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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

1 de junho de 2015

Centenário de Dom Eliseu Simões Mendes

Padre Geovane Saraiva*

Domingo, dia 17, às 18 horas, missa em ação de graças – pelo centenário de nascimento de Dom Eliseu Simões Mendes, bispo auxiliar de Fortaleza (1950-1953). Paróquia de Santo Afonso – Parquelândia, Fortaleza – Ceará.

Hoje gostaria de agradecer a Deus por tudo. A Deus agradeço a própria existência e por Ele a todos, naqueles os quais muito devo. Hoje peço licença para dirigir-me de um modo todo particular a Dom Eliseu Simões Mendes, que foi bispo auxiliar de Fortaleza (1950-1953), bispo de Mossoró (1953-1960) e primeiro bispo da diocese de Campo Mourão PR (1960-1080). Tinha como sonho e ideal  perseguir a salvação do rebanho, e daí seu lema: Salus Gregis. Dom Eliseu nasceu aos 18 de maio de 1915 e faleceu em 02 de março de 2001, concluindo o entardecer de sua vida, com os últimos anos de dolorosa enfermidade, em sua terra natal, Feira de Santana - BA. São João da Cruz nos conforta nesse contexto, ao nos dizer que, “No entardecer da vida sereis julgados pelo o amor”.

Eu, Pe. Geovane Saraiva, fui seminarista de Dom Eliseu em Campo Mourão, Paraná. Agradecido e com dever de consciência para com a memória do insigne ministro do Senhor, que com a generosidade que lhe era peculiar, soube acreditar naquele jovem candidato, de origem simples e humilde, ao ministério sacerdotal  em Campo Mourão, terra longínqua do seu torrão natal Capistrano. Dom Eliseu carregava consigo uma grande preocupação com a criatura humana, humanizando-a pela formação e qualificação. Homem de elevada degustação cultural, sensibilidade acadêmica e literária, sendo, portanto, na mais elevada expressão, um cultor das letras.

Agradeço ao bom Deus por ter colocado Dom Eliseu em meu caminho, e se hoje na minha simplicidade e modéstia, posso contribuir no mundo da cultura e da literatura, pelo hábito de escrever para diversos veículos de comunicação, especialmente nos novos meios de comunicação, partindo para a Evangelização pela Internet, por meio de Blogs e o Site, indo a areópagos no ciberespaço, onde antes não se ouvia falar de Jesus Cristo, lhes digo com veemência que a presença de Dom Eliseu em minha vida foi imprescindível, e de importância incomensurável. Sem esquecer que através das letras percebemos e defendemos o ser e o viver como cristão, com a didática de dar autonomia ao rebanho que me foi confiado, porém, sem esquecer, evidentemente, a arma da fé a orientar e mostrar o caminho pelo exemplo de vida cristã, longe da repressão dos doutores da lei, mas com a autoridade do Mestre e Senhor, que acompanha os seus e conhece cada um pelo nome (cf. Mc 1,22;Jo 10, 3).

Não posso esquecer a belíssima expressão do Livro Sagrado: “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou” (cf. Rm 8, 37). Com esta expressão quero manifestar e revelar, em grande parte, a mão amiga e coração paterno de Dom Eliseu Simões Mendes, na sua abertura ao relativo, em um trabalho encarnado nas realidades da terra, mas sem se afastar das palavras cheias de forças e encanto do discípulo amado do Mestre: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (cf. Jo 17,15). Foi com esse rigor indizível e sem jamais deixar de perder de vista o sentido da transcendência, no imperscrutável e inesgotável, que Dom Eliseu, a exemplo do Bom Pastor, buscou a salvação do rebanho que lhe foi confiado. Neste sentido, homenageamos o Bispo porque para um Apóstolo, esta incansável busca a qual nos referimos é o fundamento, a origem e o sentido último de tudo que existe.

Aprendamos das palavras encantadoras do Santo Padre, o Papa Francisco, no sentido de elevar sempre mais o nosso ser, no amor pelos irmãos, no Regina Coeli de 10/05/2015: “O amor cristão é dar a vida pelos amigos, graças à força desta Palavra de Cristo, cada um de nós pode fazer-se próximo, junto dos irmãos e irmãs que encontra. O caminho de Jesus leva-nos a sair de nós mesmos para ir ter com os outros. Recordou ainda que é pelo batismo que somos inseridos na verdadeira Videira que é Cristo, passando da morte à vida. E são tantos os gestos que obedecem ao mandamento do Senhor: a proximidade a um idoso, a uma criança, a um doente, a uma pessoa só, ou sem casa, sem trabalho, imigrada ou refugiada”.
Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE –geovanesaraiva@gmail.com

Dom Oscar Romero ressuscitado no seu povo

Padre Geovane Saraiva*

A Igreja da América Latina e do Caribe produziu e ofertou incontáveis talentos à Igreja Universal no século XX, na sua vasta floresta, representada pelas comunidades dos que professam a fé em Jesus Ressuscitado, mesmo diante dos desafios, dores e angústias, mas na certeza de que Deus  fecundou-a  com  seu sangue e sua graça este continente, nos sonhos e nas esperança de seu povo. Um maravilhoso presente descido do céu, foi Dom Oscar Romero, bispo de São Salvador. Dom Oscar aprendeu com a paixão do Filho de Deus, a cobrir de véus o acidental e o efêmero, deixando em primeiro plano, apenas o mistério da Redenção, tal como disse Dom Helder Câmara. Deus no seu indizível mistério de amor escolhe pessoas generosas e corajosas, e as envia para realizar seu plano salvífico na história da humanidade, já antevendo o ápice, “fazendo novas todas as coisas” (cf. Ap 21, 5), na pessoa de Dom Oscar. Ele que soube andar com seu povo em todos os lugares , construindo o reino de Deus, na missão de povoar de sono e sonhos as noites mal dormidas dos injustiçados e desesperados, no dizer do Artesão da Paz.

Dom Oscar Romero é lembrado como uma pessoa que em determinado momento optou pela profecia e com muito rigor levou adiante o projeto de Jesus Cristo, a exemplo de João Batista,  profeta e místico o foi, esforçando-se para ser fiel ao Evangelho de Jesus, encarnado em uma Igreja missionária, despojada e servidora. Não faltou-lhe a graça do bom Deus para o anúncio da verdade e da justiça, carregando consigo a utopia do reino, no sonho de tempos novos para sua querida gente de El salvador. “...o Evangelho me impulsiona a defender meu povo e em seu nome estou disposto a ir aos tribunais, ao cárcere e à morte”. Como é importante neste ano de sua beatificação olhá-lo como uma criatura encantadora de Deus, que sofreu a brutalidade e a crueldade de um crime, morrendo por dar testemunho de sua fé, ao denunciar mentiras e injustiças. A imagem de Dom Oscar Romero faz-nos recordar de todos que pela causa do Evangelho e com um grande desejo de instaurar o reino, a partir do testemunho de fé, abraçaram a boa nova conscientes dos riscos.

O Papa Francisco aprovou no dia três de fevereiro, após 21 anos do início do processo, o decreto de  beatificação do arcebispo salvadorenho, Dom Oscar Romero, conhecido por defender os empobrecidos e símbolo na luta em favor da justiça e da paz na América Latina. Assassinado no altar de uma igreja em 1980, por um comando de extrema direita, enquanto celebrava uma missa. O martírio foi por ele previsto nas suas próprias palavras: “O martírio é uma graça de Deus, que não creio merecer. Porém, se Deus aceitar o sacrifício de minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade e sinal de que a esperança se torna realidade. Minha morte, se aceita por Deus, seja para a libertação do meu povo e como testemunho de esperança no futuro”. O papa Francisco indo nessa mesmo direção do amado pastor, disse aos 28/04/2015, de não ter medo correr risco, nas palavras a seguir: "Nesta missa, vamos pedir a Deus a coragem apostólica, a de transmitir uma vida cristã e não um ‘museu de recordações’. A Igreja deve ser capaz de correr riscos para evitar ser um ‘museu de recordações’, porque fazer como sempre foi feito é uma alternativa de morte”.

Com beatificação do arcebispo de São Salvador aos 23 de maio de 2015, no seu país natal, no qual foi martirizado com um tiro no peito em 1980, pela decisão da junta militar que dominava o país, faz-nos pensar na sua enorme fé, vivida e ensinada: “Não nos cansemos de denunciar a idolatria da riqueza, que faz consistir a grandeza da pessoa humana no ter e esquece que a verdadeira grandeza é ser. A pessoa humana não vale pelo que tem, mas pelo que é e faz”. O anúncio  da notícia alvissareira foi feito em uma conferência à imprensa pelo postulador da causa de canonização, o arcebispo italiano Dom Vicenzo Paglia, adiantando também o local da cerimônia, cabendo a presidência ao cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. O rito de beatificação constitui uma etapa essencial e imprescindível à canonização. Pela canonização, um cristão é declarado santo e se alarga a sua veneração a todas as nações por toda extensão da terra.

O modelo capitalista implantado na America Latina, começou com a marca da desigualdade social e estrutural, entrando em cheio também em El Salvador, desde que para cá vieram os europeus. Dom Oscar Romero demorou um pouco a compreender a realidade injusta de seu país. Mas ao abraçar a proposta do Evangelho, repleta de ternura, paixão e enorme amor ao povo da sua querida arquidiocese de São Salvador, foi forte e determinada, que faz-nos recordar inigualável e sagrado desejo da Rainha Ester: “Se realmente encontrei graça a teus olhos, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida, e a vida do meu povo, eis meu desejo e minha súplica (cf. Es 7,3). Com estilo de vida e com uma mística a causar medo e contrariar os que desejavam e desejam outro projeto, longe e distante do projeto de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso mesmo tramaram: vamos assassiná-lo. A América Latina, El Salvador e, especialmente, São Salvador vive o encantamento na força de uma figura humana, concretizada vivamente através de sua beatificação, como uma oferta e sacrifício de louvor a Deus, na certeza de ele vai se perpetuar ainda mais a partir da sua beatificação (23/05/2015) como figura exemplar e referencial, símbolo e patrimônio do povo da América Latina.

 “Ressuscitarei na luta de meu povo”, expressão que jamais será esquecida, na figura emblemática de Dom Oscar Romero, arcebispo de São Salvador, em El Salvador. Após trinta e cinco anos, podemos render graças a Deus, no que ele dizia - “se me matarem ressuscitarei na luta dos pobres”, primeiro em sua pátria, mas em todos aqueles países que viviam na ausência de liberdade. Aos poucos ele foi percebendo a opressão política, econômica e social sobre seu povo. Por tudo isso, agora o reconhecimento do do Santo Padre, o Papa Francisco. As Pontifícias Obras Missionárias, através do “Serviço de Informação Missionária” (SIM) quer reconhecer e agradecer ao bom Deus, sem meias palavras, em Dom Romero, um homem profundamente marcado pela graça divina, que o Evangelho de Jesus o transformou em um irmão inspirado e inspirador. Ele que não tinha medo de denunciar torturas, desaparecimentos e a falta de liberdade e os mais elementares direitos; seja também pelas suas propostas de diálogo, de mudanças estruturais, que se respeitasse a vida do povo e que justiça fosse implantada. Sonhava com uma Igreja povo de Deus, servidora, despojada e missionária, que com coerência, se adaptasse as resoluções do Concílio Vaticano II (1962-1965), tornando-se incômodo e contrariando os militares que governavam seu país, os ricos e até mesmo seus colegas bispos, padres e cristãos leigos em geral.

Compreendemos o martírio de Dom Romero dentro do contexto da morte e ressurreição de Cristo, no seu insondável mistério: "Cristo Jesus, que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz" (Fip 2,6-8). O domingo, 24 de março de 1980, dia em que a bala atingiu o coração de Dom Oscar Romero, martirizando-o, enquanto celebrava o santo sacrifício da missa, jamais será esquecido pelo seu povo salvadorenho. Vale lembrar que ele foi perseguido durante a Guerra Civil do seu país, conflito armado que se estendeu de 1980 a 1992 entre o governo de direita e a guerrilha de esquerda, deixando 75 mil mortos. Dom Romero assumiu uma postura de defesa dos índios, pobres e perseguidos políticos pelas milícias paramilitares. Semanas antes de sua morte, Dom Romero intensificou as denúncias contra o governo salvadorenho e militares por violações aos direitos humanos do seu país. Dizia ele: “Uma Igreja que não sofre perseguição, mas que desfruta o privilégios e o apoio das coisas da terra – Tenham Medo! – não é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo”.  Até hoje, o crime não foi julgado pelo Estado de El Salvador. A Lei de Anistia do país, assinada em 1993, deixou centenas de crimes, inclusive o assassinato do arcebispo, sem aplicação da Justiça. Um informe da Comissão da Verdade do país aponta o militar e fundador do Partido Aliança Republicana Nacionalista – ARENA, Roberto D'Aubuisson Arrieta, morto em 1992, como um dos mentores do crime.

No entardecer da vida sereis julgados pelo amor, afirma são João de Cruz. Na missão de Santificar, ensinar e governar, o exemplo de Dom Oscar Romero chegou ao ponto mais elevado no amor generosidade, renúncia e doação, sendo assassinado pela maldade humana, mas ressuscitado na vida de sua querida gente salvadorenha, no gesto de bondade do Papa Francisco em beatificá-lo neste ano de 2015. É a salvação do nosso Deus que chega, vivenciada e contemplada nos confins do universo (cf. Sl 97,3), com sinal nítido e evidente no pequeno país de El Salvador, através de seu inesquecível pastor, a que vítima que se assemelhou ao Filho de Deus. Guardemos no âmago do coração as palavras de Dom Luciano Mendes de Almeida, concernente ao contexto tão claro e ilustrado: “Não foi Deus que criou a fome, a miséria e a injustiça, foi a maldade humana”.

Em um mundo profundamente marcado por sinais de morte, no qual Dom Oscar Romero se inseriu, foi  graça de Deus que ele descesse do seu cavalo conservador no qual estava montado.  Que ele nos inspire e atraia ao amor quente e apaixonado, vivido pelo Apóstolo Paulo, por Francisco de Assis e pelo Papa Francisco. Paulo caiu do cavalo a caminho de Damasco e passou a viver só para Deus. Francisco também desceu do cavalo bonito e fogoso, depois do beijo do Leproso, compreendendo a doação total de Deus pela humanidade, o Sumo Pontífice por sua vez se inspirou no pobrezinho de Assis. Que Deus nos dê a graça de descer do nosso cavalo, que é o comodismo, o orgulho  e tudo mais que nos afasta do Pai. Assim seja!

*Pároco de Santo de Afonso em Fortaleza –CE, blogueiro e vice-presidente da Previdência Sacerdotal

Centenário de Dom Eliseu Simões Mendes, a homenagem da Paróquia Santo Afonso - Fortaleza CE

Nota
Heliomárzio Moreira*

O nome de Dom Eliseu Simões Mendes está ligado ao Estado do Ceará.  De 1950 a 1953 ele foi bispo auxiliar de Fortaleza, de 1953 a 1960, bispo de Mossoró e de 1960 a 1980, o primeiro bispo da diocese de Campo Mourão, no Paraná. O Paraná está em festa e este domingo, às 19h, encerra o ano do centenário do nascimento de Dom Eliseu na Catedral São José de Campo Mourão. Também estará sendo inaugurada uma estátua do primeiro bispo de Campo Mourão, em frente à catedral. Participarão da missa Maria José Mendes Daltro Borges (Zelita), sobrinha de Dom Eliseu, e sua filha Técia Borges, que moram em Feira de Santana, BA. A celebração será presidida pelo bispo diocesano Dom Francisco Javier Delvalle Paredes. Dom Eliseu nasceu aos 18 de maio de 1915 e faleceu em 02 de março de 2001 em Feira de Santana, na Bahia, sua terra natal.

Estátua de Dom Eliseu S. Mendes
17//05/2015
Já bastante conhecido por trazer à memória do povo cearense os grandes cristãos brasileiros e sua importância para a nossa Igreja, Padre Geovane Saraiva foi seminarista de Dom Eliseu em Campo Mourão, Paraná. Dom Eliseu, de generosidade que lhe era peculiar, carregava consigo uma grande preocupação com a criatura humana, humanizando-a pela formação e qualificação. De elevada cultura, sensibilidade acadêmica e literária foi, na mais elevada expressão, um cultor das letras. Se hoje o Padre Geovane pode contribuir no mundo da cultura e da literatura, pelo hábito de escrever para diversos veículos de comunicação, especialmente nos novos meios de comunicação, partindo para a Evangelização pela Internet, por meio de Blogs e o Site, indo a areópagos no ciberespaço, onde antes não se ouvia falar de Jesus Cristo, a presença de Dom Eliseu em sua vida foi imprescindível, e de importância incomensurável.

Por essa identidade com o serviço pastoral de Dom Eliseu e sua importância à Igreja, a Paróquia de Santo Afonso se irmana à diocese de Campos Mourão neste dia memorável do centenário de tão importante servidor de Cristo. Viva a Dom Eliseu! Viva Nosso Senhor Jesus Cristo!
*Professor de Física e Astronomia, coordenador da Pastoral da Comunicação da Paróquia de Santo Afonso em Fortaleza, Ceará.
Pe. Geovane fez questão de homenageá-lo, usando neste domingo jubilar de 17/ 05/2015,
o cálice e a estola, presentes do amigo, Dom Eliseu Simões Mendes

Celebração da Paixão do Senhor na Paróquia de Santo Afonso - Parquelândia

Pe. Geovane Saraiva
Fortaleza - CE, 03/04/2015

A pedra angular é o bom pastor

Padre Geovane Saraiva*

Nas construções antigas, a pedra angular era tida como a pedra fundamental, a primeira a ser assentada na esquina do edifício, formando um ângulo reto entre duas paredes. Servia para definir a colocação das outras pedras e alinhar toda a construção. O edifício, o qual nos referimos por analogia, é Jesus Cristo, e que compreendido aos olhos da fé e também pela razão, é a pedra angular, aquela que os pedreiros rejeitaram (cf. Sl 117, 22), que por inúmeras vezes a Bíblia Sagrada se refere.

Ainda associando a ideia de edifício, ou de uma construção, nos vem a mente a Igreja como templo santo de Deus. No Antigo Testamento temos em Salomão a prefiguração de Cristo, ao edificar o templo como lugar por excelência de encontro com Deus. Naquele lugar sagrado guardava-se a Arca da Aliança, sinal límpido da presença do Senhor no meio do seu povo. O maravilhoso neste contexto inefável é perceber que o templo prefigura a Igreja, a Sião ou a Jerusalém Celeste, local no qual o Espírito Santo de Deus habita, guiando-a e sustentando-a (cf Rs 6,1-14).

Somos chamados de pedras vivas e Cristo conta conosco, como protagonistas indispensáveis nesta construção espiritual, que é a Igreja. Nela, todos são importantes, ninguém é descartável ou inútil, contradizendo portanto a lógica do deus dinheiro que descarta os menos favorecidos. “Nós somos pedras vivas no templo santo do Senhor”, disse o Papa Francisco, na audiência geral da quarta-feira, de 26/06/2013, na Praça de São Pedro, reafirmando esta verdade da fé. Urge um convencimento sempre maior de crer na Palavra de Deus, nós que temos Jesus Cristo por base e fundamento, no qual está edificada a Igreja de Cristo, que aos olhos da fé a vemos como bela e indescritível obra.

Como é maravilhoso pensar na Igreja, tendo Cristo como o bom pastor, como pedra angular e seus discípulos e seguidores, como pedras vivas neste edifício espiritual, numa forte e encantadora simbologia, indicando a utilidade das pessoas na Igreja de Cristo. Somos, portanto, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, na qual a pedra angular é o elemento essencial da nossa razão de ser e existir, o fundamento sólido e seguro da referida construção.

O edifício espiritual que é a Igreja subsiste ao longo dos tempos através dos sacerdotes. Aqui fica fácil compreender nas sábias palavras do Papa Francisco, ao ordenar dezenove (19) novos sacerdotes, na Basílica de São Pedro aos 26/04/2015, exortando-os que com o batismo reunireis novos fiéis ao povo de Deus, pedindo-lhes para nunca recusar o batismo  àqueles que o pedem. Com o sacramento da penitência perdoarão os pecados em nome de Cristo e da Igreja e, mesmo em nome de Cristo e da sua esposa, a Igreja. o Papa suplicou-lhes igualmente para nunca se cansarem de ser misericordiosos, reiterando que eles estarão no confessionário para perdoar e não para condenar e que, sobretudo, deverão imitar o Pai que nunca se cansa de perdoar.

Disse ainda o Santo Padre, que com o óleo santo, enfim, eles levarão o alívio aos doentes e celebrando os ritos sagrados, eles serão a voz do povo de Deus e de toda a humanidade, sugerindo-lhes, portanto, uma Igreja despojada e servidora, sempre disponível para a missão, que no plano divino é o mistério salvífico, sinal e presença do Reino de Deus, que os sacerdotes têm que ter sempre diante de si o exemplo do Bom Pastor, a “Pedra que vós, os construtores desprezastes e que se tornou a pedra angular” (cf. At 4, 11).

*Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE - geovanesaraiva@gmail.com

Os carmelitas e as celebrações pelos 500 anos de nascimento de Santa Teresa

Rádio Vaticana


Cidade do Vaticano (RV) -   Em 28 de março, o Papa Francisco abriu as celebrações pelos 500 anos de nascimento de Santa Teresa de Jesus, que se prolongarão ao longo de todo o ano de 2015. Santa Teresa foi beatificada em 1614, canonizada em 1622 e proclamada Doutora da Igreja por Paulo VI em 1970.
O Frei Marcos Juchen Junior, natural de Bom Princípio, RS, ingressou na Ordem carmelita em 1965, quando tinha 12 anos. Ainda no encargo de Definidor-geral para toda América Latina e o Caribe e para alguns serviços em países na Europa, num total de 40 países, o carmelita gaúcho falou à Rádio Vaticano sobre Santa Teresa, as celebrações pelo quinhentos anos de seu nascimento, as sugestões para se ter Santa Teresa como Padroeira dos psicólogos, entre outros.
Ouça:
(from Vatican Radio)

NOSSO AMOR AO AMANHECER!

Minha foto

Lu Couto*
Minhas mãos trêmulas
Procuram as suas,
Para entrelaçadas ficarem
Entre troca de olhares!

Meu olhar procura o seu...
O seu procura o meu!
Assim, abraçados ficamos,
Sob a brisa fresca do amanhecer!

Raios de sol chegam
E cumprimenta-nos...
Enquanto deslizo minhas
Suaves mãos em sua face!

À espera de um dia perfeito,
Ao seu lado quero ficar...
Descobrir recantos e lugares
Numa loucura de te amar!

Ao seu lado quero estar...
E conduzida por ti,
Vislumbrar o dourado sol
Feito sua pele, a me encantar!

O tempo não para... Voa...
E eu continuo perdida no tempo,
Da cor de sua pele,
Dourada feito o sol!

Porque foges de mim
Que aqui vivo a te esperar?
A sua volta é sol a me aquecer,
A cada manhã!

Sinto um fogo que queima-me,
Por fora e por dentro,
Incendiando meu corpo
A cada ausência sua!

Longe de ti, eu sofro...
Não quero que esta chama
Que vem de dentro de mim,
Se torne apenas em luz incandescente.

Que o nosso amor
Seja como o sol ao amanhecer...
Que retorne sempre renovado
De uma nova fonte
Em uma nova nascente!
 *Jornalista,escritorapoetisa e colunista.

O essencial do credo

  domtotal.com

O mistério de Deus não é algo longínquo. Está presente no fundo de cada um de nós.

Ao longo dos séculos, os teólogos cristãos elaboraram profundos estudos sobre a Trindade. No entanto, bastantes cristãos dos nossos dias não conseguem captar o que tem que ver com as suas vidas essas admiráveis doutrinas.
Ao que parece, hoje necessitamos ouvir falar de Deus com palavras humildes e simples, que toquem o nosso pobre coração, confuso e desalentado, e reconfortem a nossa fé vacilante. Necessitamos, talvez, recuperar o essencial do nosso credo para aprender a vivê-lo com alegria nova.
"Creio em Deus Pai, criador do céu e da terra". Não estamos sós ante os nossos problemas e conflitos. Não vivemos esquecidos, Deus é nosso "Pai" querido. Assim O chamava Jesus e assim O chamamos nós. Ele é a origem e a meta da nossa vida. Criou-nos a todos só por amor, e espera a todos com coração de Pai no final da nossa peregrinação por este mundo. O Seu nome é hoje esquecido e negado por muitos. Os nossos filhos vão-se afastando Dele, e os crentes, não sabemos contagiá-los com a nossa fé, mas Deus continua a olhar a todos com amor. Mesmo que vivamos cheios de dúvidas, não temos de perder a fé num Deus Criador e Pai, pois teríamos perdido a nossa última esperança.
“Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor.” É o grande presente que Deus fez ao mundo. Ele contou-nos como é o Pai. Para nós, Jesus nunca será um homem mais. Olhando para Ele, vemos o Pai: em nossos gestos captamos a Sua ternura e compreensão. Nele podemos sentir o Deus humano, próximo, amigo. Este Jesus, o Filho amado de Deus, animou-nos a construir uma vida mais fraterna e ditosa para todos. É o que mais quer o Pai. Indicou-nos, também, o caminho a seguir: “Sejam compassivos como o vosso Pai é compassivo”. Se esquecermos a Jesus, quem ocupará o Seu vazio? Quem nos poderá oferecer a Sua luz e a Sua esperança?
“Creio no Espírito Santo, Senhor e dador da vida.” Este mistério de Deus não é algo longínquo. Está presente no fundo de cada um de nós. Podemos captá-lo como Espírito que alenta as nossas vidas, como Amor que nos leva até aos que sofrem. Este Espírito é o melhor que há dentro de nós.
Instituto Humanitas Unisinos, 29-05-2015.

Por que o papa sempre dirá 'não' aos gays?

domtotal.com

Por Andrea Tornielli

O voto irlandês em que triunfou a maioria do “sim” a favor do casamento homossexual interroga a Igreja. O cardeal Pietro Parolin, “primeiro ministro” do Papa Francisco, definiu o resultado do referendo irlandês sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo como uma “derrota para a humanidade”. O arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, em entrevista ao La Stampa, comentou no calor das eleições o resultado da votação falando de uma “revolução cultural” e explicando que “a Igreja deve se perguntar quando começou esta revolução cultural e porque alguns em seu interior se recusaram a ver esta mudança”.
O presidente da Conferência Episcopal da Itália, o cardeal Angelo Bagnasco, por sua vez, em uma entrevista ao jornal italiano La Repubblica, falou sobre a necessidade de um diálogo “sereno, sem ideologias” sobre estes temas e acrescentou que o resultado da votação irlandesa “faz interrogações sobre a nossa capacidade de transmitir às novas gerações os valores nos quais acreditamos, capazes de um diálogo que tenha em conta a situação concreta das pessoas”. Tons e ênfases que apresentam vários matizes e que se somam às interpretações sobre o pensamento do Papa Francisco em relação a estes temas. Qual é a posição do Papa, que disse ‘se uma pessoa é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”, em relação às legislações que introduzem os casamentos entre pessoas do mesmo sexo?
As leituras ideológicas, em ambos os lados, se esquecem de que uma coisa é a acolhida das pessoas homossexuais manifestada pelo papa Francisco e em linha com o que se afirma no Catecismo da Igreja Católica, e outra é a aprovação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Quando era cardeal de Buenos Aires, em 2010, Jorge Mario Bergoglio pronunciou-se sobre o assunto, evitando declarações públicas, com duas cartas. Na primeira, enviada às monjas de clausura de quatros conventos, afirmou que a questão não era “uma simples luta política”, mas que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo representavam “uma pretensão destrutiva do plano de Deus”. Na segunda, enviada ao presidente do conselho dos leigos da diocese, animava os leigos a lutar pelos valores cristãos. Esta última foi publicada com a aprovação de seu ator, mas a segunda vazou à imprensa e provocou várias polêmicas. Como Papa, com uma referência à teoria do gênero que se pode aplicar às legislações que comparam o casamento entre homem e mulher com as uniões entre pessoas do mesmo sexo, falou em mais de uma ocasião em “colonizações ideológicas”. É, portanto, difícil, apresentar Francisco como patrocinador dos casamentos homossexuais, opondo-o, talvez, às hierarquias eclesiásticas.
O que é evidente é que o papa (por exemplo, com a catequese das audiências das quartas-feiras dedicadas ao tema da família) quer apresentar de maneira positiva a beleza da família baseada no matrimônio entre um homem e uma mulher, e a necessidade de apoiá-la e protegê-la. Aposta em evangelizar com exemplos que atraem, em vez de se limitar a repetir condenações, como quiseram alguns círculos católicos que se sentem vivos apenas quando têm um inimigo a ser combatido. Claro, “a revolução cultural” do referendo irlandês expõe as dificuldades que a Igreja tem na transmissão de seu ensinamento inclusive nos países que tempos atrás eram “muito católicos”. Mas a resposta à secularização dificilmente poderá passar pelas batalhas e oposições estéreis.
Vatican Insider, 28-05-2015.
*Tradução de André Langer.

A fé faz milagres, não negócios

 domtotal.com

Por Mauro Pianta

Uma fé autêntica, capaz de perdoar e aberta ao próximo. Pelo contrário, Jesus condena “o egoísmo espiritual” e a redução da religião a mero “negócio”. Devem ter cuidado todos aqueles que utilizam “as coisas de Deus para o próprio proveito”. Foi o que disse o Papa Francisco na manhã da sexta-feira 29 de maio na homilia da missa matutina na capela da Casa Santa Marta, segundo indicou a Rádio Vaticano.
O Evangelho do dia propõe “três modos de viver” nas imagens da figueira que não dá frutos, nos mercadores do Templo e no homem de fé, disse Francisco.
“A figueira – afirmou o Papa – representa a esterilidade, ou seja, uma vida estéril, incapaz de dar qualquer coisa. Uma vida que não frutifica, incapaz de fazer o bem”.
“Vive para si: tranquila, egoísta, não quer problemas – prosseguiu. E Jesus maldiz a figueira porque é estéril, porque não fez nada para ajudar, que vive sempre para si mesma, para que não lhe falte nada. No fim, essas pessoas se tornam neuróticas, todas elas! Jesus condena a esterilidade espiritual, o egoísmo espiritual. ‘Eu vivo para mim, que a mim nada falte e os outros que se virem!’”
A outra forma de viver, explicou o Papa, “é a daqueles exploradores, dos negociantes no Templo. O Papa explicou que esses exploram até mesmo o lugar sagrado de Deus para fazer negócios: trocam moedas, vendem os animais para os sacrifícios, têm até um sindicato para defendê-los. Isso não somente era tolerado, mas permitido pelos sacerdotes do Templo”. São “aqueles que fazem da religião um negócio”, afirmou Francisco.
Na Bíblia, recordou o Pontífice argentino, está a história dos filhos de um sacerdote que “obrigavam as pessoas a darem ofertas e ganhavam em cima disso, também dos pobres. E Jesus não economiza nas palavras: ‘A minha casa será chamada casa de oração. Vocês, ao contrário, fizeram dela um covil de ladrões’”.
“O povo peregrinava ao Templo para pedir a bênção do Senhor, fazia um sacrifício: e lá, aquelas pessoas eram exploradas! Os sacerdotes não os ensinavam a rezar, não ministravam catequese… Era um covil de ladrões. Paguem, entrem… Realizavam os rituais vazios, sem piedade. Não sei se nos fará bem pensar se conosco acontece algo do gênero em qualquer lugar. Não sei. Usar as coisas de Deus para o benefício próprio”.
A terceira forma de viver é “a vida de fé”, como indica Jesus: “Tenham fé em Deus. Se alguém disser a esta montanha: ‘ergue-te e lança-te ao mar’, e não duvidar no coração, mas crer que o que diz se realiza, assim lhe acontecerá’. Tudo o pedirem na oração, “peçam-no com fé e acontecerá. Acontecerá exatamente o que pedimos com fé”.
“É o estilo de vida da fé. ‘Pai, o que devo fazer para isso?’ ‘Mas peça-o ao Senhor para que te ajude a realizar coisas boas, mas com fé. Somente uma condição: quando vocês rezarem pedindo isso, se vocês tiverem algo contra alguém, perdoem. É a única condição, para que também o vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas’. Este é o terceiro estilo de vida. A fé, a fé para ajudar os demais, para se aproximar de Deus. Esta fé faz milagres”.
O Papa concluiu sua homilia com uma oração: “Peçamos hoje ao Senhor... que nos ensine este estilo de vida de fé e que nos ajude a não cair jamais – nós, a cada um de nós, e a Igreja – na esterilidade e no comércio”.
Vatican Insider, 29-05-2015.

Turismo social permite conhecer o mundo fazendo trabalho voluntário

Projetos atuam em orfanatos, santuários de animais e aldeias rurais. 

Tailândia, África do Sul, Peru, Índia e Moçambique são alguns destinos.

Flávia MantovaniDo G1, em São Paulo

O oncologista Marcelo Aisen já conheceu nas férias vários destinos da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia. Mas algumas de suas melhores lembranças de viagem com a família vêm de um lugar inusitado: uma aldeia rural sem luz elétrica nem água encanada em Moçambique.
Em março deste ano, Marcelo embarcou para o país africano com a mulher e a filha adolescente em uma viagem de uma semana organizada por uma ONG internacional.
Lá, eles ajudaram a pintar um centro comunitário, trocaram ideias com pessoas pertencentes a uma realidade muito diferente da sua e conheceram Fátima, uma criança de oito anos que a família apadrinha com suas doações há alguns anos.
Selo Marcelo Aisen em Moçambique: Foi um dos melhores dias da minha vida (Foto: Marcelo Aisen/Arquivo pessoal)Selo Marcelo Aisen em Moçambique: Foi um dos melhores dias da minha vida (Foto: Marcelo Aisen/Arquivo pessoal)
A viagem, organizada pela organização ActionAid, levou um grupo de sete pessoas para conhecer projetos sociais em Moçambique. A entidade oferece esse tipo de viagem desde 2010: as demais foram dentro do Brasil, nos estados do Piauí, Bahia, Alagoas e Maranhão.
Os gastos são pagos pelo turista – a de Moçambique, por exemplo, custou cerca de R$ 1.500 por pessoa, fora a passagem aérea. No segundo semestre deste ano, haverá outra viagem para a região semiárida do norte de Minas Gerais.
De orfanato a santuário de animais
Adoro cachorros e achei legal poder trabalhar com eles. Foi inesquecível, diz Jefrey Moura (Foto: Jefrey Moura/Arquivo pessoal)
Outras organizações e agências que atuam no Brasil e oferecem viagens parecidas, com foco em trabalho voluntário e causas sociais.
Entre as muitas atividades disponíveis, é possível ensinar inglês em orfanatos na Tailândia ou no Peru, auxiliar em aulas de equitação para pessoas com deficiência na África do Sul, ser voluntário em uma clínica de medicina alternativa na Índia ou cuidar de crianças vítimas de abuso no Chile.
É possível ensinar inglês em orfanatos na Tailândia, auxiliar em aulas de equitação na África do Sul, ser voluntário em uma clínica de medicina alternativa na Índia ou cuidar de vítimas de abuso no Chile
Há também projetos com viés ambiental, em santuários de felinos ou de aves raras, parques de elefantes e reservas de animais selvagens em países como África do Sul e Namíbia.
Para sua primeira viagem ao exterior, o massagista Jefrey Moura, de 25 anos, optou por um projeto voltado para ajudar animais. Ele passou um mês fazendo trabalho voluntário em uma ONG que acolhe cães de rua na Cidade do Cabo, na África do Sul. “Tenho cachorro desde pequeno, adoro. Achei um atrativo legal”, diz.
Suas tarefas incluíam percorrer as ruas da cidade atrás de cachorros e gatos abandonados, passear com eles, alimentá-los e reeducá-los para serem adotados depois. “Foi inesquecível”, diz. ”Consegui me virar bem, conheci o lugar. Faria de novo”, afirma.
‘Choque’
Brasileira abraça moradora de aldeia em Moçambique durante a viagem  (Foto: Ernânio Mandlate/ActionAid/Divulgação)Brasileira abraça moradora de aldeia em Moçambique durante a viagem (Foto: Ernânio Mandlate/ActionAid/Divulgação)

Na viagem da ActionAid para Moçambique, o grupo do Brasil visitou duas aldeias no interior de Moçambique. Foi recebido com músicas, teatro, danças típicas e uma partida de futebol feminino. “Joguei bola com eles, fiz mágica. Foi um dos melhores dias da minha vida”, lembra Marcelo Aisen.
A chegada até lá foi demorada. Só na ida, eles pegaram três voos, além dos trajetos de ônibus e van. Um dos voos atrasou e o grupo levou dois dias além do previsto para chegar ao destino. Mas ninguém reclamou. “Se fosse uma viagem de turismo as pessoas ficariam bravas. Mas ali todo mundo aceitou tudo, o espírito era muito legal”, diz Marcelo.
Segundo o médico, a experiência foi “um choque”. “A gente não imagina a miséria que ainda tem pelo mundo. Eu nunca tinha visto algo naquele grau”, conta
Foi um choque para a minha filha. Deu um clique nela, diz Marcelo Aisen (Foto: ActionAid/Divulgação)
Para a filha de Marcelo, uma estudante de moda de 17 anos, a experiência foi ainda mais transformadora. “Deu aquele clique nela. Ela viu que a gente não pode desperdiçar as coisas, que a gente tem que ajudar”, afirma o brasileiro, que voltou disposto a fazer outra viagem com a ONG para poder levar o filho de 15 anos, que não conseguiu ir dessa vez.
Segundo Bruno Benjamin, coordenador de captação da organização no Brasil, a ideia é fazer uma prestação de contas diferente, dando ao doador a noção de como a organização trabalha e como seu dinheiro é utilizado.
“Começou com esse objetivo. Mas a gente percebeu que vai muito além disso. É um grande encontro de solidariedade, tanto para as pessoas que viajam quanto para as que recebem o grupo”, diz.
Marcelo Aisen concorda. “Uma coisa é você doar. Outra é você chegar na outra ponta”, diz.
Intercâmbio social
Thaís (sentada, no centro) no albergue onde foi voluntária, na Guatemala (Foto: Thais Gervasio de Brito/Arquivo pessoal)Thaís (sentada, no centro) no albergue onde foi voluntária, na Guatemala (Foto: Thais Gervasio de Brito/Arquivo pessoal)
Uma das entidades que atuam há mais tempo no Brasil em viagens para trabalhos voluntários é a Aiesec, organização sem fins lucrativos que promove intercâmbios profissionais e sociais para jovens universitários.
O programa voltado para viagens sociais, chamado Cidadão Global, é dirigido a jovens entre 18 e 30 anos que tenham no máximo dois anos de formados ou cursem graduação ou pós-graduação. Os destinos favoritos dos brasileiros para os intercâmbios sociais são Peru, México, Argentina, Colômbia, Hungria, Polônia, Turquia e Índia.
A publicitária Thaís Gervasio de Brito, de 27 anos, é uma das pessoas que já viajaram com a organização. No início deste ano, ela passou três meses na Guatemala. Foi sua primeira viagem internacional.
“Escolhi o país pela curiosidade. É um lugar sobre o qual a gente não tem referência, que tinha grande chance de me surpreender. E é muito pobre, queria ir para um lugar onde fizesse a diferença na vida das pessoas”, diz.
Selo turismo social Thaís Gervasio de Brito (Foto: Thais Gervasio de Brito/Arquivo pessoal)
Thaís trabalhou na zona rural do país, em um albergue para mulheres e crianças vítimas de abusos. Passava todas as manhãs no local, tinha aulas de espanhol à tarde e nos fins de semana viajava pelo país.
A publicitária diz que a experiência foi “riquíssima” e a surpreendeu positivamente “em todos os sentidos. “Eu estava apaixonada pelo trabalho que fazia. É muito bom fazer algo pelo outro, receber um abraço e ver que você melhorou a vida de alguém. Incorporei isso para a vida”, diz.
Quem oferece
ActionAid
O programa "Mão na Massa" leva brasileiros para conhecer projetos e beneficiários da ONG internacional dentro e fora do país. É preciso pagar os custos da viagem. O programa é aberto a doadores e não doadores. A próxima viagem será para a região semiárida no norte de Minas Gerais.
Informações neste link.
Aiesec
O projeto Cidadão Global leva jovens de 18 a 30 anos para fazer intercâmbios sociais em vários países. É preciso cursar graduação ou pós-graduação ou ter no máximo dois anos de formado. O preço máximo é de R$ 1.500, mais a passagem aérea. Os destinos incluem Colômbia, Peru, Polônia, Guatemala e Rússia.
Informações neste link.
CI
A agência de intercâmbio tem roteiros voltados para trabalho voluntário em países como África do Su, Peru, Sri Lanka, Namíbia e Índia. Há projetos com foco social, em lugares como centros de saúde ou orfanatos, e ambiental, em santuários de aves, elefantes e felinos, por exemplo.
Informações neste link.
Experimento
A empresa de intercâmbio oferece diversas opções de viagens com foco em voluntariado. Entre elas, trabalhar em uma fazenda orgânica na África do Sul, ajudar uma instituição que preserva a cultura turca em Istambul e ensinar inglês para crianças na Tailândia ou no Peru
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