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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

22 de agosto de 2019

Confira a programação da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará desta quinta-feira (22/08/19)

Gigante da esperança


Padre Geovane Saraiva*
Pe. Geovane Saraiva
Diante da vida, que é dom e graça, guardemos, no interior do coração, o legado de Dom Helder, nos 20 anos de sua partida para o Pai (27/8/1999): "Eu queria ser uma humilde poça d’água para refletir o céu". Contamos, evidentemente, com as marcas da mesma esperança do pastor dos empobrecidos, a nos apontar que o definitivo do homem é Deus, dizendo-nos também que a plenitude ou o acabamento do mundo e da criatura humana, segundo os ensinamentos da Igreja, já antevemos, pela ação redentora do Filho de Deus, ao revelar-nos seu último e incontestável sentido: o mundo reconciliado, restaurado e pacificado no amor.

Em profundidade no olhar da fé, o que mais importa e o que mais interessa, convenhamos, é que a boa nova de Jesus de Nazaré possa penetrar no coração do mundo e das pessoas, sendo sinal nítido de que a esperança vive. Vive, sim, mas a medida do esforço sempre é maior dos cristãos: a de se comprometerem com vigor e força, dentro daquele ideal esperançoso proclamado por Dom Helder, ao dizer: “Quanto mais noite é, mais bela costuma ser a aurora”.

Dom Helder alimentou profusamente a esperança, utopia do reino de Deus, que foi, é e sempre será o farol, no qual torna-se concreta a indicação da vontade imorredoura e inarredável do Filho de Deus, querendo de nós a implantação do seu reinado na terra. A esperança é sinal antecipado do mesmo amor esplendoroso, restando-nos um único encanto, como afirma nosso Mestre e Senhor: "Ide dizer a João o que estais vendo e ouvindo" (Mt 11, 4).

Devemos utilizar os melhores elementos que estejam ao nosso alcance, no sentido de lograr bom êxito, como cristãos ardorosos, no compromisso de falar bem alto ao mundo que Deus é a esperança de seus seguidores, que o futuro do mundo no seu todo passa pela esperança. Somos, com Helder Câmara, convidados, como pessoas de bom senso, a colocar no coração o que Jesus nos ensina na oração do Pai Nosso: "Venha a nós o vosso reino", mas sem nos afastar do incontroverso mistério de amor, no impossível que se revela possível, na convergência de todas as pulsações humanas.

Aos olhos da fé, que Deus nos dê a graça de ver, numa jubilosa admiração, a beleza infinita de Deus, que é mistério de amor e plenitude sem fim, a qual terá parte conosco, nunca prescindindo de recordar Dom Helder, com uma prece fervorosa ao bom Deus, no sentido de vê-lo santo da nossa Igreja, como nos seguintes pensamentos: "No desespero, desengano, decepção, frustração e desesperança, sementes de esperança chegariam em boa hora"; "Esperança é crer na aventura do amor, jogar no homem, pular no escuro, confiando em Deus"; "Minhas ruas, como minhas estradas, não têm margens, como não têm começo e fim"; "Há criaturas que são como cana, que mesmo na moenda, esmagadas ou reduzidas ao bagaço, só sabem dar doçura". Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza

Pluralidade torna o Nordeste ‘alma’ da literatura, diz escritores

Por Infonet
Grandes nomes da literatura brasileira surgiram das ardentes terras nordestinas. Escritores que se tornaram a essência de uma literatura em formação e ainda influenciam as novas gerações. Para os escritores nordestinos que ‘tocam o barco’ nos dias atuais, o peso desse histórico coloca a região como protagonista no cenário brasileiro. Atualmente, os artistas da literatura se debruçam sobre as novas maneiras de se comunicar com um público cada vez mais conectado às tecnologias – sempre atentos aos fenômenos desse processo. Nossa reportagem acompanhou o primeiro dia da Vivência Literatura de 2019, nesta quarta-feira, 21.
Confira a reportagem completa no vídeo:

Duo de livros contorna aspectos históricos do Ceará e Ásia Central mesclando realidade e ficção

“Não se tropeça diante do Rei” e “119 dias em Amhitar” foram lançados na XIII Bienal do Livro por Paulo Avelino


Paulo Avelino é auditor financeiro do governo federal, mas considera-se um apaixonado pela história e a fantasia. Não à toa, estreou no cenário literário recentemente com obras que passeiam entre a realidade e a ficção. Trata-se do romance “Não se tropeça diante do Rei” e da coletânea de contos intitulado “119 dias em Amhitar”.
Ambos foram lançados na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará no último dia 18 e alavancaram novas perspectivas sobre o Ceará e a Ásia Central. Premiado com o Osmundo Pontes e recebendo menção honrosa no Prêmio SESC de Literatura, “Não se tropeça diante do Rei” nasceu da constatação que ninguém tinha escrito um romance que se centrasse na presença dos ingleses no Brasil, e mais especificamente, no nosso Estado.
“Há vestígios dessa presença, por exemplo o Country Club. Criei um personagem central, uma moça inglesa que vem ao Ceará em 1911. Seu pai é comerciante aqui. Aqui ela se envolve com um amante e participa da Sedição de Juazeiro”, conta o autor. 
O romance levou bastante tempo para ser escrito. Unindo pesquisa, escrita e revisão, foram aproximadamente sete anos. Segundo Paulo, o principal desafio foi a falta de fontes. 
“Passei horas deliciosas na Biblioteca Pública do Estado do Ceará, relendo velhos exemplares do ‘Unitário’ e da ‘Folha do Povo’, jornais da época. Também pesquisei na Biblioteca da Universidade de Illinois (EUA) e no Rio de Janeiro. Tudo para conseguir reconstituir o passado”, detalha.
Imaginação
Por sua vez, "119 Dias em Amhitar" narra os acontecimentos históricos num país da Ásia Central. Contudo, Amhitar não existe. “Eu o escrevi todos os dias, sem faltar um sequer, no ano de 2013. Cada se referia ao dia no qual escrevia. Há personagens fictícios, e também reais, como Stalin, Elizabeth Taylor e Alexandre o Grande”.
A questão mais complicada para costurar a obra, conforme o escritor, foi exatamente essa: escrever diariamente, sem falta. Quando precisava fazer viagens, Paulo escrevia antecipadamente as histórias dos dias em que viajaria. Mas quando trabalhou na última, em 2014, estava tão acostumado que sentiu falta depois.
“É de um livro de delírio e prazer. Desejo que o público se divirta tanto lendo quanto eu me diverti escrevendo”, comenta. 
Quando perguntado sobre o lançamento na Bienal do Livro, Paulo conta que foi um belo momento belo vivenciado na Praça Iracema, com localização privilegiada no Centro de Eventos, o que contribuiu para chamar a atenção e atrair um público que de outra forma não saberia do lançamento. 
“Aconteceu algo misterioso: o vendedor depois me contou que uma senhora aproximou-se, com lágrimas nos olhos, e comprou seis exemplares, e foi embora, sem querer autógrafo. Eu creio que seja uma parente de algum dos personagens históricos do Ceará, de quem falei em ‘Não se tropeça diante do Rei’. Só creio, não sei. Infelizmente receio que  nunca vou desvendar esse mistério”, arrisca.
E assim, vai seguindo em inspirados mergulhos naquilo que acredita ser porta de entrada para novos ares. “Meu interesse atual é literatura fantástica. Acho que uma das saídas para o mundo reside na imaginação”.
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Não se tropeça diante do Rei
Paulo Avelino

Independente
2018, 140 páginas
R$ 30

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119 dias em Ahhitar
Paulo Avelino

Independente
2019, 134 páginas
R$ 30


Diário do Nordeste