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Cultura do entretenimento dificulta amadurecimento moral dos jovens

Presidente da Comissão para a Juventude da CNBB alerta para metodologia de trabalho usada com os jovens na Igreja

CNBB
presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Nelson Francelino / Foto: CNBB
A importância e a necessidade da formação cristã da juventude têm chamado a atenção para o cuidado com a metodologia de trabalho usada com os jovens na Igreja Brasil analisa o bispo de Valença e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Nelson Francelino, em um artigo direcionado à Pastoral Juvenil.
Dom Nelson, chama a atenção para o cuidado com a metodologia de trabalho usada com os jovens na Igreja e diz que existe uma cultura que insiste em manter os jovens infantilizados por muito tempo, como meros consumidores da indústria do entretenimento.
“Atualmente, vivemos em uma cultura marcada pelo espetáculo e entretenimento que elimina ao máximo as oportunidades de adquirirmos um amadurecimento moral. Somos mantidos infantilizados. Há muitos esforços da cultura para manter em um estereótipo de ‘Peter Pan’, um eterno garoto”, enfatiza.
Segundo Dom Nelson, os grupos juvenis devem se tornar o lugar onde os valores e as virtudes cristãs não só devem ser ensinados, mas também cultivados através de um discipulado que visa torná-los completos em Cristo Jesus.

Leia o artigo na íntegra:

Agenda da Pastoral Juvenil não pode se restringir a entretenimento
O grande dilema é que muitos dos nossos agentes pastorais, na tentativa de se aproximar do público mais jovem, acabam tentando conquista-lo, através da repetição dos padrões culturais de infantilização comum em nossa cultura atual. Projetos que procuram alcançar jovens tão somente através da lógica do espetáculo, do evento, do show e até das mídias estão destinadas apenas a contribuir na manutenção de uma juventude longe das expectativas e dinâmicas do Reino de Deus. Se quiser realmente alcançar uma faixa etária específica de jovens e adolescentes, a pastoral juvenil deve buscar formas criativas de contribuir com o amadurecimento desses jovens em Cristo.
Manter os jovens entretidos em nossos cultos é muito diferente de cultivá-los no evangelho e desenvolvê-los em Cristo. Portanto, Entretenimento não é formação cristã.
Ser jovem hoje não é sinônimo do “ser jovem em outros períodos da história”. O próprio conceito de juventude tem uma trajetória curta. Há duzentos anos, quando alguém deixava de ser criança, já era considerado adulto. Ou seja, o processo de amadurecimento era muito mais implacável, sem nenhuma fase de transição. Era comum, na época dos nossos bisavós, casarem-se com 13,14 ou 15 anos. Com o desenvolvimento histórico e cultural foi, literalmente, criada uma fase de transição para marcar melhor o período de necessário amadurecimento moral dos indivíduos que já tinham corpos biologicamente “prontos”.
A juventude nasceu assim e carrega consigo este signo: o de ser uma fase da vida das pessoas em que, apesar de já terem “tamanho e hormônio”, não têm ainda o “capital moral” necessário para lidar com as situações mais típicas da vida adulta. Atualmente, vivemos em uma cultura marcada pelo espetáculo e entretenimento que elimina ao máximo as oportunidades de adquirirmos esse amadurecimento moral. Somos mantidos infantilizados. Há muitos esforços da cultura para manter em um estereótipo de “Peter Pan”, um eterno garoto! Ser jovem hoje, portanto, é uma realidade de tensão entre a urgente necessidade de amadurecimento moral e estarmos em uma cultura que insiste em manter os jovens infantilizados por muito tempo, como meros consumidores da indústria do entretenimento.
À luz do que foi dito, a Pastoral Juvenil tem muito a contribuir com a formação dos jovens. Nossas comunidades locais são lugares privilegiados para os jovens e adolescentes encontrarem o ambiente propício de amadurecimento em meio a uma cultura infantilizadora. Os grupos juvenis devem se tornar o lugar onde os valores e as virtudes cristãs não só devem ser ensinados, mas também cultivados através de um discipulado que visa torná-los completos em Cristo Jesus. Se não oferecermos um programa de formação alternativo de vida cristã e amadurecimento, alicerçados em discipulado e vidas compartilhadas pessoa a pessoa, então, sem percebermos, já fomos engolidos pelo contexto de fé relativizada tão comum nas mídias, redes sociais e ambientes universitários. Não existe nada mais urgente do que a atuação de nossas lideranças que resistam à cultura do espetáculo e do entretenimento em ministérios cada vez mais locais, que ensinem as pessoas a serem maduras em Cristo. Muitas vezes, no intuito de se aproximar dos jovens, acabamos cometendo um grande erro, acabamos por nos aproximarmos demais de comportamentos, linguagens e abordagens demasiadamente parecidos com os vivenciados nos ambientes midiáticos. O grande dilema é que muitos dos nossos agentes pastorais, na tentativa de se aproximar do público mais jovem, acabam tentando conquista-lo, através da repetição dos padrões culturais de infantilização comum em nossa cultura atual. Projetos que procuram alcançar jovens tão somente através da lógica do espetáculo, do evento, do show e até das mídias estão destinadas apenas a contribuir na manutenção de uma juventude longe das expectativas e dinâmicas do Reino de Deus. Se quiser realmente alcançar uma faixa etária específica de jovens e adolescentes, a pastoral juvenil deve buscar formas criativas de contribuir com o amadurecimento desses jovens em Cristo.
Manter os jovens entretidos em nossos cultos é muito diferente de cultivá-los no evangelho e desenvolvê-los em Cristo. Portanto, Entretenimento não é formação cristã. Não fique desanimado porque não se encaixa no padrão de sucesso que os líderes midiáticos e secularizados propagam. Você não foi chamado para fazer sucesso, mas para ser fiel ao Senhor. Por isso, sugiro a toda liderança juvenil, espalhada em nosso Brasil, a dedicar um bom tempo aos cursos da plataforma EAD que a Comissão Episcopal para a Juventude vem oferecendo às nossas lideranças.

Edições CNBB avança para publicação de livros em formatos digitais

A Edições CNBB, editora da Conferência do episcopado brasileiro, lança os primeiros títulos em formato digital para facilitar o acesso do leitor. Integram a iniciativa quatro publicações transformadas em E-books (livros digitais), sendo duas obras da coleção Subsídios Doutrinais, o número 8 que trata do tema: “Ensino da filosofia na formação presbiteral” e o número 9 cujo título é “Exorcismo: reflexões teológicas e Orientações”.
Uma das primeiras publicações da CNBB em formato de digital.
Dois números da série Documentos da CNBB também foram publicados no formato digital. São eles o número 02, cujo título é “Sou católico, vivo minha fé” e o número 107 “Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários”, texto consolidado pelos bispos do Brasil em sua 56ª Assembleia Geral, em 2018.
Com a iniciativa, a Edições da CNBB sintoniza-se com os desafios colocados para a editoria católica no mundo aprofundados nas Jornadas Internacionais da Editoria Católica que aconteceram em Roma, no Vaticano, de 26 a 29 de junho, passado, evento do qual participou o diretor geral da Edições CNBB, monsenhor Jamil Alves de Souza.
Em entrevista ao Vatican News, o monsenhor Jamil disse que “a editoria da CNBB encontra-se em uma fase de expansão”. Dentro em breve a editora lançará mais 10 títulos digitais. A Edições CNBB, reforçou o monsenhor Jamil, está presente “em todas as dioceses do Brasil com livros, publicações e livros digitais”. A missão da editora, disse, é uma só e está bem expressa, tanto digital quanto no papel: “a nossa missão é evangelizar”, disse.
No Brasil, o Censo do Livro Digital – uma pesquisa realizada em conjunto pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) – mostrou que menos da metade das editoras entrevistadas está investindo no segmento, e que o livro impresso ainda é responsável por 98,91% das vendas no país.
Para ter acesso aos E-books, o leitor precisa ter um dispositivo eletrônico de leitura de textos. Vários modelos são ofertados no mercado.
Saiba mais aqui//www.edicoescnbb.com.br
CNBB

CNBB lança livro com orientações sobre o cuidado pastoral das vítimas de abuso sexual

CNBB lança livro com orientações sobre o cuidado pastoral das vítimas de abuso sexual
Reafirmando sua adesão incondicional à postura de tolerância zero em relação aos casos de abuso sexual contra menores, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o texto “O cuidado Pastoral das Vítimas de Abuso Sexual”, aprovado pela Congregação para a Doutrina da Fé. “Ele pretende servir de apoio e orientação aos bispos e às comunidades para melhor compreenderem a realidade dos abusos de menores e se empenharam para superá-los”, diz um trecho da apresentação que é assinada pelo presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha e pelo secretário-geral, dom Leonardo Steiner.
Mantendo-se fiel à missão realizada pela Igreja Católica no Brasil em defesa dos pobres e vulneráveis, a CNBB não fica indiferente ou inerte diante de lamentáveis casos de abuso sexual cometidos por sacerdotes, diáconos ou outras pessoas da Igreja, sejam elas funcionários, voluntários ou agentes de pastoral. Conforme consta no Código de Direito Canônico, o episcopado brasileiro coloca-se ao lado das vítimas, rejeita a violência e abraça a justiça, sobretudo, quando se trata de menores de 18 anos e pessoas que habitualmente têm um “uso imperfeito da razão”.
Respeitando o direito à boa fama e à intimidade de cada pessoa, ainda segundo o Código de Direito Canônico, a Igreja colabora integralmente com todos os que buscam a reparação contra qualquer forma de abuso ou violência sexual, cometidos por quem quer que seja, clérigos ou leigos, nas dioceses, paróquias comunidades e obras. Como pastores do povo de Deus, os bispos do Brasil por meio do texto “O Cuidado Pastoral das Vítimas de Abuso Sexual” reafirmam o seu compromisso com o bem espiritual e com a saúde do corpo e da alma dos que foram vítimas de abuso, de suas famílias e de suas comunidades.
Neste contexto, a primeira parte do texto traz orientações sobre aspectos psicológicos, principalmente do pedófilo. Do ponto de vista moral e espiritual, para todo cristão, especialmente para o sacerdote ou religioso que comete o crime, o texto aponta que deve ficar bem clara a consciência da gravidade do pecado cometido. “A única maneira para combater radicalmente o pecado é a santidade, e o fundamento da santidade é uma autêntica vida espiritual. Sacerdotes verdadeiramente santos nunca chegariam a abusar de menores e nem permitiriam que outros fizessem”, diz um trecho.
Orientações sobre aspectos jurídicos tanto canônicos como civis compõem a segunda parte do livro. Nela, é possível constatar os procedimentos vigentes para tratar de tais delitos e exigir maior celeridade e firmeza nas investigações e punições. Procura-se, assim, conseguir uma atuação convergente dos pastores, harmonizando do melhor modo os esforços de cada um para salvaguardar os menores. Normas para a investigação prévia, quem atua nos processos de investigação, assim como o modo de proceder são evidenciados neste capítulo.
A Igreja sabendo de sua responsabilidade com o uso dos meios de comunicação para promover a justiça, a verdade e a solidariedade, trouxe na terceira parte do livro orientações sobre aspectos da comunicação. A ideia apresentada é a de que os Ordinários chamados a se relacionar com a mídia exercem sua autonomia de maneira competente, transparente, colaborativa e crítica. A quarta parte oferece orientações sobre aspectos pastorais. Essa em específico oferece ajuda psicológica, espiritual e pastoral ao clérigo que cometeu abuso sexual de menor, bem como o que o Ordinário pode fazer para dar apoio à vítima de abuso sexual e a seus familiares.
A quinta e a última parte diz respeito à seleção e formação presbiteral. Essa em específico é destinada aos Ordinários – bispos e Superiores Maiores – para a responsabilidade específica deles e dos encarregados pelos futuros sacerdotes e religiosos, quanto ao correto discernimento vocacional e quanto à formação humana e espiritual dos candidatos.
O Documento já está disponível para venda no site da Editora da CNBB: https://www.edicoescnbb.com.br/ocuidado-pastoral-das-vitimas-de-abuso-sexual

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