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26 de janeiro de 2018

Virginia Woolf, a escritora premonitória inesgotável

Virginia Woolf

Figura destacada do modernismo literário do século XX e pioneira do feminismo, a autora britânica, cheia de depressões, viveu através da sua obra

A vida de Virginia Woolf, que sempre se orgulhou de ser autodidata, pode ser resumida através de uma das suas obras: A Viagem (The Voyage Out). Escrito 26 anos antes de ela morrer, demorou oito para ser publicado, mas pode ser definido como o livro sobre a vida da sua vida. Nele, a reconhecida autora britânica reflete sobre suas preocupações – as pessoais e as do momento social que lhe coube viver no começo do século XX –, suas paixões e suas insônias, e inclusive guarda semelhanças com ela no final prematuro da protagonista do livro, que também acabou sendo premonitório, com uma carta com palavras de despedida similares. E tudo isso com um estilo literário em constante experimentação, procurando sempre a identidade própria de personagens com grande sensibilidade e nostalgia.
Woolf é considerada uma das escritoras mais importantes do século XX. Sua técnica narrativa do monólogo interior e seu estilo poético se destacam como as contribuições mais importantes para o romance moderno. A publicação póstuma de suas cartas, ensaios e diários, apesar dos esforços em contrário do seu marido, representou um legado muito valioso tanto para os futuros escritores como para leitores que buscam obras que fujam do convencional.
Mas toda a sua aflita existência é mais bem entendida quando se conhece o começo da sua vida, num ambiente familiar tão culto e liberal quanto complexo em suas circunstâncias, já que Adeline Virginia Stephen, seu verdadeiro nome, nasceu em Londres em 25 de janeiro de 1882 – exatos 136 anos atrás. Foi a terceira de quatro irmãos. Seu pai era sir Leslie Stephen, um destacado crítico literário, historiador e também alpinista famoso. Já sua mãe, Julia Duckworth, vinha de uma família de importantes editores.
Seus irmãos a chamavam carinhosamente “the goat” (a cabra), e todos foram educados por tutores, dentro de casa. Cresceram num ambiente frequentado por artistas, literatos e políticos, e com uma biblioteca que era considerada o grande tesouro do lar.
Entretanto, a complexidade da vida de Virginia se devia ao fato de que, além de seus irmãos, tinha três meios-irmãos, filhos do primeiro casamento de sua mãe. Tudo indica, e assim ela refletiu de maneira velada e autobiográfica em uma de suas obras, que precisou suportar abusos sexuais de dois deles e que jamais conseguiu superar a desconfiança em relação aos homens, decantando-se por uma inclinação romântica pelas mulheres.
Como amostra da criatividade da pequena Virginia, aos nove anos ela criou uma espécie de jornal familiar intitulado The Hyde Park Gate News, fazendo menção ao endereço dos Stephens, no número 22 da rua Hyde Park Gate, no bairro de Kensington. Os exemplares eram distribuídos apenas entre os parentes.
Virginia Woolf, a escritora premonitória inesgotável
Segundo as memórias da escritora, as lembranças mais intensas de sua infância não foram as da residência em Londres, mas sim da Cornualha, onde a família passou todas as férias de verão até ela completar 12 anos. Naquela casa de veraneio, com vista para a praia de Porthminster e para o farol de Godrevy, Virginia Woolf colecionou suas primeiras recordações literárias com paisagens e personagens que ambientaram a ficção que ela escreveria anos depois, principalmente na obra Ao Farol.
Em 1895, quando Virginia tinha 13 anos, sua mãe morreu repentinamente por uma febre reumática. Desde ali, ainda adolescente, e apesar de sua curiosidade em aprender alemão, grego e latim, começou a sofrer de estados depressivos que se tornaram crônicos e que com frequência a faziam mudar de humor, no que hoje é diagnosticado como transtorno bipolar da personalidade. Sem remédio, sua vida acabou sempre marcada por esse vaivém emocional que influenciou de maneira decisiva sua obra e que a obrigou a passar algumas temporadas no que, naqueles anos, se conhecia como casas de repouso mas que nada mais eram do centros psiquiátricos. A doença se agravou com a morte de sua meia-irmã Stella, dois anos depois, e pelo falecimento, em 1905, de seu pai, vítima de um câncer.
As mudanças de humor e as doenças associadas que sofreu interferiram em sua vida social, mas não tanto em sua produtividade literária, que ela manteve com poucas interrupções até sua morte.
Virgínia Woolf nos anos trinta.
Virgínia Woolf nos anos trinta.  AGE FOTOSTOCK
Após a morte de seus familiares mais próximos, Virginia se mudou com vários irmãos para o bairro de Bloomsbury, no West End londrino. Sua casa se tornou um centro de reunião de antigos colegas de universidade de seu irmão mais velho, entre os quais figuravam intelectuais como os escritores Forster e Strachey, o economista Keynes, o pintor Grant e os filósofos Bertrand Russell e Ludwig Wittgentsein. Todos eles formaram o famoso Grupo de Bloomsbury. Essa heterogênea elite intelectual teve entre seus objetivos a busca do conhecimento e do prazer estético, ambos entendidos como a tarefa mais elevada a que um indivíduo pode aspirar, assim como um não-conformismo político e moral com o que os rodeava.
Virginia começou a escrever artigos e críticas regularmente para o jornal The Guardian e para o suplemento literário do The Times, algo que ela continuou pelo resto de sua vida. Também foi convidada a dar aulas no Morley College, uma escola mista da classe trabalhadora, onde esporadicamente ensinou literatura e história inglesas.
Apesar de suas dúvidas sobre o matrimônio, em 1912 se casou com o economista e historiador Leonard Woolf, que conheceu nos encontros intelectuais em Bloomsbury e de quem adotou o sobrenome. Cinco anos mais tarde os dois fundaram a famosa editora Hogarth Press, que editaria, entre outras, a obra da própria Virginia e a de outros escritores relevantes, como Katherine Mansfield e T.S. Elliot.
Seu primeiro trabalho no campo da literatura foi uma peça de teatro intitulada Melymbrosia, em 1908. Esse texto foi a base para seu primeiro romance, publicado em 1915 (quando já tinha 37 anos), sob o título A Viagem.
Quatro anos mais tarde publicou Noite e Dia, uma novela romântica de estilo realista e que se desenvolve através de quatro personagens que compõem um quarteto amoroso muito particular, com relações cruzadas. No livro, Virginia Woolf aborda as mudanças sociais vividas naqueles anos na Inglaterra, especialmente as que estavam relacionadas com o papel da mulher e com os conflitos entre a modernidade e a tradição. Como em todas as suas obras, nota-se um leve tom autobiográfico no qual se questiona se é necessário que exista amor dentro de um casamento e se ainda se pode falar de amor em uma época na qual já se tinha deixado para trás o romantismo.
Desde seu início na literatura, Virginia Woolf sempre quis ampliar suas perspectivas de estilo para além da narração comum, com fios condutores guiados pelo processo mental do ser humano: pensamentos, consciência, visões, desejos e até odores. Perspectivas narrativas definitivamente incomuns, que incluíam estados de sono e prosa de livre associação.
Em 1922, publicou O Quarto de Jacob, o primeiro grande romance de sua editora Hogarth Press, no qual começou a experimentar com o estilo literário que perpetuou: com um argumento sem muito sentido, cheio de metáforas e simbolismos e no qual os personagens adquirem protagonismo através de seus monólogos interiores.
Virginia Woolf, a escritora premonitória inesgotável
Em 1925, Virginia Woolf obteve um grande sucesso com Mrs. Dalloway, possivelmente sua obra mais conhecida. O tempo no livro abarca apenas 12 horas em que explora a personalidade da protagonista, Clarissa Dalloway. Naquele ano, ela conheceu a escritora Vita Sackville-West, com quem manteve uma relação amorosa, apesar de ambas serem casadas. O romance acabou sem que elas dissolvessem seus matrimônios e, apesar disso, a amizade entre elas permaneceu pelo resto de suas vidas.
Woolf encontrou uma musa literária em sua relação com Sackville-West, a ponto de usá-la como inspiração para o romance Orlando (1928), que representou um novo avanço em seu estilo e que lhe rendeu elogios da crítica por seu trabalho inovador, conseguindo aumentar ainda mais sua popularidade.
Em Ao Farol (1927), Virginia aborda uma discussão familiar sobre a realização ou não de uma excursão a um farol, o que serviu para a escritora libertar todos os seus fantasmas familiares e as lutas de poder entre o homem e a mulher à frente da família.
Woolf manteve seu frenesi escrevendo ao publicar Um Teto Todo Seu, em 1929, um ensaio feminista baseado nas conferências que tinha dado em universidades e mulheres, e no qual examina o papel feminino na literatura, propondo a ideia de que “uma mulher deve ter dinheiro e um quarto próprio se quiser se dedicar a escrever ficção”. Mais tarde publicou o romance As Ondas (1931), considerado por muitos críticos como o melhor e um dos mais difíceis livros da autora do ponto de vista criativo. Seu último livro publicado em vida foi Os Anos (1937), sobre a história de uma família ao longo de uma geração. No ano seguinte publicou Três Guinéus, um ensaio no qual continuou a abordar os temas feministas de Um Teto Todo Seu, e onde também dirigiu seu olhar para o fascismo e para a guerra.
Woolf dava palestras regulares em escolas e universidades, escrevia cartas dramáticas, ensaios e até publicou uma longa lista de contos. Em meados dos anos 30 era considerada uma intelectual, além de um escritora inovadora e influente e uma feminista pioneira. No entanto, apesar de seu sucesso literário, ela continuou sofrendo regularmente de episódios de depressão e mudanças dramáticas de humor.
Entre os Atos (lançado postumamente em 1941) foi o último romance que terminou, mas que não pode revisar antes de sua morte. É também sua narrativa mais amarga ao realçar a instabilidade e a dificuldade de se assimilar o que se vive, e em seguida ao concluir sobre a inutilidade da existência.
Leonard, o marido de Virginia, esteve sempre a seu lado porque tinha consciência de qualquer sinal mínimo poderia indicar a entrada da escritora em um novo episódio de depressão. Isso ocorreu quando ela escrevia Entre os Atos, e seu marido percebeu que ela se afundava em um desespero cada vez mais agudo. Naquela época, a Segunda Guerra Mundial estava em seu início, e o casal decidiu que se a Inglaterra fosse invadida pela Alemanha os dois se suicidariam juntos. Temiam que Leonard, que era judeu, corresse verdadeiro perigo de vida. Como se não bastasse, em 1940, a casa dos dois em Londres foi destruída por um bombardeio alemão, o que deixou Virginia ainda mais abatida.
Esses últimos acontecimentos deixaram sem volta o alvoroço emocional que acometia Woolf. Em 28 de março de 1941, aos 59 anos e incapaz de enfrentar seu desespero, a escritora colocou um casaco, encheu os bolsos de pedra e entrou no rio Ouse para acabar com sua vida, levada pela correnteza. Antes de sua trágica decisão deixou duas cartas, uma para sua irmã, Vanessa Bell, e outra para o marido, as duas pessoas mais importantes de sua vida. Cumpriu a premonição de seu livro A Viagem ao dedicar palavras carinhosas a Leonard, assim como fez a protagonista do romance antes de morrer.
Seu corpo foi encontrado três semanas depois. O marido cremou seus restos mortais e espalhou as cinzas no jardim da casa em que viviam.
Com nove romances publicados e mais de 30 livros de outros gêneros, Virginia Woolf continua sendo uma das escritoras mais influentes da literatura mundial, a autora que mais revolucionou a narrativa no século XX e quem mais defendeu os direitos das mulheres através de seus textos.
El País

Cearense cria livro que ensina matemática com ajuda da literatura de cordel

Matemática pode ser o terror de muitos alunos, mas o professor cearense Aristonio Almeida achou uma forma inovadora de ensinar a matéria: com a literatura de cordel. A paixão pelos números e o sonho de publicar um livro deram vida à obra “Viagem Poética ao Mundo da Matemática”.
Nascido na cidade de Deputado Irapuan Pinheiro, o educador idealizou o projeto no fim do mês de agosto. “Eu já pensava em escrever um livro, mas sempre que a gente quer fazer alguma coisa nova parece que alguém já fez aquilo antes. Fiquei pensando no que poderia ser até que cheguei na literatura de cordel”, conta Aristonio.
O professor trata de explicar que nunca teve a pretensão de ser poeta, mas que sempre gostou de escrever poemas. “Nunca fui poeta profissional, sempre fui professor de matemática. Existem muitas obras, muitos cordelistas e pensei em fazer algo diferente. Daí nasceu a ideia de unir a matemática com poesia popular”, revela o professor.
O livro é uma forma de tornar a matemática mais agradável para muitas pessoas que possuem aversão ao conteúdo. De maneira leve, o material pode despertar o interesse pelos números. “É diferente ter que explicar a matemática em forma de poesia, mas é possível”, relata.
Livro foi lançado em outubro
A obra foi feita em parceria com a sua irmã Maria Rozanja, cada um ficou responsável por um tipo de público. “Escrevemos o livro juntos e dividimos em duas partes. Ela ficou mais voltada para a matemática do ensino fundamental e eu com a do ensino médio”.
O livro começou a ser escrito no mês de setembro e foi concluído na última semana do mês de outubro. Os irmãos seguem buscando uma parceria com livrarias para viabilizarem a venda do livro. De maneira direta, cerca de 200 livros já foram vendidos.
Enquanto a obra não chega às livrarias, é possível comprar o livro entrando em contato diretamente com o professor pelos números (84) 98731-0682 ou (84) 98129-4859. Cada unidade custa R$ 25.

Planos
Lecionando desde 1993, Aristonio segue sonhando grande. O professor do IFRN, em Caicó, agora busca um doutorado. “Agora meu sonho é o doutorado, mas antes quero fazer um curso de inglês. Sei que para um doutorado é preciso dominar melhor outro idioma. Quem sabe posso até aprender o espanhol também “, finalizou.

Tribuna do Ceará

Governança

Gonzaga Mota*
Com base numa análise resumida, pode-se dizer que "governança corporativa", expressão relativamente nova na administração, é um sistema mediante o qual empresas são dirigidas observando-se a interação entre proprietários, sócios, CEO, conselhos, diretoria, empregados, órgãos de fiscalização (interna e externa), enfim, de entes envolvidos no processo. As práticas de "governança corporativa" visam obter, de forma estratégica, informações que permitam uma tomada de decisão compatível com a expansão do valor econômico, a longevidade, o equilíbrio, o bem comum, as diretrizes éticas e a qualidade da gestão.
Objetivamente, são quatro os princípios básicos: equidade, transparência, prestação de contas e compliance. A "equidade" é o reconhecimento daqueles que atuam na empresa e participam da cadeia produtiva. A "transparência" é importante para redução do risco, aumento do investimento e eliminação da corrupção, pois os sistemas de auditoria interna e de fiscalização externa deverão ser justos e eficientes.
A "prestação de contas" poderá demonstrar tanto a seriedade ou não das operações, como a evolução econômica positiva ou não da organização. Já a "compliance" é a ação que abrange o conceito de responsabilidade. Para tanto, serão observadas as regras legais, oriundas da CVM (mercado de capitais), do Bacen (crédito) e da Susep (seguro), dependendo do tipo de empresa aqui no Brasil. Por sua vez, a "governança corporativa" pode ser utilizada em sociedades públicas e privadas e de capital aberto ou fechado. Ademais, é uma maneira de aumentar a produtividade.
*Professor aposentado da UFC

Conversão de Paulo

Geovane Saraiva*

A solenidade da conversão de São Paulo, neste 25 de janeiro, fez crescer em nós o sonho da feliz alegria e da verdadeira esperança. No mundo, no qual está inserida a criatura humana, não dá para viver como se tudo estivesse muito bom. Deus quer entrar e pedir a colaboração de seus amigos, clamando um novo modo de pensar e de agir. A mudança que Deus quer não é imposição, mas que as pessoas se sintam encantadas a abraçar o projeto do nosso Mestre e Senhor, no anúncio: "O tempo já se completou e o reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho". Pelo fato de o chamado à conversão ter acontecido ao meio-dia, recordo-me de Dom Helder Câmara, ao externar sua enorme alma e ternura de místico, a partir do dom e graça de Deus, o Sol da Justiça: "Há pessoas que, independentemente de idade, pelo que são, pelo que dizem e pelo que fazem, são sempre meio-dia". Nesse sentido, recordando o Apóstolo dos Gentios, seja no anúncio do Evangelho e nos carismas, seja na missão e nas viagens, não esquecendo o Artesão da Paz, na sua enorme disposição e sabedoria interior, no constante esforço de imitá-lo. Paulo, com sua conversão, continua a ensinar que temos que encontrar, nas solicitudes do mundo, disposição e força para viver, na doação e na renúncia, por causa do Evangelho: "Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado, e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei minha corrida e guardei a fé". Com ele, somos chamados a não só reconhecer a soberania de Deus mas, a partir dos simples e carentes de esperança, lograr êxito no seu projeto de amor à humanidade.

*Padre e jornalista
 

Museu da Fotografia Fortaleza aposta em atividades voltadas a diferentes linguagens artísticas


A fotografia é uma das inúmeras formas da arte se manifestar. Mais recente equipamento cultural de Fortaleza, o Museu da Fotografia Fortaleza (MFF) elevou essa manifestação artística a um patamar mais alto, levando o público fortalezense a ter contato com verdadeiros tesouros dessa linguagem.
Desde o final do ano passado, porém, o equipamento da Fundação Paula e Sílvio Frota vem apostando em outras linguagens artísticas. Um exemplo disso é o espetáculo "Encantos do Nordeste", que acontece neste sábado (27), às 14h. Em formato de contação de histórias, o Grupo Encantos traz o Nordeste para o centro de sua atuação.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail educacao@museudafotografia.com.br.
Para além das exposições, visitas guiadas e oficinas voltadas a diversos púbicos, o museu tem apostado em uma agenda de espetáculos teatrais e exibição de filmes, tudo dentro da ideia de formação de público.
A escolha por investir em diferentes linguagens também perpassa a valorização do turismo da cidade. Recentemente o MFF recebeu o curso Fotografia de Rua, ministrada por Thiago Braga, que levou os participantes a saírem por Fortaleza para captar a beleza da cidade pelas câmeras fotográfica.
Assim, o Museu se torna uma opção cultural a mais para a cidade e passa a integrar seu calendário, ao se revelar um espaço tanto de fruição quanto educacional. "A família vai assistir a um espetáculo de circo e acaba conhecendo o museu, e a gratuidade vem só para aumentar essa acessibilidade", explica Fernanda Oliveira, coordenadora do equipamento.
Foi o caso do espetáculo "A Mulher Mais Forte do Mundo", apresentado no último domingo (21), que conseguiu levar ao Museu quase 90 pessoas, um novo público que agora poderá se tornar constante.
O espaço escolhido para receber esses novos eventos é o auditório do local. Com capacidade para 120 pessoas sentadas, é um espaço multifacetado apto a receber palestras, mesas-redondas, oficinas, peças teatrais e outras atividades.
Além da foto
Agora, o MFF também tem no audiovisual mais uma forma de aproximar o público ao mundo da fotografia. Lançado no final de 2017, o Cinefoto exibe duas vezes por mês, sempre aos domingos, no auditório, filmes premiados ou indicados na categoria de fotografia, "pois as fotos como o audiovisual se complementam", aponta Fernanda. A ideia da nova faixa é "amadurecer e acrescentar atividades na programação do museu", pontua Fernanda. Após cada sessão há um debate com um especialista da área.
Já participaram desse momento figuras como Joe Pimentel, fotógrafo e realizador audiovisual que integrou a equipe técnica dos filmes: "Luzia Homem", "Sertão das Memórias" e "Um Cotidiano Perdido no Templo"; e a autora dos livros "Imagens Eletrônicas e Paisagem Urbana", "Cidade Anônima" e "Imagens que Resistem", Beatriz Furtado, pós-doutora em Cinema e Arte Contemporânea.
Programação
No dia 14 de janeiro o museu exibiu o filme "O Diabo Disse Não", premiado no Oscar de 1943 na categoria de melhor fotografia, e recebeu a professora Cristiana Parente, do curso de Cinema e Audiovisual da UFC para o debate pós-filme.
No último domingo (21) aconteceu a segunda sessão de janeiro, com o longa "Melodia Imortal" (1956), indicado ao Oscar de 1957 de Melhor Fotografia a Cores. Ao final, ocorreu palestra com Fernando Maia, docente da UFC.
Indicação
O Museu da Fotografia Fortaleza é um dos concorrentes da edição deste ano do Building of the Year 2018, prêmio promovido pela empresa ArchDaily. A instituição concorre à premiação internacional por seu projeto arquitetônico, assinado por Marcus e Lucas Novais. O MFF concorre na categoria Arquitetura Cultural, com quase 300 projetos de vários países.
A eleição tem duas etapas: na primeira, que vai até 30 de janeiro, usuários registrados no site da ArchDaily, especializado em arquitetura, poderão nomear um projeto para cada uma das 15 categorias do prêmio. Os cinco mais votados serão submetidos a nova a uma nova votação, com resultado saindo no próximo dia .

Programação
Exposição "Na Linha de Frente"

Visitação de quarta a domingo, das 12h às 17h
Entrada R$ 10 (inteira)

Espetáculo "Encantos do Nordeste" (Contação de Histórias)

Sábado (27), às 14h
Inscrições: educacao@museudafotografia.com.br

Cinefoto "Melodia Imortal"

Domingo (28), às 10h
Entrada gratuita.

MMF
R. Frederico Borges, 545, Varjota. Contato: (85) 3017.3661

Mais informações:
Visitação. Museu da Fotografia Fortaleza (Rua Frederico Borges, 545 - Varjota). De quarta a domingo, das 12h às 17h. Entrada R$ 10 (inteira) (menores de 18 anos e maiores de 60 têm direito a gratuidade e às quartas-feiras, a entrada é gratuita para todos). Contato: (85) 3017.3661
 
Diário do Nordeste

Maria Rita se consolida no samba com disco 'Amor e Música'

Disco mostra ainda a atuação de diferentes gerações de compositores no gênero. Muitas vezes, a distância da parceria foi encurtada por trocas de mensagens e áudios pelo WhatsApp.
pesar de ter cantado sambas em seus primeiros discos, foi em Samba Meu que ela, de fato, mergulhou no gênero .
pesar de ter cantado sambas em seus primeiros discos, foi em Samba Meu que ela, de fato, mergulhou no gênero . (Instagram Maria Rita)

Maria Rita não precisa mais pedir a bênção para entrar no samba. Isso ela já conquistou há pelo menos dez anos, quando lançou o disco Samba Meu. Mesmo assim, ela gosta de manter o protocolo, os rituais. A cantora lembra que, na época de Samba Meu, Arlindo Cruz, ao seu melhor estilo, lhe aconselhou sem rodeios: "Tudo bem respeitar, mas não precisa respeitar tanto assim. Você já é nossa, já chegou". Maria Rita se lembra da frase, imitando o jeito de falar de Arlindo. Aliás, a maneira despojada, bem-humorada da cantora está na essência de qualquer sambista. Por isso, talvez, ela tenha essa sensação de pertencimento no meio do samba, que vai muito além da música.

Apesar de ter cantado sambas em seus primeiros discos, foi em Samba Meu que ela, de fato, mergulhou no gênero - e que lhe abriu alas para outros projetos, como o disco Coração a Batucar, o CD e DVD O Samba em Mim - Ao Vivo na Lapa e a turnê Samba da Maria. Agora, no 8º álbum, Amor e Música, que será lançado nas lojas e plataformas digitais nesta sexta, 26, ela não só prossegue sua trilha no samba como se consolida nele. São 12 músicas, a maioria delas inédita, incluindo de autores como Batatinha - espécie de regalo dado pela família do compositor baiano a ela -, do sogro Moraes Moreira, do marido Davi Moraes, de Marcelo Camelo, Carlinhos Brown e Zeca Pagodinho, além de regravações como de Saudade Louca, de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Franco, e Amor e Música, outra de Moraes Moreira com Luiz Paiva (que ganhou ainda versão bolero nas plataformas digitais), e a faixa-bônus Cutuca, de Davi, Fred Camacho e Marcelinho Moreira, que já é conhecida dos shows da cantora e da trilha da novela Pega Pega.

Como sua identificação com o gênero se fortaleceu ao longo dos anos, a ideia é seguir a carreira pelo samba? "É difícil projetar, porque sou muito inquieta. E sou uma intérprete. Brinco que sou uma cantadora de histórias. A minha relação com o samba passa por uma questão de relevância, de entendimento do que é o meu instrumento, a identificação com as melodias, com a poesia do samba. Então, o samba me serve, serve ao meu instrumento", ela explica, ao Estado. "Não adianta eu gritar para os quatro cantos do mundo: eu sou uma p... cantora e não ter uma música que sirva a esse instrumento. Acho que entendi isso durante o Redescobrir, aquele repertório com músicas da minha mãe (Elis). Sempre fui muito ‘sirvo à música, sou grata à musica, devo a vida à musica’. O movimento era muito mais nesse sentido, e passei a entender que a música tem que me servir também."

Lançar um disco agora não estava nos planos de Maria Rita. No ano passado, ela fez grande show em São Paulo, em comemoração aos 15 anos de carreira, que seria registrado em DVD, com algumas canções inéditas. Mas o projeto não foi adiante. "A gente esbarrou numas questões de pós-produção técnicas, não valia a pena o esforço para tentar entender como aquilo poderia ser resolvido", lamenta. A decisão de partir para um disco, no entanto, não foi imediata. "Teve um luto, um sofrimento", diz. "Porque você entrega muito, criativamente inclusive."

Foi-se o projeto, mas as músicas inéditas ficaram. O que não necessariamente ajudou a dar um norte para um novo trabalho. Mas com o tempo, Maria Rita reconsiderou aquelas canções e elas entraram no álbum que a cantora lança agora: Nos Passos da Emoção, Amor e Música, Cadê Obá, Reza e Pra Maria. E os amigos, sem pestanejar, embarcaram na nova empreitada. Pretinho da Serrinha assina como coprodutor - a produtora é a própria cantora -, além de oferecer sua música, Reza, que ele já havia registrado, para a amiga gravar. Davi Moraes, filho de Moraes Moreira, aparece assinando várias composições, com amigos do casal, como Fred Camacho e Marcelinho Moreira. O arranjador Wilson Prateado mostra um trabalho precioso, como no clássico Saudade Louca, dando fôlego renovado a um sucesso tantas vezes gravado. "É um disco muito familiar, é muito amigo, é dentro de casa", conceitua ela.

Amor e Música, o disco, mostra ainda a atuação de diferentes gerações de compositores no gênero. Muitas vezes, a distância da parceria foi encurtada por trocas de mensagens e áudios pelo WhatsApp. Em outras, o encontro não foi planejado. Caso da parceria de Arlindo Cruz e Davi Moraes, em Cara e Coragem. Pensada originalmente como blues por Davi, a canção virou samba após Maria Rita perceber o potencial "popular" dela - e Arlindo entrar na parceria. Dias depois de os dois terminarem a música, o veterano sambista sofreu um AVC - do qual ainda está se recuperando.

Transitando do samba cadenciado ao de quadra, das canções de amor às dores da saudade, o novo disco tem um fio condutor nítido para Maria Rita: a canção Amor e Música, um lado B de Moraes Moreira (do disco Cidadão, de 1991), gravado agora como um samba. "Essa música explica o que é minha vida, é o que move meu ser: é o amor e a música. Amor pelos meus filhos, meus amigos, pelas pessoas que me escolhem no trabalho, é uma mensagem de muita esperança, muito singela", pondera a cantora. "Acho que ela tem essa coisa do fio condutor, até por conseguir migrar de um universo para outro com essa facilidade, essa força."

Faixa a faixa, por Maria Rita
Chama de Saudade

(Davi Moraes/Fred Camacho e Marcelinho Moreira)

"Eles escreveram em um dia. E no arranjo que o Prateado fez na parte ‘é vendaval, é calmaria, até parece a noite não ter fim’, ele vai dando uma tensão"

Nos Passos da Emoção

Davi Moraes/Moraes Moreira/Marcelinho Moreira/Fred Camacho)

"Os três mandaram para o Moraes fazer a letra. Fred é Salgueiro, Marcelinho é Beija-Flor, Moraes é Bahia e Davi é Rio. Moraes, por WhatsApp, escreveu estrofes inteiras"

Saudade Louca

(Arlindo Cruz/ Acyr Marques/ Franco)

"É um clássico. Foi pela beleza mesmo dela, olha essa letra, essa poesia"

Cara e Coragem

(Davi Moraes/Arlindo Cruz)

"Davi me mostrou um blues que tinha composto. Falei para ele: é linda, exceto que não é um blues, é um samba. Disse para ele mandar para o Arlindo Cruz (colocar letra)"

Amor e Música


(Moraes Moreira/Luiz Paiva)

"Davi sempre a tocava em estúdio. Um dia, pedi para ele tocar em samba. Fiquei arrepiada. Ela não é um samba, é MPB bolero, mas vira samba e explica tudo"

Cadê Obá

(Carlinhos Brown/Davi Moraes)

"Davi gravou o áudio, guitarra e voz, para mandar para o Brown. Mandou o som, a fonética, não tinha letra. Brown fez a letra em cima dos sons que o Davi tinha feito. Demais!"

Reza


(Pretinho da Serrinha/Nego Álvaro/Vinicius Feyjão)

"Pretinho já tinha gravado. Ouvi umas 7 vezes seguidas, não conseguia parar. Um dia, ele me ligou e disse: irmã, essa música merece ganhar o mundo, pega para você"

Nem Por Um Segundo


(Zeca Pagodinho/Fred Camacho)

"A pedido do Fred, o Zeca escreveu a letra. O Fred é muito envolvido com essa turma de ‘fundo de quintal’"

Pra Maria

(Marcelo Camelo)

"Essa foi encomenda. Falei para o Marcelo: não posso fazer um projeto sem ter você. Dois dias depois, ele me mandou"

Samba e Swing


(Batatinha)

"É inédita. A família do Batatinha falou para um amigo do Davi que queria mandar uma música para mim. É um presente carregado de uma emoção tão pura. É muito maluco parar para pensar que a família do Batatinha pensou em mim para essa música"

Perfeita Sintonia

(Fred Camacho/Marcelinho Moreira/Leandro Fab)

"Essa música me serviu muito bem, tem um refrão que vai pra cima é agudo demais"

Cutuca

(Davi Moraes/Fred Camacho/Marcelinho Moreira)

"Está há 2 anos no show Samba da Maria, está gravada desde o início do ano passado, porque entrou na novela Pega Pega. Então, como já tem uma história, coloquei como faixa-bônus"

Serviço

Maria Rita
Amor e Música
Universal Music; R$ 35

Agência Estado

Inscrições para o Sisu terminam nesta sexta-feira

Helena Martins - Repórter da Agência Brasil
Brasília - Aulão Solidário no Teatro Ulysses Guimarães revisa conteúdo para estudantes que fazem provas do Enem neste fim de semana (Wilson Dias/Agência Brasil)

Podem se inscrever estudantes que fizeram o Enem
e não tiraram 0. Wilson Dias/Arquivo/Agência Brasil
Terminam nesta sexta-feira (26), às 23h59, as inscrições para a edição do primeiro semestre do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2018. Até agora, 1.812.401 candidatos se inscreveram para a seleção, em busca de uma vaga no ensino superior. O candidato pode se inscrever em até duas vagas entre as ofertadas, indicando a ordem de preferência.

Como muitos já marcaram as diferentes opções, o total de inscrições chegou a 3.510.592 às 18h desta quinta-feira (25), informou o Ministério da Educação (MEC).
É possível trocar de opção durante todo o período de inscrição, pois apenas a última alteração será validada. De acordo com a pasta, os 10 cursos mais procurados até agora foram: medicina, com 219.300 inscrições; direito, 201.539; administração, 185.813; pedagogia, 159.205; enfermagem, 120.999; educação física, 120.524; psicologia, 94.203; ciências biológicas, 87.806; ciências contábeis, 79.532 e veterinária, com 71.679.
O Sisu é usado por instituições públicas de educação superior na oferta de vagas a estudantes, com base nas notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No total, são 239.601 vagas oferecidas em 130 instituições, entre universidades federais, institutos federais de educação, ciência e tecnologia e instituições estaduais. O processo de inscrição é feito exclusivamente pelo site do Sisu.
Podem se candidatar estudantes que participaram do Enem 2017 e obtiveram nota na redação diferente de zero. Não é necessário pagar taxas.