Lançada na noite desta terça-feira (4), a obra “O Cearense Revelado: uma jornada via DNA desvenda nossa ancestralidade” dá prosseguimento aos estudos realizados pelo professor e ex-governador José Parsifal Barroso (1913-1986) no ensaio “O Cearense”, de 1969
Legenda: O professor e biógrafo Luís Sérgio Santos, e o empresário e presidente do Instituto Myra Eliane, Igor Queiroz Barroso, na ocasião de lançamento da obra “O Cearense Revelado: uma jornada via DNA desvenda nossa ancestralidade”
Foto: Thiago Gadelha
A origem do nosso povo é uma das motivações centrais de "O Cearense Revelado: uma jornada via DNA desvenda nossa ancestralidade". A obra foi lançada na noite desta terça-feira (4), por meio de transmissão online, nas redes sociais do Instituto Myra Eliane, entidade que assume a frente editorial da publicação.
O trabalho retoma os estudos deixados pelo professor e ex-governador José Parsifal Barroso (1913-1986), contidos no ensaio "O Cearense" (1969). Nos dias atuais, coube ao docente e biógrafo Luís Sérgio Santos resgatar essa pesquisa. O novo livro, de sua autoria, com prefácio do empresário e presidente do Instituto Myra Eliane, Igor Queiroz Barroso, investe no ensaio jornalístico para aprofundar detalhes da pesquisa "GPS-DNA Origins Ceará". Inédita no Brasil, ela investiga a herança ancestral de nossa gente.
A transmissão online de lançamento contou com a participação de Igor Queiroz Barroso. Ao lado de Luís Sérgio Santos, o idealizador partilhou aspectos importantes da iniciativa, destacando as motivações para viabilizar o complexo estudo, que ilumina o pioneirismo e os passos de seu avô, Parsifal Barroso.
"Ele dizia que os cearenses possuem uma modalidade própria de falar, agir, que não se confunde com qualquer outra. Acreditamos nesse pensamento", explicou Igor Queiroz Barroso. No cerne da pesquisa está uma apresentação do padrão genético da composição do cearense, com uma análise realizada no Laboratório DDC, em Ohio (EUA), a partir de amostras colhidas em todo o Estado.
O presidente do Instituto Myra Eliane lembrou que esse desafio começou em 2017. À época, o prefácio escrito pelo tio, Roberto Parsifal, na reedição de "O Cearense", foi preponderante.
"Me senti impulsionado a cumprir aquela meta, continuar, chegar mais perto do que Parsifal tinha começado. Onde ele começou, eu queria chegar o mais perto da verdade. Aqui trago a honra para Parsifal Barroso", destacou o empresário.
Durante a live, um QR Code foi disponibilizado para os leitores interessados em adquirir a publicação. Os espectadores também conferiram a entrevista com o biogeneticista Eran Elhaik, professor-doutor da Universidade de Sheffield (Reino Unido), consultor na pesquisa genética e autor da metodologia GPS (Geographic Population Structure). O colaborador técnico da pesquisa, médico Evangelista Torquato, reforçou o debate: "Vem dar uma contribuição a mais para as descobertas da nossa origem genética", defendeu.
Interação
As falas contaram com a intermediação do público. A participante Andréa Siqueira, por exemplo, elogiou a iniciativa. "Que venha para as bibliotecas escolares do Ceará, que tenham acesso os nossos alunos de ensino médio".
Já o espectador Magno Câmara argumentou que o livro abrirá novas perspectivas ao povo cearense. "A história passada e sua ancestralidade sempre interessam à cultura de uma raça e de sua população. Com isso, descobriremos pra onde vamos. Uma obra que vai esclarecer as singularidades ancestrais e atuais do cearense".
Fundado em 2016, o Instituto Myra Eliane objetiva a educação infantil com base nos valores humanos. Como editora, já tinha quatro obras: a reedição do livro "O Cearense" (Parsifal Barroso), "Olga Barroso - Na vanguarda da vida" (Juarez Leitão), "Parsifal - Um intelectual na política" (Luís Sérgio Santos) e a reedição de "Pequena História do Ceará" (Raimundo Girão).
"Acreditem na vida. A despeito dessa pandemia que estamos passando. A despeito do que aconteceu em Beirute. Eu poderia dizer de cor as palavras do meu avô, Edson Queiroz. 'Não deixem de crer na vida, de engrandecê-la pela decência, de construí-la pelo trabalho'. Vocês terão desafios. A vida, às vezes, é injusta. Mas, não deixem de crer na vida. Ela pode ser maravilhosa quando você tem bons valores, amigos, companheiros. A vida vale a pena ser vivida. Eu acredito na vida", concluiu Igor Queiroz Barroso.
Onde adquirir o livro:
A obra “O Cearense Revelado: uma jornada via DNA desvenda nossa ancestralidade”, de Luís Sérgio Santos, com prefácio do empresário e presidente do Instituto Myra Eliane, Igor Queiroz Barroso, está disponível por R$80, na sede do Instituto Myra Eliane, localizada na Av. Desembargador Moreira, 2120, sala 504, Aldeota. Para compra e outras informações: (85) 9 9412-3827 (Whatsapp).
No dia 9 de julho de 1980, o primeiro papa a visitar o Brasil desembarcou em solo cearense
Nesta terça-feira (9), o Ceará completou 39 anos de um dos momentos mais importantes para sua comunidade católica: a visita do Papa João Paulo II. O pontífice esteve por dois dias em Fortaleza para comandar o 10º Congresso Eucarístico Nacional, evento realizado no Estádio Castelão, reunindo mais 120 mil pessoas.
Logo no desembarque na Capital, em 9 de julho de 1980, o primeiro papa a visitar o Brasil beijou o solo cearense e abençoou a multidão que o esperava. Foi recebido pelo então arcebispo de Fortaleza, dom Aloísio Lorscheider, e do aeroporto percorreu parte da cidade, passando pelo Centro.
Já no Castelão, foi recepcionado por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Ganhou um chapéu de couro de presente do artesão de Paramoti, Antônio Barbosa Cruz, colocando-o na cabeça de imediato. Algumas relíquias daquele momento estão em pontos do Estado, como parte do altar giratório, exposto na Catedral Metropolitana de Fortaleza. A cruz está em Canindé e outra parte do altar, em Paramoti.
A passagem do pontífice foi uma das maiores movimentações populares já registradas no País e a maior vivenciada no Ceará. No mesmo ano, João Paulo II passou por Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Recife, Salvador, Belém do Pará e Teresina.
Série de reportagens do Sistema Verdes Mares retrata os efeitos das enchentes na Região Norte do Ceará, na quadra chuvosa de 2019
Visitar a Região Norte do Ceará, em 2019, durante a quadra chuvosa, é encontrar cidades e distritos impactados pelas cheias. A equipe do Sistema Verdes Mares, este mês, percorreu de carro, barco e a pé os municípios de Granja, Ubajara, Santana do Acaraú e Morrinhos e traz narrativas sobre áreas de moradias ameaçadas pelas águas.
O trabalho conta histórias sobre o movimento das águas que, com o volume de chuvas, retornam aos lugares naturais e os efeitos na vida de quem mora no entorno de rios e açudes.
Entre os destaques nos enredos das agremiações estão Rachel de Queiroz, José de Alencar, Bode Ioiô, Dragão do Mar e os índios Cariri.
O Estado do Ceará foi uma das principais atrações em três desfiles consecutivos na 1ª noite do Grupo Especial de Escolas de Samba do Rio de Janeiro, na madrugada desta terça-feira (5).
União da Ilha do Governador, Paraíso do Tuiuti e Estação Primeira de Mangueira elegeram personagens e histórias do Ceará para apresentar ao sambódromo carioca.
Alguns dos principais destaques nos enredos dessas agremiações são os escritoresRachel de QueirozeJosé de Alencar, o personagemBode Ioiô, o líder jangadeiro da aboliçãoDragão do Mare osíndios Cariri.
União da Ilha do Governador
A primeira escola da noite a homenagear o Ceará foi a Escola de Samba União da Ilha do Governador, quarta a passar pela avenida. O desfile começou por volta de 1h23min desta terça-feira (5).
A Comissão de Frente da Escola homenageou Padre Cícero e foi intitulada de "O Milagre da Fé". A ala contou a história da chegada de Padim Ciço a Marquês de Sapucaí para conceder sua bênção e promover verdadeiros milagres, renovando a fé ao ver a tristeza da gente sofrida e guerreira do Ceará de José de Alencar e Rachel de Queiroz.
Com o tema “A peleja poética entre Rachel e Alencar no avarandado do céu”, o desfile da União da Ilha contou com 29 alas e 5 alegorias. A decoração de um dos veículos foi feita por 110 produtores da cidade de Jaguaruana, que confeccionaram as redes usadas no carro alegórico.
O carro Abre-Alas " Dragão de Ipu e o Tesouro Holandês" foi todo forrado com palha de carnaúba cearense e a escultura do guerreiro na frente da alegoria é do artista cearense Assis Filho. As folhas usadas no veículo levaram 5 meses para chegar ao Rio de Janeiro e o carro alegórico levou para avenida um dragão de 12 metros altura.
Cearense Leonel Hortêncio, que mora no Rio de Janeiro há 35 anos, desfilou pela primeira vez em uma escola de samba, na companhia do filho.
Foto: Roberta Souza
O cearense Leonel Hortêncio Dias, 52, natural de Crateús, desfilou pela primeira vez em uma escola de samba, momento que foi compartilhado com o filho. Irmão da proprietária de uma rede de restaurante considerado o reduto da culinária cearense no Rio de Janeiro, Leonel levou para a Ala 4 da União da Ilha, intitulada Sabores do Sertão, a experiência do ofício que desenvolve há 35 anos, trazendo a culinária do sertão para o estado carioca. "A gente tem que preservar nossa cultura do Ceará e a União da Ilha está fazendo um belo trabalho, uma homenagem muito bonita a nosso estado", afirma.
Espedito Seleiro é o homenageado da 24ª Ala da União da Ilha, intitulada “A Moda de Espedito Seleiro”.
Foto: Roberta Souza
O artista e artesão natural do Cariri, Espedito Seleiro, foi o homenageado da 24ª Ala da União da Ilha, intitulada “A Moda de Espedito Celeiro”. A homenagem faz parte do 5º Setor, A Beleza Arrochada no Aprumo, que também homenageia as rendas, o bordado e a moda de Ivanildo Nunes. O mestre Espedito Seleiro, como é conhecido popularmente, desfila no carro “Fios da Vida Tecendo Mundo”. Para participar da festa o artesão confeccionou a própria vestimenta, entre elas uma peça que ele ainda não classificou o que seria. “Nem é gibão, nem é colete, nem é paletó e nem é um blazer. É uma roupa preparada para participar do desfile”, explica. Espedito Seleiro não esconde a emoção ao falar sobre a expectativa de participar de um desfile na Sapucaí. “ Estou satisfeito, porque eu não esperava nunca está aqui participando de uma festa linda desse tamanho. Só tenho que agradecer a Deus”.
A rainha de bateria Gracyane Barbosa com a fantasia “Anjo Sagrado do Sertão”.
Foto: Reprodução/ Instagram
A rainha de bateria, Gracyane Barbosa, usou a fantasia "Anjo Sagrado do Sertão", assinada pelo estilista Henrique Filho.
Integrantes da bateria vestidos de Padre Cícero.
Foto: Aldeson Matos
Os componentes da bateria da escola desfilaram vestidos com a batina preta que relebra a roupa usada pelo religioso Padre Cícero. Além dos intrumentos tradicionais usados no samba, a bateria da União da Ilha incorporou a sanfona, instrumento musical tradicional do nordeste.
Padre Cícero voou na avenida em cima de um drone e animou o público.
Foto: Aldeson Matos
Padre Cícero voou no sambódromo em cima de uma espécie de drone e agitou o público, que vibrava a cada decolagem.
O desfile da União da Ilha foi encerrado por voltas das 2h45min, com 73 minutos.
Paraíso do Tuiuti
A quinta escola a se apresentar na Marquês de Sapucaí, Paraíso do Tuiuti, entrou na avenida às 2h53 e apresentou para o público a história do Bode Ioiô, personagem da cultura cearense que foi eleito vereador em 1922, em uma ato de protesto em Fortaleza.
Carro alegórico que representa o homenageado Bode Ioiô.
Foto: Roberta Souza
Vice-campeã do carnaval carioca, a Tuiuti trouxe para 2019 o tema "O Salvador da Pátria". Com 3.200 componentes, a Paraíso do Tuiti levou para a avenida 29 alas, 5 carros alegóricos e 2 tripés.
Carro abre-alas da Escola Paraíso do Tuiuti.
Foto: Roberta Souza
A comissão de frente da Tuiuti intitulada “Vendeu-se o Brasil no Palanque da Praça” contou a história de como se deu a eleição do Bode Ioiô e fez uma crítica à política da época, que sempre ficava na mão dos mesmos atores.
Segundo carro alegórico da Paraíso do Tuiuti.
Foto: Roberta Souza
O carro representa o passeio do Bode Ioiô com os vendedores de peixe na Beira Mar. A cabeça de dragão em arame homenageia o abolicionista Dragão do Mar.
Os integrantes do carro estão fantasiados de pescadores.
Foto: Roberta Souza
Os integrantes do carro estão com vestimentas que fazem alusão aos vendedores de peixe.
O lado boêmio do personagem cearense Bode Ioiô.
Foto: Roberta Souza
Ala "Serestando ao Luar" mostrou as andanças do Bode Ioiô em meio as cantorias da boemia cearense.
As duas faces de Fortaleza.
Foto: Roberta Souza
Carro com duas faces mostrou a modernidade que Fortaleza queria demostrar e o sofrimento sertanejo que a capital tentava esconder.
Lado humilde do povo sertanejo do Ceará.
Foto: Roberta Souza
O lado que Fortaleza tentava esconder para passar uma imagem superior as outras cidades em 1922.
Bodinho Ioiô, mascote do homenageado, no carro Fauna Eleitoral.
Foto: Roberta Souza
O Bodinho Ioiô, mascote do homenageado na escola de samba, desfilou no carro "Fauna Eleitora", que fez uma crítica aos currais eleitorais feitos pelos coronéis, que obrigavam as pessoas a votarem nos candidatos que eles queriam.
Carro "Auto do Ioiô: A Resistência".
Foto: Roberta de Souza
Carro alegórico trouxe uma imagem e um slogan compartilhado após o resultado das eleições presidenciais de 2018. A imagem se tornou a representação da resistência da população.
O desfile da Paraíso do Tuiuti foi encerrado por volta das 4h10min.
Estação Primeira de Mangueira
A Estação Primeira de Mangueira entrou na Sapucaí às 4h14min com o enredo "História Pra Ninar Gente Grande", que aborda o lado não-oficial de personagens da história do Brasil e traz uma nova versão de acontecimentos históricos. O desfile da Mangueira contou com 3.500 componentes, 24 alas, 5 alegorias, 2 tripés e um componente alegórico.
Carro "Mais Invasão do que Descobrimento".
Roberta Souza
O carro "Mais Invasão do que Descobrimento" abordou a história do Brasil antes da chegada dos portugueses, com o argumento que a história brasileira não se dá apenas a partir de 1.500. A alegoria teve reprodução de pinturas rupestres encontradas na Serra da Capivara, no Piauí, datadas com 9 mil anos.
Carro "O Sangue Retido por Trás dos Heróis Emoldurados".
Foto: Roberta Souza
Segundo carro da escola, com o nome "O Sangue Retinto Por Trás do Herói Emoldurado", questionou as expedições no Brasil colônia para a captura de riquezas e a exploração dos nativos.
O Ceará foi homenageado pela Mangueira na Ala da Confederação dos Índios Cariri, que remeteu ao conflito que reuniu em uma Confederação as tribos Crateús, Carius, Cariris e Inhamuns para lutarem juntos contra a ação de portugueses que escravizavam e vendiam índios como mercadoria.
A frente do carro é composta por dragões em referência ao Dragão do Mar.
Foto: Roberta Souza
No quarto carro da escola, o "O Dragão do Mar de Aracati", fez uma releitura do abolicionista Chico da Matilde, natural de Aracati, que combateu o tráfico negreiro no Ceará.
Imagem de Dragão do Mar estampada em estandartes.
Foto: Roberta Souza
A imagem de Luis Gama, patrono da escravidão no Brasil, estampou estandartes acompanhadas de uma embarcação na avenida.
Floriano Peixoto está entre os personagens abordados pela Mangueira.
Foto: Roberta Souza
No carro "A História que a História Não Conta" a Mangueira mostrou novas versões sobre a história de personagens brasileiros históricos.
Padre Anchieta ganha uma nova versão de sua história.
Foto: Roberta de Souza
José de Anchieta, padre jesuíta espanhol e historicamente um dos fundadores da cidade de São Paulo também ganhou outra versão no defile da Mangueira.
A ditadura militar no Brasil também foi relembrada.
Foto: Roberta Souza
A ditadura militar brasileira, que compreende o período de 1964 a 1985, também teve espaço no enredo da escola verde-rosa.
Fotos da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, marcou o encerramento do desfile.
Foto: Roberta Souza
Bandeiras com o rosto da vereadora Marielle franco, assassinada em março de 2018 no Rio de Janeiro marcou o encerramento do desfile da Mangueira. A viúva de Marielle, Mônica Benicio e o deputado federal Marcelo Freixo desfilaram à frente da última ala.
O desfile da Estação Primeira de Mangueira foi encerrado por volta de 5h4min.