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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

16 de março de 2017

Defesa da vida: tesouro e herança

Padre Geovane Saraiva*


Como é bom recordar, no quarto ano da eleição do Papa Francisco (13/03/2013), o Papa Leão XIII, ao desejar ardorosamente coisas novas; ao buscar mudanças nos costumes e na mentalidade sobre as condições de vida vividas pelos operários no final do século XIX. Preparou, à altura das exigências do seu tempo, um documento, que, de fato, pudesse dar uma resposta ao clamor de um mundo industrializado, tão marcado pelo sofrimento e pela escravidão. É o movimento social que se inicia na Igreja de uma forma mais consistente e organizada a partir de Leão XIII, com a Encíclica Rerum Novarum, de 1891.

Resultado de imagem para leao XIII pensamentoO dia 15 de maio de 1891, com o lançamento desse maravilhoso documento, foi considerado como o ponto de partida da Doutrina Social da Igreja nos tempos modernos, significando um desejo e uma sede de inovações - "das coisas novas". A Encíclica Rerum Novarum tratou das questões sociais, levantadas por ocasião da Revolução Industrial. O papa apoiou com veemência o direito dos trabalhadores de se organizarem em sindicatos. Ao mesmo tempo, rejeitou o Socialismo e defendeu o direito de propriedade.

Podemos afirmar que foi uma verdadeira luz a iluminar as trevas, a escuridão do mundo operário, indo contra o maior mal que ameaçava a criatura humana naquela época. Como tão bem diz o Profeta Isaías: "Para o povo que vivia nas trevas uma luz brilhou” (Is 9, 1), foi uma posição firme e segura da Igreja, num momento difícil e crítico, orientando gerações e gerações. O papa disse, através da Encíclica Rerum Novarum, que os homens de todas as classes são iguais, porque são filhos do mesmo Deus e Pai.

Dirigiu-se aos afortunados e aos patrões, no sentido de não tratarem os operários como escravos; ao contrário, deviam respeitá-los e valorizá-los, vendo neles a dignidade de filhos de Deus. Nasceu, desse modo, uma nova mentalidade, uma nova compreensão do mundo, a partir da obra de Leão XIII, colocando a pessoa humana no seu devido lugar, no centro da história, ao dizer, logo no início: "Por toda parte, os espíritos estão apreensivos e numa ansiedade expectante, o que por si só basta para mostrar quantos e quão graves interesses estão em jogo".

O papa propõe uma nova ordem econômica, com o devido respeito para quem trabalha: "Não pode haver capital sem trabalho nem trabalho sem capital". Os pobres são convidados a se levantar e a sair da pobreza e da miséria em que se encontram. Eles são chamados a sonhar com novas condições de vida e com uma nova realidade.

A Rerum Novarum foi, com certeza, um instrumento de Deus. A Igreja deu o exemplo, descendo do seu pedestal e estando presente nas fábricas, sendo a voz dos sofredores e indefesos trabalhadores - eis a grande novidade! E entendeu que era preciso fazer alguma coisa, porque os operários estavam entregues nas mãos dos patrões desumanos e à cobiça de uma concorrência desenfreada.

Foi um grito bem alto, um eco que entrou bem no âmago, marcando e impressionando profundamente o mundo cristão, incentivando o interesse dos governantes pelas classes dos trabalhadores, dando-lhes força e animando a todos num só objetivo: o dos direitos individuais transformados em benefícios e interesses coletivos.

Agradecemos ao nosso bom Deus pelo dom maravilhoso da vida de Leão XIII (1810-1903), o Papa dos Operários. Seu legado jamais pode ser esquecido: “Contra todo tipo de mal que ameaça a criatura humana devemos lutar”. Que o espírito desse lúcido homem de Deus, hoje vivamente presente na Igreja, através da profecia do nosso querido Papa Francisco, nos tire da inércia, do indiferentismo, diante das justas reivindicações, também no clamor por justiça, solidariedade e paz, numa palavra, na defesa da vida: o maior bem, tesouro e herança que podemos acumular.

*Pároco de Santo Afonso, Jornalista, Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com

Ancine comemora bom desempenho do cinema brasileiro

A atual menina dos olhos da Agência Nacional de Cinema (Ancine) é um número: 143. Esta foi a quantidade de longas-metragens brasileiros lançados em salas de cinema em 2016; dez anos antes, em 2006, esse total era de menos da metade: 71 filmes. Um recorde histórico, segundo o órgão, que fez o levantamento com base em dados disponíveis a partir da Retomada, em 1995.
A marca foi revelada no fim de janeiro, num relatório preparado pela Ancine que oferece ainda outros números animadores referentes às bilheterias do ano passado. Ao todo, 184,3 milhões de espectadores foram ao cinema, gerando uma renda bruta de R$ 2,6 bilhões.
Os filmes brasileiros foram responsáveis por 30,4 milhões de bilhetes vendidos, o maior patamar desde a década de 1990. Um dos destaques foi "Minha mãe é uma peça 2", que, mesmo tendo sido lançado no fim de dezembro, se tornou a segunda obra brasileira mais vista de 2016, atrás apenas de "Os Dez Mandamentos" - embora tenha ultrapassado em renda o longa religioso, cujo preço médio do ingresso era mais baixo.
Por trás desses números, no entanto, existe uma realidade não tão animadora: muitos filmes chegam às salas de cinema, mas não são vistos. Da lista de 143 obras, apenas 22 tiveram público acima de 100 mil. Atrás disso, quatro foram vistas por mais de 50 mil pessoas. Mais de 90 venderam menos de 10 mil bilhetes, e 43 filmes registraram um público inferior a mil. O último longa da lista, o documentário "Henry Kayath: o homem e seu tempo", de Regina Jeha, vendeu 18 ingressos.
Políticas
"O fato de 143 filmes brasileiros terem sido lançados no ano passado tem significado que chega ser embaraçosa: são fruto de uma política de financiamentos sem eixo ou estratégia", diz o diretor Domingos Oliveira.
Ele exemplifica com um filme seu, o elogiado "BR 716", que saiu do Festival de Gramado com os Kikitos de melhor filme, diretor, atriz coadjuvante (Glauce Guima) e trilha sonora - mas que teve performance fraca quando estreou comercialmente. Estrelado por Caio Blat e Sophie Charlotte, "BR 716" teve público de 8.953 após a sua estreia, em novembro, em 11 salas de cinema do País.
"Recebemos, desde o primeiro dia, elogios inacreditáveis. No entanto, o filme é um estranho fracasso. Lotou as pouquíssimas salas em que disputou espaço com os outros 142 porque não encontrou nenhuma distribuidora interessada, ainda que de pequeno porte, resultando numa bilheteria baixa. Lançamos o filme nós mesmos, perdemos dinheiro. O fato de "BR 716" não ser um produto autossustentável é o que chamo de escândalo", completa Domingos.
Diretores, produtores e a própria Ancine chamam a atenção para a importância de distribuidoras e exibidoras apostarem mais em títulos independentes e autorais - o grupo que enfrenta mais dificuldade de ganhar espaço nas salas de cinema e atrair público. "É preciso ter mais distribuidoras diversificadas para buscar filmes fora da caixa", diz o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel.
"E também exibidores que apostem na diversidade e deem mais permanência aos filmes brasileiros. Mas estamos falando de um setor privado. A Ancine não é exibidora nem distribuidora. Os brasileiros precisam se dispor a abrir salas com esse perfil", pontua.
Estratégias
Frédérique Bredin, presidente do Centro Nacional do Cinema e da Imagem Animada (CNC), espécie de Ancine francesa, lembra que se trata de "um problema geral de países que têm uma produção variada, com filmes que precisam de tempo para encontrar seu público". E cita as medidas adotadas pela França, algumas semelhantes às do Brasil, para solucionar o impasse".
"Nós temos um forte apoio ao distribuidor, que cuida da promoção e do marketing do filme. Temos também o compromisso dos exibidores de não ocupar mais de 30% das salas com um mesmo blockbuster, como 'Star Wars'".
Rangel também lembra da existência de políticas que visam melhorar o panorama, como a Cota de Tela, que estabelece um número mínimo de filmes nacionais que complexos de cinema têm que exibir durante um ano.
A sócia fundadora da distribuidora Vitrine Filmes Silvia Cruz reforça que, nos últimos anos, houve uma proliferação de distribuidoras com perfis diferentes graças ao surgimento de políticas públicas voltadas ao setor, como linhas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que investem nesse tipo de empresa.
A Vitrine foi fundada justamente com objetivo de lançar filmes de perfis alternativos que, embora muitas vezes premiados, encontravam pouco espaço no mercado exibidor.
"Se pensarmos só na janela de cinema, nosso investimento seria considerado de risco. Mas também levamos em conta distribuição na TV fechada e em vídeo sob demanda (VOD, na sigla em inglês). Não somos uma empresa com muito lucro, mas estamos consolidados", afirma Silvia, que recentemente inaugurou o projeto Sessão Vitrine Petrobras, com intuito de levar obras autorais brasileiras a 21 cidades para exibições em horários fixos em salas de projeção.
"No caso desse projeto, por termos patrocínio, conseguimos reduzir o preço dos ingressos. O preço é um fator importante na hora de o espectador decidir assistir a filmes pouco óbvios".
Sob demanda
Fazendo coro com a fala de Silvia estão os produtores e realizadores para quem os serviços de VOD não podem ser ignorados na hora de medir o sucesso de um filme.
"O número de 143 lançamentos é bom. O cinema é o lugar sacro e desejado para todos nós", lembra a produtora Vania Catani, da Bananeira Filmes. "Mas é importante também reconhecer as mudanças na maneira com que as pessoas hoje veem os filmes. Acho que essa quantidade seria até maior se fossem computados os lançamentos em outras janelas, e há muitas telas. Temos que ocupá-las também".
Segundo Alessandro Maluf, diretor de produtos de vídeo da América Móvil, à qual pertence a Net, metade dos 50 filmes (incluindo estrangeiros) lançados no fim de 2016 no Now, o serviço de VOD da empresa, não passou pelas salas de cinemas. "É uma janela cuja tecnologia cresceu e sobre a qual agora é possível rentabilizar".
O balanço da Ancine só foca os filmes lançados comercialmente em salas de cinema, e alguns mecanismos de fomento à produção cinematográfica exigem que as obras sejam projetadas, num primeiro momento, na tela grande. Manoel Rangel, no entanto, rebate. Afirma que há incentivos sem essa exigência, que ele chama de uma "não questão". Mas lembra que o órgão tem o dever de reforçar políticas para ampliar o público de outras janelas"
"Estamos vivendo um momento de alta concentração no mercado de distribuição e exibição", diz Rangel, que deve deixar a Ancine nos próximos meses. "Ou seja, a bilheteria abriu um fosso entre grandes e pequenos lançamentos, onde há poucos filmes que fazem muita bilheteria e alguns que fazem pouca. No meio, há um buraco. É preciso enxergar esse dado para construirmos políticas públicas".
Diário do Nordeste

Senado aprova texto que proíbe limite de banda larga fixa, texto vai à Câmara

Imposição de limites à banda larga fixa é adotada apenas "em países liderados por governos autoritários", defendeu senador.
Proposta terá agora de ser analisada pela Câmara dos Deputados.
Proposta terá agora de ser analisada pela Câmara dos Deputados. (EBC)
Por Eduardo Simões

O Senado aprovou nessa quarta-feira projeto que proíbe as operadoras de adotarem limites à utilização da internet via banda larga fixa e a proposta terá agora de ser analisada pela Câmara dos Deputados.
De acordo com a Agência Senado, o autor da proposta, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), argumentou que a imposição de limites à banda larga fixa é adotada apenas "em países liderados por governos autoritários, que cerceiam o acesso à informação por parte de seus cidadãos".
A proposta não altera as regras vigentes para a internet móvel.
O sistema de franquia de dados consiste na limitação dos pacotes de dados dos consumidores, que precisariam pagar a mais ou teriam a velocidade reduzida caso ultrapassem o volume contratado, semelhante ao que acontece com celulares.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) havia decidido suspender a adoção das franquias de banda larga fixa pelas operadoras por 90 dias em abril do ano passado após a repercussão negativa da medida.

Reuters

Para reverenciar o mestre Ferreira Gullar

Três meses após a partida de Gullar, Cláudia toma para si a tarefa de trabalhar pela perenização da monumental obra do marido.
O poeta Ferreira Gullar.
O poeta Ferreira Gullar. (Fernando Frazão/ Agência Brasil)
Quando os poetas Ferreira Gullar e Cláudia Ahimsa se conheceram, na Feira de Frankfurt, em 1994, ele tinha 64 anos e vivia um momento sombrio, com as perdas seguidas do filho caçula, Marcos, e da mulher, a atriz Thereza Aragão; ela, uma jovem 33 anos mais nova que lhe despertou paixão e devolveu entusiasmo. Em dezembro do ano passado, Gullar, aos 86, lhe pediu, ao pressentir a chegada da morte: "Você já me salvou uma vez, agora eu tenho que ir".

Três meses após a partida, Cláudia toma para si a tarefa de trabalhar pela perenização da monumental obra do marido, que se estende da literatura (adulta e infantil) às artes visuais. "Eu me sinto como se alguém tivesse me dado um tesouro, que quero dividir. Gullar odiava herdeiros, porque já tinha tido dificuldades para liberação de poemas", conta Cláudia.

"O leitor de poesia talvez seja o mais fiel, mas o tempo vai passando e tem momentos em que as pessoas param de falar de Vinicius, Manuel Bandeira, Drummond. O Brasil não é a Rússia, onde casais se casam diante da estátua do Pushkin", ela diz. "Quero ser uma facilitadora, dar acesso. Isso vai preencher a lacuna que sinto."

Este ano, Cláudia quer itinerar com a exposição exibida ano passado no Espaço Cultural do BNDES, com o Gullar escritor e artista plástico (a próxima parada, no segundo semestre, será a Sala Funarte de Brasília). A editora Bazar do Tempo vai lançar dois títulos preparados nos últimos anos pelo poeta, Os Desastres da Guerra, com colagens baseadas na série homônima de gravuras de Goya, e Alquimia do Ver, reunião de textos poéticos sobre obras de arte.

Ainda este mês, sai pela Autêntica uma edição especial de Autobiografia Poética e Outros Textos, que o autor lançara em 2015. Este volume, que revela ao leitor a formação literária de Gullar e sua visão do fazer poético, vem com um DVD do documentário O Canto e a Fúria, feito pelo amigo Zelito Viana 20 anos atrás e nunca lançado. "Foi uma experiência radical, é só o Gullar falando e eu e Walter Carvalho filmando. Ele estava muito animado e relaxado", lembra o cineasta.

"Ele gostou da ideia da edição especial, íamos lançar em dezembro. Mas fomos surpreendidos pelo impensável (Gullar morreu dia 4 daquele mês, em decorrência de problemas pulmonares). Em outubro, ele estava andando rápido comigo pelas ruas do centro", lamenta a editora Maria Amélia Mello, com quem Gullar convivia desde o fim dos anos 1970.

"Eu não conheci só o Ferreira Gullar, mas o José Ribamar. Ele era ‘singullar’." Outro relançamento da Autêntica será o do infantil Dr. Urubu e Outras Fábulas. A Companhia das Letras, casa de Gullar desde janeiro de 2016, segue reeditando sua obra completa, com planejamento até 2021.

No campo das artes plásticas, no Museu Afro, no Ibirapuera, está em cartaz, até o dia 26, a mostra Visões de Um Poema Sujo, do fotógrafo maranhense Márcio Vasconcelos, inspirada na obra-prima de Gullar, que Cláudia gostaria de trazer ao Rio. Em junho, a Dan Galeria, no Jardim América, onde Gullar já havia exposto suas colagens, abre nova mostra, com relevos inéditos.

Para o futuro, a poeta sonha ainda fazer um livro do caderno de desenhos pontilhados que Gullar lhe dera de presente em 1999, com a dedicatória "as muitas maneiras de dizer ‘eu te amo’"; publicar o conteúdo de um outro caderno, com poemas inéditos manuscritos há 20 anos para ela (alguns, eróticos); escrever um livro sobre a história de amor dos dois ("ele dizia que eu era uma das últimas surrealistas, uma Nadja de Breton").

Agência Estado

Jovem ganha concurso de redação sobre o mundo em que gostaria de crescer

Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil
Morador da cidade de Presidente Médici, no interior de Rondônia, distante 400 quilômetros da capital Porto Velho, Leonardo Silva Brito, de 17 anos, estudou a vida toda na escola estadual Carlos Drummond de Andrade, onde conheceu o Concurso Internacional de Redação de Cartas, do qual foi vencedor da etapa nacional em 2015 e ficou no terceiro lugar geral da competição.
“O concurso me moveu, me direcionou e me levou a conhecer coisas que eu não conseguiria ter contato fora de sala de aula. Foi muito bom pra mim, para a minha escola, para os alunos, ter contato com esse tipo de material relacionado tanto à história, política e geografia”, contou o rapaz à Agência Brasil. Na época em que participou, os estudantes deveriam tratar na redação sobre o mundo em que gostariam de crescer.
A 46ª edição do concurso feito no Brasil pelos Correios e coordenado em todo o mundo pela União Postal Universal,  está com inscrições abertas até amanhã (17). Escolas da rede pública e privada podem participar com, no máximo, duas redações por instituição, que devem ser escritas à mão e produzidas por alunos de até 15 anos. O tema deste ano é “imagine que você é assessor do secretário-geral da ONU – qual o problema mundial que você o ajudaria a resolver em primeiro lugar e de que forma você o aconselharia para isso?”
No ano em que foi vencedor, Leonardo estava no segundo ano do ensino médio. No entanto, desde o sexto ano do ensino fundamental, ele participava da competição. “Algumas [vezes] eu fui classificado, outras não. Eu sempre participava porque eu gostava muito dos temas que eram propostos pelo concurso. Eu esperava realmente desenvolver esse meu interesse por leitura e por escrita principalmente.”
“Eu falei na redação justamente que o mundo que eu gostaria de crescer não é um mundo só meu, porque ele já foi imaginado por muitas pessoas antes de mim e vai continuar sendo desenvolvido depois que eu me for. Eu citei bastantes pensadores que contribuíram para a formação de um mundo melhor. E eu acredito que é assim que será construído um mundo coletivo, onde cada um contribui com o que pode e da forma que pode”, disse Leonardo.
Citando figuras como Malala, Chico Mendes e Madre Teresa de Calcutá, o jovem apresentou seu mundo ideal. “Esse mundo onde eu gostaria de crescer é a interseção de todos esses sonhos dessas pessoas que acreditavam em um mundo melhor e fizeram acontecer. Eu coloquei [na redação] que seria um mundo coletivo onde cada um doasse parte do seu tempo para a construção realmente dessa utopia”. 
Para Leonardo, ter coragem para botar em prática os sonhos e ajudar na construção desse mundo pode “transformar os próximos dias, anos, séculos aqui na Terra para as próximas gerações”.
Coletivo
O jovem lembra a todo momento, em entrevista à Agência Brasil, que sua participação no concurso foi resultado de uma ação coletiva. “Quando foi lançada essa proposta [do concurso] para o nosso diretor, eles [coordenadores e professores] acolheram e levaram os alunos a fazerem oficinas de produção textual, então foi um trabalho em conjunto, na verdade”. Ele acrescentou que foi muito bom todos os alunos terem contato com o tema do concurso, relacionado tanto à história, política e geografia.
O jovem contou sobre o reconhecimento que teve dos pais, que o acompanharam durante a premiação em Brasília. “Eles ficaram primeiramente muito felizes porque é uma conquista muito grande. Se você pensar que eu estudo em escola pública estadual desde sempre, você representar o Brasil numa competição de cunho internacional é uma coisa muito bacana para qualquer um, e mais ainda para uma pessoa que sai de uma cidade tão pequena do interior do estado de Rondônia, de uma escola pública. Foi muito engrandecedor”, contou.
Nos concursos seguintes, o rapaz destacou que o interesse dos alunos de sua escola cresceu. Seu irmão, de 13 anos, também começou a participar após sua vitória na competição. “Meus pais ficaram muito felizes em saber que eu dei, de certa forma, esperança para algumas pessoas que também gostariam de participar e que tem o sonho de um dia representar o Brasil em um concurso internacional”.

Redes sociais em excesso pode causar depressão, diz psicólogo

Isolamento social provocado pelo uso excessivo das redes sociais pode provocar depressão e até suicídio, afirma psicólogo

Da redação
Nestes tempos cibernéticos, encontrar alguém que não esteja conectado a alguma rede social parece difícil. Por outro lado, é preciso atenção aos excessos. Isto porque uma pesquisa, publicada no Periódico Americano de Medicina Preventiva, aponta que acessar sites como Twitter, Facebook e Snapchat por mais de duas horas por dia dobra a probabilidade de alguém se sentir isolado.
Quase 2 mil adultos com idades entre 19 e 32 anos foram entrevistados quanto a seu uso de redes como Twitter, Facebook, Instagram, Pinterest, Snapchat e Tumblr.
O estudo sugere que quanto mais tempo uma pessoa fica online, menos tempo ela tem para interações no mundo real.
“A rede social ajuda nesse isolamento porque você se isola daquele grupo social ou de amigos para fazer parte de um grupo virtual. Aí você desliga o computador e aquele grupo não existe mais. Então, a internet ajuda você a se isolar do convívio social”, alerta o psicólogo Cláudio Soares.
Saiba mais na reportagem de Flávia Pereira e Ederaldo Paulini
Canção Nova

“Leituras na Praça” retorna suas atividades e reforça o compromisso com a leitura de clássicos

“Leituras na Praça” é um projeto itinerante e de extensão da Universidade Federal do Ceará (UFC), que deseja propagar a leitura de clássicos da literatura e homenagear grandes escritores, como Miguel de Cervantes. O próximo encontro será dia 02 de abril, na Praça das Flores, em Fortaleza

Foto: Divulgação / Projeto
Registro de um dos momentos de interação do projeto, no bosque Moreira Campos em Fortaleza
Que tal programar para o primeiro domingo do mês um momento de leitura? Que tal realizar essa atividade rodeado de amigos em um ambiente verde, público e propício? As praças de Fortaleza estão servindo de cenário para um projeto que se preocupa com a preservação do meio ambiente, com o bom uso dos espaços públicos e estimula a prática da leitura, que é repleta de benefícios.

“Leituras na Praça” é um projeto itinerante e de extensão da Universidade Federal do Ceará (UFC). O projeto nasceu para homenagear os 400 anos da morte de Miguel de Cervantes (poeta, romancista e dramaturgo espanhol). As leituras de textos “cervantinos” são feitas em grupo e em voz alta, com a participação de todos. Diante do bom resultado das primeiras atividades, o projeto planeja alcançar mais pessoas e trabalhar outros nomes da literatura em geral. O próximo encontro será dia 02 de abril, na Praça das Flores, em Fortaleza.

A professora do departamento de letras estrangeiras da UFC e coordenadora do projeto, Maria Inês Cardoso conversou com a Agência da Boa Notícia acerca do projeto e dos próximos encontros. Acompanhe:

ENTREVISTA
(Agência da Boa Notícia) Como surgiu a ideia de desenvolver o projeto "Leitura nas Praças"?
Maria Inês Cardoso - O projeto nasceu de dois desejos, homenagear Cervantes pelos 400 anos de sua morte, em 2016 (sou professora de literatura espanhola) e, por outro lado, fomentar a leitura dos clássicos e, naturalmente, de literatura em geral.

(ABN) Há quanto tempo o projeto existe?
M.I -  A ideia do projeto é antiga, bem anterior ao quarto centenário da morte de Cervantes, mas, aproveitei a oportunidade e em agosto de 2016 pude levá-lo a cabo, aprovado como  projeto de extensão na UFC.

(ABN) Por que a homenagem a Miguel de Cervantes?
M.I - Cervantes é o criador do romance moderno, seu Dom Quixote não é apenas a sua mais importante obra, ela é, em meio ao público leigo, a única conhecida. No entanto, Cervantes escreveu teatro, poesia e narrativas breves, que foram publicadas sob o nome de Novelas Exemplares.  A homenagem era também a ocasião ideal para levar ao público não acadêmico um pouco mais de sua obra.

(ABN) Qualquer pessoa pode participar? E para colaborar com a organização qual o procedimento?
M.I - A ideia é justamente levar a leitura para fora dos muros da UFC, aproveitar os ambientes públicos como parques e praças para promover leitura e debate entre os transeuntes e público interessado em geral. Ocupar esses espaços públicos com atividades culturais que vão além das usuais atividades esportivas e, eventualmente, comerciais (feirinhas etc). O projeto tem como objetivo justamente incentivar outros grupos e pessoas a se reunirem para leitura ao ar livre.

(ABN) Vocês possuem alguma ajuda ou incentivo estadual, municipal ou de alguma empresa?
M.I - Nesta edição de 2017, além de sermos contemplados com um bolsista de extensão, que ajudará na divulgação e na manutenção da página de Facebook, contarei com a participação de vários outros colegas professores do Departamento de Letras Estrangeiras e do Departamento de Literatura, que juntamente com escritores locais, levarão contos e fragmentos de romances para os encontros de 2017, que ao todo serão 10.

(ABN) As pessoas que trabalham no projeto são voluntárias?
M.I - Não há nenhum benefício pecuniário para os participantes já que somos majoritariamente professores da UFC. Os demais participantes que, como os colegas professores, levarão textos e fomentarão os debates tampouco recebem nenhum benefício financeiro. Apenas um certificado de participação expedido pela coordenadora do projeto ( no caso, por mim, com o aval da Pró-Reitoria de Extensão)

(ABN) E, quais os planos para os próximos encontros?
M.I - Teremos encontros sempre nos primeiros domingos de cada mês, até o final do ano e em setembro, serão dois domingos. O próximo será na Praça das Flores (onde iniciou-se em 2016), no domingo, 02 de abril, sempre as dez da manhã.

(ABN) Além dos benefícios da leitura, quais outros objetivos em relação as praças (locais públicos) são trabalhados pelo projeto?
M.I - Nos debates, sempre surge o tema da necessidade de ocupar e preservar os parques e praças, que tem sido recuperados nos últimos anos, levando a estes ambientes atividades culturais, de diversão e lazer saudáveis. Entendemos que tal como as melhoras arquitetônicas e a melhoria dos aspectos físicos das praças e parques, a boa frequência é fundamental para sua transformação e preservação.

Serviço
Projeto Leituras na Praça
Boa Notícia