Conhecendo a poesia alemã

Projeto do Goethe Institut, o Passaporte: Literatura apresenta nesta sexta (31/07), uma mostra da poesia contemporânea alemã em tradução
O Passaporte: Literatura, projeto do Goethe Institut São Paulo, apresenta nesta sexta (31), às 18h30, uma mostra de poesia contemporânea alemã em tradução, organizada por Douglas Pompeu, poeta e tradutor brasileiro e doutor pela Universidade Livre de Berlim. A mostra reúne vídeos exclusivos dos próprios autores lendo seus poemas, com a respectiva tradução nas legendas, e um bate-papo com os tradutores sobre o trabalho de verter para o português esses dez poemas de dez nomes importantes da poesia alemã atual. O encontro virtual é um convite para conhecer não apenas a obra desses autores, mas também a cena artística de que fazem parte. Participam os autores Ann Cotten, Dagmara Kraus, Jan Wagner, Lea Schneider, Marcel Beyer, Monika Rinck, Odile Kennel, Timo Berger e Steffen Popp e com as traduções de Charlotte Thießen, Douglas Pompeu, Érica Zíngano, Matheus Guménin Barreto e Simone Brantes. A live será transmitida pelo Facebook do Goethe Institut. Depois da apresentação, haverá um bate-papo com os tradutores, às 19h.
Via Publishnews 

Mário de Andrade, Caio Fernando Abreu e Rubem Fonseca juntos na lista

Box que reúne ‘O melhor’ dos quatro escritores brasileiros estreia na lista, ocupando a quinta posição da Lista de Ficção
Rubem Fonseca, Caio Fernando Abreu e Mario de Andrade | © Michelle Rizzo
Rubem Fonseca, Caio Fernando Abreu e Mario de Andrade | © Michelle Rizzo
Em 2015, quando comemorava o seu 50º aniversário, a Nova Fronteira lançou a coleção O melhor de, antologias de grandes nomes da literatura brasileira. Três destes nomes foram reunidos no box O melhor de Mário de Andrade, Caio Fernando Abreu e Rubem Fonseca lançado no ano seguinte. Nesta semana, a coletânea destes grandes contistas e cronistas brasileiros veio parar na lista, ocupando a quinta posição da Lista de Ficção, com 295 unidades comercializadas. Em dezembro de 2018, o volume já tinha aparecido na Lista Nielsen PublishNews, aquela que apura os autores nacionais mais vendidos em livrarias, supermercados e lojas de autoatendimento do Brasil, mas é inédito na lista semanal.
Na comparação com a semana anterior, os números gerais da lista apresentam queda de 14%. Ficção (-48%) e Não Ficção (-26%) pesaram muito nessa contabilidade. 
Ranking Geral segue liderado por DNA da cocriação (Gente), de Elainne Ourives, com 2.759 unidades vendidas. Mais esperto que o diabo(CDG), de Napoleon Hill, ficou em segundo, com 1.974. Aqui é bom ressaltar que o clássico da autoajuda ocupa o segundo lugar do Ranking Anual Parcial de 2020, com 66.671 unidades vendidas desde janeiro e está a menos de três mil exemplares de distância de A sutil arte de ligar o foda-se, que ocupa o primeiro lugar e é bicampeão da categoria Livro do Ano do Prêmio PublishNews (2018 e 2019). Do mil ao milhão (HarperCollins), de Thiago Nigro, com 1.716 completa o pódio semanal. 
Voltando a falar das novidades, outros dois estreantes pontuaram em Ficção: a “dark edition” de Drácula (DarkSide), de Bram Stocker, ocupa a posição de número 14, com 139, e Uma noiva rebelde (Arqueiro), de Julia Quinn, ficou na 16ª posição, com 128. 
Em Infantojuvenil, a Coleção especial Anne de Green Glabes (Ciranda Cultural), de Lucy Maud Montgomery, ganha posição de destaque, sendo a vice-líder na categoria, com 437 cópias vendidas. 
Outras três novidades em Autoajuda completam o time de estreantes da semana: O melhor de mim (Alta Life), de Mike Bayer, na 14ª posição, com 286; Hábitos atômicos (Alta Life), de James Clear, na 15ª, com 269, e Criando com empatia (Senac), de Bia Lombardi, na 19ª, com 243.
A Sextante volta pro topo da lista, com 13 títulos emplacados ao longo da semana. O Grupo Companhia das Letras, com dez, ficou em segundo e o bronze ficou dividido entre o Citadel Grupo Editorial e a Rocco, com oito cada.
Via Publishnews 

Flipoços terá feira virtual de livro

Plataforma está sendo desenvolvida pela startup Nubbi. Expositores terão uma landing page que poderá ser visitada durante os dias do evento.
Um dos segmentos – dentro da cadeira do livro – que foi fortemente impactado pela pandemia do covid-19 foi o dos eventos literários. Sem poder reunir pessoas, eles tiveram que se reinventar. Nesta semana, o Flipoços anunciou que fará uma Feira Virtual de Livros entre os dias 11 e 15 de novembro. A plataforma – desenvolvida em parceria com a startup Nubbi -- contará com setorização de gêneros literários, como Infantil/Juvenil, Religiões, Lançamentos e Best Sellers, Literatura geral e comercial, Literatura Científica e Universitária, Artes/Fotografia/Música/Arquitetura e Cinema e Escritores Independentes, o que facilitará a visitação às lojas e expositores da Feira. A base tecnológica da plataforma propicia ainda que todos os visitantes se cadastrem para visitação à Feira e que esses sejam “rastreados” quando visitam os expositores, vejam os livros e buscam as novidades. Esse conteúdo, será disponibilizado para o expositor visitado oferecendo a ele uma importante ferramenta e base de dados para venda direta e relacionamento instantâneo e futuro.
Os e-commerces dos expositores poderão ser linkados à Feira e, caso não tenha uma loja virtual, a feira colocará à disposição uma landing page de produtos e ofertas. A ferramenta terá ainda uma “Sala de Negócios”, em que o expositor poderá apresentar seus produtos e fazer negócios diretamente com os interessados. Para acessar esta área, será necessário agendar uma hora. 
Paralelo à feira, acontecerá uma programação de mesas de debates, bate-papos e oficinas com nomes da literatura nacional e internacional, além de lançamentos exclusivos, com a participação de autores dos expositores. Tudo de forma 100% on-line e gratuito ao público. 
Para saber mais como será a Feira Virtual do Livro os interessados podem assistir a webinar no canal Youtube do Festival. Para mais informações acesse o site do festival ou entre em contato pelo e-mail gsc@gsceventos.com.br.
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Um domingo incomum

O dia de domingo já começou especial. O Sol parecia brilhar com mais intensidade, mas não estava de rachar, acalmado que era pelas ventanias típicas do mês de agosto. Mas não era somente por isso. As pessoas pareciam ter adquirido um semblante diferente, com aura de certo mistério; no entanto os olhos pareciam sorrir.
O parque foi reaberto para a visitação pública e, aos poucos, de forma cautelosa, comedida, reticente, como quem bota o pé na água para ver se não está gelada demais para então se aventurar a mergulhar, começaram a aparecer alguns jovens, adultos, crianças, idosos... O parque não lotou, como de costume, em épocas nem tão longínquas assim. Havia um respeitoso distanciamento entre as pessoas, até entre aquelas pertencentes à mesma família.
Do alto da janela, eram cenas bonitas de se ver: algumas crianças andavam em suas bicicletas, tentando imprimir o máximo de velocidade que suas pequeninas pernas eram capazes; um menino jogava bola com o pai e, de vez em quando, tinha que buscá-la quando chutada ao longe; um casal de namorados deitado sob a verde grama; uma família fazendo um piquenique, saboreando os lanches e sucos trazidos; outros faziam caminhadas, tentando queimar as calorias adquiridas; havia, também, em frente ao parque, vários carros antigos estacionados, com seus proprietários felizes em poderem voltar a exibir suas preciosidades há tanto tempo na garagem.
Era um dia de domingo incomum: para quem a tudo observava, do alto da janela do apartamento de frente para o parque, bem como para quem nele estava, usufruindo dos suaves encantos de momentos tão simplórios e que, somente agora, puderam ser valorizados e percebidos em toda a sua intensidade e magnitude.
Era um dia de domingo incomum, ainda assim, curtido deliciosamente após um longo período de reclusão imposto por uma assustadora epidemia que teimava em não ir embora de uma vez por todas.
Poderia ser um dia de domingo comum, como outro qualquer, não fosse um único detalhe: o uso da máscara.

Grecianny Cordeiro
Escritora

Pensar

De forma objetiva, podemos dizer que pensar significa conceber ideias, racionar, refletir, enfim, buscar conhecimentos, muitas vezes polêmicos, que possam nos levar a um processo de tomada de posições ou de decisões. Não é fácil pensar. Assim disse Henry Ford: "Pensar é o trabalho mais pesado que há, e talvez seja essa razão para tão poucos se dedicarem a isso".
Por incrível que pareça, no momento atual, o número de pessoas pensantes, em termos relativos, a nosso juízo, está caindo. Não somos contra o progresso tecnológico, pelo contrário. Sem a informação e com as atividades em permanente evolução, dificilmente a humanidade teria condições de possuir um melhor padrão de vida, com respeito à realização de suas necessidades. Todavia, o que não desejamos é a substituição do pensamento humano por um computador, por exemplo. Somos a favor tanto da aprendizagem tradicional como da virtual. No entanto, não devemos deixar os métodos ortodoxos da leitura e da pesquisa nos livros, nos textos e nos jornais, pela comodidade cibernética.
Tal comportamento pode nos conduzir a uma preguiça mental e consequentemente reduzir a capacidade de pensar. O importante é buscarmos uma conciliação que permita a convivência do pensamento e do progresso tecnológico, ou seja, sim à inclusão digital e também à inclusão do pensamento. A arte de pensar é o segredo da vida. Conforme Spencer, "É a mente que faz a bondade e a maldade. Que faz a tristeza e a felicidade, a riqueza e a pobreza".
Procuremos o sucesso, mediante o pensamento positivo, isolando as ideias inerentes aos sentimentos do ódio, da inveja, do desamor, dentre outros, e não apenas digitando números e letras, nem também procurando, sem esforço mental, informações existentes numa máquina. Lembremo-nos, por sua vez, de Victor Hugo: "Amo as pessoas que pensam, mesmo aquelas que pensam de maneira diferente de mim".
Gonzaga Mota
Prof. Aposentado da UFC

Oficina Raquel e Jandaíra lançam coletânea de poemas e ensaios eróticos

Com curadoria do projeto Mulheres que Escrevem livro '69 poemas e alguns ensaios' será lançado nesta sexta (31/07) com uma conversa sobre poesia e gozo
As editoras Jandaíra e Oficina Raquel, em parceria com a Mulheres que escrevem (MQE), lançam 69 poemas e alguns ensaios (144 pp, R$ 69) uma antologia de poemas eróticos, todos escritos por mulheres e ilustrada por Clara Zúñiga. O livro começa com quatro textos extraídos da zine Mais Pornô, Por Favor, da poeta Adelaide Ivánova, que em 2016 lançou a primeira edição para uma feira e aos poucos passou a reunir artistas para pensar a pornografia. Seguem-se então os poemas, de 49 autoras, selecionados pela editora Raquel Menezes com apoio curatorial da Mulheres que Escrevem, uma iniciativa liderada por uma equipe de quatro escritoras - Estela Rosa, Natasha Silva, Seane Melo e Taís Bravo - e conta com centenas de colaboradoras convidadas desde 2015. O evento de lançamento da obra acontece nesta sexta (31), às 20h30. Nas plataformas da Jandaíra e Oficina Raquel, a sexóloga Mariana Perdigão conversa sobre poesia e gozo com a poeta maranhense Seane Mello, e com as editoras Raquel Menezes (Oficina Raquel) e Lizandra Magon de Almeida (Jandaíra). Algumas das autoras também participam da roda de conversa com vídeos, lendo seus poemas e haverá também sorteio de mimos do sex shop Hora da Aventura. Para participar é só clicar aqui.

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Um dilema amoroso

Na obra ‘O sorriso da diaba’, Laura terá que decidir se ajuda ou não um homem está em perigo
Quando Laura Mairinc saiu da prisão, vítima de um golpe de seu ex-marido, ela prometeu nunca mais confiar em homem algum, porém, quando o delegado da cidade vizinha apareceu na pequena Itumbiara para investigar um estranho assassinato, ela se viu num dilema: se Laura não protegesse o delegado, ele estaria em perigo; mas, se o defendesse, violaria seus próprios princípios e, talvez, não resistisse aos seus encantos. Perigo, corrupção e lavagem de dinheiro fazem parte da história de O sorriso da diaba (3Dea Editora, 245 pp, R$ 33,50), livro de Camila Marciano. A obra é o primeiro volume da série Terra de nenhum homem.

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Intrínseca sorteia fã para participar de bate-papo com Stephenie Meyer

O encontro reunirá a autora da saga ‘Crepúsculo’ com leitores de diversos países. Inscrições terminam no dia 04/08
Depois de mais de uma década de espera por um novo livro da saga Crepúsculo, um fã brasileiro de Edward e Bella terá a chance de participar de um bate-papo com Stephenie Meyer. A Intrínseca vai sortear um leitor que terá acesso exclusivo à uma videochamada com a autora e outros fãs ao redor do mundo, em um encontro que fará parte das celebrações do lançamento mundial de Sol da meia noite. O evento será inteiramente on-line, em inglês, sem tradução simultânea, no dia 18 de agosto, em horário a ser definido pela autora. Os interessados têm até o dia 4 de agosto – dia do lançamento mundial de Sol da meia-noite – para se inscreverem e o resultado será anunciado no mesmo dia. Para preencher o formulário e saber mais informações sobre o sorteio é só clicar aqui.

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Flip deve acontecer entre a última semana de novembro e a primeira de dezembro, diz Mauro Munhoz

Evento deverá ter uma versão híbrida, com atividades presenciais e atividades on-line
Mauro Munhoz e Eduardo Saron em conversa que revelou a data de realização da Flip 2020 | Reprodução
Mauro Munhoz e Eduardo Saron em conversa que revelou a data de realização da Flip 2020 | Reprodução
Uma conversa entre Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip, e Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, no último dia 22 revelou alguns detalhes que muita gente estava esperando. Na conversa, o representante da Flip revelou que o evento se dará no formato híbrido. “A posição atual é que não poderá ter eventos de aglomeração, pelo menos, até dezembro. Agora, nós vamos fazer ações físicas que sejam permitidas, não só nos dias em que a Flip Virtual vai estar no ar. Na medida dessa convocação que foi feita para a Flip de ser um espaço de pensamento de como posicionar a cultura, de como posicionar a literatura, mas também de como reinventar a questão econômica de Paraty”, disse. “O desafio é construir experiências virtuais que tenham a qualidade de construir dispositivos que continuem a colocar a dimensão cultural no lugar que é legítimo e que seja a expressão da diversidade da nossa cultura”, completou. Na conversa, Munhoz disse ainda que o evento deverá acontecer entre a última semana de novembro e a primeira de dezembro. Mauro falou também que a sua equipe tem pensado em maneiras de como agregar as casas parceiras à programação virtual. “Este é o maior desafio”, disse sobre o assunto. Para conferir a íntegra do vídeo, que teve também a participação de Julio Ludemir, da Flup, clique aqui.

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Pela primeira vez, desde o início da pandemia, venda de livros cresce na comparação com 2019

A conclusão está no sétimo Painel do Varejo de Livros no Brasil. Crescimento foi de 4,4% em valor e de 0,67% em volume.
Varejo de livros volta a crescer, aponta Nielsen | © Alf Ribeiro / Shutterstock
Varejo de livros volta a crescer, aponta Nielsen | © Alf Ribeiro / Shutterstock
Finalmente, uma boa notícia. As vendas de livros em livrarias, supermercados e lojas de autoatendimento cresceram no período que vai de 15 de junho a 12 de julho. Na comparação com intervalo semelhante de 2019, o faturamento com as vendas de livros subiram 4,4%, mesmo com relativa manutenção do número de exemplares vendidos, que apresentou discreto crescimento de 0,64%. É a primeira vez, desde março que o varejo apresenta crescimento na comparação com 2019. As informações estão no sétimo Painel do Varejo de Livros no Brasil realizado pela Nielsen e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Em números absolutos, foram vendidos 2,95 milhões de cópias, o que resultou em faturamento de R$ 117 milhões.
No acumulado do ano, no entanto, o setor apresenta queda de 9,77% em faturamento e de 10,48% em volume. De janeiro a julho, foram vendidos 18,86 milhões de unidades e os estabelecimentos monitorados pelo instituto de pesquisa faturaram R$ 846,14 milhões. 
Ismael Borges, gestor da divisão Bookscan da Nielsen, comenta: “esse é o terceiro mês consecutivo de recuperação, o que já nos permite dizer que o pior em relação à pandemia realmente ficou para trás. Durante o pior da crise, vimos os lojas virtuais trabalhando para manter o mercado vivo, se valendo de ações promocionais, especialmente, descontos bem acima da média para atrair o público. Agora, a abertura das lojas vem apoiar o mercado em busca da recuperação”.
Clique aqui para conferir a íntegra do Painel.
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Autores, editoras e livrarias independentes têm até sexta para se cadastrar na campanha +Livros

Campanha do Catarse já arrecadou R$ 460 mil que serão partilhados entre autores, editoras e livrarias
O fundo de incentivo +Livros, capitaneado pelo Catarse, segue com inscrições abertas para beneficiários até esta sexta (31). A iniciativa irá contemplar autores, editoras e livrarias independentes de todo o país que trabalhem com literatura e/ou quadrinhos, nos diversos gêneros de ficção e não ficção. A diversidade geográfica, de linguagens, gênero e temáticas serão levadas em conta na seleção. Para se inscrever, os interessados devem preencher um formulário na página da campanha. Eles serão avaliados por um corpo técnico formado por profissionais de referência no mercado editorial, como Felipe Castilho, Alessandra Ruiz, Bruno Mendes e Ketty Valêncio. Os contemplados vão receber doações em dinheiro – R$ 2 mil para autores e R$ 5 mil para editoras e livrarias – e em serviços de parceiros, como espaço gratuito de divulgação. Até agora, são mais de 500 apoiadores registrados e um total superior a R$ 460 mil arrecadados, que permitem beneficiar, hoje, 90 agentes do mercado do livro. As contribuições podem ser feitas por pessoas físicas e empresas até o dia 19 de agosto, a partir de R$ 15, e quem doar pode escolher receber recompensas como e-books, cupons de desconto e mentorias profissionais. Os resultados parciais da campanha serão divulgados até o dia 30 de agosto.

Via Publishnews 

Companhia das Letras lança manifesto público a favor da diversidade

Editora contratou editor de diversidade, que perpassará todos os selos do grupo, e ainda anunciou uma extensa programação de títulos que abordam o tema
No início do mês de junho, um grupo de trabalhadores da indústria editorial mundial se formou para adotar ações coletivas contra o racismo. A iniciativa era uma resposta às mortes de George Floyd, Breonna Taylor, Ahmaud Arbery, Tony McDade e "os muitos outros negros". Entre as ações do grupo estava tirar um dia de folga para trabalhar a serviço da comunidade negra e ainda a formação de um fundo. 
Um dos desdobramentos desta primeira ação, empreendida pelos trabalhadores, foi um compromisso público por parte de grandes editoras em garantir apoio à diversidade. A Penguin Random House, o segundo conglomerado editorial do mundo voltado para livros de interesse geral, enviou uma carta aos seus funcionários nos EUA reconhecendo que, embora a empresa tenha feito progressos na diversificação de sua força de trabalho e nos conteúdos que publica, deveria fazer mais. Em 2019, a empresa já tinha criado o seu Conselho de Diversidade e Inclusão. Nesta mesma ocasião, a Simon & Schuster e o Hachette Book Group também lançaram iniciativas nesta mesma direção.
Fernando Baldraia
Fernando Baldraia
Nesta terça-feira (28), os funcionários do Grupo Companhia das Letras, do qual a Penguin Random House é sócia, receberam uma extensa carta com os principais atos que a empresa adotará a partir de agora. 
O Grupo Companhia das Letras diz no documento que contratou Fernando Baldraia para o recém-criado cargo de editor de diversidade, que terá atuação transversal, atuando nos diversos selos que compõem o grupo. Ele, que é doutor em História pela Universidade Livre de Berlim e se diz “cria da capoeira, do rap e da quebrada, terá como como foco principal a busca de novas vozes, causas, projetos e ideias que não chegam ao establishment editorial.
Além de Baldraia, a Companhia anunciou que Ana Paula Xongani e Samuel Gomes atuarão como editores convidados do selo Paralela e auxiliarão no processo de avaliação de originais e seleção de títulos.
A empresa fará também um censo entre seus funcionários e no seu catálogo, que dará um diagnóstico da situação atual que ajudará na definição de novas iniciativas e de metas. 
A partir de 2021, o Grupo Companhia das Letras colocará na rua um programa de trainee e de estágios com duas vagas anuais destinadas a pessoas que atendam aos quesitos de diversidade racial. Os selecionados deverão rodar pelas diversas áreas da empresa e participar de um curso sobre o mercado e sobre a profissão, que passará a ser oferecido gratuitamente a estudantes de baixa renda que se enquadrem no perfil. 
Catálogo
Além das iniciativas miradas na sua força de trabalho, a empresa anunciou uma série de cerca de 100 projetos que deverá trazer mais diversidade ao seu catálogo. Entre os novos títulos estão a Enciclopédia negra (Companhia das Letras), de Flávio Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz que tem por objetivo ampliar a visibilidade de cerca de 500 negros e negras que foram invisibilizadas pela violência; Por um feminismo afro-latino-americano (Zahar), que reunirá um panorama da obra de Lélia Gonzalez; Um apartamento em Urano (Zahar), em que o filósofo espanhol Paul B. Preciado analisa processos contemporâneos centrais de mutação política, cultural e sexual; Sejamos todos feministas para crianças (Companhia das Letrinhas), adaptação do best-seller de Chimamanda Ngozi Adichie (foto ao lado) para o público infantojuvenil que ganhará ilustrações e projeto gráfico de Juliana Rangel; Guardei no armário (Paralela), relato de um jovem nascido na periferia de São Paulo que superou o racismo e a homofobia escrito por Samuel Gomes; Tambores do Maranhão (Quadrinhos na Companhia), livro que trata da Rebelião de Viana, criado por Marcelo D’Salete, Flávio Gomes e Lilia M. Schwarcz; Memórias (Companhia das Letras), do cacique Raoni, e o novo livro de Emicida cujo título provisório é E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas(Companhia das Letrinhas). Nele o rapper conta a história de uma menina que tem medo de escuro e de outra que teme a luz.

Via Publishnews 

Sesc lança podcast de Literatura com interpretação

Episódios do 'Letraria' devem ficar disponíveis para serem curtidos


Está no ar o primeiro episódio do Podcast do Sesc Piracicaba: 'Letraria'. Divulgar o mundo das Letras e da Literatura de forma descontraída, gostosa e leve. Essa é a proposta do 'Letraria', que a Unidade Local lançou nesta terça-feira (28). Ancorado na página do Sesc Piracicaba: www.sescsp.org.br/sescpiracicaba e também no Youtube do Sesc Piracicaba: www.youtube.com/sescpiracicaba, o 'Letraria' tem produção e apresentação de Alê Bragion e Josiane Maria de Souza, ambos doutores em Teoria e História Literária pela Unicamp, e veteranos da divulgação da Literatura pelas ondas do rádio que ganham, agora, a possibilidade de navegar pela imensidão da web.
Idealizado por Suellyn Camargo, programadora do Sesc­­ Piracicaba, o 'Letraria' inova também ao oferecer ao internauta o conteúdo do Podcast em Libras. “Possibilitar democraticamente o acesso ao universo das letras é uma das nossas preocupações iniciais com o 'Letraria'”, contou Suellyn Camargo, programadora do Sesc Piracicaba, que completou: “Na Literatura (aliás, na Arte!) cada pessoa tem a sua interpretação individual, que pode ser ampliada em contato com outra interpretação”.
Os episódios do 'Letraria' devem ficar disponíveis para serem curtidos por tempo indeterminado. “O 'Letraria' quer trazer para o universo da internet um bate papo sobre Literatura numa atmosfera descontraída – sem, é claro, perdermos a criticidade, o cuidado com a informação e com o conteúdo”, revelou Alê Bragion.
“Aprendermos a usar a tecnologia a favor da Educação, da Cultura e do Conhecimento é quase uma obrigação dentro do momento histórico que atravessamos no País e no mundo”, completou Josiane.
Para abrir a série, episódio #1: O Marinheiro
O primeiro episódio da série aborda o drama estático “O Marinheiro”, do poeta português Fernando Pessoa. Incluído na lista de leituras obrigatórias do vestibular da Unicamp este ano, “O Marinheiro” é um dos textos emblemáticos do poeta português, sendo certamente uma das leituras mais difíceis da lista da Unicamp.
“A ideia não é fazer um podcast sobre Literatura nos vestibulares, não. Mas resolvemos aproveitar a deixa da Unicamp para, dando uma canja ao vestibulando que se interessar pelo podcast, abordarmos esse texto tão bonito e ao mesmo tempo tão complexo de Pessoa”, comentou Josiane.
O segundo episódio do 'Letraria' abordará o romance angolano “Mayombe”, de Pepetela, outra obra a prefigurar nas listas dos vestibulares deste ano (o romance é leitura obrigatória para a Fuvest) e será lançado em 11 de agosto.
Serviço
“Letraria” – Podcast de Literatura do Sesc Piracicaba
Via Gazeta de Piracicaba

Pippo Pezzini fala sobre a jornada do herói no Órbita Literária

Conversa comandada por escritor e psicólogo começa às 20hFoto: Felipe Nyland / Agencia RBS
Muito presente nas narrativas construídas para a literatura ou para o cinema, a jornada do herói será objeto de reflexão da edição desta segunda (27) do Órbita Literária. O encontro, realizado por meio de live, terá como painelista o escritor e psicólogo Pippo Pezzini. Evocando conceitos do psiquiatra Carl Gustav Jung e do mitólogo Joseph Campbell, o papo promete apontar maneiras de identificar esse modelo de construção que ultrapassa os clássicos e continua ressoando nas produções modernas e pós-modernas.
A live começa às 20h, com transmissão pelo facebook.com/davelha. A mediação será de J. C. Fantin.
Via Pioneiro

Escritoras negras do Nordeste aliam a literatura à denúncia das desigualdades

Inspiradas na realidade das periferias e sertões nordestinos, elas misturam aspectos da vida pessoal e questões sociais

Brasil de Fato | Recife (PE) |
No último dia 25 de Julho foram comemorados o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e também o Dia do Escritor. Em todo o Brasil, diversas mulheres negras se utilizam da escrita para contar as suas histórias e para lutar contra as opressões impostas pelo racismo, pelo machismo e pelo patriarcado, a exemplo de Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Maria Firmina dos Reis, com obras reconhecidas nacional e internacionalmente. Elas utilizam o poder da palavra e dos versos como ferramenta de denúncia e transformação social.
"Se a gente for olhar na nossa literatura, por vezes as mulheres negras são citadas e tratadas com estereótipos, mas não há uma valorização das histórias contadas por essas próprias mulheres”, afirmou a baiana Jamile Araújo, que é física, comunicadora popular e escritora.
Jamile é umas das autoras do livro "De Bala em Prosa", que reúne textos de diversos autores que falam sobre as expressões do racismo no Brasil. O nome do livro faz uma referência a a morte do músico Evaldo Rosa e do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo causada por 80 tiros disparados por policiais militares do Rio de Janeiro em abril de 2019.
Jamile exemplifica que algumas trajetórias demoram a ser reconhecidas “A gente tem como exemplo é a própria Carolina Maria de Jesus, que era catadora de material reciclável, e escrevia nos seus diários a partir das angústias que ela sentia, da fome, do peso de ser mãe solteira que precisava sustentar dos seus filhos, de ser mãe solteira e pobre, e a partir disso foi a forma dela falar das suas angústias. O livro foi traduzido, ficou famoso, mas essa forma de escrita ainda não é valorizada." 
Apesar de sempre ter utilizado da escrita como uma forma de expressar as suas emoções, Jamile se dedicou à formação superior em Física antes de se tornar escritora, mas depois foi voltando a sentir necessidade de utilizar a palavra como forma de se expressar após se deparar com diversas formas de opressão e preconceitos. "Com o período da formação em Física isso ficou meio adormecido, mas, a partir do momento que eu ingressei nos movimentos sociais, isso meio que voltou à tona, sobretudo quando eu tenho um contato com a leitura de mundo,  entender o que é o racismo, o que é o machismo, o que é o patriarcado, a exploração dos trabalhadores”, disse Jamile. “Isso trouxe a angústia, mas também me fez ter vontade de voltar a escrever e me expressar."
Para a poetisa recifense Luna Vitrolira isso não foi diferente. Ela começou a viver a poesia nas ruas através de um projeto chamado Agentes da Palavra, onde viajava pelos sertões e pelas periferias para levar seus versos. “O agente de saúde ele vai de de casa em casa para verificar água, para dar uma informação, a gente ia para dizer poesia”, relembra.
 
Minha poesia sempre esteve nesse lugar político, sempre foi uma ferramenta de transformação social.
 
Ela aponta que sempre teve na escrita um instrumento de autocuidado através dos diários e, com o passar do tempo descobriu na palavra o papel de dar voz àqueles que são oprimidos. “Quando eu começo na literatura, infelizmente eu não começo com essa consciência desse papel tanto artístico, quanto político, quanto poético-literário. Mas intuitivamente eu sempre tive a poesia como guia. Eu vou pra rua com um posicionamento político, mesmo que esse posicionamento não estivesse no meu discurso, estava na minha prática”, afirmou a poetisa.
A literatura tem o papel de fazer as escritoras encontrarem a própria voz dentro do lugar onde vivem, sendo utilizada como instrumento de denúncia e uma forma de se chamar atenção. “A minha poesia começa no sertão, então quando eu começo a declamar no sertão para pessoas sertanejas, isso tem um lugar de identificação também. Então isso respaldava e fundamentava tudo o que eu comunicava para as pessoas”, disse.
Luna também percebe em sua poesia uma função social “Então, para mim, a minha poesia sempre esteve nesse lugar político, sempre foi uma ferramenta de transformação social, de conscientização, de humanização. Hoje a minha poesia fala da minha voz, da minha vida, do meu lugar de fala, do lugar de onde eu vejo o mundo. Então passa pelo lugar de ser uma mulher negra, uma mulher negra, gorda, nordestina e sertaneja”.
Edição: Rodrigo Chagas e Vanessa Gonzaga

A vida é dom e graça de Deus

A vida é dom e graça de Deus. Que saibamos valorizá-la, colocando-a na mente e no coração como o tesouro ou a pérola do Evangelho. Algo muito verdadeiro, incontestável e irrefutável é a vida como mistério. Com Santo Afonso vamos nos aproximar do Reino de Deus anunciado por Jesus de Nazaré. Amém!


Lampião: como o assassino brutal construiu a imagem de herói

Ainda em vida e durante as oito décadas após a morte de Lampião, cresceu a imagem de "bandido-herói", que tirava dos ricos para dar aos pobres. Ideia que esconde o assassino brutal, que matou inclusive mulheres, crianças e idosos de forma indiscriminada e que praticava estupros e outras violências contra mulheres. As boas ações existiram, mas eram exceçãoPor 
que Jesse James foi para os Estados Unidos, Lampião foi para o Brasil, e até mesmo em dose mais forte", diz a orelha do livro do historiador Billy Jaynes Chandler, que escreveu o que talvez seja a mais importante obra sobre o cangaceiro. Soaria provinciano, não fosse Lampião, o rei dos cangaceiros a obra de um americano.
Cem anos atrás, Virgolino Ferreira da Silva - conforme a grafia com "O" de sua certidão de nascimento - entrou em definitivo para o cangaço, ao se unir ao bando do cangaceiro Antônio Matilde, por volta de 1920. Já estavam envolvidos em episódios de violência. Desde 1918 os irmãos Ferreira só andavam armados e usando chapéu com aba virada na frente, lenços no pescoço e cartucheiras - trajes de bandidos profissionais. O apelido Lampião já havia surgido. A aliança com Matilde, porém, institucionalizou o ingresso no cangaço.
Em 29 de julho de 1938, jornais do Brasil e do mundo trouxeram a notícia de que o bando criminoso que espalhou violência pelo semiárido havia sido emboscado e morto no dia anterior. Há 82 anos, em 28 de julho de 1938, chegou ao fim a vida de Virgolino Ferreira da Silva. E cresceu a lenda de Lampião. A notícia saiu no mesmo dia no O POVO e no New York Times. Para relembrar as datas, O POVO+ reedita a série de reportagens especiais publicada por ocasião dos 80 anos da morte do bando.
Lampião já maduro, em seus últimos anos de vida
Foto: Biblioteca Nacional
Lampião já maduro, em seus últimos anos de vida
Passados 80 anos, não se tem a dimensão do interesse e curiosidade mundiais despertados pelo chefe de um bando criminoso que nunca pisou numa capital de estado e restringiu suas atividades às regiões mais pobres de um País então ainda mais periférico. Durante 16 anos, foi o criminoso mais temido, procurado e também admirado dos sertões. Não há paralelo em trajetória tão duradoura e bem-sucedida nesse tipo de atividade. 
A morte de Lampião foi festejada mesmo em locais dos quais o cangaceiro jamais chegara perto. "A notícia, como era natural, causou viva sensação no Rio, cuja população aguardou com enorme ansiedade sua confirmação", informou O POVO naquele dia. A festa na então capital federal era previsível, pois o combate ao cangaço se tornara questão de Estado para o governo Getúlio Vargas. Estava em seu começo a ditadura do Estado Novo - e nada era mais velho e atrasado que o cangaço.
A ansiedade quanto à confirmação, relatada pelo O POVO, era previsível. Em pelo menos oito ocasiões, houve informações falsas sobre a morte do "rei do Cangaço". A última delas havia surgido em Sergipe e divulgada em 12 de janeiro no O POVO e um dia depois no New York Times: "Nº 1 bad man dies in his bed in Brazil" - "Homem mau número um morre em sua cama no Brasil". A informação, equivocada, apontava que Lampião teria sido vitimado por tuberculose.

Os segredos da estratégia
de combate de Lampião

A notícia da morte no New York Times mostra que a fama do cangaceiro ia muito além do Nordeste e do Brasil. E o fato de o boato sobre sua morte ter sido veiculado antes demonstra que o interesse por ele não era esporádico. Virgolino Ferreira da Silva era personagem sem paralelo no Ocidente. Para os estrangeiros, tratava-se de curiosidade pitoresca. Para os Estados Unidos, soava como reminiscência do Velho Oeste.
Para o sertanejo, era personagem algo que lendário. Atribuíam-se a ele poderes místicos, "corpo fechado" para tantas vezes ter escapado. Ao morrer, falou-se que teria sido envenenado com vinho. Décadas depois, dizia-se que ainda estava vivo e refugiado no então pouco povoado estado de Goiás. O cangaço - e seu "rei" - influenciaram decisivamente a ideia que se faz de Nordeste, inclusive esteticamente. A mitologia em torno de Lampião criou ainda a imagem, até hoje difundida, de um "bandido social", um Robin-Hood dos sertões. Não era bem assim.
Lampião não morreu de tuberculose, tampouco pelas mãos de algum de seus inimigos mais empenhados, corajosos ou competentes. A ação que finalmente o matou foi liderada por policial suspeito de colaboração com criminosos e teve muito de acaso.
A partir do acervo do O POVO e do livro de Chandler, O POVO Online produziu a série de reportagens sobre os 80 anos da morte do rei do cangaço, o alcance da violência que espalhou e a marca que deixou no imaginário dos sertões. Conteúdo agora atualizado e publicado pelo O POVO+.

 

O marketing do heroísmo
de um bandido sanguinário

Da esquerda para direita: 1) Vila Nova; 2) não identificado; 3) Benjamin Abrahão; 4) Luis Pedro; 5) Amoroso; 6) Lampião; 7) Cacheado; 8) Maria Bonita; 9) Não identificado; 10) Quinta-feira
Foto: Foto tirada pelo cangaceiro Juriti
Da esquerda para direita: 1) Vila Nova; 2) não identificado; 3) Benjamin Abrahão; 4) Luis Pedro; 5) Amoroso; 6) Lampião; 7) Cacheado; 8) Maria Bonita; 9) Não identificado; 10) Quinta-feira
Virgolino era vaidoso quanto à reputação e tentava induzir a imagem que tinham dele. Dizia que o assassinato do pai, um inocente morto pela polícia, teria sido a motivação de sua entrada no cangaço. Porém, as fontes mais confiáveis mostram que ele e os irmãos mais velhos já estavam envolvidos em crimes e que a morte do pai teria sido, inclusive, reação a um dos atos nos quais os filhos se envolveram. Mesmo assim, o episódio ajudou a criar o mito de criminoso movido pela vingança.

Na construção da mitologia a seu respeito, concedeu entrevista em sua célebre visita a Juazeiro do Norte, em 1926. Questionado pelo jornalista se não o incomodava extorquir dinheiro de fazendeiros e destruir o patrimônio caso se negassem a colaborar, ele respondeu que jamais fez tal coisa. Conforme sua versão, tão somente pedia dinheiro a seus amigos. Virgolino lia matérias de jornais e revistas a seu respeito, quando os encontrava. Chegava a ficar muito zangado quando considerava algo injusto.

Em 28 de fevereiro de 1931, o New York Times (mais uma vez) chegou a divulgar que Lampião era espécie de Robin Hood - tirava dos ricos e dava aos pobres. Essa versão cresceu nas décadas após sua morte, difundida na literatura de cordel, na literatura, no cinema, até movimentos como o Manguebeat. Nessas narrativas, Lampião ganha ares de herói. Um herói-bandido, um justiceiro numa terra de injustiças.
Porém, os registros históricos não fornecem elementos para justificar essa versão. O contexto de surgimento do cangaço ajuda a entender o fenômeno. No sertão inóspito, as instituições quase não funcionavam. A Justiça quase nunca alcançava autores de crimes. A violência muitas vezes se tornava o recurso para vingar ofensas e fazer o que o Estado não foi capaz.
Fosse motivo legítimo ou não, o fato é que, aos olhos dos sertanejos, tais motivações diferenciavam seus autores de criminosos comuns. Além disso, a criminalidade aumentava durante secas mais intensas. Não só ela, como o fanatismo religioso e o messianismo. Eram sintomas da crise na sociedade sertaneja, conforme classifica Billy Jaynes Chandler, historiador americano, autor de Lampião, o rei dos cangaceiros. Esse era o ambiente no qual proliferava o cangaço.
José Saturnino em 1975, sentado, à direita
Foto: Billy Jaynes Chandler
José Saturnino em 1975, sentado, à direita
No caso de Lampião, todavia, não há elementos que fundamentem a vingança como razão para a entrada no cangaço. O início da vida de violência dele e dos irmãos foi muito mais decorrência de conflitos com vizinhos e acusações mútuas de invasão de propriedade e roubo de gado.
A divergência logo degenerou em conflito armado. Em seguida, é fato que o assassinato do pai foi um marco para mergulhá-los em definitivo na vida de crime. Porém, a vingança nunca foi alcançada. Os que foram apontados como principais responsáveis pela morte de José Ferreira sobreviveram em décadas aos irmãos cangaceiros.
Os atos também não justificam a imagem de Lampião como alguém motivado pelas injustiças sociais. É verdade que promovia atos de generosidade. Em Riacho Seco, município de Curaçá, na Bahia, houve um dos episódios no qual estabelecimentos comerciais foram saqueados, em 17 de setembro de 1929. Em um deles, as mercadorias foram distribuídas à população.
Além disso, dava esmolas a pobres e retirantes com quem simpatizasse - e fazia isso com grande ostentação. Episódios como esse fortalecem a tese de "Robin Hood sertanejo". As boas ações também costumavam ser exageradas. Porém, não era a regra de sua atuação. Os atos de violência cometidos por Lampião tinham como motivação conseguir dinheiro para o bando.
Houve, claro, vários casos de vingança, sim. Nos primeiros anos, raramente deixava de escolher seus alvos entre alguém com que tivesse contas a acertar. Esse padrão começou a mudar. Em julho de 1925, quando seu primeiro irmão morreu no cangaço - Levino - passou a direcionar sua ira de forma indiscriminada. Entre agosto e setembro de 1925, seu bando atacou povoados na divisa entre Pernambuco e Alagoas. Pelo menos sete pessoas morreram. Conforme testemunhas, os alvos tinham sido gente pobre e sem histórico de desavença com os cangaceiros. Entre as vítimas, pelo menos uma criança e um idoso, ambos desarmados.

Mapa interativo
Os caminhos de Lampião pelos sertões

Lampião também se irritava profundamente com construções de estradas. Grande parte de seu sucesso dependia do isolamento dos sertões, das dificuldades de deslocamento e comunicação. Por isso, incendiava estações de trem, cortavas fios telegráficos e ameaçava trabalhadores de obras de rodovias.
Em outubro de 1929, atacou canteiro de estrada que saia de Juazeiro, na Bahia, e matou nove trabalhadores. Em dezembro do mesmo ano, o bando matou a sangue frio sete policiais que estavam rendidos. Em outubro de 1935, como vingança pela morte de cangaceiros por uma milícia civil, o bando atacou fazenda e matou um idoso e uma jovem.
Existe a imagem de Lampião respeitoso com mulheres, mas ela convive com testemunhos de estupros cometidos pelo bando, alguns dos quais o próprio chefe tomava parte. Um dos relatos apontam que 25 cangaceiros violentaram a jovem mulher de um delegado, na frente do marido. Virgolino teria sido o primeiro.
Além disso, por volta dos anos 1930, há relatos de que o cangaceiro passou a impor um bizarro código de conduta. Mulheres que usavam cabelo cortado ou saias curtas eram surradas por ele. Um dos membros do bando, o terrível José Bahiano, instituiu como castigo a prática de marcar as mulheres com ferro em brasa.
Virgolino também estava longe de ser um crítico do poder. Como aponta Billy Jaynes Chandler, do ponto de vista das ideias e preconceitos, era um sertanejo convencional. Não se opunha a hierarquias e privilégios. Pelo contrário, frustrava-se de não estar entre eles. Ao ser entrevistado em Juazeiro do Norte, disse que gostaria de ser comerciante caso abandonasse o cangaço. Em outra ocasião, afirmou que gostaria de ser fazendeiro. A um jornalista, disse admirar a agricultura, a criação de gado e o comércio. "Eram as classes conservadoras que ele mais admirava." (CHANDLER, 1980. P. 239. Editora Paz e Terra).

13 curiosidades sobre Lampião


Talvez em certa bravata, Virgolino Ferreira da Silva dizia sonhar em ser governador de um novo estado sertanejo, formado com porções de Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Lampião era descrito como alguém profundamente religioso. Tinha respeito pelos padres, em particular Cícero Romão Batista. Rezava sempre ao meio-dia, relataram seus ex-colegas. Às sextas-feiras, praticava jejum. Na Semana Santa, não comia carne e suspendia as operações. Era uma religiosidade primitiva, mística, típica do catolicismo dos antigos sertões. Muito relacionada às forças sobrenaturais. O centro de sua fé era a crença no seu "corpo fechado".
Virgolino Ferreira da Silva procurava combater ao máximo os avanços nos transportes e comunicações. Sua atuação dependia do isolamento, das dificuldades de deslocamento e da demora para as informações circularem nos sertões. Por isso, incendiava estações de trem, cortava fios de telégrafo. E investia contra construções de estradas. Em agosto de 1929, a construção de estrada entre Juazeiro e Santo Antônio da Glória foi suspensa temporariamente depois de ameaças de Lampião. Ele dizia que cortaria a cabeça do oficial e os pés dos trabalhadores. Em outubro, ao saber da retomada da obra, eçle atacou o local e matou nove trabalhadores.
A presença de mulheres no cangaço trouxe como problema a ser administrado pelo bando a realização dos partos. O próprio Lampião realizava os procedimentos. Havia sido vaqueiro quando criança e usava o aprendizado adquirido ao ajudar os animais a dar à luz as crias. Pelas circunstâncias, as mulheres não recebiam cuidados adequados nem durante nem depois do parto. Muito menos antes. Eram acostumadas a condições hostis. Como viram acontecer com suas mães, nem recebiam nem esperavam cuidados médicos.
Em 1932, nasceu Expedita, filha de Lampião e Maria Bonita. A menina foi entregue a um aliado de confiança de Lampião, em Sergipe, com a orientação de a mandarem para João Ferreira, único dos irmãos Ferreira a não entrar para o cangaço. O parentesco da menina era "segredo de Estado". Após o parto, o destino a ser dado às crianças era outro problema a ser administrado no cangaço.
Lampião feriu gravemente o olho direito, em um galho ou espinho de árvore. Adquiriu um leucoma (opacidade branca), que se agravou com o passar dos anos, levando-o quase à cegueira total daquele olho. Apesar disso, a pontaria era certeira. Usava frequentemente óculos com lentes coloridas, tanto para esconder o defeito como devido a intolerância a luminosidade.
Na visita a Juazeiro do Norte, em 1926, repórter do jornal O Ceará descreveu Virgolino: magro, de estatura mediana, pele escura, cabelos fartos e pretos. Usava chapéu de feltro simples, sem os enfeites na aba virada para cima, usuais entre cangaceiros. Calçava alpargatas de couro, típicas de vaqueiros. Colocava lenço verde no pescoço, preso por anel de brilhante. Nos dedos, seis anéis de pedras preciosas - rubi, topázio, esmeralda e três brilhantes. Portava rifle, pistola e punhal de quase 40 centímetros de cumprimento.
Os cangaceiros consumiam álcool em grandes quantidades, sobretudo cachaça. Lampião preferia conhaque e não bebia muito.
Lampião apreciava jornais, sobretudo quando falavam sobre ele, e revistas de Rio de Janeiro e São Paulo. Passava o tempo lendo ou ouvindo alguém ler para ele - provavelmente não tinha leitura fluente.
Os banhos eram escassos, sobretudo em épocas de seca. Por isso, usavam perfumes de forma abundante. A mistura da falta de banho, o perfume em excesso e a brilhantina com a qual untavam os cabelos davam cheiro característico que virou marca do cangaço. Há episódios nos quais davam banhos em cavalos e derramavam até nos animais os perfumes que roubavam.
Em 15 de agosto de 1931, o Jornal de Alagoas publicou relato de um caixeiro-viajante segundo qual Lampião e seu bando mantinham espécie de harém, com 17 mulheres enfeitadas com jóias e vestidas com roupas finas. A história, contudo, não parece ter fundamento.
Um dos segredos do sucesso de Lampião era a capacidade de esconder seus rastros. Usavam vários estratagemas para disfarçar sinais de sua passagem. Apagavam pegadas, caminhavam para trás de forma a ocultar a direção. Para muitos soldados que o perseguiam, o cangaceiro parecia ter poderes sobrenaturais.
Um dos maiores mistérios relacionados a Lampião era a fonte de suas munições. A origem do abastecimento nunca foi descoberta de forma a deixá-lo desprovido. Teria sido modo eficaz de combatê-lo. Sabe-se que a proteção de gente importante, entre fazendeiros, comerciantes e políticos, era indicativo dos caminhos da munição até ele.
Fontes: Lampião, o rei dos cangaceiros, de Billy Jaynes Chandler, e O POVO.doc

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