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Choram porque amam

Padre Geovane Saraiva* Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem d...

24 de setembro de 2016

SEM PINCÉIS, SEM TINTAS

Diante de tanta beleza
Penetro no paraíso...
O verde da mata me saúda
As flores sorriem de graça
As montanhas são serenas.

A inspiração me toca...
quero retratar tal beleza!
Mas estou desprovida...
Não há pincéis, nem tintas!
Mas há a mente que arquiva
E pinta através das palavras...

A natureza me envolve
Eleva a outra esfera
Não há pincel nem tinta
Que consiga sonorizar
O cantar dos pássaros...
O sussurro do vento.

emocionada está minha alma
Com o sutil aroma das flores
Com o perfume das matas...
A revelar tantos esplendores
Farei uma tela viva!
Mesmo sem pincéis e tintas
Pintarei a natureza através das palavras.

Cléo Anselmo

Lançamento e divulgação de Amigos de Verdade, Os olhos não veem, o coração sente e Olhos para Mariella

Lançamentos na Bienal do Livro SP, em 03 de Setembro de 2016






Posse do Acadêmico Emérito José Damasceno Sampaio


Reunião ordinária da AMLEF: 27/08/2016








49º Festival de Brasília do Cinema

Produção do Rio Grande do Sul, Rifle, de Davi Pretto, é o primeiro longa-metragem da mostra competitiva exibido no 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Camila Vieira
Enviada a Brasília

(Davi Pretto (à esquerda) e equipe do longa Rifle na exibição do filme. Foto: Divulgação/Junior Aragão)
Em uma região rural do Rio Grande do Sul, o jovem Dione vive com uma família em uma fazenda, que está sendo constantemente vigiada por um rico proprietário que deseja comprá-la. A premissa narrativa do longa-metragem de ficção Rifle, de Davi Pretto, recorre a um protagonista que resiste às estratégias do poder para lutar por sua própria permanência em um território tanto geográfico quanto afetivo – algo que lembra a personagem Clara, de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho. “Fiquei feliz com a semelhança entre estes filmes. Penso que é um momento em que pensamos coisas importantes que precisam ecoar”, afirma Davi, no debate sobre o longa, no dia seguinte a exibição do filme no 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Inserido na seleção dos nove longas da competição do festival, Rifle é um projeto que se originou em 2010, ainda no início da produtora Tokyo Filmes, da qual Davi Pretto é sócio. “É o resultado de muitas visitas, reescritas, processos e viagens. Representa um ciclo se fechando na nossa carreira”, explica Davi. Em parceria com o roteirista Richard Tavares, o processo de construção da narrativa se deu a partir do encontro com pessoas que habitavam a região. “A gente sentiu a intensidade e a angústia do protagonista, que falava muito de uma situação rural que nos incomodava”.
Durante a pesquisa para o filme, Richard recorda a observação de casas isoladas no meio do campo. “Conhecemos lugares que estavam se esvaziando. Tentamos entender para onde as pessoas iam, se migravam para a cidade ou não”, comenta o roteirista. Com elipses, silêncios, dilatação do tempo e minucioso desenho sonoro, os detalhes formais de Rifle emergem. É possível identificar inúmeras referências, desde o cinema de Abbas Kiarostami e de Lisandro Alonso, passando pelo gênero do faroeste e outras mais sutis, como Na Mira da Morte (Targets, 1968), de Peter Bogdanovich, em que há inspiração no desenvolvimento das sequências de tiros contra os carros que passam na estrada. “Tem disputa de território, a violência no campo, o personagem errante com passado misterioso”, pontua Davi.
Na construção sonora de Rifle, o desconforto do personagem com as constantes invasões é amplificado, com ruídos dentro da casa e no ambiente externo.
“Construímos o som a partir da matéria orgânica nas locações. Os elementos fantásticos surgiram deste material”, explica Tiago Bello, que fez o som direto. A escolha do elenco aconteceu junto com a feitura do roteiro, que foi reconstruído até o momento da filmagem em 2015. “Rifle nasceu de um embrião ficcional para criar pontos de contato com a realidade. Queria o elenco com uma família de verdade”, afirma o diretor. Foi quando a equipe encontrou Dione Avila, que interpreta o protagonista homônimo. “Não sabia que tinha talento para ator. Eu me senti a vontade como se eles fossem da minha família”, comenta Dione.
Curtas na competição
Na noite de quarta (dia 21), a mostra competitiva de curtas e/ou médias-metragens exibiu a ficção baiana Ótimo amarelo, de Marcus Curvelo, e a animação paulista Quando os dias eram eternos, de Marcus Vinicius Vasconcelos.
O primeiro curta foi filmado no bairro Rio Vermelho, em Salvador, que é marcado por obras de requalificação. “Fique com a vontade de discutir o bairro, o processo de gentrificação, de priorizar certas classes sociais da cidade. Quando tinha 10 anos, entendia aquele bairro como lugar de transição, que está sempre buscando algo e as pessoas tinham que sair dali para ser alguma coisa”, afirma o diretor e ator do curta, Marcus Curvelo.
A animação Quando os dias eram eternos é uma homenagem não só à mãe do diretor Marcus Vinicius como também ao dançarino e coreógrafo japonês Kazuo Ohno. “É uma história pessoal do momento que perdi minha mãe. Foi duro me colocar no filme”, comentou Marcus Vinicius. O realizador desenvolve um traço de animação muito singular, que remete ao movimento da dança. “Gosto do traço solto, do desenho vibrando na tela. O processo obsessivo de fazer animação tem uma relação com o processo obsessivo do luto. Nenhum frame é igual ao outro. Era a dança que fazia com a mão”.

*A repórter viajou a convite do Festival.

O PREFÁCIO DO PADRE BERGOGLIO EM LIVRO DE POESIA


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Cidade do vaticano (RV) – Em 19 de setembro de 2016 faleceu o Padre Osvaldo Pol, jesuíta argentino e poeta.
O então Reitor do Colégio Máximo San José era Padre Jorge Mario Bergoglio, que escreveu o breve prefácio de uma coletânea de poesias do Padre Pol intitulada “De destierros y moradas”.
O texto, até agora inédito, foi traduzido e publicado pelo Padre Antonio Spadaro SJ - Diretor da revista dos jesuítas “La Civiltà Cattolica” – em seu blog Cyber Teologia.
“Padre Osvaldo Pol, jesuíta, ex-aluno e hoje professor, escreveu quase todos estes sonetos aqui, em sua casa. Alguns já foram publicados, outros aparecem pela primeira vez”, escrevia o Padre Bergoglio.
“As faculdades de Filosofia e Teologia tem a alegria de apresentar este livro de sonetos onde, em linguagem poética, se manifesta a sabedoria teológica, que é o fruto mais apreciado pela Comapnhia de Jesus no seu compromisso acadêmico. Pode parecer paradoxal que um poeta fale, com linguagem da terra, de exilados da terra. Pode parecer paradoxal, mas não o é, porque a palavra poética tem morada de carne no coração do homem e, ao mesmo tempo, sente o peso de asas que ainda não levantaram voo. Árduo dilema, este, que Santa Teresa expressa poeticamente e misticamente: “Como é árduo este exílio!”.
Assinado em 20 de junho de 1981, por “Jorge Mario Bergoglio, SI Reitor”.
Fonte: www.br.radiovaticana.va

Pioneiro matemático indiano é personagem do drama 'O homem que viu o infinito'

Cena do filme


Cena do filme "O homem que viu o infinito", dirigido por Matt Brown.
Por Neusa Barbosa
O matemático autodidata indiano Srinivasa Ramanujan (1887-1920) é o foco da cativante cinebiografia “O Homem que Viu o Infinito”, em que o diretor britânico Matt Brown lança-se ao desafio de concretizar minimamente raciocínios muito abstratos.
Também autor do roteiro, Brown acerta ao focar seu filme num retrato sensível das dificuldades de adequação de Ramanujan (Dev Patel), um gênio intuitivo, a um tempo e um espaço ainda despreparados para compreendê-lo. Assim, observa-se com interesse os esforços do jovem pobre para sobreviver em Madras, sul da Índia.
Órfão de pai, sem dinheiro nem educação formal, ele luta para sustentar mãe e esposa (Devika Bhise). Não o ajuda muito sua obsessão permanente por fórmulas matemáticas que lhe chegam à mente naturalmente, como uma revelação divina – o que, aliás, ele acredita que seja o caso. “Deus fala comigo”, ele diz.
Conseguindo, a duras penas, um emprego num escritório – até por sua habilidade com as contas -, ele inicia uma correspondência que mudará sua vida, com um professor do renomado Trinity College, de Cambridge, G.H. Hardy (Jeremy Irons).
Com o professor, ele compartilha algumas de suas teses, surpreendendo Hardy ao ponto de intrigá-lo, pois sabe que se trata de uma pessoa simples do interior da Índia. Hardy decide, então, convidá-lo a vir para Trinity.
O choque cultural do jovem no ambiente elitista da escola inglesa é tratado com eficiência pelo filme. Ramanujan, que nunca deixara seu povoado indiano, é confrontado com toda espécie de hostilidade, do clima frio à alimentação pesada (ele é vegetariano), passando pela necessidade de usar sapatos, o que ele desconhece (só calçava sandálias). Pior que isso é a atitude francamente racista e desdenhosa da maioria dos professores de Trinity, que não veem com bons olhos a presença do camponês indiano sem diplomas entre eles.
O enredo tira bom proveito do contraste entre o próprio Ramanujan, místico e apaixonado pela intuição, e seu protetor Hardy, racionalista e ateu, empenhado em convencer o rapaz de que ele precisa assimilar procedimentos acadêmicos formais para poder comprovar a profusão de teorias que assaltam sua mente brilhante.
Nem todos são inimigos do novato, no entanto. Hardy tem no amigo e colega John Littlewood (Toby Jones) um aliado irônico e sagaz e mais aberto a relações pessoais do que o reservado Hardy. Num meio acadêmico altamente competitivo e conservador, também desperta como simpatizante deste pequeno núcleo independente o rebelde Bertrand Russell (Jeremy Northam). Mas é fato que são minoria.
Tal como fez em filmes anteriores, como “Quem quer ser um milionário” e “O exótico Hotel Marigold”, o protagonista Dev Patel não economiza energia para encarnar seu original personagem – embora aqui esteja ligeiramente mais contido em sua tendência para o overacting. Essa contenção contribui para que o filme não perca o foco.
Não exagerando no jargão matemático, “O Homem que Viu o Infinito” ressalta o preconceito de uma época contra o pioneirismo de um outsider, cujas teorias, quase um século depois de sua morte, vêm sendo não só comprovadas como aplicadas no desenvolvimento de computadores, na economia e no estudo dos buracos negros.

Reuters

Geraldo Azevedo encerra o IV Congresso Internacional de Direito Ambiental

Geraldo Azevedo cantou e encantou com "Dia Branco" Foto (Gilmar Pereira / Dom Total)
Por Larissa Troian
Repórter Dom Total

No dia 23 de setembro, às 21h, o cantor, compositor e violonista Geraldo Azevedo participou do encerramento do IV Congresso Internacional de Direito Ambiental, promovido pela Escola Superior Dom Helder Câmara. O artista, que sempre teve muito contato com a natureza, apresentou seu projeto intitulado “Salve o São Francisco”, em um show super intimista. Geraldo Azevedo nos concedeu entrevista exclusiva contando sobre seu projeto e sua relação com o público mineiro. Confira:
Dom Total: Como surgiu o “Salve o São Francisco”?
Geraldo Azevedo: Eu nasci na beira do Rio São Francisco, fui criado lá até os meus 18 anos. Cresci na roça mesmo, onde não existia nem chuveiro, qualquer banho era dentro do rio. Depois eu sai de lá, e, percorrendo o Brasil, passei por diversos locais onde o rio São Francisco passa. O que acontece é que sempre que eu chegava nesses lugares eu via o rio muito vazio. Isso foi na década de 90, antes da transposição. O projeto surgiu dentre outros fatores, para chamar a atenção das autoridades sobre o que estava acontecendo. Conversei com a Bethânia, ela topou fazer e iniciamos o projeto. Na verdade o São Francisco é apenas um exemplo, pois sempre me preocupei com o problema da água doce. É um problema que cresce, são muitas fontes que já perdemos, e o desrespeito à água é uma coisa impressionante, as pessoas usam sem consciência.
Dom Total: Qual a importância pra você em participar do Congresso Internacional de Direito Ambiental?
Geraldo Azevedo: Eu já participei uma vez lá em Ingaí e me senti muito honrado com isso, pois eu nasci no meio da natureza, eu me sinto muito envolvido com tudo isso e a natureza é a minha maior fonte de inspiração. À medida que ela vai se perdendo, sendo violentada eu fico preocupado. Cada vez que eu vejo pessoas com essa mesma preocupação eu sinto que existe uma força, uma união que possa ao menos amenizar essa destruição.
Dom Total: Fernanda Takai participou da sua música. Como foi compor com ela, que é uma artista mineira?
Geraldo Azevedo: Fernanda é um doce de pessoa. Eu quis nesse trabalho convocar artistas que vivem nos estados no qual o rio passa. A primeira proposta aqui em Minas foi o Milton Nascimento, mas ele estava envolvido em outros projetos. Foi então que resolvemos chamar a Fernanda Takai, e desde o primeiro contato sabíamos que seria uma parceria muito iluminada.
Dom Total: Muitos artistas falam que o público mineiro é muito caloroso musicalmente falando. Você concorda? Qual a sua relação com os mineiros?
Geraldo Azevedo: Eu concordo sim, acho que o público mineiro é muito musical. Minas tem uma cultura muito forte e eu sou muito influenciado por artistas mineiros, como Milton Nascimento, Toninho Horta e Vagner Tiso, eles foram meus colegas de carreira a vida inteira. Minha relação com Minas é realmente muito forte.
Super bem recebido pela platéia, Geraldo iniciou o show com a música “O Princípio do prazer” e, como sempre, cativou o público.
Veja também:

Redação Dom Total

Seca provoca primeiro racionamento de água em Brasília

Aline Leal - Repórter da Agência Brasil
calor em brasília
Para fugir do calor e da seca, homem molha o corpo na Esplanada dos Ministérios, em Brasília  EBC




















Brasília começou a enfrentar em setembro seu primeiro esquema de racionamento de água por falta do recurso. Em um período aproximado de duas semanas, cinco regiões administrativas tiveram o fornecimento de água suspenso, o que afetou cerca de 600 mil pessoas.
O Distrito Federal é abastecido por dois diferentes esquemas: 85% da população têm água de dois reservatórios, o do Descoberto e o de Santa Maria; e os outros 15% e parte dos produtores agrícolas recebem o líquido diretamente de pelo menos cinco córregos. Esta última é a população afetada pelo rodízio de suspensão de água das últimas semanas. As áreas atingidas são as regiões administrativas de Sobradinho, Planaltina, Jardim Botânico, São Sebastião e Brazlândia.
As primeiras suspensões do abastecimento, sofridas por Brazlândia, não foram programadas, mas decorrentes da falta de água no córrego de origem devido a um período de estiagem maior que o comum na região. A partir disto, a Agência Reguladora de Água, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) fez um plano de contingenciamento.
“Os córregos do Distrito Federal, em geral, são de pequeno porte. muitos já secaram e outros estão com nível muito baixo. Então, começamos a ter problemas de atendimento da populaçãodestas cinco regiões administrativas. Essa população começou a ter interrupção no fornecimento porque a Caesb (Companhia de Abastecimento Ambiental do Distrito Federal) não podia ficar com as máquinas ligadas por falta de água. Às vezes porque o córrego estava baixo devido a falta de chuva, outras porque havia conflito entre os usuários”, explicou o diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles.
Segundo o professor da Universidade de Brasília, Sérgio Koide, doutor em Recursos Hídricos, para situações de racionamento não acontecerem nesta região, o sistema deveria trabalhar com uma folga, ou seja, deveria estar ligado a mais fontes de água para os momentos de estiagem.
Desde julho a Adasa estuda estabelecer sobretaxa na tarifa para quem aumentar o consumo, como medida para evitar o colapso do sistema hídrico. Por enquanto, as medidas são acordos com o setor agrícola para se organizarem nos horários de captação, recomendações para que posto de lavagem de carro e caminhões-pipa reduzam o consumo e campanhas de conscientização para que a população não lave calçadas, fachadas de prédios, e tenha um consumo consciente.
Chuvas
De acordo com o especialista, é preciso economizar até que as chuvas venham o suficiente para encher os córregos. Nos últimos dois dias, choveu em vários pontos do Distrito Federal, mas não o suficiente para amenizar a escassez de água. “Se a gente conseguir fazer uma gestão razoável e a população diminuir o consumo, a gente vai conseguir chegar ao período das chuvas com o problema contornado. Porém, enquanto a gente não aumentar a produção, o problema vai continuar acontecendo. Estamos muito próximos do limite do sistema. O colapso vai acontecer sempre que tivermos uma época seca”.
A previsão era que quatro regiões sofreriam suspensão do abastecimento entre sexta-feira e a próxima segunda-feira (26), porém, com a queda de uma forte chuva na sexta-feira feira e com as medidas de economia, a Caesb cancelou as manobras de fechamento do abastecimento de água para as regiões de São Sebastião e Jardim Botânico. Já as regiões de Sobradinho e Planaltina começaram a apresentar pequenas melhorias, mas que ainda não permitem suspensão total das manobras técnicas e terão suspensões de abastecimento que durarão até às 23 horas até a segunda-feira.
Mudança de rotina
A comerciante de Sobradinho, Maria Ferreira, diz que em seu estabelecimento faltou água duas vezes durante a última semana. “Tem muitos anos que moro aqui e nunca vi faltar água desse jeito”, relatou. Segundo ela, a rotina do comércio teve que mudar. “Agora temos que deixar água no tambor. Quando falta água por uma noite ou um dia dá para se virar. A gente enche as garrafas da geladeira e se vira. Mais que isso, complica”.
Na creche de Jorge Cordeiro, também em Sobradinho, as crianças tiveram que ir para casa sem banho. “Quinta-feira não tivemos água o dia todo. Não pudemos dar banho nas crianças, porque aqui damos banho em todo mundo. Aqui tem 48 crianças. Inclusive, quando os pais vieram buscar as crianças explicamos que, infelizmente, não foi possível dar banho nelas porque demos prioridade à água para o pessoal beber. Hoje já teve água, mas semana passada também não teve banho”, contou Cordeiro.
Cláudia Maria também começou a adotar novos hábitos em casa com a falta de água. “Se for lavar roupa, a gente coloca um balde, coloca todas as águas de roupa ali no balde e com essa água dá para lavar o chão e dar descarga. Banho é só uma vez por dia, com os meninos pequenos é só unzinho e bem rápidão e, se não tiver água, tem que pegar nas canecas. Às vezes usamos a mesma água que lavamos a roupa para lavar outras roupas. Ai só na hora de enxaguar que usamos uma água mais limpa. Lavo a roupa branquinha, ai deixo a que solta mais tinta por último. Ai, depois tiro essa água, jogo no balde e aproveito para lavar a área”, explicou a dona de casa.
Para Paulo Salles, presidente da Adasa, não há motivo para a população se desesperar.”A situação é difícil, mas temos água e estamos fazendo todo possível para prolongar o uso dessa água. Temos duas formas de prolongar esse uso: chover ou reduzir o consumo. Estamos trabalhando para reduzir o consumo e essa é a grande mensagem”.

Ensino médio: estudantes querem melhor formação de professores e diálogo

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil
Ensino médio Imagem de Arquivo/Agência Brasil
A media provisória que institui o Novo Ensino Médio precisa ainda ser aprovada no Congresso NacionalImagem de Arquivo/Agência Brasil




















Principais atingidos pela reforma do ensino médio, estudantes têm muitas dúvidas sobre a medida provisória que institui o Novo Ensino Médio. Eles concordam que a etapa de ensino precisa de melhorias e apontam a formação dos professores e o diálogo como os principais caminhos. Após a publicação da MP 746/2016, a Agência Brasil conversou com alguns estudantes de escolas públicas e particulares.
“Vão retirar disciplinas? Eu sou contra. São conteúdos como sociologia e filosofia que estimulam o pensamento crítico. Eu vou poder escolher o que vou estudar? Vão ter várias opções de ensino técnico? Se forem poucas, não vai adiantar”, diz Jonathan Alves de Oliveira, 18 anos, estudante do 2º ano do Centro de Ensino Médio Setor Oeste, escola pública de Brasília.
Jonathan se descreve como interessado e alguém que aprende fácil. Atualmente, aluno do ensino médio noturno, diz que deixou o diurno porque não conseguia se concentrar. “É muita confusão, os estudantes são muito desinteressados, os professores ficam estressados”, diz.
A reforma ganhou destaque após a divulgação dos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade do ensino no país. Pelo segundo ano consecutivo, a meta estabelecida para o ensino médio não foi cumprida e a etapa está estagnada desde 2011. Uma reforma já está em tramitação na Câmara dos Deputados, por meio do Projeto de Lei (PL) 6480/2013. O governo justifica a edição de uma MP como forma de dar agilidade ao processo. Agora o Congresso terá 120 dias para decidir se aprova a medida.
Professores
“O ensino médio é cansativo e desinteressante. Parece que tudo na sala de aula fica desinteressante, muita gente larga porque é chato”, diz Marcos Fabrício da Silva, 18 anos, estudante do 2º ano do Setor Oeste. Segundo ele, o professor faz toda a diferença. “Quando o professor tem uma boa didática, tem intimidade com os estudantes, ele consegue dar uma ótima aula. A formação do professor faz toda a diferença”, acrescenta.
Atualmente, o ensino médio tem 8 milhões de alunos em escolas públicas e privadas. Segundo o Ministério da Educação, enquanto a taxa de abandono do ensino fundamental foi 1,9%, a do médio chegou a 6,8%. Já a reprovação no fundamental é 8,2%, frente a 11,5% no ensino médio.
Marcos foi um dos que largou o ensino médio por dois anos, por desinteresse. Voltou a estudar para buscar uma vaga no ensino superior, quer cursar comunicação social. “Tem aulas que o professor só nos faz copiar, não tem debate, não tem diálogo, isso é ruim. Por outro lado, têm professores que te fazem aprender e você não esquece mais. Os professores são mais importantes que toda uma reforma”, diz. Ao lado do colega, Jonathan concorda que o aprendizado depende dos professores.
Voz ativa
Rio de Janeiro- Estudantes circulam com rostos cobertos durante visita do presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, Marcelo Chalréo, à ocupação na Secretaria Estadual de Educação (Fernando Frazão/Ag
Rio de Janeiro - O movimento Ocupa Escola chegou a atinger, segundo a Secretaria Estadual de Educação, 67 escolas da rede pública do estado do RioFernando Frazão/Agência Brasil





















Pesquisa divulgada essa semana mostrou que os jovens não estão satisfeitos com as escolas brasileiras. O descontentamento envolve aulas e material pedagógico e apenas um em cada dez estudantes de 13 a 21 anos diz estar satisfeito na avaliação desses quesitos.
A insatisfação com o atual cenário e com a forma como gestores conduzem a educação, aliadas a uma busca por maior participação, levou dezenas de jovens em várias cidades a ocuparem suas escolas.
O anúncio de uma reforma por meio de medida provisória foi vista como uma imposição a quem está na ponta: “Acho bastante preocupante e um retrocesso uma reforma ser feita dessa forma”, diz Luiz Felipe Costa, de 19 anos, estudante do 3º ano, da Escola Estadual de Ensino Médio Arnulpho Mattos, no Espírito Santo, que participou das ocupações no estado.
“Hoje o ensino médio é velho e falido, não contempla os estudantes. Eu acho importante fazer uma reforma, mas isso deveria ser amplamente debatido”, acrescenta.
Decisão difícil
A MP torna a carga horária mais flexível e dá maior autonomia aos estados para decidirem a organização da rede. De acordo com a medida, 1,2 mil horas, metade do tempo total do ensino médio, serão destinadas ao conteúdo obrigatório definido pela Base Nacional Comum Curricular, que ainda será discutida.
No restante da formação, os alunos poderão escolher seguir cinco trajetórias: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas – modelo usado também na divisão das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – e formação técnica e profissional.
Para Cecília, 16 anos, estudante do 2º ano do Centro Educacional Sigma, escola particular de Brasília, decidir que ênfase se quer dar aos estudos pode ser difícil para estudantes ainda em formação. “Eu sou muito indecisa, imagina ter que decidir isso. Não gostei da proposta”, diz.