “Em 1997, eu voltava à dança quase simultaneamente com a primeira edição da Bienal. Em 1999, já era bailarino do Colégio de Dança do Ceará (iniciativa pública de formação em dança do Estado, fechada em 2002) e atuei num espetáculo. Daí, a relação com a Bienal foi muito estreita, com momentos importantes da minha carreira traçados através dela”, remonta Fauller. Na abertura dessa edição, a Cia. Dita apresenta A cadeirinha e eu, releitura da obra da coreógrafa Sílvia Moura, e estreia a montagem de A Morte do Cisne, dançada por Wilemara Barros. “Ela vem de um projeto social da década de 1970, é uma das primeiras bailarinas negras do Ceará com formação clássica. Isso nos põe a pensar sobre as relações com a cultura europeia e o nosso interesse em descolonizar a dança clássica. Há importância política em ter uma bailarina assim na abertura da Bienal”, pondera.
Montagem da Curitiba Cia. de Dança, Quando se calam os anjos
Montagem da Curitiba Cia. de Dança, Quando se calam os anjos
A São Paulo Companhia de Dança (SPCD), uma das mais importantes do País, apresenta na abertura Pássaro de Fogo, de Marco Goecke, e 14’20’’, de Jirí Kylián. Inês Bogéa, diretora artística da SPCD, aponta que o impacto do evento ultrapassa o Ceará. “É instigante ver como a Bienal modificou a cena da dança em termos de Brasil, trazendo nomes da dança mundial, companhias nacionais, locais. Transforma o ambiente da própria arte”, avalia. “A gente procura maneiras de falar da dança para além dos palcos, e isso na Bienal é muito rico. Os diálogos criam redes de relações amplas, põem o artista da dança em contato com artistas das outras áreas e também com o público”, destaca Inês.
O POVO online
Leia entrevista com Davi Linhares, diretor geral da Bienal em:
SERVIÇO
XI Bienal de Dança
Quando: abertura hoje, às 21 horas.
Onde: Theatro José de Alencar (R. Liberato Barroso, 525 - Centro ).
A Bienal segue até 29/10, em vários locais de Fortaleza. Entrada franca.
Programação completa: www.bienaldedanca.com
SAIBA MAIS
Na ampla programação da Bienal de Dança, há uma série de atividades além dos espetáculos. Quase diariamente, o evento acolherá, depois das apresentações principais de cada noite, festas e shows.
A Plataforma de Acessibilidade da Bienal também é uma programação de destaque. Como atividade anterior à abertura oficial da Bienal, a plataforma ofereceu uma prática pedagógica de dança para crianças e jovens com autismo, ministrada pela coreógrafa Anamaria Fernandes, e vai realizar oficina com o pesquisador João Paulo Lima e o seminário Dança e Acessibilidade..
Outro destaque é o lançamento do livro Dança, História, Ensino e Pesquisa (25/10, às 17 horas), no hall do Cineteatro São Luiz. A publicação é resultado do seminário Ida-e-Volta: Dança Brasil-França, realizado na edição de 2016 da Bienal/De Par em Par.
JOÃO GABRIEL TRÉZ

20 de outubro é dedicado à conscientização contra o bullying

Cerca de um em cada dez estudantes brasileiros é vítima frequente de bullying nas escolas

Da redação, com CNBB
Nesta sexta-feira, 20, recorda-se o Dia Mundial de Combate ao Bullying. A expressão em inglês caracteriza as práticas de agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas, especialmente no ambiente escolar.
A data é um alerta internacional para o problema que afeta muitos jovens. Segundo a UNICEF, braço das Organizações das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (ONU), uma em cada três crianças do mundo, entre os 13 e os 15 anos, é vítima de bullying na escola regularmente.
A prática é uma das formas de violência que mais cresce no mundo, alerta a educadora e autora do livro “Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz”, da Editora Verus, Cléo Fante. Segundo ela, o bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.

No Brasil

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, apontou Brasília como a capital do bullying. Segundo o estudo, 35,6% dos estudantes entrevistados disseram ser vítimas constantes da agressão. Belo Horizonte, em segundo lugar com 35,3%, e Curitiba, em terceiro lugar com 35,2 %, foram, junto com Brasília, as capitais com maior frequência de estudantes que declararam ter sofrido bullying alguma vez.
Aproximadamente um em cada dez estudantes brasileiros é vítima frequente de bullying nas escolas. São adolescentes que sofrem agressões físicas ou psicológicas, que são alvo de piadas e boatos maldosos, excluídos propositalmente pelos colegas, que não são chamados para festas ou reuniões. O dado faz parte do terceiro volume do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, dedicado ao bem-estar dos estudantes.

Atitudes

A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) sugere as seguintes atitudes para um ambiente saudável na escola:
1) Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões;
2) Estimular os estudantes a informar os casos;- Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema;
3) Criar com os estudantes regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar;- Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos;
4) Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying. Todo ambiente escolar pode apresentar esse problema.

Sensibilização e correção fraterna

Segundo o arcebispo coadjutor de Montes Claros (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom João Justino de Medeiros Silva, não se justifica a prática de bullying em qualquer espaço de relações e muito menos nas igrejas. “Quanto mais os membros da Igreja beberem na fonte do Evangelho e se deixarem moldar pelos valores cristãos, menos bullying haverá”, ressaltou.
Nas comunidades e paróquias a primeira atitude, segundo Dom Justino, é a prevenção. “Quando se identificar uma prática de bullying na Igreja será preciso buscar os caminhos fraternos de correção e de acompanhamento da situação para que cesse a prática. É fundamental a sensibilidade dos responsáveis e a urgência no modo de atuação para evitar que alastre entre outros a danosa prática que desrespeita o outro em sua identidade e traços”, disse.

Locais de prova do Enem poderão ser consultados a partir de hoje

Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil
A partir das 10h de hoje (20), os candidatos que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano poderão consultar o cartão de confirmação da inscrição, que contém informações como o local onde ele fará a prova. O acesso ao cartão pode ser feito na Página do Participante e também no aplicativo do Enem para celular.
Para acessar o cartão é preciso fornecer o número do CFP e a senha cadastrada durante a inscrição no Enem. Além do local de prova, o documento também informa o número de inscrição, a data e hora das provas, a opção de língua estrangeira escolhida e os atendimentos específicos ou especializados, caso tenham sido solicitados.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) recomenda que, após conhecer o lugar onde fará a prova, os candidatos façam o trajeto antes do dia do Enem e verifiquem a distância, o tempo gasto e a melhor forma de chegar, para evitar atrasos no dia da aplicação. Apesar de não ser obrigatório, o Inep sugere que os candidatos levem o cartão de confirmação no dia da prova para para facilitar o acesso às informações de sua inscrição.
O Enem será realizado em dois domingos: em 5 de novembro, serão aplicadas as provas de linguagens, códigos, redação e ciências humanas e, no dia 12 de novembro será a vez das provas de ciências da natureza e matemática. O exame será aplicado em 1.724 municípios, para 6.731.203 inscritos.

Destaque

Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...