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As origens do "?!"

Gustavo Martins de Almeida ficou curioso e foi atrás dos porquês de os pontos de ? e de ! indicarem interrogação e exclamação respectivamente! Por que?
A idade parece aguçar a curiosidade (do latim curiositas, segundo o dicionário Gaffiot, desejo de informação, sede de conhecimento), e subitamente os assuntos aparentemente banais suscitam e instigam o desejo de conhecer a sua essência.
Um dia me pergunto quais os motivos do símbolo “!” significar exclamação, e o “?”, interrogação. O que teria levado, na simbologia e na ortografia, a se considerar que esses sinais transmitiriam esses sentimentos, sensações ou impressões a respeito do texto escrito.
A resposta foi mais simples do que parecia. Primeiramente, a exclamação; em inglês, exclamation mark, em francês, point d'exclamation! Como diz Liselotte Pasques, uma guinada para uma entonação exclamativa na frase. As pesquisas feitas apontam para a existência de uma palavra em latim, significativa de alegria, entusiasmo; “io” (cri de joiede triumph dans les fêtes, trad. Grito de alegria e triunfo nas festas, Dictionnaire Gaffiot Latin Français, 1934). Daí derivariam as palavras joy, em inglês, e joie, em francês, ambas significando alegria. Pois bem, por volta de 1400 essa palavra era utilizada ao final do texto que transmitisse a sensação de alegria, gáudio, júbilo e foi evoluindo de “io” postas as letras lado a lado, para um “I” com um pequeno “o” situado logo abaixo, e daí a representação teria evoluído (ou involuído) para o ponto de exclamação, como hoje utilizamos. O italiano Alpoleio da Urbisaglia, porta italiano que viveu no século XIV, teria escrito o livro “Ars punctuandi”, Arte da Pontuação no qual se jactaria de ter criado o “admiration point”.
A literatura registra que Swift (1719) e Shakespeare (1611) usaram a expressão, notes of admiration, como precursora do ponto de exclamação, como, por este último, em The Winter´s tale“The changes I perceived in the King and Camillo, were very notes of admiration”. (Dictionary of Early English, Joseh Tipley). Segundo a história, somente em 1970 as máquinas de escrever passaram a ter pontos de exclamação nos teclados. Portanto, história simplinha!
O ponto de interrogação; question mark em inglês, point d'interrogation em francês, tem história parecida. Nas frases com o sentido de questionamento, de indagação viria ao seu final a palavra latina “quaestio”, que significa questionamento. E a evolução (ou, novamente, a involução) dessa palavra, que se tornou símbolo, está retratada nessa imagem encontrada na internet. O quaestio foi se reduzindo e o “q” se encontrando com o “o”, a ponto de um ficar sobre o outro de forma estilizada, formando o símbolo “?”.
Um aspecto curioso reside no fato de, em espanhol, tanto as frases afirmativas, quanto as interrogativas serem precedidas, respectivamente, de pontos de exclamação e interrogação, invertidos. ¿Qual o motivo?
¡Ora, para permitir ao leitor identificar qual a entonação usará, se de indagação ou afirmação!
Já as aspas, em inglês quotation mark, em francês guillemet, como nós sabemos, são os símbolos duplos que indicam, basicamente, uma citação, transcrição, gíria ou palavra estrangeira, colocadas no início e fim desses textos ou palavras. Aspa vem de Haspa, segundo as fontes, dobradura ou uma cruz. Daí possivelmente as aspas de formato «».
O curioso é a sua origem francesa. O impressor e tipógrafo Guillaume Le Bè (Troives 1526 – Paris 1598) era famoso por seus textos em hebreu e foi discípulo de Garamond (sim, o da fonte). Segundo os textos, ele teria inventado esse sinal para indicar citação, daí o batismo do símbolo com o diminutivo do seu nome “guillemet”; “entre guillemets” significando “entre aspas”.
Em português são usadas as aspas curvas “ “, e não as angulares «», mencionadas acima. Procurei nas regras de ortografia e pontuação brasileiras recentes e, salvo engano, não achei nada além do aqui referido, sobre as aspas.
Por último, o itálico, tão usado aqui, também se usa na grafia de palavras estrangeiras e se origina no tipo gráfico em forma de letra cursiva, que o célebre gravador e impressor veneziano Aldo Manunzio (1449 – 1515) criou.
Então, por ora, ponto final!
Gustavo Martins de Almeida é carioca, advogado e professor. Tem mestrado em Direito pela UGF. Atua na área cível e de direito autoral. É também advogado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e conselheiro do MAM-RIO. Em sua coluna, Gustavo Martins de Almeida aborda os reflexos jurídicos das novas formas e hábitos de transmissão de informações e de conhecimento. De forma coloquial, pretende esclarecer o mercado editorial acerca dos direitos que o afetam e expor a repercussão decorrente das sucessivas e relevantes inovações tecnológicas e de comportamento. Seu e-mail é gmapublish@gmail.com.
** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.
Via Publishnews 

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