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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

11 de junho de 2018

PERFIL DO ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO

Carlos Delano Rebouças*
Desde a minha época de faculdade, aquele outro nível de formação que achava ser totalmente diferente do antigo segundo grau de que me despedia, ainda busco entender como se desenha o perfil do estudante do ensino superior, que acreditava não ser da forma como imaginava.

Já se passam 25 anos de minha entrada na faculdade de Letras da Universidade Estadual do Ceará, e posterior formatura em cinco anos decorridos, e ainda vejo nas ruas e nas faculdades e em seus arredores muitos estudantes com o mesmo padrão de minha época: despojados, de cabelos e barbas longas; vestidos de camisetas com frases de efeito e imagens de revolucionários; ou mesmo, aparentemente de acordo como a sociedade exige, porém, com um pensamento muito distante do que se pensam aqueles que não defendem a liberdade de expressão para a construção de um país mais democrático. São figuras que se perpetuam no tempo, representando uma massa de estudantes que se enxergam diferentes, com uma maneira diferente de enxergar o mundo.

No ambiente universitário, enxergar e enxerga-se diferente era muito mais que uma escolha; era acreditar que representava um lugar onde o seu direito mostrava a sua verdadeira face, não como um deturpador de valores, mas de um ser que luta pela liberdade de se construir e dividir ideais, de forma democrática e consciente, por meio de discussões, alheios a qualquer tipo de preconceito ou infelizes definições. 

Era a certeza de que se tratava de um universo de pensamentos em um só lugar, passivos de serem compartilhados por todos, sem distinção.
Pena que usei o verbo no passado; que bom que o usei no pretérito imperfeito, convicto de que a nossa realidade universitária pode resgatar essa condição, embora pareça difícil.

Hoje, tudo parece diferente de algumas décadas passadas. Não pelo estilo do estudante, que alguns poucos resistem em garanti-lo, mantendo-o, pelas novas gerações que virão à frente. Nem tanto pelas frases de efeito que se usa cada vez menos, como menos ainda são os notáveis dos novos tempos. Bem menos também, pelas barbas longas e seus cabelos que um dia, pareceram rebeldia, e hoje, um estilo ultrapassado com outros depreciativos adjetivos. O que é diferente, hoje, e a maneira de enxergar esse ambiente, que não mais universaliza ideias e interesses, estes, cada vez mais individualizados.

Diferenças também se percebem no modelo de gestão e no perfil dos gestores. Hoje, bem mais administradores em busca de resultados por meio de números, gráficos e cifras. Para muitos, o aluno é somente um cliente, na crescente evolução do ensino superior sob os moldes capitalistas. A educação vista como um negócio desde a matrícula, passando pela máquina de tirar cópias de capítulos de livros cada vez mais escassos na estante do estudante, até chegar ao momento da formatura. Mas deixemos isso fica para outra discussão, num momento mais propício.

Numa faculdade, hoje, chega-se com a mesma pressa que se vai embora. Ninguém se conhece a ponto de declinar o nome de meia dúzia de amigos, nem mesmo contar um pouco de sua história. Termina-se um semestre, e no outro, logo é esquecido, porém, inevitavelmente, reencontrado na foto de formatura que irá aparecer na sua linha do tempo, sem marcação alguma de alguém. Tudo é passageiro, efêmero, sem deixar marcas e lembranças para um reencontro. É, na verdade, um período que atenderá às necessidades de mercado para a exclusiva sobrevivência, enxergando em cada um de sua época não um colega ou amigo, mas sim, a de um concorrente em um mercado que lhe foi apresentado antecipadamente.

Depois de 25 anos, mantenho boas e inúmeras amizades da faculdade. Alguns, na mesma estrada profissional, dividindo a mesma lavoura e as mesmas colheitas. Outros, seguindo outros caminhos, pois vivemos também de escolhas. Contudo, mesmo abandonando velhos estilos, temos a certeza de que construímos uma unidade de pensamento – aquele que acreditávamos ser de uma determinada época – que nos leva à emoção quando vemos uma frase de efeito ou a imagem de um Che Guevara, ou quem sabe, uma canção do Geraldo Vandré. Na verdade, são marcas de um passado que jamais devem ser lembradas com o verbo no pretérito perfeito.



*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

Em parceria com o Porto, Secult lança “Fotopoéticas: Programa de experimentações fotográficas”

O Programa de Fotopoéticas consiste numa plataforma de criação, formação e exibição, tendo como base a fotografia e sua interseção com as demais áreas de conhecimento

Tendo como eixo conceitual a Fotografia e seus cruzamentos com as demais linguagens artísticas, a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), em parceria com a escola Porto Iracema das Artes, lança o “Fotopoéticas”, um programa de experimentações e invenções fotográficas. Na próxima terça-feira (12), às 19h, o programa será apresentado ao público pela equipe idealizadora constituída por Ângela Ferreira e Iana Soares. O evento é aberto ao público e será uma oportunidade de conhecer a abrangência de formações e criações que o programa pretender realizar. A entrada é totalmente gratuita.

Configurando-se como um espaço aberto às mais diversificadas experiências artísticas, o “Fotopoéticas” vai contemplar cursos, residências, workshops e seminários que compreendam a ligação da fotografia com outras áreas de conhecimento, como a Pintura, a Literatura, o Cinema, a Música e o Teatro. O objetivo é promover, assim, ações pedagogicamente orientadas, fomentando o conhecimento dos participantes para novos conceitos artísticos.

O programa distingue-se por um formato inovador de formação experimental e destina-se a preparar produtos visuais que serão integrados no Festival Internacional de Fotografia, previsto para dezembro de 2018. Este programa integra uma política cultural para a Fotografia no Ceará e representa um impulso de estimulo à criação fotográfica no Estado, visando torná-lo um pólo cultural ainda mais efervescente.

Uma das primeiras ações do programa “Fotopoéticas” é o percurso de Fotopintura Digital, que será ministrado no Porto Iracema, pelo Mestre Júlio dos Santos, um dos maiores profissionais da fotopintura brasileira. A formação permeará o conceito da fotopintura, atualizando-o para a cultura digital, e também trabalhará a prática desse fazer artístico, trazendo referências e elementos para compor uma imagem que dialogue com a cena contemporânea.

O Programa de Fotopoéticas surge como uma plataforma de descoberta, que pretende transformar a região num pólo inovador e criativo, de relevância internacional.

SOBRE A EQUIPE DO FOTOPOÉTICAS
ÂNGELA FERREIRA (aka, Berlinde) artista, curadora e investigadora portuguesa. É doutorada em comunicação visual e expressão plástica e mestre em fotografia e novas tecnologias. É professora adjunta no Instituto Politécnico do Porto/Portugal e atua no domínio de investigação sobre as formas híbridas da fotografia. É curadora e diretora artística de Festivais de Fotografia na Europa e integra o Conselho de Curadores do Museu da Fotografia de Fortaleza.

IANA SOARES é jornalista e fotógrafa. Mestre em Criação Artística Contemporânea pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Barcelona. foi editora do Núcleo de Imagem do O POVO, em Fortaleza. É professora na Travessa da Imagem.

SERVIÇO: 
O quê: Secult e Porto lançam “Fotopoéticas: Programa de experimentações fotográficas”
Quando: Próxima terça-feira, dia 12, às 19h
Onde: Sala A5 do Porto Iracema das Artes (Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema)

Fonte: Secult/CE

A barbárie, o suicídio e o jornalismo; temas para literatura e psiquiatria

Resultado de imagem para literaturaPara ler ao som de Alucinação, de Belchior. Cena 1: Cosme de Farias, bairro de Salvador. Uma menina de 16 anos vai dormir. Acorda de madrugada, num quarto muquifo que poucos são capazes de imaginar (mas tem foto no jornal), pega seu bebê de quatro meses que dormia sobre uma cama improvisada ao nível do chão, feita de uma velha cadeira de praia dobrada e forrada com um pedaço de espuma velha suja, sobe para uma laje, joga-o dentro de um tanque d’água desses que a gente vê aos milhares na paisagem da periferia. Assiste ao bebê debater-se na água escura e fria até morrer e volta a dormir ao lado do que a imprensa nomeou como companheiro e microempreendedor, um homem de 52 anos.
A razão, segundo ela, para o filicídio: o companheiro a mandou sair da internet, à meia-noite, porque ela tinha que levar o bebê para tomar vacina pela manhã. Façam as contas: aos 16, a menina que cometeu o filicídio já tinha um bebê de quatro meses, filho de um homem que o abortou. Ou todo mundo aqui faz questão de continuar ignorando o aborto masculino? É simples, barato e legal: basta ir embora. O jornal diz que o microempreendedor de 52 relaciona-se com ela desde o 4º mês de gravidez. Após as contas e imaginarem a cena, favor desenhar o conceito de condição humana e de pedofilia. E não se esqueçam do feto dentro do útero da menina e do romance. Detalhe: há dois anos, a menina já havia deixado sequelas irreversíveis em uma irmã de 2 anos, após agredi-la com uma martelada na cabeça.
Linchadores
Cena 2: Parque da Cidade, 26 de maio, Brasília. Um garoto de 16 anos vai pela primeira vez sem os pais a uma festa. Em meio a um evento com 1.500 pessoas, foi cercado e linchado por 20 jovens de classe média alta, que gritavam “pega” e “mata”. Os linchadores do parque deram chutes, garrafadas, socos e facadas. Alguém filmava, e a multidão nada fez. E ainda gritava: “pega!”, “mata!”, “finaliza!” Ninguém foi preso.

Cena 3: Estrasburgo, França, um quarto de hotel de luxo. Um homem milionário, endeusado pelo talento e pela fama, adorado por ricos e famosos, estrela das mais importantes publicações do mundo, situado no olimpo dos melhores chefs de cozinha. Anthony Bourdain, 61 anos, o badaladíssimo chef de cozinha nova-iorquino, dá um basta em sua agonia diante das dores da vida e suicida-se. Uma parte da imprensa, e uma massa de leitores, vai pelo caminho mais óbvio para especular o ato de Bourdain ao desistir do mundo: o tédio da fama e da riqueza dos famosos que incursionam no caminho das drogas pesadas.
Foi dor
É complexo entender que droga não é causa, mas consequência de um sintoma de dor anterior. É complexo demais pensar que pode não ter sido o tédio da riqueza aliado à droga que o levou ao suicídio, mas tão somente a mais absoluta e insuportável lucidez. Ler A Ferida, um texto de Bourdain diante de um homem que sobreviveu ao derretimento pelas bombas de Napalm atiradas pelos Estados Unidos em Saigon, no Vietnã, faz seu suicídio parecer quase natural.

Cena 4: 5 de maio. Um apartamento de um dos endereços mais caros de Nova York. A estilista Kate Spade, rica, famosa e com uma filha de 13 anos, suicida-se e deixa uma carta à menina, pedindo desculpas. De novo, a imprensa não sabia como esconder sob letras o desconforto de noticiar o suicídio. Ninguém conta aos produtores das hard news que suicídio nunca matou ninguém. A coisa começa lá muito atrás. Assim como os beijos mais ardentes não vêm nunca da boca, a morte do suicida não vem do ato. Eles já morreram muito antes. E não foi de queda, centenas de pílulas, veneno ou revólver. Foi de dor da vida. E quando se trata da barbárie, da desumanidade e do suicídio, o jornalismo está por fora. Esses são temas para a literatura. E para a psiquiatria.
Fonte: Correios24Horas

Amantes da literatura pesquisam coletivos de leitura em Pernambuco


Um dos organizadoras da pesquisa, o Clube de Leitura Floriterárias realizou seu 24º encontro em maio, no Sesc Santo Amaro, Região Centro do Recife.  (Osnaldo Moraes/DP)
Um dos organizadoras da pesquisa, o Clube de Leitura Floriterárias realizou seu 24º encontro em maio, no Sesc Santo Amaro, Região Centro do Recife.
Um animado grupo que se define como Liga de Leitoras e Leitores de Pernambuco inicia um processo que pode revelar uma realidade que seria considerada extemporânea em tempos de muita fixação em mídias digitais: a multiplicação de clubes e grupos literários. São coletivos de pessoas que não se contentam em apenas ler livros, mas querem conversar e debater sobre temas relativos aos livros e à literatura, colocando em xeque posicionamentos taxativos de quem se atreve a prever fim de publicações impressas. “Queremos mobilizar um encontrão de clubes de leitura”, diz Anita Presbitero, do Clube de Literatura Floriterárias, que realiza reuniões mensais.

Para tentar viabilizar o “encontrão”, a Liga criou um formulário virtual e pede que cada integrante de clube multiplique a divulgação para alcançar a maior quantidade possível de clubes e grupos cadastrados. “Não importa quantas pessoas participem ou o gênero de literatura, nem mesmo o tempo de existência, mas que sejam coletivos que existam em torno da literatura e que nos indiquem meios de contatos”, diz Anita Presbitero. “Queremos reunir grupos literários de Pernambuco, que realizam debates regularmente sobre os livros lidos, seja de forma presencial ou através das redes sociais”, explica.

formulário virtual já está disponível (basta clicar aqui) e o preenchimento pode ser realizado até o próximo dia 30. O preenchimento é simples e pode ser feito por celular, tablet, notebook  ou computador, indicando dados básicos como nome e data de criação do clube, número de integrantes, responsável(is) e seu(s) WhatsApp, indicação se os debates são presenciais ou virtuais (por WhatsApp, etc.) e quantos foram realizados, além de informar eventuais perfis em redes sociais (Facebook, Instagram, Skoob e Twitter), canal no YouTube, blog/site ou outros. Para julho está prevista uma reunião apenas com representantes de todos os clubes, para definição de detalhes para o Encontrão dos Clubes de Leitura PE.

Fonte: Diário de Pernambuco

Vestígios de engenhos do Cariri podem ser reunidos em museu

O equipamento inglês do Engenho da Lagoa Encantada foi um dos primeiros ( Fotos: Antonio Rodrigues )
Crato/Barbalha. Autores divergem quanto à chegada do primeiro engenho de cana-de-açúcar ao Cariri. Um diz que foi em 1718, no Sítio Salamanca, em Barbalha, por Antônio de Souza, bisavô de Bárbara de Alencar. Outros, acreditam que a chegada só aconteceu em 1735, no Sítio Santa Tereza, entre Barbalha e Missão Velha, tecnologia trazia pelo sergipano José Paes Landim. Independentemente disso, a economia açucareira foi importante para região, é tanto que batizou o “Cratinho de Açúcar” e também é parte da identidade barbalhense, a terra dos “Verdes canaviais”. Os engenhos se perdem no tempo e, aos poucos, na memória.
Em Barbalha, apenas cinco engenhos se mantêm com a produção de cana-de-açúcar. Destes, dois fabricam somente rapadura e, os outros três, além do doce, fazem cachaça, batida e alfenim. Todos trabalhando por encomenda. Na Usina Manoel Costa Filho, a paisagem foi ocupada por bananeiras há quatro anos. Já no Crato, só existe um funcionando, mas como destilaria, produzindo apenas aguardente.
No Cariri, os engenhos passaram por três fases. Na primeira, no século XVIII, como a água nas nascentes eram abundantes, as moendas eram movidas pela força hídrica. Neste sistema, havia três tipos, o “copeiro”, “meeiro” e “rasteiro”, de acordo com a entrada da água: por cima, pelo meio ou por baixo da roda. Com o desvio da águas e, depois, a escassez, começaram a investir na tração de boi. Uma peça no eixo principal e duas catracas movimentavam com os animais. Na época, toda a engenharia era de madeira, jatobá ou pequi.
Depois veio o de ferro, trazido pela família Ferreira de Melo, possivelmente de Pernambuco. No entanto, quando os bois eram colocados nas juntas pra mover, eles se deslocavam com dificuldade e tinham que apanhar muito. O som no engenho de madeira cadenciava o caminhar dos animais, mas, no ferro, não tinha o mesmo “gemido”. Anos depois, a tração animal foi substituída pelo vapor, diesel e eletricidade.
No Cariri, dois grandes mecânicos eram responsáveis por fabricar quase todos os engenhos da região no Século XX: Antônio Linard, em Missão Velha; e Severino Honorato, no Crato. O primeiro, era filho de um engenheiro francês que chegou ao Brasil para trabalhar na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Depois do serviço, se estabeleceu em Santana do Cariri para ajudar na fundição dos engenhos locais. O filho, Antônio, começou a aprender lendo manuais de mecânica. Como não tinha dinheiro para montar sua própria oficina, conseguiu comprar um torno com a ajuda de Lampião e seus cangaceiros, após limpar suas armas. A partir da década de 1940, não parou mais. Suas peças eram assinadas “Linard” e ainda é possíveis de encontrá-las.
Já seu concorrente, Severino Honorato, dono da “Oficina Cratense”, deixou o estabelecimento aos cuidados do filho, Luiz Honorato, mecânico da Aeronáutica que deixou de lado a vida de oficial, após visitar outros países e ganhar medalhas, e se dedicou ao trabalho com ferro junto do pai. Hoje, aos 91 anos, mantém o prédio da oficina e boa parte dos equipamentos utilizados para fabricar os engenhos. Peças estão espalhadas pelo enormes galpões, misturadas com a plantação de frutas. 
“Mesmo tendo muitos engenhos para trabalhar, Antonio Linard era meu concorrente. Mas muito leal. Era mais evoluído que a gente. Eu reconheço”, admite Luiz. A fabricação do rival era mais famosa, mas Honorato utilizava peças de ferro velho, o que tornava o material mais resistente, enquanto Linard fabricava com o ferro puro.
Com 30 homens, a Oficina Cratense chegou a fabricar 150 engenhos ao mesmo tempo. Todo o processo durava, em média, 40 dias, mas já havia peças prontas. “O engenho é composto de várias peças rústicas, mas principalmente de três moendas. Lisa e duas de flange. Aquelas moendas eram mais trabalhosas, porque eram pesadas, com fundição muito grande. Numa fundição, eram tirados, no máximo, três tambores grandes de 18, 20 e 24 polegadas, que serviam para armazenar o “caldo”. A roda de espora, de cerca de 1,7m, pesava quase 100Kg. “A gente fazia engenho completo. Tudo que precisava, de ferro fundido”, garante Luiz. No entanto, com a baixa da cultura açucareira, a Oficina Cratense foi afetada. De 30 operários, chegou a quatro funcionários. “Não dava para cobrir todo serviço”, lamenta. Por isso, o aposentado passou a fazer só serviços de manutenção.
Importância
A poucos quilômetros da sede de Crato, o Engenho da Lagoa Encantada, que foi um dos maiores da região, se tornou ruínas à beira da estrada. Criado, provavelmente, no século XIX, pelo coronel José Rodrigues Monteiro, a moenda era, inicialmente, movida a boi. No entanto, foi substituída por motor e caldeira. Posteriormente, passou a ser acionado por óleo diesel e eletricidade, incluindo equipamento importado da Inglaterra.
Foi no Engenho Lagoa Encantada que ocorreu a primeira experiência da mecanização da lavoura de açúcar no Cariri, utilizando trator com grade de disco, sulcador e cultivador, que ainda podem ser vistos ao lado das ruínas. Além disso, foi pioneiro na técnica de cultivo em curva de nível e irrigação por inundação. Lá, havia uma fornalha capaz de produzir 32 cargas de rapadura por dia, cada uma com 100 rapaduras, além de um alambique para produção de 300 canadas de aguardente/dia (uma canada tem 2,662l).
“Nascido e criado aqui”, como descreve Geraldo Pereira de Sousa, o “Geraldo Fumaça”, 71, lembra que no Lagoa Encantada a jornada de trabalho começava de madrugada “para amanhecer já cozinhando a rapadura, alambique destilando e casa de farinha fazendo beiju”, lembra. Lá, era plantado também arroz, que chegava a ocupar o lugar da cana-de-açúcar em épocas de diferentes. “Não tinha serviço maneiro”, completa. Os produtos eram encomendados para outras cidades e vendidos em um armazém no centro do Crato.
Decoração
Na beira da Avenida Leão Sampaio (CE-060), entre Barbalha e Juazeiro do Norte, as peças dos engenhos ficam expostas na placa de uma sucata. Segundo o comerciante Elias Bezerra, este material foi comprado dos proprietários que fecharam. Três deles, completos, já foram vendidos para fazendas da região só para ornamentar. O valor médio é R$ 2 mil. “A procura é grande do pessoal rico. Eles preferem os menores. A gente tem um lucro bom, a procura é grande”, conta.
Os engenhos são pintados de preto e enfeitam as entradas das fazendas em Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha e Barbalha. Por isso, Elias fica atento quando tem algum disponível para adquirir. Inclusive, um deles, só com a moenda, já está apalavrado por R$ 1.800. “A gente vende não só completo. Chegando à sucata, se precisar do volante, os mancais, as madeiras ou alguns roletes, consegue a parte que precisa”, completa o comerciante.
Museu
O Instituto Cultural do Cariri (ICC) elaborou um projeto para criar o Museu do Engenho do Cariri, que ficaria nos fundos de sua sede, em terreno que pertence ao Departamento Estadual de Rodovias (DER), em Crato. A planta já foi feita e apresentada à população e políticos, que demonstraram apoio ao empreendimento, com a criação de uma emenda parlamentar que garante o orçamento de sua construção. Estima-se que o valor total da obra seja de R$ 208 mil.
“A ideia surgiu pela sensibilização com o fim da economia açucareira, que nos traz uma certa comoção e vontade de preservar. O rompimento pode ser danoso à história e à memória. Os mestre de rapadura, os cambiteiros, os metedores de fogo, essa gente está morrendo. As minúcias da produção podem desaparecer ou deixar breves vestígios”, explica o presidente do ICC, o advogado Heitor Feitosa.
A aquisição do equipamento será feita por meio de doação. Proprietários e herdeiros de antigos engenhos prometeram disponibilizar tudo, incluindo um carro de boi utilizado no século XIX. Além disso, no Casarão, terá três seções. Numa delas, um café social e uma lojinha para o ICC se manter. No meio, um salão de eventos para receber manifestações culturais. Por fim, um laboratório e acervo técnico de arqueologia colonial e pós-colonial. “Há uma carência aqui na região”, justifica Heitor. Se a verba for conquistada, a expectativa é que fique pronto entre seis meses e um ano.
“Há questões nos engenhos que implicam diretamente como o direito trabalhista. As mudanças criadas com a CLT reverberaram nos engenhos e no destino deles. Fecharam muitos. Um fator importante para ser lembrado: a exploração dessa mão-de-obra se equiparava ao trabalho escravo. 
Começava de madrugada, sem equipamento próprio, jornadas extenuantes. O museu pode servir para quem queira conhecer essa história”, finaliza.
Significados
Image-0-Artigo-2411155-1
"Tinha muito engenho e muita cana. Eles foram parando. Larguei de trabalhar só com quatro operários, não tinha condição de fazer"
Luiz Honorato
Aposentado e fabricante de engenhos
Image-1-Artigo-2411155-1
"Nos engenhos, em noite enluarada, faziam o maneiro pau. Eles não estão ligados somente à economia açucareira, mas também à nossa cultura"
Heitor Feitosa
Advogado
Diário do Nordeste

Bruna Lombardi defende empoderamento pessoal em palestra no Festival Vida&Arte

Atriz, poeta, escritora, apresentadora, roteirista, produtora, palestrante e ativista ambiental. Bruna Lombardi é múltipla e está prestes a desembarcar em Fortaleza com todas essas temáticas e sensações. Ela integra a programação do Festival Vida&Arte, realiza a palestra Felicidade e lança os livros Poesia reunida, Clímax e o Jogo da felicidade. Será na Sala Laranja, no sábado, 23, às 17 horas.
O objetivo da fala da artista é trazer uma reflexão sobre as escolhas pessoais de cada um. Munida de espiritualidade e iluminada pelo líder espiritual Sri Prem Baba, a artista aborda de uma forma inspiradora conteúdos relacionados a empoderamento, qualidade de vida, atitude positiva, mindfulness, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e autoconhecimento.
Já são dez livros no currículo nos quais passeiam por temas como sexo e equilíbrio espiritual. Bruna também produziu e apresentou, durante dez anos, o programa Gente de Expressão, atração cuja proposta sempre foi viajar pelo mundo entrevistando talentos e personalidades de várias áreas.
Escreveu, produziu e protagonizou cinco filmes, entre eles Onde Está a Felicidade? (2011) e o mais recente Amor em Sampa (2015). Atualmente estreou a série A vida secreta dos casais, na HBO, como criadora, produtora, roteirista e protagonista. A atriz que tem seu próprio aplicativo, Vivo Espiritualidade, que ela produz o conteúdo e apresenta, e criou recentemente sua própria plataforma digital, a Rede Felicidade, espaço no qual compartilha experiências que inspiram e motivam as pessoas a viverem mais felizes e realizadas.
Serviço
Festival V&A
Quando: sábado, 23, às 17 horas
Onde: Sala Laranja, no Centro de Eventos do Ceará (avenida Washington Soares, 999 - Edson Queiroz)
Quanto: R (inteira) R (meia) - válido para toda a programação do dia no evento (o acesso às atrações está sujeito à lotação dos espaços)
Ingressos à venda no site www.festivalvidaearte.com.br (venda através de cartões de crédito) e na portaria do O POVO (avenida Aguanambi, 282 - Joaquim Távora, venda através de cartão de crédito, cartão de débito e dinheiro)
O Povo

Dragão do Mar celebra o centenário de Nelson Mandela com abertura de exposição inédita no Brasil

Até 30 de julho, no Museu da Cultura Cearense, a mostra “Mandela: de Prisioneiro a Presidente” apresenta a trajetória do líder sul-africano. A abertura da exposição, concebida pelo Museu do Apartheid de Joanesburgo, é fruto de parceria entre o Instituto Dragão do Mar e o Instituto Brasil África e conta com patrocínio da Secult-CE.
Na rota de circulação de importantes exposições de artes visuais, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, abrirá para visitações, no dia 20 de junho, a partir das 10h, no Museu da Cultura Cearense, a exposição “Mandela: de Prisioneiro a Presidente”. Com acesso gratuito, a mostra ainda inédita no Brasil reúne 50 painéis com fotos e 9 peças audiovisuais que contam a trajetória do líder sul-africano, em celebração ao seu centenário, em julho.
A mostra traça o percurso da vida de Mandela desde o início do ativismo contra Apartheid, regime racista do governo sul-africano que negava à população negra direitos civis, sociais e econômicos. Dividida em seis temas, “A pessoa”, “O camarada”, “O líder”, “O prisioneiro”, “O negociador” e “O homem de estado”, a mostra traz detalhes sobre a vida pessoal e a luta política de Mandela, abordando seus 28 anos de prisão, a vitória no Prêmio Nobel da Paz, até a eleição como primeiro presidente negro da África do Sul, em 1994.
Fortaleza será a primeira cidade brasileira a receber a mostra que já passou por França, Suécia, Estados Unidos, Equador, Argentina, Peru e Luxemburgo e foi vista por mais de um milhão e 100 mil pessoas. “Para nós é um privilégio que o Dragão seja escolhido para receber uma mostra desse porte, ainda mais para apresentar ao público a trajetória de um dos mais importantes militantes da liberdade, da justiça e da democracia. Falar de Mandela é dar visibilidade à sua luta, mas sobretudo à nossa própria história”, diz Paulo Linhares, presidente do Instituto Dragão do Mar.
“A exposição Mandela: de Prisioneiro a Presidente promove um encontro muito instigante, porque ao mesmo tempo que traz a história da liberdade de Nelson Mandela e de sua nação, se assemelha com a história do próprio Chico da Matilde, o Dragão do Mar, que também lutou por liberdade, sendo um abolicionista”, afirma Fabiano Piúba, secretário da Cultura do Ceará.
Segundo o presidente do Instituto Brasil África, João Bosco Monte, a escolha de Fortaleza para abrir o circuito da mostra e do Dragão como sede foi natural: “Consideramos a força da cultura negra no Ceará, pioneiro na luta pela libertação dos escravos, e também levamos em conta que a capital cearense foi onde o Instituto Brasil África começou, para eleger Fortaleza como a primeira cidade brasileira a receber a exposição. O Dragão do Mar, que leva o nome de um dos mais importantes personagens da história abolicionista do Ceará, é também um centro de arte e cultura de nível internacional, que reúne todas as condições para a perfeita execução da mostra, tal como foi concebida pelo Museu do Apartheid, na África do Sul”.
Em visita técnica às instalações do Museu da Cultura Cearense, no dia 13 de abril, Christopher Till, diretor do Museu do Apartheid, disse estar ansioso: “Ver as instalações do Centro me deixou muito empolgado não só pelo espaço que temos disponível, mas também pelo que tenho ouvido sobre a significativa relação entre Fortaleza e a África. Eu acho que trazer o legado de Nelson Mandela para o Brasil, começando por Fortaleza, vai proporcionar uma importante troca com o povo brasileiro. Estamos ansiosos para trazer a exposição e promover o engajamento com o legado de Mandela de uma maneira bem visual e entusiasmante”.
Concebido pelo Museu do Apartheid, “Mandela: de Prisioneiro a Presidente” é realizada ainda pelo Instituto Brasil África (IBRAF), detentor dos direitos da mostra para o Brasil, e pela Fundação Nelson Mandela. Apresentado pelo Governo do Estado do Ceará, conta com patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará e apoio do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, do Instituto Dragão do Mar e do escritório Aldairton Carvalho Sociedade de Advogados.

Serviço

Abertura Exposição “Mandela: de Prisioneiro a Presidente”
Data: 20 de junho de 2018
Hora: 10h
Local: Museu da Cultura Cearense – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema)
Visitações até 30 de julho, de terça a domingo, das 9h às 19h (acesso até as 18h30) e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30).
Acesso gratuito.

Com informações da Assessoria de Comunicação
Boa Notícia

Filme Construindo Pontes é o grande vencedor do 20º Fica, em Goiás

Por unanimidade, o filme Construindo Pontes foi o vencedor do 20º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), da Cidade de Goiás, com o Grande Prêmio Cora Coralina, no valor de R$ 100 mil.
Dirigido pela paranaense Heloísa Passos, com sensibilidade, o documentário de 73 minutos aborda o dualismo político a partir das posturas incisivas da própria diretora e de seu pai, Álvaro. “É uma imersão e uma entrega, onde estou atrás e na frente das câmeras com meu pai”, disse ela.
Com o filme Construindo Pontes, Heloísa Passos recebe os troféus Júri Jovem e o grande prêmio Cora Coralina para melhor obra do 20º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.
Construindo Pontes deu a Heloísa Passos o troféu Júri Jovem e o prêmio Cora Coralina para o melhor filme do 20º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. - Marcelo Camargo/Agência Brasil
A discussão do filme surge a partir de uma coleção de filmes em Super-8 com imagens das Setes Quedas, no Paraná, paraíso natural destruído no início dos anos 1980, para a construção da Usina de Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo.
Lembrar a construção da usina, realizada no auge do regime militar, desperta recordações de um passado imerso em autoritarismo político e econômico. Paralelo a isso, há conflitos de opinião da diretora e do seu pai conservador, diante da conturbada situação política do Brasil de hoje.
Veja aqui o trailler de Construindo Pontes e dos outros filmes da Mostra Competitiva.
O júri se comoveu com a coragem da diretora Heloísa Passos em expor uma relação pessoal, deixando evidente a urgência e necessidade de abrir diálogos, saber ouvir e não fugir de conflitos. “O filme propõe a reconciliação de uma família e talvez até de um país”, comentou o júri.
Para Heloísa, é uma película de descoberta cinematográfica e pessoal, a partir do momento em que ela se propõe a filmar na casa de seu pai, com duas câmeras e um gravador. “Eu descobri um pai generoso fazendo cinema com ele. Isso para mim é transformador porque é o tempo do cinema fazendo a gente olhar a vida dentro e fora da nossa casa”, disse. “A nossa demanda e a correria do dia a dia não nos permitem esse olhar, no cinema, você para pra isso”, observa.
Esse é o primeiro longa-metragem de Heloísa, mas ela já assumiu a direção em sete curtas-metragens, além de atuar como diretora de fotografia em mais de 25 longas.
Dualismo político
Para o cineasta João Batista de Andrade, membro do júri de premiação, o meio ambiente é muito presente no filme, já que uma das grandes discussões ambientais aborda as represas das usinas e de como essa política de geração de energia está inserida na questão ambiental. “E ali a política era a ditadura militar”, disse.
Andrade vê no documentário um retrato da situação política do Brasil de hoje “onde as pessoas não se entendem e onde a verdade de cada um é absoluta”. “É uma divisão que está na sociedade em geral, na opinião pública, mas está no lar, nas relações de irmão, de filho com pais, de gerações”, explicou.
Segundo o cineasta, o filme mostra que cada pessoa tem um histórico de relacionamento com o mundo e analisa as coisas de acordo com sua vivência. “Não há filme melhor para refletir o que acontece no Brasil de hoje e a necessidade de criar pontes e acabar com o absolutismo da visão de cada um”, afirmou. “O filme realmente merecia a premiação”.
Construindo Pontes também ganhou o Troféu do Júri Jovem do Fica, grupo composto por estudantes e representantes dos cursos das áreas de cinema e humanidades das universidades locais.
Para esse júri, a película é premiada por tratar da superação de conflitos pessoais, políticos e ambientais, que dependem da capacidade de combater a intolerância e construir diálogos em busca de uma sociedade mais justa e sustentável.
A diretora Heloísa Passos dedicou a premiação a todas as cineastas e produtoras goianas de cinema. Segundo ela, 74% da equipe do filme premiado no Fica são mulheres. “Nós, mulheres, já trabalhamos há muitos anos no setor do audiovisual, mas de um tempo para cá estamos tendo mais visibilidade. Também temos mais paridade nas comissões de fomento e curadoria, então mais projetos onde a mulher é protagonista e tem esse lugar de fala estão sendo selecionados”, disse.
O Fica foi realizado entre 5 e 10 de junho na Cidade de Goiás e recebeu 40 mil pessoas nos seis dias de programação. O festival é uma realização da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte do governo de Goiás.
Confira os outros filmes vencedores da Mostra Competitiva:
Troféu Carmo Bernardes, de melhor longa-metragem (R$ 50 mil)
O júri definiu como melhor longa-metragem o documentário Coros do Anoitecer, de Nika Saravanja e Alessandro d`Emilia, por se tratar de um olhar para a Amazônia totalmente inesperado. Num mundo dominado pelo visual, o som se revela um instrumento poderoso de preservação e resistência.O filme italiano trabalha a temática inusitada da devastação sonora da Amazônia e retrata a empreitada do compositor ecoacústico David Monacchi para registrar o som de ecossistemas da floresta.

Troféu Acary Passos, de melhor curta e média metragem (R$ 35 mil)
O júri premiou a animação Plantae, de Guilherme Gehr, pela estética deslumbrante aliada a um tema urgente, o desmatamento, construído por uma narrativa lúdica e envolvente.

Troféu João Bennio, de melhor filme goiano (R$ 50 mil)
O júri escolheu como melhor filme goiano o documentário Diriti de Bdè Burè, de Silvana Beline, por relacionar o presente com o passado para criar e pensar o futuro. O filme projeta luz sobre a vida de uma ceramista de bonecas do povo Karajá que luta pela preservação de sua língua e modo de fazer de seu povo.

Troféu José Petrillo, de segundo melhor filme goiano (R$ 35 mil)
Por lembrar da existência de uma humanidade que segue sonhando à margem, criando subjetividades, o documentário A viagem de Ícaro, de Kaco Olimpio e Larissa Fernandes, foi o escolhido pelo júri para essa premiação. O filme explora o território fantástico através de um catador de materiais recicláveis que sonha em voar.
Troféu Jesco Von Putkammer, de melhor filme escolhido pela imprensa
Penúmbria, de Eduardo Britto, escolhido pelos profissionais da imprensa que trabalharam no festival, também recebeu Menção Honrosa do júri. O grupo ficou provocado pela sofisticada narrativa que faz refletir sobre uma relação de amor e conflito entre o ser humano e a natureza. A obra conta a história da cidade fictícia que dá nome ao filme.

Troféu Luiz Gonzaga Soares, de melhor filme escolhido pelo júri popular (R$ 10 mil)
O curta-metragem de animação, Corp., de Pablo Polledri, recebeu as melhores avaliações do público que assistiu os filmes da Mostra Competitiva. Com uma narrativa que explora efeitos sonoros, o diretor mostra como uma corporação cresce às custas da exploração ambiental e humana.

O júri de premiação da Mostra Competitiva do Fica, neste ano, contou com Ailton Krenak, Fábio Moreira, João Batista de Andrade, Laís Bodanzky, Mário Branquinho, Susan Wrubel e Susanna Lira. A mostra, realizada no Cine Teatro São Joaquim e no Cine Cora Coralina, teve 22 filmes de oito países, sendo 10 produções nacionais e 11 produções estrangeiras. Ao todo, foram oferecidos R$ 280 mil em prêmios.
16ª Mostra ABD Cine Goiás
O Fica também recebeu a Mostra da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas de Goiás (ABD), que dá destaque a produções locais. Este ano, foram 20 obras de Goiânia, Anápolis e da Cidade de Goiás concorrendo a R$ 120 mil em prêmios, além de troféus e menções honrosas.
O destaques da mostra foi o filme A Piscina de Caíque, de Raphael Gustavo da Silva, que recebeu o Prêmio Beto Leão, de melhor filme de ficção. O filme foi premiado também com prêmios de melhor atriz, para Eliana Santos; melhor trilha sonora, para Thiago Camargo; e melhor roteiro e para Raphael Gustavo da Silva.
A obra mostra o reflexo das ações formativas que o Fica vem promovendo em suas 20 edições. O diretor conta que o roteiro foi trabalhado no laboratório de roteiro ABD, do Fica do ano passado.
O filme A Viagem de Ícaro, de Kako Olímpio e Larissa Fernandes, levou os prêmios de melhor ator, para Washington da Conceição, o Bazuka, e montagem/edição, para Luciano Evangelista.
Além do prêmio de melhor filme goiano na Mostra Competitiva, a produção Diriti de Bdè Burè também levou os prêmios da Mostra ABD de melhor som, para Sankirtana Dharma e Guile Martins, e direção de fotografia, para Matheus Leandro.
O documentário Kris Bronze, de Larry Machado, também foi premiado em duas categorias: Prêmio Eduardo Benfica, de melhor filme documentário, e melhor direção. Na trama, o celular é a ponte entre as duas realidades.
O prêmio de melhor direção de arte foi para Ursula Ramos, pelo média-metragem Hugo, dirigido pelo vilaboense Lázaro Ribeiro. Hugo mostra os últimos dias de Hugo de Carvalho Ramos, goiano, nascido no distrito de Santana da Cidade de Goiás.
O prêmio Fifi Cunha de melhor filme de animação foi para O Malabarista, dirigido por Iuri Moreno. A narrativa mostra o trânsito caótico da cidade e a rotina da malabarista que segue seu dia colorindo a cidade.
A Mostra ABD também entregou o Prêmio Martins Muniz de melhor filme experimental para o filme Sete Peles, de direção de Ana Simiema. A produção foi feita no estúdio da diretora, em sua casa, e foi lançado no último dia da mostra.
2° Mostra Saneago
Em seu segundo ano, a Mostra Saneago trouxe três obras temática sobre água. O júri foi composto pela produtora cultural e diretora do Instituto Icumam, Maria Abdalla e pelo professor e pesquisador Rafael Almeida. Foram selecionados documentários de três países: Brasil, Israel e Itália.
O vencedor do prêmio de R$ 30 mil foi o filme do diretor israelense Avi Belkin, Winding, a River Story, que explora o jogo entre sociedade, política e natureza para documentar a história do Rio Yarkon, em Israel. A obra incorpora uma pauta polêmica e extremamente atual: os conflitos entre Palestina e Israel.
Também foram exibidos o documentário Baía Urbana, de Ricardo Gomes, que mostra a Bahia de Guanabara, no Rio de Janeiro, em sua relação com os moradores da região, e a obra italiana Water Keepers, do diretor Giulio Squarci, que promove uma discussão política sobre a privatização e o senso de comunidade proporcionado pelo uso compartilhado de recursos naturais.
A equipe da Agência Brasil viajou a convite da organização do evento.