22 de outubro de 2016

Reunião mensal da AMLEF

Reunião Mensal - 22 de Outubro de 2016

Dom Geraldo Nascimento, 80 anos, nos passos de Francisco de Assis

 Por     

A primeira missa

Lema de bispo: Fome e sede de justiça
Dom Frei Geraldo Nascimento (18/05/1936), aluno do curso ginasial do então Colégio Salesiano Domingos Sávio de Baturité - CE. Já o curso científico foi realizado no Colégio Cearense (Maristas) de Fortaleza-CE. Após o segundo grau, a expectativa era grande em torno do jovem Geraldo, muito bem preparado para fazer o vestibular para medicina; mas sua medicina foi outra, a de ingressar nos Convento dos Frades Capuchinos e ser médico das almas. Ordenado sacerdote na Igreja do Coração de Jesus por Dom José Delgado (29/06/1967) e ordenação episcopal, na Catedral do Metropolitana de Fortaleza, pelo Cardeal Aloísio Lorscheider (22/12/1982).

Família
De Sanador Pompeu - CE
Jovem Frade

A ordenação sacerdotal
 
Ordenação episcopal - bispo
Dom Geraldo celebra a eucaristia, na condição
de bispo auxiliar de fortaleza
Serviu o exército
Resultado de imagem para Dom Geraldo Nascimento, 80 anos, nos passos de Francisco de Assis
Dom Geraldo configurado com Francisco de Assis, que assim rezava:
"Meu Deus e Meu Tudo! O Amor não é amado!".

 Crônica: Dom Aloísio, o irmão da gente*

Acho muito difícil expressar com palavras a experiência vivida ao lado da pessoa de D. Aloísio. Seria muito mais fácil enumerar tantas coisas que ele realizou e organizou em nível de Regional Nordeste I e em nível de nossa Arquidiocese de Fortaleza. Todavia, prefiro olhar para Dom Aloísio como o irmão da gente. O irmão de todos. Ele foi sempre o irmão que procurou caminhar com todos, respeitando o ritmo, a mentalidade e o limite de cada pessoa. Soube esperar. Soube escutar. Soube ser paciente. Soube acreditar nas pessoas. Soube denunciar com vigor o mal, a injustiça, sem condenar as pessoas. Soube manter acesa a mecha fumegante e o caniço rachado (Isaías, 42).

Dom Aloísio procurou sempre criar comunhão e participação. Quis sempre caminhar em conjunto. Nunca sozinho. Certa vez, diante de um problema que deveria ser resolvido com urgência, e como arcebispo poderia decidir sozinho, ele me disse: vou esperar um mês, mas não resolvo esse problema, sem o envolvimento e participação do conselho presbiteral.

Dom Aloísio foi o irmão que se inculturou profundamente na realidade de seus irmãos e irmãs cearenses. Soube ser sensível aos sentimentos, valores, aspirações e dores do povo. Ele foi, sobretudo, um corajoso defensor e promotor da vida. Sua presença foi sempre marcante onde a vida era mais oprimida e ameaçada: nos conflitos de terra, nas ocupações, nos despejos, nas greves, nas favelas, nos presídios. Foi o amigo, o irmão e o companheiro dos pobres. Ele fez a experiência do pastor que arrisca a própria vida em favor de seus irmãos e irmãs mais fracos e abandonados.

Dom Aloísio deixa para todos nós uma bonita lição de amor à vida, de amor à pessoa humana, de amor aos pobres. Ele foi realmente para todos nós o irmão da gente. 

*Dom Geraldo Nascimento, bispo auxiliar de Fortaleza

Luis Augusto Fischer: acerto de contas

Está sendo muito estimulante acompanhar a carreira de Daniel Galera. "Meia-noite e vinte" é mais uma grande narrativa, com ritmo, profundidade e personagens fortes.

Luis Augusto Fischer: acerto de contas Andréa Graiz/Agencia RBSEstá sendo muito estimulante acompanhar a carreira de Daniel Galera. Prosador de já comprovada capacidade, tanto em formatos médios (Mãos de cavalo) quanto em corridas de fundo (Barba ensopada de sangue), voltou ao ringue agora com Meia-noite e vinte (Cia. das Letras). Mais uma grande narrativa, bem levada, com ritmo e profundidade, personagens fortes e significativos, tudo isso acrescido de outro elemento de interesse – a narrativa é claramente um balanço de geração.
O enredo flagra a vida de quatro amigos, que no presente andam entre os 30 e os 40 anos mas que se conheceram num passado já distante, no tempo da faculdade, quando juntos haviam inventado um fanzine digital enviado por e-mail, o Orangotango. São eles Aurora, bióloga que faz doutorado na USP, Antero, publicitário bem sucedido que ainda vive e trabalha em Porto Alegre, mesma cidade em que havia sido criado aquele zine e onde vive também Emiliano, jornalista.
Os três vão interagir numa Porto Alegre escaldante, durante um verão macabro em que o fedor do lixo agravou mais ainda o desconforto pela longa greve de motoristas de ônibus. E pela tragédia inesperada da morte do quarto parceiro, Andrei Dukelsky, vulgo Duque, que vinha numa forte carreira de escritor de prestígio e sucesso. A sombra dessa morte acompanha o romance do começo ao fim.
A narrativa se desenvolve em seis partes, alternando a palavra entre os três sobreviventes, todos marcados por esse amadurecimento que a década entre os 30 e os 40 impõe. Paulo Francis, num de seus momentos de gênio, disse que são estes os anos da prova, em que a maioria dos talentos se prova, quando há talento. Entre os 20 e os 30, só gênios de fato conseguem mostrar tudo a que vieram; acima dos 40, raros serão os que ainda conseguem.
Antigos namoros, relações bloqueadas, preferências sexuais, carreiras profissionais, gostos em geral, todo esse repertório que constitui, no fim das contas, uma experiência geracional, vem expresso nas linhas e entrelinhas de Meia-noite e vinte, título que evoca uma cena inaugural para os quatro, relativa à passagem do ano 2000, aquela em que nos alertaram para o "bug do milênio".
Com grande desembaraço e força descritiva, Daniel Galera nos transporta para o cerne dessa experiência geracional, que é cronologicamente a sua mas é, mais difusamente, a de todos os que estamos aqui, na acelerada vida digital, essa que permite estar em todas as partes. O relato de eventos ligados à internet e ao mundo dos computadores, na mão do autor, tem uma força e uma precisão só possíveis, creio, para sua geração mesmo, que era ainda adolescente quando apareceu a possibilidade de espalhar textos em todo o planeta e de colher informações de toda parte, e não para os que já eram adultos nos anos 1990, como é o meu caso, que carregamos uma estranheza congênita para com este meio, e também não para os mais jovens, cidadãos internéticos de nascença, cujas mamadeiras já têm chip.
Emiliano vai escrever a biografia de Duque, escritor promissor de seu tempo, capaz de inventar enigmas como só os novos tempos permitem conceber e, depois, rastrear. Antero talvez não saiba sair da prisão de seu sucesso. E Aurora... Sua experiência ilumina a condição feminina de nosso tempo, até o desfecho, que é uma pena que eu não deva comentar aqui, para não estragar a surpresa.
O novo romance de Daniel Galera é ótimo, alinhando-se entre o que de melhor se escreve em nosso tempo, no país e em português. Se o enredo e os personagens namoram uma visada meio apocalíptica, talvez característica da geração, não é menos certo que o romance dá voz a um sentimento que há mais de século ronda a consciência humana, e que Eliot assinalou: de fato o mundo não acaba com uma explosão, mas com um suspiro.
Zero Hora

Feto na barriga da mãe é o narrador de novo romance de Ian McEwan

Escritor inglês, convidado do Fronteiras do Pensamento, cria em "Enclausurado" a sarcástica história de um Hamlet contemporâneo, aprisionado no útero materno

Feto na barriga da mãe é o narrador de novo romance de Ian McEwan  karen robinson/PRUm dos grandes escritores da atualidade, o inglês Ian McEwan declarou certa vez, em uma entrevista à revista literária Paris Review, em 2002, que narrar uma história pelo ponto de vista de uma criança era um desafio técnico. Ao comentar a construção de sua personagem Briony Tallis, a precoce criança no centro de seu aclamado romance Reparação, McEwan afirmou:
"É sempre problemático usar crianças na ficção – as restrições de ponto de vista podem se tornar uma camisa de força. Queria ser capaz de retratar a mente de uma criança fazendo uso de todos os complexos recursos de linguagem de um adulto – como fez (Henry) James em Pelos olhos de Maisie. Não queria as limitações do vocabulário infantil".
Em Reparação, McEwan encontrou a solução perfeita na surpresa final do livro: a revelação de que a narrativa até ali é uma ficção escrita pela própria Briony quando mais velha. Em sua obra mais recente, Enclausurado (tradução de Jorio Dauster, Companhia das Letras. 200 páginas, R$ 39,90 impresso e R$ 31,90 em e-book) McEwan implode essa escada de segurança ao produzir um romance inteiramente narrado por um feto ainda não nascido – mas sem ceder às limitações que essa condição naturalmente impõe ao narrador.
Apertado no útero nas últimas semanas de gestação, suspenso de cabeça para baixo em líquido amniótico, o protagonista de Enclausurado é um Hamlet contemporâneo aprisionado no útero de sua mãe, ouvindo impotente a conspiração desenvolvida pela mãe, Trudy, e pelo tio, Claudius, para matar seu pai, um editor e poeta. Toda a narrativa se concentra na voz do bebê ainda sem nome, um ser hiperculto cheio de informações sobre um mundo exterior que nunca viu, absorvidas nos podcasts que sua mãe costuma ouvir o dia inteiro.
Trudy e Claudius, como na peça de Shakespeare (de onde sai também o título do livro, uma referência do príncipe dinamarquês a ser o "rei do universo" mesmo "enclausurado dentro de uma noz"), conspiram porque são amantes. Querem se livrar do pai do bebê para poder vender a casa em que a mãe atualmente vive sozinha, já que o casal está "dando um tempo". Enquanto isso, o tio Claudius é uma visita constante para sessões eróticas que são o terror do (muito) jovem narrador, preocupado em desviar sua cabeça do pênis do tio no momento do rala e rola. Quanto não está tentando escapar da luxúria, o feto reflete sobre sua vulnerabilidade e impotência para impedir o complô dos amantes, num casamento recorrente na obra de McEwan: humor e desespero.
Quem acompanhou apenas a fase mais recente da carreira do autor, a partir da grande comédia de humor negro Amsterdam (1998), seguindo com os estupendos Reparação (2001) e Sábado (2006), os bons Solar (2010) e A balada de Adam Henry (2014) e os medianos Na praia (2007) e Serena (2012), talvez se sinta desconcertado. Mas Enclausurado é uma ótima síntese das duas pontas de sua trajetória: o grotesco sarcástico de obras como O jardim de cimento e Ao Deus dará e a técnica apurada com que McEwan casa análise psicológica acurada e o mal estar de seus personagens no mundo como ele é.
_______________________
Ian McEwan estará em Porto Alegre na segunda-feira, 24 de outubro. O encontro será às 19h45min no Auditório Araújo Vianna (Osvaldo Aranha, 685). Os ingressos estão esgotados. As próximas palestras serão de Michel Houellebecq (7 de novembro) e Jan Gehl (21 de novembro).

O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é apresentado por Braskem, com patrocínio Unimed Porto Alegre e parceria cultural PUCRS. Empresas parceiras: Liberty Seguros, CMPC Celulose Riograndense, Souto Correa, Sulgás e Stihl. Parceria institucional Hospital Mãe de Deus, Fecomércio e Unicred e apoio institucional UFCSPA, Embaixada da França e prefeitura de Porto Alegre. Universidade parceira: UFRGS. Promoção: Grupo RBS.
Zero Hora

Nova atualização do WhatsApp evita ligações acidentais

As mudanças realizadas pelo aplicativo trouxeram novidades e melhorias para os usuários. Agora, os usuários não vão mais sofrer o risco de realizar chamadas indesejadas

Foto de tela do WhatsAppQuem nunca cometeu o engano de clicar na foto de perfil do WhatsApp e sem querer fez uma ligação? Muitos usuários já cometeram esse pequeno acidente. Agora, com a nova atualização do aplicativo, as ligações indesejadas vão poder ser evitadas, pois o ícone da foto do contato passou para o lado oposto do ícone para chamadas.

A mudança, disponibilizada nesta quinta-feira, 20, ocorreu apenas para os sistemas IOS. Além disso, o aplicativo também permite que os usuários ampliem as fotos do perfil de seus contatos. Entretanto, o destaque da atualização foi as funcionalidades semelhantes as do Snapchat. Agora, é possível usar flash na câmera frontal, adicionar stickers e dar zoom.  

Redação O POVO Online

Escritor cearense Raymundo Netto é finalista do Prêmio Jabuti

O universo de escritores cearenses visitado em crônicas absurdas que dialogam com o cotidiano e a história de Fortaleza. Este é o mote de Crônicas Absurdas de Segunda, livro do escritor cearense Raymundo Netto, anunciado ontem como finalista na categoria Contos e Crônica do 58º Prêmio Jabuti, o mais renomado da literatura brasileira. O livro é publicado pelas Edições Demócrito Rocha e reúne crônicas publicadas às segundas-feiras entre 2007 e 2010 no caderno Vida & Arte.
“Promovi nessas crônicas encontros com escritores, vivos ou mortos, e os coloco, de forma absurda, para falar da Cidade. Me valia de interpessoalidade, tentava captar voz, trejeitos, pensamentos do escritor para pôr esses elementos no texto.
As crônicas são como caricaturas desse escritores”, comenta Raymundo Netto.
Editor adjunto das Edições Demócrito Rocha e colunista do O POVO, Raymundo conta que o livro, o primeiro inscrito na premiação, celebra os dez anos dele como escritor e, publicado em 2015, acaba de ficar esgotado. “O prêmio pode provocar que outra edição venha, que o livro chegue a mais gente”, projeta o escritor.

Esse é o principal desejo de Raymundo e vai ao encontro de uma novidade inaugurada no Jabuti deste ano. A parceria com o e-commerce multinacional Amazon fará com que as obras finalistas das categorias Romance, Contos e Crônicas e Poesia passem pelo crivo de leitores e concorram ao prêmio Escolha do Leitor. Os leitores podem conhecer os títulos concorrentes, baixar amostras gratuitas ou comprar em formato eBook, e depois realizar as avaliações.
“O livro é dedicado ao leitor desconhecido. Encontrar com leitores desconhecidos, saber o que o livro vai provocar e chegar a alguém que não sei quem é, é sempre o melhor prêmio”, conta.
Nesta edição, o Prêmio Jabuti recebeu  2.400 inscrições. O anúncio desta sexta foi dos 10 finalistas das 27 categorias da primeira fase. O grandes vencedores serão anunciados em premiação que acontece em São Paulo, no dia 24 de novembro.
Multimídia
Vote na Escolha do Leitor em www.amazon.com.br/premiojabuti
Conheça os finalistas de todas as categorias http://bit.ly/2f0BcIj
DOMITILA ANDRADE

Claudia Leitte terá que devolver R$ 1,2 milhão ao Fundo Nacional da Cultura

Claudia Leitte havia pedido o apoio para 12 shows por regiões do país.A cantora Claudia Leitte vai ter que devolver R$ 1.274.129,88 ao Fundo Nacional da Cultura. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 21, junto a outros projetos que receberam dinheiro captado pela Lei Rouanet mas tiveram a prestação de contas reprovada pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura.
Claudia Leitte havia pedido o apoio por meio do Incentivo a Projetos Culturais do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), implementado pela Lei Rouanet, para 12 shows pelas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste no período de maio, junho e julho de 2013.
Além de devolver o dinheiro, a cantora fica inabilitada, por três anos, de conseguir autorização para captação de recursos, entre outras sanções.

Agência Estado

Ministério proíbe leite em pó importado na produção de UHT e pasteurizado

Nos últimos dois anos houve houve queda na produção.O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento proibiu a reconstituição do leite em pó importado para a produção de leite UHT e pasteurizado. Pela nova regra, publicada no Diário Oficial da União, apenas o leite em pó nacional pode ser utilizado na fabricação.
A norma altera outra, de julho deste ano, e vale para as áreas abrangidas pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A produção brasileira de leite, de aproximadamente 35 bilhões de litros por ano, vinha crescendo aproximadamente 4% ao ano na última década.
Nos últimos dois anos, no entanto, houve queda na produção, principalmente no Nordeste. Por isso, em julho, o governo autorizou o uso de leite em pó na produção da bebida. No entanto, para preservar o preço ao produtor nacional, restringiu a autorização ao leite em pó brasileiro.
Segundo nota da Agricultura, a proibição de uso do produto importado na produção de leite atende à reivindicação de representantes do setor leiteiro e de parlamentares do Rio Grande do Sul.
O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor nacional de leite, com 4,7 bilhões de litros por ano. O estado fica atrás só de Minas Gerais, que produz 9,4 bilhões de litros por ano.
A Sudene abrange o semiárido brasileiro, que engloba todos os estados do Nordeste, além do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Agência Brasil

O vídeo que fez o mundo chorar

O vídeo que fez o mundo chorar

Impossível não se emocionar!

Pesquisa aponta que uso do crack é consequência, e não causa de exclusão social

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
Ao contrário do que o senso comum acredita, o crack não causa exclusão social. Pelo contrário, segundo especialistas, o uso da droga é consequência de uma vida precária que leva à dependência e faz com que muitos sejam encontrados em situação de pobreza extrema, usando a droga nas ruas de cidades brasileiras, vulneráveis a riscos, como homicídios. A constatação é de Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgada hoje (21), no Rio de Janeiro.
Depois de analisar cerca de 200 entrevistas com usuários e profissionais de saúde mental, o levantamento mostra que o uso da droga apenas piora a situação de pessoas que não tem laços familiares, moradia, trabalho e estudo - problemas que chegaram antes da dependência.
Rio de Janeiro - O pesquisador Roberto Dutra Torres durante seminário Crack e exclusão social, na Fiocruz, em Manguinhos (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - O pesquisador Roberto Dutra Torres durante seminário Crack e exclusão social, na Fiocruz, em Manguinhos (Tomaz Silva/Agência Brasil)Tomaz Silva/Agência Brasil
"O crack não é a causa da exclusão, é um elemento a mais, que reforça a exclusão social, processo que é anterior [à droga], no entanto, é reversível”, afirmou um dos autores da pesquisa, Roberto Dutra Torres, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), ao divulgar os resultados, na Fiocruz. “Ninguém vira zumbi pelo crack”, reforçou.
Segundo ele, reverter a dependência é possível por meio de políticas públicas sociais, de saúde e de reintegração na comunidade e nas próprias famílias. Como exemplo, citou o programa da prefeitura de São Paulo, De Braços Abertos, que tirou usuários das ruas do centro, oferecendo moradia em hotéis próximos e empregos como gari, pagando salário e oferecendo tratamento.
As análises divulgadas hoje são um desdobramento da Pesquisa Nacional sobre o Crack, encomendada em 2014 pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), que traçou um perfil dos usuários da droga. O estudo identificou que compõem menos de 1% da população –bem menos do que dependentes de álcool– chamando atenção para o “pânico social” criado em torno do crack. A situação gerou estigma e afastou usuários da cidadania, diz o texto.
Apoio aos usuários
O psiquiatra Leon Garcia, ex-diretor de Articulação e Projetos da Senad, lembrou que, nos questionários, quando perguntados sobre o que precisavam para largar a droga, as respostas dos usuários eram claras: um local para morar, para tomar banho, para comer, trabalho e tratamento. “A gente precisa atender a essas necessidades. Não podemos achar que a internação é uma solução para todos”, afirmou. Na psiquiatria, lembrou, a necessidade de internação é uma exceção e o desafio é manter pessoas longe das drogas no cotidiano de cada uma.
Rio de Janeiro - O ex-diretor da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas, Leon Garcia, durante seminário Crack e exclusão social, na Fiocruz (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - O ex-diretor da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas, Leon Garcia, durante seminário Crack e exclusão social, na Fiocruz, em Manguinhos (Tomaz Silva/Agência Brasil)Tomaz Silva/Agência Brasil
“Para conseguir isso [que pessoas se afastem do crack], se eu estou morando em um lugar onde eu consigo dormir à noite, em vez de estar na calçada, talvez, isso me faça usar menos drogas, como mostram análises sobre o programa de São Paulo, no qual o consumo individual caiu 60%”", acrescentou o especialista, que participou da divulgação do estudo hoje no Rio.
Antes, na capital paulista, usuários moravam em barracas, fumando pedras nas ruas, como ocorre bem perto da Fiocruz, com dependentes morando às margens da Avenida Brasil.
Dados já divulgados mostram ainda que a maioria dos usuários de crack são homens negros, de até 30 anos, sendo que 40% vive nas ruas e são mais suscetíveis a homicídios do que o restante da população. Eles também são mais vítimas de violência sexual do que a média.
As entrevistas da Fiocruz foram realizadas na região metropolitana de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Salvador e Campos Goytacazes, no norte-fluminense.

Exposição em São Paulo tem obras que podem ser tocadas pelo público

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil
A exposição do escultor Rogério Ratão reúne 12 peças que podem ser vistas até o dia 29 de outubro no Memorial da Inclusão, zona oeste paulistana. Pelo menos a metade delas são rostos e bustos com feições nunca vistas pelo artista. As que fazem parte da série Devaneiossurgiram a partir do exercício de modelagem no torno. “Eu estava, na verdade, criando seixos no torno, pedras de rio. E quando eu peguei isso na mão eu pensei: 'Nossa, poderiam ser cabeças?'”, disse Rogério sobre seu processo de trabalho.
 Duas esculturas de bustos masculino e feminino, chamadas Otávio e Eugênia , em bronze sobre um suporte de mármore, de perfil. Fazem parte da série Ilustres Desconhecidos
Duas esculturas de bustos masculino e feminino, chamadas “Otávio” e “Eugênia”, em bronze sobre um suporte de mármore, de perfil. Fazem parte da série “Ilustres Desconhecidos”Divulgação/Memorial da Inclusão






















Os rostos ovais foram colocados sob pedestais que os deixam inclinados, com ar contemplativo. Conjuntos que podem ser desmontados pelos visitantes durante a apreciação dos trabalhos. Isso porque toda a exposição Impressões Táteis pode ser tocada pelo público. Os títulos da obra estão em letras grandes que facilitam a leitura para os que têm dificuldades de visão e texto em Braile para aqueles que não enxergam.
Essa é situação do próprio artista, que desde os 18 anos consegue perceber apenas algumas variações de luz. Rogério já tinha a visão de um dos olhos bastante prejudicada por problemas congênitos. Mas uma inflamação, no fim da adolescência, acabou atacando também o olho mais funcional do escultor.
Foi inicialmente como uma forma de reabilitação que, em 1992, Rogério foi estudar com o artista plástico Angel San Martin . O processo de aprendizado com a escultura foi parte de uma releitura do mundo. “Apesar de gostar de arte, querer ter feito arquitetura, eu não tinha experiência nenhuma com modelagem. Ainda mais, a partir de então, sem a visão. Eu tive mesmo que desenvolver muito o sentido tátil, não só da minha mão, mas do corpo inteiro”, disse.
Tocar nas obras
A experiência tátil, em outro sentido, foi uma novidade para as alunas de uma escola estadual de Sapobemba que visitaram a exposição. “A gente se aproxima da obra. Você consegue sentir os detalhes”, afirmou a estudante Mablyn Cristina, de 14 anos, que estava com as colegas com as quais fará um projeto ligado à acessibilidade na escola onde estudam.
“A gente consegue perceber o amor que ele teve para fazer as obras”, complementou, empolgada, Lívia Vieira (14 anos), outra participante do grupo que esteve no museu naquela tarde. A professora Iara Sobrinho, que acompanhava as estudantes, tentou resumir os sentimentos das jovens. “A visão dele é esse tato. Você consegue sentir o que ele quer passar, ver pela visão dele”.
Três esculturas em bronze sobre suporte de mármore. São três formas humanas, cada um tocando um instrumento diferente. Uma das esculturas está em pé, e outras duas sentadas. Faz parte da série Formas de um Choro .
Três esculturas em bronze sobre suporte de mármore. São três formas humanas, cada um tocando um instrumento diferente. Uma das esculturas está em pé, e outras duas sentadas. Faz parte da série “Formas de um Choro”.Divulgação/Memorial da Inclusão






















A importância da descoberta do potencial dos sentidos está representada na exposição. Na primeira série, feita entre 1994 e 1995, um dos trabalhos é uma escultura de um par de mãos. Significativo do modo como Rogério foi descobrindo a usar seu corpo como medida do espaço e do material que modelava. “Eu tomo meu corpo como referência para criar uma relação de espaço”, disse.
A técnica aperfeiçoada foi usada para que o escultor traduzisse em bronze, assim como a maioria das peças da exposição, a afeição pela música clássica. “A minha segunda individual foi em cima do Choro de Câmara nº7 do Heitor Villa-Lobos. Eu fiz as musicistas que seriam necessárias para execução dessa obra”.
Em seguida, vem os bustos com nomes de gente comum. Ilustres Desconhecidos, segundo o título dado pelo artista. Retratos feitos com base na estética do início do século 20. “Sou apaixonado pela arte ocidental feita nas décadas de 1910, 20 e 30. Gosto muito da arte déco”.
O Memorial da Inclusão funciona, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, no complexo do Memorial da América Latina, zona oeste da capital paulista.

Destaque

Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...