CIDADE FUTURA

 Geovane Saraiva*

Bem-aventuradas e felizes são as comunidades dos seguidores de Jesus de Nazaré, pelo espírito aberto e por aceitarem a proposta salvífica de Deus Pai, no feliz anúncio, naquela visão beatífica, que é a eterna felicidade. À semelhança de Deus fomos originados e colocados no mundo, permeando nosso coração com aquele desejo mais elevado: o de buscar a perfeição, a santidade. Sem meia-volta, é Deus que quer nos convencer de nossa missão, que é a da nossa periferia existencial, ou ambiental, como se fosse um bonito jardim, com o desafio de cuidar, excluindo aquela lógica ou espírito da serpente, afastando-nos do mal, do egoísmo e do orgulho, numa sociedade consumista e conflitiva, longínqua da não violência da justiça divina, com marcas visíveis da vida desigual e desleal, mesmo no seio da Igreja. Que sejamos convencidos, pela graça de Deus, de que a vida exige coragem de nos levantarmos de vez, e não de nos depararmos com o fracasso.

Não me canso de repetir o que alhures já disse: É maravilhoso aprender com Santo Agostinho, na beleza de sua obra “A Cidade de Deus”, colocando-nos diante da vida humana como um mistério de amor, segundo o projeto divino, quando “dois amores estabeleceram duas cidades, a saber: o amor-próprio, levado ao desprezo a Deus: a terrena; e o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio: a celestial”. Mesmo sendo enormes a saudade e a dor pela partida de nossos entes queridos, que nossa humilde e confiante oração seja a de jamais perdermos de vista a esperança, na certeza da promessa da imortalidade, antevendo conforto e consolo incontestáveis, segundo as letras sagradas: “Não temos aqui na terra cidade permanente, mas estamos à procura da cidade que há de vir” (cf. Hb 13, 14).

É indispensável, nesse contexto, pensar na caridade fraterna e no amor, para o qual somos destinados, que é o de amar como Deus amou, amando-o em primeiro lugar e reservando-lhe momentos de oração e intimidade, com louvor, súplica e agradecimento pelo dom maravilhoso da vida. É a palavra de Deus, plena e fecunda de graças, que nos convida ao amor franco e genuíno, com todas as nossas forças, sendo nós conscientes de que fomos criados para a eternidade, e que na acesa chama da esperança nada de desânimo nem de decepção. Só nos resta convencermo-nos da realidade da morte como nossa amiga, irmã e companheira inseparável, na esperança de contemplar Deus face a face no céu e saborear sua afável e terna misericórdia, e na certeza de que nossa prece suba aos céus pelos nossos irmãos falecidos. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Nossa civilização cristã

 Padre Geovane Saraiva

Nossa civilização cristã, no seu perfil ou configuração, composta pelos seguidores de Jesus de Nazaré, tendo como amparo e sustento a égide da esperança. Num decisivo e heroico compromisso, é o ideal mais sublime, otimista e profético, pela mais elevada e digna causa da existência humana, no sonho de ver “novas todas as coisas” (Ap 21, 5). Daí nossa atenção aos sinais do Espírito de Deus, evidenciado no conjunto dos primeiros séculos de nossa “era cristã”, num esforço, de tal modo solidário, a ponto de se ficar clara a luta pela extinção da fome, no sentido mais amplo: material, cultural, na dignidade, na educação. Passado o quarto século, constata-se a fé consolidada, a partir do Concílio de Niceia, no ano de 325. É o povo de Deus a encontrar seu caminho por muitos séculos, tendo por fundamento a fé em Jesus Cristo, que nela se agarra; e do Filho de Deus não se afasta.

O registro da História atesta que a humanidade é generosa, através de pessoas superdotadas, homens e mulheres, com todos os dotes e talentos de sua inteligência, e está enfocada nas coisas divinas sobrenaturais, exteriorizando, por este imenso e desmedido mundo, a arte, a pintura, a arquitetura, a escultura e a literatura, com a consciência de sua força e poder influenciador, no caminho do bem; no caminho de Deus. Percebe-se, no entanto, a fé como sendo sólida e consistente em Cristo Jesus, e não há por que se duvidar da “idade da crença”, mas que aos poucos, fruto dos dons da sabedoria humana, cede lugar aos dogmas, no que diz respeito ao mesmo Senhor Jesus Cristo.

Já na Idade Contemporânea, ou hodierna, na qual estamos inseridos, nos diversos sinais, gestos e atitudes da humanidade, urge uma compreensão da amplitude do mundo. O Espírito de Deus, além de inspirar, constantemente, quer nos desafiar e provocar, na causa existencial, a mais digna possível, numa vida sensata, baseada em fundamentos sólidos. Os traços da verdadeira esperança, no cuidado de não separar fé e razão, é algo vital e revelador, na diversidade dos dons do Espírito Santo de Deus. Antevemos com humildade o futuro, o destino da vida e do mundo, mas sob o amparo da esperança como aliado, numa metáfora de contemplar o céu estrelado e luminoso. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Barreiras tem novo bispo

PAPA NOMEIA DOM MOACIR ARANTES COMO BISPO PARA A VACANTE DIOCESE DE BARREIRAS (BA) Dom Moacir O papa Francisco nomeou nesta quarta-feira, 21 de outubro, dom Moacir Silva Arantes, 51 anos, atual bispo auxiliar na arquidiocese de Goiânia (GO), como o terceiro bispo da diocese de Barreiras (BA). A diocese estava vacante desde a nomeação de dom Josafá Menezes da Silva como arcebispo de Vitória da Conquista (BA), em 9 outubro de 2019. Trajetória eclesial Mineiro de Itapecerica, dom Moacir nasceu em 3 de junho de 1969, filho de Bento Alves Arantes e Irene Pinto de Araújo, dom Moacir Silva Arantes, sendo o 13º de 15 irmãos. Formou-se em filosofia e teologia em Belo Horizonte (MG) e foi ordenado padre em 14 de agosto de 1999. Já foi pároco e administrador paroquial em seis municípios da diocese de Divinópolis (MG), bem como reitor dos seminários diocesanos, membro do conselho presbiteral e coordenador da Pastoral das Vocações e ministérios da diocese. No Regional Leste 2 (Espírito Santo e Minas Gerais) foi assessor eclesiástico da Pastoral Familiar e por último assessor nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Dom Moacir foi nomeado bispo auxiliar de Goiânia pelo papa Francisco, no dia 11 de maio de 2016, e ordenado na igreja matriz de São Bento, em sua terra natal, Itapecerica (MG), no dia 13 de agosto do mesmo ano, sob a imposição das mãos do bispo emérito de Divinópolis (MG), dom José Belvino do Nascimento, e dos bispos co-ordenantes, dom José Carlos de Souza Campos (diocesano de Divinópolis) e dom Washington Cruz, arcebispo de Goiânia. Tomou posse no dia 26 de agosto de 2016, na catedral Nossa Senhora Auxiliadora, em Goiânia. Seu lema episcopal é In Simplicitate Cordis (Com simplicidade de coração). O bispo integra a atual presidência do Regional Centro-Oeste da CNBB, com mandato até 2023, onde exerce a função de secretário.

Padre Lima: Centenário de sua ordenação sacerdotal

Padre Francisco Lima Freitas, vigário de Aracoiaba-CE, de fevereiro de 1925 a janeiro de 1932. Era tio da minha mãe, Maria Eliete Saraiva, foi ordenado sacerdote (26/09/1920), por Dom Manoel da Silva Gomes, 3º bispo do Ceará e 1º arcebispo de Fortaleza (1912-1941). Pe. Lima, como era conhecido, no centenário de sua ordenação presbiteral, do céu, interceda por nós! Que o tenhamos em conta na nossa história familiar, ele na condição de “sacerdos in aeternum”, irmão do nosso avô materno. Sílvia Guedes, obrigado pelo presente das fotos do Pe. Lima! (Fotos: Museu de Aracoiaba-CE). 

Herança dos Santos

Padre Geovane Saraiva*
O sonho por renovação espiritual, consagrado no estreitamento da fé com a vida, conduz-nos pelo bom caminho, mas numa vida devotada e lançada nas mãos de Deus. O legado e a herança dos santos nos inspiram e nos encorajam no caminho divino, o mesmo percorrido sabiamente e com rigor contemplativo por aqueles que nos precederam na estrada da santidade. Deus nos quer proporcionar bons corações, insistentes e confiantes na oração. Ele sabe o que mais nos convém, do que mais necessita a criatura humana, espalhada por toda a extensão da terra. Diante da realidade do mistério da vida, Deus propõe para nós uma única coisa: a esperança, a mesma que afugenta da terra a desconfiança, que embaça os olhares mais claros e torna turvos os horizontes mais límpidos, segundo Dom Helder. Viver na turbulência das ondas, na instabilidade do barco da vida, parecendo, muitas vezes, que vai naufragar, é um grande milagre do Deus encantador, a nos deslumbrar com seu dom e sua graça, obras da ação do Espírito Santo em nós. 

 Numa densa e consistente sinopse, voltemo-nos para Santa Teresa de Jesus (1515-1582), uma criatura humana exemplar, descomunal e desmedida no amor, um bem que pode ressoar, hoje, na vida dos cristãos como um verdadeiro milagre do inefável mistério de amor. Não tenho nenhuma dúvida de tratar-se de uma mulher fortemente movida pelo Espírito de Deus. Entre seus escritos, engrandeceu nossa civilização cristã: “Castelo Interior” e “Caminho de Perfeição”, ao agraciar obsequiosamente o mundo com sua própria experiência de vida de oração e contemplação, presente na sua lavra literária, externando seu lado místico duradouro e indelével. Ela soube colocar, diante dos olhos, na mente e no coração, o Deus grande, glorioso e esplêndido, sendo a razão de seu viver, indicando-nos, assim, o caminho da santidade e da benevolência divina. 

Que o Espírito Santo de Deus nos ensine o caminho reto, fortalecendo-nos cada vez mais na graça da convivência humana, da proximidade e do afeto pelo nosso semelhante, que encontra sua real concretude, quando procuramos compreendê-lo e dele nos aproximar, ouvindo seus clamores e suas angústias, estendendo-lhe a mão amiga, através de gestos edificantes, fraternos e acolhedores. Só mesmo na vida transformada em oração, na busca da perfeição, se compreende o convite de Deus para o encontro das “eternas alegrias”, no exemplo de Santa Teresa D’Ávila, chamando-nos para participar de sua festa, mas contando com o melhor alimento, dos melhores manjares, insólitos e excepcionais, regados à base de vinhos raríssimos e inusitados. Assim seja! 

 *Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Eterna Romaria

Padre Geovane Saraiva*
Nossa missão aqui na terra é uma constante e persistente romaria, como na canção: “Sou caipira, Pirapora / Nossa Senhora de Aparecida / Ilumina a mina escura e funda / O trem da minha vida”, mas na esperança da feliz e eterna romaria. Eis o nosso maior desafio: o de viver o Evangelho de Jesus. Fica patente o convite à conversão do nosso coração, na alegria de sempre mais redescobrir o amor verdadeiro, de nos inspirarmos no gesto da Mãe de Deus e de nos unirmos à Igreja em estado permanente de missão, pelos dons do Espírito Santo em Maria, neste outubro missionário. Sabemos que cada pessoa, no exemplo acima mencionado, ao mergulhar na sabedoria divina, quer mais e mais exteriorizar, difundir e disseminar a ternura compassiva de Deus, carregando consigo, neste mundo, o segredo de seu mistério ou a razão de seu encargo ou dever de edificar o mundo e sua realidade contraditória. Embora se saiba que são muitos os que se encontram na aridez do deserto, também no seu calor escaldante e exaustivo procuram um poço de água, uma torrente miraculosa, no sentido de jorrar água redentora, a mesma de Maria no Rio Paraíba. É o amor transbordante de Deus que nos faz pensar, acima de qualquer metáfora ou alegoria, no mistério da Mãe de Deus. Neste mês missionário de 2020 somos convidados a abraçar a proposta do Evangelho de Jesus, na compreensão generosa de que “a vida é missão, dom e compromisso”, na ordem vital e irrecusável de Jesus: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). Deus nos conceda a graça da consciência de que fomos criados para apreciar e valorizar seu Reino, em sua beleza, não num sentimento de tristeza, nos limites precários e na transitoriedade da vida, mas longe de ilusões e vantagens deste mundo, com um sentimento de viva esperança, anunciada no Magnificat: “O Poderoso fez em mim grandes coisas. Seu nome é santo e seu amor para sempre se estende sobre aqueles que o temem”. Aventura magnífica, a partir de Michelangelo (1475-1564), pintor, escultor, poeta, arquiteto e gênio italiano, ao retratar, evidentemente através da arte, essa tese, de um modo indizível, mostra a Virgem Maria nas sete dores sofridas com o corpo de seu filho Jesus, morto em seus braços, após a crucificação, com dores colossais e descomunais, que representam as dores da humanidade. Assim seja! *Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Valor à Educação

Carlos Delano Rebouças* Há uma máxima que diz que, para evitar polêmicas, não se deve discutir política, futebol e religião. Mas será que educação pode ser incluído nessa lista? O máximo que pode acontecer é ficarmos como protagonistas únicos de um monólogo sem plateia (desculpem a redundância), cujo enredo não atrai expectadores. E quando aparecem alguns, logo dizem: "Vamos mudar de assunto?". Outras vezes se calam, na pura confirmação de que não interessa, aliás, aborrece, visto que já rotulam seus defensores com os mais depreciativos adjetivos, que prefiro nem exemplificá-los. Há quem diga que estamos soterrados na cova da ignorância. Acredito eu que muito por culpa nossa, já que a vida é feita de escolhas. Se temos a chance de seguir determinados caminhos, se encontramos no percurso pessoas que querem nos ajudar ante a crença de que a educação é o norte, por que não aceitar? Pena que essa aceitação é para poucos. Ainda que discordem, ante o aumento circunstancial de membros da nossa sociedade com diploma de nível superior, isso não é reflexo de valorização quando não tem efeitos no exercício profissional e no desenvolvimento humano. São apenas números indicativos de investidores em um diploma para um salto na carreira profissional que, se não contar com estudo e dedicação, não acontece. *Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

Missão: dom e compromisso

Padre Geovane Saraiva*
Auristela Leite é uma mulher da Paróquia de Santo Afonso que tem preocupação e carinho para com os vulneráveis, os moradores de rua, em sua costumeira presença, à noite, nas praças da nossa querida Fortaleza, levando alimento e, por vezes, lençóis e agasalho a seus habitantes, além do conforto e alento espiritual. Pode acreditar! Tenho a certeza de que ela não quer louvores e muito menos vênias. Ela já chegou a me confidenciar certa vez: “Pe. Geovane, não gosto muito de elogios e tenho até nojo daquele linguajar jurídico e acadêmico, que parece lembrar a imagem do ‘santo do pau oco’, chegando próximo da hipocrisia”. Um dia ela me disse, dentro do contexto da missão universal da Igreja – e estamos vivendo o Mês Missionário 2020: “Gosto muito de Dom Helder, em sua apaixonante afirmação: ‘Missão é partir, é não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é maior. Missão é partir, mas não devorar quilômetros. É, sobretudo, abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E se, para encontrá-los e amá-los, é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então Missão é partir até os confins do mundo’”. Auristela, mulher afável, terna e carinhosa, tendo na mente e no coração os desprotegidos deste mundo, tão marcados pela dor, no sofrimento de toda natureza, disse-me também: “O Papa Francisco é minha inspiração no meu humilde compromisso por um mundo inclusivo e solidário, por uma Igreja em saída, mas nunca posso esquecer aquele papa da bondade, São João XXIII (1958-1962), no seu especial carinho para com as crianças, às quais, mesmo em tempo de pandemia, gosto de chamar de ‘maluquinhos’”. Nossa paroquiana tem larga clareza de que São João XXIII percebeu os sinais dos tempos, na sua urgência por renovação ou rejuvenescimento, o “aggiornamento”, mas dentro de uma nova pedagogia: a de que se pode contar com o remédio, o perdão, a misericórdia e a brandura, e não com a severidade. Assim, São João XXIII, com um carinho de que lhe era peculiar, chegou a dizer aos padres conciliares: “Quando vocês voltarem para casa encontrarão crianças. Deem a elas um carinho e digam: Este é o carinho do Papa”. Ó Deus e Pai de bondade, ajude-nos a compreender que a vida é missão, é dom e compromisso, como na voz do profeta Isaías: “Eis-me aqui! Envia-me!”. Assim seja! *Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).
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