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16 de setembro de 2018

Tudo começa com o caderno de caligrafia

Carlos Delano Rebouças Pinheiro*
A imagem pode conter: Carlos Delano Rebouças, close-up
Quando alguém tem uma letra bonitinha, de fácil leitura e compreensão, sempre permite elogiar dizendo: que escrita bonitinha, parece letra de professor! Mas quando a escrita é feia e de difícil compreensão, remete a perguntar: que letra feia, parece de médico!

Na verdade, todos nós, no início de nossas vidas escolares, somos trabalhados para aprender a ler e escrever; somos alfabetizados diante de um aprendizado como muita leitura e desenvolvimento da escrita. Entra em cena, então, o famoso caderno de caligrafia.

Nessa etapa da vida escolar, a esmagadora maioria dos estudantes está bem distante de definir a escolha profissional que fará para a sua vida. Ainda não consegue chamar a atenção dos pais e responsáveis sobre seus interesses, e estes, sobre que realmente querem para seus filhos. São crianças que somente precisam ser alfabetizadas, e quando respondem sobre o que vão ser quando crescer, dizem com diversas possibilidades, desde o professor, passando pelo policial, até ao médico.

Passando pelo pré-escolar, fundamental e ensino médio, todo estudante é trabalhado para ter leitura e escrita em nível de excelência, ou deveria ser. Todo mundo sabe que quando se chega aos exames vestibulares, são exigidos textos bem produzidos, de melhor compreensão, que levam à redução de erros que tiram preciosos pontos e levam aos insucessos. Nessa hora, dentre tantos aprendizados, o referente ao uso do caderno de caligrafia também tem sua importância, independentemente de querer ser médico ou professor.

O fato é que quando o sucesso chega, muitos professores, principalmente aqueles das séries iniciais, continuam honrando essa cultura, mantendo uma caligrafia de dar inveja a tantos outros profissionais. Em contrapartida, tantos outros estudantes que, ao se tornar calouros dos cursos de medicina, começam a desenvolver uma grafia esteticamente imperfeita, muitas vezes por modismo e cultura, esquecendo todo um aprendizado que o levou àquela condição de acadêmico de medicina.

Na verdade, ter ou não uma letra bonita, e escrever ou não de forma clara e acessível, não é particularidade de determinados profissionais. É cabível a qualquer profissional das mais diferentes áreas de atuação, e em qualquer nível de instrução, desde que tenha a compreensão de que quando escreve é para alguém ler, ou seja, que em um processo de comunicação sempre existe um emissor e um receptor que busca a compreensão de uma mensagem.

*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

Hackers invadem grupo de mulheres contra Bolsonaro, mas tiro sai pela culatra

16 de setembro de 2018 por Esmael Morais


O grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, que contava com mais de dois milhões de integrantes, começou a sofrer ataques de hackes na quinta-feira (13). O grupo foi invadido e o nome foi trocado para “Mulheres Com Bolsonaro”. O reação das mulheres é muito forte e pode causar estragos à campanha do candidato da extrema direita.


As ideias ditas “machistas e homofóbicas” do candidato Jair Bolsonaro (PSL) causaram ondas de indignação nas redes sociais, levando mulheres e ativistas a combaterem o direitista.

Na terça-feira (11), o Blog do Esmael noticiou que um grupo de mulheres contra Bolsonaro já tinha quase 1 milhão de integrantes.  Alguns dias depois, o grupo dobrava de tamanho, com mais de 2 milhões de mulheres.

Na quinta-feira (13), Hackes apoiadores de Bolsonaro começaram a atacar o grupo. Primeiro eles ameaçaram os administradores, expondo seus dados pessoais na rede.

Depois eles invadiram o grupo e mudaram o nome para “Mulheres com Bolsonaro”. Por fim, o grupo saiu do ar.

A ação criminosa gerou uma indignação tão forte que se espalha como rastilho de pólvora e tem potencial para causar um grande estrago no potencial eleitoral de Bolsonaro.

Com a hashtag #ELENÃO, todas as pessoas contrárias às ideias direitistas estão se manifestando. São muitas postagens se multiplicando com o passar das horas.
Veja as postagens da candidata a vice, Manuela D’Ávila (PCdoB), e da atriz Deborah Secco:
Além da proliferação de postagens, as mulheres estão criando um grupo de “reserva” para reconstruir o movimento. Não é difícil de imaginar, que este deve vir mais forte.
O movimento contra bolsonaro tem eleitoras e eleitores de vários candidatos. Haddad, Ciro, Marina, Boulos… Não importa a preferência.
Parece que a campanha do “mito” mexeu num vespeiro. A reação das mulheres unidas promete ser avassaladora.

Livro conta história da mulher mais importante do cangaço

Maria Bonita em referência a Livro sobre Maria Bonita conta um pouco da história sobre a mulher mais importante do cangaço
Maria Bonita foi a primeira mulher a se juntar ao bando do cangaceiro Lampião. Em uma pesquisa extensa, a jornalista Adriana Negreiros traçou o perfil dessa mulher e lançou o livro “Maria Bonita: Sexo, Violência e Cangaço”.
De acordo com a jornalista, Maria Bonita não foi raptada. “Ela entrou no bando porque quis no começo de 1930”. Como Lampião era uma das pessoas mais procuradas daquela época, havia até prêmios para quem o encontrasse, ele estava na região da Bahia e ela resolveu acompanha-lo.
Com isso se tornou a primeira mulher a participar do bando, sendo porta de entrada para muitas outras. “Mas, ao contrário dela, muitas foram para o cangaço à força, como foi o caso da Dadá, por exemplo”. Adriana ainda comenta que Maria Bonita não era uma mulher feminista. “Ela era empoderada, dentro do bando ela não tinha uma postura feminista, não tinha consciência da construção do gênero”.
Tribuna do Ceará

Macunaíma chega aos 90 anos explorando a força da oralidade

Macunaíma, de início, causa certa estranheza. Extenso, múltiplo e fragmentado, o seu vocabulário custa a ser absorvido nas primeiras páginas: a variedade de neologismos, mitos e construções inusitadas assusta e, capítulos depois, desperta o riso no leitor. Com humor e inventividade, a ortografia "às avessas" de Mário de Andrade encontra seu deleite na dicção oral: reunindo expressões indígenas, negras, europeias e outras tantas vozes que encontrou pelo Brasil, Macunaíma é um retrato da língua brasileira em suas multiplicidades.
Há 90 anos, Mário de Andrade colocava "a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente". Na poesia, no conto, na crítica literária e na pesquisa musical, o escritor era muitos: "Eu sou trezentos... sou trezentos-e-cinquenta", escreveu no seu Remate de Males, livro de poemas de 1930. Autor também de Paulicéia desvairada" e "Amar, Verbo Intransitivo", Mário buscava, a todo custo, "desgeograficar" sua língua vernácula.
Por isso, a narrativa de Macunaíma marca a própria evolução da língua portuguesa no Brasil, com toda a sua formação marcada pelo "roçar de outras falas e saberes". Na polifonia do discurso desse anti-herói, o autor constrói o índio imperador do Mato Virgem - que se diverte com lendas e crenças, mas que também se encanta com a fala erudita, apesar de às vezes não compreendê-la. "O experimentalismo de Macunaíma brinca com diversos jogos semânticos, linguísticos e temáticos", como explica Claudicélio Rodrigues, professor de Literatura Brasileira da UFC.
Para Claudicélio, Macunaíma absorve o lúdico e o coloquial (e às vezes o escatológico) para explorar uma "fala nova". O pra no lugar do para; o si no lugar do se; sube ao invés de soube. Uma abundância de "senvergonhas" e "sencerimônias" dividem espaço com construções inusitadas como "sobessubindo" e "pensamentear". Uma língua, em suma, cheia de viço: dona de si e de suas eternas possibilidades. "Macunaíma é uma montagem lúdica, criativa e artística, porque brinca o tempo todo com falseamentos da linguagem", explica.
Com um estilo antropofágico que se alimenta de variadas linguagens e estilos, Mário exalta uma língua brasileira pouco visitada pelos poetas anteriores à geração de 22. Rodrigo Marques, professor do curso de Letras da UECE, explica que o modernismo foi um momento de mudanças no papel da língua brasileira dentro das manifestações literárias. "Com os escritores modernistas, a busca por uma língua nacional aconteceu de modo muito inesperado, a começar pelo afastamento daquela língua ibérica, erudita e longe do falar do povo".
O erudito, assim, divide espaço com o popular, o urbano com o rural e o literário com o oral, formando uma substância que se traduz na própria fala brasileira. Considerado o grande romance do modernismo brasileiro, Macunaíma mergulha em uma extensa experimentação verbal, passando por diversas formas de pensar o Brasil explorando as nuances da cultura popular. "Macunaíma é uma das realizações mais bem elaboradas e radicais de toda essa miscigenação cultural, porque protagoniza uma completa subversão da língua", define o Rodrigo.

"Filho do medo e da noite", Macunaíma nasce no fundo do mato-virgem, como uma criança birrenta e de mente ardilosa. "Ai que preguiça", pronuncia repetidas vezes. Passa sua infância em uma tribo na Amazônia e, na vida adulta, apaixona-se por Ci, a Mãe do Mato. Após a morte do filho de ambos, Ci sobe aos céus e vira uma estrela. Triste por também perder a sua amada, Macunaíma guarda um amuleto, chamado "muiraquitã", única recordação de Ci. No entanto, ele perde o objeto e, para recuperá-lo, o anti-herói viaja para São Paulo com seus dois irmãos. Na metrópole, ele conhece Venceslau Pietro Pietra e vive os conflitos de uma cidade envolta pela industrialização.
Mário de Andrade já no prefácio deixa o aviso ao leitor:em Macunaíma é um livro "todo ele de segunda intenção". Passando pela desmistificação do herói e pela mitificação do anti-herói, o autor aventura-se pelo cômico e trágico, o delírio e o real, o nacionalista e crítico. na figura de Macunaíma, uma gramática do falar brasileiro.

O Povo