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Inspirado no Recôncavo, filme baiano resgata afetos e aponta literatura como refúgio

 por Jamile Amine

Inspirado no Recôncavo, filme baiano resgata afetos e aponta literatura como refúgio
Foto: Reprodução / Facebook

Nascido em Salvador, mas criado na região de Conceição do Almeida e Sapeaçu, o diretor e roteirista Dan Borges buscou inspiração nas lembranças da infância para rodar seu segundo filme, “Retirante Juvenil”, que tem estreia virtual neste domingo (27), a partir das 19h, seguida de um bate-papo com a equipe e o público (clique aqui para reservar ingresso). 


O média-metragem conta a história de Luce (Marina Torres), uma menina irrequieta que cresceu em uma fazenda junto com a irmã Dora (Camila Castro) e a mãe (Eliana Assumpção). Insatisfeita com a vida monótona do campo, além de abalada pela desestruturação da família e o abandono do pai, ela encontra refúgio e redenção nos livros apresentados pelo misterioso e sábio andarilho Alberto (Isaac Fiterman). “Ela tem um amigo no filme, que é aquele famoso velho do interior, contador de história. E ele é um cara muito viajado, conhece muito, também gosta de ler filosofia, gosta de poesia, esse tipo de coisa, então o refúgio dessa menininha é com esse senhor. Ela se isenta completamente da casa dela, que é onde tem uns problemas familiares, o pai abandonou, a mãe é meio traumatizada e chocada com o abandono, porque numa cidadezinha uma mulher que é abandonada pelo marido até hoje ainda é vista como uma largada. E aí a irmã mais velha que teve que assumir a casa e por causa desse estresse acaba descontando tudo nessa menininha”, detalha o diretor.

 

O filme é centrado na relação de uma menina com um velho andarilho, que conduz sua pupila pelo mundo da literatura e lhe estimula a ver o mundo por diferentes perspectivas | Foto: Reprodução / Facebook

 

Apesar de usar suas experiências como base para o enredo, o artista conta que a obra não foi inspirada em sua história pessoal, em si, mas no que presenciou e nas relações que mantinha na infância. “Como eu passei a minha juventude toda indo para o interior e passando vários dias na fazenda, eu tive o convívio com muitas pessoas que são de lá, que se você for relacionar, estão como personagens do filme. Não ninguém específico, mas, por exemplo, a menininha que nasceu no interior e detesta aquela vida monótona e queria vir para a cidade, porque lá nada acontece. É basicamente a personagem principal. Mas tem outras pessoas que são do contraponto, de pensar totalmente o oposto, que acham maravilhoso aquela vida calma e jamais iriam querer morar na cidade”, contextualiza Dan Borges.

 

O baiano explicou ainda que o média-metragem filmado nas fazendas e vilarejos da região onde cresceu se passa em uma cidade específica, mas propositalmente não citada de forma explícita na obra. A ideia de não delimitar uma “locação muito palpável”, segundo ele, se deu para que todo o Recôncavo e o interior, de forma geral, se identificassem com a história. Essa ideia de representatividade também pautaria a estreia, que precisou ser readaptada na quarentena. “A pandemia acabou com todos os nossos planos de lançamento, nossos planos físicos. A gente já tinha três sessões fechadas nos interiores, pra começar a exibir basicamente nos interiores. Já tinha uma sessão marcada na cidade da atriz, que é Alagoinhas; na própria cidade de Conceição do Almeida, no auditório da prefeitura; Sapeaçu também, numa escola. Tudo isso foi cancelado por conta da pandemia”, conta o diretor, lembrando que começou a escrever o roteiro no início de 2019 e só em fevereiro deste ano a equipe finalizou a obra, realizada de forma totalmente independente.

 

Apesar da mudança inesperada de rota, Dan avalia que o lançamento virtual não tem apenas pontos negativos. “É diferente, a gente como pessoas de público, de cinema, principalmente os atores que são de teatro e têm a paixão por esse contato com plateia, é um pouco decepcionante. Tem esse lado ruim, que a gente queria estar nesse calor da festa, do lançamento, mas também tem o lado bom, que é a possibilidade de maior alcance, online”, pondera o artista, que mesmo aceitando as imposições do momento, segue otimista quanto ao futuro e diz que pretende retomar a ideia inicial de circular pela Bahia. “A gente pretende fazer uma sessão [física] de alguma forma, ainda não planejamos. Talvez, dependendo até do possível sucesso do filme durante esse período em alguns festivais e no lançamento online, pode ser que a gente consiga fazer em algum momento. Mas está dentro do plano, a gente não desistiu não. Inclusive, essas sessões que a gente já tinha marcado e foram abortadas nos interiores, nós vamos voltar com elas. A gente pretende fazer uma mini turnezinha pelo Recôncavo, porque é um filme que é a cara deles, é a representação deles ali, e acho que vai ser muito bem recebido nessas cidades”, conta.

 

Com um diretor e roteirista que é também artista gráfico, o storyboard do filme se aproxima muito do elenco selecionado | Foto: Reprodução / Facebook

 

Profissional originalmente das áreas de design, ilustração e quadrinhos, Dan Borges revelou ainda que a experiência das artes visuais segue expressa em seu trabalho no audiovisual, iniciado a partir de 2012 com videoclipes de bandas baianas. Um exemplo bem claro dessa influência é a forma pela qual ele faz a escolha dos atores para suas produções, garimpando perfis na internet. “A questão de selecionar elenco, eu tenho um ponto meio louco na minha cabeça que ajuda e dificulta. Porque quando eu crio o personagem, eu já penso exatamente na imagem dele, até a voz já está construída na minha cabeça”, revela, atribuindo o comportamento ao costume dos quadrinhos. “Então, quando eu penso nesses personagens e depois vou procurar pessoas reais para colocar no lugar deles, tem que ser uma pessoa que se encaixe com aquilo que eu imaginei, senão eu não quero (risos). E isso é terrível, porque pra achar uma pessoa bem próxima pelo menos, se não for idêntica ao que eu imaginei, é difícil. Mas também quando eu acho, aí pronto, estou 100% satisfeito, só precisa que a pessoa seja bom ator, boa atriz, e graças a Deus todos foram”, diz o artista, revelando o fato curioso de que para “Retirante Juvenil”, o storyboard foi desenhado antes da seleção do elenco, mas acabou muito parecido com os atores escolhidos.

 

O resultado de tudo isso - memórias de infância, diferentes olhares sobre a vida no campo, além de afetos e reflexões por meio da literatura - poderá ser conferido nesto domingo (27), no Brasil e no mundo, durante a sessão online. 


Fonte: Bahia Notícias

Intrínseca sorteia fã para participar de bate-papo com Stephenie Meyer

O encontro reunirá a autora da saga ‘Crepúsculo’ com leitores de diversos países. Inscrições terminam no dia 04/08
Depois de mais de uma década de espera por um novo livro da saga Crepúsculo, um fã brasileiro de Edward e Bella terá a chance de participar de um bate-papo com Stephenie Meyer. A Intrínseca vai sortear um leitor que terá acesso exclusivo à uma videochamada com a autora e outros fãs ao redor do mundo, em um encontro que fará parte das celebrações do lançamento mundial de Sol da meia noite. O evento será inteiramente on-line, em inglês, sem tradução simultânea, no dia 18 de agosto, em horário a ser definido pela autora. Os interessados têm até o dia 4 de agosto – dia do lançamento mundial de Sol da meia-noite – para se inscreverem e o resultado será anunciado no mesmo dia. Para preencher o formulário e saber mais informações sobre o sorteio é só clicar aqui.

Via Publishnews 

Sony contrata escritor do Arrowverse para novo filme do universo de Homem-Aranha

Enquanto as séries do canal CW dentro do Arrowverse da DC irão ganhar mais um título no próximo ano, um dos responsáveis pelas produções agora irá se aventurar em um filme da rival Marvel. A Sony trouxe Marc Guggelheim para ser roteirista do longa dentro do universo do Homem-Aranha.
A produção deverá ser da Loteria, uma super-heroína que combate o crime simultaneamente à sua vida normal de cuidar da sua família. Seus poderes são superforça e resistência, ganhados após ser exposta a um lote radioativo em seu laboratório, quando estava grávida.
Imagem: Reprodução
A descoberta do que havia sido agraciada veio durante um desastre natural, no qual precisou utilizá-los para manter seus próximos seguros. A heroína atua no bairro do Brooklyn, com parceiras constantes com o Homem-Aranha nos quadrinhos.
Criador de séries como Arrow Legends of Tomorrow, Guggelheim já chegou a atuar em outros filmes de super-heróis, como X-Men Origens: Wolverine e Lanterna Verde. Ele também tem histórico com a heroína Loteria, uma vez que chegou a escrever quadrinhos dela para a Marvel Comics no passado.
A motivação de um filme da personagem teria vindo do sucesso de outro spin-off de Spiderman por parte da Sony: Venom. O novo longa ainda não tem data de estreia programada, mas a empresa se programou para lançar Venom 2 e Morbius em 2021.
Via TudoCelular

Filme - Além das Palavras

Além das Palavras (2017) – HD BluRay 720p e 1080p
Baseado na história de vida e no trabalho da grande poetisa americana Emily Dickinson (Cynthia Nixon), acompanhamos seu trajeto desde os primeiro dias como uma jovem estudante até seus últimos anos como uma artista reclusa e quase irreconhecida. Uma mulher tímida, mas com ótimo senso de humor e amizades intensas. Emily escrevia praticamente um poema por dia, porém, apenas parte da sua obra foi publicada em vida.

Além das Palavras, roteirizado e dirigido por Terence Davies, acompanha a biografia de uma das maiores poetisas americanas de todos os tempos. Narra com intenso vigor o período que vai da juventude de Emily Dickinson no internato até os seus últimos anos, vivendo como uma artista reclusa e ainda não reconhecida. O filme aborda as rejeições, repressões e paixões que influenciaram a trajetória da escritora, bem como os relacionamentos com sua família e outras pessoas que marcaram profundamente a sua alma e a sua obra.

PORTA DOS FUNDOS

Porta dos Fundos é bastante conhecido pela produção de vídeos de humor, especialmente no YouTube, onde possui mais de 16 milhões de inscritos, com mais de 5 bilhões e meio de visualizações, conforme consta em seu canal.
Via de regra, seus vídeos são inteligentes e bem humorados, capazes de nos proporcionar grandes risadas.
No final do ano de 2019, o Porta dos Fundos resolveu fazer um “Especial de Natal”, chamado de “A Primeira Tentação de Cristo”, em que retrata Jesus como gay.
Jesus vai à casa de seus pais, José e Maria, onde Deus se encontra, ocasião em que decidem contar que Jesus não é filho de José, é sim de Deus. Triângulo amoroso. Traição. Prostituição. São essas as temáticas abordadas pelo vídeo.
Eis o resumo da ópera.
A confusão se instalou no país.
Católicos e evangélicos, religiosos ou não, se insurgiram contra o vídeo, considerando-o ofensivo e desrespeitoso. Pediram a pronta intervenção da Justiça para proibir sua veiculação.
Houve ataque incendiário à produtora do programa.
A Justiça negou o pedido de proibição de veiculação do vídeo. Em Segunda Instância, a decisão foi cassada e foi determinada a proibição. O STF, por sua vez, cassou a decisão anterior, mantendo o vídeo.
Liberdade de expressão artística. Liberdade de pensamento. Liberdade religiosa. Proibição de censura. O litígio gira em torno desses princípios constitucionais.
Questões jurídicas à parte.
Fico me perguntando o que faz com que um programa com tantos seguidores e tanta audiência, cujos atores e atrizes são conhecidos e famosos, resolva satirizar - de uma forma debochada - com Deus, Jesus, Maria e José, figuras sagradas e tão caras à maioria dos brasileiros, dentre católicos e evangélicos. Mesmo para os muçulmanos, Jesus é um respeitável e iluminado profeta!
Não se trata aqui de liberdade artística, tampouco liberdade de crença. Nada disso. Se trata unicamente de respeito àquele que crê e ao que não crê.
Não se trata aqui de humor, de levar o público a gargalhadas. Nada disso. Se trata de tripudiar e debochar da crença do outro, ridicularizando o que lhe é sagrado.
Vivemos em um país livre, assegurada a plena liberdade em nossa Constituição, mas não podemos esquecer que nosso pleno direito e liberdade se esbarram no direito e na liberdade do outro.
Tudo na vida tem limites. No amor. Na paixão. Na deslealdade. Na desonra. Na tristeza. Na indecência. No humor também.
Que tal tentar fazer um humor sem ofender, sem tripudiar, sem escrachar com a fé do outro? A fé - no que for ou em quem for - é sagrada.
A fé desafia a ciência, não pode ser medida, vista ou comprada. A fé é simplesmente sentida.
Então, vamos respeitar.
Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

O que é verdade e o que é ficção no filme “Dois Papas”?

O filme de Fernando Meirelles já no início informa aos espectadores que foi baseado em eventos reais. No entanto, o filme deve ser entendido como uma peça de ficção

Aestreia de um dos filmes mais importantes relacionados a temas católicos em 2019 está dando o que falar.
O trabalho do diretor de cinema Fernando Meirelles e do roteirista Anthony McCarten (criador das histórias de Rapsody Bohemian Theory of Everything, entre outros) mergulha no final inesperado do pontificado de Bento XVI.
A abdicação do Papa em fevereiro de 2013 foi um evento sem precedentes na Igreja Católica por séculos. Tanto então como hoje causa uma série de debates, perguntas e teorias da conspiração. O desejo de enfrentar essas dúvidas foi provavelmente um fator importante na criação do filme.
No entanto, ao tentar responder aos muito questionamentos, devemos levar em consideração o que na trama do filme coincide com a realidade, o que só pode ser provável e quais eventos são uma ficção completa.
Funeral do Papa e dois conclaves
“Dois Papas” se concentra no duelo entre Anthony Hopkins (Bento XVI) e Jonathan Pryce (Cardeal Jorge Bergoglio e Francisco). A parte principal da história se passa no verão de 2012, quando o Papa Bento XVI comemora o sétimo ano de seu pontificado. A história remonta ainda a abril de 2005: o funeral de João Paulo II e o conclave que começou em 18 de abril de 2005.
No segundo dia, o Papa Bento XVI foi eleito. No filme, também vemos o anúncio público da abdicação de Bento XVI durante um evento no Vaticano em 11 de fevereiro de 2013, e o conclave de 12 a 13 de março de 2013, que terminou com a eleição de Francisco.
Todos esses eventos, como a realização do conclave, e até os possíveis perfis dos chamados Papabili, ou possíveis candidatos ao cargo de Bispo de Roma em 2005 e 2013, foram fielmente representados no filme.
Com a precisão de uma crônica, o filme retratou até pequenos detalhes como, por exemplo, as mangas do suéter preto que se projetam abaixo da batina papal de Bento XVI durante a primeira bênção do balcão da Basílica de São Pedro, em 19 de abril de 2005, ou a primeira bênção de Francisco em 13 de março de 2013, durante a qual ele apareceu sem a capa vermelha e sem os sapatos papais, e mantendo a sua cruz episcopal no peito. Também é verdade o conteúdo da breve saudação que Francisco deu em italiano, começando com o famoso “boa noite!”
A trama argentina e o padre Maciel
As memórias mais antigas do personagem do Papa Francisco remontam à década de 1950. Nesse ponto, os produtores do filme provavelmente foram guiados pela biografia “Francisco – Vida e revolução”, de Elisabetta Piqué (publicada na Polônia em 2016).
O livro afirma que, antes de ingressar no noviciado jesuíta, o futuro papa namorou uma garota e chegou a planejar pedi-la em casamento. Mas a vocação sacerdotal falou mais forte, evento que foi retratado quando o personagem entra em uma igreja ao caminhar pelas ruas de Buenos Aires.
A história também mostra o jovem Jorge Bergoglio trabalhando num laboratório de química. Sua chefe era Esther Ballestrino. A mulher que permaneceu amiga do padre Bergoglio por anos se tornou vítima da sangrenta ditadura militar do general Jorge Videla, que governou a Argentina na segunda metade da década de 1970 e no início da década de 1980.
A cena retratada no filme, quando o futuro papa ajuda Ballestrino a se esconder e também aos livros que ela carregava, corresponde à realidade. Também corresponde à verdade o trágico destino de Ballestrino, morta pela ditadura militar.
Os motivos relacionados à “guerra suja” na Argentina (repressão em massa da ditadura militar contra a oposição e os estudantes) constituem uma parte importante da retrospectiva da trama de “Dois Papas”.
Os produtores mostraram que isso poderia ter sido uma fonte de tormentos para o cardeal Bergoglio já em 2012. No filme, em conversa com Bento XVI, o personagem admite que, como provincial dos jesuítas argentinos (ele desempenhou essa função de 1973 a 1979), suas medidas teriam sido insuficientes para defender da perseguição vários membros de sua congregação religiosa.
Os personagens reais mostrados no filme, nesse contexto, são os padres Orlando Yorio e Franz Jalics, em missões jesuítas em favelas perto de Buenos Aires. Eles foram sequestrados por esquadrões da morte militares e torturados.
O roteiro sugere que o padre Bergoglio ordenou o fim missão e expulsou os dois jesuítas da congregação. Essa sequência de eventos é real. Os clérigos, depois de terem sido presos, foram forçados a emigrar e expulsos da ordem. Mas foi isso justamente que permitiu salvar suas vidas.
O filme mostra os esforços que o padre Bergoglio fez para salvar o clero e todos os perseguidos entrando em contato com membros da junta militar quando necessário.
A cena representada no filme não contradiz a situação real, pois o padre Jalics, depois de muitos anos, celebra a missa com o futuro papa e ambos trocam o sinal da paz.
Autêntica é também a cena que retrata o cardeal Bergoglio falando para Bento XVI que o outro jesuíta passou o resto de sua vida acusando-o de tê-lo protegido insuficientemente da repressão.
Fake news em “Dois Papas”
O diretor e roteirista reproduziram no filme as notícias falsas que circularam pelo mundo logo após a eleição de Francisco. Naquela época, apareceram na mídia fotos que mostravam Bergoglio dando a comunhão ao general Videla.
Na verdade, no entanto, era outro bispo argentino ao lado de Videla, pois nos anos setenta Bergoglio não era ainda nem bispo.
Por fim, as passagens da trama argentina não correspondem às fontes biográficas. Elas sugerem que, após a queda da ditadura em 1983, o padre Bergoglio teria sido demitido do cargo de provincial jesuíta.
O filme sugere que isso teria sido um castigo pela suposta cooperação com o regime, e o próprio padre Bergoglio teria ido para uma espécie de “exílio” para uma província distante.
No entanto, Bergoglio terminou seu mandato conforme prescrito pelos estatutos de sua congregação e depois tornou-se reitor da Faculdade de Teologia da Universidade de San Miguel. Nos anos 80, ele também ficou brevemente na Irlanda e na Alemanha Ocidental.
Talvez essas cenas tenham sido destacadas no roteiro como forma de humanizar os personagens, evidenciando que eles cometem erros, têm dúvidas e quedas.
Nesse contexto, durante a confissão de Bento XVI diante do cardeal Bergoglio, aparece a história do padre Marcial Maciel, fundador da Congregação dos Legionários de Cristo, que teve uma vida dupla e abusou de menores. O personagem de Bento XVI menciona esse caso com pesar, como se fosse um pecado de omissão do Papa.
No entanto, à luz dos documentos reais, o Vaticano acolheu as acusações contra o padre Marcial Maciel. Foi o próprio Bento XVI, um ano após o início de seu pontificado, que retirou Maciel do serviço sacramental e o sancionou à penitência perpétua.
Reuniões que não existiram
O elemento central do roteiro de “Dois Papas” – a reunião do cardeal Bergoglio com Bento XVI na residência papal de verão em Castel Gandolfo, no verão de 2012, é apenas ficção cinematográfica.
Não há fontes que confirmem a viagem do cardeal Bergoglio à Itália para encontrar o Papa e enviar um pedido por escrito de aposentadoria. O cardeal Bergoglio, assim como qualquer outro bispo, não precisaria executar ações tão complexas.
O Código de Direito Canônico normatiza a renúncia de bispos e cardeais aos 75 anos de idade. Se o bispo estiver com boa saúde, ele poderá continuar a servir na diocese, até que se defina o substituto.
O cardeal Bergoglio atingiu a idade de aposentadoria em 2011, por isso não era necessário que ele fosse ao Vaticano em 2012 com um pedido de renúncia. Então, até ser eleito Papa em 2013, ele manteve o cargo de arcebispo de Buenos Aires.
Também não há razão para dizer que Bento XVI queria, como mostra o filme, entregar o ofício papal ao cardeal Bergoglio. Essa teoria se baseou no fato amplamente conhecido de que o futuro Papa Francisco já era um dos Papabili no conclave de 2005. Bento XVI, que renunciou e seguiu para Castel Gandolfo em 28 de fevereiro de 2013, não influenciou o curso do conclave. Nem sequer participou das discussões sobre a eleição do futuro Papa.
Vatileaks
O filme “Dois Papas” mostra a eclosão do escândalo Vatileaks no início de 2012: o vazamento de documentos secretos supostamente pelo mordomo papal, Paolo Gabriele.
O filme indica claramente que os efeitos do escândalo podem ter influenciado a decisão do Papa de renunciar. No entanto, ainda estamos nos movendo aqui na esfera das especulações, pois o próprio Bento XVI não confirmou publicamente tais razões para sua decisão de fevereiro de 2013.
Portanto, o diretor criou as conversas conjuntas entre Bento XVI e seu sucessor nos aposentos e jardins de Castel Gandolfo. No entanto, elas foram baseadas em vários fatos. Por exemplo, é verdade que Bento XVI toca piano e que Francisco é fã de futebol e de tango.
O filme também lembra, com razão, que no estúdio Abbey Road foi lançado um álbum com a participação do Papa Bento XVI. Mas o álbum traz apenas fragmentos do Papa recitando orações e ladainhas em 5 idiomas.
As conversas de Bento XVI e do cardeal Bergoglio na Capela Sistina também são fictícias, assim como as reuniões subsequentes entre os dois, como na final da Copa do Mundo entre Argentina e Alemanha.
Oposição entre personagens
Vale a pena prestar atenção na tensão entre os personagens interpretados por Anthony Hopkins e Jonathan Pryce.
O contexto da reminiscência do conclave de 2005 e as longas conversas mantidas no filme pelos dois líderes sugerem que, depois de 2005, o cardeal Bergoglio seria o principal centro de uma espécie de “oposição” na Igreja ao pontificado de Bento XVI, ou até mesmo um crítico fervoroso do pontificado de Joseph Ratzinger.
Isso não é verdade. O argentino nunca criticou Bento XVI, nem o acusou de conservadorismo. Já tivemos a oportunidade de aprender as diferenças de mentalidade, estilo de comunicação e prática pastoral de ambos os papas desde 2013, mas o filme apresenta aqui teses muito radicais e divergentes.
Apesar dos comentários anteriores, o trabalho de Meirelles e McCarten certamente pode contribuir para o interesse renovado do público tanto pelo caráter como pelos ensinamentos dos papas Francisco e Bento XVI.
Aleteia

Filme sobre a tragédia em Mariana é exibido no Canal Brasil

Exibição do longa de Walter Salles será na data em que se completam quatro anos do desastre ambiental

No dia 5 de novembro de 2015, ocorria a maior tragédia socioambiental da história do Brasil, até aquela data:  o rompimento da barragem da Samarco sobre vários povoados de Minas Gerais. Um rio de lama varreu vilarejos como Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, no entorno de Mariana, e espalhou-se por mais de 600 km, destruindo o ecossistema do Rio Doce e deixando centenas de desabrigados, 19 mortos e uma pessoa desaparecida.
Para relembrar os quatro anos da tragédia, o Canal Brasil exibe, dia 5, às 21h50, o inédito “Quando a terra treme”, curta de ficção dirigido por Walter Salles.
Produzido pela VideoFilmes e rodado no local do desastre em 2017, “Quando a terra treme” faz parte de “Where has time gone?”, filme coletivo produzido pelo cineasta chinês Jia Zhang-ke, exibido na Mostra São Paulo em 2017, que conta ainda com curtas da Rússia, Índia, África do Sul e China. O longa-metragem foi selecionado por mais de vinte festivais internacionais e lançado em diversos países do mundo.
“Quando Jia Zhangke me convidou para realizar um curta que fosse um retrato do nosso tempo, no Brasil, pensei imediatamente no rompimento da barragem de Mariana”, diz Walter Salles. “Não era somente o maior crime ambiental da história do pais, mas também um retrato da gritante impunidade brasileira. Vidas foram ceifadas, vilarejos destruídos, e milhares de pessoas perdiam ali a relação de pertencimento com o local onde moravam. Pensamos nas memórias soterradas pela tragédia, nos laços de afeto que se desfaziam brutalmente, naquelas vidas que seriam modificadas para sempre. O fato de que um corpo nunca foi encontrado nos permitiu construir a ideia central de “Quando a Terra Treme”:  numa família de três pessoas profundamente unidas, o que acontece quando uma delas desaparece na tragédia?  O filme fala de um tema que reverbera em longas que realizei, a ausência da figura paterna, mas aborda também outros:  o tempo cura, ou não, a ausência de alguém?  “Quando a Terra Treme” fala de dor, mas também de saudade e esperança”, complementa o diretor.
A atriz Maeve Jinkings, no papel principal, vive Luciana, professora que após perder tudo no rompimento da barragem e ter seu marido na lista de desaparecidos, tenta superar o trauma ao lado do filho Guto, que ainda guarda esperanças em ter o pai de volta. Dia após dia, Luciana e Guto tentam se adaptar às condições adversas de uma vida pós-desastre, nutrindo expectativas e desejos diferentes, e que os mantêm vivos. Sozinhos e habitantes de uma terra arrasada, eles precisam reaprender a viver do zero, e usar a dor para curar a dor.
“Construir Luciana foi além de qualquer experiência prévia.  Ali eu conheci a tragédia, o absurdo.  Diante da destruição, nos apoiamos nos relatos orais dos sobreviventes. Muitos estavam deprimidos. Diante da imaterialidade de suas antigas vidas, a memória era uma forma de resgatar suas identidades. Imagine um município ser em grande parte destruído, de um dia pro outro, e todas as suas referências afetivas, suas paisagens, sua rotina, virarem lama e ruína em poucas horas?”, relembra Maeve.
O vasto material gravado por Walter Salles e sua equipe, que serviu de pesquisa para alimentar o roteiro de Gabriela Amaral  Almeida, rendeu também o documentário “Vozes de  Paracatu e Bento”, que reúne depoimentos dos habitantes de Paracatu e de Bento Rodrigues.
“Quando a Terra Treme” foi realizado de forma coletiva.  Tivemos a sorte de contar com dois atores extraordinários, Maeve Jinkings e Rômulo Braga, e com não-atores que haviam vivido nos vilarejos atingidos, e conheciam aqueles eventos como ninguém.  Realizei “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta” buscando essa alquimia, mas no caso de “Quando a Terra Treme”, os não-atores não só nos guiaram, mas nos inspiraram constantemente.  Ficamos tão marcados pelas pessoas que conhecemos, que acabamos rodando um documentário reunindo depoimentos dos atingidos de Paracatu, onde filmamos, e Bento Rodrigues.  Para deixar uma memória oral da tragédia, na voz daquelas pessoas cujas vidas foram violentamente alteradas. Paula, Tcharle, Romeu…..cada relato ecoava mais fortemente do que os outros”, conclui Walter Salles.
“Vozes de Paracatu e Bento” foi exibido na GloboNews em  agosto de 2018, e realizado em parceria com a emissora. Em junho de 2019, ficou entre os 3 finalistas do “One World Media Awards”, prêmio jornalístico que distingue documentários sobre questões ambientais na Inglaterra.
“Não se fala mais dos sobreviventes de Mariana. Suas tragédias foram soterradas por outros horrores dos últimos quatro anos de Brasil. E veio em 2019 o rompimento da barragem de Brumadinho, o maior acidente humano e ambiental da história do nosso país. Uma tragédia exaustivamente anunciada. Me pareceu incompreensível ver aquilo acontecer, todos os depoimentos repetidos, como se tudo dito e gritado em 2015 não tivesse som. Como se a narrativa do absurdo estivesse ainda lá, presa debaixo de lama”, lamenta Maeve Jinkings.
Serviço:
QUANDO A TERRA TREME (26’)
Exibição: Canal Brasil
Data e Horário: dia 5 de novembro às 21h50
Fonte: cosmonerd

Quem precisa estudar Literatura deveria assistir estes 5 filmes na Netflix

"12 Anos de Escravidão" e mais filmes para os amantes de Literatura que estão na Netflix
"12 Anos de Escravidão" e mais filmes para os amantes de Literatura que estão na Netflix
A Netflix sempre apresentou um conteúdo bem diversificado para os usuários e coloca séries e filmes de todos os assuntos em seu catálogo. E vocês pensaram mesmo que os fãs de Literatura ficariam de fora? Claro que não! Pensando nisto, o Purebreak decidiu fazer uma listinha de tramas para os bons e velhos amantes de Literatura!
Aqui nós temos um monte de amantes de séries e filmes, mas é claro que temos a galera dos livros também! E todo fã da boa e velha Literatura também tem o direito de ver alguma obra sendo adaptada ou até mesmo do assunto ser abordado nas telinhas e telonas. Pensando nisto, pensamos em separar estes cinco filmes sobre o gênero que estão disponíveis na Netflix e podem te ajudar a estudar! Vamos lá?

1- "A Livraria"

Este filme é de 2017 e conta a história da viúva Florence Green (Emily Mortimer), que chega a um vilarejo na Inglaterra, em 1950, com objetivo de abrir uma livraria. O problema é que pessoas poderosas são contra a decisão e o preconceito pela leitura é mostrado.

2- "O Mestre dos Gênios"

Thomas Wolfe (Jude Law) escreve de forma correta e excessiva, além de ser uma pessoa bem eufórica. O cara vai à casa do editor Max Perkins (Colin Firth), que dá aquela clareada nas ideias de vários nomes importantes da Literatura, como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald. Claro que vai sair coisa boa daí, né?

3- "Walt Disney nos bastidores de Mary Poppins"

Inspirado em uma história real, Walt Disney é retratado por Tom Hanks e tem um verdadeiro trabalho para conseguir que a autora de "Mary Poppins", Pamela Lyndon Travers (Emma Thompson), venda os direitos da obra para ele transformar em um filme. Walt passou 20 anos insistindo, afirmando que não queria que os personagens acabassem distorcidos em Hollywood. Parece que deu certo, né?

4- "Cidade de Deus"

Clássico da Literatura brasileira, baseado na história de Paulo Lins. Conta a história da Cidade de Deus, mostra o cotidiano violento dos moradores e o crescimento do crime organizado no local.

5- "12 Anos de Escravidão"

O ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2014 mostra a vida de Northup, negro liberto no século XIX e que se vê capturado e vendido como escravo. A jornada enfrentada nos doze anos em que ficou escravizado mostra bem a realidade do que aconteceu naquela época - e que ainda vemos muitos reflexos e cicatrizes até hoje.


Fonte: https://www.purebreak.com.br

'Bacurau' não é sobre o presente, mas o futuro

O resultado do filme é uma projeção bastante lúcida de um cenário cada vez mais possível.
Cena do filme 'Bacurau', de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.
Cena do filme 'Bacurau', de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. (Divulgação)

Assim como Aquarius, a recepção de Bacurau parece comprometida pela expectativa, compartilhada por apoiadores e críticos, de que o filme seja uma análise da conjuntura presente. No caso de Bacurau, a confusão começa já na questão sobre o registro em que devemos lê-lo. A suposta influência de Tarantino é enganosa: não se trata de uma película ao estilo do diretor americano, mas que explora um gênero cultivado por ele e Robert Rodriguez – algo que poderíamos descrever como filme B de fantasia de vingança coletiva. Bacurau não seria, assim, uma tentativa de copiar, mas de fazer a mesma coisa por outros meios, com referências predominantemente não-hollywoodianas:
Punishment Park (Peter Watkins), The wicker man (Robin Hardy) e Brasil ano 2000 (Walter Lima Jr.), para arriscar algumas. É quando o lemos como filme de gênero que vários traços do filme, como sua violência estilizada, começam a fazer sentido.
O que Tarantino descobriu a partir de Death proof é que aderir às convenções do filme B lhe permitia ser maniqueísta e didático ao falar de política. Há, claro, uma grande ironia aí: em tempos em que o próprio fim do mundo pode ser assistido com distanciamento irônico, é como se só o distanciamento propiciado pelo artifício e o absurdo nos desse o direito de ir direto ao ponto. Dito de outro modo, é como se a condição necessária para dizer a verdade sem rodeios – e nada é mais verdadeiro que uma fantasia de vingança – fosse a inverossimilhança. Porque a verdade, no fim, está menos na caracterização dos personagens ou na plausibilidade da trama que na catarse que o filme provoca ao realizar na tela uma fantasia de vingança – de mulheres, em Death proof; judeus, em Bastardos inglórios; negros, em Django livre e Os oito odiados; e latinos, em Machete.
Sob este aspecto, acusar de didatismo uma cena como aquela em que os estrangeiros humilham os paulistas que os levam à Bacurau é não entender a piada. O esquematismo e a falta de sutileza não estão ali a serviço da mensagem, mas do efeito catártico que a cena proporciona: a vingança é um prato que se come lambuzando-se. Não por acaso, a cena parece ter incomodado especialmente os críticos do sudeste – o que sem dúvida só faz aumentar o prazer que o público nordestino pode extrair dela.
De onde vem a violência?
Mas se Bacurau é uma fantasia de vingança, quem são os vingados? Reduzir o filme a uma revanche do #elenão é a leitura mais superficial que se pode fazer, seja contra ou a favor. Tampouco podemos dizer que trata apenas dos nordestinos ou sertanejos. Basta projetar sobre o filme um pouco de economia política, porém, e ele se torna bem menos metafórico e bem mais literal. A violência que o filme vinga – passada, presente e futura – é aquela que existe nas fronteiras do capitalismo e do Estado. É a violência a que estão expostos aqueles que, sem nunca serem incluídos por completo nem nos serviços públicos nem no mercado, podem a qualquer momento se tornar objetos do poder político ou do interesse econômico.
É a violência que ronda os “involuntários da pátria”, na expressão certeira de Eduardo Viveiros de Castro: indígenas acossados pela fronteira extrativa, camponeses cercados por posseiros e jagunços, favelados ameaçados pela especulação imobiliária, pela polícia, pela milícia. É a violência através da qual o sistema capitalista se expande e se defende; aquela que se manifesta na busca por mão-de-obra e natureza baratas, nos processos de acumulação primitiva e na gestão das populações “excedentes” (leia-se: desprovidas de funcionalidade econômica). Esta violência não é uma metáfora; ela está acontecendo neste exato momento em alguma terra indígena, periferia ou fronteira que, de um ponto mais central das redes que dela se alimentam, nós não vemos ou preferimos não ver.
A transformação de Bacurau numa zona de caça para turistas, mediada pela elite local (o prefeito) e nacional (os paulistas), não é, assim, uma alegoria do imperialismo tirada de alguma cartilha dos anos 60, mas outra coisa. O que o filme faz é tomar um traço do presente e estendê-lo até o futuro – que é, afinal, onde ele se passa. O resultado é a projeção bastante lúcida de um cenário cada vez mais possível, em que as fronteiras e a violência que as acompanha proliferam e podem aparecer em (quase) qualquer lugar a qualquer hora. Em que há cada vez mais bolsões de pessoas deixadas às margens, sem acesso aos benefícios do desenvolvimento, mas sempre sujeitas a terem uma última gota de rentabilidade extraída de si (o abastecimento de água cortado, o safári humano como serviço de luxo). Em que as populações “excedentes” se tornaram tão numerosas que seu manejo é feito ao ar livre, em execuções em massa exibidas pela televisão. Em que extrativismo e exterminismo finalmente tornaram-se inteiramente reversíveis.
Quem viu os discursos de Donald Trump e Jair Bolsonaro na ONU reconhecerá este cenário. O negacionismo climático não é burrice, mas a aposta de setores que já assumiram que a manutenção de suas condições atuais de vida tornou-se incompatível com a sobrevivência da grande maioria. O antiglobalismo não é um desvario, mas a justificativa ideológica de quem já percebeu que, sem uma correção radical de rumo – justamente o que eles querem evitar –, o capitalismo não dá mais para todo mundo.
O resultado disso só pode ser, de um lado, o caos crescente causado pela crise ambiental, pela extinção de qualquer rede de proteção social, pela automação do trabalho e pelo empreendedorismo predatório; e, de outro, a formação de enclaves fortemente protegidos. Morador da Barra da Tijuca, Bolsonaro pode, pelo menos nesse sentido, dizer que vem do futuro.
Famosamente, Michel Foucault chamou de “biopolítica” um acordo tácito entre governantes e governados estabelecido a partir do século 18. Em troca de potencializar a utilidade econômica dos governados, os governantes assumiam o dever de fazer viver (através de políticas de saúde, seguridade, legislação trabalhista...), reservando para ocasiões extraordinárias o direito de deixar ou fazer morrer. Esta biopolítica sempre foi inseparável, nas suas fronteiras, de uma violência letal: para que algumas populações vivessem dentro de certos parâmetros, era preciso que outras fossem exploradas até à morte. O nazismo apenas levou esta lógica às últimas consequências.
O cenário que Bacurau e a extrema direita mundial projetam aponta para a dissolução deste pacto e uma virada abertamente necropolítica do capitalismo. Num mundo de concentração de renda astronômica, degradação ambiental crescente, recursos cada vez mais escassos e aumento das populações excedentes – desempregados estruturais, refugiados climáticos, população carceral –, o Estado tende a eximir-se da responsabilidade de fazer viver e a privatizar – para empresas de segurança, “empreendedores” e “cidadãos de bem” – o direito soberano de fazer morrer. Vista assim, a combinação de ultraliberalismo e culto da violência de Trump e Bolsonaro faz perfeito sentido.
Se Bacurau pretendia ser uma previsão do futuro próximo, aliás, aí está seu maior deslize. Na figura de Tony Jr., o típico político moderno filho do latifundiário local, Bacurau parecia apostar que quem se beneficiaria da crise econômica e política seria a direita liberal que historicamente cumpre no Brasil a função de ser o lado civilizado da família dos coronéis e senhores de escravos. Como muita gente, Kleber Mendonça não foi capaz de imaginar que, não achando um candidato viável entre o quadro de sócios do Country Club, a elite brasileira optaria por botar o capataz da fazenda na presidência.
Vá na paz?
Em Bastardos inglórios, Tarantino inclui uma cena (o assassinato de Hitler) cuja função é lembrar-nos que aquilo é só uma fantasia. A droga que os moradores tomam em Bacurau talvez também deva ser interpretada assim. A catarse é um poderoso psicotrópico e cria um sentimento de comunhão inclusive com gente com quem há pouco em comum: muitos daqueles que se identificaram com Bacurau talvez defendessem em outras oportunidades a necessidade de uma aliança com Tony Jr. Passados os efeitos da droga, porém, continuamos no mesmo lugar. Como sair? É neste ponto que o filme foi mais criticado, a violência dos personagens sendo entendida como um apelo à radicalização num momento em que seria preciso desarmar a polarização política. Mas enquanto a questão se resumir a “é preciso radicalizar ou deve-se dialogar com o centro?”, o problema estará mal colocado.
Primeiro, porque carece de conteúdo concreto. Radicalizar como? Em relação a quê? Dialogar sobre o quê? Em quais bases? Com qual centro? É isto que falta responder. Segundo, porque parece supor que sair da polarização envolveria tirar a média aritmética dos extremos existentes. Mas quando os extremos são o reformismo fraco do PT e a terraplanagem bolsonarista, o meio-termo fatalmente estará bem aquém do necessário. O erro implícito aí é, terceiro, tratar centro e extremos como coordenadas que estão dadas, quando o objetivo da política é justamente transformar as coordenadas – ou, como entendeu o ideólogo conservador Joseph Overton, fazer com que o centro se desloque em nossa direção. É exatamente isso que a extrema direita tem sabido fazer, e não foi com “bom senso” que eles ocuparam esse lugar.
Quarto, porque supõe que bom senso era o centro do debate político tal como este existia até alguns anos atrás, e que é a este centro que deveríamos voltar, contra extremos irreais. O que este realismo não entende é que as condições materiais e políticas para aquele consenso deixaram de existir: não há retorno possível. O único caminho possível hoje é na direção de redefinir o centro, criar um novo consenso – e, novamente, foi a extrema direita quem entendeu isso primeiro, mas para propor um projeto que é sustentável apenas para os muito poucos. Por último, o problema é mal posto porque, como a menina Greta Thunberg tem mostrado, diante de questões como o aquecimento global ou o futuro que a extrema direita prepara, não há mais tempo ou espaço para soluções de compromisso: ou diz-se um não definitivo à barbárie, ou não se está dizendo rigorosamente nada. A este não ainda é preciso, sem dúvida, dar a forma concreta de programas, propostas, ações. Mas ou se faz isso ou não se faz nada: fingir que tudo pode continuar como está é a posição menos realista a essa altura.

El País, 06-10-2019.
Rodrigo Guimarães Nunes, professor de filosofia moderna e contemporânea na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e autor de Organisation of the Organisationless: Collective Action after Networks.

Privacidade Hackeada: Documentário que revela o mundo sombrio da exploração dos dados; Assista ao trailer

poster Privacidade Hackeada Torrent
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Título Traduzido: Privacidade Hackeada Torrent

Título Original: The Great Hack
Gênero: Documentário
Lançamento: 2019
Duração: 1h 54 Min.

SINOPSE: O bem mais precioso do mundo atual não é mais petróleo, são os dados. Eles se transformaram em uma arma, usada em guerras culturais e políticas. Pessoas no mundo todo disputam o controle das nossas informações mais íntimas. Com incrível acesso às jornadas de personagens-chave em todos os lados do escândalo envolvendo a Cambridge Analytica e o Facebook, Privacidade Hackeada revela o mundo sombrio da exploração desses dados.



O Maior Presente: Filme sobre o poder do perdão estreia no Brasil



(ACI).- Com uma temática sobre o poder do perdão e a mudança que este provoca na vida das pessoas, o filme “O Maior Presente”, do diretor Juan Manuel Cotelo, estreia no Brasil no dia 19 de setembro e, quem quiser assisti-lo em sua cidade, pode solicitar no site de ‘Coragem Distribuidora’, que trouxe o longa para o país.
A obra conta a história do diretor de um filme de velho oeste (Juan Manuel Cotelo), que quer mudar o final do roteiro. Em vez de dirigir uma clássica história de vingança, ele deseja propor um final diferente, de reconciliação. Entretanto, para convencer o elenco, deverá provar que esse final feliz é possível na vida real.
Nesse sentido, o diretor, que também é jornalista, viajará por diferentes países procurando entrevistar pessoas que, apesar de terem sofrido experiências muito dolorosas, tenham conseguido fechar suas histórias em paz e com o perdão.
Assim, a ficção se mistura com diversos depoimentos reais de pessoas que viveram o perdão, entre as quais, sobreviventes de atentados, ex-paramilitares, casais separados e reconciliados. Para isso, Cotelo, junto com sua produtora Infinito +1, dedicou quatro anos, recolhendo testemunhos na França, Espanha, Irlanda, México, Colômbia e até mesmo Em Ruanda, onde há pouco mais de 20 anos um genocídio acabou com cerca de um milhão de vidas.
Em entrevista a EWTN Noticias / Grupo ACI em novembro de 2018 sobre o filme “O Maior Presente”, Cotelo afirmou que “já estamos saturados, estamos fartos, ao menos eu estou, de ver como a ética que muitas vezes se propôs no cinema é a vingança. Isso, levado à vida real, não funciona”.
“Por que fazer um filme sobre perdão? Porque é verdadeiro, porque é positivo, porque cura, porque é uma esperança fundada nos fatos reais”, assinalou.
Nesse sentido, afirmou acreditar que “já é hora de começar a promover a sério os finais felizes em nossa sociedade”.
Juan Manuel Cotelo é também diretor do filme “Terra de Maria”, que fez sucesso nos cinemas brasileiros em 2015.
Desta vez, para arrecadar todo recurso necessário para esta produção, foi adotado o sistema de financiamento coletivo, crowdfunding,e em apenas 40 dias todo o dinheiro havia sido arrecadado. Foram mais de 1400 benfeitores de 35 países e, dessa maneira, ficou em quarto lugar como “a produção de maior arrecadação de benfeitores” na história do cinema da Espanha.
“O Maior Presente” já foi lançado em 18 países em 2018 e, neste ano, ainda estreia em mais 10 países. Chega ao Brasil em 19 de setembro, na rede Cinemark, trazido por Coragem Distribuidora. 
Conforme explica a distribuidora, “dependendo da procura, o longa poderá continuar mais tempo em cartaz e ampliar o circuito de cidades e cinemas”.
Para isso, disponibilizou um site por meio do qual os espectadores podem solicitar a exibição de “O Maior Presente” em sua cidade: http://www.coragemdistribuidora.com.br .

Uglydolls: Filme de animação mostra que não é preciso ser perfeito para ser incrível. Assista ao trailer!



Baixar Uglydolls (2019) Dublado via Torrent



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Título do Filme: Uglydolls
Gênero: Animação, Comédia, Família, Aventura, Fantasia
Ano de Lançamento: 2019
Duração: 1h 27Min.
SINOPSEOs UglyDolls Moxy, Wage, Babo, Ice-Bat e Wedgehead rumam ao Instituto da Perfeição com o desejo de serem amados mesmo sendo diferentes. Subvertendo a ideia do feio como um adjetivo negativo, a animação mostra que não é preciso ser perfeito para ser incrível e que os defeitos são parte de quem somos.

Documentário de Martin Scorsese sobre Bob Dylan ganha primeiro trailer

Além do próprio Bob Dylan, o elenco do filme conta com Sharon Stone, Patti Smith, Joni Mitchell e Sam Shepard.
O filme se centrará na famosa turnê Rolling Thunder Revue.
O filme se centrará na famosa turnê Rolling Thunder Revue. (AFP Photo)

O novo documentário do cineasta Martin Scorsese sobre Bob Dylan ganhou o primeiro trailer nesta segunda-feira, 3, e data de estreia na Netflix para 12 de junho. A produção foi anunciada em janeiro deste ano.

Em 2005, o produtor de cinema havia lançado No Direction Home, documentário que explorava a polêmica transição de Dylan do folk acústico para o rock e o som elétrico no meio dos anos 1960.

Desta vez, o filme se centrará na famosa turnê Rolling Thunder Revue, realizada pelo cantor entre os anos 1975 e 1976 pelos Estados Unidos e Canadá.

Sob o título de Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese, a plataforma de streaming afirma que a produção "captura o espírito perturbador dos Estados Unidos de 1975 e a música alegre que Bob Dylan tocou no outono daquele ano."

Além do próprio Bob Dylan, o elenco do filme conta com Sharon Stone, Patti Smith, Joni Mitchell e Sam Shepard. Confira abaixo o trailer do documentário:


Agência Estado

"Sem Palavras": Filme mostra a aprender tudo de novo, aprender a ser um novo homem

SINOPSE E DETALHES
Sem Palavras
Para o respeitado empresário Alain (Fabrice Luchini), tempo é dinheiro, e os negócios são o mais importante em sua vida. Um dia, ele sofre um grave AVC, ficando com sequelas que afetam a fala e a memória. Agora, com a ajuda da família e de uma terapeuta, ele começa a enxergar, aos poucos, que existe vida além do que ele conhecia e maneiras melhores de aproveitar o tempo.
Título do Filme: Sem Palavras
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento: 2019
Duração: 1h 40Min.
Assista ao trailer abaixo:


No aniversário de 25 anos, 'Lista de Schindler' ganha reestreia

Filme baseado em fatos reais conta a história de empresário alemão católico que conseguiu enganar os nazistas e salvar mais de mil judeus poloneses na 2ª Guerra.
Filmado em rigoroso preto e branco, o filme possui um detalhe em cor - uma menina de casaco vermelho.
Filmado em rigoroso preto e branco, o filme possui um detalhe em cor - uma menina de casaco vermelho. (Reprodução)

Steven Spielberg já havia sido indicado para o Oscar em 1982 e 85, por E.T. - O Extraterrestre e A Cor Púrpura. Considerado o Midas de Hollywood, com uma impressionante lista de sucessos de público, era esnobado pela Academia. E, então, em 1993, fez seu filme que muita gente considera o mais pessoal - A Lista de Schindler. No ano seguinte, venceu os prêmios de filme e direção (veja abaixo). Em 1999, venceu de novo por O Resgate do Soldado Ryan - três prêmios, outro Oscar de direção, mas não o de melhor filme.

Passados 25 anos, A Lista de Schindler está voltando às salas de cinema do Brasil (e do mundo). Reestreia em 1º de maio, com cópias remasterizadas. O circuito será pequeno, mas, por se tratar de uma comemoração, foram editados novos cartazes e trailer assinalando a data - 25 anos! A Lista de Schindler conta a história real do empresário alemão católico que conseguiu enganar os nazistas e salvar a vida de mais de mil judeus poloneses durante a 2ª Guerra.

Como? Oskar Schindler tinha uma fábrica que produzia panelas exclusivamente para o Exército alemão. Itzhak Stern, do Conselho Judeu da Cracóvia, convenceu-o a contratar judeus porque a mão de obra seria mais barata. O dinheiro que eles deviam receber ia para o suborno de militares que faziam vista grossa para o fato de os vistos serem falsificados.

Entra em cena o tenente Amon Goth, que chega a Cracóvia para executar o maior número de judeus. O filme faz uma acurada descrição da vida cotidiana sob o nazismo e no campo de concentração. O tenente sádico diverte-se praticando tiro nos prisioneiros.

Filmado em rigoroso preto e branco, o filme possui um detalhe em cor - a menina de casaco vermelho. Inspirada numa personagem real, ela metaforiza todas as vítimas da barbárie nazista. Nessa época em que, no Brasil, autoridades do governo discutem se o nazismo é de esquerda ou direita, o clássico de Spielberg ganha um significado especial. As atuações de Liam Neeson, Ben Kingsley - Stern, como a consciência de Schindler - e Ralph Fiennes são excepcionais.

Agência Estado e DomTotal

Filme argentino "As Filhas do Fogo" tem pré-estreia nesta terça em Fortaleza, seguida de debate

O longa-metragem argentino As Filhas do Fogo terá uma pré-estreia especial nesta terça-feira, dia 12, no Cinema do Dragão. A sessão será seguida de debate com a atriz argentina Mijal Kaco. A sinopse do filme conta: "insatisfeitas com suas próprias vidas, três mulheres independentes de meia-idade se encontram por acaso, bem longes de suas casas, e começam a se relacionar de maneira poliamorosa". É assim que inicia a narrativa do filme. Quando: hoje, às 19h30min. Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Mundo do Slime

Uma dica de programação para as crianças é o Mundo do Slime, evento que ocorre no shopping Parangaba de segunda a sábado, das 10h às 22 horas, e aos domingos, das 13h às 21 horas. Os pequenos poderão aprender sobre o processo de produção, personalizar sua massinha com brilhos e a cor de preferência. O valor da entrada é de R$ 25 (para 30 minutos), incluindo oficina, kit de materiais para produção do slime e acompanhamento dos instrutores.

Festival de Paella

Um dos pratos mais famosos na culinária espanhola, a paella é destaque em festival que leva seu nome. O evento gastronômico ocorre na sexta-feira, 15, no Zoi Restaurante, localizado no Colosso Fortaleza. Quando: sexta, dia 15, a partir de R$ 20. Quanto: R$ 94 (por pessoa). Reserva: (85) 98160 0088.
Garota Dinamarquesa
Garota Dinamarquesa

Cinema gratuito

Seguindo com a Mostra Mulheres no Cinema, em cartaz no Cineteatro São Luiz, a tela grande do equipamento recebe hoje as sessões de Garota Dinamarquesa (16 horas) e Divinas Divas (19 horas). Amanhã, os filmes exibidos serão As Sufragistas (13h30mmin), Mãe! (16 horas) e O Processo (19 horas). O acesso é gratuito. 
Onde: rua Major Facundo, 500 - Centro.
A cantora Marília Lima fará um tributo a Jimi Hendrix
A cantora Marília Lima fará um tributo a Jimi Hendrix

CCBNB

O projeto Cardápio Musical recebe um show de Marília Lima nesta quarta-feira, 13, chamado O Blues da semana - Tributo a Hendrix (foto) e Stevie Ray Vaughan. A apresentação acontece ao meio-dia, horário em que dá para escapar do dia a dia e aproveitar um pouco de música no Centro de Fortaleza. Marília Lima é, hoje, umas das referências femininas no blues em Fortaleza. Outra dica de agenda no CCBNB é o filme Que Horas Ela Volta, que será exibido também amanhã, às 16 horas. O acesso às duas programações é gratuito.

Bordado

A técnica sashiko de bordado é destaque de hoje em aula conduzida pela bordadeira Virgínia Fukuda na Sem Título Galeria. A técnica simples, com efeito terapêutico, tem pontos e espaços em branco que criam padrões estéticos surpreendentes. Quem quiser se inscrever para participar, deve enviar mensagem para o WhatsApp (85) 98886 6706. O valor desembolsado será R$ 60. Quando: hoje, de 14h às 17 horas. Onde: rua João Carvalho, 66 - Aldeota.

O Povo

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