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28 de junho de 2018

Espetáculo une dança, música e literatura na Unicamp

ACidade ON - Campinas | ACidadeON/Campinas
 

Espetáculo multimodal "De uma margem a outra" será apresentado nesta quinta. (Foto: Kassius Trindade) 
Em turnê pelo estado de São Paulo, o espetáculo multimodal "De uma margem a outra", com direção coreográfica de Daniela Gatti e musical de Jônatas Manzolli, explora um novo modo de criação em rede. Dança, música, literatura e tecnologia se entrelaçam num jogo poético de gestos, sons e textos. 
Em Campinas, a turnê tem início nesta quinta-feira (28), às 12h30, no IA (Instituto de Artes) da Unicamp. Na sexta (29), a apresentação será às 19h. Em seguida, o espetáculo ainda passa por São Paulo (5 e 6 de julho), Piracicaba (7 de julho) e Jaguariúna (8 de julho).

Baseado na estrutura literária do escritor Ítalo Calvino (1923-1985), sobretudo na contida no emblemático livro "Seis Propostas para o Próximo Milênio", o espetáculo, protagonizado pelo bailarinos e músicos formados pela Unicamp, encena ilhas interpretativas a partir de diversos temas, que criam um arquipélago imaginário.  
AS REPRESENTAÇÕES
As pontes representam passagens daquilo que é fixo, compacto e denso para o mutável e leve, até alcançar o sentido de transparência, que dissolve o que é denso e dá ao espectador a ideia de permeabilidade. O pêndulo liga o tempo ao espaco , movimento e som, criando pontes entre o fixo e o mutável e passa pela construção do fixo e do imutável para o contato físico e, em seguida, para a transparência, que dissolve o que é denso e dá ao espectador a ideia de permeabilidade

Neste contexto, o pêndulo, mais do que um elemento cenográfico, é então levado ao palco como uma síntese do denso e do leve, criando uma conexão por meio de movimentos que sugerem a construção de pontes entre o fixo e o mutável.

Composições coreográficas e musicais navegam juntas entre cenas dramáticas, resultantes da performance envolvendo músicos - duas percussões, uma flauta transversal e uma mezzo soprano -, e bailarinos integrados a fragmentos de poemas do moçambicano Mia Couto, que estruturam o perfil melódico da obra.

A tecnologia está presente em todo o espetáculo por meio de sensores de movimento e difusão eletroacústica, que viabilizam sonoridades granulares a cada sutil deslocamento dos artistas em cena.

A proposta de criação do espetáculo tem origem em parcerias anteriores entre os professores e diretores Daniela Gatti e Jônatas Manzolli, ambos do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - Matizes (2013) e a Ópera multimodal Descobertas (2016), criada para celebrar os 50 anos da universidade.

O projeto também conta com a colaboração de núcleos de pesquisa de criação artística - Núcleo Dança REDES, GRUPU Grupo de Percussão Unicamp e NICS. Assim como a obra de Calvino, a montagem está estruturada em seis movimentos: Peso, Leveza, Transparência, Pêndulo , Pele e Multiplicidade. 

Biblioteca Pública de Crato promove workshop gratuito

por 
Crato. Com objetivo em dinamizar ainda mais as ações da Biblioteca Pública Municipal, foi realizado, na tarde da última terça-feira, 26, o Workshop sobre o “Uso das tecnologias como ferramenta para uma boa apresentação pessoal e profissional”. A ação foi promovida pelo equipamento junto da Secretaria Municipal de Cultura.
O workshop foi ministrado pela professora Monica Suely, graduada em Administração de empresas e especialista em desenvolvimento e habilidades profissionais e gerenciais, e contou com a participação de 20 inscritos. O trabalho conta com o apoio do projeto Conecta Biblioteca, que é um programa nacional de estímulo a transformação social por meio das bibliotecas públicas.
A ação faz parte da programação que vem sendo desenvolvida pela Biblioteca Pública, através da pesquisa de comunidade realizada com a comunidade cratense, que teve o intuito de saber que tipo de atividade a população gostaria que acontecesse nas dependências do equipamento.
De acordo com o bibliotecário e coordenador da Biblioteca, Cícero Silva, dentre as atividades sugeridas, também serão realizados cursos básicos em informática para jovens, cursos de informática para melhor idade, e Excel para o planejamento financeiro em um período de aproximadamente seis meses.
Cícero acrescenta que a proposta principal do projeto é proporcionar aos participantes a aquisição de novos conhecimentos, assim como mostrar a importância do uso dessa ferramenta como meio de comunicação e interação social já que a internet é um dos meios de comunicação que mais ganhou espaço nos últimos anos.
Diário do Nordeste

XX Ceará Junino movimenta julho com festivais

Até chegar ao XV Campeonato Estadual do Ceará Junino, que acontece de 19 a 22 de julho em Fortaleza, as equipes têm que se classificar nos festivais regionais
O Ceará Junino 2018, desde 21 de junho, já começou a movimentar todo o Ceará com o ciclo de festivais culturais do mês de São João. A Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult) apoia mais uma vez através do edital o fomento da cultura típica do Nordeste, com o objetivo de incentivar eventos com programação cultural fiel às tradições juninas e que visem a preservação das tradicionais quadrilhas em todo o Estado. Em 2018, o edital direcionou quase 3 milhões de reais para o incentivo dos festivais regionais, quadrilhas e para o XV Campeonato Estadual Festejo Ceará Junino.
Ao todo, serão contemplados 17 festivais no interior e 8 etapas em Fortaleza, com 114 quadrilhas de todo o estado. Serão 86 adultas, 14 infantis e 14 quadrilhas da diversidade, uma nova modalidade criada nesta edição: "O edital das quadrilhas juninas esse ano teve uma ampliação, tanto no número de beneficiadas quanto na quantidade de categorias. A quadrilha da diversidade é para contemplar aquelas que não têm muito incentivo, como muitas quadrilhas do campo e de comunidades da zona rural", explica a secretária adjunta da Cultura do Estado do Ceará, Suzete Nunes.
Até chegar ao XV Campeonato Estadual do Ceará Junino, que acontece de 19 a 22 de julho em Fortaleza, as equipes têm que primeiro se classificar nos festivais regionais. São ao todo 114 microrregiões, passando por Maracanaú, Fortaleza, Quixadá, Campos Sales, Iguatu, Cariré, Tarrafas, Ipu, Russas, Crateús, Cascavel, Granja e Alto Santo, seguindo até o dia 14 de julho, em Amontada. Serão, ao todo, 18 etapas. Segundo Suzete, o edital Ceará junino, "o mais antigo da Secretaria da Cultura na área de patrimônio imaterial, tem ganhado força como uma política de reconhecimento, promoção e valorização do patrimônio e cultura do nosso estado", uma forma de fortalecer a identidade regional.
Do festival cearense, participam apenas as quadrilhas adultas, as três classificadas em cada uma das 18 etapas regionais. As quadrilhas competem como melhor quadrilha, incluindo coreografia, animação, figurino e casamento, melhor noivo, melhor noiva, melhor marcador, melhor rainha e melhor repertório. O festival premia individualmente as cinco melhores, o primeiro lugar ganha R$ 7 mil, e o quinto, R$ 2 mil. A Secult está investindo um total de R$ 2.915.800,00 em 138 projetos apoiados em todas as regiões do Estado.
"Esse é um movimento muito potente que tem uma dimensão simbólica muito importante para a identidade do Ceará e do ponto de vista social e econômico. Além de ser expressão popular, ele dinamiza uma economia local, pois mobiliza desde a costureira, o coreógrafo, até o comerciante", afirma a secretária adjunta. Segundo ela, o movimento tem se fortalecido muito durante os últimos anos, e as quadrilhas se empenham para obter o reconhecimento e qualificação. Nesse ano, os festivais chegam a ter equipes com mais de 400 brincantes.
Diário do Nordeste

Dois museus de Fortaleza recebem a circulação do Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça Para as Artes Plásticas

O TRIÂNGULO, conforme diz o curador Marcus Lontra, é uma das mais significativas formas na obra de Sérvulo Esmeraldo. Um dos recortes das exposições mostra os usos e a importância dessa geometria em diversas fases da carreira do cearense Foto Fábio Lima
O TRIÂNGULO, conforme diz o curador Marcus Lontra, é uma das mais significativas formas na obra de Sérvulo Esmeraldo. Um dos recortes das exposições mostra os usos e a importância dessa geometria em diversas fases da carreira do cearense Foto Fábio Lima
Dois museus de Fortaleza recebem a circulação do Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça Para as Artes Plásticas. Com homenagem ao artista cearense Sérvulo Esmeraldo (1929-2017), as atividades se dividem entre exposição com cinco artistas premiados, exposição de peças selecionadas por um curador premiado, exposição de 111 peças de Sérvulo e mostra de dez artistas que produzem obras em diálogo com a peças do cearense. É a sexta edição do prêmio e as visitações seguem abertas e gratuitas até domingo, 1º de julho.
“Foi uma avaliação para minha pesquisa. É difícil para quem faz o trabalho avaliar se está chegando naquilo que pretende. É importante saber que pessoas que estudam o assunto conseguem perceber um pouco do que estou fazendo”, pontua Fernando Lindote, um dos artistas premiados. O conjunto de exposições já passou por Brasília, São Paulo e Goiânia. Após Fortaleza, as peças seguem para Rio de Janeiro e Florianópolis - permitindo, assim, visibilidade para os trabalhos de todos os envolvidos.
Dodora Guimarães, viúva de Sérvulo e curadora de arte, explica que as exposições não têm caráter retrospectivo, mas prestam uma bonita homenagem e captam 111 peças produzidas ao longo de sete décadas. No Ceará, pontua o curador Marcus Lontra, o conjunto de exposições ganha reforço do acervo pessoal de Dodora e das peças existentes no Museu de Arte Contemporânea do Dragão do Mar. “Sérvulo tem essa poesia e essa relação da geometria brasileira”, pontua.
No Museu da Indústria são encontradas algumas peças raras do acervo de Sérvulo Esmeraldo e obras produzidas pelos 11 artistas contemporâneos que mantêm diálogo com o cearense: Almandrade, Ana Maria Tavares, Angelo Venosa, Arthur Lescher, Delson Uchoa, Hildebrando de Castro, Guto Lacaz, Iran do Espírito Santo, Jaildo Marinho, Raul Córdula e Paulo Pereira. Já no Museu de Arte Contemporânea, no Dragão do Mar, está um apanhado das peças de Sérvulo Esmeraldo, os conjuntos de obras dos cinco artistas agraciados pelo prêmio e uma exposição com obras de 17 artistas reunidas pelo curador premiado, Josué Mattos.
Exposição do 6º Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça Para as Artes Plásticas
Museu da Indústria
Onde: rua Doutor João Moreira, 143 – Centro
Quando: até domingo, 1º, quinta, sexta e sábado, das 9h às 17h; domingo, das 9h às 13h
Museu de Arte Contemporânea do Ceará
Onde: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema) Quando: até domingo, 1º, quinta e sexta, das 9h às 19h (último acesso às 18h30); sábados e domingos, das 14h às 21h (último acesso às 20h30) Visitação gratuita
Outras informações: 3421 5435
DODORA GUIMARÃES fez uma visita guiada com a equipe do O POVO pelos dois museus onde há exposições do prêmio
CENTO E ONZE peças de Sérvulo Esmeraldo estão expostas nos espaços ocupados pelo Prêmio Marcantonio Vilaça. Os visitantes têm a oportunidade de conhecer diversas facetas do artista cearense, como a produção de joias em variados materiais.
CINCO ARTISTAS foram premiados pelo Marcantonio Vilaça: Rochelle Costi (SP), Daniel Lannes (RJ), Fernando Lindote (SC), Jaime Lauriano (SP) e Pedro Motta (MG). Na foto, registro das fotografias de Rochelle que estão expostas no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar.
CALE A obra foi feita por Sérvulo Esmeraldo em 1967 e escolhida para abrir a exposição A Intenção e o Gesto, em cartaz no Museu da Indústria. O cearense, explica Dodora, pegou peças industriais usadas como “calços” de móveis e fez uma edição. “Editado como múltiplo e vendido até em supermercados”, diz a curadora. Os pedidos e vendas eram tantos que um representante da indústria, localizada na Alemanha, procurou Sérvulo para descobrir qual o destino de tantos “cales” encomendados pelo artista cearense. Apesar da capilaridade da peça, hoje há apenas notícia de um exemplar - pertencente a um coleção particular de São Paulo e gentilmente cedido para compor o conjunto de mostras do prêmio.
 O Povo

Ícone da literatura brasileira, Guimarães Rosa completaria 110 anos

O escritor João Guimarães Rosa
"Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração. Não é que esteja analfabeto. Soletrei, anos e meio, meante cartilha, memória e palmatória”.
A genialidade e as vivências de João Guimarães Rosa nos sertões do norte de Minas Gerais fizeram surgir preciosidades da literatura brasileira, como os trechos acima de Grande Sertão: Veredas, romance do autor, publicado em 1956. Hoje (27) é celebrado 110 anos do nascimento de Guimarães Rosa que reproduziu a essência do sertanejo e eternizou o sertão em suas obras. Também escreveu o livro de contos Sagarana e o ciclo novelesco Corpo de Baile.
Contista, novelista, romancista e diplomata, Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) em 27 de junho de 1908, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 19 de novembro de 1967. É um dos autores mais estudados e Grande Sertão: Veredas um dos livros mais importantes da literatura brasileira.
O Instituto de Estudos Brasileiros, da Universidade de São Paulo, possui um banco de dados bibliográficos dedicado exclusivamente a Rosa, com quase 5 mil registros.
“É um dos maiores artistas da palavra do país, leitor de dicionários, um colecionador de palavras e expressões, um estudioso de línguas”, define o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Gustavo de Castro e Silva, que faz um estudo biográfico aprofundado de Guimarães Rosa, para montar o perfil e uma linha do tempo da vida do autor.
Segundo o professor, era um homem muito voltado para a família e para o trabalho, que não gostava de ter a vida social exposta. Um mineiro quieto por natureza e introvertido. Amigo de Juscelino Kubitschek, Guimarães Rosa assinou muitos passaportes de judeus durante a segunda guerra mundial, para virem ao Brasil, enquanto era cônsul em Hamburgo, na Alemanha, de 1938 a 1942. “Foi um homem muito sensível”, disse o professor.
Castro e Silva conta que Grande Sertão: Veredas foi escrito de “supetão”, em apenas sete meses. “Ele foi um desdobramento de Corpo de Baile, era um conto desse livro e aí o conto foi crescendo e virou Grande Sertão: Veredas”, contou.
A narrativa é marcada por neologismos e regionalismos. “Ele inaugura um tipo de liberdade poética na literatura brasileira. Quando ele está na França, na Alemanha, ele não esquece Minas Gerais. A saudade de Minas Gerais é crucial para sua elevação, ele escrevia com saudade do sertão”, disse o professor.

O Caminho do Sertão

Inspirada na obra de Guimarães Rosa, a Agência de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Vale do Rio Urucuia em correalização com a prefeitura de Arinos (MG) desenvolve desde 2014 o projeto O Caminho do Sertão, que promove um mergulho socioambiental e literário no universo do escritor e no cerrado sertanejo.
Este ano, 57 pessoas foram selecionadas para a caminhada de 186 quilômetros pelos vales dos rios Urucuia e Carinhanha, entre os dias 7 e 15 de julho. A jornada, que começa em Sagarana (MG), percorre parte do caminho realizado pelo personagem Riobaldo e seu bando, figura central do livro Grande Sertão: Veredas, passando pelo platô Liso do Sussuarão, na Serra das Araras, e terminando em Chapada Gaúcha (MG).
A estudante de licenciatura em História, Julia Chacur, de 21 anos, fez a caminhada no ano passado. “Encontro é uma das palavras que usaria para descrever essa experiência”, contou à Agência Brasil. “Foi também um reencontro com Guimarães Rosa. Já tinha lido o livro, mas lá me reencontrei com a literatura, os espaços e a linguagem […] Foi uma experiência de intimidade com o livro, o povo e a paisagem”.
Além do reencontro com a literatura, Julia relata a partilha e a cumplicidade com as outras pessoas que fazem a caminhada, além da experiência íntima que viveu. “Outro encontro muito importante, é o encontro consigo mesmo. É uma experiência transformadora”, disse, contando sobre as intervenções culturais que vivenciou durante a caminhada.
O projeto Caminho do Sertão é colaborativo e conta com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, várias parcerias e uma campanha de financiamento coletivo, para quem quiser contribuir.
“Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera.”
Agência Brasil